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Avicultura Boas Expectativas

“Esse ano será muito melhor”, aponta presidente do Sindiavipar

Para presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, 2019 será muito melhor para avicultura brasileira

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Arquivo/OP Rural

A avicultura brasileira teve muitos altos e baixos no decorrer de 2018. Problemas com exportação, Operação Trapaça e Greve dos Caminhoneiros foram alguns dos fatores que fizeram com que o setor sofresse e tivesse perdas consideráveis ao longo do ano. Porém, com a página virada e um novo ano começando, agentes e lideranças envolvidas na avicultura nacional acreditam que 2019 será muito mais positivo, tanto para a avicultura quanto para toda a cadeia produtiva nacional.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, lembra que a avicultura paranaense, a maior do Brasil, fechou o último ano com 1,6% de retração na produção e 6,9% de queda nas exportações. “Os eventos negativos do primeiro semestre foram decisivos para esses índices, sendo que para nós do Sindiavipar, a decisão do parlamento europeu em suspender as exportações de algumas plantas nacionais se deu por uma opção protecionista e não por questões sanitárias, prejudicando toda uma cadeia produtiva. Por isso, creio que esse ano foi duplamente atípico”, diz.

A liderança comenta que houve alguns fatos que contrariaram totalmente as projeções iniciais, e a única certeza que tiveram foi a força do setor. “Prova é que no segundo semestre houve avanço de 2,8% nos abates e 19,5% nos embarques de carne de frango em comparação aos primeiros seis meses do ano. Nós somos organizados. E cada vez mais mantemos essa unidade. As cooperativas sempre estiveram conosco, todas as firmas independentes também. Desde o produtor até as grandes indústrias”, afirma. Para ele, se o setor mantiver toda essa união que existe hoje, a avicultura será efetivamente imbatível. “Tudo isso não foi suficiente para zerarmos a conta e termos números positivos em 2018, até pelo fato de 2017 ter sido um ano espetacular”, lembra.

Domingos explica ainda que a greve dos caminhoneiros e Operação Trapaça foram duas questões bastante pontuais para o setor. “A Operação Trapaça alcançou uma única empresa. Obviamente para ela houve um grande impacto, principalmente nas exportações, mas para a avicultura como um todo houve uma retomada durante o ano, com as cooperativas conseguindo passar por isso e terem ótimos rendimentos”, comemora.

Quanto a greve, o presidente diz que houve um trabalho conjunto para resolver e amenizar os danos da situação. “Para darmos essas condições as empresas, trabalhamos em conjunto da ABPA, Governo do Paraná, Polícia Rodoviária Federal e outras entidades para uma resolução mais rápida da greve dos caminhoneiros, além da liberação de cargas de rações, visando a alimentação das aves. Prova é que em setembro, outubro, novembro e dezembro já houve uma maior recuperação e demonstrou que essas questões já estavam superadas”, celebra.

A liderança comenta ainda que quando se mexe com segmentos diferenciados existem muitas variáveis. “Nós acreditamos e estamos preparados para qualquer coisa que ocorrer. Depois da greve dos caminhoneiros, houve uma maior preparação das empresas e cooperativas para diminuir os riscos de uma nova paralisação. A vontade que temos de recuperarmos economicamente o país é muito maior do que o sentimento daqueles que querem retrancar nossa economia”, afirma.

Além do mais, quanto às sequelas que estas duas situações deixaram para a avicultura nacional, citando suspensão da habilitação de algumas plantas frigoríficas para o mercado europeu, o presidente acredita que as empresas hoje estão melhor preparadas para tais situações. “Barreiras comerciais sempre vão existir, embora muitas vezes são colocadas outras razões para esses embargos. E isso ocorre pela nossa competência do mercado, o que faz com que outros países façam tentativas de parar esse avanço. Nós produzimos a melhor de todas proteínas animal e com o melhor preço, o que obviamente gera esse tipo de reação”, diz.

