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Avicultura Saúde Animal

Reagentes de degradação de enzimas efetivamente removem micotoxinas desoxinivalenol e zearalenona de sucos digestivos artificiais de suínos e aves

Inativadores enzimáticos possuem uma atividade biológica que permite alterar a estrutura química das MX e transformá-las em metabólitos com efeito tóxico menor ou nulo

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe Técnica Vetanco

As micotoxinas (MX) são metabólitos secundários tóxicos produzidas por vários fungos filamentosos, principalmente Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Ao consumir alimentos contaminados com micotoxinas, os animais sofrem uma série de efeitos tóxicos, tais como: diminuição do consumo de alimentos, diminuição do ganho de peso, diarreia, imunossupressão, vômitos, lesões ulcerativas, etc. Dentre as principais estratégias para controle de micotoxinas, a mais utilizada é o emprego dos aditivos anti-micotoxinas no alimento nas fábricas de rações e nas granjas, para reduzir a concentração das micotoxinas. Outras alternativas são a: inativação térmica, irradiação e diluição física.

Os aditivos anti-micotoxinas são, atualmente, a estratégia mais eficaz para diminuir a concentração de micotoxinas no animal. Existem dois grandes grupos de aditivos anti-micotoxinas: os sequestrantes e os inativadores enzimáticos. Os sequestrantes evitam a absorção das micotoxinas através do trato gastrointestinal ligando-se a sua superfície. Eles podem ser inorgânicos (Bentonitas, Aluminossilicatos, etc.) ou orgânicos (Parede de leveduras). Os inativadores enzimáticos possuem uma atividade biológica que permite alterar a estrutura química das MX e transformá-las em metabólitos com efeito tóxico menor ou nulo. Normalmente, eles podem ser uma bactéria, uma levedura ou só um extrato enzimático.

As MX classificam-se em polares e com menor polaridade, de acordo com sua estrutura química. As micotoxinas polares, tais como a Aflatoxina B1 e a Fumonisina B1, são as mais polares das micotoxinas e são adsorvidas mais facilmente do que as apolares. Por sua vez, o peso molecular, a solubilidade, a capacidade de dissociação e as cargas iônicas, também desempenham um papel essencial em sua capacidade de serem adsorvidas. A Aflatoxina B1 tem uma maior taxa de adsorção do que Fumonisina B1; é por isso que Aflatoxina B1 é o principal objetivo dos adsorventes.

A maioria dos adsorventes têm demonstrado baixa e/ou nula capacidade para adsorver micotoxinas com menor polaridade, tais como o Desoxinivalenol (DON) e a Zearalenona (ZEA). Por sua vez, os inativadores enzimáticos têm demonstrado ser a melhor opção para o controle dessas micotoxinas. Até hoje, não existe um método analítico simples e prático que possa avaliar a capacidade de remoção das micotoxinas in vivo, portanto os métodos de avaliação padrão são os ensaios in vitro. Apesar disso, é importante que as condições do ensaio in vitro sejam estritamente controladas para que possam ser bem semelhantes ao modelo in vivo, de maneira que os resultados possam ser replicados.

No presente ensaio, diagramou-se um modelo in vitro semelhante às condições do trato gastrointestinal dos suínos (Sus scrofa), replicando os tempos de permanência do alimento em cada uma das estruturas anatômicas (estômago e intestino), os pHs de cada uma das estruturas, a temperatura, o tempo de permanência, a motilidade intestinal e a presença de enzimas digestivas próprias do animal.

Dessa maneira, foi possível criar um modelo que mimetiza, satisfatoriamente, in vitro às condições in vivo do animal. As simulações in vitro foram realizadas imergindo o alimento contaminado com micotoxinas em suco gástrico artificial (SGA) a um pH de 2,5 por 5 horas, ou em suco intestinal artificial (SAI) em pH de 6,5 por 2 horas, mimetizando as condições do estômago e intestino, respectivamente.

Os aditivos anti-micotoxinas avaliados, expostos na Tabela 1, foram selecionados de acordo com sua maior prevalência no mercado, sendo que as doses utilizadas nos testes foram sugeridas pelos fabricantes. O método utilizado para a avaliação foi o HPLC, por ser considerado o mais preciso para a avaliação das micotoxinas.

A dose de desafio de DON utilizada no estudo foi de 1.000 ppb e a dose de desafio de ZEA foi de 500 ppb, de acordo com as diretivas da China Hygienic Standard for Feed (GB13078-2017) e os regulamentos da FDA. Ambas as doses de micotoxinas utilizadas no ensaio ultrapassam os limites máximos toleráveis para a espécie (Tabela 2). Dados do LAMIC (2010-2020) referentes a aproximadamente 11.500 amostras trazem menores prevalências (5%) e concentrações (95 ppb) desta mesma micotoxina.

