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“Estamos convictos na retomada da avicultura”, afirma Francisco Turra

Liderança diz estar convicta que o ano será de retomada para o setor

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Arquivo/OP Rural

 O ano de 2019 começou com boas expectativas para a avicultura brasileira, uma das proteínas mais importantes da cadeia produtiva nacional. Em entrevista exclusiva para o jornal O Presente Rural, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, diz estar convicto que o ano será de retomada para o setor. Ele atrela isso à competência técnica e gestão altamente profissionalizada dos agentes da cadeia, que permitiu que o setor sobrevivesse e se fortalecesse em meio às mais intensas tempestades.

O Presente Rural (OP Rural) – Como foi o ano de 2018 para a avicultura e suinocultura brasileira?

Francisco Turra (FT) – Entre os fatores positivos ocorridos, estão a habilitação de 26 novas plantas para exportações de carne de frango para o México, a viabilização do mercado cambojano para o setor avícola brasileiro e a abertura dos mercados da Coreia do Sul e da Índia para a carne suína. A Rússia, após 11 meses de negociação, também reabriu seu mercado para o setor de suínos.

Outro ponto relevante de 2018 é a crise sanitária corrente na China. Uma vez que a mortandade histórica de animais no maior produtor de carne suína do mundo deverá incrementar a demanda de cárneos provenientes de países que hoje fornecem ao mercado chinês. Também está em fase final a negociação entre chineses e brasileiros para a construção de acordo de Price Undertaking (PU) para as exportações brasileiras de carne de frango, o que deverá suspender as sobretaxas provisórias de direito antidumping aplicados pela China. Fator importante: mesmo com a aplicação de tarifas, as exportações de carne de frango para a China devem encerrar o ano 10% superiores às realizadas em 2017.

Neste ano, são fatores relevantes, também, o embargo de 20 plantas (sendo que oito continuaram exportando carne de frango in natura sem sal adicionado) pela União Europeia, e a alteração dos critérios relativos ao abate halal, para a importação de carne de aves pela Arábia Saudita. Neste último caso, as mudanças com a readequação de mercado resultaram em uma retração superior a 100 mil toneladas nas exportações brasileiras – um dos mercados que mais reduziram as importações em 2018.

Também estão entre os fatores relevantes do ano os 10 dias de paralisação nas estradas brasileiras, com a greve dos caminhoneiros. Milhões de aves morreram durante o período. Os impactos superaram os R$ 3,1 bilhões – sendo R$ 1,5 bilhão irrecuperável. Além dos prejuízos, a greve trouxe à pauta o tabelamento do frete. Por questões sanitárias, os setores de aves, ovos e suínos dependem dos denominados transportes dedicados, que são fidelizados e cumprem distâncias curtas.

OP Rural – A greve dos caminhoneiros e a Operação Trapaça arrebentou, de forma irrecuperável, muitos setores da economia nacional, inclusive a avicultura?

FT – Milhões de aves morreram durante os 10 dias de paralisação. Com a nova tabela, em geral o custo logístico dos setores apresenta uma elevação média de 35% – chegando próximo de 80% em algumas modalidades, como o transporte de ração.

OP Rural – Quais as lições que essa greve deixa para um setor tão complexo e vulnerável como a avicultura industrial, tendo em vista que pairam ameaças de uma nova greve em 2019?

FT – A ABPA defende o diálogo entre o governo e as representações dos caminhoneiros na busca por uma solução, diante das reivindicações apresentadas. O diálogo é parte do jogo democrático e é fundamental para a construção de um caminho que não prejudique a população do Brasil. Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta os riscos para a população e para o país diante de uma nova greve.

OP Rural – As exportações brasileiras de carne de frango foram duramente prejudicadas com a suspensão do mercado europeu. Poderemos recuperar?

FT – Este foi um ano atípico por razões como a greve dos caminhoneiros, suspensão de plantas no mercado europeu e outros pontos que impactaram fortemente o setor no primeiro semestre. Entretanto, tivemos forte recuperação no segundo semestre. Como colocamos em outra oportunidade, graças à média mensal de embarques de 377,3 mil toneladas no segundo semestre – o melhor desempenho dos últimos três anos – o setor reduziu perdas acumuladas nos seis primeiros meses de 2018 (-13,4% em relação ao 1° semestre de 2017) e encerrou o ano com resultado 5,1% menor em relação às 4,320 milhões de toneladas exportadas em 2017. Exatamente por isto há expectativa de que o bom fluxo obtido no segundo semestre do ano passado se mantenha em 2019. Isto devido, entre outros motivos, pelas ações que o setor produtivo, liderado pela ABPA, adotará por meio do Projeto 500K, que tem como meta alcançar a média mensal de 500 mil toneladas nas exportações somadas de carne de frango e de carne suína até o final de 2020.

OP Rural – A decisão do mercado europeu de suspender as importações de frango do Brasil foi justa?

FT – A ABPA considera infundada a decisão tomada pelos estados europeus, como uma medida protecionista que não se ampara em riscos sanitários ou de saúde pública. A decisão tomada pela comunidade europeia é desproporcional e inconsistente diante das regras estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O protecionismo é ressaltado, por exemplo, na imposição de critérios determinados para os embarques de produtos salgados (com apenas 1,2% de sal adicionado), que são obrigados a cumprir critérios de análises para mais de 2,6 mil tipos de Salmonella. Para que se tenha uma ideia, ao produto estritamente in natura (sem sal adicionado) pesam apenas análises para dois tipos de Salmonella.

