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Suínos / Peixes Entrevista Exclusiva

Pesquisadores da Embrapa elencam riscos e práticas contra PSA, PSC e outras ameaças

Pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves fazem diagnóstico da biosseguridade brasileira e apontam o que precisa ser feito para conter o avanço de doenças que representam riscos à atividade

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Arquivo/OP Rural

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, os pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, Nelson Morés, Luizinho Caron, Virgínia Santiago Silva e Daniella Gava fazem um diagnóstico da biosseguridade brasileira e apontam o que precisa ser feito para conter o avanço de doenças que representam riscos à atividade. Confira.

O Presente Rural – O Brasil é livre de algumas doenças na suinocultura. Como é a biosseguridade nos sistemas de produção de suínos?

Nelson Morés – O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento possui alguns documentos norteadores com relação à biosseguridade, que compõem o Plano Nacional de Sanidade Suídea. Dentre eles podemos citar a IN 19/2002 que fala sobre as normas para granjas GRSC, a IN 54/2002 sobre os requisitos para importação de sêmen, a IN 63/2013 sobre a importação de animais destinados à reprodução, e vários outros documentos para enfermidades específicas. Além disto, a Embrapa, em consonância com o MAPA, disponibilizou no final de 2018 um documento norteador específico sobre biosseguridade mínima para granjas de suínos que produzem animais para o abate, sendo inclusive já implementados em alguns estados por meio de normativas estaduais.

OP Rural – Temos eventos internacionais de suinocultura que devem acontecer em breve com a presença de público das regiões afetadas pela PSA. Como você avalia esse cenário e que fazer para barrar esses riscos?

Nelson Morés – Alguns eventos técnicos são de mais riscos do que outros, sendo que os que envolvem animais e feiras já foram cancelados em diversos países. No Brasil, o cenário será de encontro de profissionais ligados à suinocultura oriundos de vários países, e a principal medida deverá ser focada na vigilância e controle. Para isto foi criado um Comitê de Biosseguridade, que já iniciou um trabalho de levantamento das vulnerabilidades do país e de setores de maior risco. A orientação é que não ocorram visitas, não apenas a granjas de suínos, mas em qualquer propriedade rural, assim como fábricas de ração e frigoríficos. Independente, ao retornarem ao país de origem, os participantes de eventos internacionais deverão aplicar vazio sanitário de no mínimo cinco dias. Somado a estas, já estão em andamento ações voltadas à educação sanitária para a população em geral, envolvendo principalmente o conhecimento da doença e suas formas de transmissão. O Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) instalou 88 painéis em aeroportos e portos complementados com avisos sonoros emitidos aos passageiros sobre os riscos de introdução do vírus da PSA. O órgão ainda intensificou a vistoria de bagagens e produtos, principalmente naqueles provenientes de países positivos para PSA, em consonância com a IN11/2019. Além disto, continua-se garantindo o descarte adequado de resíduos de alimentos de aeronaves e navios provenientes de países acometidos com a doença.

OP Rural – Até que ponto a Peste Suína Africana presente na Euroásia é um risco para o Brasil? Como se dá esse risco?

Luizinho Caron – O risco existe, embora muito baixo. Lembrando que a PSA já chegou ao Brasil em 1978, provavelmente devido a restos de alimentos contendo produtos derivados de suínos curados provenientes da Europa. Porém muitas medidas de biosseguridade para granjas e para a entrada de produtos derivados de suínos foram tomadas a fim de salvaguardar nossos rebanhos. Atualmente a PSA está presente em suínos domésticos e/ou asselvajados em países dos continentes Africano, Europeu e Asiático. As Américas são consideradas livres do vírus. Todavia, esta é uma doença animal transfronteiriça, na qual a principal via de transmissão é pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus (esta tem sido frequentemente a via pela qual o vírus se disseminou por longas distâncias). Além disto, fômites, como sapatos, roupas, veículos, equipamentos, dentre outros, podem disseminar o vírus, devido à alta resistência ambiental. A prevenção em países livres da doença depende da implementação de políticas apropriadas de importação e medidas de biossegurança, garantindo que nem os suínos vivos infectados nem os produtos suínos sejam introduzidos em áreas livres de PSA. Isso inclui garantir o descarte adequado de resíduos de alimentos de aeronaves e navios provenientes de países afetados e policiar as importações ilegais de suínos vivos e produtos suínos destes países afetados. Recentemente, o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) publicou a IN11/2019, que estabelece o regulamento para ingresso, no território nacional, de produtos de origem animal presumivelmente não veiculadores de doenças contagiosas, em bagagem de viajantes, para consumo próprio e sem finalidade comercial. Além disto, a OIE e a FAO estão propondo um programa global no controle de PSA.

