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Nove entre 10 indústrias investem na diminuição de resíduos sólidos no Brasil

Do ponto de vista ambiental, um descarte correto de resíduos reduz a emissão de gases de efeito estufa, colaborando com o enfrentamento da crise climática.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

No Brasil, mais de 80% das indústrias adotam práticas ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) relativas à gestão de resíduos sólidos e uso eficiente de luz e água. Os dados são da Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizada com empresários de todo o país e divulgada em novembro, dias antes da abertura da COP-28 (a conferência internacional do clima da ONU, realizada entre 30 de novembro e 13 de dezembro de 2023, em Dubai).

O levantamento revela que 89% das empresas pesquisadas investem na redução de descarte de resíduos sólidos, 86% delas estão se adequando para tornar o consumo de energia mais eficiente e 83% otimizam o uso de água.

Para Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do Movimento Circular, o dado que se destaca na pesquisa da CNI é o alto índice de redução de resíduos da indústria. “A gestão adequada dos resíduos é dever das empresas. Além de colaborar com o ambiente, direta ou indiretamente, também cria oportunidades relacionadas à reciclagem e reaproveitamento dos recursos, colaborando positivamente para toda uma cadeia de extração, produção e descarte.”

Do ponto de vista ambiental, um descarte correto de resíduos reduz a emissão de gases de efeito estufa, colaborando com o enfrentamento da crise climática. No aspecto econômico, a circularidade do processo abre espaço para o reaproveitamento de materiais e traz mais eficiência à operação, o que se reflete em custos menores para as empresas. Também estimula atividades de reciclagem de materiais por terceiros.

Nesse sentido, as indústrias estão cumprindo uma função essencial de incentivar a economia circular, componente importante do tripé ESG, de acordo com Edson. “Quando se pensa em uma cadeia de produção sustentável e responsável, com consumo e descarte apropriados, você fomenta a participação multissetorial que aumenta oportunidades de inclusão econômica e social.”

Mais iniciativas circulares precisam ser incentivadas, continua o professor. “Estamos falando de um modelo econômico mais sustentável e altamente eficiente. Quanto mais projetos, engajamento e corresponsabilização tivermos, mais consolidamos o modelo.”

Ideias circulares

Por colaborar e envolver toda a cadeia de extração, produção e descarte, projetos de economia circular são a porta de entrada para jovens empreendedores. Um deles consiste em um banco de tintas em Jundiaí (SP), por meio do qual os idealizadores pensaram em unir doadores de tintas à base de água que não são mais utilizadas e seriam descartadas, a pessoas em situação de vulnerabilidade social que precisam delas. “Estamos dando um novo propósito a um recurso que, de outra forma, seria esquecido ou descartado”, disse Fellipe Cunha, da equipe idealizadora e aluno do curso de Gestão Ambiental da Faculdade de Tecnologia Deputado Ary Fossen.

A ideia surgiu como proposta de prevenção à poluição hídrica, já que o descarte inadequado de tintas à base de água e de solvente era elevado na região. O projeto usa um aplicativo que faz a conexão entre os doadores e os usuários e poderia atingir públicos abrangentes com apoio empresarial.

Outro projeto, no semiárido nordestino, equaciona duas questões socioambientais problemáticas da região. Criando uma cisterna a partir de uma antena parabólica sucateada, a estudante do Ensino Médio Vitória Sabrina da Silva Leite, da Escola Estadual Monsenhor Raimundo Gurgel (RN), possibilitou que famílias de baixa renda captassem água de chuva para reuso e reduzissem o impacto ambiental do descarte inadequado. Com recursos, o projeto poderia ser replicado para mais comunidades.

Foram duas iniciativas premiadas pelo Movimento Circular, conta Edson. “Projetos inovadores de grande impacto socioambiental e econômico não precisam ser necessariamente caros. O que eles precisam é ser eficientes, replicáveis e melhorar a vida das pessoas. Tudo começa com uma ideia, que depois é incentivada e aí, sim, precisa de escala para expandir e continuar gerando impacto positivo nas comunidades e meio ambiente”, conclui.

Fonte: Por Edson Grandisoli, mestre em Ecologia, doutor em Educação e Sustentabilidade, PhD pelo Programa Cidades Globais e coordenador pedagógico do Movimento Circular. 

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Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural

Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

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Imagem criada por ChatGPT

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa

A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.

Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.

André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.

O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa

meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.

Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa

O que diz o ACT

Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.

Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.

Por fim, compete ao Mapa disponibilizar ao Poder Judiciário o acesso a dados, relatórios e atestados da plataforma; promover, em conjunto com o CNJ, a capacitação de magistrados, servidores, administradores judiciais e peritos; assegurar a operação contínua, a atualização e a evolução da infraestrutura; prestar suporte técnico ao CNJ e aos Tribunais de Justiça; e designar a equipe do Grupo Técnico de Trabalho responsável pela avaliação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (GTT-VMG), instituído por portaria, para atuar como interlocutora permanente.

O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.

