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Avicultura Saúde Animal

Reagentes de degradação de enzimas efetivamente removem micotoxinas desoxinivalenol e zearalenona de sucos digestivos artificiais de suínos e aves

Inativadores enzimáticos possuem uma atividade biológica que permite alterar a estrutura química das MX e transformá-las em metabólitos com efeito tóxico menor ou nulo

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe Técnica Vetanco

As micotoxinas (MX) são metabólitos secundários tóxicos produzidas por vários fungos filamentosos, principalmente Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Ao consumir alimentos contaminados com micotoxinas, os animais sofrem uma série de efeitos tóxicos, tais como: diminuição do consumo de alimentos, diminuição do ganho de peso, diarreia, imunossupressão, vômitos, lesões ulcerativas, etc. Dentre as principais estratégias para controle de micotoxinas, a mais utilizada é o emprego dos aditivos anti-micotoxinas no alimento nas fábricas de rações e nas granjas, para reduzir a concentração das micotoxinas. Outras alternativas são a: inativação térmica, irradiação e diluição física.

Os aditivos anti-micotoxinas são, atualmente, a estratégia mais eficaz para diminuir a concentração de micotoxinas no animal. Existem dois grandes grupos de aditivos anti-micotoxinas: os sequestrantes e os inativadores enzimáticos. Os sequestrantes evitam a absorção das micotoxinas através do trato gastrointestinal ligando-se a sua superfície. Eles podem ser inorgânicos (Bentonitas, Aluminossilicatos, etc.) ou orgânicos (Parede de leveduras). Os inativadores enzimáticos possuem uma atividade biológica que permite alterar a estrutura química das MX e transformá-las em metabólitos com efeito tóxico menor ou nulo. Normalmente, eles podem ser uma bactéria, uma levedura ou só um extrato enzimático.

As MX classificam-se em polares e com menor polaridade, de acordo com sua estrutura química. As micotoxinas polares, tais como a Aflatoxina B1 e a Fumonisina B1, são as mais polares das micotoxinas e são adsorvidas mais facilmente do que as apolares. Por sua vez, o peso molecular, a solubilidade, a capacidade de dissociação e as cargas iônicas, também desempenham um papel essencial em sua capacidade de serem adsorvidas. A Aflatoxina B1 tem uma maior taxa de adsorção do que Fumonisina B1; é por isso que Aflatoxina B1 é o principal objetivo dos adsorventes.

A maioria dos adsorventes têm demonstrado baixa e/ou nula capacidade para adsorver micotoxinas com menor polaridade, tais como o Desoxinivalenol (DON) e a Zearalenona (ZEA). Por sua vez, os inativadores enzimáticos têm demonstrado ser a melhor opção para o controle dessas micotoxinas. Até hoje, não existe um método analítico simples e prático que possa avaliar a capacidade de remoção das micotoxinas in vivo, portanto os métodos de avaliação padrão são os ensaios in vitro. Apesar disso, é importante que as condições do ensaio in vitro sejam estritamente controladas para que possam ser bem semelhantes ao modelo in vivo, de maneira que os resultados possam ser replicados.

No presente ensaio, diagramou-se um modelo in vitro semelhante às condições do trato gastrointestinal dos suínos (Sus scrofa), replicando os tempos de permanência do alimento em cada uma das estruturas anatômicas (estômago e intestino), os pHs de cada uma das estruturas, a temperatura, o tempo de permanência, a motilidade intestinal e a presença de enzimas digestivas próprias do animal.

Dessa maneira, foi possível criar um modelo que mimetiza, satisfatoriamente, in vitro às condições in vivo do animal. As simulações in vitro foram realizadas imergindo o alimento contaminado com micotoxinas em suco gástrico artificial (SGA) a um pH de 2,5 por 5 horas, ou em suco intestinal artificial (SAI) em pH de 6,5 por 2 horas, mimetizando as condições do estômago e intestino, respectivamente.

