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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Deral

Paraná deverá produzir mais de 36 milhões de toneladas de grãos

É quase um milhão de toneladas de cereais a mais produzidos no Estado, segundo levantamento do Deral, relativo ao mês de outubro

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Com a colheita dos cereais de inverno praticamente concluída, a safra de grãos 2018/19 no Paraná está sendo encerrada com um total estimado de 36,3 milhões de toneladas, volume 3% acima da safra anterior (17/18) que atingiu 35,4 milhões. É quase um milhão de toneladas de cereais a mais produzidos no Estado, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, relativo ao mês de outubro.

A safra de grãos de verão (2019/20), que está sendo plantada, poderá chegar a 23,4 milhões de toneladas, sendo que o cultivo de soja representa 90% da área plantada nesta época do ano no Estado. A safra de grãos de verão poderá ser 19% maior em relação à safra passada, que foi de 19,6 milhões de toneladas.

Segundo o diretor do Deral, Salatiel Turra, essa safra 19/20 começa com um potencial de 4 milhões de toneladas a mais, por causa da possibilidade de recuperação da soja, que quebrou no ano passado devido à seca, quando foram perdidas mais de 3,5 milhões de toneladas.

Para a safra de grãos de verão deste ano, a seca volta a ser uma preocupação, disse Turra. Sem chuvas regulares desde o início de setembro, as regiões Norte, Oeste, Noroeste e Norte Pioneiro estão sofrendo com a estiagem. De acordo com o Deral, a situação hídrica já foi normalizada nas regiões Central e Sul do Estado. O plantio da safra de verão começa a sofrer atrasos por conta da seca, mas há tempo para recuperação, salientou.

Turra diz que por enquanto o sinal é amarelo para o plantio de soja. “Há preocupação com o cenário climático que ainda está incerto”, afirmou.

Soja

O plantio de soja da safra 2019/20 foi feito em 45% da área estimada de 5,5 milhões de hectares, porém está um pouco atrasado em relação ao ritmo de plantio de anos anteriores. O período da soja no Paraná vai até 31 de dezembro, então há tempo para recuperação, informou o analista Edmar Gervásio, do Deral.

Em condições normais de clima, o Deral estima um volume de 19,8 milhões de toneladas para a safra de soja, que representa um incremento de 23% sobre a soja da safra passada (2018/19) que atingiu volume de 16,1 milhões de toneladas. A safra anterior foi prejudicada pela seca.

Segundo Gervásio, as últimas chuvas beneficiaram mais as lavouras das regiões Sudoeste e Sul. Já na região Oeste, grande produtora de soja, ocorreram chuvas, mas elas foram insuficientes e o solo voltou a ficar seco. Apenas 18% da área prevista na região foi plantada. A preocupação é que o período para o plantio começa a ficar restrito no Oeste.

Se chover no Oeste, a soja ainda pode ser plantada. Agronomicamente, é recomendável para o desenvolvimento da planta. Porém, se for considerado o sistema de produção, que inclui o plantio do milho safrinha, pode haver comprometimento, salientou Gervásio.

Isso porque, segundo ele, o plantio tardio da soja certamente vai comprometer o do milho safrinha da safra 2020 na região, que é bastante significativo para a produção estadual. Quando a soja é plantada mais tarde, a colheita também é tardia, o que vai prorrogar o período de plantio do milho safrinha na região, que está sujeito a ser atingido por geadas no ano que vem.

Enfim, salientou Gervásio, no Paraná os períodos de plantio são praticamente cronometrados para proporcionar o máximo de rendimento com a sucessão de safras.

O atraso mais significativo no cultivo da soja está na região Norte, que planta mais tarde, portanto tem mais tempo para recuperação.

Milho

A área plantada com milho nesta época do ano é pequena. Ao longo dos últimos anos, o milho de primeira safra vem perdendo espaço para a soja, que compensa mais financeiramente aos produtores.

Segundo o Deral, serão 338 mil hectares plantados este ano, que dará uma redução de 6% sobre a área ocupada no ano passado, que atingiu 360 mil hectares. A produção da safra 2019/20 deve atingir um volume de 3,1 milhões de toneladas, praticamente repetindo a produção do ano passado que foi de 3,15 milhões de toneladas.