Outra situação que a avicultura brasileira teve e ainda tem de lidar é quanto ao caso de acusação da China de dumping contra o mercado brasileiro de frango. Para o presidente, assim que as tratativas com o mercado chinês foram resolvidas, as exportações brasileiras devem melhorar. “Inclusive, uma das empresas que foram acusadas de dumping com a China já está negociando com o país para conseguir voltar a exportar. Novamente eu acredito que essa decisão seja motivada por estratégias comerciais, com objetivo de paralisar nosso avanço. Nós não temos a necessidade de realizar essa prática para conseguirmos bons resultados comerciais”, afirma. Ele reitera que faz parte do trabalho de todo o setor enfrentar essas adversidades e cabe a todos continuar produzindo com a reconhecida qualidade e eficiência brasileiras.

Um 2019 muito melhor

Domingos acredita que 2019 será um ótimo ano para a avicultura nacional, com uma boa retomada. “Esse ano será muito melhor que 2018 para a avicultura. Teremos uma modificação fortíssima no mercado internacional, com novas conquistas e perpetuação dos nossos produtos. Temos a expectativa de crescimento entre 4 e 6%, com um cenário mais favorável na economia, tendo um crescimento a níveis constantes no PIB, retomada na criação de empregos, aquecimento do mercado interno e uma boa safra. Todos esses fatores já estão se encaminhando como possíveis para esse ano”, acredita.

Além do mais, quanto a possibilidade de um possível aumento do preço dos insumos por conta da quebra da safra em algumas das principais regiões produtoras do país – como é o caso do Paraná, em que safra de soja deve ter queda de 12% –, o presidente afirma que não acontecerá. “Mesmo com essa possível quebra, nós temos outros fatores positivos que compensam essa perda, como o avanço genético dentro das granjas, cada vez mais sendo utilizado pelos produtores. E como o Brasil é um país muito grande, mesmo com uma diminuição na safra total, ainda notamos que os números são positivos, inclusive gerando um recorde positivo”, conta. Ele acrescenta que obviamente variáveis podem aparecer no caminho, como a alta do dólar que encarece o preço desses insumos, mas pode-se dizer que o conjunto da obra é muito maior que esses pontos.

Política no auxílio da avicultura

O presidente do Sindiavipar diz que a nível estadual, o Paraná tem a possibilidade de um governo alinhado com os interesses do campo, pois mesmo tendo feito carreira em Curitiba, Ratinho Junior cresceu na realidade da produção agropecuária, conhecendo mais do que os antigos representantes do executivo a grandeza e o significado do setor.

Já quanto ao governo federal, a visão é de otimismo. “A corrente que vai governar o país nos próximos anos carrega ideais mais modernos, concisos e mais alinhados com as políticas exteriores, dando maior liberdade aos Estados para conseguirem crescer e ter maior receita. Posso garantir que a classe empresarial e as instituições que formam esse setor estão esperançosas, principalmente na melhora da condição financeira dos brasileiros. Dinheiro no bolso significa mais comida na mesa para as pessoas”, assegura.

Domingos complementa que acredita muito no governo federal e estadual do Paraná, torcendo muito para as administrações sejam conduzidas da melhor forma possível. “O Brasil é grande, o Paraná também e a avicultura é base para isso. Temos apenas que acreditar que conseguimos passar pelos percalços que aparecerem, pois eles são necessários para o nosso crescimento”, menciona o presidente do Sindiavipar.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição

Prebióticos naturais na formulação de rações para frangos de corte sem inclusão de antibióticos

Além de proteger a mucosa intestinal e melhor disponibilizar o teor de energia das rações, os prebióticos apresentam efeito bifidogênico

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Verônica Lisboa Santos, doutora em Zootecnia e coordenadora Técnica de Pesquisa na Yes Sinergy Agroindustrial

Durante muitos anos os antibióticos promotores de crescimento (APC’s) foram incorporados às dietas dos animais de produção em dosagens subterapêuticas, e melhorias consistentes na eficiência alimentar justificaram esta prática. Porém, o excesso de antibióticos usados na produção de alimentos de origem animal tem contribuído para o surgimento de resistência bacteriana, sendo esta uma causa de preocupação para a saúde pública mundial.