Os aditivos anti-micotoxinas avaliados, expostos na Tabela 1, foram selecionados de acordo com sua maior prevalência no mercado, sendo que as doses utilizadas nos testes foram sugeridas pelos fabricantes. O método utilizado para a avaliação foi o HPLC, por ser considerado o mais preciso para a avaliação das micotoxinas.

A dose de desafio de DON utilizada no estudo foi de 1.000 ppb e a dose de desafio de ZEA foi de 500 ppb, de acordo com as diretivas da China Hygienic Standard for Feed (GB13078-2017) e os regulamentos da FDA. Ambas as doses de micotoxinas utilizadas no ensaio ultrapassam os limites máximos toleráveis para a espécie (Tabela 2). Dados do LAMIC (2010-2020) referentes a aproximadamente 11.500 amostras trazem menores prevalências (5%) e concentrações (95 ppb) desta mesma micotoxina.

Resultados

No Gráfico 01 pode ser observada a capacidade de inativação ou adsorção de DON em função do tempo ao longo do modelo in vitro do trato gastrointestinal dos suínos. Após a avaliação das 5 primeiras horas em um pH de 2,5 (equivalente ao estômago dos suínos), os percentuais de remoção de DON no nível de 1.000 ppb foram 92%, 79%, 52%, 35% e 56% para EDRs (1 a 5), ​​respectivamente, e 12% e 13% para adsorvente 1 e adsorvente 2, respectivamente.

Após 5 h de simulação estomacal, todos os EDRs, apresentaram maior capacidade de remoção de DON do que os dois adsorventes (p <0,05), e a capacidade de remoção de EDR1 foi maior que todos os outros EDRs (p <0,05), exceto EDR2, do qual não foi observada diferença significativa na capacidade de remoção entre os dois adsorventes.

Para as condições simuladas do intestino delgado (pH de 6,5) por 2h, os percentuais de remoção de DON no nível de 1.000 ppb foram 100%, 84%, 83%, 54% e 68% para os EDRs (1 a 5), ​​respectivamente, e 15% e 19% para os adsorventes 1 e 2, respectivamente (Gráfico 1).

Gráfico 1. Percentual de remoção do desoxinivalenol (DON) 1.000 ppb com reagentes de degradação enzimática (linha sólida) e adsorventes (linha pontilhada) em simulações gastrointestinais de suínos.

Fonte: Ko-Hua Tso et al., 2019..◆: EDR1 a 0,05%; ■: EDR2 a 0,1%; ▲: 0,1% de EDR3; ×: EDR4 a 0,1%; □: 0,2% de EDR5; ●: 0,2% adsorvente 1; +: 0,2% e adsorvente2. a, b, c sem os mesmos sobrescritos diferem (p <0,05). SGA: Suco gástrico artificial; SIA: Suco intestinal artificial; DON: Desoxinivalenol; EDR: Reagentes de degradação enzimática.

Na simulação do intestino delgado (após 2h) a um pH de 6,5, todos os EDRs, apresentaram maior capacidade de remoção de DON do que os dois adsorventes (p <0,05), a capacidade de remoção de EDR1 foi maior que todos os outros EDRs (p <0,05). Não houve diferença estatística entre EDR2 e EDR3, ambos melhores que EDR4 e EDR5 (p <0,05). Também não foi encontrada diferença significativa no percentual de remoção entre dois adsorventes (Gráfico 1).

Dados do LAMIC (2010-2020) referentes a aproximadamente 17.000 amostras trazem maiores prevalências (75%) e concentrações menores (20 ppb) desta mesma micotoxina.

Após a avaliação das 5 primeiras horas em um pH de 2,5 (equivalente ao estômago dos suínos), os percentuais de remoção de ZEA no nível de 500 ppb foram de 100%, 89%, 50%, 30% e 57% para EDRs (1 a 5), e 0% e 30% para os Adsorventes 1 e 2, respectivamente (Gráfico 2). O percentual de remoção de ZEA do EDR1 foi melhor que EDR2 que, por sua vez, foi maior que todos os demais do EDRs e adsorventes (p <0,05).