Os mesmos aspectos climáticos que atingem a soja também impactam no plantio de milho da primeira safra, disse Gervásio. Mas o impacto sobre a cultura é menor porque 70% do plantio de milho da primeira safra se concentra nos núcleos de Curitiba, Ponta Grossa e Guarapuava, onde o clima não foi tão irregular como nas demais áreas. Com isso, 90% da área prevista com milho da primeira safra já foi plantada.

Uma característica importante no plantio de milho da primeira safra é que a cultura se tornou uma produção de nicho. São produtores mais especializados, com uso de mais tecnologia e de alta produtividade nas lavouras.

Trigo

O trigo da safra 2019 está com 82% da área já colhida. A seca acelerou o ritmo de colheita. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, este é o terceiro ano seguido de safra de trigo ruim no Estado e este ano a safra será a menor dos últimos anos, com uma quebra de 34% em relação ao potencial. A expectativa de produção foi rebaixada para 2,2 milhões de toneladas, bastante inferior ao ano passado, também afetado pela seca, cujo volume foi de 2,8 milhões de toneladas. O prejuízo estimado aos produtores é de aproximadamente de R$ 50 milhões.

A safra deste ano foi atingida por dois eventos climáticos prejudiciais ao desenvolvimento das plantas. Foram as geadas nas lavouras mais precoces, que afetaram as regiões Oeste, Centro-Oeste e Sudoeste. E posteriormente a seca que atingiu essas mesmas regiões, e também o trigo plantado na região Norte.

Atualmente, a colheita está ocorrendo nas regiões Sul e Sudeste, onde as lavouras são plantadas mais tardiamente e que estão com uma condição mais razoável de desenvolvimento. Será a parte da safra que terá mais produtividade e qualidade, salientou Godinho.

Cevada

A cevada é um cereal de inverno que começa a ganhar importância no Paraná devido ao sistema de produção integrada, cuja comercialização é garantida pelas cooperativas e indústrias cervejeiras, com demanda acima da produção

A área plantada nesta safra deve atingir 60,3 mil hectares, 8% acima do ano passado, quando ocupou 55,7 mil hectares. A produção estimada pelo Deral é de 244,3 mil toneladas, volume 11% maior que no ano passado quando foi de 220 mil toneladas.

Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Rogerio Nogueira, a cevada plantada em 2019 está sendo colhida, com plantio feito em 13% da área ocupada. O ritmo de colheita está mais avançado em Ponta Grossa, onde 50% da área plantada já foi colhida e está em boas condições. Na região de Guarapuava, as primeiras lavouras colhidas demonstram que a cultura foi afetada pela seca, devendo apresentar uma retração regional.

Nogueira diz que a produtividade média de cevada no Paraná e de 4 mil quilos por hectare, sendo que há propriedades com rendimento de até 7 mil quilos por hectare na região de Guarapuava. A produção da região de Guarapuava já está toda vendida para a cooperativa Agrária do distrito de Entre Rios.

Fonte: AEN/Pr
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Bovinos / Grãos / Máquinas Feno

Pontos importantes para ter um alimento de qualidade

Profissional explica pontos importantes como a desidratação das plantas forrageiras, os benefícios de um feno bem feito para a produção de leite, o correto armazenamento do feno, entre outros

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Os cuidados com a pastagem fazem uma grande diferença para o produtor rural que buscar ter alimentos – com qualidade – o ano todo. A reportagem de O Presente Rural conversou com a zootecnista, doutora em Nutrição e Produção Animal e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Marcela Abbado Neres. A profissional explica pontos importantes como a desidratação das plantas forrageiras, os benefícios de um feno bem feito para a produção de leite, o correto armazenamento do feno, entre outro.

O Presente Rural – Por que desidratar as plantas forrageiras?

Marcela Abbado Neres – Existe duas formas de conservar a forragem depois de cortada. A primeira seria por acidificação (pH<4,2) por processo de fermentação em meio anaeróbio (sem oxigênio). Quem faz essa acidificação são bactérias presentes na própria planta, mas que conhecemos muito, pois estão presentes nos iogurtes e outros alimentos fermentados que são os Lactobacillus. A outra forma de conservar é desidratando a planta cortada que de 80% de água passa a 15% de água.

Essas duas técnicas tem como objetivo principal evitar a deterioração dessas plantas por bactérias e fungos indesejáveis. As bactérias indesejáveis degradam proteínas e carboidratos deixando assim esses nutrientes indisponíveis para os animais e algumas bactérias inclusive transformam algumas proteínas em compostos tóxicos.

