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Suínos Entrevista Exclusiva

Pesquisadores da Embrapa elencam riscos e práticas contra PSA, PSC e outras ameaças

Pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves fazem diagnóstico da biosseguridade brasileira e apontam o que precisa ser feito para conter o avanço de doenças que representam riscos à atividade

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Arquivo/OP Rural

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, os pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, Nelson Morés, Luizinho Caron, Virgínia Santiago Silva e Daniella Gava fazem um diagnóstico da biosseguridade brasileira e apontam o que precisa ser feito para conter o avanço de doenças que representam riscos à atividade. Confira.

O Presente Rural – O Brasil é livre de algumas doenças na suinocultura. Como é a biosseguridade nos sistemas de produção de suínos?

Nelson Morés – O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento possui alguns documentos norteadores com relação à biosseguridade, que compõem o Plano Nacional de Sanidade Suídea. Dentre eles podemos citar a IN 19/2002 que fala sobre as normas para granjas GRSC, a IN 54/2002 sobre os requisitos para importação de sêmen, a IN 63/2013 sobre a importação de animais destinados à reprodução, e vários outros documentos para enfermidades específicas. Além disto, a Embrapa, em consonância com o MAPA, disponibilizou no final de 2018 um documento norteador específico sobre biosseguridade mínima para granjas de suínos que produzem animais para o abate, sendo inclusive já implementados em alguns estados por meio de normativas estaduais.

OP Rural – Temos eventos internacionais de suinocultura que devem acontecer em breve com a presença de público das regiões afetadas pela PSA. Como você avalia esse cenário e que fazer para barrar esses riscos?

Nelson Morés – Alguns eventos técnicos são de mais riscos do que outros, sendo que os que envolvem animais e feiras já foram cancelados em diversos países. No Brasil, o cenário será de encontro de profissionais ligados à suinocultura oriundos de vários países, e a principal medida deverá ser focada na vigilância e controle. Para isto foi criado um Comitê de Biosseguridade, que já iniciou um trabalho de levantamento das vulnerabilidades do país e de setores de maior risco. A orientação é que não ocorram visitas, não apenas a granjas de suínos, mas em qualquer propriedade rural, assim como fábricas de ração e frigoríficos. Independente, ao retornarem ao país de origem, os participantes de eventos internacionais deverão aplicar vazio sanitário de no mínimo cinco dias. Somado a estas, já estão em andamento ações voltadas à educação sanitária para a população em geral, envolvendo principalmente o conhecimento da doença e suas formas de transmissão. O Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) instalou 88 painéis em aeroportos e portos complementados com avisos sonoros emitidos aos passageiros sobre os riscos de introdução do vírus da PSA. O órgão ainda intensificou a vistoria de bagagens e produtos, principalmente naqueles provenientes de países positivos para PSA, em consonância com a IN11/2019. Além disto, continua-se garantindo o descarte adequado de resíduos de alimentos de aeronaves e navios provenientes de países acometidos com a doença.

OP Rural – Até que ponto a Peste Suína Africana presente na Euroásia é um risco para o Brasil? Como se dá esse risco?

Luizinho Caron – O risco existe, embora muito baixo. Lembrando que a PSA já chegou ao Brasil em 1978, provavelmente devido a restos de alimentos contendo produtos derivados de suínos curados provenientes da Europa. Porém muitas medidas de biosseguridade para granjas e para a entrada de produtos derivados de suínos foram tomadas a fim de salvaguardar nossos rebanhos. Atualmente a PSA está presente em suínos domésticos e/ou asselvajados em países dos continentes Africano, Europeu e Asiático. As Américas são consideradas livres do vírus. Todavia, esta é uma doença animal transfronteiriça, na qual a principal via de transmissão é pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus (esta tem sido frequentemente a via pela qual o vírus se disseminou por longas distâncias). Além disto, fômites, como sapatos, roupas, veículos, equipamentos, dentre outros, podem disseminar o vírus, devido à alta resistência ambiental. A prevenção em países livres da doença depende da implementação de políticas apropriadas de importação e medidas de biossegurança, garantindo que nem os suínos vivos infectados nem os produtos suínos sejam introduzidos em áreas livres de PSA. Isso inclui garantir o descarte adequado de resíduos de alimentos de aeronaves e navios provenientes de países afetados e policiar as importações ilegais de suínos vivos e produtos suínos destes países afetados. Recentemente, o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) publicou a IN11/2019, que estabelece o regulamento para ingresso, no território nacional, de produtos de origem animal presumivelmente não veiculadores de doenças contagiosas, em bagagem de viajantes, para consumo próprio e sem finalidade comercial. Além disto, a OIE e a FAO estão propondo um programa global no controle de PSA.