Gráfico 2. Percentual de remoção da Zearalenona (ZEA) 500 ppb com reagentes de degradação enzimática (linha sólida) e adsorventes (linha pontilhada) em simulações gastrointestinais de suínos.

Fonte: Ko-Hua Tso et al., 2019..◆: EDR1 a 0,05%; ■: EDR2 a 0,1%; ▲: 0,1% de EDR3; ×: EDR4 a 0,1%; □: 0,2% de EDR5; ●: 0,2% adsorvente 1; +: 0,2% de adsorvente2. a, b, c sem os mesmos sobrescritos diferem (p <0,05). SGA: Suco gástrico artificial; SIA: Suco intestinal artificial; ZEA: Zearalenona; EDR: Reagentes de degradação enzimática.

Na simulação do intestino delgado (após 2h) a um pH de 6,5, os percentuais de remoção de ZEA a 500 ppb foram de 100%, 100%, 74%, 65%, e 68% para EDRs (1 a 5), ​​respectivamente, e 0% e 36% para os adsorventes 1 e 2, respectivamente (Gráfico 2). Após 2h de simulação do intestino delgado, apenas o EDR1 e EDR2 apresentaram 100% de remoção de ZEA (p <0,05).

Discussão

Foi possível observar como os inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 possuem uma capacidade de remoção significativamente superior aos outros inativadores enzimáticos e aos sequestrantes. Na diminuição do pH, devido a passagem da solução pelo estômago, ocorre um aumento ainda maior da capacidade de remoção dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2, frente aos outros inativadores. Essa capacidade de eliminação das micotoxinas nos primeiros segmentos do trato gastrointestinal é específica dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2, uma vez que, diferentemente dos demais produtos avaliados, as enzimas presentes neste produto possuem seu grau máximo de atividade enzimática em pH ácido, como pode ser observado no Gráfico 3.

Gráfico 3. Porcentagem de atividade enzimática em diferentes pHs dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2.

Quando da chegada da solução nos intestinos, provoca um aumento do pH (de 2,5 a 6,5). Desta forma, é perceptível que o processo de biotransformação dos inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 se mantém, e nota-se aumento na capacidade dos demais inativadores. Essa variação ocorre porque as enzimas dos outros produtos avaliados possuem seu grau máximo de atividade em um pH perto da neutralidade. Por sua vez, a atividade dos sequestrantes não varia, demonstrando que a capacidade de adsorção deles não foi influenciada pelo pH.

Durante a passagem total da solução pelo modelo animal (7,5 horas), foi possível obter uma capacidade de remoção total (100%) de DON com e EDR1 e uma remoção de 84% com EDR2, enquanto os outros inativadores enzimáticos tiveram uma ação de 83% (EDR3), 54% (EDR4) e 68% (EDR5). Por sua vez, os adsorventes tiveram a capacidade de eliminação de DON de 15% para Adsorvente 1 e de 9% para Adsorvente 2.

Por último, na passagem total da solução pelo modelo animal (7,5 horas), foi possível obter uma capacidade de remoção total (100%) de ZEA com o EDR1 e com o EDR2, enquanto os outros inativadores enzimáticos tiveram uma ação de 74% (EDR3), 68% (EDR4) e 65% (EDR5). Por sua vez, os adsorventes tiveram a capacidade de eliminação de ZEA de 0% para Adsorvente 1 e de 36% para Adsorvente 2.

A diferença de eliminação total de DON entre os inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 e os demais produtos, ocorre devido a capacidade das enzimas dos dois primeiros agirem em um pH ácido, nos primeiros segmentos do trato gastrointestinal, o que permite um maior tempo de ação total. Os outros produtos aumentam sua velocidade de ação na chegada ao intestino; porém, para esse momento, o alimento permanece pouco tempo no interior do intestino e ademais disso, uma vez nesta porção, já é iniciada a absorção das micotoxinas.

