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“Não porque os clientes exigem, mas porque é o correto a se fazer”, crava presidente da C.Vale

Para Alfredo Lang, o movimento ESG reflete o quanto os consumidores estão atentos ao impacto que a produção de um determinado bem ou alimento tem sobre o meio ambiente e como as empresas se relacionam com a comunidade, no que tange as contribuições que oferecem para amenizar problemas sociais.

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Associados da C.Vale são estimulados a recuperar e conservar nascentes e plantar mata ciliar - Fotos: Divulgação/C.Vale

Nos últimos anos o impacto gerado pelos empreendimentos no meio ambiente e na comunidade ficaram ainda mais evidentes e as cobranças por ações de sustentabilidade se tornaram maiores, pois as pessoas estão cada vez mais preocupadas com questões relacionadas à responsabilidade social e com a postura das empresas frente a elas, fazendo com que as instituições ampliem suas perspectivas para além das métricas financeiras e passem a considerar seus impactos financeiros, sociais e ambientais.

Presidente da C.Vale, Alfredo Lang: “Atender as práticas de ESG está se transformando em um pré-requisito para se ter acesso a financiamentos”

Para o presidente da C.Vale, Alfredo Lang, o movimento ESG reflete o quanto os consumidores estão atentos ao impacto que a produção de um determinado bem ou alimento tem sobre o meio ambiente e como as empresas se relacionam com a comunidade, no que tange as contribuições que oferecem para amenizar problemas sociais. “É uma exigência que veio para ficar”, sentencia, acrescentando: “Os nossos clientes e associados querem saber, principalmente, sobre a sustentabilidade dos nossos negócios. Se damos o destino correto às embalagens de agroquímicos, como tratamos os dejetos das indústrias, se tratamos bem dos animais, se damos oportunidades a portadores de deficiência, se temos políticas de inclusão social. São questões que precisamos observar e dar atenção cada vez maior”, expõe.

De acordo com Lang, o conceito ESG não influencia apenas os consumidores como também o mercado financeiro. Os pilares do ESG passaram a ser fundamentais nas análises dos riscos e nas tomadas de decisões de investidores e de instituições bancárias que, como consequência, estão aumentando as exigências que envolvem ESG. “Atender as práticas de ESG está se transformando em um pré-requisito para se ter acesso a financiamentos. O cliente externo exige informações sobre como tratamos o frango, se a soja que produzimos vem de áreas de desmatamento ou não. Partimos do princípio que essas questões precisam ser observadas não porque os clientes exigem, mas porque é o correto a se fazer se quisermos produzir de forma sustentável. Você não pode produzir a qualquer custo, sem cuidar do solo, da água, dos animais, das pessoas e das comunidades. Desconsiderar esses aspectos tem um custo alto no longo prazo, o que acaba inviabilizando os negócios”, pontua o presidente da C.Vale.

ESG dentro da estrutura organizacional

De acordo com Lang, o planejamento estratégico da C.Vale prevê a criação de uma área de ESG que vai definir e monitorar os indicadores com base nas práticas prioritárias que impactam os negócios da cooperativa, como água e energia. “Isso vai ser estruturado com a participação de todos os segmentos produtivos da C.Vale porque entendemos que ESG não é uma prática de um setor, é uma conduta de toda a empresa e, por isso mesmo, todos os negócios devem estar alinhados a ela”, afirma o presidente da cooperativa.

Funcionários participam do Programa de Utilização Racional da Água nas unidades da C.Vale

Paralelamente, a C.Vale vai participar de um grupo de trabalho coordenado pelo Sistema Ocepar para definir um conjunto de indicadores prioritários das cooperativas do ramo agropecuário, com o objetivo de implementar uma certificação em ESG, em parceria com uma empresa de consultoria. “Queremos nos antecipar a uma tendência que vem com força e é irreversível”, ressalta Lang.

Interesse na comunidade

No braço social da cooperativa, inúmeras ações são realizadas visando o bem comum das comunidades em que está inserida, beneficiando, somente em 2021, mais de 60 mil pessoas. Entre as destacadas pelo presidente estão campanhas de agasalho, apoio a entidades assistenciais, doação de alimentos, de sangue e de leite materno, auxílio a creches e doação de kits didáticos para escolas de educação infantil.