OP Rural – Que estragos doenças dessa natureza podem provocar nas esferas de desempenho, mercado e econômico? Há prospecções sobre uma eventual entrada de PSA, por exemplo, no Brasil?

Luizinho Caron – A PSA é uma doença de notificação obrigatória aos órgãos oficiais nacionais e internacionais de controle de saúde animal, com potencial para rápida disseminação e com significativas consequências socioeconômicas. O impacto da introdução da PSA nos Estados Unidos foi estimado em US$ 16,5 bilhões apenas no primeiro ano de surto. Uma avaliação superficial do prejuízo da introdução do vírus na população de suínos do Brasil, população esta que é cerca de dois terços menor que a americana, ficaria em torno de US$ 5,5 bilhões, baseado no número de suínos abatidos por ano. Porém, fica difícil estimar os custos para o cenário brasileiro, devido às particularidades da produção, diferenças nos sistemas de vigilância e monitoria, somado ao aprendizado recente dos Estados Unidos com os surtos de diarreia epidêmica suína (PED) e influenza aviária (IA), bem como o poder de negociação daquela economia. Ainda, a presença do vírus em um país tem impacto direto no comércio internacional de suínos e de produtos de origem animal. Além disso, na ocorrência de surtos de PSA, é obrigatório o abate sanitário dos animais e destinação adequada das carcaças, pois ainda não se dispõe de vacina eficiente contra a doença. Já doenças exóticas como a PRRS e a PED as consequências principais são para o setor produtivo em função das mortalidades, gastos para o controle e do aumento do custo de produção.

OP Rural – Recentemente tivemos casos de Peste Suína Clássica nos estados do Nordeste, na Zona não livre. Isso representa um perigo para a suinocultura industrial do restante do país?

Virgínia Santiago Silva – O risco existe, embora baixo, e está relacionado ao transporte irregular (contrabando) de suínos e subprodutos da zona infectada para estados da zona livre e ao movimento de suínos asselvajados entre estas regiões. A zona livre de PSC no Brasil compreende 16 estados brasileiros e o Distrito Federal (RS, SC, PR, MG, SP, MS, MT, GO, DF, RJ, ES, BA, SE, TO, PA, RO e AC), concentrando mais de 95% de toda a indústria suinícola brasileira e 100% de toda a exportação de suínos. Deste percentual, mais de 90% está localizado na região Sul/Sudeste do país. Caso ocorra um foco em estado da zona livre que faz divisa com o estado do Piauí, a certificação internacional da região acima de SC será afetada. Até o momento, os focos de PSC identificados no Nordeste estão a mais de 500 km de distância da divisa com a zona livre de PSC no Brasil. Rapidamente, o SVO da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), com apoio do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa/DSA/PNSS), desenvolveu um trabalho de controle/erradicação da doença com base no plano de contingência para a PSC. As ações de vigilância (rastreabilidade, destruição oficial de produtos de origem animal, eliminação oficial de carcaças, subprodutos e resíduos, zoneamento e desinfecção) nas propriedades situadas no raio de 10 km em torno dos focos foram intensificadas conforme previsto no Plano de Contingência para PSC, bem como nos vínculos do foco. Além disto, conforme IN 25/2016, o trânsito de suínos, produtos e subprodutos entre a zona livre e a zona não livre está proibido. Outro aspecto fundamental para controle e erradicação da PSC é o conhecimento da população de suínos asselvajados na região. Desde 2015, o Mapa vem realizando monitoria sorológica em suínos asselvajados na região livre de PSC, e estes animais vem apresentado resultados negativos.

OP Rural – O produtor e a indústria estão cientes dos riscos?

