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Avicultura Produção Animal

Manejo de inverno na avicultura

Deve-se sempre respeitar os pontos críticos minimizando, assim, as chances de aparecimento de alguma enfermidade

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Artigo escrito por Felipe José Feitoza Bastos, coordenador técnico comercial de aves na Agroceres Multimix

Num país de grande extensão, como o Brasil, fica muito difícil ter ou criar um parâmetro único de manejo, levando em consideração as diferenças entre as 5 regiões existentes em todo o território nacional. Mas alguns pontos são cruciais, e não podem ser esquecidos.

Normalmente, as instalações avícolas são construídas visando diminuir os efeitos das condições climáticas de cada estação, principalmente do verão e do inverno. Porém, cuidados especiais devem ser adotados, principalmente nos primeiros dias de vida, pois as aves são expostas a mudanças muito drásticas, de diversos aspectos, sejam eles: ambientais, físicos, fisiológicos e nutricionais, de acordo com cada fase de desenvolvimento do animal, devendo-se, assim, respeitar as exigências de temperatura e umidade de cada fase de criação.

Uma das formas mais utilizadas para otimização e aproveitamento de calor em galpões é a diminuição de espaços, com a utilização parcial do galpão, mais conhecido como “casulo de alojamento”, onde os pintos devem ser alojados, com acesso fácil à água e ração. No momento do alojamento, a distribuição das caixas de pintos deve ser uniforme por todo o casulo, previamente aquecido e, de preferência, com baixa intensidade de luz para deixar a ave mais tranquila. Posteriormente a esse momento, ainda no primeiro dia de alojamento, deve-se fornecer 24h de luz, facilita/ndo assim, o consumo de água e ração.

Após o segundo dia é necessário instituir um programa de luz que seja mais adequado para sua região. No inverno, é importante que coincida o período de escuro com o pôr do sol para que as aves estejam acordadas durante o período mais frio da noite. Controlando isso, bem como a temperatura, a umidade e a renovação de ar, de forma precisa, facilita aos galponistas agirem mais rapidamente, caso haja a necessidade de alteração de algum desses parâmetros. O monitoramento de temperatura e umidade, de forma mais rigorosa, deve-se estender até o final da segunda semana de vida das aves, podendo variar em função do clima.

Até aproximadamente seu 12º dia de vida o pinto não consegue regular sua temperatura corpórea, por isso é tão importante seguir as exigências de temperatura para que as aves encontrem conforto térmico ambiental para seu crescimento. Deve-se levar em consideração que a temperatura, no momento do alojamento e durante o 1°dia, deve ser de 32ºC, reduzindo, em média, 3ºC a cada semana até chegar aos 20ºC, como observado no quadro 1 abaixo.

Outro ponto importante a ser pensado sobre o inverno é a densidade de alojamento. Normalmente, nesse período, trabalha-se um pouco mais adensado, chegando em média entre 50 e 60 pintos por m², sempre aumentando os espaços dos círculos de proteção, a cada três dias, até que todo o galpão esteja ocupado, o que acontece por volta do 15º dia de alojamento. Lembrando sempre de aquecer previamente o novo espaço do galpão a ser utilizado, além de observar bem o comportamento das aves. No quadro 2, observa-se o comportamento esperado das aves, de acordo com o conforto térmico.

Outros fatores devem ser considerados importantes e requerem atenção. Um deles é a temperatura da água de bebida, que deve estar entre 18 e 21ºC. Em alguns casos, as tubulações do sistema de água são superaquecidas, deixando a água com alta temperatura, inviabilizando seu consumo pelas aves. Um outro fator importante é a redução dos níveis de energia e sódio da dieta e o uso preferencial de ração farelada, pois em períodos mais frios, o consumo de ração aumenta significativamente, podendo levar, consequentemente, ao comprometimento de algumas funções fisiológicas que propiciem o surgimento da Síndrome Ascítica (SA).