Desde 2006, a União Europeia proibiu o uso de qualquer antimicrobiano como promotor de crescimento na produção animal. Assim, os mercados exportadores, dentre eles, o Brasil, tiveram que se adaptar à legislação estabelecida por esse bloco econômico para permanecerem aptos a exportar.

O desenvolvimento de aditivos naturais, que possam substituir os antibióticos na alimentação animal, sem causar perdas de produção e econômicas e mantendo suas ações benéficas, tem se tornado alvo de diversos estudos e representa uma alternativa viável para a produção animal. Para uma substituição exitosa dos APC’s na alimentação de animais de produção, deve ser levado em consideração criteriosos processos de biossegurança, manejo, sanidade e a utilização de probióticos e prebióticos, visto que a comunidade científica valida o seu benefício às cepas de bactérias benéficas, resultando em melhor equilíbrio da microbiota intestinal e favorecendo os processos de digestão e absorção de nutrientes. Além de proteger a mucosa intestinal e melhor disponibilizar o teor de energia das rações, os prebióticos apresentam efeito bifidogênico, ou seja, estimulam a multiplicação da microbiota intestinal benéfica como Lactobacillus e bifidobactérias, promovendo maior exclusão competitiva, produção de antibióticos naturais e ácidos graxos de cadeia curta e média, como acético, propiônico, butírico e lático.

Pesquisas científicas

Aditivo prebiótico natural no desempenho de frangos de corte

Material e Métodos: A fim de avaliar o efeito da utilização de um Aditivo Prebiótico Natural (APN) em substituição a um antibiótico promotor de crescimento (APC), foram utilizados 750 pintinhos machos, de um dia de idade, vacinados no incubatório contra as doenças de Marek e Gumboro. As aves foram distribuídas em 70 boxes de 2,0m² com 25 aves por box. No intuito de simular os desafios das condições a campo, a cama, de 10cm de espessura, foi previamente reutilizada por três lotes. O delineamento experimental foi em blocos completamente ao acaso, com três tratamentos e dez repetições cada.

Os seguintes tratamentos foram testados:

T1: Dieta basal SEM APC (controle negativo – CN)

T2: Dieta basal COM APC (controle positivo – CP)

T3: CN + APN

 Resultados e Conclusão

As médias dos resultados de desempenho produtivo e margem de lucro final estão descritas  as tabelas 1 e 2, respectivamente, bem como, as médias de produção de ácidos graxos de cadeia curta.

Tabela 1 Média de desempenhos produtivo de frangos de corte alimentados com dietas com suplementação do antibiótico promotor de crescimento APC e APN
Desempenho 1 a 42 dias
  CONTROLE APC APN
PMF¹ (g/ave)     3066,34 3131,81 3103,27
GPD² (g/dia/ave)        71,91      73,47     72,79
CR³ (g/ave)  5499,40  5496,61 5467,12
CA4 (g/g)        1,86         1,81       1,81
IEP5     366,50       382,23     387,58

Os pesquisadores concluíram que as aves que consumiram a ração contendo APN, apresentaram peso médio final, ganho de peso médio diário e índice de eficiência produtiva maiores, aliados a melhor conversão alimentar e menor mortalidade quando comparadas às aves que consumiram o tratamento controle, com adição de APC, bem como, maior margem de lucro e produção de ácidos graxos de cadeia curta, o que provavelmente propiciou ambiente adverso para as populações de bactérias nocivas (principalmente Salmonellas e E. coli).