Resultados

No Gráfico 01 pode ser observada a capacidade de inativação ou adsorção de DON em função do tempo ao longo do modelo in vitro do trato gastrointestinal dos suínos. Após a avaliação das 5 primeiras horas em um pH de 2,5 (equivalente ao estômago dos suínos), os percentuais de remoção de DON no nível de 1.000 ppb foram 92%, 79%, 52%, 35% e 56% para EDRs (1 a 5), ​​respectivamente, e 12% e 13% para adsorvente 1 e adsorvente 2, respectivamente.

Após 5 h de simulação estomacal, todos os EDRs, apresentaram maior capacidade de remoção de DON do que os dois adsorventes (p <0,05), e a capacidade de remoção de EDR1 foi maior que todos os outros EDRs (p <0,05), exceto EDR2, do qual não foi observada diferença significativa na capacidade de remoção entre os dois adsorventes.

Para as condições simuladas do intestino delgado (pH de 6,5) por 2h, os percentuais de remoção de DON no nível de 1.000 ppb foram 100%, 84%, 83%, 54% e 68% para os EDRs (1 a 5), ​​respectivamente, e 15% e 19% para os adsorventes 1 e 2, respectivamente (Gráfico 1).

Gráfico 1. Percentual de remoção do desoxinivalenol (DON) 1.000 ppb com reagentes de degradação enzimática (linha sólida) e adsorventes (linha pontilhada) em simulações gastrointestinais de suínos.

Fonte: Ko-Hua Tso et al., 2019..◆: EDR1 a 0,05%; ■: EDR2 a 0,1%; ▲: 0,1% de EDR3; ×: EDR4 a 0,1%; □: 0,2% de EDR5; ●: 0,2% adsorvente 1; +: 0,2% e adsorvente2. a, b, c sem os mesmos sobrescritos diferem (p <0,05). SGA: Suco gástrico artificial; SIA: Suco intestinal artificial; DON: Desoxinivalenol; EDR: Reagentes de degradação enzimática.

Na simulação do intestino delgado (após 2h) a um pH de 6,5, todos os EDRs, apresentaram maior capacidade de remoção de DON do que os dois adsorventes (p <0,05), a capacidade de remoção de EDR1 foi maior que todos os outros EDRs (p <0,05). Não houve diferença estatística entre EDR2 e EDR3, ambos melhores que EDR4 e EDR5 (p <0,05). Também não foi encontrada diferença significativa no percentual de remoção entre dois adsorventes (Gráfico 1).

Dados do LAMIC (2010-2020) referentes a aproximadamente 17.000 amostras trazem maiores prevalências (75%) e concentrações menores (20 ppb) desta mesma micotoxina.

Após a avaliação das 5 primeiras horas em um pH de 2,5 (equivalente ao estômago dos suínos), os percentuais de remoção de ZEA no nível de 500 ppb foram de 100%, 89%, 50%, 30% e 57% para EDRs (1 a 5), e 0% e 30% para os Adsorventes 1 e 2, respectivamente (Gráfico 2). O percentual de remoção de ZEA do EDR1 foi melhor que EDR2 que, por sua vez, foi maior que todos os demais do EDRs e adsorventes (p <0,05).

Gráfico 2. Percentual de remoção da Zearalenona (ZEA) 500 ppb com reagentes de degradação enzimática (linha sólida) e adsorventes (linha pontilhada) em simulações gastrointestinais de suínos.

Fonte: Ko-Hua Tso et al., 2019..◆: EDR1 a 0,05%; ■: EDR2 a 0,1%; ▲: 0,1% de EDR3; ×: EDR4 a 0,1%; □: 0,2% de EDR5; ●: 0,2% adsorvente 1; +: 0,2% de adsorvente2. a, b, c sem os mesmos sobrescritos diferem (p <0,05). SGA: Suco gástrico artificial; SIA: Suco intestinal artificial; ZEA: Zearalenona; EDR: Reagentes de degradação enzimática.

Na simulação do intestino delgado (após 2h) a um pH de 6,5, os percentuais de remoção de ZEA a 500 ppb foram de 100%, 100%, 74%, 65%, e 68% para EDRs (1 a 5), ​​respectivamente, e 0% e 36% para os adsorventes 1 e 2, respectivamente (Gráfico 2). Após 2h de simulação do intestino delgado, apenas o EDR1 e EDR2 apresentaram 100% de remoção de ZEA (p <0,05).

Discussão

Foi possível observar como os inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 possuem uma capacidade de remoção significativamente superior aos outros inativadores enzimáticos e aos sequestrantes. Na diminuição do pH, devido a passagem da solução pelo estômago, ocorre um aumento ainda maior da capacidade de remoção dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2, frente aos outros inativadores. Essa capacidade de eliminação das micotoxinas nos primeiros segmentos do trato gastrointestinal é específica dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2, uma vez que, diferentemente dos demais produtos avaliados, as enzimas presentes neste produto possuem seu grau máximo de atividade enzimática em pH ácido, como pode ser observado no Gráfico 3.