Para a cama utilizada no aviário deve-se optar por um material que tenha fácil oferta na região da criação, que tenha um alto poder de absorção e ajude no controle da umidade e temperatura do galpão. Após distribuição uniforme em todo o galpão, esse material deve ter, aproximadamente, 5cm de espessura em relação ao piso. Nos casos de cama reutilizada, quando possível, priorizar a utilização de cama nova pelo menos no casulo. Em todos os casos, deve-se ficar atento à compactação do material utilizado nas primeiras 24h após o alojamento, evitando possíveis problemas com altura dos equipamentos, o que pode levar a casos de restrição a comedouros e bebedouros.

Um dos fatores que vai influenciar diretamente na qualidade da cama é a ventilação mínima, que deve ser monitorada diariamente, principalmente no inverno, pois, em virtude da imensidão do território brasileiro, são identificados diversos tipos de climas, sendo os principais: equatorial, tropical, tropical de altitude, tropical úmido, semiárido e subtropical, podendo ter grande amplitude térmica em diversas regiões. Por isso, independente do dimensionamento do sistema de ventilação da granja, os níveis de CO2, amônia e umidade relativa do ar, devem ser monitorados com atenção redobrada, para que as aves tenham acesso a oxigênio de qualidade, podendo desempenhar da melhor forma suas necessidades metabólicas.

Em regiões que apresentam a estação de inverno bem definida, assim como as regiões com variações consideráveis na amplitude térmica neste período, pode ocorrer uma maior incidência de problemas sanitários. Dessa forma, deve-se sempre respeitar os pontos críticos citados anteriormente, como: menor densidade no alojamento das aves, maior cuidado no alojamento e nas primeiras semanas, ajustes nutricionais, monitoramento de temperatura, umidade e ventilação, atenção com o calendário de vacinação, e, dependendo da região, caso haja necessidade, reforços de campo, minimizando, assim, as chances de aparecimento de alguma enfermidade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

Exportações de carne de frango crescem 4,8% em agosto

Receita das vendas internacionais sobem 36,1% no mês

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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que as exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) somaram 379,9 mil toneladas em agosto, volume que supera em 4,8% as exportações registradas no mesmo período do ano passado, com 362,5 mil toneladas.

Em receita, o crescimento foi ainda mais expressivo, com 36,1%, alcançando US$ 677,3 milhões em agosto deste ano, contra US$ 497,8 milhões no oitavo mês de 2020.

Na soma dos oito primeiros meses de 2021, os embarques de carne de frango alcançaram 3,048 milhões de toneladas, volume 7,58% superior ao exportado no mesmo período do ano passado, com 2,833 milhões de toneladas.

No mesmo período (janeiro a agosto), a receita das exportações alcançou US$ 4,893 bilhões, resultado 18,2% maior que o efetivado em 2020, com US$ 4,140 bilhões.

“Os preços aquecidos para as exportações de carne de frango são consequências diretas da alta internacional dos custos de produção. Mesmo com este quadro, grandes mercados importadores de alto valor agregado aumentaram o apetite pelos produtos brasileiros, resultando em um mês marcadamente positivo, reforçando a expectativa de alta histórica nas exportações totais de 2021”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Principal destino das exportações, a China importou 57,4 mil toneladas em agosto, volume 4,8% superior ao efetuado no mesmo período de 2020. Assumindo o segundo lugar nas exportações, os Emirados Árabes Unidos importaram no mês 38,8 mil toneladas, número 50,5% superior ao embarcado em agosto do ano passado. Na terceira posição está o Japão, com 35,2 mil toneladas, número ,1,7% superior ao embarcado no oitavo mês de 2020.
Outros destaques do mês foram União Europeia, com 17,2 mil toneladas (+12,5%), México, que entrou para o “top 10” com 15,1 mil toneladas (+591,4%), Filipinas, com 12,1 mil toneladas (+55,1%), Rússia, com 9,5 mil toneladas (+17,6%) e Líbia, com 8,9 mil toneladas (+161,5%).