OP Rural – Acredita que neste ano, caso as tratativas com a China sobre o fim do antidumping ao frango brasileiro aconteçam, as exportações brasileiras melhorem?

FT – As exportações brasileiras seguem em bom fluxo e há expectativa de ampliação em relação ao desempenho de 2018. No caso da China, a questão do antidumping – que, ressaltamos, não prejudicou os negócios entre brasileiros e chineses. A China iniciou em 18 de agosto de 2017 uma investigação sobre práticas de dumping contra as exportações brasileiras de carne de frango. A ABPA e seus associados defenderam ao MOFCOM a ausência de nexo causal entre as exportações brasileiras e qualquer eventual situação mercadológica local, apresentando contraprovas ao longo do processo. Mesmo diante dos dados apresentados pelos brasileiros, o ministério chinês impôs uma tarifa provisória de direito antidumping às importações de carne de frango do Brasil. Apesar disto, os exportadores brasileiros decidiram avançar em um acordo proposto pela China que permitisse a manutenção da parceria, que hoje é uma das mais importantes no comércio internacional de proteína animal.

A construção do “Price Undertaking” (PU) – acordos de preços em conformidade e acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) – é uma das últimas etapas neste processo. Mesmo com a aplicação de sobretaxa de dumping, a China mantém ritmo ascendente nas compras de carne de frango do Brasil. O país asiático é o segundo entre os 160 mercados importadores do produto brasileiro e incrementou suas importações de carne de frango brasileira em 12% em 2018, alcançando 438 mil toneladas.

OP Rural – Quais as projeções para a avicultura em 2019 quanto ao mercado e exportações?

FT – O alojamento de matrizes em 2018 indica uma oferta moderada de carne de frango em 2019. A expectativa é que o ritmo de produção do próximo ano seja 1,39% superior, alcançando produção de 13,2 milhões de toneladas. Há expectativa, também, de elevação das exportações, acompanhando o bom fluxo do segundo semestre de 2018, intensificado, também, pela ampla estratégia aplicada pelo Projeto 500K da ABPA.

OP Rural – Muitos tem falado que este será o ano da retomada da avicultura brasileira. O senhor acredita nisso? Por que?

FT – Estamos convictos na retomada da avicultura. Graças à competência técnica e gestão altamente profissionalizada do setor, sobrevivemos e nos fortalecemos em meio às mais intensas tempestades. Neste ano, a expectativa é de melhores oportunidades para o setor produtivo, e a consolidação do fluxo de exportações para mercados importantes, como a Indonésia. Também confiamos na recuperação econômica do Brasil, o que deve influenciar positivamente no consumo interno.

OP Rural – O que espera do novo governo para o setor?

FT – A expectativa geral é por um momento de maior calmaria para o setor produtivo, pois há otimismo no setor com o novo momento político vivido pelo país. As expectativas relacionadas às promessas são muitas, entre elas podemos destacar maior apoio ao campo, desburocratização, liberdade de mercado, combate à violência no campo e nas estradas, privatização de estruturas importantes ao setor produtivo. O anúncio da presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Tereza Cristina, como ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, também foi recebido com grande otimismo, por ela ser uma liderança fundamental para o setor produtivo nacional, com trabalho inquestionável à frente da FPA, que conhece e sabe do potencial da avicultura nacional. Está claro para o setor o total comprometimento do governo federal com o campo brasileiro.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura Editorial

A granja adoece antes de parecer doente

Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta.

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Foto: Shutterstock

Na avicultura, o prejuízo raramente começa no dia em que o problema fica evidente. Antes da mortalidade subir, da conversão alimentar piorar, da produção de ovos cair ou do frigorífico registrar mais condenações, a granja costuma emitir sinais menores. Às vezes estão no consumo de água, na resposta vacinal, na cama, na ambiência, no comportamento das aves, na uniformidade do lote ou em alterações discretas de desempenho. Quem espera o problema aparecer por completo, normalmente já chegou tarde.

Essa lógica é especialmente verdadeira quando se fala em sanidade. Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta. A avicultura intensiva trabalha com alta densidade, ciclos curtos, margens pressionadas e forte dependência de regularidade. Nesse sistema, prevenir não é discurso técnico: é condição econômica.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

A laringotraqueíte infecciosa é um exemplo claro de como a granja pode adoecer antes de parecer doente. A circulação do agente, a movimentação de pessoas, falhas nos protocolos de acesso, risco de disseminação entre propriedades e demora na resposta sanitária podem transformar um problema localizado em ameaça regional. Quando os sinais clínicos ficam evidentes, o vírus pode já ter encontrado caminhos para avançar.

Por isso, biosseguridade não pode ser tratada como checklist de auditoria. Ela precisa ser rotina de produção. Controle de acesso, vazio sanitário, limpeza, desinfecção, qualidade da água, manejo de cama, vacinação, diagnóstico laboratorial, rastreabilidade e treinamento das equipes são partes de uma mesma engrenagem. Nenhum desses pontos funciona isoladamente quando o restante da operação falha.

A avicultura brasileira construiu competitividade porque aprendeu a produzir com método. Mas o método precisa ser atualizado todos os dias, dentro da granja, antes que a planilha mostre a perda. O futuro sanitário da atividade dependerá menos da capacidade de apagar incêndios e mais da disciplina para identificar riscos quando eles ainda parecem pequenos.

A granja avisa. A questão é se a cadeia está preparada para ouvir antes que o problema vire prejuízo.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Avicultura Editorial

O Nordeste avícola já não cabe no rodapé

Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.

Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.

A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.

Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Avicultura

Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura

Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

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A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock

A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock

A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.

A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.

Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock

que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.

Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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