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Mais de 50% dos avicultores da C.Vale utilizam energia solar

Painéis solar diminuem custos, aumentam produção e têm retorno do investimento em cerca de seis anos, aponta o presidente da cooperativa, Alfredo Lang

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Os painéis de energia fotovoltaica têm se tornado cada vez mais comuns nas paisagens urbanas e rurais. No campo, as usinas de energia solar ocupam uma pequena área, reduzem os custos de produção, aumentam o lucro e deixam a cadeira produtiva mais sustentável. Na cooperativa C.Vale, do Paraná, a prática sustentável e lucrativa tem se popularizado como um investimento de retorno certeiro entre os cooperados.

Conforme o presidente da cooperativa, Alfredo Lang, 50% dos avicultores já utilizam a energia solar. “A maioria dos produtores já instalou painéis solares, não só de frangos, mas de suínos e peixes também. O principal benefício é a redução do custo de produção. Como o investimento na instalação se paga em até seis anos, esse item passa a ser o quarto ou quinto custo no conjunto das despesas da atividade”, destaca Lang.

Até o momento, a C.Vale não tem a energia solar como pré-requisito para a cooperação, mas percebe que novos aviários entram em funcionamento já com a tecnologia. “O produtor, por conta própria, acaba instalando, aproveitando que está montando o sistema elétrico”, expõe o presidente da cooperativa. O exemplo de sustentabilidade vem da própria cooperativa, que tem investido em práticas sustentáveis: “Em Maripá, nossa nova unidade tem a estrutura administrativa e do supermercado abastecida com energia solar. Também usamos o metano gerado pelas nossas indústrias como fonte de energia para aquecimento”, expõe.

Ao produtor interessado em investir na energia solar, o líder cooperativista dá algumas orientações para a eficácia do investimento. “Pesquise sobre a qualidade dos serviços prestados pela empresa, conversando com outros produtores (que foram atendidos) e verificando a qualidade dos equipamentos. Orientamos instalar as placas no chão, para não reduzir a resistência do aviário aos ventos. Um terceiro ponto é a limpeza das placas, tomem cuidado com a limpeza em altura e desliguem a energia durante esse trabalho”, adverte.

Tendência

Inserir práticas sustentáveis na produção de alimentos é uma tendência intensificada a cada ano e, conforme Lang, as cobranças vêm de todas as esferas: desde consumidores e instituições financeiras até os governos. “A C.Vale vem se adaptando a isso e não só porque é uma exigência dos novos tempos. Afinal, se você quer produzir alimentos por mais tempo e de maneira competitiva é preciso cuidar bem do solo, da água e do ar”, salienta.

A exemplo disso, ele pontua que a cooperativa tem iniciativas em prol do uso de energia solar, reaproveitamento da água, tratamento de efluentes industriais, preservação e recomposição de matas ciliares, destinação correta de embalagens de agroquímicos, entre outras. “Investir em projetos de energia renovável sempre foi levado em consideração pela cooperativa, tanto que utilizamos biodigestor em nossas creches suínas, onde a biomassa de rejeitos é transformada em biogás e em eletricidade. Na avicultura, temos um sistema de rastreabilidade que permite ao consumidor saber com que milho o frango foi alimentado, quais medicamentos recebeu e quais ações de bem-estar animal são utilizadas”, exemplifica.

Com essas e outras ações, a cooperativa “está em processo de inventariar as emissões de gases de efeito estufa em suas operações”, afirma o presidente da C.Vale. Para Lang, a sustentabilidade é um diferencial e “quem não se adequar vai perder espaço e jogar o comprador nos braços da concorrência. Quando você percebe que uma tendência vai se consolidar, tem que se adequar o mais rapidamente possível”, aponta.

Práticas sustentáveis

A implementação de práticas sustentáveis visa, entre outros benefícios, diminuir os impactos climáticos no agronegócio. “Para mitigar e se adaptar aos fatores climáticos, a C.Vale estimula seus cooperados a diversificar suas atividades no campo, com a produção de grãos, frangos, peixes, leite e suínos. Além disso, aplicamos tecnologias que minimizam os efeitos das variações climáticas, como a conservação do solo, plantio direto, agricultura de precisão, recolhimento de embalagens de agrotóxicos, conservação das nascentes e matas ciliares, entre outras ações”, pontua Lang, acrescentando que a conscientização acontece através de programas nas unidades de negócio, no contato com produtores e em treinamentos a fim de que as discussões sobre o tema cheguem em todos os elos da cadeia produtiva.

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Fonte: O Presente Rural

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Queda no preço dos ovos reduz poder de compra de avicultores em abril

Mesmo com insumos mais baratos, recuo mais intenso nas cotações dos ovos pressionou a relação de troca, segundo o Cepea.

