Suínos
Três décadas estudando doenças prepararam a suinocultura para os próximos desafios
Para entender o atual panorama destas enfermidades, seus desafios, pesquisas realizadas e em andamento, além de iniciativas no setor para monitorar, prevenir e controlar essas doenças no rebanho suíno, o Jornal O Presente Rural conversou com a médica-veterinária e pesquisadora em Sanidade na Embrapa, Janice Zanella. Confira!

Há uma grande quantidade de doenças que afetam a saúde humana e animal espalhadas pelos quatro cantos do planeta. Algumas já são velhas conhecidas, outras estão surgindo e ainda existem aquelas enfermidades que já estavam controladas, mas retornaram fazendo novas vítimas. Essas doenças são classificadas de acordo com seu comportamento epidemiológico, podendo ser emergentes ou reemergentes.
A doença emergente é definida como aquela causada por um patógeno novo que é reconhecido ou sofreu mutação recente, e a reemergente que já ocorreu anteriormente e agora demonstra um aumento na incidência ou expansão na área geográfica, tipo de hospedeiro ou vetor.
Quando as patologias se referem a zoonoses – doenças compartilhadas entre seres humanos e animais – é preciso se atentar para três aspectos: 1) hospedeiro: sendo ele humano, animal (doméstico ou silvestre) ou mesmo o vetor (morcego, roedor, artrópode, dentre outros); 2) patógeno: vírus, bactérias, parasitas; 3) ambiente: terrestre ou aquático e a interação entre esses atores.

Médica-veterinária e pesquisadora em Sanidade Animal da Embrapa, Janice Zanella: “É importante que as instituições e os países ajam com transparência, apoiando iniciativas de pesquisa e controle de doenças” – Foto: Divulgação
Para entender o atual panorama destas enfermidades na suinocultura, seus desafios, pesquisas realizadas e em andamento, além de iniciativas no setor para monitorar, prevenir e controlar essas doenças no rebanho suíno, o Jornal O Presente Rural conversou com a médica-veterinária e pesquisadora em Sanidade Animal na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Janice Zanella, que palestra sobre as lições apreendidas ao longo de 30 anos de prática e pesquisa sobre doenças emergentes e reermergentes de suínos no Pork Expo & Congresso Internacional de Suinocultura, que acontece nos dias 26 e 27 de outubro, em Foz do Iguaçu, PR.
De acordo com ela, as zoonoses emergentes surgem em todos continentes, apesar de existirem hotspots que influenciam e de certa forma agilizam a evolução dos agentes patogênicos e sua emergência como doença. “Os hotspots mais comuns são em territórios com elevada biodiversidade, como o cinturão tropical do globo. Dezenas de fatores têm sido elencados como aceleradores de emergência das zoonoses emergentes, mas o principal é a expansão da população humana, ou seja, mais hospedeiros para os patógenos zoonóticos infectarem e neles evoluírem, propagando assim para os demais seres vivos”, pontua.
Outros fatores são a urbanização, invasão de novas fronteiras, alteração das práticas de manejo de criação animal, interação com animais (e vetores) silvestres, mudanças no meio ambiente e aquisição pelos patógenos de novos fatores de virulência estão entre os principais. “As cidades estão crescendo, invadindo novos habitats, as pessoas estão morando mais próximas de regiões antes não habitadas e os cursos dos rios estão mudando. Isso faz com que vírus e bactérias que estavam restritos a determinadas regiões se desloquem”, explica Janice, acrescentando: “O fato das pessoas viajarem mais, da nossa comida cruzar fronteiras internacionais, faz com que facilite a difusão de agentes patogênicos, além de estarmos envelhecendo mais, o que propicia a diminuição da imunidade, fazendo com que fiquemos mais suscetíveis a doenças. Isso sem contar com a evolução natural dos patógenos”.
A mudança do clima também é apontada por Janice como motivo para a evolução de patógenos. Isso porque o aquecimento global e as alterações ecológicas facilitadas pelo uso da terra têm modificado os hotspots. Em resumo, a maioria dos fatores são impostos pela interferência humana e o desequilíbrio.
No último século, emergiram ou reemergiram dezenas de doenças infecciosas ou parasitárias, dentre elas Covid-19, Ebola, Dengue, Chikungunya, Zika, Febre Amarela, Tuberculose, Sars, Mers, Sarampo, Varíola, HIV-Aids, gripes (Influenzas humanas, aviárias ou suína), parasitoses (tripanossomíases), sendo que mais de 75% delas são originárias através de agentes microbianos de animais.