Conclusão

Os inativadores enzimáticos são uma opção viável para a eliminação das micotoxinas Desoxinivalenol e Zearalenona no modelo in vitro e, dentre eles, os inativadores enzimáticos EDR1 e EDR2 apresentaram maior capacidade de eliminação dentre os produtos testados, sendo que para a micotoxina Zearalenona, ambos tiveram 100% efetividade na remoção da mesma ao longo do trato gastrointestinal dos suínos.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição

A revolução das enzimas

Enzimas ganharam espaço na formulação de dietas, devido sua capacidade de melhorar o aproveitamento de diversos nutrientes importantes

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Artigo escrito por Anderson Lima, zootecnista, doutor em Nutrição de Monogástricos e gerente de vendas para avicultura na Alltech

Consideradas até pouco tempo como apenas uma aliada na redução de custos de alimentação na avicultura de corte – que de acordo com a Embrapa representa cerca de 69% dos custos de produção -, as enzimas ganharam espaço na formulação de dietas em produções em todo o Brasil, especialmente devido a sua capacidade de melhorar o aproveitamento de diversos nutrientes importantes, reduzindo a quantidade de ração a ser oferecida para o animal.

As enzimas adicionadas às dietas promovem a quebra de porções do alimento, inicialmente indigestíveis. Dependendo do tipo de enzima adicionada às rações, é possível ainda observar a redução da viscosidade da digesta no trato gastrintestinal, degradação de proteínas e diminuição dos efeitos de fatores anti nutricionais.

Frente ao uso das enzimas, as pesquisas não param: de 1969, quando elas começaram a ser utilizadas, até os dias atuais é possível encontrar a utilização de tecnologias como carboidrases, proteases e lipases, que têm um raio de ação que vai muito além da fitase, utilizada até então como um produto único para melhorar a absorção de fósforo no organismo da ave. Outro avanço que temos presenciado é o uso de várias enzimas combinadas, que atuam em várias porções indigestíveis diferentes dos alimentos, ampliando o raio de ação e consequentemente aliviando o bolso do produtor.

Outro fato interessante é o desenvolvimento de enzimas exógenas com diferentes especificações químicas, que têm sido propostas como alternativas tecnológicas para reduzir o impacto negativo das frações indigestíveis dos alimentos para os animais. Além dos benefícios de outros complexos enzimáticos, nesta já é observada também a melhora geral na saúde intestinal de aves alimentadas com rações contendo complexos múltiplos de enzimas exógenas.

Pesquisadores afirmam que o uso combinado de complexos enzimáticos de caráter fibrolítico e proteolítico em dietas a base de milho e farelo de soja pode gerar incremento na digestibilidade ileal das proteínas, como resultado do aumento da liberação de proteínas estruturais, tais como as glicoproteínas.

Com relação às metodologias de obtenção das enzimas exógenas, destaca-se o processo de fermentação em estado sólido (SSF – Solid State Fermentation), que consiste na produção de várias enzimas em conjunto e ao mesmo tempo, os chamados complexos enzimáticos, isso garante maior sinergia e estabilidade entre as enzimas geradas, característica importantíssima para o bom funcionamento das mesmas nos animais.

Números

Ao analisar 28 pesquisas com complexos enzimáticos produzidos por meio de fermentação em estado sólido, pesquisadores concluíram que a adição desses nas rações melhora o ganho de peso médio dos animais em 3,73% e a conversão alimentar em 2,64%. As dietas das aves suplementadas com os complexos enzimáticos produzidos na metodologia SSF podem ter redução de 75 kcal/kg de energia metabolizável, 1% de aminoácidos essenciais e 0,1% nos níveis de cálcio e fósforo disponível, proporcionando considerável economia nas mesmas.