Virgínia Santiago Silva – Várias ações vêm sendo feitas a fim de conscientizar os produtores e capacitar os veterinários de campo. O Mapa conjuntamente com a Embrapa Suínos e Aves, agroindústrias e universidades vem trabalhando nos pontos-chave para prevenção, conforme mencionados no questionamento acima. Uma ação muito importante dos órgãos de controle e pesquisa é trabalhar para informar os fatores de risco e medidas mitigatórias, não apenas para técnicos, mas também para o público leigo que viaja para as regiões endêmicas. Todavia ainda há um longo caminho a ser trilhado, principalmente com relação à atenção aos riscos por parte dos produtores. Apesar da mobilização da agroindústria, alguns riscos vêm sendo negligenciados, como os relacionados à população de risco (suínos de subsistência e asselvajados).

OP Rural – Quais são as doenças exóticas e emergentes a que a cadeia suinícola precisa ter mais atenção no momento?

Danielle Gava – Nas últimas décadas, vários vírus emergentes surgiram ou recrudesceram na população suína global. Os principais são o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória porcina (PRRS), o circovírus suíno tipo 2 (PCV2), o Senecavirus A (SVA), o vírus da peste suína clássica (PSC) e da peste suína africana (PSA), causam doenças economicamente importantes em suínos, enquanto outros, como Torque teno sus vírus (TTSuV), bocavirus suíno (PBoV), parvovirus suíno 2 a 7 (PPV2 – PPV7) são, em sua maioria, de natureza subclínica em rebanhos e outros ainda, como o vírus Influenza A (SIV), possuem impacto também em humanos.

Além disto, alguns vírus, apesar de possuírem implicação clínica desconhecida na saúde suína, representam uma preocupação de saúde pública, como o vírus da hepatite E suína e o sapovírus suíno (SaV). As principais enfermidades presentes na lista da OIE que afetam os suínos são: PRRS, PSA, PSC, doença de Aujeszky, brucelose suína e a gastroenterite transmissível (TGE). A TGE, a diarreia epidêmica suína (PED) e a PRRS são enfermidades economicamente muito importantes, que nunca foram diagnosticadas no Brasil, sendo consideradas exóticas. A PSA encontra-se erradicada no país desde 1984.

OP Rural – Quais são as medidas necessárias para se preparar a esses desafios?

Danielle Gava – O Brasil, por sua importância na produção de suínos deve ter um bom sistema de alerta e um plano de contingência para todas as doenças, principalmente doenças exóticas. Os pontos-chave para prevenção são:

  • Possuir sistema de alerta eficaz
  • Fornecer treinamento e capacitação de veterinários e produtores
  • Conhecer as características das doenças e como evitá-las
  • Identificar os fatores de risco para cada doença
  • Adequar o sistema de vigilância baseado nos fatores de risco para cada doença
  • Possuir vários centros de diagnóstico oficial e rápido, pois a identificação precoce de uma doença, antes que se dissemine, é fundamental para tomada de decisão visando controle e erradicação
  • Garantir apoio legal e recursos (fundos indenizatórios, diagnóstico, entre outros) para a implementação de medidas de controle
  • Possuir plano de contingência para as doenças mais relevantes, em especial as exóticas
  • Aplicar medidas de biosseguridade rigorosas para prevenir a introdução e disseminação do vírus.

OP Rural – Quais os novos estudos que a Embrapa desenvolve sobre o tema?

Danielle Gava – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio de sua Unidade Descentralizada Embrapa Suínos e Aves, tem o papel de fornecer informações sobre as doenças e os impactos na cadeia produtiva de suínos, subsidiando a tomada de decisão dos órgãos competentes. Conforme a necessidade, atende demandas oriundas do Mapa e das agroindústrias, de acordo com a relevância de cada enfermidade. Em função da sua localização e estrutura, a Embrapa Suínos e Aves não pode trabalhar diretamente com agentes de controle oficial como os vírus da PSA, PSC, PRRS e PED. Porém, possui pesquisas em monitoramento de javalis e suídeos asselvajados na zona livre de PSC, o que pode embasar estudos e análises de risco para a PSA e outras doenças. Além disto, possui projetos específicos para vários agentes já mencionados, como SVA, SIV, PCV2 e outros, desenvolvendo ferramentas de diagnóstico e controle.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais

Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

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Foto: Divulgação

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.

O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.

Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: O Presente Rural
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