Entre os principais estados exportadores estão o Paraná, que embarcou 157 mil toneladas em agosto (+10,18%), seguidos por Santa Catarina, com 77,6 mil toneladas (-0,88%) e Rio Grande do Sul, com 50,8 mil toneladas (-17,5%).

Fonte: Assessoria
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Avicultura

1º Dia do Avicultor O Presente Rural supera expectativas

Evento reuniu autoridades, lideranças, avicultores, empresários do agronegócio e representantes de empresas do setor em uma manhã que evidenciou a avicultura, entre palestras e homenagens

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Fotos; O Presente Rural

O 1º Dia do Avicultor promovido pelo Jornal O Presente Rural na última sexta-feira (27), em Marechal Cândido Rondon, superou todas as expectativas.

O evento foi realizado no formato híbrido. A programação foi prestigiada presencialmente por convidados junto ao Bufett Três Passos, obedecendo todas as normas sanitárias exigidas pelo Ministério da Saúde, mas também pôde ser acompanhada ao vivo pelas páginas de O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

fundador do Jornal O Presente e do O Presente Rural, jornalista Arno Kunzler

Entre os presentes estiveram autoridades municipais, como o prefeito Marcio Rauber e a presidente da Associação Comercial e Empresarial (Acimacar), Carla Rieger, lideranças, avicultores, empresários do agronegócio, representantes de empresas parceiras, entre outros.

Na ocasião, o fundador do Jornal O Presente e do O Presente Rural, jornalista Arno Kunzler, destacou a importância dos avicultores do Brasil, bem como de todos os profissionais do agronegócio brasileiro. “Todos esses profissionais, especialmente as cooperativas, transformaram a avicultura brasileira numa das mais competitivas do mundo”, ressaltou.

Kunzler enalteceu a comemoração dos 30 anos do Jornal O Presente, que serão comemorados no dia 04 de outubro. “Durante esses anos de atividade nos tornamos referência para anunciantes e leitores que acreditam na seriedade do nosso trabalho, sempre levantando pautas e discussões que fortalecem o debate saudável no setor”, disse.

 

PALESTRAS

Palestrante Helda Elaine

Os participantes puderam assistir a três palestras. A primeira foi proferida pela renomada palestrante Helda Elaine, que falou sobre como administrar potenciais e gerar resultados no agronegócio. Na sequência, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em vídeo produzido exclusivamente para o evento, abordou temas como produção, consumo e exportação da avicultura no Brasil.

Santin destacou o trabalho dos avicultores, principalmente nos últimos anos, em virtude da pandemia, e salientou os desafios causados por ela para os avicultores que precisaram enfrentar o problema e, ao mesmo tempo, não parar de produzir alimentos. “Mesmo com todas as incertezas que a pandemia trouxe para nós e para o mundo, os avicultores não pararam de produzir e atenderam ao chamado de emergencialidade do governo para não deixar faltar comida na mesa dos brasileiros”, expôs.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin

Ele ressaltou também o crescimento da produção para o mercado interno e das exportações de aves em 2020. “Foram 6,5% a mais de disponibilidade para os consumidores brasileiros e cresceram cerca de 0,5% as exportações de carne de aves”, informou.

O presidente da ABPA enfatizou ainda a produção de ovos dos avicultores brasileiros. “Nossos avicultores elevaram a produção de ovos destinada ao mercado interno em 9,1% em 2020 e as exportações também aumentaram”, evidenciou.

Santin mencionou que as exportações e a produção avícola para o mercado interno no acumulado dos primeiros sete meses deste ano cresceram 6,7% e 6%, respectivamente. “Esses números demonstram a dedicação dos nossos avicultores”, declarou.

Último palestrante, o diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial e presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Irineo da Costa Rodrigues, fez uma análise do cenário avícola e falou sobre custos de produção e das perspectivas para 2022.

Diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial e presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues

Ele comentou em relação à expectativa de crescimento da avicultura, apresentou números relacionados à Lar e destacou a produção brasileira de proteína de frango, em especial a avicultura paranaense, que, segundo ele, representa em torno de 35% de tudo que é exportado. “Ter o Brasil como o maior exportador do mundo e o Paraná como o maior exportador entre os Estados brasileiros demonstra a enorme importância da avicultura paranaense”, salientou.

