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Suínos / Peixes Planejamento

Avaliação multifatorial pode embasar mudanças dentro da granja

Professor doutor Caio Abércio da Silva falou sobre avaliação multifatorial dos índices reprodutivos de granjas brasileiras durante o Sinsui

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Arquivo/OP Rural

Avaliar conjuntamente quais fatores de produção, quer sejam eles de caráter genético, alimentar, nutricional, ambiental, sanitário ou de manejo, estão produzindo os índices zootécnicos é uma forma do produtor perceber como está o funcionamento da granja. Uma avaliação simples, mas que pode fazer toda a diferença na propriedade, é o assunto que o médico veterinário e professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), doutor Caio Abércio da Silva, explica durante o 12° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu em maio, em Porto Alegre, RS. Ele aborda a “Avaliação multifatorial dos índices reprodutivos de granjas brasileiras”.

O profissional explica que o estudo visa, também, identificar o quanto cada um dos fatores como genética, nutrição, sanidade ou manejo tem implicações nos índices zootécnicos. “Ou seja, se o manejo de castração do leitão na maternidade tem impacto no peso dos leitões desmamados/matriz/ano, e o quanto seria este impacto em quilogramas”, informa.

O professor explica que para a obtenção dos resultados que serão apresentados foi desenvolvida uma pesquisa com foco nos setores de pré-gestação, gestação e lactação. “Os principais índices zootécnicos que escolhemos representam um valor das ações associadas nestas três fases. São vários os índices que se obtêm, mas focamos naqueles que mais pesam ou de forma ampla mais representam o que um setor reprodutivo da granja busca, especialmente considerando o impacto econômico que determinam”, conta. Ele diz que dessa forma foi destacado o peso médio do leitão ao desmame, peso de leitões desmamados/matriz/ano e a conversão alimentar da matriz no ano, sendo representada pelo quilograma de ração consumida para desmamar um quilo de leitão.

Silva esclarece que o procedimento envolve primeiro um levantamento bem amplo de granjas de diferentes características, localizadas em diferentes regiões do país, e de seus índices reprodutivos e características, como manejos praticados, doenças verificadas, tipos de alojamentos e equipamentos, níveis nutricionais das rações e manejos alimentares empregados, tipo e número de mão-de-obra, etc. “Posteriormente estes dados são avaliados individualmente frente a cada índice zootécnico escolhido para verificar se há alguma relação efetiva com estes (provados por meio de equações matemáticas)”, diz.

O especialista expõe que uma vez identificados, foram selecionados os fatores de produção que tiveram relação com o índice e estes forma novamente avaliados, da mesma forma que anteriormente, mas agora de maneira conjunta, ou seja, com todos os fatores que influenciaram um determinado índice zootécnico. “Finalmente poderemos verificar, novamente por equações matemáticas, que fatores permanecem influenciando um determinado índice zootécnico e o quanto o afeta. Neste caso há fatores de produção que, se presentes, são sinérgicos, favorecendo o índice, mas há aqueles que são também negativos. Assim temos um valor final para um índice zootécnico que avaliamos”, afirma. Ele complementa que o processo é uma ferramenta de avaliação qualitativa e quantitativa conjunta dos fatores de produção sobre os índices zootécnicos.

Segundo Silva, o processo é um diagnóstico da realidade de granjas que representam o setor no Brasil. “Assim, ele pode apontar como um produtor ou empresa se identifica frente a este reconhecimento. Também pode indicar como e quanto eu poderia melhorar os índices zootécnicos que obtenho se realizasse as orientações embasadas pelo diagnóstico”, indica.