Gráfico 3. Porcentagem de atividade enzimática em diferentes pHs dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2.

Quando da chegada da solução nos intestinos, provoca um aumento do pH (de 2,5 a 6,5). Desta forma, é perceptível que o processo de biotransformação dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 se mantém, e nota-se aumento na capacidade dos demais inativadores. Essa variação ocorre porque as enzimas dos outros produtos avaliados possuem seu grau máximo de atividade em um pH perto da neutralidade. Por sua vez, a atividade dos sequestrantes não varia, demonstrando que a capacidade de adsorção deles não foi influenciada pelo pH.

Durante a passagem total da solução pelo modelo animal (7,5 horas), foi possível obter uma capacidade de remoção total (100%) de DON com e EDR1 e uma remoção de 84% com EDR2, enquanto os outros inativadores enzimáticos tiveram uma ação de 83% (EDR3), 54% (EDR4) e 68% (EDR5). Por sua vez, os adsorventes tiveram a capacidade de eliminação de DON de 15% para Adsorvente 1 e de 9% para Adsorvente 2.

Por último, na passagem total da solução pelo modelo animal (7,5 horas), foi possível obter uma capacidade de remoção total (100%) de ZEA com o EDR1 e com o EDR2, enquanto os outros inativadores enzimáticos tiveram uma ação de 74% (EDR3), 68% (EDR4) e 65% (EDR5). Por sua vez, os adsorventes tiveram a capacidade de eliminação de ZEA de 0% para Adsorvente 1 e de 36% para Adsorvente 2.

A diferença de eliminação total de DON entre os inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 e os demais produtos, ocorre devido a capacidade das enzimas dos dois primeiros agirem em um pH ácido, nos primeiros segmentos do trato gastrointestinal, o que permite um maior tempo de ação total. Os outros produtos aumentam sua velocidade de ação na chegada ao intestino; porém, para esse momento, o alimento permanece pouco tempo no interior do intestino e ademais disso, uma vez nesta porção, já é iniciada a absorção das micotoxinas.

Conclusão

Os inativadores enzimáticos são uma opção viável para a eliminação das micotoxinas Desoxinivalenol e Zearalenona no modelo in vitro e, dentre eles, os inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 apresentaram maior capacidade de eliminação dentre os produtos testados, sendo que para a micotoxina Zearalenona, ambos tiveram 100% efetividade na remoção da mesma ao longo do trato gastrointestinal dos suínos.

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Fonte: O Presente Rural
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Importância e benefícios do uso de probióticos no incubatório

Aplicação no incubatório dos probióticos adequados é simples e promove uma rápida colonização por uma microbiota intestinal saudável

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Fabrizio Matté, Msc e consultor técnico Vetanco Brasil

A complexidade do ecossistema gastrointestinal é extraordinária. A quantidade de células bacterianas presente na microbiota dos animais excede o número total de células somáticas. A interação entre hospedeiro e microrganismo ainda não foi totalmente elucidada, mas as funções da microbiota sobre o trato gastrointestinal (TGI) já são descritas e compreendem: a modulação do sistema imune; a produção de ácidos orgânicos e o aproveitamento de nutrientes; a manutenção da integridade intestinal e o estímulo à renovação dos enterócitos; a adsorção e quebra de toxinas; e a competição e exclusão de patógenos.

Em criações não comerciais ou na natureza, assim que os pintainhos eclodem, eles são expostos a microrganismos naturais das aves adultas e do ambiente. Em contrapartida, em condições comerciais, o contato e a transferência da microbiota da forma natural são mínimos ou inexistentes. Sendo assim, o TGI dos pintainhos recém eclodidos fica praticamente exposto à colonização por microrganismos presentes no incubatório, caixas de transporte e, principalmente, na granja. É importante considerar que o período neonatal é o momento mais importante no desenvolvimento dos sistemas digestório e imune das aves, e este desenvolvimento é influenciado positivamente pela presença de uma microbiota adequada.

A maior parte composição e densidade da microbiota depende das bactérias que as aves recebem no período de eclosão e da sua primeira dieta. As bactérias que colonizam os primeiros dias de vida dos pintinhos crescem muito rápido, e o intestino se torna habitado por 108 e 1011 bactérias por grama de digesta no íleo e ceco respectivamente entre o primeiro e terceiro dia de vida.