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Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN

O poder de compra dos avicultores paulistas frente aos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, recuou na parcial de abril (até o dia 22), após registrar avanço por dois meses consecutivos.

Segundo pesquisadores do Cepea, embora os preços dos insumos também tenham diminuído entre março e a parcial deste mês, a queda mais intensa dos ovos pressionou a relação de troca frente ao cereal e ao derivado da oleaginosa.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a combinação de oferta mais elevada e demanda retraída tem pressionado as cotações dos ovos nesta parcial de abril.

Neste contexto, consumidores seguem atentos ao avanço da colheita da safra verão, à melhora do clima para o desenvolvimento da segunda safra e à forte queda do dólar, negociando apenas de forma pontual, quando há necessidade de recomposição de estoques ou quando vendedores aceitam patamares menores.

Fonte: Assessoria Cepea
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Salmonella expõe limites de coordenação da cadeia avícola

Persistência da bactéria revela falhas de integração entre áreas e reacende debate sobre gestão centralizada do problema dentro das agroindústrias.

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A avicultura brasileira construiu, ao longo das últimas décadas, um dos sistemas sanitários mais organizados entre os grandes produtores globais. Protocolos, monitoramentos e rotinas estão bem estabelecidos em praticamente todas as etapas. Ainda assim, um dado insiste em permanecer: a Salmonella segue presente. Não por ausência de controle, mas, cada vez mais, por limites na forma como esse controle se articula ao longo da cadeia.

Foi nesse ponto que o médico-veterinário Marcos Dai Pra concentrou sua análise durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR). Ao reunir dados de campo acumulados ao longo de anos dentro da agroindústria, ele trouxe uma leitura direta: o problema não está concentrado em um elo específico, mas está distribuído.

Médico-veterinário Marcos Dai Pra durante o Seminário Facta sobre Salmonelas – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

“Qual é a origem da Salmonella que aparece no frango de corte? A gente tem transmissão vertical, transmissão horizontal, mas a grande dificuldade está justamente em entender essa relação”, afirmou. Embora a transmissão vertical ainda exista, Dai Pra destacou que a maior pressão sanitária hoje vem da transmissão horizontal, que ocorre dentro da própria granja e no ambiente ao redor. “É contaminação lá na granja, que é o grande problema”, disse.

Segundo ele, o desafio não está apenas dentro dos galpões. Tudo o que circunda a produção interfere diretamente nos índices sanitários. “Tudo que está no entorno da granja acaba influenciando nos índices de Salmonella”, pontuou, citando presença de outros animais, lavouras e estruturas próximas como fatores de risco. De acordo com o palestrante, essa característica difusa da contaminação dificulta a rastreabilidade precisa das origens e reforça a necessidade de abordagem sistêmica.

Controle existe, mas dados ainda são fragmentados

Um dos pontos mais críticos levantados na palestra foi a fragmentação das informações ao longo da cadeia produtiva. Cada área, como fábrica de ração, granja, transporte e abatedouro, realiza seus próprios monitoramentos. No entanto, essas informações nem sempre convergem de forma estruturada. “Com esse conjunto de informação, a gente consegue trabalhar muito bem o programa de controle”, afirmou, ao apresentar resultados internos. Ainda assim, a fala revela um ponto implícito: os dados existem, mas nem sempre estão conectados.

Para ele, essa desconexão limita a eficiência das ações e ajuda a explicar por que a Salmonella persiste mesmo em sistemas altamente tecnificados.

Biosseguridade vai além do galpão

Dai Pra detalhou a estrutura operacional das granjas em três níveis: interior do aviário, zona de segurança (dentro do cercado) e área externa. Todos, sem exceção, influenciam os resultados sanitários. “Tudo isso tem uma grande interferência”, ressaltou.

Ele reforçou que medidas básicas continuam sendo decisivas: controle de acesso, troca de calçados, barreiras sanitárias e manutenção de áreas limpas, sem abrigo para pragas. “Tem que ter uma barreira sanitária, tem que ter uma cerca, não pode passar nada direto de fora para dentro”, destacou.

Intervalo sanitário curto aumenta risco

Entre os pontos mais sensíveis da palestra está o intervalo sanitário — período entre a saída de um lote e a entrada do próximo. “Na minha opinião, o desejável seria 18 dias”, afirmou. Na prática, no entanto, esse tempo raramente é alcançado. O próprio palestrante reconheceu a limitação estrutural do setor. “Nas condições de hoje é praticamente impossível conseguir 18 dias.”

Ele alertou que trabalhar com menos de 12 dias já compromete o controle adequado e que ciclos ainda mais curtos elevam significativamente o risco sanitário. “Com oito dias é crítico. Não tem como fazer um controle adequado.”