De acordo com os órgãos de saúde, estima-se que no mundo surjam cinco doenças humanas emergentes a cada ano. E pesquisadores também preveem que poderá haver uma pandemia a cada 10 anos. “As pandemias matam mais do que guerras mundiais”, constata Janice.
Desafios na suinocultura
Garantir a sanidade dos rebanhos suínos é um dos maiores desafios da cadeia, que vive em estado de alerta constante em razão dos eventos sanitários registrados nos últimos anos ao redor do globo, particularmente a ocorrência da Diarreia Epidêmica dos Suínos (PED), nos Estados Unidos (EUA); a Peste Suína Africana, com maior incidência na Europa, Ásia e Caribe; além da infecção pelo Senecavírus A no Brasil e nos EUA. “Esse panorama alerta o setor para a necessidade de se desenvolver mecanismos mais ágeis de monitoramento, detecção, controle e erradicação de enfermidades emergentes na suinocultura. Um dos fatores mais importantes é a inter-relação da produção, porque nunca estivemos tão conectados como agora”, menciona a pesquisadora.
Essa estrutura de produção moderna e complexa proporciona a transferência e transporte de animais e insumos entre os mais diversos locais do planeta, sendo que, somente no Brasil, cerca de 350 mil suínos são transferidos diariamente. Paralelo a isso, a modernização nas operações, maior tecnologia empregada, granjas cada vez maiores e, consequentemente, com alto capital empregado, além da interligação de todos elos da cadeia, elevam consideravelmente o risco econômico da atividade.
Aumento da emergência de patógenos
Patógenos causadores de doenças, sendo elas endêmicas, emergentes ou reemergentes sempre vão causar preocupações e perdas, seja no desempenho do animal ou causando mortalidades. Todavia, o que tem chamado atenção é o aumento significativo de patógenos, principalmente os zoonóticos, com notificações em todos os continentes. “Mesmo com toda tecnologia e altos custos investidos em medicações e vacinas, existem dificuldades em se produzir suínos intensivamente sem a utilização de antibióticos em determinadas fases, o que pode acarretar na resistência de patógenos aos antimicrobianos. Isso sem mencionar falhas vacinais devido ao surgimento de variantes”, expõe a pesquisadora.
De acordo com Janice, nas últimas décadas a maioria dos patógenos emergentes já ocorriam nas criações suinícolas de forma equilibrada, porém acabaram adquirindo fatores de virulência importantes para manifestações de síndromes patológicas, antes desconhecidas. É assim que muitos genótipos patogênicos de diversos agentes infecciosos surgiram e poderão continuar surgindo (ver tabela 1).
Agentes virais
Entre os agentes virais de maior importância, Janice destaca os vírus da Influenza A (H1N1pdm), Circovírus suíno tipo 2 (PCV2), Seneca Valley Vírus (SVV) ou Senecavírus A, vírus da Diarreia Epidêmica dos Suínos (PEDV), vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRSV) e Peste Suína Africana.
Outros agentes como o Enterovírus suíno, Sapelovírus suíno (PSV), Kobuvírus suíno (PKBV) e vírus Torque teno sus suíno (TTSuV), Porcine bocavirus (PBoV), Porcine toroviruses (PToV), e Porcine lymphotropic herpesviruses (PLHV), vírus da Hepatite E dos suínos (swine HEV) e o Sapovírus Suíno (porcine SaV) que, embora a importância clínica ainda não esteja clara, estão presentes em lesões ou acompanhados em quadros clínicos com outros agentes.
Além disso, novos vírus emergentes, como Pestivírus suíno atípico (APPV), PCV-3, PCV-4, SADS-CoV, Influenza D e outros com distribuição regional ou mundial constituem um novo desafio para a Medicina Veterinária.
Baseado no que tem surgido na cadeia produtiva, Janice diz que as doenças emergentes podem ser classificadas em três categorias. A primeira se refere aos patógenos suínos endêmicos que mudam em patogenicidade ou forma de transmissão. “Alterações na virulência tanto por rearranjo, recombinação ou mutação de vírus suínos, principalmente os vírus de RNA e DNA de fita simples que têm uma alta taxa de mutação (10-4/10-5 nucleotídeos por ciclo de replicação), facilitam sua adaptação à resposta imune inata. Exemplos relevantes são HP PRRSV (PRRSV de alta patogenicidade), Influenza A H1N1pdm09 (vírus da Influenza pandêmico) e PEDV”, revela.