Na avicultura industrial, a maioria dos microrganismos presentes nos ambientes, aos quais as aves são expostas no período neonatal, não são os mais adequados para a colonização precoce do TGI. Portanto, é importante tomar medidas para evitar os problemas microbiológicos decorrentes do processo de incubação artificial. Essa lacuna no desenvolvimento e colonização neonatal do TGI gerou grandes oportunidades de pesquisa na área de administração de bactérias benéficas (probióticos), nos primeiros momentos de vida das aves.

Os resultados científicos e experiências de campo mostram que pintainhos e peruzinhos de corte apresentam uma resposta positiva ao tratamento com probióticos logo após a eclosão. Embora a administração de probióticos durante a criação seja eficaz, o intervalo entre eclosão e alojamento é um período delicado e muito importante para maximizar a performance produtiva e sanitária das aves. Esse período de intervalo consiste no manejo e processamento dos pintainhos no incubatório, como triagem, sexagem, vacinação, período na sala de espera e transporte.

Durante todas essas etapas, os pintainhos estão em contato com microrganismos presentes no ambiente e nos fômites. Dessa forma o TGI, que está em fase de estabelecimento da microbiota, fica sujeito à colonização por bactérias patogênicas e/ou indesejáveis, como por exemplo Salmonella spp. O fornecimento de bactérias probióticas identificadas e selecionadas proporciona uma colonização precoce significativa no papo e intestino das aves, quando usado de forma estratégica nos incubatórios.

O desenvolvimento ideal do sistema digestório é dependente de sua colonização por uma população microbiana equilibrada. A administração de probióticos no incubatório acelera o desenvolvimento do trato gastrointestinal, conforme ilustrado nas figuras 1 e 2. As figuras comparam cortes histológicos do íleo de aves com três dias de idade, que receberam ou não um tratamento com probiótico via spray no incubatório. As imagens comprovam o melhor desenvolvimento da mucosa intestinal nas aves tratadas com o probiótico.

Figuras 1 e 2. Cortes histológicos de íleo de aves com 3 dias de idade, demonstrando a diferença no desenvolvimento das vilosidades entre o Grupo Controle e o Grupo Tratado com probiótico via spray no incubatório.

A colonização do TGI por enteropatógenos pode ser reduzida ou até mesmo evitada, e isso é essencial para obter sucesso na produção avícola. A saúde intestinal das aves é de extrema importância para seu desenvolvimento produtivo e sanitário. Os diferentes sorotipos de Salmonela continuam sendo um dos maiores envolvidos na colonização e transmissão bacteriana nos primeiros dias de vida das aves. A Salmonela pode ser transmitida verticalmente pelas matrizes para os pintainhos. Contudo, o controle da transmissão horizontal no incubatório, nas caixas de transporte e nos primeiros dias na granja tem um papel fundamental nos programas de controle de Salmonela e, consequentemente, na segurança alimentar do consumidor.

O gerenciamento dos pontos críticos de controle em toda a cadeia de produção é de altíssima relevância para evitar que haja um aumento na transmissão e contaminação por Salmonela. Algumas intervenções são importantes para maximizar os mecanismos de defesa do organismo de cada ave. É fato comprovado que reforçar a maturidade intestinal e estabelecer uma microbiota equilibrada, são estratégias importantes na melhora dos mecanismos de defesa e saúde intestinal. Desta forma, a utilização de probióticos na fase neonatal, com doses estratégicas durante a vida das aves, são as ferramentas disponíveis mais eficazes para tais objetivos.

É importante ressaltar que, para um probiótico desempenhar sua função adequadamente, é crucial que ele contenha cepas de bactérias vivas capazes de colonizar o TGI da espécie animal em questão. As cepas específicas presentes no probiótico também precisam ser comprovadamente capazes de inibir o crescimento de Salmonela, bem como devem ser administradas na dosagem correta para que os objetivos desejados sejam atingidos. É fundamental ter em mente que a capacidade probiótica de uma bactéria não se dá somente por pertencer a uma determinada espécie (p.ex. Lactobacillus acidophilus), mas sim é especifica às cepas estudadas para cada finalidade. Portanto, a utilização de bactérias não definidas, não especificas para aves de produção ou não selecionadas para um objetivo (tal como controle de Salmonela), produzirá resultados insatisfatórios. Adicionalmente, é importante pontuar que a dosagem e a combinação de bactérias (dentro do mesmo probiótico) devem ser consideradas nos produtos comerciais, uma vez que fatores como estes são frequentemente negligenciados quando o probiótico está sob avaliação. Produtos probióticos compostos por duas ou mais cepas diferentes precisam passar por uma série de avaliações de compatibilidade, tanto in vitro como in vivo. Nem todas as bactérias podem ser combinadas no mesmo produto, com riscos de redução ou eliminação da eficácia.