Então na fenação desidratamos as plantas ao sol para reduzir a umidade pois existe um índice chamado índice de atividade de água (AW). Quando a AW está abaixo de 0,70 não temos crescimento elevado de micro-organismos que deterioram o feno.

O Presente Rural – Quais plantas são indicadas para produção de feno?

Marcela Abbado Neres – Antes de citar as plantas é importante entender as características que esta planta deve ter. As plantas indicadas para produção de feno devem ter as hastes finas, pois assim facilita a desidratação da planta. As folhas perdem água rapidamente, mas as hastes são mais resistentes a desidratação. Então quanto mais espessas e grossas as hastes mais as plantas demoram para atingir a umidade ideal para armazenamento sem comprometer sua qualidade.

Outra característica importante são os pontos de crescimento dessas plantas, ou seja, de onde surgem novas folhas. Plantas para fenação devem sempre manter os pontos de crescimento próximos do solo, pois os cortes dessas plantas para fenação ocorrem numa altura de 5 a 6 cm do solo. Assim esses pontos de crescimento são preservados dos cortes e o tempo de recuperação da planta antes do novo corte é rápido. Plantas cespitosas como o capim Napier elevam muito rápido seus pontos de crescimento. Então em um capim Tifton 85 no verão podemos ter intervalos de cortes de 30 dias. No capim Napier além do aumento do número de dias para secar (hastes são grossas), este precisa de 60 dias para passar por um novo corte.

  • A planta deve ser produtiva em termos de kg de massa de forragem por alqueire;
  • Ter elevado valor nutricional;
  • Ser resistente à pragas e doenças; mas no Brasil tem ocorrido em algumas áreas de produção de feno ataques de lagartas e cigarrinha das pastagens.

Sendo assim no Brasil temos como opção o capim Tifton 85, Jiggs, coastcross e a leguminosa alfafa. Outras forrageiras também estão sendo utilizadas para produção de feno como braquiárias (essa mais indicada para gado de corte, pelo valor nutricional). As espécies de inverno também são utilizadas para produção de feno como a aveia e o azevém.

O importante é o produtor não confundir feno com palhada. A palhada é a sobra de uma cultura como por exemplo o trigo. São volumosos de baixo valor nutricional e não devem ser usadas na alimentação de vacas de leite.

O Presente Rural – Qual a importância de desidratar a planta?

Marcela Abbado Neres – A desidratação da planta vai reduzir o teor de matéria seca dessa planta e consequentemente a atividade de água (AW), inibindo assim o crescimento de fungos que são potenciais produtores de micotoxinas. As micotoxinas são prejudiciais à saúde dos animais e podem passar para o leite não sendo eliminadas no processo de pasteurização.

Feno armazenado com umidade elevada pode perder seu valor nutricional por ação de micro-organismos e inclusive entrar em combustão.

O Presente Rural – Quais as vantagens do feno para vacas de leite?

Marcela Abbado Neres – Vacas de leite recebem na sua dieta uma proporção maior de concentrado (milho moído e farelo de soja) podendo chegar a 60% do total da dieta. O rúmen precisa manter um pH ao redor de   6,4 para sobrevivência das bactérias que colonizam esse compartimento do estômago. O alimento concentrado tende a baixar o pH do rúmen quando fornecido em grandes quantidades, então essas vacas precisam de fibra na sua dieta, e fibra longa (ao redor de 5 a 7 cm) pois a fibra estimula a produção de saliva (pela ruminação) e a saliva contribui para o aumento do pH do rúmen. Outra vantagem da fibra longo conhecida como fibra fisicamente efetiva é que no rúmen essa fibra longa aumenta a produção de ácido acético, que é o precursos da gordura do leite.

Sendo assim pastagens, silagens e feno são fontes de fibra. Outra vantagem do feno para vacas de leite é que algumas espécies forrageiras possuem teores de proteína bruta acima de 14% podendo chegar a 20% de proteína bruta. Feno tem um teor energético mais baixo em relação a silagem de milho, portanto os dois se complementam.

O Presente Rural – Quais os benefícios do feno bem feito?