A segunda está relacionada à patógenos não-suídeos que entram nas populações de suínos e a terceira diz respeito aos agentes zoonóticos não patogênicos que adentram nas populações de suínos. “A transmissão interespécies significa a infecção de agente potencialmente patogênico em um novo hospedeiro, como a Influenza A entre aves migratórias aquáticas e seres humanos. Os morcegos são a fonte do vírus Nipah e da Síndrome da Diarreia Aguda Suína (SADS coronavírus). Trabalhos recentes têm encontrado PCV-3 suíno com alta homologia com PCV-1 de morcegos”, relata Janice.
Por um longo período de tempo, os vírus estiveram presentes como infecções subclínicas e foram descobertos com o desenvolvimento de
técnicas metagenômicas, de sequenciamento de última geração ou fatores exógenos -ligados ao estímulo, ao ambiente e à cultura. “Vírus como PCV3, PCV-4, SADS-CoV e LINDA (novo pestivírus causador de tremor congênito conhecido como agente neurodegenerativo indutor de agitação) foram caracterizados por estas técnicas”, menciona.
Conforme a médica-veterinária, os drivers ou impulsionadores de emergência de patógenos em populações de suínos podem ser devidos a dois fatores. O primeiro é probabilístico, ou seja, a ameaça sempre esteve presente e o surgimento é simplesmente uma questão de tempo. O segundo fator, que geralmente se discute mais, e é muito difícil de comprovar, é a mudança da ecologia destes patógenos.
Riscos de doenças na suinocultura
Doenças animais causam enorme impacto econômico, social ou ambiental para a produção. A perda de mercados para os produtos de origem animal é uma realidade quando a saúde pública está em jogo devido a uma zoonose. “Os governos precisam ter a responsabilidade em prevenção e preparo, em vigilância e resposta, em biossegurança e controle da infecção, além do tratamento das doenças infecciosas, que começa entendendo os fatores importantes para emergência de patógenos, evitando o impacto desta emergência e conectando as autoridades locais, regionais, governamentais e mundiais. É de suma importância esse preparo”, enfatiza Janice.
Desta forma, a pesquisadora salienta a importância de investir no conceito saúde única, vigilância epidemiológica, estudo de evolução de patógenos com potencial zoonótico, desenvolvimento de plataformas de vacinas, antivirais, antimicrobianos de última geração e demais ciências são fundamentais para a atenção rápida da saúde. “Vidas humanas, saúde animal e equilíbrio do planeta estão em jogo”, sintetiza.
A médica-veterinária ressalta que a melhor chance de erradicar ou conter uma doença nova ou reemergente é quando ela surge, uma vez que a detecção precoce, a notificação e o compartilhamento de informações e agentes patogênicos com países e com a comunidade internacional é ponto chave para a pronta resposta em nível nacional e global. “A contingência de doenças emergentes requer o compromisso de todas as instâncias de governo e das organizações internacionais”, pontua.
Mitigação das doenças emergentes
O futuro do agronegócio depende da mitigação das doenças emergentes, principalmente as zoonoses, no entanto a vigilância e a mitigação de riscos custam caro.
O custo das doenças animais deve ser levado em conta, porque podem ser divididos em custos diretos – impacto imediato na pecuária e na agricultura; e custos indiretos – que incluem a mitigação e esforços para o controle, as perdas no comércio e outra forma de renda; além dos impactos na saúde humana. “Existem dificuldades em estimar os custos de doenças animais globalmente como preços de produtos de origem animal e a produtividade varia enormemente, assim como os custos para financiar monitoramento e controle de doenças”, evidencia Janice, ampliando: “Embora isso faça com que o custo total das doenças animais em uma escala global seja difícil de acessar, pode-se ter uma noção do impacto social e econômico dos surtos. Países como o Brasil, com grande vocação no agronegócio e com o potencial de abastecer e alimentar o mundo, tem de olhar para o futuro e, mais rapidamente, investir e se estruturar para dar essas respostas”.
Impactos das doenças
O agronegócio brasileiro foi responsável por 27,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021. Assim como é para o Brasil, o setor também é essencial para a economia de diversos países. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), muitas vezes a agricultura familiar é a única fonte de proteína para as pessoas.
O Banco Mundial estima que as doenças zoonóticas afetam mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo, causando mais de dois milhões de mortes a cada ano, resultando em surtos com impactos significativos na saúde pública e na economia.