Edição de 2022 da Campanha do Agasalho Aqueça Corações arrecadou mais de 22 mil peças entre roupas, cobertores e calçados

Somente na edição de 2022, através da união de associados, funcionários e da comunidade, a Campanha do Agasalho Aqueça Corações, promovida há 15 anos pela cooperativa, arrecadou mais de 22 mil peças entre roupas, cobertores e calçados. O volume recorde de donativos recebidos pelas indústrias e unidades do Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foi repassado recentemente a entidades assistenciais da área de atuação da C.Vale.

“Somos uma cooperativa que tem uma grande inserção nas comunidades. Uma cooperativa na essência, mas com uma gestão que busca resultados para todos os envolvidos, sejam associados, funcionários e comunidades, sempre de acordo com as práticas de ESG. Esses resultados são a geração de renda, empregos e oportunidades, são eles que nos permitem alcançar nosso propósito de despertar nas pessoas um mundo mais próspero”, salienta Lang.

E ainda, a C.Vale oferece vários programas de formação e capacitação pessoal e profissional, entre eles Cooperjovem, Cooperjúnior, Liderança Jovem, Núcleo Jovem e Núcleo Feminino.

Governança

Para permitir seu desenvolvimento sustentável, a C.Vale realiza auditorias internas e externas, a fim de preservar sua perenidade e sua longevidade. Na área de governança também são criados comitês educativos para formar lideranças que possam integrar o Conselho Fiscal e o Conselho de Administração da cooperativa, além de possuir um Código de Conduta para orientar os funcionários sobre os princípios que norteiam a atuação da cooperativa, o qual contempla um Comitê de Ética para avaliar casos específicos envolvendo funcionários. “Esse conjunto de instâncias forma o sistema de compliance da cooperativa”, relata Lang.

A fim de tornar a administração da cooperativa mais assertiva e reduzir ao mínimo as chances de erros contábeis ou de desvios de conduta, Lang diz que é necessário atuar em duas frentes: precisa ter instâncias formais, com auditorias interna/externa, e uma conduta transparente e honesta a partir do comando da empresa. “Quem está no comando precisa dar o exemplo, não compactuar com condutas inadequadas e desonestas. Quando você pune alguém que errou por má fé, você acaba sinalizando aos demais a linha de atuação da empresa, que não vai compactuar com o mal-intencionado. Eu parto do pressuposto de que o exemplo vem de cima e que ele se irradia para os demais níveis da organização”, ressalta o presidente da C.Vale.

Ambiental

Com vistas a produção de alimento com qualidade e de maneira sustentável, a C.Vale investe em ações ambientais constantemente, com a realização de uma série de programas, entre os quais plantio direto, recolhimento de embalagens de agroquímicos, 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), programa de recolhimento e destinação correta de resíduos de produtos para saúde animal, além da recuperação de nascentes e de matas ciliares.

Estação de tratamento de efluentes do Complexo Industrial da C.Vale, em Palotina (PR)

Utilizar racionalmente os recursos naturais é fundamental para garantir a continuidade das atividades econômicas. Assegurar o bom uso da água é um presente para o futuro e uma garantia de que as novas gerações consigam seguir produzindo de maneira sustentável. Seguindo essa premissa, a C.Vale mantém um conjunto de ações para uso responsável da água em suas unidades industriais, entre elas o Programa de Utilização Racional da Água (Pura), que exerce um papel importante de conscientização sobre a necessidade de economia de água nas atividades de processamento industrial de 615 mil frangos e 130 mil peixes/dia.

Também envolve o tratamento de efluentes para assegurar a devolução da água à natureza de acordo com os padrões exigidos pela legislação ambiental, bem como os associados são estimulados a recuperar e a conservar nascentes para garantir água de boa qualidade para as futuras gerações.

Para reforçar essas ações, a C.Vale vai intensificar nos próximos anos as iniciativas já realizadas com ênfase em energias alternativas e no uso da água, áreas que mais impactam suas atividades. “E vamos, gradualmente, criar indicadores para medir os índices de sustentabilidade das nossas atividades”, adianta Lang.

Para saber um pouco mais de como a agenda ESG está movimentando o cooperativismo brasileiro acesse a versão digital da edição Especial de Cooperativismo clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

Notícias

Representantes de entidades agrícolas e do governo da Bahia visitam sistema de monitoramento hídrico em Nebraska, Estados Unidos

Objetivo principal foi possibilitar a imersão de conhecimentos e a troca de experiências com os agricultores e pesquisadores de Nebraska.