Marcela Abbado Neres – Essa é uma questão muito importante. A produção do feno deve ser muito bem acompanhada em todas as etapas, inclusive no armazenamento. Se negligenciarmos em alguma etapa, teremos com certeza resultados insatisfatórios no produto final. Como exemplo: a falta de análise de solo e adubação dos campos de feno vai se refletir na menor produção de massa por área, aumentar o intervalo entre cortes, reduzir o valor nutricional do feno.  O corte deverá ser realizado no ponto de crescimento ótimo da forrageira pois se a planta estiver com idade de rebrota mais avançada, o valor nutricional vai reduzir. Mas veja, para quem produz feno essa etapa não é fácil pois as vezes a planta está com a idade certa para ser cortada, mas as condições climáticas (chuvas) não permitem o corte. Assim o produtor precisa esperar uma janela (dias sem chuvas e sem nebulosidade) para fazer o corte com segurança.

As viragens são importantes por permite uma desidratação uniforme. Quando cortamos um feno, forma-se uma camada de 8 a 10 cm de forragem depositada no solo. A camada inferior fica em contato com o solo e a outra exposta ao sol. A camada de forragem cortada e em contato com o solo tende a desidratar mais lentamente em relação as plantas que estão na camada superior. Assim a viragem vai permitir uma desidratação uniforme.

O enleiramento deve ocorrer no ponto ideal de matéria seca (15 a 12%). O produtor experiente sabe quando o feno está no ponto ideal torcendo o feno. Existe hoje no mercado medidores de umidade do feno, que também são utilizados pelos produtores para medir antes de enfardar. Também não é vantagem secar demasiadamente o feno pois esse se torna quebradiço e as perdas de folhas são maiores. As perdas de folhas são maiores pois elas secam mais rápido. Se compararmos o valor nutricional de folhas e colmos, temos maiores teores de proteína bruta e melhor digestibilidade nas folhas.

O armazenamento também é outra etapa importante pois o feno deve ser armazenado em galpões protegidos de umidade, com cobertura, ventilação, evitar incidência solar direto no feno e usar pallets de madeira para evitar o contato direto do feno com o solo evitando assim que a umidade do solo passe para o feno.

O Presente Rural – Como evitar problemas de fungos no feno?

Marcela Abbado Neres – Um feno não é 100% livre de fungos. Em um experimento realizado por nós na Unioeste comparamos as populações em quantidade e espécies de fungos em uma área produtora de feno. Foi observado uma maior população de fungos no solo, raízes e material vegetal morto depositado sobre o solo. Então se o produtor tomar o cuidado necessário ao usar os equipamentos de viragem e enleiramento, evitamos a contaminação excessiva de fungos no feno armazenado. Mas com os cuidados necessários podemos reduzir muito a população desses fungos. O mais importante é o teor de umidade do feno que deve ser como dito anteriormente abaixo de 15%. Mas não adianta armazenar com umidade abaixo de 15% num galpão com cobertura deficiente, quando em situação de chuva, esse feno é molhado. Uma característica do feno é que ele é higroscópico, ou seja, ele absorve umidade. Então se a umidade relativa do ar aumenta ocorre um ligeiro acréscimo na umidade do feno.

O Presente Rural – Quais problemas esses fungos podem causar aos animais?

Marcela Abbado Neres – Os fungos são potenciais produtores de micotoxinas. Isso não quer dizer que se tem fungo tem micotoxinas. As micotoxinas são produzidas pelos fungos em condições específicas. Umidade relativa do ar, alternância de temperatura entre dia e noite. Isso vai depender de cada espécie de fungo. As micotoxinas afetam a saúde dos animais e a produção de leite dependendo da quantidade ingerida e da micotoxina. Cada espécie de fungo pode produzir uma ou até mais micotoxinas. Existem fungos que não produzem micotoxinas.

Os principais problemas são distúrbios metabólicos, afetam a imunidade, alguns são hepatóxicos, outros afetam sistema reprodutivo, levando a falhas reprodutivas (micotoxinas Zearalenona produzida pelo fungo do gênero Fusarium.

O Presente Rural – Como armazenar o feno? Quais dicas para armazenar da melhor forma?

