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Saiba as novas formas de controlar os cascudinhos em aviários

Em um aviário, o inseto costuma se localizar em áreas do pinteiro, ao redor de pilares e muretas e embaixo das linhas de comedouros

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Artigo escrito por Maurício Marchi, médico veterinário e coordenador Técnico da Theseo Saúde Animal

O cascudinho (Alphitobius diaperinus), originário do continente Africano, é um inseto da ordem dos coleópteros pertencente à família Tenebrionidae. É uma espécie cosmopolita, e no Brasil encontrou nos aviários de frango de corte, matrizes e perus um ambiente ideal para proliferação.

Seu ciclo de vida varia de 50 a 70 dias. Em países quentes, como o Brasil, o inseto encontra, no verão, condições ideais de multiplicação. Seu ciclo de vida contempla as etapas: ovo, larva, pupa e adulto. Fêmeas adultas de A. diaperinus depositam em média 2.000 ovos durante a vida. Os insetos adultos podem viver até 400 dias.

Em um aviário, o inseto costuma se localizar em áreas do pinteiro, ao redor de pilares e muretas e embaixo das linhas de comedouros.

Consequências

O cascudinho é uma das principais pragas da avicultura de corte. Os prejuízos estão associados ao consumo do inseto pela ave, reduzindo o desempenho zootécnico do lote. Além disso, os cascudinhos são vetores de agentes patogênicos como Escherichia coli e Salmonella sp., vírus (doença de Gumboro e Marek), fungos e protozoários. Altas infestações da praga podem levar à prejuízos ao cortinado, sistema elétrico e desestabilização do solo.

Controle

O método de controle mais utilizado é o uso de inseticidas químicos. Os inseticidas mais utilizados pertencem às classes dos piretróides e dos organofosforados.  Dentre os ativos pertencentes à classe dos piretróides, encontra-se a Cipermetrina, inclusa na maioria dos produtos inseticidas contra cascudinho. Na literatura são relatados vários casos de resistência à Cipermetrina, pois além de ser um dos ativos mais utilizados no combate à praga, é, muitas vezes, empregado de forma irresponsável por produtores e técnicos.

Segundo pesquisadores que avaliaram a resistência de Cipermetrina, Diclorvós e Triflumuron em diferentes populações de cascudinho, verificaram que a suscetibilidade à Cipermetrina variou aproximadamente 10 vezes entre as diferentes populações. A população de cascudinho mais sensível à Cipermetrina foi coletada em granja que não recebeu inseticidas com o ativo nos últimos dois anos. Já as populações mais resistentes são oriundas de aviários que receberam inseticidas com o ativo nos últimos anos.

Alguns autores relataram a baixa efetividade de produtos comerciais à base de Cipermetrina no controle do A. diaperinus. Uma alternativa para este cenário, é a utilização de produtos cuja base não seja Cipermetrina. Produtos à base de Deltametrina, por exemplo, entram como uma ótima opção no controle do cascudinho.

Como no Brasil, a produção de frangos de corte se dá basicamente sob cama de reuso, o controle do inseto torna-se mais difícil. O alto custo para o produtor inviabiliza a troca de cama a cada lote, fazendo com que a reutilizem por até oito lotes consecutivos. Algumas agroindústrias e cooperativas agroindustriais chegam a reutilizar a cama por até 12 ou 15 lotes, realizando retirada gradual da cama. Em contrapartida, os produtores de frango da Europa não reutilizam a cama, e nos Estados Unidos utilizam a cama por até 30 lotes consecutivos.

Uma alternativa ao controle de cascudinhos sob cama de reuso tem sido o enlonamento de cama, realizado durante o intervalo sanitário. O enlonamento de cama pode ser realizado de duas formas: enlonamento sem enleiramento e o enlonamento com enleiramento. Tais métodos, além de promoverem redução da carga bacteriana na cama e melhora no desempenho das aves, podem contribuir para o controle de Alphitobius diaperinus.

O método fermentativo consiste basicamente na produção de calor devido ao metabolismo microbiológico da cama, sendo realizado no intervalo entre lotes, variando de 5 a 17 dias.  O método fermentativo atinge, na maioria das vezes 60oC, havendo dificuldade em alcançar temperaturas uniformes no envelope. Tais métodos exigem adição prévia de água sobre a cama.

O método fermentativo por enlonamento de cama é um método de tratamento mais viável para auxiliar o controle de cascudinhos, tanto em aviários de piso de concreto quanto em aviários de chão batido. Dois a três dias após o início do enlonamento recomenda-se aplicar inseticidas líquidos nas bordas da lona, pois é nesta hora que o inseto procura sair de dentro do envelope, fugindo do calor e gases tóxicos.

Outra método empregado no tratamento de cama é o uso de cal virgem. A dosagem média varia ao redor de 0,5kg/m². A adição de cal sobre cama resulta em aumento na mortalidade de adultos e larvas de cascudinho.

Conclusão

O controle de cascudinhos é dificultado por inúmeros fatores: resistência aos inseticidas, tipo de piso do aviário, reuso da cama por vários lotes consecutivos sem tratamento adequado, alto custo para aquisição de cama nova todo lote ou implantação de técnicas de enlonamento utilizando lona apropriada, mão de obra cada vez mais limitada no campo, bem como características intrínsecas ao inseto, como o ciclo de vida e comportamento. O manejo de limpeza dos galpões e a aplicação de inseticidas antes da reintrodução de um novo lote não são suficientes para controlar de forma adequada toda a população de cascudinhos.

É impossível eliminar 100% dos cascudinhos em um aviário. O controle deve ser feito utilizando inseticidas de forma racional e consciente para minimizar os problemas de resistência. Faz-se necessário combinar o uso de inseticidas químicos com novas moléculas, diferentes da Cipermetrina, e técnicas de tratamento de cama de reuso, como o método fermentativo.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2019.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul

Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

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Foto: Shutterstock

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.

Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.

A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.

Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.

Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.

Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav

sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.

Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.

A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.

Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária

Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

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Foto: Divulgação/Asgav

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav

Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.

Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.

Auditorias apontam evolução das granjas

Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.

A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav

granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.

Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.

Biosseguridade ganha protagonismo

A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.

Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav

Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.

Mercado e competitividade

O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.

Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.

Selo reconhece boas práticas

Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.

Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav

desenvolvidas pela iniciativa.

Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.

Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa

Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

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Fotos: Rodrigo Felix Leal

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.

Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.

Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.

No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.

A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.

Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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