Avicultura
ABPA apresenta projeções positivas para a avicultura brasileira
O ano de 2023 deve ser marcado por novos aumentos na produção e na presença internacional da avicultura brasileira.

Por meio de uma coletiva de imprensa, realizada no dia 16 de agosto, na sede da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em São Paulo, SP, o presidente da entidade, Ricardo Santin, expôs as projeções da produção e das exportações de aves e de ovos do Brasil. Conforme a apresentação, o ano de 2023 deve ser marcado por novos aumentos na produção e na presença internacional da avicultura brasileira.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin – Foto: Mario Castello/ABPA
O presidente Santin iniciou a exibição enaltecendo que o Brasil continua livre de Influenza Aviária nos plantéis comerciais, pois até o momento foram registrados apenas casos em aves silvestres e de fundo de quintal. “É importante frisarmos isso e também continuarmos atuando de forma preventiva, mantendo uma boa biossegurança e biosseguridade nas granjas”, mencionou.
Neste ano a disponibilidade de produtos no mercado interno deverá alcançar 9,85 milhões de toneladas, volume 1,5% superior às 9,70 milhões de toneladas registradas em 2022. Com isto, o consumo per capita de carne de frango deverá ficar em 46 quilos neste ano, o que corresponde a um aumento de 1,5%, ante aos 45,2 quilos per capita registrados no ano passado.
Pela primeira vez na história o setor deverá superar a barreira de 5 milhões de toneladas exportadas, se confirmadas as projeções da ABPA. Neste ano, a expectativa da entidade é de embarques totais de 5,20 milhões de toneladas, volume 8% superior aos embarques registrados em 2022, com 4,82 milhões de toneladas.
Conjuntura econômica
O presidente Santin explanou a respeito do panorama econômico do Brasil, evidenciando que o primeiro semestre de 2023 foi marcado por uma boa cotação do dólar, o que favoreceu as exportações brasileiras, pois propiciou que o país mantivesse uma boa competividade com relação aos preços. “A estabilidade do dólar deve manter a competitividade para as exportações brasileiras neste segundo semestre. Isso é muito benéfico e importante para o nosso setor”, avaliou.

Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Com relação aos dados que mostram um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), bem como a diminuição da taxa Selic, que deve propiciar condições melhores para empréstimos financeiros, o presidente destacou que este cenário deve favorecer ainda mais o mercado de aves para o ano de 2024.
No que diz respeito a queda no consumo no início deste ano, ele apontou que os números inferiores estão relacionados com o endividamento financeiro das famílias, que gerou uma menor renda. “Por outro lado, o governo federal acaba de apresentar ações que devem beneficiar para que as famílias superem dificuldades financeiras. É o caso do Bolsa Família que deve receber R$ 168 bilhões em 2024. Sabemos que grande parte de valor deverá ser utilizado com alimentação, o que deve beneficiar nosso setor”, afirmou.
Custo de produção das aves
Santin reforçou que os custos de produção da avicultura são diretamente influenciados pelo panorama global dos insumos. Ele relembrou que desde o ano de 2018 o setor enfrenta um aumento nos dois principais produtos que são utilizados como fonte de alimentação dos animais, que é a soja e o milho. “Nestes últimos quatro anos, registramos um aumento de 98% nos custos de produção das aves, o que trouxe muitas problemáticas para o setor. A boa notícia é que, neste ano, estes custos caíram cerca de 11%, o que está trazendo alento aos produtores”.
O presidente da ABPA reforçou as boas condições da safra de grãos no Brasil e no mundo. De acordo com Santin, não vai faltar milho no país, haja vista que as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra deste ano deve bater um novo recorde para o Brasil. “Conforme a Conab, o Brasil deve produzir um volume de 129 milhões toneladas de milho, o que garante as nossas necessidades. Inclusive, este montante vai atender as demandas do mercado interno e deve ser escoado para exportação cerca de 45 milhões de toneladas. A boa safra é importante porque esse número positivo garante um preço mais razoável para todo o mercado”, observa.
Exportação da carne de frango
O líder da APBA também apresentou a projeção de um aumento de 8,2% de volume de exportação e mais 7% de receita, apontando que o Paraná foi o estado que mais vem crescendo. Ele enalteceu que o mais importante deste quadro é que o Brasil continua livre da IA nos planteis comerciais, e os casos diagnosticados em aves silvestres e de subsistência não afetaram os números da exportação. “Crescemos 8,2 %. Esse é um dado muito positivo e mostra que o mercado internacional reconhece e confia no trabalho que vem sendo desenvolvido no nosso país com relação a IA, que é um trabalho bastante sério e que conta com o apoio de muitas entidades, juntamente com o governo e os avicultores”, opina.

No que concerne aos maiores importadores de carne de frango do Brasil, Ricardo apresentou que a China e o Japão continuam sendo os maiores destinos dos produtos brasileiros e que este mercado deve crescer ainda mais. Ele evidenciou que o momento é de consolidação do Brasil como o maior exportador mundial, sendo que no panorama de médio prazo estão sendo registradas oportunidades muito positivas. “Quando verificamos os números de exportações, observamos que ano após ano eles crescem de forma significativa, o que também aponta para uma importante sustentabilidade brasileira no mercado externo”, sugere.