Rodrigues elogiou a dedicação dos colaboradores da Lar, em especial das mulheres, e o ótimo trabalho desenvolvido pelos associados em todas as cidades de atuação da cooperativa.

 

HOMENAGEM

Após as palestras, o Jornal O Presente Rural fez uma homenagem às rondonenses Dalair e Jheynifer Boroski, mãe e filha, que se dedicam à produção avícola.

Elas receberam das mãos do fundador do Jornal O Presente, Arno Kunzler, e do diretor-presidente da Lar Cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues, buquês de flores e um quadro com a capa da edição do O Presente Rural em que elas foram protagonistas.

Mãe e filha agradeceram a homenagem em nome de todos os avicultores brasileiros. “Sabemos da luta diária que os avicultores enfrentam e ficamos muito felizes em poder representá-los”, disse Jheynifer.

A cobertura completa do evento você pode acompanhar na próxima edição de avicultura do O Presente Rural em setembro.

Caso você não pode acompanhar o evento, clique aqui Facebook ou aqui YouTube e assista na integra

 

Veja alguns registros:

 

Fonte: Assessoria
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Avicultura Avicultura

Como o empenamento precoce nas aves pode contribuir com a redução nas condenações de carcaças em plantas de abate

A busca pela máxima eficiência dos lotes se torna cada dia mais relevante e desejável visto que a cadeia reduz o impacto ambiental

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Artigo escrito por Eder Barbon, médico veterinário e especialista em Plantas de Abate e Qualidade América do Sul; Lívia Pegoraro, zootecnista com Mestrado em Produção Animal e gerente da Fazenda Experimental da CobbVantress; e Rodrigo Terra, médico veterinário e diretor Associado de Produto da Cobb-Vantress na América
do Sul

Reduzir as condenações de carcaça é hoje um dos desafios mais importantes da avicultura brasileira. O país, que abate cerca de 23 milhões de cabeças de frangos por dia, de acordo com publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (março, 2021), tem em média de 0,75% de condenas totais e 10,86% de condenas parciais, segundo informações do SIGSIF de março de 2021. Isso significa perdas de cerca de 1.400 toneladas por dia, o que representa 2,4% do peso total abatido.

As contaminações, lesões de pele (Dermatoses) e lesões traumáticas (Contusões e fraturas), são as três principais causas mais frequentes para o descarte de aves pela indústria avícola brasileira. As perdas por condenações, cumprindo devidamente as legislações locais, são registradas em todos os países produtores de carne de frango do mundo. Mas, na comparação com produtores da Europa, do México e dos Estados Unidos, os percentuais de condenas do Brasil são significativamente maiores, o que exige que produtores e indústria busquem alternativas para reduzir esse impacto negativo de rendimento para o setor. O governo brasileiro, através do Ministério da Agricultura, tem apoiado positivamente ações de melhorias, com embasamentos técnicos e científicos da indústria que visam a redução de perdas nas plantas de abate. (Decreto no 10.468/2020).

A causa mais comum das condenações é a contaminação por fezes ou bílis no momento da evisceração do frango em virtude de jejum pré-abate ou ajuste dos equipamentos inadequados, que respondem por mais da metade do total. Em seguida, vêm as lesões de pele ou dermatoses, posteriormente a maior causa são as lesões traumáticas ou contusões e fraturas, que podem ocorrer no campo, especialmente no momento da apanha e transporte, ou na planta de abate durante o processamento, especialmente no atordoamento.

Melhorias no manejo e ambiência, desde à granja ao frigorífico, e aves com empenamento precoce, que ajuda a garantir a proteção e qualidade da pele são tendências irreversíveis na avicultura para reduzir as perdas por problemas de pele.