Entre 1997 e 2009, surgiram seis grandes surtos de doenças zoonóticas fatais, que incluem o vírus Nipah na Malásia; a Febre do Nilo Ocidental nos EUA; a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) na Ásia e no Canadá; o vírus da Gripe Aviária Altamente Patogênica (HPAI) na Ásia e na Europa; a Encefalopatia espongiforme bovina (BSE) ou vaca louca nos EUA e no Reino Unido; e a Febre do Vale do Rift na África. “Todas estas doenças originaram ou envolveram a vida selvagem, que custaram à economia global pelo menos US$ 80 bilhões. Se esses surtos tivessem sido evitados, as perdas de US$ 7 bilhões por ano não teriam ocorrido”, aponta Janice.
Nesse cenário, os investimentos necessários para um Sistema de Saúde Única foram estimados entre US$ 2 bilhões a US$ 4 bilhões por ano, ficando substancialmente abaixo da média de US$ 7 bilhões em perdas devido aos seis maiores surtos de doenças zoonóticas entre 1997 e 2009, considerando que nenhum dos surtos das seis doenças evoluiu para uma pandemia.
Desta forma, foi ainda estimado que um investimento anual entre US$ 2 bilhões a US$ 4 bilhões seria necessário para construir e operar sistemas de prevenção e controle eficazes de doenças em países de baixa e média renda. Conforme o Banco Mundial, o sucesso na prevenção do início de pandemias vem com uma taxa de retorno anual esperada de 86%.
Segundo Janice, o impacto da Covid-19 causado pela pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) na saúde humana e na economia mundial ficou acima de US$ 30 trilhões. No entanto, a pesquisadora diz que o impacto da pandemia na cadeia de abastecimento alimentar, especificamente na cadeia da carne, foi inesperado. “A alta incidência de Covid-19 em trabalhadores de frigoríficos evoluiu rapidamente para afetar o bem-estar humano, animal e ambiental em vários países. Isso levou ao fechamento de plantas de processamento devido a surtos, especialmente as indústrias de suínos e aves. A redução do abate de animais resultou em aglomeração nas fazendas, o que levou à redução de ração para os animais, sua eutanásia e descarte inadequado das carcaças. Isso teve impacto no bem-estar animal, na renda do produtor, no abastecimento e na biossegurança”, lamenta.
Em alerta constante
Segundo a pesquisadora, as doenças animais respondem por 20% das perdas nas cadeias de proteína animal. Por isso, a Organização Mundial de Saúde, a Organização Mundial para Saúde Animal e a FAO trabalham arduamente para que os países membros previnam essas enfermidades para garantir o abastecimento de alimentos, manter a renda familiar, a saúde e preservar o futuro. “Uma saúde não é apenas um conceito, mas também uma ação de vigilância e controle que todos os países devem implementar”, salienta Janice.
A pandemia do novo coronavírus enfatizou a importância que a discussão e a vigilância de doenças emergentes representam para a sociedade científica, especialmente no caso de doenças zoonóticas. “Mesmo no cenário atual de evolução da pesquisa biomédica, sofisticação de metodologias, equipamentos, instalações de última geração e formação de técnicos, as doenças continuam surgindo na natureza e infectando os seres vivos em todos os continentes”, relata a médica-veterinária.
Entre as doenças animais emergentes mais estudadas estão as doenças virais, devido a sua alta ocorrência no último século e sua gravidade. “Vários fatores desencadearam esses fenômenos, mas falhas na biossegurança, biocontenção e desequilíbrio na imunidade da fazenda devem ser ajustados. Os vírus evoluem naturalmente, por mutação, rearranjo ou recombinação, tornando-se mais ou menos virulentos, mais transmissíveis ou não, podendo até desaparecer”, elenca Janice.
Legado para o futuro
Entre as lições apreendidas ao longo das últimas três décadas, Janice pontua que a pesquisa mostrou que a saúde animal está relacionada com a saúde humana, saúde do meio ambiente e todos esses fatores devem estar conectados para poder entender, controlar e evitar o surgimento e o transbordamento de zoonoses e pandemias. “Doenças emergentes e reemergentes são um risco devido a suscetibilidade da população aos novos agentes. Isso se deu com a Influenza pandêmica (gripe A) em 2009, um vírus novo que ao longo dos anos foi adquirindo outros segmentos de vírus de Influenza humana, suína e aviária, um rearranjo triplo”, evidencia a pesquisadora.