Marcela Abbado Neres – Temos os produtores de feno que estão na atividade somente para venda. Este possuem galpões de armazenamento até que o feno seja despachado para o comprador. Temos o produtor de feno que usa na propriedade e vende parte do feno e temos aqueles produtores de leite que não produzem o feno, apenas fazem a aquisição. Em todas as situações acima, o feno deve ser armazenado em local específico para tal. Quando a produção de feno é muito alta ou a compra pelo produtor também é alta e não existe a possibilidade de armazenar no galpão específico pode-se improvisar locais para armazenamento. Mas o tempo do feno nesses locais deve ser o menor possível, não deve ficar em contato com o solo, não receber umidade proveniente de chuvas. Evitar presença de roedores e deposição de fezes de aves e outros animais.

O Presente Rural – Por que os fenos tipo A e B são melhores para vacas de leite? Qual a diferença para outros tipos?

Marcela Abbado Neres –

Essa é a tabela de classificação do feno. Vacas de leite são exigentes em nutrientes então optar sempre pelo feno tipo A ou B. O feno tipo C pode tem um teor de proteína baixo e um valor de fibra elevado. Significa que fibra alta demais (acima 69%) temos um componente impregnado nessa fibra chamado lignina o qual que está elevado também. A lignina prejudica a ação dos micro-organismos do rúmen sobre essas células. Reduzindo assim a liberação dos nutrientes presentes no feno e o aproveitamento desses nutrientes pelo animal.

O Presente Rural – Quais as etapas da produção de feno e quais os impactos dela na produção de leite?

Marcela Abbado Neres – Etapas

Corte: realizado quando temos um ótimo entre produção de matéria seca e qualidade da forragem. Realizado com segadeiras ou segadeiras condicionadoras (estas possuem batedores que cortam as hastes e facilita a desidratação delas). Deve ser realizado após a secagem do orvalho em qualquer horário do dia. Não deve ser realizado comorvalho depositado sobre as plantas.

Viragens: A viragem ocorrem algumas horas após o corte para facilitar uma desidratação uniforme. Quanto maior a quantidade de forragem por área, a altura de material depositado sobre o solo maior. Assim as viragens devem ser em número maior. Geralmente se faz de 2 a 3 viragens em todo o período de secagem.

Essa etapa deve evitar revolver parte do solo e material vegetal morto, como citado acima, pode vir a contaminar o feno com fungos e micotoxinas.

No inverno a incidência de orvalho é superior pela manhã e pelo fato da radiação solar ser menor o feno leva um tempo maior para secagem.

Enleiramento: O enleiramento ocorre quando a planta atingiu o teor de massa seca adequado, ou seja, entre 15 e 12%.  Usa-se um ancinho enleirador.

Enfardamento: O enfardamento ocorre logo após o enleiramento. Produtores que possuem dois tratores geralmente trabalham com um trator enleirando e outro enfardando. Assim o processo é mais rápido e menos passível de perdas por precipitação.

Recolhimento do feno no campo: Hoje já existe equipamentos próprios para recolher o feno e alocá-lo no galpão. Alguns produtores de feno para venda, ao enfardar, muitas vezes já carrega no caminhão para entrega, sem necessidade de armazenar na propriedade.

Todas essas etapas feitas da forma correta levam à um feno de boa qualidade para vacas de leite. Deve-se fazer a escolha da forrageira adequada para vacas de leite. Capins como Tifton 85, jiggs, Coastcross, aveia e azevém além da leguminosa alfafa são os mais indicados para vacas de leite. O manejo do campo de feno é importante também.

O Presente Rural – Por que é importante que o produtor tenha seus próprios equipamentos?

Marcela Abbado Neres – O produtor, quando começa na atividade, geralmente, terceiriza esse serviço. Ele contrata algum vizinho ou alguém quando a planta dele está no ponto de corte para fazer o feno. A medida que ele vai se capitalizando, ele vai adquirindo esses equipamentos. Isso acontece porque o feno tem cinco ou seis cortes no ano, diferente da silagem, que está caminhando para a terceirização. Isso acontece porque o silo é feito uma ou duas vezes ao ano. O produtor corta o milho para fazer silagem uma ou duas vezes. Dessa forma, esses equipamentos mais modernos e eficientes para fazer silagem tem um custo muito elevado, mais de R$ 1 milhão. Já um conjunto de fenação é caro, mas se o produtor comprar primeiro uma ceifadeira, depois compra um ancinho espalhador, ele vai se capitalizando e não fica dependente da terceirização, especialmente por questão da chuva, porque as vezes ele precisa fazer o corte e o fornecedor do serviço está em outra propriedade, então o produtor perde a janela de corte. Por isso essa questão do equipamento é importante e hoje em dia existem muitos bons equipamentos nacionais.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Planejamento forrageiro é essencial para pecuarista que busca evitar escassez de alimento

É importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos

Publicado em

em

Diogo Zanata

O planejamento forrageiro é uma estratégia para reduzir a escassez de alimento dos rebanhos ao longo do ano através da oferta diversificada de pasto e forragens conservadas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, especialista no assunto, Renato Serena Fontaneli, o produtor deve juntamente com seu assistente técnico, seja da iniciativa privada, cooperativas, Emater, laticínios, planejar e executar de maneira eficiente, tornando os sistemas produtivos, complexos, com resultados atrativos.

Ele explica que a região sul-brasileira é privilegiada em termos de ambiente para produção de pastagens durante o ano todo. “Assim sendo, é possível termos forragens produzidas no campo, o ano todo, para ruminante”, afirma. Ele diz que é possível dispor das melhores alternativas do mundo temperado (aveia, azevém, cereais de duplo-propósito como o trigo e aveias-brancas, leguminosas como os trevos e cornichão etc) e do mundo tropical (grama-bermuda, quicuio, hemártria, capim-elefante-anão, braquiárias, colonião, etc). “Essas forrageiras e outras podem compor pastagens para serem pastejadas pelos animais ou conservadas como pré-secados, feno, silagem de planta inteira, silagem de grãos e grãos em geral”, informa.

Fontaneli afirma ser importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos (integração lavoura-pecuária). “Dentro de cada espécie existem diversas cultivares que variam em ciclo produtivo, potencial e adaptação local. O técnico pode auxiliá-lo na seleção das cultivares. Por exemplo, temos cultivares de aveia-preta, azevem e trigo forrageiro ou de duplo-propósito de ciclos precoce, médio ou tardio, e a seleção deve estar de acordo com a utilização da área em sucessão, por exemplo, soja ou milho”, comenta.

De acordo com o pesquisador, existem muitas alternativas de cultivares que o pecuarista pode utilizar para fazer o seu planejamento forrageiro. “A Embrapa, por exemplo, dispõe de dezenas de cultivares das principais forrageiras a serem indicadas para cultivo nas diversas regiões brasileiras. Além disso, felizmente contamos com diversas empresas privadas nacionais e internacionais que disponibilizam excelentes alternativas. Novamente, destaco a importância da presença do técnico, para juntamente com o empresário rural decidirem da maneira mais efetiva”, diz.

Fontaneli reitera que qualquer atividade humana deve ser planejada visando minimizar os riscos inerentes a cada decisão. “Podemos pensar em um planejamento forrageiro baseado em espécies de inverno e de verão, mas elas não poderão ofertar forragem o ano todo. Haverá, período(s) de déficit forrageiro, com por exemplo no outono e na primavera, ou seja, na transição entre as estações de crescimento”, comenta.

Ele explica ser possível incluir pastagens perenes, de verão, mais comumente, por exemplo (Tifton 85), que pode ser pastejada de 7 a 10 meses ao ano, dependendo de ambientes locais, podendo ser sobressemeada com forrageiras anuais de inverno. “Podemos compor sistemas incluindo as pastagens perenes de inverno, por exemplo, festuca ou dáctilo com trevos, que podem permitir pastejo de março/abril até novembro/dezembro em regiões como o norte do RS.  Entretanto, vale lembrar que quando perenizamos uma pastagem, não podemos cultivar essas áreas para produção de grãos”, alerta.

O pesquisador destaca ainda que alimento é o principal item no custo de produção animal. “É aceito em termos internacionais que em sistemas de produção de leite, o custo do alimento pode representar de 40 a 60% do custo de produção”, diz.

Melhores estratégias para o planejamento forrageiro

Fontaneli destaca que é preciso fazer um trabalho personalizado para garantir um bom planejamento forrageiro. “Por um bom planejamento que pode servir para nortear e desencadear ações rumo a melhoria dos sistemas produtivos. Cada propriedade, glebas dentro da propriedade, cada produtor, cada técnico são únicos e devem agir em conjunto”, afirma.

Segundo o pesquisador, há conhecimentos disponíveis suficientes para melhorar os sistemas produtivos. “Aliás, não existe nenhum sistema de produção no mundo que não possa ser melhorado. Esse é o desafio e o que nos move a cada dia”, garante.

