Avicultura Nutrição
Consultor enumera problemas que afetam saúde intestinal das aves
De acordo com consultor avícola, a saúde intestinal das aves tem tudo a ver com o melhor desempenho delas, especialmente nos resultados finais que elas terão

A saúde intestinal das aves é um assunto que vem sendo muito debatido no setor. Isso por conta da sua importância em todo o processo produtivo, uma vez que se ela for afetada todos os resultados que poderiam ser obtidos com a ave diminuem. Para esclarecer alguns fatos sobre este assunto o consultor avícola Antonio de Castro abordou o assunto durante o 13º Encontro MercoLac de Avicultura, que aconteceu em setembro, em Cascavel, PR.
Segundo o estudioso, o sistema digestivo das aves é um dos mais importantes no que se refere à absorção de nutrientes. “Ele é um grande secretor de imunoglobulinas. As vacinas vivas somente funcionam em função do tecido linfócito que existe ali no intestino”, afirma. Castro diz ser fundamental manter a saúde intestinal a ave em dia para que ela consiga aproveitar todo o potencial que a genética pode oferecer.
O profissional explica que ao longo dos anos o trato gastrointestinal foi ganhando mais importância e a atenção dos envolvidos no setor produtivo. “Em 1984 já diziam que este é um dos sistemas mais importantes, onde qualquer injuria, qualquer pressão que ele sofre, compromete toda a saúde da ave. E naquele tempo nem se sabia de toda a importância do ponto de vista imune do sistema digestório para as aves”, comenta. Já em 2002 diziam que as funções digestivas constituem as funções mais importantes para o desempenho zootécnico das aves. “Com o passar do tempo fomos nos aprofundando com relação às questões de importância de saúde intestinal”, diz.
Castro mostrou alguns fatores não infecciosos que contribuem para perda da saúde intestinal e a integridade perdida, como um agente tóxico ou manejo inadequado, por exemplo. “Costumo dizer que o maior contato externo e interno é exatamente o trato digestório das aves onde faz com que a gente passe a dar mais atenção a esse sistema”, comenta.
Adaptar para avicultura moderna
O profissional explica que o manejo, principalmente nas primeiras semanas de vida, tem uma importância muito grande no desenvolvimento do trato gastrointestinal. Além disso, de acordo com ele, é o sistema gastrointestinal que permite tirar todo o potencial da ave, com ganho de mais de 70 gramas ao dia. “Porque a genética nos oferece esse grande desenvolvimento. E, a cada dia que passa, o sistema digestório vem merecendo mais importância no critério de avicultura que nos desafia diariamente”, diz.
Outro fator de importância do sistema digestório é quanto como a genética também tem exigido esse cuidado. “Ao longo dos anos tivemos este melhoramento, o setor exige o rendimento. Mas com isso surgiu o peito amadeirado e uma série de questões. Então, se você não tiver um sistema digestório e respiratório imune você não tem a síntese proteica necessária, e consequentemente perde rendimento”, alerta.
Dessa forma, Castro reitera que para o setor conseguir explorar todo o potencial genético da ave, é preciso ter qualidade intestinal. “O alimento deve ser absorvido lentamente para uma boa conversão, rendimento e um bom peito”, frisa.
Manejo nas primeiras semanas é essencial
Segundo Castro, é importante que logo na primeira semana, quando o produtor recebe o pintinho ele já estimule o consumo inicial. “As aves precisam de estímulo, conforto térmico. E para que? Para desenvolver o trato digestivo”, esclarece. Ele ainda comenta sobre como alimentos sólidos são fundamentais para o bom desenvolvimento das aves. “Esse animal, quanto mais cedo e rápido tiver acesso à água e ração, vai desenvolver exatamente essa riqueza que são as vilosidades intestinais no primeiro dia. Temos que fazer isso, porque o trato digestivo na primeira semana cresce cinco vezes mais se comparado com outros órgãos. Tem também uma maior profundidade, e conseguimos isso justamente nos primeiros 12 dias, e se tem profundidade tem absorção”, afirma.
O consultor explica que a cada 10 gramas a mais ou menos no sétimo dia de vida do pintinho representa, nas contas dele, 50 a 70 gramas no resultado final. “Por isso é tão importante o manejo inicial. Embora ele represente apena 10% na vida da ave, ele é responsável por mais de 80% dos resultados de um frango”, conta. Castro esclarece que ter perda na saúde intestinal do animal significa prejuízo. “O que mais custa hoje é conversão alimentar e perda de peso. Cada vez mais a agricultura competitiva não tem espaço para perdas no ponto de vista de piora da saúde intestinal”, insiste.
Cuidados essenciais
O consultor explica que algumas doenças afetam o trato gastrointestinal, como o clostridium, por exemplo. “De certa forma temos que entender que o nosso comportamento hoje decide se teremos aves saudáveis ou doentes amanhã”, afirma. Outro ponto destacado por ele, é que na avicultura moderna o que se busca é o equilíbrio. “Ou seja, o produto secretado tem que ser igual ao absorvido. Toda vez que há essa descompensação temos o que chamamos de diarreia, e diarreia é sinônimo de prejuízo”, diz.
Castro informa que são inúmeros os fatores de perda de saúde intestinal. “Temos aqui infecciosa, bactéria, coccdiose, viral, questão da qualidade da matéria prima, manejo. Tudo isso prejudicando a saúde intestinal da nossa ave”, esclarece. Segundo ele, as aves são muito resistentes porque elas são submetidas a vários desafios. “Começa pela qualidade da matéria prima e da cama. O melhor antibiótico de uma ave é a qualidade da cama. É preciso ainda dar atenção para as fezes e para a incidência de clostridio”, comenta.
Para ele, outros fatores fundamentais para uma melhor saúde intestina é o controle de qualidade dos ingredientes, enfermidades entéricas, aditivos que favoreçam a preservação dos enterócitos, qualidade da cama, ácidos orgânicos e essenciais, enzimas e controle de doenças entéricas. “Não vamos conseguir fazer um frango bom e com todo o potencial genético que ele está sendo desenvolvido se não tivermos qualidade intestinal. É preciso dar importância para este fator, ter um programa de vigilância com ênfase na qualidade intestinal”, sustenta.
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Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.
Avicultura
Por que a vacina não resolve sozinha o controle da Salmonella na avicultura
Imunização reduz multiplicação do agente, mas não impede infecção nas granjas brasileiras.