Tabela 2. Análise econômica de frangos de corte consumido rações sem antibióticos promotores de crescimento, com antibiótico APC ou com APN, durante o período de 42 dias
CONTROLE APC APN
Animais alojados 1.000 1.000 1.000
Animais terminados 932 928 948
Preço ração (kg) 1.066 1.075 1.076
Custo com ração total (R$) 5.865 5.906 5.904
Quilos produzidos no período 2.815 2.868 2.901
Ganho com venda 8.585 8.746 8.848
Lucro para lote de 1.000 aves (R$) 2.720 2.840 2.943

 

Gráfico 1. produção de ácidos graxos de cadeia curta por farngos de corte consumido rações sem antibióticos promotores de crescimento, com antibiótico promotor de crescimento (APC) ou com aditivo prebiótico natural (APN), durante o período de 42 dias.

Blend prebiótico natural no desempenho de frangos de corte 

Material e Métodos: afim de avaliar o efeito de um blend prebiótico natural (BPN) em substituição ao uso de um antibiótico promotor de crescimento (APC) sobre os parâmetros de desempenho produtivo e produção de ácidos graxos de cadeia curta, foram alojados 750 pintos de corte, machos, da linhagem Cobb 500, vacinados no incubatório contra doença de Marek e Gumboro. As aves foram distribuídas em 70 boxes de 2,0 m2 com 25 aves por boxe. A cama, de 10 cm de espessura, foi previamente utilizada por três lotes e reutilizada afim de simular os desafios das condições de campo. o delineamento experimental foi em blocos casualizados com 3 tratamentos e 10 repetições cada.

Tratamentos experimentais:

T1: Dieta basal SEM APC (controle negativo – CN)

T2: Dieta basal COM APC (controle positivo – CP)

T3: CN + BPN (2 kg/ton)

Resultados e Conclusão:

As médias de desempenho produtivo e produção de ácidos graxos de cadeia curta podem ser observadas na Tabela 1 e no gráfico 1, respectivamente.

Tabela 1 Média de desempenhos produtivo de frangos de corte alimentados com dietas com suplementação do antibiótico promotor de crescimento APC e APN
  PMI¹ PMF² GPM³ CRM4 CA5 IEP6
CONTROLE 46 3066 3020 5499 1,86a 366,5
APC7 46 3132 3086 5497 1,81ab 382,2
BPN8 46 3188 3141 5513 1,79b 392,0

 

Gráfico 2. Média da produção de ácidos graxos de cadeia curta por frangos de corte alimentados com dietas com inclusão de antibiótico promotor de crescimento (APC) ou blend prebiótico natural (BPN).

As aves que consumiram o Blend Prebiótico Natural, apresentaram, melhores índices de desempenho zootécnico, destacando-se a melhor conversão alimentar, embora não apresentando diferença significativa no consumo de ração e maior produção de ácidos graxos de cadeia curta.

Considerações finais

A microbiota do trato digestório das aves de produção tem relevante papel na digestão dos alimentos ingeridos. Desequilíbrios na composição deste microambiente podem ocasionar transtornos no desempenho e na capacidade de aproveitamento dos nutrientes. Como alternativa aos tradicionais antibióticos promotores de crescimento, já estão disponíveis no mercado prebióticos caracterizados por serem aditivos naturais, atóxicos e que não induzem resistência bacteriana. Esses produtos podem ser utilizados na ração de animais de produção e companhia, com a perspectiva de estabilizar e manter uma determinada população bacteriana em condições ideais no trato digestório, sem interferir de forma negativa na sanidade, na absorção dos nutrientes das rações, no desempenho desses animais e na saúde dos consumidores.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Produção

Relação entre microbiota intestinal e sistema imune inato: O papel da parede celular de levedura neste processo

Atenção deve ser voltada para conjunto de medidas que promovam crescimento seguro dos animais e ajam na prevenção de doenças

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato (P&D), da ICC Brazil

Há uns anos estamos presenciando as recomendações das organizações internacionais de saúde em relação ao uso de antibióticos na produção animal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a falta de antibióticos eficazes é tão grave como uma ameaça á segurança de um surto mortal de doenças. A atenção deve ser voltada para conjunto de medidas que promovam o crescimento seguro dos animais e principalmente ajam na prevenção de doenças.

