Suínos Produção Animal
Suinocultores do Mato Grosso temem desabastecimento de milho
Devido a grande quantidade de venda antecipada do grão e ao consumo das usinas de etanol de milho, suinocultores mato-grossenses receiam ficar sem milho para alimentação dos animais

O principal componente para a alimentação animal é o milho. Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa para a Safra 2019/2020 é de que o Brasil tenha uma produção superior a 100 milhões de toneladas do grão. O Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil, porém, isso não tem feito com que os suinocultores do Estado fiquem mais tranquilos em relação ao preço e disponibilidade.
De acordo com o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues de Castro, o Estado já vem sofrendo com o desabastecimento do grão. Para ele, os maiores gargalos para isso acontecer estão sendo a alta comercialização adiantada do milho e as usinas de etanol do grão, que estão ficando cada vez mais populares. “Fizemos um levantamento com o Imea (Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária) e vimos que 89% do milho que estamos colhendo já está vendido”, relata em reportagem exclusiva do jornal O Presente Rural.
Castro explica que eles observaram que desde a popularização e expansão das usinas de etanol de milho, não somente houve menos disponibilidade do grão no Estado, como também os preços aumentaram consideravelmente. “Hoje (em meados de julho) estamos falando em milho a R$35, R$36. Nessa mesma época no ano passado o preço era de R$ R$25 ou R$26. Isso nos mostra que o nosso custo de produção também vai subir, pelo menos 40%”, diz.
A liderança comenta que atrela esse aumento de custos as usinas de etanol porque elas são cada vez mais presentes no Estado, fazendo com que as cadeias produtivas seja esquecidas. “Nós temos uma grande preocupação em relação a isso, porque o único diferencial que tínhamos no Mato Grosso em relação aos outros Estados era o milho, e já nem tem mais tanto”, comenta. Castro explica que o Mato Grosso está longe dos grandes centros consumidores, o que também dificulta a comercialização dos suínos, uma vez que a maior parte da produção do Estado é para abastecer o mercado interno.
“Nós vamos nos sentar com o Governo do Estado e tentar alinhar isso, mostrando a nossa preocupação. Sabemos que estão pensando em investir no etanol de milho, que é algo que gera receita e emprego. Mas é preciso olhar também para as cadeias produtivas, por que como vamos ficar? E se faltar milho? E se tivermos que buscar milho lá fora?”, questiona.
A preocupação dos suinocultores é contundente, uma vez que segundo o levantamento da própria Conab, quanto a produção de etanol de milho no Brasil, a expectativa é que haja um aumento de 61,1% na safra 20/21. O relatório da companhia mostra ainda que no Mato Grosso a safra 2020/2021 praticamente dobrará a produção de etanol de milho, com projeção de 2,05 bilhões de litros em relação aos 1,27 bilhão da safra 2019/2020. Dessa maneira, pela primeira vez, o combustível proveniente do grão será maior que o volume oriundo da cana-de-açúcar no Estado, consolidando a operação das grandes usinas full, bem como a adaptação das indústrias flex ao novo mercado sucroalcooleiro.
“A nossa grande preocupação é que se já foram comercializados quase 90% da safra que está sendo colhida, como os produtores que normalmente não tem recursos para comprar milho antecipadamente vão ficar? Como o médio e o pequeno produtor, que não tem recurso e geralmente comprava milho aleatoriamente vão ficar?”, questiona. Castro comenta que eles sabem que será necessária uma adaptação por parte da cadeia produtiva, mas o Estado enfrenta dificuldades como estar longe de portos, de importações, ter uma logística ruim, o que dificulta e encarece a compra do grão por parte de suinocultores. “Por isso queremos alertar o Governo quanto a estas questões”, diz.
Segundo ele, é por isso que é tão importante o envolvimento do Governo nesta questão, uma vez que uma solução seria criar uma linha de crédito para o produtor conseguir ter acesso para comprar milho antecipadamente, fazer um armazém ou uma alternativa. “Isso, claro, a nível de governo federal. Quanto ao Estadual, o que queremos é que ele olhe para as cadeias produtivas, especialmente de suínos, aves e bovinos, para nos dar um benefício, diminuir algum tipo de imposto, dar algum tipo de incentivo para os produtores daqui, para que tenhamos recursos para antecipar a compra do milho”, conta.
Castro esclarece ainda que não houve um aumento significativo no plantel mato-grossense a ponto de influenciar o consumo de milho no Estado. “Subiu um pouco, hoje estamos com praticamente 150 mil matrizes. Lógico que a produtividade aumentou, assim como em todos os outros lugares. Nós produzíamos 24 animais terminados e hoje estão falando em 28 animais”, informa. “Outra coisa, o nosso problema aqui é que estamos longe dos grandes centros consumidores. Temos que levar suíno para São Paulo ou para o Sul. E isso é longe e a logística é difícil”, desabafa.
Conab sem estoque?