Resultados que ajudam

O professor destaca que os resultados correspondem a uma excelente ferramenta para técnicos e produtores, já que a presença ou ausência de uma ou mais desses fatores nas granjas (voltando ao exemplo da castração do leitão, se deve ser castrado ou não), ou de sua participação maior ou menor (por exemplo, relação de funcionário por matriz), podem apontar o status da granja, ou seja, é possível o produtor identificar em qual nível a granja se encaixa. “Ou ainda, o que eu posso fazer para torná-la melhor diante da possibilidade de, frente a um diagnóstico, adotar medidas boas ou corrigir ou excluir fatores de produção ruins observados”, conta.

Silva explica que com base no diagnóstico do que pode ser melhorado o produtor tem que avaliar o custo benefício desta decisão. “Há coisas que não valem a pena e há outras que são simples e têm grandes repercussões financeiras. Sendo uma ferramenta, a decisão, que cabe ao produtor e ao técnico, poderá ser mais acertada”, comenta.

Segundo o especialista, é importante levar em conta que os resultados envolvem muitas granjas e muitos dados. “Foram avaliados aproximadamente 8,5% do plantel de matrizes do Brasil (em torno de 140 mil matrizes) ao longo de um ano. Isto totaliza em torno de 4 milhões de leitões. Ou seja, o trabalho tem grande representatividade e os dados, confiança”, diz. Dessa forma, conta, o que é necessário considerar que é preciso renovar esta validação em determinados períodos de tempo, já que os índices mudam e as características das granjas (fatores de produção), embora numa velocidade menor, também.

Silva garante que esta técnica é perfeitamente possível de ser aplicada em qualquer agroindústria ou associação, com dados que podem ser específicos para uma determinada realidade.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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1 Comentário

1 Comentário

  1. Milton Dotti

    27 de julho de 2019 em 08:06

    Bom dia
    Gostaria de mais sobre o assunto. A reportagem tem texto bem preparado, mas o realmente o doutor quiz dizer? Onde devemos atuar? Todo suinocultor sabe que mao de obra, genética, nutrição, instalações são pontos chaves de uma produção. Obrigado

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Suínos / Peixes Nutrição

Gestão de micotoxinas: reduzindo o risco em todo o processo produtivo

Contaminações por micotoxinas representam um alto risco para a saúde dos animais e a lucratividade da produção

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Sara Antunes, médica veterinária, especialista em sanidade de suínos e em agrogestão e gerente de vendas para suinocultura da Alltech

As evoluções tecnológicas do setor agrícola têm colaborado diretamente no incremento da produtividade e qualidade dos grãos, mas ainda assim podem ser encontrados problemas sérios na armazenagem e na conservação da produção, proporcionando o surgimento de fungos, que encontram substratos altamente nutritivos para seu desenvolvimento em cereais e grãos. Principalmente no Brasil, que possui clima subtropical, o crescimento e a sobrevivência fúngica nas fontes alimentícias são favorecidos por condições de umidade e temperatura ideais para a sua propagação, que ocorre desde os processos de maturação e colheita até as fases de transporte e armazenamento.

Essa contaminação causa degradações que resultam em grãos ardidos, redução de níveis nutricionais, fermentação, alteração da palatabilidade, e por fim, na produção de micotoxinas, colocando em risco a segurança alimentar e, consequentemente, a saúde dos animais.

Os gêneros de fungos produtores de micotoxinas mais estudados e conhecidos por causarem os maiores transtornos à produção animal são os Aspergillus, Fusarium, Penicillium e Claviceps. Os fungos Fusarium surgem principalmente no campo e atacam as plantas já antes da colheita. Desse gênero, as principais micotoxinas produzidas são: Zearalenona, Fumonisina e Tricotecenos. Já os dos gêneros Penicillium e Aspergillus afetam grãos armazenados e produzem Ocratoxinas e Aflatoxinas, respectivamente.

Contaminações por micotoxinas são um problema frequente, pois elas contaminam as rações que serão fornecidas aos animais, representando um alto risco para a saúde dos animais e a lucratividade da produção. De modo geral, as micotoxinas podem trazer alguns transtornos como: diminuição do consumo de ração, interferência na imunidade, danos intestinais e hepáticos, queda no desempenho reprodutivo e produtivo, bem como o aumento da mortalidade.