Tecnicamente como são inúmeros os compostos indigestíveis nas rações, o uso desses complexos enzimáticos, justifica-se frente à utilização de enzimas isoladas. Apesar das dietas brasileiras para aves serem majoritariamente compostas por milho e soja, alimentos já bem aproveitados nutricionalmente por esses animais, sempre há porções que podem ser melhor utilizadas a fim de permitir que os mesmos possam manifestar seu potencial produtivo.

Avanços

São avanços como este que podem proporcionar um melhor desempenho em algumas fases de criação, como é o caso de animais jovens, que por terem os tratos gastrointestinais em desenvolvimento são incapazes de digerir alguns compostos, colaborando na redução do custo das dietas e o incremento da utilização de alimentos alternativos nas rações.

Conforme podemos observar, o uso de enzimas é uma prática consolidada no mercado e que cada vez mais, por meio de pesquisas, é possível comprovar sua eficiência e aumentar o grau de relevância que os complexos enzimáticos precisam ter na formulação de dietas, para que desta maneira as aves sejam mais saudáveis, mantendo a rentabilidade da produção. Ou seja, é inegável que para que a avicultura brasileira continue a avançar, é de extrema necessidade que os produtores realizem um uso cada vez mais consciente e eficaz das enzimas adicionadas à alimentação.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Segundo ABPA

Exportações de carne de frango crescem 15,3% em abril

Vendas acumuladas registram alta de 4,92% em 2021

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Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) cresceram 15,3% em abril, totalizando 395,7 mil toneladas – contra 343,3 mil toneladas registradas no mesmo período de 2020.

A receita dos embarques do quarto mês de 2021 chegou a US$ 610 milhões – melhor desempenho registrado nos últimos 16 meses – superando em 18,2% o resultado obtido em abril de 2020, com US$ 515,9 milhões.

No acumulado do ano (janeiro a abril), o total exportado pelo setor chegou a 1,432 milhão de toneladas, volume 4,92% superior ao alcançado no primeiro quadrimestre de 2020, com 1,365 milhão de toneladas.

O saldo em dólares das exportações chegou a US$ 2,169 bilhões, número 0,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, com US$ 2,151 bilhões.

Entre os mais de 140 países importadores da carne de frango do Brasil, foram destaque em abril os embarques para África do Sul, com 26,4 mil toneladas (+30,6% em relação ao mesmo período de 2020), União Europeia, com 18,5 mil toneladas (+26,7%), Filipinas, com 16,2 mil toneladas (+170%), Rússia, com 13 mil toneladas (+140,1%), Coreia do Sul, com 12,3 mil toneladas (29,6%) e México, com 10,3 mil toneladas (+5445%).

Ainda em Abril, o Paraná, principal estado exportador do país, embarcou 156,1 mil toneladas (+10,91% em relação à abril de 2020), sendo seguido por Santa Catarina, com 84,1 mil toneladas (+11,93%), Rio Grande do Sul, com 61,4 mil toneladas (+11,3%), Goiás, com 20,6 mil toneladas (+46,25%) e São Paulo, com 18,7 mil toneladas (+4,74%).

“Além dos mercados tradicionais, temos acompanhado a retomada de determinados mercados, como o México, e o crescimento dos patamares de compras de nações como Rússia e Filipinas. Os indicativos preliminares mostram que este patamar de exportações deve se repetir em maio. São números que ajudam a reduzir as perdas geradas pelo setor produtivo, com a forte especulação e alta dos custos de produção, principalmente devido aos preços do milho e da soja”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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Avicultura Mulheres do agro

Os livros a conduziram à Gerência de uma indústria avícola

Lérida Fantin de Vargas ocupa hoje o cargo de gerente industrial dentro de uma das maiores cooperativas brasileiras

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A liderança sempre esteve presente na personalidade de Lérida Fantin de Vargas. Desde muito nova já assumia diversos papéis importantes na comunidade em que estava presente. Hoje, muito mais do que uma líder, Lérida é também uma inspiração para diversas mulheres que trabalham na agroindústria e no cooperativismo. Aos 50 anos, casada e mãe de duas filhas, atualmente ela ocupa um importante cargo dentro da Lar Cooperativa Agroindustrial: gerente industrial.