OP Rural – Que estragos doenças dessa natureza podem provocar nas esferas de desempenho, mercado e econômico? Há prospecções sobre uma eventual entrada de PSA, por exemplo, no Brasil?

Luizinho Caron – A PSA é uma doença de notificação obrigatória aos órgãos oficiais nacionais e internacionais de controle de saúde animal, com potencial para rápida disseminação e com significativas consequências socioeconômicas. O impacto da introdução da PSA nos Estados Unidos foi estimado em US$ 16,5 bilhões apenas no primeiro ano de surto. Uma avaliação superficial do prejuízo da introdução do vírus na população de suínos do Brasil, população esta que é cerca de dois terços menor que a americana, ficaria em torno de US$ 5,5 bilhões, baseado no número de suínos abatidos por ano. Porém, fica difícil estimar os custos para o cenário brasileiro, devido às particularidades da produção, diferenças nos sistemas de vigilância e monitoria, somado ao aprendizado recente dos Estados Unidos com os surtos de diarreia epidêmica suína (PED) e influenza aviária (IA), bem como o poder de negociação daquela economia. Ainda, a presença do vírus em um país tem impacto direto no comércio internacional de suínos e de produtos de origem animal. Além disso, na ocorrência de surtos de PSA, é obrigatório o abate sanitário dos animais e destinação adequada das carcaças, pois ainda não se dispõe de vacina eficiente contra a doença. Já doenças exóticas como a PRRS e a PED as consequências principais são para o setor produtivo em função das mortalidades, gastos para o controle e do aumento do custo de produção.

OP Rural – Recentemente tivemos casos de Peste Suína Clássica nos estados do Nordeste, na Zona não livre. Isso representa um perigo para a suinocultura industrial do restante do país?

Virgínia Santiago Silva – O risco existe, embora baixo, e está relacionado ao transporte irregular (contrabando) de suínos e subprodutos da zona infectada para estados da zona livre e ao movimento de suínos asselvajados entre estas regiões. A zona livre de PSC no Brasil compreende 16 estados brasileiros e o Distrito Federal (RS, SC, PR, MG, SP, MS, MT, GO, DF, RJ, ES, BA, SE, TO, PA, RO e AC), concentrando mais de 95% de toda a indústria suinícola brasileira e 100% de toda a exportação de suínos. Deste percentual, mais de 90% está localizado na região Sul/Sudeste do país. Caso ocorra um foco em estado da zona livre que faz divisa com o estado do Piauí, a certificação internacional da região acima de SC será afetada. Até o momento, os focos de PSC identificados no Nordeste estão a mais de 500 km de distância da divisa com a zona livre de PSC no Brasil. Rapidamente, o SVO da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), com apoio do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa/DSA/PNSS), desenvolveu um trabalho de controle/erradicação da doença com base no plano de contingência para a PSC. As ações de vigilância (rastreabilidade, destruição oficial de produtos de origem animal, eliminação oficial de carcaças, subprodutos e resíduos, zoneamento e desinfecção) nas propriedades situadas no raio de 10 km em torno dos focos foram intensificadas conforme previsto no Plano de Contingência para PSC, bem como nos vínculos do foco. Além disto, conforme IN 25/2016, o trânsito de suínos, produtos e subprodutos entre a zona livre e a zona não livre está proibido. Outro aspecto fundamental para controle e erradicação da PSC é o conhecimento da população de suínos asselvajados na região. Desde 2015, o Mapa vem realizando monitoria sorológica em suínos asselvajados na região livre de PSC, e estes animais vem apresentado resultados negativos.

OP Rural – O produtor e a indústria estão cientes dos riscos?