Existem probióticos desenvolvidos especificamente para aves de produção, esses produtos são extensivamente estudados e avaliados em condições laboratoriais e de campo, com o objetivo de selecionar cepas capazes de colonizar rapidamente o TGI e inibir o crescimento de enteropatógenos, especialmente Salmonella spp.

O Gráfico 1 demonstra a redução significativa de Salmonella Enteritidis em frangos aos cinco dias de idade, que receberam uma aplicação de determinado probiótico no incubatório antes do alojamento.

Gráfico 1 – Salmonella Enteritidis recuperada das tonsilas cecais, 5 dias após o desafio. Asteriscos indicam diferença significativa entre os tratamentos (p < 0.05).

Para evidenciar os benefícios do uso de probióticos no incubatório, uma avaliação de campo foi realizada em uma integradora no sul do Brasil, no primeiro semestre de 2020. Foi mensurado o desempenho produtivo de um grupo de 955.490 pintinhos que receberam uma dose de probiótico constituído por 11 cepas de Lactobacillus, administrado no incubatório.

Os resultados dos lotes com abate aos 46 dias de idade estão apresentados na Tabela 1, onde foram comparados com o grupo controle com 1.426.290 pintinhos alojados e abatidos no mesmo período. Os dados apresentados demonstram um melhor desempenho produtivo nas aves que receberam uma dose do probiótico no incubatório.

Tabela 1 – Médias dos desempenhos produtivos (uma dose de probiótico constituído por 11 cepas de Lactobacillus fornecido no incubatório, com abate das aves aos 46 dias de idade)

Portanto, a aplicação no incubatório dos probióticos adequados é simples e promove uma rápida colonização por uma microbiota intestinal saudável, acelerando a maturação intestinal e inibindo o desenvolvimento de enteropatógenos. Além do que, essa microbiota inicial protetora favorece as condições sanitárias e maximiza a performance zootécnica, resultando em melhores resultados econômicos para as agroindústrias.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição

Grãos, o novo ouro da nutrição

A nutrição animal responde por cerca de 70% dos custos de produção. Os animais precisam de ração

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Gisele Neri, coordenadora de Produtos – Kemin Saúde e Nutrição Animal – América do Sul

Quem imaginava, ainda que por apenas poucos segundos, pessoas andando pelas ruas com máscaras, cidades decretando lockdown, escolas fechadas, comércios fechados por meses?

E por cima desse cenário, produtores da América do Sul desafiando a matemática dos custos, pagando valores surreais nas principais matérias primas das rações: milho e soja.

Já não é mais novidade, mas é sempre bom registrar: os custos de produção de aves e suínos subiram 36,33% e 40,69% desde o início do ano passado, de acordo com dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa. Várias são as razões por detrás desse aumento, mas o mais impactante, seguramente, é o alto custo dos grãos e das fontes de energia para a ração.

De janeiro a outubro de 2020, de acordo com dados da Abiove, o Brasil exportou 88% do volume de farelo de soja exportado em 2019; 10% a mais do volume de soja em grãos exportado em 2019 e 3% a mais do volume de óleo de soja exportado em 2019.

Os principais países produtores de grãos da América do Sul estão exportando como nunca, principalmente para a Ásia (praticamente lê-se China quando dizemos Ásia). É bem verdade que para o Brasil e para o Chile o ano foi recorde de exportação de carnes, também para a Ásia.

Mas como manter a produtividade e a lucratividade nesse cenário cheio de oportunidades (elevadas exportações e constante abertura de novos mercados) associadas com os desafios (custos, sanidade)?

A nutrição animal responde por cerca de 70% dos custos de produção. Os animais precisam de ração. Mas será que eles conseguem aproveitar o máximo dos nutrientes ofertados na ração? E a energia? Será que existe uma forma de maximizar o aproveitamento de nutrientes e energia?

Graças à tecnologia e a ciência aplicadas à nutrição animal, podemos dizer com total segurança: sim, existe. Aliás, existe até mais de uma forma de maximização do aproveitamento dos nutrientes da dieta. E nem todas estão estritamente relacionadas à nutrição animal: aditivos, manejo, qualidade da água, redução do estresse, ambiência, sanidade, etc. são tópicos que podem ser trabalhados para que o animal possa aproveitar ao máximo a dieta para conversão em proteínas de origem animal.

Existem aditivos chamados de emulsificantes, enzimas, butiratos, pré e probióticos, microminerais e todos eles podem atuar, em algum nível no aproveitamento de nutrientes da dieta pelo animal. Seja disponibilizando mais nutrientes para os animais (como os emulsificantes e enzimas), ou melhorando a capacidade absortiva no intestino (como os butiratos), ou promovendo a integridade intestinal (como os pré e probióticos) ou ainda, reduzindo os efeitos do estresse (como o cromo).