“A tecnologia aplicada nas vacinas, antibióticos e epidemiologia molecular evoluiu substancialmente nos últimos 30 anos, a exemplo do que vimos com a pandemia da Covid-19, em que os cientistas do mundo todo se uniram para uma combinação de compartilhamento de informações, de estruturas laboratoriais, insumos, cooperação de especialistas, empresas, países, atuação forte de organizações internacionais para consórcio de vacinas afim de oportunizar que países em desenvolvimento pudessem vacinar suas populações. Ciência se faz com parcerias, com compartilhamento de insumos, conhecimento e laboratórios, transparência e multidisciplinariedade. É importante que as instituições e os países ajam com transparência, apoiando iniciativas de pesquisa e controle de doenças”, frisa a profissional, acrescentando que as pesquisas no setor público devem ser financiadas.
Neste sentido, têm surgido iniciativas com a criação de startups e agtechs voltadas ao agronegócio. São equipes multidisciplinares formadas por pessoas criativas, onde se formam ecossistemas da inovação. “A união de pesquisadores, produtores, empresas inovadoras e financiadores, que se complementam, trazem soluções práticas com investimento privado. A inovação aberta identifica as ‘dores’ do setor com soluções de retorno rápido”, considera Janice.
Criação do OHHLEP
De acordo com Janice, a pandemia de Covid-19 expôs, segundo a pesquisadora, lacunas importantes no conhecimento de cientistas sobre como as doenças zoonóticas se espalham de animais para humanos e como podem surgir e ressurgir com impactos devastadores em todos os setores, enfatizando a necessidade de maior coordenação e colaboração entre setores e agências nacional e internacionais para melhor prevenir, preparar e responder a essas ameaças.
Diante desta necessidade, em novembro de 2020, a Reunião Ministerial da Aliança para o Multilateralismo, realizada no Fórum de Paz de Paris, convocou a Tripartite – FAO, OIE e OMS – e os representantes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para criar um painel de especialistas de alto nível em saúde multidisciplinar, denominado pela sigla em inglês de OHHLEP.
Posteriormente, em fevereiro de 2021, durante a 27ª Reunião Executiva Tripartite, foi definido que o OHHLEP vai auxiliar os países no âmbito da saúde única. Com o apoio dos governos da França e da Alemanha, a iniciativa foi lançada em maio de 2021, com a nomeação de 26 especialistas internacionais, entre eles Janice, para representar uma ampla gama de disciplinas e setores relacionados a políticas relevantes para a saúde única.
Janice conta que a primeira ação do grupo foi criar uma definição nova e expandida de saúde única, passando o conceito a significar: uma abordagem integrada e unificadora que visa equilibrar e otimizar de forma sustentável a saúde das pessoas, dos animais e ecossistemas, reconhecendo que são intimamente ligados e interdependentes. “A nova abordagem de saúde única mobiliza múltiplos setores, disciplinas e comunidades em vários níveis da sociedade a trabalharem juntas para promover bem-estar e combater as ameaças à saúde e aos ecossistemas, abordando a necessidade coletiva de água limpa, energia e ar, alimentos seguros e nutritivos, agindo sobre as mudanças climáticas e contribuindo para o desenvolvimento sustentável”, destaca Janice.
O OHHLEP objetiva analisar evidências científicas sobre os fatores que contribuem para o transbordamento e subsequente disseminação de doenças zoonóticas, desenvolver uma estrutura de gerenciamento de risco e uma Teoria de Mudança OH (ToC) para mover saúde única do conceito à prática, bem como propor um sistema de vigilância em saúde única otimizado. “Todos estão comprometidos em usar o conhecimento gerado pelo OHHLEP para melhorar os sistemas visando prevenir, prever, detectar e responder melhor às ameaças globais à saúde em todos os níveis”, afirma Janice.
Estratégia de Saúde Única
A pesquisadora da Embrapa diz que difícil prever o surgimento ou o retorno de epidemias na suinocultura, no entanto o ponto chave na prevenção de zoonoses emergentes é realizar a identificação precoce de patógenos em animais e dar uma resposta rápida antes que a doença se torne uma ameaça para a população humana.
Neste sentido, a Institucionalização da Estratégia de Saúde Única deve ocorrer em diversos setores que atuam na saúde pública, incluindo pesquisa e desenvolvimento, formular estratégias para conter ameaças de doenças estudando seu comportamento (prevenção) e se preparar para desastres e pandemias de acordo com cada situação (preparação). “A resposta rápida inclui o relatório oportuno da doença e a compensação. É fundamental fomentar parcerias com organizações que tenham experiência em monitoramento da fauna, epidemiologia e treinamento de campo, tenham excelente infraestrutura laboratorial, boa comunicação e planejamento nacional. Deve ter o apoio de diferentes setores públicos e privados, uma forte cooperação e financiamento dedicado”, frisa Janice.