Virgínia Santiago Silva – Várias ações vêm sendo feitas a fim de conscientizar os produtores e capacitar os veterinários de campo. O Mapa conjuntamente com a Embrapa Suínos e Aves, agroindústrias e universidades vem trabalhando nos pontos-chave para prevenção, conforme mencionados no questionamento acima. Uma ação muito importante dos órgãos de controle e pesquisa é trabalhar para informar os fatores de risco e medidas mitigatórias, não apenas para técnicos, mas também para o público leigo que viaja para as regiões endêmicas. Todavia ainda há um longo caminho a ser trilhado, principalmente com relação à atenção aos riscos por parte dos produtores. Apesar da mobilização da agroindústria, alguns riscos vêm sendo negligenciados, como os relacionados à população de risco (suínos de subsistência e asselvajados).

OP Rural – Quais são as doenças exóticas e emergentes a que a cadeia suinícola precisa ter mais atenção no momento?

Danielle Gava – Nas últimas décadas, vários vírus emergentes surgiram ou recrudesceram na população suína global. Os principais são o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória porcina (PRRS), o circovírus suíno tipo 2 (PCV2), o Senecavirus A (SVA), o vírus da peste suína clássica (PSC) e da peste suína africana (PSA), causam doenças economicamente importantes em suínos, enquanto outros, como Torque teno sus vírus (TTSuV), bocavirus suíno (PBoV), parvovirus suíno 2 a 7 (PPV2 – PPV7) são, em sua maioria, de natureza subclínica em rebanhos e outros ainda, como o vírus Influenza A (SIV), possuem impacto também em humanos.

Além disto, alguns vírus, apesar de possuírem implicação clínica desconhecida na saúde suína, representam uma preocupação de saúde pública, como o vírus da hepatite E suína e o sapovírus suíno (SaV). As principais enfermidades presentes na lista da OIE que afetam os suínos são: PRRS, PSA, PSC, doença de Aujeszky, brucelose suína e a gastroenterite transmissível (TGE). A TGE, a diarreia epidêmica suína (PED) e a PRRS são enfermidades economicamente muito importantes, que nunca foram diagnosticadas no Brasil, sendo consideradas exóticas. A PSA encontra-se erradicada no país desde 1984.

OP Rural – Quais são as medidas necessárias para se preparar a esses desafios?

Danielle Gava – O Brasil, por sua importância na produção de suínos deve ter um bom sistema de alerta e um plano de contingência para todas as doenças, principalmente doenças exóticas. Os pontos-chave para prevenção são:

  • Possuir sistema de alerta eficaz
  • Fornecer treinamento e capacitação de veterinários e produtores
  • Conhecer as características das doenças e como evitá-las
  • Identificar os fatores de risco para cada doença
  • Adequar o sistema de vigilância baseado nos fatores de risco para cada doença
  • Possuir vários centros de diagnóstico oficial e rápido, pois a identificação precoce de uma doença, antes que se dissemine, é fundamental para tomada de decisão visando controle e erradicação
  • Garantir apoio legal e recursos (fundos indenizatórios, diagnóstico, entre outros) para a implementação de medidas de controle
  • Possuir plano de contingência para as doenças mais relevantes, em especial as exóticas
  • Aplicar medidas de biosseguridade rigorosas para prevenir a introdução e disseminação do vírus.

OP Rural – Quais os novos estudos que a Embrapa desenvolve sobre o tema?

Danielle Gava – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio de sua Unidade Descentralizada Embrapa Suínos e Aves, tem o papel de fornecer informações sobre as doenças e os impactos na cadeia produtiva de suínos, subsidiando a tomada de decisão dos órgãos competentes. Conforme a necessidade, atende demandas oriundas do Mapa e das agroindústrias, de acordo com a relevância de cada enfermidade. Em função da sua localização e estrutura, a Embrapa Suínos e Aves não pode trabalhar diretamente com agentes de controle oficial como os vírus da PSA, PSC, PRRS e PED. Porém, possui pesquisas em monitoramento de javalis e suídeos asselvajados na zona livre de PSC, o que pode embasar estudos e análises de risco para a PSA e outras doenças. Além disto, possui projetos específicos para vários agentes já mencionados, como SVA, SIV, PCV2 e outros, desenvolvendo ferramentas de diagnóstico e controle.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Robotização na suinocultura de precisão propicia melhora na qualidade e aumento da produção