É comum encontrarmos diferentes tipos de micotoxinas na mesma ração, e por haver comprovadamente a ação sinérgica entre elas, mesmo em níveis mais baixos, trazem alto impacto à saúde animal. Essas interações refletem diretamente em um aumento da toxicidade e na potencialização do aparecimento de sinais clínicos na produção.

Detecção

Um ponto curioso, porém preocupante, é o fato de que as plantas contaminadas por micotoxinas conseguem desenvolver mecanismos de autodefesa que permitem às plantas se desenvolverem sem qualquer sintoma aparente. Isso ocorre por meio da formação de ligações covalentes das micotoxinas com alguns açúcares. Neste caso, a dificuldade na detecção e diagnóstico de contaminação por micotoxinas é maior, pois essas ligações fazem com que os métodos convencionais de análise como HPLC (cromatografia líquida de alta eficiência) e Elisa (ensaio de imunoabsorção enzimática) não detectem essas micotoxinas, mascarando o risco iminente.

Durante o processo digestivo do animal, as ligações que até então protegiam as plantas das micotoxinas são desfeitas, fazendo com que as micotoxinas impactem negativamente na saúde e desempenho animal. A presença de micotoxinas mascaradas no alimento pode levar a uma subestimação do nível real de micotoxina em até 88%. Isso poderia explicar porque um alimento pode apresentar baixos níveis de contaminação, ainda que cause sérios problemas na produção.

Por todas essas razões, as micotoxinas representam um risco quase que inevitável no sistema produtivo. Elas já estão presentes em 25% do volume total de grãos a nível mundial, gerando uma perda de aproximadamente um bilhão de dólares por ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Um fator indispensável de se considerar é que no sistema de produção de aves e suínos atualmente, o investimento com a alimentação atinge 80% do custo total da produção animal. Dessa forma, torna-se de extrema importância o processo de gerenciamento de risco de micotoxinas, fazendo com que esse alimento ofertado tenha qualidade, para que possa trazer o retorno esperado na produção.

Por meio de ferramentas analíticas que nos auxiliam na detecção de qual ponto do processo esta contaminação está ocorrendo, podemos conhecer a extensão do problema e, posteriormente, determinar as corretas tomadas de decisões.

Fases

Medidas profiláticas podem ser adotadas já no cultivo e no manejo dos grãos para que inviabilizem a produção fúngica, como colheita no momento certo, secagem a temperaturas adequadas e armazenamento correto.

Sendo a contaminação detectada a nível de armazéns e silos, a implantação de boas práticas de armazenagem, associadas a soluções antifúngicas, são importantes para que esse processo seja estagnado, evitando aumento no nível de contaminação nos estágios subsequentes. O tratamento dos grãos com ácidos orgânicos inibe o crescimento fúngico, mantendo o grão em condições ideais para uso, evitando perdas nutricionais e futura produção de micotoxina.

Além do crescimento fúngico que ocorre a campo e durante a armazenagem, há a etapa nas fábricas de rações.  Neste caso, podemos trabalhar com um programa de controle de pontos críticos, com base na Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), que tem como objetivo identificar os riscos de contaminação por fungos e micotoxinas a nível de armazéns cerealistas, fábricas de rações e até nas granjas, e a partir daí criar um plano para minimizar riscos para os animais.

Controle

Uma ferramenta mais precisa que temos à disposição hoje é a Técnica de Espectrometria de Massa – UPLC-MS 2 -, que permite analisar amostras em menos de 15 minutos, quantificando o nível de contaminação em ppt (partes por trilhão) de mais de 37 micotoxinas.