Preocupados com as perdas por problemas de pele ou dermatoses, a Cobb-Vantress tem trabalhado para selecionar aves que empenam precocemente, garantido melhor cobertura e proteção da pele desde a tenra idade. Um bom empenamento protege as aves em várias frentes, como por exemplo durante a disputa por espaço no aviário, nos comedouros, bebedouros e durante o carregamento, onde a probabilidade de umas aves subirem sobre as outras e se arranharem é alta, em especial nos frangos jovens, como griller. Também protege amenizando o contato da pele com a cama do aviário, o que reduz as possibilidades de o frango ter a carcaça desclassificada por problema de pele no momento do abate.

Além das perdas e condenações por problema de pele, empresas que trabalham com mix de produtos para exportação, como frangos pequenos, Griller e Coxas desossadas principalmente, pagam um alto custo pela redução no aproveitamento e perda de rendimento final. Dependendo do tamanho, da profundidade e das características das lesões, as peças são desclassificadas e destinadas para um outro tipo de mix, com menor valor econômico.

Estudo conduzido pela Cobb-Vantress, em sua Granja Experimental, demonstrou melhores índices de aproveitamento de carcaça com aves que empenam precocemente.

  1. Materiais e métodos

As avaliações de escores de empenamento e lesão de pele foram realizadas nas Unidades Experimentais da Cobb-Vantress. Para essa avaliação, foram utilizadas aves de três linhagens diferentes (CobbMalexC500S, MVxC500S e Concorrente A), sexadas (machos e fêmeas), seguindo um esquema fatorial 3×2, perfazendo um total de seis tratamentos, distribuídos em um delineamento em blocos casualizados.

As aves foram avaliadas a partir de 28 dias de idade, durante a pesagem semanal, até o momento da saída do lote. Portanto, as avaliações foram com 28, 35 e 42 dias de idade. Cerca de 2,4% do plantel foi amostrado para tais avaliações e as mesmas aves foram avaliadas para ambos os escores. A amostragem foi realizada a partir de cercados, nos quais 100% das aves aprisionadas foram avaliadas, mesmo que a porcentagem inicial estipulada fosse ultrapassada.

Os escores de empenamento e lesão de pele respeitaram um protocolo de avaliação visual. Para o grau de empenamento foram avaliadas duas partes distintas em cada ave, sobrecoxa e dorso.

Um gabarito pode ser utilizado na sobrecoxa e no dorso com a finalidade de padronizar a região exata a ser avaliada e manter o parâmetro de comparação entre as aves.

A partir dos dados coletados, encontramos a porcentagem de cada escore. Os escores 3 e 4 são as aves que apresentam o melhor grau de empenamento. Agrupamos as porcentagens de tais escores em cada idade e comparamos entre os tratamentos.

Para a avaliação do grau de lesão de pele, cada ave foi avaliada na sua integralidade e ponderando a qualidade da pele no geral, associando quantidade e profundidade da lesão para a mensuração do escore.

Escores de lesão de pele em frangos de corte

ESCORE ZERO: Foi considerado escore de lesão zero, carcaças com integridade total da pele, sem quaisquer tipo de riscos ou arranhões conforme foto: Carcaça ideal.

Os demais escores foram considerados conforme descrição abaixo:

1 – ESCORES 01: poucas lesões (quantidade não limitante, mas algo próximo ao máximo de 2-3 lesões) e lesões superficiais;

2 – ESCORE 02: quantidade de lesões que compromete visualmente a carcaça, porém ainda lesões superficiais;

3 – ESCORE 03: poucas lesões, porém com maior gravidade ou maior volume de lesões espalhadas pela carcaça porem lesões com profundidade e até mesmo com escaras/purulência;

4 – ESCORE 04: Muitas lesões espalhadas pela carcaça toda e a maioria profunda e/ou com escaras/purulência;

Considerando-se a variação das lesões de pele entre cada lote abatido, os critérios para condenação podem sofrer pequenas variações entre as plantas, didaticamente padronizamos a soma dos piores escores (graus 3 e 4) para apontar esse possível descarte.