A robotização no trato dos animais com uso de robôs é a prática que entrega o maior retorno imediato ao produtor

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Giovani Molin, diretor da Roboagro com MBA em Gestão Empresarial pela FGV

A suinocultura nacional vislumbra um cenário favorável no horizonte. As primeiras projeções do mercado para 2020 mostram um crescimento de pelo menos 4% na produção de suínos. Além disso, a crise global no setor de proteína animal provocada pela Peste Suína Africana (PSA), na China e na Europa, deve seguir puxando as exportações neste ano. Neste cenário, a cadeia produtiva se volta para a necessidade de aumentar a sua produção, a fim de aproveitar as oportunidades. Porém, mesmo com um mercado em aquecimento, os custos de produção com alimentação ainda se mantêm altos e afetam todo o processo produtivo, em especial na fase de crescimento e terminação dos lotes de suínos.

Um dos grandes desafios deste processo está na dificuldade de acompanhamento do programa estipulado pelas equipes técnicas, já que os resultados da produção, na maioria dos casos, são conferidos apenas ao final do lote, quando este está fechado e oferece pouca possibilidade de otimização, tampouco de correção de falhas que prejudicaram o pleno desenvolvimento. Além disso, esta forma de organização oferece poucas informações sobre o processo produtivo, apurando apenas os principais índices de produção (mortalidade, consumo de ração, GPD, Conversão Alimentar, entre outros) no fechamento do lote.

Este não é um panorama novo, várias áreas da cadeia produtiva já enfrentaram este desafio. Na agricultura, por exemplo, produtores vêm adotando desde a década de 1990 ferramentas e tecnologias que possibilitam conhecer de maneira completa toda a área disponível para cultivo, a partir de mapas de produtividade. Adotando técnicas para correções de desuniformidades nas lavouras, aumento de quantidade e qualidade da produção, se evita perdas e gargalos de produção, a chamada agricultura de precisão. Práticas semelhantes passaram a ser utilizadas também no campo da zootecnia na última década. Assim como nas lavouras, chegou a vez das granjas adotarem o aprimoramento das atividades cotidianas de nutrição e cuidados com a sanidade e o bem-estar animal, a partir do monitoramento em tempo real do manejo.

Dentro da suinocultura de precisão, o abastecimento de água e a distribuição de ração são pontos cruciais para o produtor e áreas onde a robotização tem mostrado grandes resultados no aumento da produtividade. Entre os principais benefícios estão a eliminação de desperdícios e o controle de qualidade dos lotes, tendo como vantagens adicionais a qualidade da carne e maiores retornos financeiros. Sem falar de pontos cruciais na suinocultura, como bem-estar animal e sanidade.

Dentre o conjunto de técnicas que podem ser utilizadas na suinocultura de precisão, a robotização no trato dos animais com uso de robôs é a prática que entrega o maior retorno imediato ao produtor. Ao utilizar esses sistemas para este fim, é possível ter o controle total e em tempo real da alimentação dos suínos, com a garantia da quantidade correta em cada baia/trato ao longo do dia, da precisão no volume de ração distribuída em cada baia. Tudo isso organizado em informações gerenciais para a tomada de decisão do produtor e/ou da equipe técnica.

Além disso, esse tipo de sistema oferece ganhos pontuais que se refletem não só no aumento de produtividade da granja, mas na qualidade do produto final. Como:

  • Uniformidade de carcaças através da distribuição uniforme de ração ao longo do comedouro;
  • Entrega silenciosa e pontual da ração na hora programada, evitando o estresse animal;
  • Bem-estar animal através da distribuição linear de ração, evitando a competição entre os suínos e a ação dos predominantes;
  • Tratamento menos ruidoso e com música clássica, proporcionando um comportamento estável aos suínos e um melhor desempenho;
  • Redução do índice de mortalidade por torção e outros fatores sanitários.
  • Controle e rastreabilidade da ração distribuída em cada trato, facilitando a análise individual de cada distribuição.

Mais ganhos

Ganhos que se refletem em uniformidade de carcaças, carne de melhor qualidade e, principalmente, uma melhor conversão animal e melhor GPD, aumentando os resultados para o produtor, além de melhorar a competividade e ganhos para o criador.