A partir deste processo de análise, o uso de adsorventes de micotoxinas torna-se extremamente importante para reduzir o risco e melhorar a rentabilidade do sistema de produção. Ao ser acrescentado na dieta, a tecnologia atua como agente sequestrante – evitando que o intestino dos animais absorva as substâncias. Diversas pesquisas têm demonstrado que tecnologias à base de glucanos extraídos da parede de leveduras com carboidratos funcionais oriundos das algas, são ferramentas eficientes na adsorção de micotoxinas.

O surgimento de micotoxinas pode ser inevitável, mas o controle delas já está nas mãos do produtor, que ao investir em um programa de gestão de micotoxinas de qualidade, com respaldo científico, poderá riscar as micotoxinas da sua lista de preocupações.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Dietas

Mananoligossacarídeos – MOS: modo de ação e benefícios na produção animal

Além de auxiliar na prevenção de ocorrência de determinadas enfermidades, o MOS atua na modulação da microbiota intestinal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eliana Dantas, médica veterinária, PhD e gerente técnico Global para Monogástricos da Biorigin

A inclusão de aditivos nutricionais nas dietas dos animais de produção é uma prática comum e observada globalmente, pois os aditivos têm se mostrado como uma ferramenta útil na prevenção de desordens intestinais, na melhora da saúde intestinal e na melhora das respostas de defesa dos animais.

Com a expansão global da restrição ao uso de antibióticos como promotores de crescimento, muitas alternativas têm sido estudadas e muitas são as ofertas ao mercado de produtos funcionais que, dentro de um programa sanitário e de melhorias no manejo, buscam manter o bem-estar e o desempenho animal. Neste contexto, para que o produtor possa fazer uma escolha assertiva, faz-se necessário o entendimento adequado do modo de ação específico dos diferentes aditivos e similares e a compreensão das melhores formas de aplicação, considerando principalmente as possíveis combinações de produtos e os resultados esperados de acordo com a fase de produção e os seus principais desafios.

Entre as alternativas estão os produtos prebióticos. Prebióticos são ingredientes alimentares que não são digeridos na porção proximal do trato gastrintestinal de animais monogástricos e são benéficos ao hospedeiro por estimular, seletivamente, o crescimento e/ou atividade de um limitado número de microrganismos no cólon, os quais proporcionam um ambiente intestinal saudável.

Derivados da levedura Saccharomyces cerevisiae possuem ação prebiótica e os mananoligossacarídeos (MOS) são empregados há tempos na alimentação animal, com diversos benefícios comprovados.

O MOS é parte integrante da parede da levedura e apresenta como forma de ação a capacidade de aglutinar bactérias Gram-negativas que contém fímbria tipo 1, modular a flora intestinal por servir de substrato para o crescimento de bactérias benéficas, adsorver algumas micotoxinas e tem capacidade de estimular alguns parâmetros da função imune intestinal. A capacidade de adsorção das bactérias patogênicas se dá através da ação das mananas (polímero de manose) que atuam como ligantes de alta afinidade para receptores manose-específicos presentes em fímbrias tipo 1. Com esta ligação, o patógeno não se adere à mucosa intestinal, sendo expelido através das fezes, sem que ocorra a infecção, mantendo-se assim a saúde e o desempenho animal.

A mesma prevenção ocorre em casos de intoxicação por micotoxinas, já que o MOS é capaz de se ligar seletivamente e inativar determinadas micotoxinas no lúmen intestinal. Além de auxiliar na prevenção de ocorrência de determinadas enfermidades, o MOS atua na modulação da microbiota intestinal favorecendo a proliferação de bactérias benéficas, especialmente Lactobacillus e Bifidobacterium, as quais fermentam o MOS para sua nutrição e neste processo há a produção de ácidos graxos de cadeia curta que servem de fonte energética aos enterócitos, e ainda há a redução do pH do meio, o que torna o ambiente desfavorável ao desenvolvimento de determinadas bactérias patogênicas, resultando em proteção e integridade intestinal.