Neste artigo vamos aprofundar um pouco sobre os emulsificantes. Eles são aditivos capazes de auxiliar no processo de digestão e absorção dos óleos e gorduras, fonte energética das dietas.

Para o máximo aproveitamento das fontes energéticas da dieta é essencial que os óleos e/ou gorduras passem por 3 fases:

  1. Emulsificação – (é daí que vem o termo “emulsificante” que dá nome a esta categoria de produtos no MAPA). A emulsificação é a primeira fase do processo de digestão e absorção de óleos e gorduras. Nesta fase o óleo presente na ração, após a ingestão do animal, quebra-se em gotículas menores e se mistura ao ambiente aquoso do trato gastrointestinal. É essencial que essa emulsão permaneça estável o máximo possível de tempo, ou o aditivo perde sua eficácia e seu maior propósito de existência. Os produtos existentes no mercado apresentam estabilidade de emulsão diferentes. Fique atento no momento de escolher seu produto! Às vezes o barato pode sair caro.
  2. Hidrólise – já com as gotículas de gordura menores, é o momento para a ação da lipase endógena. Ela age quebrando as gotículas de gordura em ácidos graxos livres e monoglicerídeos. Essa é a importância de um bom processo de emulsificação: com gotículas menores de gorduras a superfície de contato entre a gordura e a lipase aumenta, potencializando a ação desta última. Depois da hidrólise há ainda a formação de micelas. Elas tem uma importância ímpar no processo de absorção das gorduras, já que os ácidos graxos não conseguem passar pelas membranas das células intestinais.
  3. Absorção – A absorção dos óleos e gorduras se dá sempre na forma de micela. As micelas são estruturas formadas durante o processo de digestão. São constituídas principalmente por ácidos graxos e monoglicerídeos. Produtos diferentes têm capacidade de formação de micelas de tamanhos diferentes e isso impacta na absorção. Toda a gordura proveniente da dieta, que, por algum motivo, não conseguiu formar uma micela ao longo do processo digestivo, é excretada através das fezes.

Existem dezenas de emulsificantes disponíveis no mercado. Alguns possuem ação temporária apenas na primeira etapa do processo de digestão de óleos e gorduras. Outros possuem uma excelente ação emulsificante, porém são prejudiciais à fase de formação de micelas. Todo aditivo emulsificante cuja fórmula apresente alta concentração de moléculas grandes pode atrapalhar o processo de formação de micelas. Este é o caso, por exemplo, de produtos com altas concentrações de emulsificantes sintéticos em sua fórmula.

Por essas e outras razões é primordial a análise criteriosa dos diferentes produtos disponíveis no momento da tomada de decisão.

Através de uma metodologia específica é possível analisar a estabilidade da emulsão originada pelos diferentes emulsificantes.

A adição de um biossurfactante foi capaz de melhorar a estabilidade da emulsão em 84% comparado ao Controle (sem emulsificante), enquanto a estabilidade da emulsão com lisolectina conseguiu melhorar em 39% quando comparada com o Controle (sem emulsificante), conforme demonstrado na Figura 1.

Já existe no mercado da América do Sul um biossurfactante de 3ª geração, formulado com base nas mais recentes pesquisas e descobertas do mundo. São mais de 3 décadas de pesquisas e mais de uma centena de trabalhos realizados ao redor do globo com diversas espécies animais, com diferentes dietas e distintos desafios para disponibilizar um produto de alto nível de performance como demonstrado a campo. É possível a entrega valor para o cliente, de acordo com sua necessidade específica: seja aumento de performance ou redução do custo da dieta.

O biossurfactante de 3ª geração foi criteriosamente formulado com 3 moléculas principais: lisofosfolipídeos (amplamente utilizado e reconhecido mundialmente como um emulsificante para a nutrição animal), uma pequena porção de emulsificante sintético (para acelerar e otimizar o processo de emulsificação, formando partículas ainda menores de gordura e garantindo estabilidade da emulsão para posterior ação da lipase) e monoglicerídeos (que aceleram o processo de formação de micelas, para maior absorção dos óleos e gorduras oriundos da dieta).

O equilíbrio desses 3 ingredientes principais foi extensivamente estudado e testado para máxima performance do produto em diversas dietas e espécies. Isso resulta em maiores ganhos para o produtor: seja em performance (uso do produto “on top”) ou em redução do custo da dieta (uso do produto com valorização da matriz nutricional).

Existem diversos estudos realizados em múltiplas instituições de pesquisa demonstrando e garantindo os valores da matriz nutricional do biossurfactante.

Nestes estudos foi descoberta a maximização do aproveitamento de outros nutrientes que vão além das porções energéticas da dieta, como os aminoácidos.

Um dos estudos foi conduzido na Univerdidade de Banat, na Romênia, para avaliar os efeitos do biossurfactante em parâmetros de desempenho de frangos de corte.