Por fim, na outra ponta do sistema, está a possibilidade de pensar o processo de manejo como um todo. Ao integrar de forma rápida os relatórios fornecidos pelo sistema robotizado com softwares de gerenciamento de produção específicos para a suinocultura, tais como a plataforma S4 da Agriness, é possível agir de forma preventiva em gargalos de produção e no controle do bem-estar animal, prevendo e tratando comportamentos indesejados dos suínos e possíveis quedas de rendimento do lote antes que estas cheguem ao destino final.

Assim como ocorreu na agricultura de precisão, na suinocultura atual é impossível falar de ganhos e aumento de produtividade dos lotes sem adesão a esses sistemas e a essa nova forma de gestão. A próxima década será uma era de mudanças, em que o resultado final estará atrelado ao nível de inovação empregado na produção, tornando obsoletas práticas e tecnologias que estão sendo empregadas há pelo menos 20 anos. O mercado precisa estar atento às inovações que estão surgindo a favor da suinocultura brasileira. A suinocultura de precisão não é mais o futuro, é o presente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de janeiro/fevereiro de 2020.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Produção

Paraná amplia liderança em piscicultura de cultivo

Levantamento da Peixe BR mostra crescimento de 18,7% para o Estado, bastante superior à média brasileira de 4,9% no ano passado

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Divulgação/AENPr

O Paraná teve um crescimento superior à média nacional na produção de pescados de cultivo em 2019 e consolidou ainda mais a liderança nesse setor. Enquanto no Brasil o aumento foi de 4,9%, o do Paraná alcançou 18,7%, com 154.200 toneladas produzidas. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) e divulgado esta semana.

Em 2018, o Estado já liderava a produção, com 129.900 toneladas. Agora, ficou mais dilatada a diferença para os seguidores mais próximos. A segunda colocação é de São Paulo, que teve um decréscimo de 4,6%, caindo de 73.200 toneladas para 69.800 toneladas. Segundo a Peixe BR, em terceiro lugar aparece Rondônia, que reduziu em 5,5% a produção, baixando de 72.800 para 68.800 toneladas.

“Essa é uma atividade bem acolhida por cooperativas do Estado. Os investimentos na agroindústria e na infraestrutura de comercialização e logística deram segurança para os produtores”, afirmou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Para ele, o pescado deve adquirir cada vez mais importância como fonte de proteína, com presença forte no mercado internacional.

Ortigara também destacou os ajustes feitos pelo governo nas resoluções de liberação e validade das licenças ambientais. “Foram identificados os entraves e tomadas providências para que os processos fossem agilizados”, disse. Como resultado, dos empreendimentos de médio e pequeno porte passou-se a exigir apenas o Licenciamento Ambiental Simplificado.

Mais espaço

Para o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), responsável pelo setor de pescados, Edmar Gervásio, o peixe é um produto que deve conquistar mais espaço em futuro breve tanto em área de produção quanto no gosto do consumidor. “É uma fonte rica de proteína e seguramente pode contribuir para a segurança alimentar da população, assim como representa uma alternativa rentável e segura para a agricultura familiar”, disse.

Tilápias

A pesquisa do Anuário Peixe BR mostra que o Brasil passou de 722.560 toneladas para pouco mais de 758 mil toneladas de pescados de cultivo. O destaque é a tilápia, espécie da qual o País é o quarto maior produtor mundial, com 432.149 toneladas. Esse mercado é liderado pela China, com 1,93 milhão de toneladas.

Com crescimento de 7,96% em 2019, a espécie representa 57% da produção brasileira de pescados de cultivo. O Paraná mantém liderança folgada em tilápia, bastante à frente de São Paulo, que está na segunda colocação, com 64.900 toneladas, e de Santa Catarina, em terceiro lugar, com 38.559 toneladas. A participação paranaense no mercado nacional de produção de tilápias é de 33,8%.

Em peixes nativos, a produção brasileira teve crescimento de apenas 20 toneladas, passando para 287.930 toneladas – 38% do mercado nacional. No Paraná, a produção de peixe nativos (entre eles, bagre, dourado, jaú, pintado e lambari) foi de 4.194 toneladas. As demais espécies (principalmente carpa, truta e panga) ocupam apenas 5% da produção brasileira. A liderança neste caso é do Rio Grande do Sul, com 16.304 toneladas, e o Paraná está em terceiro, com 3.794 toneladas.