Estudos recentes

Por fim, estudo recente comprovou a ação do MOS no fortalecimento da imunidade intestinal de animais infectados experimentalmente com Escherichia coli, através do aumento da produção de anticorpos anti-E. coli e aumento da produção das citocinas IL-1, IL-6, IL-10 e TNF-α.

Tendo a microbiota do trato digestivo ação significativa no estado sanitário dos animais e sendo a imunidade local de extrema importância para a proteção animal, o emprego do MOS na dieta representa uma ferramenta útil na manutenção da saúde intestinal e no combate aos desafios de campo, favorecendo ao final os índices zootécnicos e produtivos, reduzindo a dependência aos antibióticos.

Com o objetivo de avaliar os efeitos benéficos da inclusão mananas de alta solubilidade na dieta de leitões desmamados, realizou-se um estudo com desafio experimental com Escherichia coli K88 que avaliou o desempenho animal e a saúde intestinal na Universidade de Minnesota. O processo de produção deste aditivo torna a camada de mananas mais solúvel, o que eleva sua atividade e expõe parcialmente a camada de glucanas, responsáveis por modular a resposta imune sistêmica, potencializando assim o efeito prebiótico deste produto, quando comparado ao MOS padrão.

Neste estudo fez-se a inclusão de 0,1% do aditivo comercial na dieta dos leitões durante os primeiros 11 dias pós-desmame. Os resultados desta inclusão foram comparados aos dos animais desafiados e não suplementados com o aditivo prebiótico. Como resultado desta inclusão do aditivo na dieta dos leitões houve maior ganho de peso total pelos leitões (P=0,002) e maior ganho de peso diário (P=0,02) e melhora na conversão alimentar (P=0,01). Observou-se ainda maior proliferação celular nos tecidos linfoides de íleo e linfonodo mesentérico dos animais tratados, indicando a ação do produto na modulação do sistema imune. Houve também maior produção de ácidos graxos voláteis de cadeia curta e vilosidades intestinais maiores, demonstrando a influência positiva do aditivo na mucosa intestinal.

Poder de aglutinação 

Estes resultados evidenciam o poder de aglutinação da E. coli pela levedura Saccharomyces cerevisiae e seu efeito positivo na saúde intestinal, na proteção e no desempenho dos animais.

Todos estes benefícios comprovam a importância do emprego de MOS de alta qualidade na dieta dos animais de produção na promoção da saúde e desempenho, na função imune e no fortalecimento da barreira intestinal. Também, comprova-se a importância de seu emprego nos programas de redução no uso de antibióticos, ressaltando que, em relação aos antibióticos promotores de crescimento, o MOS e outros derivados da levedura Saccharomyces cerevisiae não exigem período de carência, não possuem efeito residual e não induzem mutação ou resistência bacteriana.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Pesquisas indicam benefícios de minerais orgânicos na nutrição de suínos

Minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe técnica da Yes, Verônica Lisboa Santos, Juliana Bueno da Silva, Fabiana Golin Luiggi e Carlos Ronchi

A evolução das técnicas de criação tem possibilitado melhores índices de desempenhos produtivo e reprodutivo dos suínos, permitindo aos nutricionistas formularem dietas cada vez mais específicas, de modo a atender, com maior precisão, as exigências dos animais. Os minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos. Entretanto, as variações na biodisponibilidade destes, as ações de sinergismo ou antagonismo existentes entre estes elementos e os problemas ambientais cada vez mais crescentes com o uso de fontes inorgânicas nas rações de suínos têm alertado pesquisadores a buscar alternativas que resultem em menor excreção pelos animais. A formulação de dietas com níveis de microminerais que excedem as recomendações nutricionais tem sido muito utilizada nas granjas de suínos. O excesso empregado, entretanto, acarreta maior excreção desses elementos devido ao mecanismo homeostático dos tecidos, além de poder causar efeitos prejudiciais, como diarreias e desequilíbrios, que podem levar a redução da biodisponibilidade de outros minerais, sem melhora em sua concentração.