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Fotos: Divulgação/AIBA

Uma delegação composta por produtores rurais, representantes de entidades agrícolas e representantes do governo do estado da Bahia esteve em missão ao estado de Nebraska, nos Estados Unidos, entre os dias 7 e 12 de julho, a convite do Instituto Water for Food in Lincoln-NE, para apresentações do sistema de monitoramento hídrico realizado no estado americano, que abordaram temas como a utilização de tecnologias inovadoras para melhorar a produtividade agrícola e a sustentabilidade ambiental. Entre os integrantes da comitiva estavam o vice-presidente da Associação de Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt; o segundo vice-presidente, Seiji Mizote; o gerente de Sustentabilidade, Eneas Porto; a analista ambiental, Gláucia Araújo; o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Luiz Carlos Bergamaschi; e os produtores rurais, Celestino Zanella, Eliza Zanella, Júlio Busato e Miguel Prado; o gerente regional da SLC Rodolfo Mengarda; o coordenador do projeto Everardo Mantovani e os professores da Universidade Federal de Viçosa, Marcos Heil, Michel Castro e Gerson Cardoso.

A missão teve como objetivo principal possibilitar a imersão de conhecimentos e a troca de experiências com os agricultores e pesquisadores de Nebraska. A região é conhecida por concentrar a maior área agrícola de irrigação dos Estados Unidos, com 3,5 milhões de hectares irrigados e ser uma referência mundial em monitoramento dos recursos hídricos com práticas sustentáveis de uso e manejo da água. De acordo com o vice-presidente da Aiba, Moisés Schmidt, essa missão técnica representa uma grande oportunidade para a agricultura do Oeste da Bahia. “Estamos tendo a oportunidade de conhecer e avaliar os estudos de aquífero e das águas de superfície realizados aqui em Nebraska. Essa experiência irá contribuir significativamente para a prática de uma agricultura ainda mais sustentável em nossa região” destaca.

O itinerário da comitiva incluiu uma série de reuniões e visitas técnicas. Os representantes da Bahia participaram de reuniões no Distrito de Recursos Naturais (NRD) Upper Big Blue, equivalente aos comitês de bacias hidrográficas, o Departamento de Recursos Naturais do Nebraska, a fábrica da Lindsay e da Walmont. Em continuidade à missão, foram visitados o centro de pesquisa da Cargill em Fort Collins e os reservatórios de água de degelo para irrigação em Denver, no Colorado. Para o gerente de Sustentabilidade da Aiba, Eneas Porto, “o sucesso da estrutura de gestão dos recursos hídricos no estado de Nebraska baseado em informações técnicas evidenciam a importância da colaboração e confiança entre usuários da água e órgãos gestores dos recursos hídricos, isso é o que está sendo construído no Oeste da Bahia”.

Outra visita incluiu a Fábrica de Pivôs Valley, um dos principais fabricantes de sistemas de irrigação do mundo. Na oportunidade, a delegação baiana apresentou alguns projetos sobre as ações sustentáveis no manejo das culturas desenvolvidas no Oeste da Bahia. A delegação também visitou o Centro de Educação de Extensão Oriental de Nebraska, onde puderam observar de perto as práticas de sequestro de carbono no campo de pivô central. Essa técnica é uma das estratégias utilizadas para amenizar os efeitos das mudanças climáticas e promover uma agricultura mais potente e sustentável. “Ao retornarmos à Bahia, levaremos conosco não apenas aprendizados valiosos, mas também um compromisso renovado com a gestão ambiental sustentável. É fundamental aplicarmos as boas práticas observadas no Nebraska em nosso contexto local, contribuindo para a segurança hídrica e o desenvolvimento sustentável de nossa região” afirmou a diretora de regulação do Inema, Natália Oliveira.

Além da diretora Oliveira, a comitiva também contou com a participação de outros representantes do governo do estado da Bahia, como o secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia (SEMA), Eduardo Sodré; o coordenador de ações estratégicas Inema, Luiz Araújo; e o diretor de Fiscalização (Inema), Eduardo Topázio. A missão Nebraska foi reforçada com a participação de representantes do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Federação da Indústria do Estado da Bahia (FIEB) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O Secretário Eduardo Sodré ressaltou que a Bahia tem compromisso com a gestão hídrica de forma eficiente e sustentável de modo que possa continuar produzindo e contribuindo com a redução das mudanças climáticas. “O foco é melhorar a gestão da água na nossa região, promovendo o uso sustentável e ajudando no desenvolvimento socioeconômico local. A experiência top do Nebraska na gestão de águas para produção de alimentos e o trabalho global do Instituto Water for Food da Universidade do Nebraska em segurança hídrica e alimentar são modelos para a gente seguir” declara.

