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Eliminar só as moscas adultas não controla infestações nas granjas

Plano integrado inclui a eliminação de larvas para garantir bem-estar animal e mais sanidade nas granjas de aves de todo o Brasil.

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Foto: Arquivo/OP Rural

A presença de insetos incomoda em qualquer lugar. Seja na área urbana em restaurantes, hospitais ou mercados, seja na área rural em fazendas ou granjas, a infestação por moscas atrapalha e preocupa os responsáveis pelo local. Entretanto, além do estresse que gera, a transmissão de doenças é a grande preocupação quando pensamos no controle da infestação desses insetos.

Por sua anatomia, as moscas possuem características no modo de se alimentar que contribuem para a transmissão e carreamento de doenças entre os locais de infestação. Sua alimentação ocorre, de forma geral, em locais com alta carga de matéria orgânica em decomposição. As moscas são atraídas para esses locais através de órgãos do olfato em suas antenas e pousam no momento da alimentação. Já aqui temos o primeiro ponto crítico! Se o local do pouso estiver contaminado com algum microrganismo (vírus, bactérias, helmintos ou protozoário), eles podem ficar aderidos às patas, cerdas do corpo ou na saliva e, dessa forma, a contaminação será levada até o próximo local.

Outro ponto crítico está relacionado com a forma de alimentação desse inseto. As moscas possuem aparelho bucal do tipo lambedor-sugador e para ingestão do alimento, regurgitam sobre o local da alimentação. Assim, as enzimas presentes na saliva começam a digestão do alimento fora do corpo da mosca. Uma vez iniciada a digestão, o alimento passa a ter forma pastosa que facilita sua sucção para dentro do trato digestório da mosca. Após se alimentar, as moscas defecam no local, pois seu trato digestório é pequeno para armazenar uma grande quantidade de alimento. Somando todos esses fatores, o risco de termos uma contaminação trazida por moscas é grande!

E nosso inimigo não se trata apenas das moscas adultas em voo, pois elas representam somente 20% da população total das moscas em um determinado local. Os 80% restantes estão em fases jovens desse inseto na forma de ovo, larva ou pupa que não são tão visíveis.

 

Características reprodutivas

A espécie mais importante é a Musca domestica, ou mosca doméstica, que além de ser muito adaptada ao ambiente é bastante incômoda e pode transmitir mais de uma centena de doenças para o homem ou animais. Uma única mosca adulta é capaz de fazer a oviposição de 75 a 170 ovos por postura e após 30 horas já está apta a se reproduzir novamente. Sendo assim, sabendo ovos 40% larvas 30% pupas 10% adultos 20% que uma mosca vive em média 30 dias, durante toda sua vida podem ser gerados de 1.800 a 4.080 ovos por somente uma mosca.

Depois de depositados, os ovos eclodem no primeiro estágio larval em 24 horas. A fase larval passa por outros dois estágios e dura no total, em média, de 5 a 8 dias. No inverno essa fase pode se estender por várias semanas, pois altas umidades e temperatura favorecem o desenvolvimento e, portanto, locais quentes e úmidos apresentam ciclos mais rápidos.

Ao final do desenvolvimento larval, as larvas buscam um local fora da matéria orgânica onde estavam e se transformam em pupas, quando a camada externa endurece e ocorre a metamorfose para mosca adulta. Esse processo acontece em 4 a 5 dias e, diferente das larvas, as pupas não se alimentam. Essa característica dificulta o controle de mosca nessa fase de vida.

Controle 

Portanto, as únicas fases para realização do controle integrado são quando as moscas estão na forma larval e moscas adultas. As larvas, no primeiro estágio, medem cerca de 2 mm de comprimento e no terceiro, de 10 a 14 mm. Elas, geralmente, ficam agrupadas, são vermiformes, esbranquiçadas, movimentam-se muito, podendo se deslocar por até 50 metros, não gostam de luz e alimentam-se ativamente.