Neste sentido, um aspecto a ser considerado sobre suplementação mineral diz respeito ao uso de minerais na forma orgânica, cuja estrutura molecular permite absorção diferenciada, garantindo o seu melhor aproveitamento.

Os minerais quelatados são íons metálicos ligados quimicamente a uma molécula orgânica, formando estruturas com características únicas de estabilidade e de alta biodisponibilidade mineral. Eles são mais facilmente absorvidos, mais passíveis de propiciar um melhor desempenho, qualidade de carcaça, além de serem altamente disponíveis aos animais. Foram estabelecidas as seguintes definições de elementos traços orgânicos.

  • Quelato metal-aminoácido: produto resultante da reação de um sal metálico solúvel com aminoácidos na proporção molar, isto é, um mol do metal para um a três moles (preferencialmente dois) de aminoácidos na forma de ligação covalente coordenada. O peso molecular médio dos aminoácidos hidrolisados pode ser, aproximadamente, de 150 dáltons e o peso molecular resultante do quelato não deve exceder a 800 dáltons;
  • Complexo aminoácido-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com aminoácido(s);
  • Complexo aminoácido específico-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com um aminoácido específico;
  • Metal proteinato: produto resultante da quelação de um sal solúvel com uma proteína parcialmente hidrolisada;
  • Complexo metal-polissacarídeo: produto resultante da complexação de um sal solúvel com polissacarídeo.

Interferências 

Na prática, não basta apenas realizar um aporte de minerais sem considerar os distintos fatores que vão influenciar sua absorção e, portanto, utilização no organismo. Existem diversas circunstâncias que vão atuar sobre a eficiência com a qual um mineral é absorvido:

Interações entre minerais

Formação de precipitados insolúveis quando dois ou mais cátions competem pelo mesmo ânion. Este é o caso do ácido fítico, pois quando um sal solúvel é ionizado no intestino, o cátion pode ser sequestrado por ele, formando fitatos, que são sais estáveis e insolúveis, o que os torna não absorvíveis. Esta reação ocorre, sobretudo, com Ca, Zn e Fe. Por outro lado, pode ocorrer que quando a molécula ligante não esteja presente em excesso, a suplementação de um elemento pode aumentar a disponibilidade de outro ao reduzir-se suas possibilidades para formar complexos.

Competição entre cátions pela mesma proteína de transporte, para passar a parede intestinal. Um exemplo deste fenômeno ocorre entre o Fe e Cu, que são antagonistas, competindo pela transferina (o Cu tem preferência de união, o que pode diminuir a absorção de Fe).

Os processos enzimáticos essenciais podem ser bloqueados pela troca de um co-fator metálico por um metal inativo.

Quando um metal que forma parte de uma metaloenzima é substituído por outro, a atividade enzimática pode bloquear, acelerar ou não variar.

Quando há um aporte excessivo de um metal, não somente há uma menor absorção intestinal sendo que também há uma re-excreção no lúmen intestinal do excesso de metal, o que pode acarretar excreção de outros metais durante o processo.

Mesmo que em termos teóricos estas interações sejam consideradas de forma isolada, geralmente se produzem simultânea ou consecutivamente mais de um processo no organismo animal.

Interações entre vitaminas e minerais

As vitaminas também podem interferir na absorção intestinal de minerais tal como o caso do aumento na absorção de Fe causado pela vitamina C, ou a necessidade de vitamina D para absorção do Ca através do intestino. Isto se complica mais se considerarmos as interações entre vitaminas (p. ex., um excesso de niacina pode deprimir a vitamina D e interferir, portanto, na assimilação e uso do Ca).

Interações entre minerais e gorduras

Estas interações podem influir na biodisponibilidade deste mineral no organismo. Um exemplo é a inter-relação existente entre os microminerais e os ácidos graxos, formando sabões insolúveis no trato digestivo

Interações entre fibras e minerais

Diversos estudos têm demonstrado que a presença de fibra não digestível interfere e diminui a absorção de grande parte dos minerais.