Muitas pesquisas apontam que além do impacto imediato dos antibióticos sobre a microbiota, esses medicamentos afetam a expressão gênica, atividade proteica e metabolismo geral da microbiota intestinal. As alterações microbianas causadas, além de aumentar o risco imediato de infecção, também afetam o sistema imunológico básico em longo prazo.

A microbiota intestinal dos animais tem um papel importante na regulação da resposta do sistema imune, pois, além de modular vários processos fisiológicos, nutrição, metabolismo e exclusão de patógenos, pode alterar a fisiopatologia de doenças conferindo resistência ou promover infecções parasitárias entéricas. As bactérias naturais do intestino atuam como adjuvantes moleculares que fornecem imunoestimulação indireta ajudando o organismo a se defender contra infecções.

As aves possuem uma grande quantidade de tecido linfoide e células do sistema imune na mucosa intestinal, que é chamado de GALT (tecido linfoide associado ao intestino), e por sua vez, constitui o MALT (tecido linfoide associado à mucosa). O GALT está continuamente exposto aos antígenos alimentares, microbiota e patógenos, e necessita identificar os componentes que estão presentes no lúmen intestinal e que podem ser uma possível ameaça ao animal. A primeira linha de defesa do sistema imune é constituída pelas células fagocítica (macrófagos, heterofilos, células dendríticas e células natural killer) nas quais possuem receptores do tipo Toll, localizados em sua na superfície. Estes receptores reconhecem padrões microbianos e induzem uma resposta imune inata imediata. Após esta ativação e fagocitose, o fagócito (célula apresentadora de antígeno “APC”) apresenta um fragmento processado do antígeno e inicia-se uma resposta em cadeia contra este. O reconhecimento de patógenos pelo sistema imune inato desencadeia defesas inatas imediatas e, posteriormente, a ativação da resposta imune adaptativa.

É importante ressaltar que esta série de respostas do sistema imune inato demandam diversos nutrientes e principalmente, energia do metabolismo, já que se trata de uma resposta inespecífica e pró-inflamatória, porém necessária para controlar a proliferação, invasão e danos causados pelo antígeno no organismo animal. No entanto, uma resposta pró-inflamatória prolongada, pode levar ao aparecimento de doenças secundárias, imunossupressão, manutenção da homeostase imunológica, disbiose intestinal e, por fim, quedas em desempenho e mortalidade.

Um correto programa de medidas incluindo nutrição balanceada, vacinação, redução dos fatores de estresse, boas práticas de manejo e bem-estar animal podem diminuir consideravelmente a incidência de imunossupressão. A adição de aditivos dietéticos na alimentação, que atuam na modulação do sistema imune inato e microbiota, melhora a resposta de defesa frente aos desafios.

A parede celular de levedura Saccharomyces cerevisiae oriunda do processo de fermentação da cana-de-açúcar para produção de etanol, contém em torno de 35% de β-glucanas (1,3 e 1,6), e 20% de mananoligossacarídeos (MOS). As β-glucanas são reconhecidas pelas células fagocíticas (Petravić-Tominac et al., 2010), estimulando-as a produzir citocinas que iniciarão uma reação em cadeia para induzir uma imunomodulação e melhorar a capacidade de resposta do sistema imunológico inato. Já o MOS, possui uma capacidade de aglutinação de patógenos que possuem fímbria tipo 1, tais como diversas cepas de Salmonella e Escherichia coli.

Um recente estudo de Beirão et al. (2018) onde frangos de corte foram suplementados com levedura Saccharomyces cerevisiae (0,5 kg/ton) e infectados aos dois dias de idade com Salmonella Enteritidis [SE] (via oral na dosagem de 108 UFC/ave), mostrou que aos quatro e oito dias (dois e seis dias pós-infecção, respectivamente) a levedura Saccharomyces cerevisiae reduziu a passagem do marcador (Dextran-FITC, 3-5 kD) para o sangue nas aves desafiadas. Estes resultados indicam uma melhora significativa na integridade e permeabilidade intestinal, já que a SE é uma bactéria capaz de aderir à mucosa por meio de suas fímbrias, produzir toxinas e causar danos às tight juctions (junções de oclusão) e aos enterócitos, invadindo-os e translocando-se para a corrente sanguínea e demais órgãos e tecidos internos.