Ele revela ainda algumas estratégias que que pode ser utilizadas pelo produtor para garantir um bom planejamento. “O produtor deve planejar, juntamente com os técnicos experientes e competentes, especializados na área de integração lavoura-pecuária; planejar a médio e longo-prazos; e observar o histórico de cada gleba da propriedade, rotação de culturas, adubações e tratos culturais. Tudo pode ajudar a decidir alternativas mais adequadas, com menor risco e maior potencial de sucesso”, finaliza.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Algas

Extratos protegem integridade intestinal e modulam sistema imunológico

Algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Extratos de algas marinhas estão cada vez mais presentes na bovinocultura. Seu poder de proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico chama a atenção de pecuaristas em todo o país. Ainda há muito a aprender para extrair delas o máximo potencial, mas, assim como o desempenho zootécnico, os resultados das pesquisas e os produtos oferecidos pelo mercado estão cada vez mais interessantes.

“As algas são recursos naturais e renováveis, tradicionalmente utilizados nas regiões costeiras de todo o mundo há muito tempo. Comparados a muitos outros recursos naturais, elas demonstram baixo risco de toxicidade e eco toxicidade. Além do mais, as algas estão entre as plantas de crescimento mais rápido na natureza. Algumas espécies de algas marinhas podem crescer até 30% de seu peso por dia. Além disso, como elas vivem na água do mar, não competem por terras areáveis nem por recursos de água doce”, destaca Maria Angeles Rodríguez, engenheira agrônoma mestre em Nutrição Animal pela Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), gerente de produtos da Olmix.

“As algas são um grupo funcional que engloba uma grande variedade de organismos, cuja única característica em comum é a fotossíntese e um estilo de vida aquático. Entre esses organismos, encontram-se as macroalgas, que você costuma ver à deriva em praias ou presa às rochas. Elas pertencem aos eucariotas, o que significa que seu DNA é encontrado dentro de um núcleo verdadeiro. A segunda categoria de algas são as microalgas, que na maioria dos casos você precisa de microscópio para observar. Elas também são conhecidas como fitoplâncton e incluem organismos eucarióticos, mas também organismos procarióticos, que estão próximos às bactérias e não possuem um núcleo verdadeiro. Por exemplo, as cianobactérias são algas procarióticas e são mais conhecidas como algas verde-azuladas, como a espirulina”, menciona.

Ela destaca, no entanto, que as algas de interesse da pecuária são apenas as algas eucarióticas, multicelulares, macroscópicas e marinhas.

De acordo com ela, ao contrário das plantas terrestres, as algas não possuem raízes e nem sistema diferenciado de circulação de seiva. Como crescem na água, absorvem água e nutrientes por toda a superfície. Maria Angeles cita ainda que o modo de reprodução também é muito diferente das plantas terrestres, e não produzem flores, sementes ou frutos. “Cada espécie está adaptada a certas condições de luz, corrente, resistência à seca, que definirão sua área de repartição no litoral fixada nas rochas por suas ancoragens. Com base em seus pigmentos fotossintéticos, as algas marinhas podem ser divididas em três grupos: algas vermelhas, verdes e marrons. Esses três grupos são geneticamente diferentes e cada um separado do outro por milhões de anos de evolução”, pontua.

Mas quando as algas começaram a ser usadas na alimentação de ruminantes? “A história do homem e das algas começa há 16 mil anos com as primeiras evidências arqueológicas do consumo humano de algas marinhas na costa chilena.

A primeira evidência escrita de seu uso medicinal vem da China, cerca de 3 mil anos antes de Cristo.

As algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo. Precisamos esperar até o século XVI para a primeira exploração industrial de algas marinhas na indústria de vidro, usando cinzas de algas ricas em carbonato de potássio para diminuir o ponto de fusão do silício. No século XIX, o iodo foi descoberto nessas cinzas e levou à produção industrial de soluções de iodo para o tratamento de feridas. O século XX viu o desenvolvimento da indústria de hidrocoloides. Os hidrocoloides são moléculas capazes de armazenar grande quantidade de água e, portanto, de texturizar os ingredientes com os quais são misturados. Na Europa, os hidrocoloides feitos de algas marinhas são identificados pelos códigos e400 e e407. Você pode encontrá-los em muitos alimentos processados, como laticínios ou refeições prontas industriais, mas também em produtos de higiene pessoal, como pasta de dente, cremes para a pele ou fraldas para bebês. Suas propriedades formadoras de gel também são interessantes para aplicações farmacológicas, como curativos, remédios para refluxo gástrico ou placas de Petri para cultura bacteriana. Finalmente, o século XXI viu o surgimento de um novo campo de aplicações designado para a extração de moléculas ativas para todos os tipos de biotecnologia”.