A SEMA tem um Acordo de Cooperação Técnica com a Aiba e a UFV para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento hídrico do aquífero Urucuia, para dessa forma proporcionar a sustentabilidade no uso das águas superficiais e subterrâneas, orientando os produtores rurais no potencial para ampliação da irrigação do plantio no oeste do estado de forma sustentável.

Fonte: Assessoria AIBA
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Notícias Aliança Global

Produção agrícola sustentável é foco de visita da ministra da Noruega à Embrapa Cerrados

“Vocês têm soluções que podem ser usadas no mundo inteiro. Espero que outros continentes também possam se utilizar das tecnologias que são desenvolvidas aqui” destacou Anne Beathe Tvinnereim, ministra da Noruega.

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Foto: Fabiano Bastos

Anne Beathe Tvinnereim, ministra da Noruega para o Desenvolvimento Internacional, acompanhada por Odd Magne Rudd, embaixador da Noruega no Brasil, visitou a Embrapa Cerrados (Planaltina-Distrito Federal), na última quinta-feira (18). No Brasil para participar da reunião ministerial de Desenvolvimento do G20 e da reunião da força-tarefa para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, no Rio de Janeiro, ela incluiu em sua agenda de viagem o centro de pesquisa a fim de conhecer de perto um pouco do trabalho da Embrapa.

“Vocês têm soluções que podem ser usadas no mundo inteiro. Espero que outros continentes também possam se utilizar das tecnologias que são desenvolvidas aqui” destacou a ministra. “Desenvolvemos tecnologias que permitiram incorporar os solos do Cerrado ao sistema de produção. Depois de dominarmos a produção de alimentos, estamos hoje preocupados com a sustentabilidade desses sistemas. Dessa forma, atuamos de forma transversal a fim de que o sistema tenha cada vez mais resultado” explicou o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro.

Eduardo Alano, chefe de P&D e pesquisador da Unidade, repassou à comitiva informações sobre o bioma Cerrado, sobre a Embrapa e as linhas gerais de pesquisa da Unidade. “No início o desafio foi grande. Não possuíamos quase nenhum conhecimento sobre os recursos naturais e sobre a aptidão agrícola da região. Aqui foi o primeiro lugar no mundo em que foi desenvolvida agricultura moderna para solos de baixa fertilidade. Isso se deu com muita tecnologia de solo, tratos culturais, adubação, tropicalização de culturas. E hoje o Brasil é um dos players mundiais em exportação de alimentos” afirmou.

Segundo ele, nos anos 70, a quantidade e a diversidade de alimentos era pequena. “Hoje o país produz praticamente tudo, sendo que a maior parte da produção utilizada na alimentação vem da agricultura familiar” ressaltou. De acordo com Alano, ao longo dos anos o avanço foi tanto nos sistemas de produção, quanto no conhecimento da biodiversidade do Cerrado. Ele apresentou as principais tecnologias desenvolvidas no centro de pesquisa e ressaltou alguns programas de melhoramento, como de trigo, mandioca, fruteiras como maracujá e pitaya, milho, café e gado.

No campo, o pesquisador Eduardo Alano ainda mostrou ao grupo algumas variedades de mandioca obtidas a partir do programa de melhoramento participativo e explicou as diferentes linhas de pesquisa que são seguidas. “Trabalhamos em três frentes: mandioca de mesa, que são biofortificadas, ricas em vitamina A e licopeno; mandioca para farinha e fécula, que são cultivadas para produção industrial; além das mandiocas açucaradas, que em vez de armazenar amido, armazenam açúcar” explicou.

A visita de campo foi realizada na unidade de referência de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. O pesquisador Kleberson de Souza apresentou aos visitantes informações sobre os diferentes arranjos de sistemas integrados e seus benefícios. Ele explicou que sistemas integrados são diferentes sistemas de produção adotados numa mesma área usando rotação e consórcio, mas esclareceu: “Essa junção de componentes em diferentes sistemas agropecuários, no entanto, tem que resultar numa soma em que um mais um não dá dois, mas sim dois e alguma coisa. Cada componente tem que trazer um ganho para o sistema de forma que o produtor tenha vantagens quando junta os diferentes componentes num sistema só” enfatizou. De acordo com o especialista, os sistemas integrados podem ser adaptados para pequenos, médios e grandes produtores.