Fonte: Assessoria Mapa
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Programa seleciona 113 projetos e amplia investimentos no cooperativismo da agricultura familiar no Paraná

Volume aprovado chega a R$ 170 milhões e supera orçamento inicial, com foco em modernização, infraestrutura e acesso a mercado para cooperativas e associações.

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Foto: Divulgação/Seab

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) publicou, na sexta-feira (17), o resultado final das avaliações do Edital de Chamamento Público Seab/Deagro nº 001/2025, vinculado ao Programa Coopera Paraná. Após a conclusão das etapas de análise técnica, classificação preliminar e o julgamento de recursos, dos 220 projetos de negócios inscritos, 113 foram formalmente selecionados para receber investimentos que visam modernizar o cooperativismo da agricultura familiar no Estado. Confira aqui o resultado

Foto: Divulgação

Os 113 projetos selecionados e classificados somam aproximadamente R$ 170 milhões, ultrapassando o valor R$ 100 milhões reservado para este chamamento público e, marcando esta edição como a maior desde a criação do Programa Coopera Paraná, em 2019.

O edital em curso estabeleceu o teto de repasse de recursos financeiros em R$ 2,20 milhões por projeto de negócio, maior valor já viabilizado em um edital do Coopera Paraná, desde o início do programa. No edital anterior, os valores eram de até R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas. A iniciativa se firma como uma das principais políticas públicas de apoio à agricultura familiar no Estado

Avaliação rigorosa

Esta etapa encerra o ciclo de avaliação rigorosa conduzido pela coordenação do Coopera Paraná. As propostas aprovadas representam o que há de mais estratégico em termos de viabilidade econômica e sustentabilidade socioambiental, conforme as regras do edital, abrangendo diversas cadeias produtivas das 10 macrorregiões do Paraná.

Foto: Valdelino Pontes

Para a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, chegar ao número final de 113 projetos foi um desafio gratificante para toda a equipe técnica. “O critério de seleção não foi apenas o volume de investimento, mas a sustentabilidade real de cada proposta. Avaliamos detalhadamente, dentro das regras do edital, a capacidade de gestão e o impacto econômico, social e ambiental que esses recursos terão na ponta, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em negócios que realmente tenham perenidade no mercado e que tenham cumprido os quesitos eliminatórios, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável”, disse.

Próximos passos

Os interessados já podem consultar a lista final detalhada com a pontuação e a classificação de cada cooperativa e associação diretamente no site oficial da Seab. O documento apresenta a hierarquização das propostas com base nos critérios técnicos estabelecidos no edital, refletindo o esforço das organizações da agricultura familiar em profissionalizar sua gestão, buscar novos mercados para seus produtos, preservar o meio ambiente e promover a inclusão socioprodutiva. Confira aqui o resultado final do Coopera Paraná.

Com a divulgação do resultado final, as organizações proponentes dos projetos selecionados agora seguem para a fase de habilitação, em que será verificada a sua regularidade fiscal e jurídica.

Na sequência, as associações e cooperativas formalmente habilitadas e cujos projetos tenham sido selecionados serão convocadas para apresentação de plano de trabalho, seguindo-se as etapas de formalização dos termos de fomento.

Os recursos serão destinados, por exemplo, à aquisição de máquinas agrícolas, infraestrutura de processamento e logística, além de ao suporte técnico e gerencial que permite às pequenas

Foto: José Fernando Ogura/AEN

cooperativas competirem com grandes players do mercado.

Coopera Paraná

Criado em 2019, a iniciativa chega à quarta edição e está no eixo central da Política Agrícola de promover o desenvolvimento rural sustentável. Desde o lançamento, a Seab já repassou por meio do programa em torno de R$ 94 milhões para cooperativas e associações da agricultura familiar.

No edital de 2019 o repasse foi de quase R$ 30 milhões, em 2021 foram R$ 42 milhões e em 2023 R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram atendidas 116 cooperativas e 75 associações.

O programa tem parceiros importantes como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), bem como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Paraná) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).

Fonte: AEN-PR
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Governo federal amplia interlocução com o setor produtivo

Reunião entre Ministério da Agricultura e Sociedade Rural Brasileira resulta em compromisso de atuação coordenada em políticas públicas e articulação direta com produtores.

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Foto: Percio Campos/Mapa

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu nesta semana, em Brasília, o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Sérgio Bortolozzo, em uma agenda voltada ao ajuste da interlocução entre o governo federal e o setor produtivo.

A reunião teve como foco a coordenação de pautas e o papel das entidades na construção de políticas públicas. O ministro enfatizou a necessidade de integração nas ações. “Vamos trabalhar juntos pelo agro. Esse é o nosso papel como incentivadores e formuladores de políticas públicas para o setor”, afirmou.

Com atuação na representação de produtores rurais, a SRB reúne lideranças e participa da elaboração de propostas voltadas à eficiência e à competitividade da agropecuária. No encontro, Bortolozzo convidou o ministro a visitar a sede da entidade, em São Paulo, para ampliar o diálogo com diretores e conselheiros. “É uma instituição centenária, com a missão de unir forças em prol do setor”, disse.

Também participaram da reunião o secretário-executivo do ministério, Cleber Soares, e a diretora-executiva da SRB, Patrícia Arantes.

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