Os procedimentos sanitários, fitossanitários e a biossegurança são importantes para todas as atividades humanas, incluindo a saúde e a produção pecuária. Além disso, implementação de protocolos e planos de ação para controle de doenças como avaliação de risco, comunicação e gestão, quarentena de animais importados e realização de vigilância estruturada de doenças e sorovigilância. “Protocolos eficazes de inativação de vírus ou outros agentes por compostagem, ou ainda outros tratamentos, podem reduzir os riscos de transmissão por esterco ou pela água”, aponta Janice.
Conforme a pesquisadora, vários fatores são importantes a serem considerados na transmissão de doenças ou mesmo no surgimento ou reemergência de doenças. No entanto, três aspectos principais devem ser considerados: hospedeiro, agente e ambiente. Diversas ameaças e desafios são impostos à produção de alimentos de origem animal, entre eles a globalização, o que facilitou e intensificou o comércio de alimentos e rações. “Esta liberalização do comércio mundial, embora ofereça muitos benefícios e oportunidades, também apresenta novos riscos”, pontua.
Organizações internacionais como a OIE e a FAO buscam harmonizar os métodos de diagnóstico, detecção, controle e comunicação de doenças a fim de reduzir as perdas. E o serviço veterinário deve incluir vigilância de rotina, investigações de campo, coleta de amostras, investigações epidemiológicas, análise de risco e mapeamento. “É imperativo que essas abordagens existam em todos os níveis – regional, nacional e internacional – para que uma estrutura organizacional esteja em vigor afim de prevenir e controlar melhor os riscos à saúde animal e humana, além do impacto econômico de doenças animais emergentes e transfronteiriças”, reforça Janice.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Suínos
Semana Nacional da Carne Suína amplia oferta de cortes e aposta em experiência de compra
Além de promoções, supermercados investem em ações educativas, receitas e comunicação voltada a diferentes ocasiões de consumo.

A Semana Nacional da Carne Suína segue mobilizando redes de varejo de todas as regiões do país com campanhas que vão muito além das ofertas. As ações desenvolvidas pelo Pão de Açúcar, Extra Mercado, Carrefour, Bretas, Prezunic, GBarbosa, Swift, Amigão, Boa, Compre Mais, Paraná Supermercados, Avenida, Confiança, Jaú Serve, Proença, Shibata, Pague Menos, Mix Mateus, Mateus Supermercados, Camino, Super Pão e Dom Olívio demonstram um esforço conjunto para dar protagonismo à carne suína e estimular novas ocasiões de consumo.

Foto: Divulgação/ABCS
Um dos principais destaques desta edição é a transformação dos espaços de venda. As redes investiram em materiais de ponto de venda e ambientação temática, criando verdadeiros festivais da carne suína dentro das lojas, e o enxoval está sendo utilizado para aumentar a visibilidade da categoria e conduzir o consumidor até os produtos.
As campanhas também mostram uma evolução importante na forma de comunicar a carne suína. Além de focar em preço, as redes passaram a trabalhar conceitos relacionados a sabor, versatilidade, rendimento e economia com forte presença visual em loja, materiais promocionais, tabloides exclusivos e mensagens destacando que a carne suína rende mais proteína, sabor e economia, reforçando atributos que dialogam diretamente com as necessidades do consumidor.
Outro aspecto valorizado foi o sortimento de diferentes cortes. As campanhas apresentam a carne suína de forma

Foto: Divulgação/ABCS
ampla, destacando produtos para diversas ocasiões de consumo. Cortes para o dia a dia, churrasco, refeições especiais e preparações rápidas ganharam espaço nas comunicações, ajudando a mostrar que a proteína está presente em muito mais momentos do que tradicionalmente se imagina.
Algumas redes trabalham uma comunicação focada em ocasiões de consumo, apresentando a carne suína como uma opção para o dia a dia, final de semana, churrasco, receitas especiais e preparações práticas.
A estratégia reforça a versatilidade da proteína e ajuda o consumidor a identificar facilmente como utilizar cada corte em diferentes momentos. Além disso, as redes participantes reforçaram seus estoques e aumentaram a variedade de produtos disponíveis, oferecendo desde cortes tradicionais até opções premium, produtos temperados, congelados, porcionados e itens voltados ao churrasco. Essa estratégia amplia as possibilidades de escolha e estimula a experimentação por parte dos consumidores.