Estudo

Estes resultados podem ser explicados pela quantificação de células circulantes que foram analisadas no sangue coletado destas aves. É importante notar que durante a dinâmica normal de uma infecção, ocorre uma mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino, porém se animal apresentar outro tipo de infecção, a redução de leucócitos totais circulantes, pode prejudicar a resposta ao ataque à este segundo antígeno/local. Isto principalmente pode ser perigoso quando a taxa de leucócitos totais no sangue está muito baixa (leucopenia). Na análise do referido estudo, o grupo infectado e suplementado com levedura Saccharomyces cerevisiae proporcionou uma menor mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino aos 14 dias; no entanto, quando esse sistema imune é subdividido e as diferentes células são analisadas, os animais deste grupo apresentaram mais APC’s, monócitos supressores (impedem uma resposta imune desenfreada), e linfócitos T auxiliares (CD4 – secretam interleucinas e estimulam a multiplicação de células que irão atacar o antígeno), que o grupo de animais desafiados e não tratados. Já o grupo suplementado e não desafiado apresentou respostas intermediárias (entre o controle desafiado e o não desafiado) às células analisadas citadas acima, e também Linfócitos T citotóxicos (CD8), que são importantes para prevenir ou controlar a invasão da Salmonella, já que estas tem a capacidade de invadir monócitos e assim translocar-se para o fígado e demais órgãos.

É possível observar que suplementação com levedura Saccharomyces cerevisiae resulta na maior produção IgA anti Salmonella aos 14 dias de idade. Isto mostra que a resposta específica do sistema imunológico foi mais rápida e mais forte, consumindo menos energia e nutrientes, já que a resposta inflamatória pareceu ser mais curta.

Ação

A SE pode ser um problema para a ave que ainda não completou a maturação do sistema imune, pois ainda não consegue controlar a infecção totalmente, por isso grande parte da melhoria das respostas encontradas neste estudo foram até os 14 dias. Assim, a suplementação de β-glucanas pode ajudar a ave a ter uma ativação e resposta do sistema imune inato precoce e mais rápida, reduzindo/minimizando os danos causados pelo patógeno e consequentemente, as perdas em desempenho. Este tipo de resposta é especialmente importante em animais em fases iniciais de desenvolvimento, reprodutivas, períodos de estresse e desafios ambientais; agindo como um profilático e aumentando a resistência animal, minimizando maiores prejuízos.

Diversos outros estudos provaram a eficácia de levedura Saccharomyces cerevisiae em reduzir a contaminação de patógenos nas aves e ovos, mortalidade e melhorar o desempenho produtivo, principalmente sob desafio. Não existem aditivos alimentares que possam suprir problemas com manejo, plano sanitário, vacinação, nutrição, qualidade de água, entre outros; os aditivos são ferramentas que podem ajudar no controle e prevenção.

Sabemos que a produção animal intensiva é um ambiente altamente desafiador, assim o fortalecimento do sistema imunológico e manutenção da microbiota intestinal podem ser umas das chaves para melhor produtividade.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição e Sanidade

Como controlar Salmonella spp. em rações

Programa de monitoria e controle de Salmonella spp. em rações inicia-se com o plano de amostragem e análises laboratoriais

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Marcio André Lanzarin e Caio Tellini, da equipe técnica da Safeeds

O controle de Clostridium perfringens, Salmonella spp. e de outras enterobactérias patogênicas, está entre as principais ações realizadas pela indústria de produção de proteína animal, com impacto no aumento da produtividade animal, em melhoria dos índices zootécnicos e redução de prejuízos econômicos significativos.