Neste ensaio 216 frangos de corte machos Ross 308 de 1 dia de idade foram alojados com oito aves por box. As replicatas (box, n = 9) foram alocadas nos tratamentos para uma distribuição homogênea dos tratamentos dentro da sala. Sistema de ventilação dinâmica e de aquecimento proporcionaram a temperatura e a ventilação ideais do aviário. Durante todo o período de teste foi utilizado um esquema de iluminação de 23 horas de luz e 1 hora de escuridão. Ração (farelada) e água potável foi fornecida ad libitum.

Foram comparados os seguintes tratamentos:

CP – Controle Positivo (CP- dieta atendendo 100% dos requerimentos nutricionais dos animais);

CN – Controle Negativo

CP com redução de 60kcal na ração inicial

CP com redução de 80kcal nas rações de crescimento e terminação

T1 – CN + 500g/ton de biossurfactante

Animais recebendo o boissurfactante apresentaram manutenção da performance das aves ainda que com redução do valor energético da ração. O uso do biossurfactante também aumentou o rendimento da carcaça e reduziu a gordura abdominal das aves. Estes resultados demonstraram toda a versatilidade do biossurfactante como ferramenta para nutrição animal. Os dados de desempenho (CA e GP) são apresentados nas Figura 2 e 3.

Os resultados de desempenho de todos os tratamentos para os primeiros 21 dias e durante todo o período experimental (0-42 dias) são mostrados na Tabela 1. A reformulação com biossurfactante proporcionou uma redução do custo da ração com os mesmos resultados do controle positivo.

Nas linhagens de frangos de corte modernas, que são selecionadas para produzir carne magra, desempenhos eficientes estão sempre associados a uma menor deposição de gordura abdominal. Isso foi confirmado pelos resultados deste ensaio, onde a melhora do peso corporal, GP e CA foi associada a manutenção do rendimento de carcaça e da gordura abdominal com redução significativa do rendimento de peito (Tabela 2).

Pesquisas recentes mostraram que alguns biossurfactante melhoram a absorção de diversos nutrientes, independentemente da densidade e composição da dieta. Os dados do presente ensaio estão de acordo com esses achados, considerando que o desempenho e as características de carcaça das aves suplementadas com biossurfactante se igualam ou superam o Controle Positivo na reformulação da dieta.

O ensaio com frangos de corte mostrou vários efeitos benéficos da aplicação do biossurfactante:

  • Conforme esperado, a reformulação da ração com biossurfactante possibilitou a redução da quantidade de óleo adicionado às dietas,
  • A reformulação da ração com biossurfactante resultou em uma redução do custo da ração, ao mesmo tempo em que alcançou desempenho superior ou idêntico às dietas de controle positivo.
  • O biossurfactante exerceu um claro efeito positivo na composição da carcaça, aumentando o rendimento de peito e reduzindo (ainda que numericamente) a gordura abdominal.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura

Ionóforos ajudam a modular o microbioma intestinal de frangos de corte, mas sua principal função é anticoccidiana

Em termos globais, são registrados prejuízos de até US$ 13 bilhões devido à temível e prevalente coccidiose aviária

Publicado em

em

O Presente Rural

Artigo escrito por Patrícia Tironi Rocha, mestre em sanidade animal pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e gerente técnica de avicultura da Phibro Saúde Animal

O problema é sério. Em termos globais, são registrados prejuízos de até US$ 13 bilhões devido à temível e prevalente coccidiose aviária, doença intestinal causada por parasitas do gênero Eimeria, que causam uma série de danos à digestão, absorção e aproveitamento dos alimentos, além de predispor as aves a outras doenças igualmente desafiadoras.

Além de provocar grande impacto em desempenho zootécnico, a coccidiose pode levar as aves à morte. Um dos problemas desencadeados, especialmente pela Eimeria maxima, é a predisposição a infecções pelo Clostridium perfringens (CP), que, ao produzir toxinas necrotizantes, causa a enterite necrótica, outra importante enfermidade de frangos de corte.

A ciência descobriu anticoccidianos químicos e ionóforos poliéteres eficazes para controlar a coccidiose. Os ionóforos (termo que significa “transportador de íons”) são produzidos por processo fermentativo e são amplamente utilizados – e com sucesso – em dietas de frangos de corte. Atualmente, seis moléculas com essa função são utilizadas pela indústria avícola. Entre elas, está a semduramicina, usada com segurança e eficácia há mais de duas décadas. Já as moléculas produzidas por síntese química podem ser representadas pela nicarbazina, introduzida no mercado em 1955 e ainda utilizada com sucesso.