O diretor executivo da Acrismat conta ainda que a alternativa que os produtores tinham antes, quando faltava milho, principalmente entre fevereiro e abril, antes da safrinha, era participar dos leilões do grão organizados pela Conab. “E isso não tem mais. O Governo não faz mais estoque, não tem mais leilão. Então, o produtor vai ter que comprar antecipado”, argumenta.
Quanto a não realização de estoques de milho, em nota à reportagem de O Presente Rural, a Conab informou que a atual conjuntura do milho traz um cenário de cotações bem acima dos preços mínimos estabelecidos para o cereal, de modo que é improvável que haja aquisições neste ano.
A companhia explica que é preciso esclarecer que os estoques da Conab são formados por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Assim, a aquisição dos produtos amparados pela norma segue as diretrizes estabelecidas pela política. “Isso implica que é necessário que o preço do produto esteja abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo federal para a formação de estoques. É nesta condição que há espaço para que a Conab atue no mercado de forma a garantir a renda mínima ao produtor e a manutenção da atividade. Assim, a compra de qualquer produto amparado pela PGPM só se torna possível a partir de um fator conjuntural de mercado. Somente com a perspectiva de que o preço fique abaixo do preço mínimo que pode haver, ou não, a deliberação quanto a formação de estoques”, diz a nota.
Quanto aos leilões de estoques públicos, a Conab diz que as determinações de venda são de competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e que a composição de novos estoques se correlaciona diretamente com as questões conjunturais de mercado destacadas anteriormente.
A companhia ainda esclarece que com relação à comercialização do milho em grãos no âmbito do Programa de Vendas em Balcão (ProVB), está em tramitação uma proposta legislativa voltada para o fortalecimento, reforçando o apoio aos pequenos criadores de animais, e permitindo, assim, maior inserção no sistema produtivo pela garantia de abastecimento de milho, grão fundamental na alimentação do rebanho. “Nesse sentido, o texto prevê que não somente a PGPM poderá ser fonte de estoques públicos para a ação, mas também a compra por meio de leilões públicos e, em menor escala, por Aquisição da Agricultura Familiar, sempre a partir de definições estabelecidas pelo Mapa”, diz.
Além disso, a Conab acrescenta que não obstante o histórico de preços abaixo do mínimo, sem a correspondente formação de um quantitativo elevado de estoques pela PGPM, os estoques atuais de milho em grãos encontram-se em quantidade suficiente para satisfazer as demandas pelo produto por parte dos pequenos criadores cadastrados no Programa. “É importante salientar que a atuação da Conab visa garantir o abastecimento, e não interferir no mercado”, finaliza a nota enviada a O Presente Rural.
Outras preocupações
Castro comenta que outra preocupação que tem acendido o alerta vermelho é quanto ao mercado. “Agora ele está bom porque a China importa praticamente 71% da nossa produção. Por conta disso vemos aumento do volume de animais alojados em outros Estados. Mas, como vai ser essa produção se a China parar de importar tudo isso? Vai acontecer igual quando tínhamos a Rússia? Não temos um mercado novo e vai ter um volume imenso de carne direcionado ao mercado interno. E, com isso, a tendência é que esses pequenos e médios produtores saiam da atividade por conta de problemas por isso”, diz.
Além disso, outro ponto que atinge os suinocultores mato-grossenses é quanto a quantia de taxas e impostos que devem pagar. “Fizemos um levantamento com o IMEA, em comparativo com Estados do Sul, no que tange questões de impostos, taxas e tributos e notamos que temos impostos aqui que nos impactam muito. Por exemplo, a carne, o milho e a soja nós devemos pagar o Fethab, que é um fundo que existe aqui. Só desse imposto se paga quase R$ 2 bilhões por ano. É um dinheirão. Por isso pedimos tanta atenção para as cadeias produtivas”, afirma.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Suínos
Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil
Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.
Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.
O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.
SBSS
As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologia e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Programação geral do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair
Terça-feira (11)
13h30 – Abertura da Programação Científica
Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim
14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann
14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa
15h25 às 15h55 – Mesa Redonda
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua
17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR
Quarta-feira (12)
Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila
08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira
09h20 as 09h50 – Mesa Redonda
09h50 às 10h20: Coffee Break
Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto
10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez
11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber
12h às 12h30 – Mesa Redonda
12:30 às 14h – Intervalo para almoço
12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos
Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske
15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise
15h30 às 16h: Coffee Break
16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae
16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima
17h35 às 18h – Mesa Redonda
18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)
20h: Happy Hour na PIG FAIR
Quinta-fera (13)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h – Coffee Break
Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós
11h45 às 12h15 – Mesa Redonda
12h15 – Sorteio de brindes e encerramento
Suínos
Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef
Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra “Mercado e valorização da proteína“, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

Fotos: Shutterstock
Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.
Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.
A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.
Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.
Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.
O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.
Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.
Novo caminho para a carne suína
Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.
Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.
Comunicação como ferramenta
Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.
Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.
Notícias
Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%
Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste
A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi
O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.
A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.
Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.
Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.
Impacto regional
Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa
O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.
Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.
O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.
Indústria mais automatizada
As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.
Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.
A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.
Homenagem a Canton
Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.
Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.
A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.