Exportação

No ano passado, de acordo com os dados do Ministério da Economia citados pelo levantamento da Peixe BR, as exportações da piscicultura de cultivo (filés e subprodutos alimentícios ou não – peles, escamas, farinhas e outros) renderam US$ 12 milhões. Os pescados em geral geraram US$ 275 milhões.

O volume de produtos de pesca de cultivo exportado ainda é pequeno, mas crescem a cada ano. De 2018, quando foram enviados para fora do País 5.185 toneladas, para 2019 o acréscimo foi de 26% e passou a 6.543 toneladas. A tilápia está no topo, com 81% de participação. O Paraná foi o segundo Estado exportador de tilápia e derivados, com pouco mais de 1.302 toneladas (24,47% do total). A primeira colocação é de Mato Grosso do Sul, com 2.085 toneladas (39.19% de participação).

Japão, China e Estados Unidos são os principais compradores da piscicultura de cultivo brasileira. Os Estados Unidos, apesar de ser o terceiro em volume, é o que traz mais divisas para o Brasil pois a preferência é pelo filé de tilápia fresco, que tem alto valor agregado. Japão e China importam mais subprodutos.

Fonte: AEN/Pr
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Suínos / Peixes Suínos

Projeções para o mercado de suínos em 2020 indicam que exportações seguirão em alta

A previsão é de novo recorde de embarques e estima-se um aumento na produção brasileira de carne suína, segundo USDA

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Inicio de ano é tempo de se planejar e de preparar os próximos passos para cumprimento de metas. E se tratando do mercado de suínos, o setor já se organiza para tomar decisões. Para isso, a ABCS traz uma análise da produção brasileira, da produção mundial e das exportações durante o período de 2019 e também as previsões para 2020. Dentre as principais observações, identificou-se que as exportações devem continuar crescendo, além de um aumento na produção brasileira de carne suína. No entanto, no cenário global a realidade é de queda na produção e de elevação dos custos para criação de suínos. Os dados mostram que a atual conjuntura exige atenção dos profissionais que atuam na área, especialmente dos produtores.

Exportação recorde em 2019 e janeiro de 2020 mantendo embarques em alta

O ano de 2019 atingiu recorde de exportação com o volume de 750,3 mil toneladas entre in natura (649,38 mil ton.) e processados e um faturamento de US$ 1,597 bilhão (ABPA). A China permanece o carro chefe das exportações brasileiras fechando o ano com 38,1% da carne suína in natura exportada pelo Brasil (tabela 1).

Tabela 1. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura para os cinco principais destinos de 2019 (China, Hong Kong, Chile, Uruguai e Rússia) e quantidades para os mesmos destinos nos anos anteriores. 

Comparando com 2016, o ano que detinha o recorde anterior de exportação de carne suína, em 2019, com novo recorde de volume total embarcado (649,38 mil toneladas), observa-se a China praticamente substituindo a Rússia como principal destino, com volumes muito próximos quando comparamos a Rússia em 2016 e 2017 com a China em 2019. Em 2018, o mercado russo estava embargado por quase todo o período, mas no ano passado voltou em ritmo muito baixo. Por outro lado, chama a atenção o crescimento de embarques para Chile e Uruguai.

Os três estados do sul do Brasil lideraram os embarques com mais de 95% da exportação de carne suína in natura em 2019 (tabela 2).

Tabela 2. Os 10 estados maiores exportadores de carne suína in natura em 2019, em toneladas (MDIC).

Mudanças no câmbio e seus reflexos na produção

Outro dado que chama a atenção é o aumento expressivo do faturamento com exportação. Na tabela 3, observa-se que não somente o valor unitário em dólar subiu em 2019, mas também o valor recebido em reais, em função do câmbio favorável às exportações. Enquanto em 2018 o faturamento dos embarques de carne suína in natura totalizou pouco mais 1,07 bilhões de dólares, em 2019 superou 1,47 bilhões, um crescimento de 37,5%. Se aplicarmos o câmbio médio do ano sobre estes valores (tabela 3), considerando que o dólar encareceu mais de 3% de 2018 para 2019, então estima-se em reais um aumento de faturamento total de 42,4% de 2018 para 2019.