Outro apontamento significativo feito pelo presidente diz respeito ao aumento de exportações brasileiras, mas também ao aumento de renda nos países mais pobres. “Quando observamos a média de consumo de carne nos países asiáticos, que é bem abaixo da média mundial, verificamos que existe um grande mercado ainda a ser explorado, ou seja, existem muitos mercados que possuem grandes populações e que ainda não acessamos ou que podemos atender ainda mais, conforme o perfil econômico for melhorando em cada país”.
O presidente da ABPA destacou que o Brasil continua sendo o maior exportador mundial de carne de frango, seguido pelos Estados Unidos e depois pela Europa. Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a soma das exportações dos EUA e da Europa não deve chegar ao montante de exportação brasileira. Ele frisou que a produção da Europa está estável, mas que a exportação caiu com bastante velocidade. “O mercado americano não é diferente da Europa, eles não diminuíram a produção, mas também não aumentaram. Ou seja, verificamos uma queda da Europa e uma estabilidade nos Estados Unidos, que é o nosso principal concorrente, o que deve possibilitar um desenvolvimento ainda maior das exportações do nosso país”, sugere.
Conforme relatórios disponibilizados pelo governo chinês e apresentados pelo presidente da ABPA, a produção de frango na China decaiu nos últimos meses, o que possibilitou maiores oportunidades para o Brasil, que conquistou mais espaço junto ao mercado chinês. Santin ainda destacou a competência que os EUA demonstrou ao lidar com a IA, que mesmo sendo registrada em solo americano, conseguiu manter a exportação para a China, por meio da regionalização dos estados. “Isso é um alento e traz esperança no caso da IA chegar em algum plantel comercial do nosso país. Caso isso aconteça esperamos receber um tratamento igual ao que foi dado aos Estados Unidos”.
Influenza aviária
O presidente Ricardo enalteceu que a imagem acima mostra que é preciso aprender a conviver com a gripe aviária. “Aliás, o mundo já está convivendo. A exemplo do EUA, China e Japão também possuem casos ativos, mas estão trabalhando na segregação dos estados ou até municípios, o que está favorecendo a continuação dos trabalhos. Aqui no Brasil também estamos preparados para enfrentar isso. Continuamos trabalhando fortemente nas medidas de biosseguridade, mas também estamos preparados caso a doença atinja algum plantel comercial”, assegurou.
O presidente também explicou sobre a importância das mudanças de emissão dos certificados sanitários, que podem ser alterados de país livre de IA, para zona, região ou até mesmo compartimento livre de IA. “Há pouco tempo participamos de reunião com os ministros da agricultura do Japão, Coreia e Arábia Saudita e nestes três destinos tivemos a confirmação da regionalização por estados. Eles também estão estudando os pedidos de regionalização por municípios. Acreditamos que estes procedimentos irão favorecer a manutenção dos negócios externos, caso sejam atingidos pela IA”, indicou.
De acordo com ele, a ABPA e o governo brasileiro devem continuar desenvolvendo este procedimento e manter um diálogo atento com os países que comercializam com o Brasil. “Estamos negociando e enviando documentos a todos os países que são nossos parceiros para alinharmos a regionalização do status sanitário. Caso o Brasil venha a ser atingido pela IA em planteis comerciais, devemos estar preparados para segregar o local do surto. Conforme indicação da OMSA, num primeiro momento deve-se fazer a delimitação de 10km de onde foi diagnosticado o surto. A segregação pode ser de município, estado, zona ou compartimento”, informou.
Conforme o diretor de mercados da ABPA, Luis Rua, o Brasil possui atributos muito importantes relacionados à exportação, porque existem mercados internacionais que exigem produtos bem específicos e que atualmente só o Brasil consegue produzir em grandes volumes. “Isso é muito benéfico para nós porque conseguimos atender demandas bem específicas de outros países e que dificilmente algum outro país vai conseguir atender. Desta forma, caso a IA chegue em algum plantel comercial brasileiro, temos muitas medidas para tomar e proteger o restante da produção”, afirma.
Com relação aos casos de IA registrados no Brasil, o presidente da ABPA destacou que embora o Japão tenha embargado o recebimento dos produtos brasileiros, a ABPA é contra esta prática até porque isso não é uma recomendação da OMSA. “Porém, nós precisamos respeitar a opinião contrária do Japão. Por outro lado, a partir deste caso do Espírito Santo pudemos observar a seriedade com que a IA está sendo trabalhada no Brasil, pois foi muito pouco tempo que durou o embargo, já que o Brasil foi bastante competente para testar e comprovar que havia superado a dificuldade”, apontou.
Ele acrescentou destacando que as medidas do governo japonês são justificáveis, haja vista que eles esperam relatórios comprovando as medidas que o Brasil está tomando no combate e na prevenção da IA. “O Japão é um país que exige ter ciência do que o Brasil está fazendo para combater esta enfermidade, essa é uma regra deles. O que é importante lembramos que o nosso governo fez a lição de casa, promovendo testes e fazendo os relatórios solicitados”, afirmou.