Após a coleta dos dados foi gerada a porcentagem de aparição de cada escore por tratamento, no qual somando a porcentagem desses dois escores (3 e 4) definimos a porcentagem estimada de possíveis descartes para cada tratamento (linhagem e sexo).

2.1 termográfica

O grau de empenamento pode ser evidenciado através da diferença de temperatura com o auxílio de uma Câmera Termográfica (modelo utilizado nas fotos – Flir T4 series), porém essa avaliação através da termográfica não tem embasamento numérico e uma metodologia comprovada, ou seja, não temos um modelo matemático que conseguiria transformar a imagem em um número de escore, portanto o intuito seria apenas apontar didaticamente, com foto, a diferença entre os tratamentos analisados nos escores visuais.

Na Figura abaixo (Figura 4) podemos observar na imagem da câmera termográfica as diferenças entre as cores, nas quais podem ser correlacionadas com as diferenças entre os empenamentos, uma vez que a pena é um isolante térmico, portanto é esperado que encontramos uma menor temperatura na superfície empenada comparada com a superfície corporal mensurada diretamente na pele da ave.

As áreas com maior grau de empenamento apresentam menores temperaturas superficiais, ou seja, são representadas com cores mais escuras (tons de azul, roxo e preto). Entretanto, as partes mais claras apresentam temperatura superficial mais elevada, o que representa as partes com menor grau de empenamento ou completamente sem penas, variando de acordo com a coloração de tons alaranjados para o amarelo e chegando ao branco na ordem crescente para as temperaturas mais elevadas.

  1. Resultados

3.1 Empenamento

Observamos nos gráficos 1, 2, 3 e 4 melhores taxas de empenamento precoce no novo produto CobbMalexC500S, comparado com as demais linhagens analisadas, representadas pela maior porcentagem de aves amostradas com escores 3 e 4.

Podemos observar no gráfico 1 que o lote CobbMalexC500S apresentou desde os 28 dias de idade, a maior porcentagem de aves com os melhores escores de empenamento na sobrecoxa, comparado aos demais tratamentos, com valores de 2,43% mais empenado com 28 dias, 29,69% com 35 dias e 11,75% com 42 dias, na comparação com o tratamento da linha Concorrente A.

Ambos os produtos Cobb apresentaram melhores índices de empenamento na sobrecoxa de machos.

A primeira idade analisada (28 dias) é importante principalmente para os clientes que produzem frangos pequenos como Griller, que são normalmente lotes de fêmeas criadas até 28 dias de idade, com intuito de venda da carcaça inteira. Portanto, para esse produto é ainda mais importante a integralidade da pele, bem como aves livres de desclassificação ou condenas parciais.

No gráfico 2 (fêmeas), temos um resultado muito similar ao observado no gráfico 1 (machos), no qual notamos que os produtos Cobb apresentam lotes mais empenados desde as primeiras avaliações com 28 dias de idade.

As fêmeas CobbMalexC500S apresentaram 10,48% a mais, do lote com aves em estágio mais avançado, de empenamento aos 28 dias, na comparação com a fêmea Concorrente A. Essa informação, associada ao percentual de condena dos lotes de mesma idade, significam um melhor aproveitamento dessas aves para lotes de produto Griller, que representa uma fatia importante do mercado brasileiro. Com 35 dias, essa diferença entre linhagens diminui para 7,88% e, com 42 dias, chega a 2% de diferença entre os lotes de CobbMale, comparado com o Concorrente A.

Os machos com melhor empenamento no dorso foram os provenientes do tratamento CobbMalexC500S, que apresentou com 28 dias de idade uma quantidade de 7,29% a mais do lote com aves melhor empenadas, na comparação com o Concorrente A. Com 35 dias, a diferença aumentou para 15,84% e com 42 dias foi de 1,02%, ainda favorável para o CobbMale (Gráfico 3).

A diferença de empenamento entre os tratamentos das fêmeas normalmente é menor devido ao empenamento mais rápido das fêmeas em relação aos machos. Essa característica é o que possibilita a sexagem dos pintos de 1 dia no incubatório.