Filha de pai agricultor e mãe costureira, Lérida morava no interior de Palotina, no Oeste do Paraná. Mesmo sendo “da roça”, sempre foi muito inquieta e queria estar envolvida em diversas atividades, de coordenadora de grupo de jovens a catequista e, até mesmo, professora substituta na escolinha da comunidade onde residia. “Sempre estive na coordenação de grupos de família, cultos aos domingos na igreja e cantos do coral. Em destaque uma “dominância” e a “comunicação”. Mas também nunca tive preguiça”, conta.

Ela lembra que os pais sempre a incentivaram muito para estudar. “Fui da escola da comunidade para o ensino médio que só tinha na cidade, onde ia diariamente de ônibus e onde percebi a oportunidade de me desenvolver e ir além”, afirma. Muito jovem, Lérida concluiu o ensino médio e logo partiu para novos desafios. “Em Palotina existia apenas um curso de nível superior que era extensão da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) de Toledo, o curso de Ciência Econômicas. Não hesitei, universidade noturna lá vou eu! Nessa época associei os estudos com estágio diurno numa seleção no Banco do Brasil”, recorda.

Os contatos que fez na universidade e no estágio a direcionaram para algo maior e com mais acesso ao conhecimento. “Por perfil, já sabia que eu não seria uma Economista, e que queria ser Médica Veterinária e com auxílio da família e amigos segui para essa profissão. Com 20 anos de idade, iniciando a graduação em uma universidade particular em Bagé, no Rio Grande do Sul, onde eu tinha recursos para me manter por um ano apenas”, lembra. De acordo com Lérida, os pais sempre a apoiaram e diziam que em tempo tudo teria solução. “Estudava durante o dia, final do dia eu vendia produtos de beleza, esses de mostruários e revistas (e vendia muito), o que ajudava nas despesas. Também participava de atividades da Universidade, time de voleibol, com treinos das 23h até 01h, isso dava desconto na mensalidade. No ano de 1990 os mesmos contatos e amigos de convivência me ajudaram, na época, no pedido do Crédito Educativo Federal, que foi aprovado e assim consegui recursos para continuar na universidade”, conta.

Depois de conseguir o crédito, Lérida seguiu com muita dedicação seus estudos. “Fazia os trabalhos para metade da turma de veterinária e cobrava para emprestar meus cadernos para a outra metade tirar xerox”, recorda. Todos os esforços eram para conseguir se manter na universidade até o fim. Porém, mesmo com todo o trabalho, Lérida não tinha recursos suficientes para retornar ao Paraná para visitar os pais nas férias de julho. “Chorava e me confortava sabendo que isso seria vencido”, comenta. Em 1993 Lérida começou a namorar um colega da faculdade e se casou com ele 1994. “Achamos que dividir as dificuldades seria fortalecedor”, diz.

Quando chegou a formatura, Lérida já ia se direcionando para a avicultura através de estágios.  “Eu escolhi ser médica veterinária e iniciei a carreira trabalhando com microbiologia. Amava trabalhar com o invisível/microscópico, era desafiador. Em um determinado momento havia uma oportunidade para uma função na avicultura, onde nenhuma mulher antes havia conquistado o cargo naquela empresa e imediatamente eu sabia que seria meu. Foi assim que iniciei a atividade dentro do processo produtivo na avicultura, como supervisora de Industrializados e demandava interação com processo de abate de aves”, lembra. “Tudo foi compensador. Me destaquei, assumi novos cargos, me especializei, continuei a estudar sempre e as oportunidades surgiram e eu estava preparada para esses desafios”, afirma.