Tabela 3 – Exportação brasileira de carne suína in natura, volumes e valores de 2016 a 2019. Devido à elevação do câmbio em 2019, também o valor recebido por kg de carcaça em reais foi recorde. (Dados de volume e valores em dólar do MDIC).

* não considerada inflação no período

** trata-se de uma estimativa baseada em valores cambiais médios do ano, não obrigatoriamente representam o valor efetivamente convertido na comercialização, pois há diferenças em contratos e prazos e oscilações de volumes e valores ao longo dos meses do ano

Em janeiro de 2020 (tabela 4) as exportações continuaram em alta e a China este ano já representa pouco mais da metade dos embarques.

Tabela 4. Volumes de carne suína in natura (ton) exportados pelo Brasil no total e para China em janeiro de 2020 e o comparativo com o mesmo período de 2019. MDIC.

Acordos comerciais e recorde nos embarques

Em meados de janeiro foi assinada a primeira fase do acordo comercial entre EUA e China. A China deve comprar US$ 12,5 bilhões a mais que em 2017 em produtos agrícolas dos EUA no primeiro ano e US$ 19,5 bilhões no segundo ano. Caso o acordo seja cumprido, isso significaria uma elevação nas exportações dos EUA para a China de 149% e 197% em relação ao ano de 2019. Segundo a consultoria MBAgro, para os produtos agropecuários os efeitos não devem ser muito significativos, uma vez que o balanço de oferta e demanda mundial é o que interessa para a precificação dos produtos e o quadro mundial segue apertado tanto para carnes como para grãos. A tendência é que haja apenas uma reorganização nos destinos dos produtos transacionados entre os países.

No dia 10 de janeiro, o USDA atualizou as projeções para 2020 para a produção, consumo e exportações/importações dos principais mercados de carnes. Para este ano, o USDA projeta uma importação chinesa de carne (boi, porco e frango) da ordem de 7,15 milhões de toneladas, 27% acima do importado pelo país em 2019. Outros destaques do relatório do USDA são a previsão do aumento das exportações do Brasil em relação a 2019 da ordem de 9,5% para carne bovina, 20% da carne suína, sem crescimento significativo dos embarques de frango.

Tomando como base o segundo semestre de 2019, que foi quando a China elevou as compras da carne suína brasileira a outro patamar, projeta-se novo recorde de embarques para este ano de 2020, conforme a tabela 5, a seguir.

Tabela 5. Projeções de embarque de carne suína in natura para 2020, baseadas nos volumes exportados no segundo semestre e no último trimestre de 2019. Simulação baseada em dados de exportação de 2019 do MDIC.

Se por um lado o USDA projeta um aumento da produção brasileira de carne suína em 2020, ao redor de 4,5%, por outro lado, o órgão norte americano estima uma queda na produção mundial de carne suína ao redor de 10%, puxada principalmente pela China (-25%), Filipinas (-16%) e Vietnã (-6%).

No tocante a sanidade, além da peste suína africana (PSA) ainda não controlada na China e com focos recentes em outros países asiáticos e na europa oriental, 2020 iniciou com uma série de ocorrências como gripe aviária na China e Febre Aftosa em bovinos na Rússia, que podem afetar não somente o mercado de carnes, como a economia mundial, esta última mais relacionada ao Coronavirus.

Oscilações de preço no mercado doméstico de carnes

De dezembro de 2019 até o momento houve uma oscilação significativa nos valores pagos ao produtor brasileiro, tanto na carne suína, quanto na bovina (gráficos 1 e 3) que atingiram preços recorde no final do ano passado e experimentaram queda acentuada em janeiro. Segundo MBAgro, na média mensal, o suíno fechou o mês de janeiro com preços 6% abaixo do mês anterior, enquanto a carne suína fechou em queda de 12% no atacado em São Paulo. Porém, vale destacar que mesmo com as recentes quedas, o preço do suíno continua em um patamar histórico elevado. De fato, no início do mês de fevereiro tanto o suíno (gráfico 2) como o boi já demonstram uma retomada da subida de preços de forma mais lenta.

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 2 anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.


Gráfico 2. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 30 dias (até 07/02/2020). Mês de fevereiro já apresenta viés de retomada da subida de preço. Fonte: CEPEA.