No gráfico 4 podemos verificar que aos 28 dias de idade o lote CobbMale apresentou um volume maior de 9,05% de fêmeas melhores empenadas no dorso comparadas com o lote Concorrente A, com 35 dias a diferença foi de 1,47% e com 42 dias 100% das fêmeas amostradas apresentaram empenamento completo no dorso, para ambos os tratamentos.

A partir dos 42 dias as três linhagens tendem a ser muito similares, devido ao maior tempo para empenamento. Apesar de o produtor não perceber esta variação durante a vida do lote, o impacto é importante para o abatedouro.

As tabelas abaixo (1 e 2) representam numericamente os dados que foram descritos e discutidos nos Gráficos 1- 4, sobre os escores de empenamento em sobrecoxa e dorso de machos e fêmeas.

3.2 Lesão de pele

Os dados para lesão de pele foram pontuados no gráfico abaixo (Gráfico 5), considerando a somatória dos piores graus de lesão (escores 3 e 4) dentre as aves que foram amostras, o que consideramos um possível descarte, nas idades mencionadas.

Nos machos com 28 dias de idade não foram observadas diferenças de perdas por lesões de pele entre as linhagens analisadas, mas também evidenciamos que tais lotes não apresentaram lesões severas tipo 3 e 4, sendo assim para os machos de 28 dias não observaríamos prejuízos com descartes na planta de abate em decorrência das lesões de pele.
A diferença entre linhagens foi constatada para lotes de machos com 35 dias de idade, em que aves de origem do Concorrente A apresentaram 2,5% do lote amostrado com os piores graus de lesões de pele, comparado aos produtos Cobb que na média apresentaram 0,5% do lote com o mesmo grau de severidade desse parâmetro.

Para as aves com 42 dias de idade e já com um melhor escore de empenamento, as lesões diminuíram e o lote Concorrente A apresentou cerca de 2% a mais de lesão do que os lotes Cobb. Apesar da redução da porcentagem de lotes que possivelmente sofreriam descartes com 42 dias, a diferença média se manteve em 2% desde os 35 dias do lote, sendo que os lotes Cobb apresentaram melhores resultados e menores taxas de condena por lesão de pele, comparados com a linhagem Concorrente A.

Para os lotes de fêmeas, podemos observar que já conseguimos notar uma diferença entre lesão de pele já a partir dos 28 dias de idade. Praticamente 1% a mais de condena para o tratamento Concorrente A, comparado aos lotes Cobb, em que esses, na amostra analisada, não apresentaram condenação alguma para os escores de lesão de pele 3 e 4 (gráfico 6) em tal idade.

As fêmeas do Concorrente A mantiveram o volume de aproximadamente 1% de condena para todas as idades analisadas enquanto o produto CobbMalexC500S não apresentou nenhuma ave amostrada com graus severos de escore de pele (0%) durante todo o experimento, comprovando a correlação entre a importância do empenamento na questão da lesão de pele, isto é, lotes com empenamento mais precoce fazem uma proteção na epiderme da ave, ajudando a evitar lesão e condena na planta de abatedouro.

Vale ressaltar que empenamento e lesão de pele possuem uma correlação, porém não são unicamente dependentes, ou seja, a lesão de pele não está exclusivamente relacionada a precocidade do empenamento. Outros fatores, como voracidade do lote, programa de luz, manejo, estresse, distância de fuga, restrição alimentar, qualidade da cama, intervalo de vazio sanitário entre outros fatores também são correlacionados aos níveis de lesão e condena na planta de abate.

A busca pela máxima eficiência dos lotes se torna cada dia mais relevante e desejável visto que a cadeia reduz o impacto ambiental, uma vez que disponibiliza para a população mais proteína animal de qualidade com a mesma quantidade de insumos.

Os dados demonstram que é necessário investir em genética, tecnologia e manejo para atingir o maior peso possível de carne vendável para garantir a eficiência produtiva, financeira e ambiental da avicultura brasileira e mundial.

É a nossa responsabilidade entregar o melhor.

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Fonte: O Presente Rural
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