Cama, ambiência e manejo

Outro eixo importante da apresentação foi o papel da cama e da ambiência dentro do aviário. O frango passa praticamente toda sua vida em contato direto com esse ambiente, o que transforma a qualidade da cama em um fator central. “Se a cama tem boa qualidade, o frango vai ter boa qualidade. E o contrário também é verdadeiro”, explicou. Ventilação, umidade e execução dos procedimentos completam esse conjunto de fatores que impactam diretamente o status sanitário.

Cascudinho e roedores

Entre os vetores, o cascudinho aparece como um dos principais desafios. Dados apresentados por Dai Pra indicam alta taxa de positividade para Salmonella nesse inseto. “O cascudinho, disparadamente, é o elemento que tem mais problema”, afirmou.

O controle de pragas, segundo ele, precisa seguir etapas bem definidas – da inspeção à avaliação – e não pode ser tratado como ação isolada.

Mudança de prática reduziu índices

Um dos pontos mais relevantes da palestra foi a revisão de um procedimento tradicional: o uso de água no intervalo sanitário. “A gente só conseguiu reduzir os índices de Salmonella quando abandonou o uso de água no intervalo sanitário”, afirmou. A mudança, segundo ele, não foi simples dentro da agroindústria, mas trouxe resultados consistentes.

Dia zero

Dai Pra também apresentou o conceito de “dia zero” – etapa inicial do processo, quando o aviário é fechado, baseada em diagnóstico, definição de ações e avaliação de resultados. “É diagnóstico, ação e resultado”, resumiu. O uso de mapeamentos epidemiológicos permite identificar pontos críticos dentro da granja e direcionar intervenções com maior precisão.

Problema exige coordenação

Ao longo da palestra, ficou evidente que o controle da Salmonella já é tecnicamente conhecido. O que está em jogo agora é a capacidade de coordenar essas ações dentro de um sistema complexo. A dispersão do problema entre ambiente, manejo, nutrição, pragas e logística indica que soluções isoladas tendem a perder eficiência.

Por isso, ganha força dentro do setor a discussão sobre a necessidade de uma gestão mais integrada, capaz de conectar dados e decisões ao longo de toda a cadeia produtiva. Mais do que novos protocolos, na opinião de Dai Pra, o desafio passa a ser articulação.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Vigilância e biosseguridade definem a linha de defesa contra a Influenza aviária, aponta FAO

Documento técnico detalha como monitoramento contínuo, resposta rápida e integração entre saúde animal e humana reduzem o risco de disseminação do vírus nas granjas.

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A Influenza aviária segue como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura mundial, com potencial de provocar mortalidade elevada nos plantéis, embargos comerciais e impactos diretos na renda dos produtores. Em documento técnico recente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura sistematiza recomendações práticas para vigilância, prevenção e controle da doença, com foco na detecção precoce e na contenção rápida de focos.

A base da estratégia, segundo a entidade, está na vigilância contínua. Isso inclui monitoramento ativo em granjas comerciais, criações de subsistência e mercados de aves vivas, além da observação de aves silvestres, especialmente migratórias, que podem atuar como reservatórios do vírus. A eficácia desse sistema depende de notificação imediata de sinais clínicos suspeitos e de capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e confiável.

A biosseguridade aparece como o principal filtro para impedir a entrada do vírus nas propriedades. O controle rigoroso de acesso de pessoas, veículos e equipamentos, a separação física entre aves domésticas e silvestres, a desinfecção sistemática de instalações e o manejo correto de resíduos e carcaças são medidas consideradas críticas. A origem da água e da ração também é citada como ponto sensível.

Quando há suspeita ou confirmação da doença, a orientação é agir sem atraso: isolamento imediato da propriedade, abate sanitário das aves infectadas e expostas, desinfecção completa das instalações e restrição de movimentação na área afetada. A comunicação rápida entre produtores e autoridades sanitárias é tratada como componente operacional do controle.

A vacinação é descrita como ferramenta complementar, aplicável conforme o cenário epidemiológico local. A decisão de utilizá-la deve considerar a circulação do vírus, a capacidade de monitorar a eficácia da imunização e os possíveis efeitos sobre o comércio internacional.

O documento também reforça a dimensão transfronteiriça da Influenza aviária. O compartilhamento de dados epidemiológicos e laboratoriais entre países é apontado como condição para respostas regionais mais eficazes. Algumas cepas do vírus podem infectar humanos, o que exige integração entre saúde animal e saúde pública dentro do conceito de Uma Só Saúde.

Para a FAO, sistemas de vigilância bem estruturados, protocolos rígidos de biosseguridade e coordenação entre os diferentes níveis do serviço veterinário oficial são os elementos que determinam a capacidade de um país em reduzir riscos sanitários, econômicos e de saúde pública associados à Influenza aviária.

Fonte: O Presente Rural
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