Já as moscas adultas são ativas durante o dia, podendo voar cerca de 1 a 3 km durante um dia todo, porém a noite elas repousam principalmente em superfícies cilíndricas como arames, fios ou barbantes. Essa particularidade é importante no controle desse inseto, pois permite que sejam feitas armadilhas com cordões embebidos em inseticidas, por exemplo.

Sendo assim, o combate às moscas deve ser feito de forma integrada, ou seja, através de medidas de saneamento ambiental que visem minimizar as condições de criatórios desse inseto, como o acondicionamento correto do lixo e descarte de resíduos, armazenamento correto dos alimentos, em sacos bem fechados ou com tampa, manutenção do ambiente sempre limpo e livre de matéria orgânica ou com acúmulo de água.

Além das medidas de manejo ambiental, deve-se atuar de forma mecânica e química para o controle integrado das moscas. Utilizar telamento ou instalação de cortina de ar nas janelas, a fim de restringir o acesso desses insetos em locais críticos, além de utilizar ferramentas de captura dos insetos adultos como as armadilhas, luminosas ou não, é bastante importante.

Já o controle químico deve passar pela redução da população de adultos e pelo tratamento preventivo das fases jovens através de produtos que têm ação em larvas. É extremamente importante quebrar o ciclo de vida das moscas quando queremos um controle efetivo da infestação desses insetos.

Não basta agir apenas na presença da fase adulta, que é também importante, mas a médio e longo prazo queremos diminuir a população total das moscas. O manejo do controle de pragas é, portanto, essencial e deve acontecer de forma constante e monitorada. Para isso, é necessário realizar a avaliação local e, muitas vezes, utilizar mais de uma ferramenta a fim de blindar o local da forma mais efetiva possível. O controle de moscas é difícil e estratégico, para isso, conte sempre com a ajuda de bons profissionais e produtos de qualidade.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: Por Thaiane Kasmanas, coordenadora de Tech Service da Neogen.

Avicultura

Avicultura brasileira projeta produção de 15,8 milhões de toneladas em 2026

Crescimento estimado em 2,3% mantém Brasil entre os maiores produtores globais.

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Fotos: Shutterstock

A avicultura brasileira segue operando em um cenário de desafios, mas mantém desempenho estável diante da demanda interna e externa. A expectativa é de menor espaço para novas quedas nos preços da carne de frango no país, que continua competitiva em relação à carne bovina.

No cenário internacional, a produção de carne de frango da China foi revisada para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa aponta crescimento de 4,8% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, o que deve consolidar o país como o segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos. Já o Brasil deve registrar aumento de 2,3% na produção, chegando a 15,8 milhões de toneladas, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Entre os exportadores, a China também amplia presença no mercado. As exportações do país asiático devem crescer 29% neste ano, atingindo 1,4 milhão de toneladas e superando a Tailândia, ocupando a quarta posição global.

No Brasil, os custos de ração permaneceram controlados, mas a queda nos preços da carne de frango ao longo de março reduziu a margem da atividade no mercado interno. Ainda assim, o setor segue sustentado pela demanda externa, que continua firme mesmo com o aumento dos custos logísticos, influenciados pelo cenário no Golfo Pérsico.

A carne de frango mantém competitividade frente à bovina, principalmente diante da ausência de expectativa de queda nos preços do boi. Com isso, o mercado indica menor espaço para novas reduções nos preços da proteína avícola.

O setor também monitora riscos no cenário internacional, especialmente ligados ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento das exportações brasileiras de frango. Além disso, há atenção em relação à safra de milho, já que a consolidação da safrinha depende das condições climáticas nas próximas semanas, o que pode impactar os custos de produção.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Avicultura

Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária

Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

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Foto: Indea MT

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.

A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.

Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.

“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.

Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos

A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.

Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: Assessoria Seapi
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Avicultura

Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango

Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

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Foto: Shutterstock

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias

O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.

No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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