As ações educativas também merecem destaque. Diversas redes incluíram conteúdos sobre cortes suínos, rendimento, preparo e benefícios nutricionais com mapa dos cortes, receitas, sugestões de preparo para air fryer e informações sobre características nutricionais da carne suína, contribuindo para ampliar o conhecimento do consumidor e desmistificar conceitos antigos sobre a proteína.

Foto: Divulgação/ABCS
No ambiente digital, a campanha ganhou força por meio de publicações nas redes sociais, vídeos, receitas, conteúdos com influenciadores e divulgação nos aplicativos das redes. Muitas redes integraram a comunicação online e offline, levando para os canais digitais as mesmas mensagens presentes nas lojas.
Receitas, dicas de preparo, sugestões de harmonização e informações nutricionais ajudaram a manter o tema presente durante todo o período da ação. Fique de olho nos perfis das redes participantes para conhecer essa comunicação!

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Ao combinar ofertas, informação, experiência de compra e conteúdo educativo, as redes contribuem para fortalecer a categoria e ampliar sua presença na mesa dos brasileiros” – Foto: Divulgação/ABCS
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as ações desenvolvidas pelas redes varejistas mostram que a carne suína vem ampliando seu espaço no mercado brasileiro não apenas pelo preço, mas também pela variedade de cortes e pelas diferentes possibilidades de consumo. “A carne suína é uma proteína moderna, versátil e adequada para diferentes perfis de consumo. Ao combinar ofertas, informação, experiência de compra e conteúdo educativo, as redes contribuem para fortalecer a categoria e ampliar sua presença na mesa dos brasileiros”, afirma.
A Semana Nacional da Carne Suína segue até sexta-feira (19) e reúne supermercados de diversas regiões do país. Além das promoções, a campanha tem apostado em ambientação temática nas lojas, ampliação do sortimento, divulgação de receitas e informações sobre cortes, rendimento e preparo dos produtos.
A iniciativa busca aproximar o consumidor da proteína e estimular novas ocasiões de consumo, em um momento em que a carne suína registra crescimento tanto no mercado interno quanto nas exportações e ganha participação cada vez maior na alimentação dos brasileiros.
Suínos
O desafio da sucessão no agronegócio será debatido durante 18º SBSS
Evento será realizado de 11 a 13 de agosto no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

A formação de lideranças, a retenção de talentos e o preparo das novas gerações para os desafios do agronegócio estarão em debate durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). A palestra “Capital Humano e Sucessão: preparando a próxima geração e as equipes de alta performance” será ministrada por Rogério Facin, no dia 13 de agosto, às 10h35, durante o Painel Pessoas – Gestão e Performance, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Shutterstock
Em um cenário marcado pela transformação do mercado de trabalho, pela busca por profissionais qualificados e pelos desafios relacionados à sucessão nas empresas, o desenvolvimento de pessoas tornou-se um dos principais fatores para a sustentabilidade e a competitividade das organizações. A palestra trará reflexões sobre a preparação de equipes de alta performance e a construção de ambientes capazes de atrair, desenvolver e reter talentos.
Rogério Facin é graduado em Processamento de Dados pela Faculdade de Tecnologia (FATEC) e possui MBA em Gestão de Pessoas. É cofundador da Go Winners, empresa especializada no desenvolvimento comportamental de jovens e na facilitação de sua inserção no mercado de trabalho, e da Indicação Consultoria, organização voltada à gestão de capital humano, desenvolvimento comportamental e projetos de remuneração, com forte atuação no agronegócio.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A tecnologia avança rapidamente, mas são as pessoas que fazem os sistemas funcionarem” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Ao longo de sua trajetória profissional, acumulou mais de 15 anos de experiência em multinacional do setor de máquinas e equipamentos, além de ter atuado como coordenador do Grupo Regional de Remuneração DEASA e professor universitário na área de Gestão de Pessoas. Sua experiência une a visão corporativa à prática do desenvolvimento humano dentro das organizações.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que os desafios relacionados às pessoas estão entre os temas de destaque para o futuro da produção animal. “A tecnologia avança rapidamente, mas são as pessoas que fazem os sistemas funcionarem. Hoje, um dos grandes desafios das empresas é formar lideranças, desenvolver equipes e preparar as novas gerações para assumir posições estratégicas. Por isso, esse tema ocupa espaço de destaque na programação do SBSS”, afirma.