Segundo o pesquisador, o arranjo mais utilizado no Brasil é o de integração lavoura e pecuária (83% dos 17,4 milhões de hectares/dados de 2020). “Basicamente é uma primeira safra de soja e uma segunda safra de milho ou sorgo, sendo que nesse segundo momento, numa mesma operação mecanizada, é feito o plantio da forrageira. Quando o produtor colhe o milho, o capim explode em crescimento, por conta da entrada de luz. Assim, o campo está pronto para uma terceira safra que é a safra animal, justamente no período em que as pastagens estão secas. E ainda falamos de uma quarta safra, que seria a palhada que traz uma série de vantagens ao sistema”.

Ele também destacou os ganhos de produtividade da soja por conta das forrageiras utilizadas no sistema. “Falamos muito da palhada, ou seja, do que está acima do solo, mas queria mostrar também o que está abaixo do solo, o sistema radicular dessas forrageiras que é impressionante. E isso se reflete na produtividade da soja. Temos trabalhos mostrando um ganho médio de 11 sacos de soja (60 quilos cada) a mais quando se tem a segunda safra consorciada com as forrageiras” contou. Segundo o pesquisador, quando se tem ainda a terceira safra, quando os animais entram na área e há de fato o pastejo, a produtividade da soja posterior é ainda maior. “Ainda estamos estudando o motivo desse aumento. Mas ele existe e é mais um ganho do sistema”.

O pesquisador Kleberson de Souza explicou que também é possível antecipar o plantio da segunda safra em até 20 dias. “Quando a soja ainda está no campo, antes de secar, o produtor entra com a plantadeira adaptada fazendo o plantio da segunda safra já consorciada com a forrageira”. Segundo ele, essa antecipação da segunda safra traz ganhos que se refletem em maior produtividade. “Quando há essa antecipação, registramos em média 1,5 sacos a mais de milho para cada dia antecipado. Em muitos casos, principalmente em regiões em que a janela de chuva é mais curta, é a diferença entre colher e não colher a segunda safra. Isso tem possibilitado fazer ou não fazer a segunda safra em regiões em que não se fazia antes” ressaltou.

Atualmente, o componente florestal é utilizado por uma parcela pequena dos produtores – em torno de 10% utilizam o arranjo lavoura, pecuária e floresta e apenas 1% lavoura e floresta. “Com o componente florestal o sistema fica mais complexo, mas ele traz um ganho importante de ambiência animal promovido pela sombra das árvores. Pesquisas registraram aumento na produção de leite e nas taxas reprodutivas das vacas. Também temos a questão do balanço de carbono, que fica muito favorável. Com apenas 15% da propriedade com esse sistema é possível mitigar todas as emissões de gases de efeito estufa emitidos da porteira para dentro da propriedade e, ainda, ter um crédito de carbono ou acúmulo de carbono da ordem de 22 toneladas de CO2equivalente por hectare” afirmou.

E além de sequestrar mais carbono, de acordo com o pesquisador Kleberson de Souza os sistemas integrados ainda emitem menos gases de efeito estufa. “Um ótimo exemplo é o óxido nitroso. Num trabalho em que analisamos o cultivo convencional, o Cerrado nativo e os sistemas integrados, observou-se 56% menos emissão desse gás (óxido nitroso) em detrimento do sistema convencional, com aração e gradagem no preparo do solo. Ou seja, os sistemas integrados emitem menos e sequestram mais carbono”.

Fertilizantes

A visita da comitiva à Embrapa Cerrados também contou com a presença de representantes brasileiros da empresa norueguesa Yara Fertilizantes. No último mês de março, a Embrapa e a Yara firmaram um acordo de cooperação que permitirá troca de acesso às soluções digitais e às estruturas internas em P&D das duas empresas e, ainda, atuação conjunta na coordenação de estudos em inovação e tecnologia.

Na prática, a Embrapa terá à disposição em todas as suas unidades, incluindo a Embrapa Cerrados, as soluções que a Yara utiliza no campo, por exemplo, ferramentas digitais para a aplicação de fertilizantes, recomendações nutricionais e de compartilhamento de dados coletados em campo. Acesse aqui mais informações sobre essa parceria.