O programa de monitoria e controle de Salmonella spp. em rações inicia-se com o plano de amostragem e análises laboratoriais, com o objetivo de identificar os focos e os níveis de contaminação para então estabelecer as estratégias de controle.

Entre as principais estratégias para a redução e controle destes microrganismos em fábricas de ração estão o programa de BPF (Boas Práticas de Fabricação), o sistema APPCC (Análises de Perigos e Pontos Críticos de Controle) e as ferramentas de tratamento térmico-químico aplicadas durante o processo de produção das rações. Estas estratégias são sempre complementares entre si, ou seja, nenhuma ferramenta isoladamente é 100% eficiente para garantir o sucesso do controle microbiológico.

O controle dos microrganismos através do tratamento térmico (como peletização, expansão e extrusão) são apresentados por diversos autores como ferramenta para a redução da incidência de fungos e bactérias em rações. A eficiência e o sucesso do controle via peletização é relacionada ao nível de desafio de contaminação por Salmonella spp. dos ingredientes no início do tratamento térmico, além do tempo de exposição, da temperatura aplicada e da própria umidade da ração. Com isso, a peletização não deve ser considerada como um método absoluto a ser utilizado para o controle da contaminação em rações.

Eficiência

A utilização somente do tratamento térmico para redução da incidência de Salmonella spp. em rações não proporciona nenhuma proteção residual contra recontaminações em etapas posteriores como, por exemplo: silos de armazenagem, caminhões de transportes e silos de granjas.

As fábricas de ração que não possuem processamento térmico e mantêm estratégias de fornecimento de rações farelada comprometem a qualidade microbiológica dos seus produtos, sendo uma fonte direta de transmissão de C. perfringens e Salmonella spp. para os animais. Para estes casos, outra opção viável para o controle microbiológico das rações é a utilização de agentes químicos, como os produtos formulados a base de formaldeído e/ou ácidos orgânicos, que com agentes coadjuvantes como óleos essenciais, mantém ação residual bactericida por um período prolongado.

Algumas opções de produtos comerciais que contêm combinações de formaldeído, ácidos orgânicos e outros agentes dispersantes, apresentaram resultados satisfatórios para descontaminação de rações inoculadas artificialmente com Salmonella spp., quando comparados com outros tipos de produtos químicos.

A utilização de produtos que possuem princípios ativos isolados, assim como os que possuem apenas formaldeído em sua composição, apresentam fatores limitantes, além de menor estabilidade e poder de fixação nas rações para proteção residual contra contaminações cruzadas. É por este motivo que produtos disponíveis à base de formaldeído são associados com ácidos orgânicos (por exemplo, ácido propiônico) e outros compostos, como os terpenos e surfactantes.

Este tipo de combinação tem efeito sinérgico entre seus ativos e permite a utilização com eficiência mesmo em baixas dosagens para a descontaminação das rações além de evitar a corrosão dos equipamentos.

Outra característica importante na elaboração de estratégias para o controle microbiológico é a forma física do produto a ser utilizado, uma vez que aditivos líquidos permitem uma maior dispersabilidade nas rações através de equipamentos exclusivos, eliminando qualquer necessidade de manipulação humana dentro das fábricas (EFSA, 2008). Além disso, conceitualmente esses produtos tem ação por contato e, por isso, precisam ser muito bem distribuídos para o máximo efeito antimicrobiano imediato e proteção residual.

Resultados

Para se avaliar a eficiência dos diferentes princípios ativos, foram realizados uma série de experimentos, destacando-se o efeito bactericida residual de um produto a base de ácido orgânico + formaldeído, aplicado em rações a base de milho e farelo de soja desafiadas com Salmonella Senftenberg (UFC/g) em concentração de 6,26 Log, sendo avaliado em dois períodos de tempo, 06 horas e 24 horas após a inoculação. Desta forma, observou-se que a adição de 2 e 4 Kg/ton foi suficiente para eliminar completamente a contaminação por Salmonella Senftenberg.

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Fonte: O Presente Rural
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