Para o presidente da Comissão Científica do SBSS, Lucas Piroca, discutir capital humano é tão importante quanto

Presidente da Comissão Científica do SBSS, Lucas Piroca: “A eficiência das granjas e das agroindústrias passa diretamente pela qualidade das equipes e pela capacidade das empresas de desenvolver talentos” – Foto: Kroma Fotografiais
abordar temas técnicos ligados à produção. “A eficiência das granjas e das agroindústrias passa diretamente pela qualidade das equipes e pela capacidade das empresas de desenvolver talentos. A sucessão, a formação de lideranças e a gestão de pessoas são assuntos cada vez mais presentes na rotina do setor e precisam ser debatidos com profundidade”, ressalta.
Participação
As inscrições para o SBSS já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do primeiro lote, até o dia 25 de junho, é de R$ 600 para profissionais e R$ 400 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologia e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Suínos
Consumo de carne suína atinge 20 kg por habitante no Brasil
Marca histórica foi alcançada em 2025 e reflete a expansão do consumo doméstico em paralelo ao crescimento das exportações, que levaram o Brasil ao posto de terceiro maior exportador mundial da proteína.

A carne suína alcançou um patamar inédito na mesa dos brasileiros. Em 2025, o consumo per capita chegou a 20 quilos por habitante ao ano, maior nível já registrado no país e um indicativo de que a proteína ganhou espaço definitivo na alimentação das famílias.

Foto: Divulgação/HB Audiovisual
O dado, divulgado pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), coincide com outro marco importante para a cadeia produtiva. Após a consolidação dos números internacionais no início de 2026, o Brasil ultrapassou o Canadá e passou a ocupar a posição de terceiro maior exportador mundial de carne suína.
A combinação de um mercado interno mais robusto com exportações em ritmo recorde tem alterado o perfil do setor, que hoje depende menos de oscilações externas e conta com uma base doméstica mais sólida para sustentar seu crescimento.
Mudança de hábito impulsiona consumo
O consumo médio de 20 quilos por pessoa representa uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro. Historicamente, a carne suína ocupava espaço secundário em comparação com outras proteínas, mas, nos últimos anos, passou a ser incorporada com maior frequência ao cardápio das famílias.
Segundo a ABCS, a marca simboliza uma transformação cultural, na qual a carne suína deixa de ser um produto

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Seja no mercado interno ou externo, o que vemos é a validação do que nós produtores temos feito dia após dia na nossa produção” – Foto: Divulgação/ABCS
consumido ocasionalmente para se tornar uma opção cotidiana.
Para o presidente da entidade, Marcelo Lopes, o resultado reflete um trabalho de longo prazo realizado em diferentes frentes da cadeia produtiva. “Seja no mercado interno ou externo, o que vemos é a validação do que nós produtores temos feito dia após dia na nossa produção, investindo em inteligência, sanidade, produtividade, tecnologia, genética e bem-estar”, afirma.
Ele acrescenta que houve também uma mudança na forma como a proteína passou a ser percebida pelos consumidores. “Isso reforça o trabalho que a ABCS tem feito para transformar a percepção da carne suína, para que ela se destaque lá fora e também dentro de casa”, diz.
Brasil supera Canadá e assume terceira posição
O fortalecimento do mercado interno ocorre em um momento de expansão das exportações. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o Brasil encerrou 2025 com embarques recordes de 1,51 milhão de toneladas de carne suína, crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.

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O volume foi suficiente para superar o Canadá, que exportou cerca de 1,45 milhão de toneladas no mesmo período. A diferença de aproximadamente 50 mil toneladas garantiu ao Brasil a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos.
O resultado é atribuído a uma combinação de fatores, entre eles a diversificação dos mercados compradores, a competitividade dos custos de produção e o rigor sanitário, considerado um dos principais diferenciais da suinocultura brasileira.
Mercado interno reduz dependência externa
O novo cenário é visto pelo setor como um fator de equilíbrio para a cadeia produtiva. Com um mercado doméstico maior e mais consolidado, a suinocultura tende a ficar menos vulnerável a oscilações nas exportações, mudanças cambiais ou restrições comerciais impostas por países importadores.
Ao mesmo tempo, a demanda interna oferece maior previsibilidade para investimentos em tecnologia, genética e

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ampliação da produção.
Esse movimento reforça uma característica cada vez mais presente na suinocultura brasileira: a capacidade de crescer simultaneamente dentro e fora do país.
Se no exterior o Brasil ganha espaço entre os maiores exportadores do mundo, no mercado doméstico a marca de 20 quilos por habitante indica que a carne suína conquistou um espaço que parecia improvável há poucas décadas: o de proteína presente de forma permanente na rotina alimentar dos brasileiros.