Projeções de carne de frango
O presidente também explicou que a projeção inicial deste ano, feita pela ABPA, no 1º semestre, apontava que a produção de 2023 seria superior a 15 milhões de toneladas. “Agora que iniciamos este 2º semestre observamos uma mudança no comportamento das empresas que estão fazendo ações preventivas, como diminuir o número de alojamentos ou diminuindo o peso médio das aves. Desta forma, acreditamos que a produção será de 14,8 milhões de toneladas. O que é um número bastante significativo”, sustentou Santin.
O presidente ainda argumentou sobre o aumento na disponibilidade e oferta da carne de frango, que pode fazer com que os preços pagos ao produtor também sejam ajustados. De acordo com ele, essa retomada que a economia brasileira está tendo deverá sustentar as demandas pela carne de frango. “O segundo semestre sempre é marcado por um consumo aumentado. Acreditamos que neste ano não será diferente, teremos uma maior oferta do produto, mas também teremos um maior consumo”.
O presidente frisou que estas projeções podem ou não se confirmar porque as empresas que trabalham neste mercado sabem da responsabilidade que elas possuem e estão sempre atentas às regulações do mercado. Desta forma, é possível que elas façam adequações com relação à produção, uma vez que a sustentabilidade delas no mercado depende de como esses quesitos são trabalhados nas empresas. “Neste momento é primordial que as empresas melhorem as questões de biosseguridade e estejam atentas às mudanças do mercado”, advertiu.
Para 2024, a ABPA projeta uma produção brasileira de 15,5 milhões de toneladas de carne de frango. “É claro que este número pode ser alterado, pois são inúmeras as variáveis, mas o cenário que temos hoje que é: a não chegada da IA nos nossos planteis comerciais, o mundo consumindo mais carne e o Brasil com a tendência de melhorar a capacidade econômica das pessoas noz faz acreditar e possibilitam vislumbrar um aumento na produção em 2024, bem como um aumento na exportação”, almeja.
Com relação ao aumento no volume de exportações, o presidente destacou, mais uma vez, que o Brasil pode absorver alguns mercados que eram atendidos pelos EUA. “As projeções em números mostram que temos um panorama muito positivo para o Brasil neste segundo semestre, principalmente quando olhamos para os países que são nossos concorrentes, mas que hoje estão abrindo novas oportunidades para os produtos brasileiros”.
Ovos
Relativamente ao mercado de ovos, a produção total do país deverá chegar a 52,55 bilhões de unidades em 2023, número 1% maior que as 52,06 bilhões de unidades produzidas em 2022. O consumo per capita de ovos do Brasil deverá encerrar o ano em torno de 242 unidades, número 0,5% maior que as 241 unidades per capita consumidas em 2022. Nas exportações, as projeções indicam embarques totais de 32,5 mil toneladas de ovos do Brasil, número 240% superior ao total exportado em 2022, com 9,47 mil toneladas.
Esses números foram apresentados pelo presidente Santin que exaltou a conquista do setor, que pela primeira vez, durante a presidência dele, vai exportar mais de 1% da produção, o que é um recorde. “Isso não acontecia desde 2006. Neste ano nossa exportação subiu 165%, sendo que Minas Gerais é o maior exportador, seguido por Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Outro fenômeno bastante positivo é que esta exportação, além do grande volume, é uma exportação que conseguimos valor agregado, pois também exportamos ovos líquidos, em pó e processados, o que mostra a capacidade da nossa indústria”, argumentou.
Maiores compradores
Santin informou que o Japão é o país que mais compra ovos do Brasil. Ele destacou também o mercado de Taiwan que não comprava nada do Brasil, mas que neste ano já ocupa a segunda posição. “Temos a esperança de que Taiwan reconheça a qualidade do nosso produto e continue importando ovos de galinha do Brasil. Os outros países que são nossos compradores também aumentaram bastante o consumo durante este ano de 2023. Isso é uma grande conquista para o setor”, destaca.
SIAVS 2024
Ainda durante a coletiva, o presidente Santin informou que o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs) passa a ser chamado de Salão Internacional de Proteína Animal e vai abranger também a bovinocultura e piscicultura. A edição de 2024 está marcada para os dias 06 a 08 de agosto, no Parque Anhembi, SP. De acordo com ele, será mais um grande evento que vai trazer as principais tendências do setor de proteína animal.
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Avicultura
Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul
Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.
Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.
A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.
Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.
Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.
Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav
sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.
Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.
A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.
Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.
Avicultura
Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária
Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.
Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.
Auditorias apontam evolução das granjas
Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.
A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav
granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.
Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.
Biosseguridade ganha protagonismo
A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.
Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav
Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.
Mercado e competitividade
O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.
Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.
Selo reconhece boas práticas
Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.
Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav
desenvolvidas pela iniciativa.
Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.
Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.
Avicultura
Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa
Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.
Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.
Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.
No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.
A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.
Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.