Gráfico 3. Evolução dos preços do boi gordo no estado de São Paulo (valor da arroba), nos últimos dois anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.

Já o movimento de queda do valor da arroba do boi gordo esteve dentro da sazonalidade, pois janeiro é um mês onde o consumo costuma se retrair, em função das férias escolares e do início da “safra” do boi, com maior disponibilidade de animais para o abate (MBAGro). Além disso, as exportações sofreram uma espécie de ressaca, principalmente por parte da China, que foi o principal destino dos embarques em 2019 e se abasteceu para as comemorações do Ano Novo Chinês (25 de janeiro). Ainda segundo o MBAgro, apesar desta queda, a carne bovina deve continuar com preços elevados no mercado interno, por conta da forte demanda externa, mantendo as carnes de frango e suína mais competitivas frente às altas do boi.

Custo de produção: o grande desafio do suinocultor para 2020

Apesar da safra recorde de milho em 2018/2019, o volume exportado do grão (mais de 43 milhões de toneladas no ano, segundo o MDIC) foi o principal determinante de uma alta acumulada de 24% ao longo de 2019, com sucessivos acréscimos de preços desde o mês de setembro (gráfico 4).

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60kg (Campinas-SP), nos últimos 2 anos (até 07/02/20). Fonte CEPEA

O custo de produção de suínos calculado pela Embrapa-CNPSA acumulou em 2019 alta de 8,6%. A nutrição foi o item que mais subiu entre os itens dos custos, com 7,2% de aumento no ano. Durante o primeiro semestre de 2020, o mercado de milho deve permanecer pressionado, tendendo a se normalizar durante o segundo semestre, com a entrada da segunda safra. Até lá, o indicativo é de que os custos permaneçam elevados, comprimindo a rentabilidade do produtor (MBAgro).

Embora se estime uma produção muito similar a do ano passado (tabela 6), o atraso na colheita da soja e especialmente no plantio do milho segunda safra já são evidentes em 2020, quando comparados com os números de 2019 (tabelas 7 e 8).

Tabela 6. Oferta e demanda de milho do Brasil (em mil toneladas) nas últimas safras e projeção para safra 2019/2020. Observa-se uma previsão de estoque de passagem de 2020 para 2021 de cerca de 6 milhões de toneladas, a mais baixa dos últimos anos. (Conab/MBAgro). 


Tabela 7. Estimativa de colheita de soja no Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 17% da área estava colhida, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.


Tabela 8. Estimativa de plantio de milho segunda safra no Centro-Sul do Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 29% da área estava plantada, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.

Este atraso no plantio da segunda safra determina um risco climático que poderá determinar quebras na produção nacional de milho, pois esta segunda safra tem peso de mais de 70% na produção total do país. O consumo interno está aumentado, em função do crescimento das exportações de carne e também o etanol de milho. As exportações de milho começaram o ano com volume de 2,3 milhões de toneladas em janeiro de 2020 (MDIC), menos do que o primeiro mês de 2019 e 2018 e bem abaixo da média do segundo trimestre de 2019, que beirou os 6 milhões de toneladas mensais. Essa queda nas exportações de milho, aliado ao início da colheita da primeira safra deste grão, fez com que o preço caísse neste início de fevereiro (gráfico 4), depois de 6 meses de alta praticamente contínua.

A queda da produção mundial de carne suína, que deve se manter ao longo de 2020, conforme projeções do USDA, determinou uma inflação das carnes, na qual percebe-se que houve uma mudança de patamar de preço pago ao produtor. Além disso, a valorização dos insumos, em especial o milho, determinam um custo de produção recorde que deverá se manter em alta ao longo de todo o ano, dependendo da colheita e das exportações. Em paralelo, o Brasil está ficando cada vez mais dependente do mercado Chinês para exportar boa parte da produção de suínos. Estas questões aliadas ao dólar em alta recorde em fevereiro, riscos de desaceleração da economia mundial e a demora para que a crise econômica brasileira efetivamente se dissipe, aumentam o risco da atividade para este ano.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o momento é de cautela. “Precisamos produzir com eficiência, observar os indicadores do mercado de insumos e operar nesse mercado no momento certo são os pontos a serem trabalhados para que o suinocultor mantenha margens positivas ao longo do ano”.

Fonte: ABCS
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