O gerente agronômico da Yara, Leonardo Soares, apresentou durante a visita a palestra “Sustentabilidade, a oportunidade passa pela agricultura”. Ele relatou o trabalho de pesquisa que está sendo feito pela empresa para diminuir as emissões de gases de efeito estufa tanto na produção dos fertilizantes, quanto no campo. “De 2005 a 2019, já conseguimos uma redução de 45% das emissões, que vem principalmente das fábricas. Temos o compromisso de seguir reduzindo mais 30%”.

De acordo com o gerente, hoje a empresa tem parceria com 48 instituições de pesquisa, incluindo universidades. “Temos mais de 150 pesquisas agronômicas a campo com diversas culturas em andamento”. Segundo ele, no passado o foco da empresa era apenas na produtividade. “Hoje, 60% das nossas pesquisas são para avaliar a emissão de gases de efeito estufa, a saúde do solo, quanto a gente está conseguindo fixar de carbono no solo. Isso para entender o que a gente pode traçar de estratégia para reduzir a emissão no campo” explicou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Notícias Em Cascavel - Paraná

Ciclo produtivo na pecuária de leite será novidade no Show Rural de Inverno

O setor de Fomento à Pecuária estará à frente de dois workshops preparados para mostrar o ciclo produtivo de uma bezerra até se tornar uma vaca em lactação.

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A zootecnista Josiane Mangoni, supervisora da área Pecuária da Coopavel Foto: Assessoria

A pecuária de leite vai ganhar espaço no Show Rural Coopavel de Inverno, um dos principais palcos brasileiros para culturas indicadas para os meses frios do ano. O setor de Fomento à Pecuária estará à frente de dois workshops preparados para mostrar o ciclo produtivo de uma bezerra até se tornar uma vaca em lactação.

A supervisora da área Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, informa que os visitantes terão acesso a informações importantes sobre a correta nutrição para cada fase dos animais, potencializando ao máximo os resultados. “Quem participar dos dois workshops verá detalhadamente a linha do tempo de uma vaca em produção, desde o nascimento até o início da lactação”.

No primeiro momento, no workshop da manhã, com início às 9 horas e duração de 50 minutos, os pecuaristas serão informados sobre nutrições líquida e sólida para bezerras e novilhas. “Serão apresentadas todas as opções disponíveis de ração para o desenvolvimento e precocidade das novilhas” destaca Josiane, observando que o objetivo desse trabalho é demonstrar como desenvolver corretamente uma bezerra para que se torne uma vaca de alto desempenho.

Durante o primeiro workshop, os visitantes aprenderão sobre o manejo da diluição do sucedâneo do leite (leite em pó), a melhor temperatura da água para diluição, a recomendada densidade e qual volume deve ser fornecido de acordo com o peso da bezerra. Os conteúdos serão repassados, pela manhã e à tarde, para grupo de até 50 pessoas. “Estamos animados com essa novidade, porque a pecuária de leite é uma atividade das mais relevantes principalmente para as pequenas propriedades rurais” destaca o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.

Na segunda etapa, com início às 13h30, o workshop trabalhará nutrição de vacas em lactação. “Vamos abordar como equilibrar a dieta desses animais de acordo com a sua produção, importância da qualidade dos ingredientes, como silagem e outros volumosos, e também demonstrar a variedade de rações que a Coopavel oferece em seu portfólio para otimizar a produção de leite” explica Josiane, que é mestre em Produção Sustentável e Saúde Animal. Quem participar dos workshops terá acesso a amostras de produtos que a cooperativa disponibiliza à nutrição de bovinos de leite.

Durante a programação da área pecuária, nos três dias da edição de inverno do Show Rural, haverá também o compartilhamento de informações de bons resultados no campo, comprovando a eficácia das rações Coopavel. “Esperamos que, com as orientações que receberão, os pecuaristas consigam alcançar o máximo desempenho de seus plantéis” conforme Josiane.

O evento

O Show Rural Coopavel de Inverno, em sua quinta edição, será realizado de 27 a 29 de agosto, no parque tecnológico da cooperativa, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Os portões serão abertos, diariamente, às 8h30. O acesso ao parque e o uso de vagas do estacionamento serão gratuitos.

Fonte: Assessoria Show Rural Coopavel
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