A utilização de vacinas no controle da Salmonella na avicultura ainda enfrenta um problema recorrente: expectativa equivocada sobre o que, de fato, elas entregam no campo. A avaliação foi apresentada durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR), ao discutir o papel real da imunização dentro dos programas sanitários.
Segundo a palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka, o primeiro ponto que precisa ser ajustado é conceitual: a Salmonella não é eliminada – é controlada. “A gente não vai eliminar Salmonella. A gente tem que controlar Salmonella, que é bem diferente”, afirmou.
A explicação está na própria biologia do agente. A bactéria possui múltiplos hospedeiros e capacidade de permanência no ambiente produtivo, o que inviabiliza a erradicação completa dentro dos sistemas intensivos.
Vacina não impede infecção

Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural
Um dos pontos centrais da apresentação foi a limitação funcional das vacinas. Diferentemente do que parte do setor ainda presume, elas não atuam como barreira absoluta contra a entrada do agente. “A vacina não é um campo de força. Ela não protege contra a infecção”, destacou.
Na prática, o efeito esperado é outro: reduzir a multiplicação da bactéria no organismo e, com isso, diminuir a pressão de infecção ao longo do sistema. “A vacina diminui a taxa de multiplicação do agente, melhora a defesa do organismo”, explicou. Esse efeito é suficiente para reduzir a ocorrência de sinais clínicos e contribuir para manter a bactéria em níveis baixos – muitas vezes não detectáveis -, mas não impede que a ave entre em contato com o patógeno.
Ferramenta dentro de um sistema, não solução isolada
A consequência direta dessa limitação é clara: a vacina não pode ser tratada como solução única. “Ela não deve ser usada sozinha. É mais uma ferramenta dentro de um programa de controle”, afirmou. Para a palestrante, o controle efetivo depende da combinação de fatores: biosseguridade, manejo, controle ambiental, qualidade intestinal e capacitação das equipes.
A vacina atua sobre um ponto específico: a dinâmica de multiplicação da bactéria dentro do hospedeiro.
Quebra-cabeça sanitário exige integração

Palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka: “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”
Durante a apresentação, o controle da Salmonella foi descrito como um sistema de múltiplas camadas, em que cada ferramenta cumpre uma função distinta. “A gente tem um quebra-cabeça. Não é uma bala de prata, não é milagre”, afirmou. Nesse modelo, o manejo reduz a pressão ambiental, a biosseguridade controla a entrada, a vacinação reduz a multiplicação e a microbiota intestinal atua na competição.
E há um elemento transversal: as pessoas. “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”, alertou. Mesmo com tecnologia disponível, falhas operacionais comprometem diretamente a eficácia das vacinas. “A vacina só funciona se for utilizada da maneira correta”, afirmou.
Entre os erros ainda comuns, Eva Hunka citou “dose inadequada, falhas de aplicação, manejo incorreto, uso fora do momento ideal”. A consequência é uma percepção equivocada de ineficiência, quando, na prática, o problema está na execução. “Qualquer produto para a saúde animal precisa respeitar momento de uso, dose, via de aplicação”, destacou.
Sanidade de precisão
Ao final, a especialista chamou atenção para uma lacuna recorrente no setor: enquanto áreas como nutrição e ambiência avançaram para modelos de precisão, a sanidade ainda opera, muitas vezes, de forma menos estruturada. No caso da Salmonella, isso significa abandonar soluções isoladas e trabalhar com estratégias coordenadas – em que a vacina é uma peça relevante, mas nunca suficiente sozinha.