Interferência pH-Minerais

O pH intestinal tem grande influência sobre a absorção mineral já que, em geral, pHs alcalinos diminuem a absorção (exceto dos metais alcalinos) e os cátions tendem a formar precipitados insolúveis quando o pH é elevado.

Biodisponibilidade

A biodisponibilidade é definida como o grau que um nutriente ingerido é absorvido de maneira que possa ser utilizado no metabolismo do animal. Esta definição determina que o mineral deva estar disponível não somente em nível dietético, mas também em nível do tecido. O conhecimento sobre a biodisponibilidade dos minerais nos ingredientes e fontes suplementares é importante para a formulação econômica de uma ração para garantir ótimo desempenho animal. Devido a sua maior biodisponibilidade, os minerais quelatados podem substituir as fontes inorgânicas em níveis mais baixos, enquanto que o desempenho é mantido ou mesmo melhorado, possibilitando, ainda, redução nos índices de contaminação ambiental.

Pesquisas

Ferro orgânico na dieta de leitões durante o período de creche

Pesquisador responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) no desempenho produtivo de leitões na fase de creche, foram utilizadas 64 matrizes (a partir do último terço de gestação) e seus leitões (até a saída da creche, com 63 dias de idade), distribuídas em dois tratamentos, sendo:

T1: Matriz: ração com ferro inorgânico; Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável

T2: Matriz com ferro inorgânico + ferro orgânico (1kg/tonelada); Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável + ferro orgânico (1kg/tonelada).

Resultados e conclusão

A suplementação com Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) proporcionou melhores índices de desempenho produtivo à leitegada, quando suplementados no período de creche em comparação à leitegada sem suplementação.

Ferro orgânico na alimentação de leitoas lactentes

Pesquisador Responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) na dieta de porcas em gestação, 64 fêmeas Topigs®, foram distribuídas em 2 tratamentos com 32 repetições (cada porca e sua leitegada foi considerada uma unidade experimental). Os leitões receberam ração pré-inicial dos 8 aos 21 dias de idade (desmame).

Tratamentos experimentais:

T1: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg).

T2: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg aos 3 dias de idade). Porcas em gestação (>84 dias) e os leitões receberam, ainda, ferro na forma orgânica (150mg/kg de ração).

Resultados e conclusão

Mais ferro no leite

O uso de ferro orgânico na dieta das porcas a partir do 84ª dia de gestação até o final da lactação aumentou o teor de ferro no leite.

O maior teor de ferro no leite e a dose adicional de ferro orgânico na dieta dos leitões, provavelmente, contribuíram para o seu melhor desempenho zootécnico.

Considerações finais

Os minerais orgânicos passaram a ser usados no Brasil na década de 70 e ainda são poucas as empresas que apresentam grande variedade destes em seu portfólio. Por terem absorção próxima aos 100%, os quelatos permitem reduzir os requerimentos dietéticos de minerais dos animais. As dietas com suplementação destes têm como intuito atender, de forma eficiente, às recomendações produtivas e reprodutivas dos lotes e transferir os efeitos positivos sobre a qualidade da progênie.

O suprimento das exigências de minerais associados ao fornecimento adequado de energia, proteína e vitaminas e boas práticas de manejo sanitário é fundamental para se conseguir o máximo desempenho animal. A suplementação mineral depende não somente do conteúdo de minerais em um suplemento, mas também da capacidade de absorção e utilização dos mesmos pelos animais, sendo este fato de suma importância para a manutenção do equilíbrio homeostático e para o aumento do desempenho zootécnico dos suínos. Neste contexto, os minerais orgânicos são mais eficientes quando comparados com os minerais inorgânicos por apresentarem maior absorção, maior capacidade de retenção no organismo e maior capacidade de promover efeitos na mineralização.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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