Ao contrário da eficácia anticoccidiana dos ionóforos, amplamente reconhecida, a eficácia antimicrobiana dos mesmos em nível intestinal é bem menos estudada e avaliada e, possivelmente, tem sido supervalorizada. Um exemplo é a crescente produção de frangos de corte sem antibióticos melhoradores de desempenho. Nesse modelo de produção, para as empresas que ainda fazem o uso de anticoccidianos ionóforos e químicos as questões entéricas incluindo enterite necrótica têm sido frequentemente reportadas, o que evidencia que não se pode creditar apenas aos ionóforos o efeito antimicrobiano e o controle da enterite necrótica.

Ao analisar os valores de concentração inibitória mínima (CIM) dos ionóforos frente a cepas de Clostridium perfringens (in vitro) e compará-los com as doses dos ionóforos na ração, como anticoccidianos, constatamos que as concentrações indicadas para uso nas rações estão acima dos valores de CIM. Como exemplo, a CIM de semduramicina é de 10 partes por milhão (ppm) para inibição de CP (EC, 2002). As doses de semduramicina registradas no Brasil na ração são de 20 a 25 ppm, ou de 15 a 18 ppm quando em associação com nicarbazina. Como o CP faz parte da microbiota intestinal normal de frangos (população heterogênea com várias cepas), pode-se inferir que os valores de CIM (in vitro) possuem relação direta com o potencial de inibição deste microrganismo no lúmen intestinal.

Um ponto importante a ser verificado em pesquisas sobre a concentração inibitória mínima de ionóforos é em relação às cepas de Clostridium perfringens utilizadas. Alguns estudos e relatos não especificam se as cepas utilizadas eram de aves saudáveis ou provenientes de surtos de enterite necrótica. Isso faz muita diferença. Em intestinos de aves saudáveis, a população de Clostridium perfringens é variada e composta por múltiplas cepas. Já em intestinos de aves afetadas pela enterite necrótica há a predominância de um clone único desta bactéria – Clostridium perfringens virulentos e que expressam fatores de virulência (Timbermont et al, 2011).

Trabalho publicado em 2003 por Brennan et al, com inoculação de frangos de corte com cepa de Clostridium perfringens isolada de surto de enterite necrótica, avaliou bacitracina metileno dissalicilato (BMD), narasina e também associação dos dois recursos em relação a um grupo sem tratamento. Verificou-se que os escores de lesão para enterite necrótica e mortalidade por essa causa foram reduzidos apenas nos grupos que receberam o antibiótico melhorador de desempenho (BMD) e no grupo com a associação de BMD e narasina.  Esses dados sugerem ação limitada do ionóforo (neste estudo, a narasina) no controle da enterite necrótica.

A hipótese mais aceita atualmente pela academia é que os anticoccidianos ionóforos auxiliam na redução de bactérias intestinais gram-positivas, incluindo Clostridium perfringens, mas não as eliminam. A contribuição antimicrobiana dos ionóforos parece ser por modulação populacional e não por eliminação. Contudo, é preciso salientar que os efeitos antimicrobianos dos ionóforos que auxiliam no controle de lesões de enterite necrótica aparentemente podem se perder quando a dose utilizada na ração é reduzida.

Pesquisa publicada em 2010 por Lanckriet et al relata que em frangos de corte sob condições de desafio as lesões de enterite necrótica diminuíram significativamente em cada grupo experimental que recebeu ionóforos simples via ração (70 ppm de narasina, 75 ppm de lasalocida, 70 ppm de salinomicina e 5 ppm maduramicina). No mesmo experimento, o produto combinado narasina-nicarbazina, a 50 ppm de cada princípio ativo, não diminuiu significativamente o número de aves com lesões de enterite necrótica quando comparado com o grupo controle desafiado, indicando que a dose reduzida da narasina (50 ppm) possivelmente está abaixo do limiar de eficácia microbiológica.

Em síntese, a simples observação dos valores das Concentrações Inibitórias Mínimas – CIM (in vitro) dos ionóforos frente a Clostridium perfringens mostra que todos ionóforos, nas doses em que são usados como anticoccidianos, já atingem concentrações suficientes para inibição desta bactéria no lúmen intestinal. Porém, estudos sugerem efeito limitado dos ionóforos no controle da enterite necrótica e inibição do Clostridium perfringens em estudos in vivo.

A contribuição dos ionóforos na redução de enterite necrótica e na translocação bacteriana do Clostridium perfringens a partir do intestino tem como base principal a preservação da barreira epitelial entérica. Isso se deve, em primeiro lugar, à sua eficácia como anticoccidiano – até mesmo porque, a partir da visão epidemiológica, a coccidiose é o mais frequente e importante fator predisponente à enterite necrótica e, secundariamente, à modulação da microbiota.

Investir em bons programas de controle é uma excelente forma de manter o bem-estar animal e a lucratividade na avicultura.

Fonte: Assessoria
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