Maria Angeles destaca que as algas marinhas podem ser ricas em vários compostos nutricionais interessantes como minerais, proteínas e vitaminas específicas. No entanto, os compostos predominantes são os polissacarídeos que podem representar até 70% da matéria seca. Devido à sua estrutura específica e a presença de grupos de sulfato, esses polissacarídeos possuem diversas atividades biológicas interessantes para seu uso em ruminantes.

Atividades biológicas

Os extratos de algas podem ser usados por suas propriedades biológicas ou combinados com argilas por suas características estruturais. A profissional explica que as algas marinhas contêm altos níveis de carboidratos, especialmente polissacarídeos em suas paredes celulares. Além disso, seus níveis são estáveis durante todo o ano, permitindo sua extração constante. “Os polissacarídeos de algas marinhas têm estruturas muito complexas que estão diretamente ligadas às suas atividades. A variedade estrutural que pode ser encontrada nas algas marinhas é enorme, permitindo assim, potencialmente, um elevado número de diferentes atividades biológicas. Além disso, uma de suas características específicas é a sulfatação, que os torna realmente únicos. Na verdade, os polissacarídeos são características do ambiente marinho, onde o sulfato está na forma e quantidade certa para ser incluído nos polissacarídeos do organismo marinho. Essas estruturas não existem nas plantas terrestres ou nas microalgas de água doce que estão nos mercados, e nem nas paredes celulares das leveduras. Elas têm, no entanto, similaridade estrutural com polissacarídeos na matriz extracelular de animais, por exemplo, a conhecida heparina usada em diversas aplicações médicas para humanos devido às suas propriedades biológicas. A sulfatação aumenta o potencial das atividades biológicas. Uma característica adicional é sua extrema estabilidade: são resistentes ao calor até o processo de extrusão e não são digeridas por nenhuma das enzimas digestivas de monogástricos e ruminantes”, elenca.

Existem opções no mercado de duas espécies, uma verde, Ulva, também conhecida como “alface do mar”, e uma vermelha, Solieria. “Elas vêm de campos naturais de algas marinhas, com um ciclo de vida anual. “Ulva forma grandes flores de algas não aderidas, crescendo em baías rasas durante a primavera e o verão. Elas são trazidas para a costa pela maré e correntes, onde podem ser colhidas. Solieria cresce presa até o final de seu ciclo, quando naturalmente se desprende de suas rochas, geralmente durante as tempestades de inverno. Elas são então lançadas na praia, onde são colhidas principalmente do outono à primavera. A colheita dessas duas espécies permite ter matéria prima disponível praticamente o ano todo”.

Além disso, explica a engenheira agrônoma, os lugares onde são coletadas são conhecidos por encalhamento em massa dessas espécies específicas, que garantem alto grau de pureza, com menor quantidade de outras espécies. “E nosso impacto ambiental é muito baixo, pois estamos à espera de que as algas venham até nós, não as arrancamos de suas rochas”. Depois disso, as algas passam por um processo completo de biorrefinaria, desde a colheita até os ingredientes ativos inovadores finais. A biorrefinaria serve para estabilizar rapidamente os extratos de algas, em menos de 48 horas.

“Todos estes extratos são obtidos de forma ecológica, apenas com água, sem a utilização de solventes químicos. Isso preserva as características naturais do extrato e, consequentemente, sua bioatividade nos produtos finais”, cita.

Estresse

Maria Angeles cita que o uso de polissacarídeos marinhos serve para proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico, por isso é recomendado em qualquer período estressante, no período seco para estimular a produção de imunoglobulina para o colostro, nos estágios iniciais ou durante o estresse por calor. “As dosagens giram em torno de 1g/Kg de matéria seca ingerida. Entre os benefícios observados, elenca a profissional, estão a melhora do estado de saúde, maior resistência a patógenos, melhor uso de energia e nutrientes, melhor desempenho e melhor lucratividade.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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