No decorrer dos anos, Lérida foi se especializando cada vez mais. Após concluir as faculdades de Ciências Econômicas e Medicina Veterinária, ela fez diversas pós-graduações, sendo que hoje ela possui MBA em Formação de Gestores, em Engenharia da Produção Agroindustrial e Executiva em Gestão Estratégica de Pessoas. Ela conta ainda com especialização em Higiene, Processamento e Vigilância de Produtos de Origem Animal e “Lato Sensu” em Desenvolvimento Gerencial. Há pouco tempo Lérida terminou ainda o mestrado em Tecnologia de Alimentos.

Mulheres na liderança

De acordo com Lérida, ela foi se preparando ao longo do tempo, sempre estudando e se mantendo atualizada para conquistar melhores posições dentro da cooperativa que trabalhava. “Com as demandas chegando e rapidamente conduzindo equipes para fazer as entregas, conseguimos nos manter na atividade e em destaque. A equipe faz toda a diferença, ela é comprometida junto comigo, enfrentamos os desafios e comemoramos as conquistas juntos. Sempre estimulando todos para estudar, buscar conhecimento de forma constante”, conta.

E como os estudos sempre fizeram parte da vida de Lérida, há pouco tempo ela concluiu o mestrado na área de Tecnologia de Alimentos. “Apesar de já ter realizado várias especializações busquei novos conhecimentos, vencendo a idade, a rotina, reestudar muitas coisas porque estava concorrendo com recém-formados e dedicando o tempo de lazer e descanso para novo conhecimento. Essas atitudes servem de exemplo e motivação para a equipe, eles percebem pelo exemplo que podem mais e que é possível”, diz.

Para Lérida, as mulheres ainda não ocupam cargos de liderança nas agroindústrias e cooperativas em grande escala, mas a presença feminina está aumentando de forma significativa. “No geral, as mulheres têm mais habilidades para processos de comunicação, para tratativas com equipes grandes e acho que também tem um feeling mais apurado. Em breve mulheres em espaços de lideranças será destaque”, afirma.

Reparando erros

Um grande entrave ainda vivido por muitas mulheres para ocupar estes cargos importantes é o preconceito que ainda existe no setor. “Mas está em processo de mudança. Trata-se de uma cultura milenar onde o homem deve ser o responsável pelo sustento da casa e essa falha cultural acaba respingando na posição de cargos do alto escalão. Já temos muito exemplos dessa mudança, infelizmente alguns que foram decepcionantes e acaba prejudicando esse conceito. Mas muitos que são espetaculares e que favorecem essa conquista”, comenta.

Para alcançar estes cargos de liderança tão almejados exemplos a ser seguidos são sempre bons, e Lérida se considera um deles. “O exemplo “arrasta”. Muitas mulheres já foram orientadas e encorajadas por mim em evoluir no processo de lideranças e muitas já estão à frente desse processo. É fundamental que esse conceito esteja na cabeça dos diretores e gestores das agroindústrias e cooperativas, que sejam fonte de estímulo e percebam que as empresas serão grandemente beneficiadas com essa mudança, em que as mulheres têm níveis diferenciados em resultado e competência”, menciona.

Segundo Lérida, a mulher e o seu papel neste setor tão importante para a economia nacional está em processo de crescimento e destaque. “Temos mulheres em cargos do Ministério da Agricultura e vários cargos associados, mulheres em diversas esferas do Legislativo e Judiciário, mulheres à frente de gestão de escolas, instituições diversas, entre outros. Mulheres à frente de propriedades rurais e negócios agropecuários e na sua maioria com sucesso. Estamos em processo de evolução e nossa contribuição crescente será somada com o que já é praticado. Não se trata de igualdade ou “mesmos direitos”, vejo simplesmente que somos capazes, conseguimos associar melhor algumas funções e temos talento e atitudes para ser grandes gestoras em agroindústrias, com resultados, com velocidade e competência. E de brinde fica a sensibilidade e o feeling apurado”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Encontro Nacional de Micotoxinas – RJ

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