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Raça Wagyu ganha espaço na produção de carnes nobres

Há mais de 10 anos Eraldo e o irmão Ricardo Zanella investem na raça Wagyu; preço do quilo da carne pode chegar a mais de R$ 200

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Acervo Pessoal

O pecuarista vem buscando, ao longo dos anos, oferecer ao consumidor um produto de melhor qualidade. Para isso, o que muitos estão buscando é oferecer aos animais uma melhor nutrição, bem-estar e manejo, além de investir na genética para alcançar resultados superiores e oferecer o melhor produto ao mercado. Os irmãos Eraldo e Ricardo Zanella levaram essa condição a um nível superior. Os dois investem, desde 2002, na criação do boi de raça Wagyu. De origem japonesa, a raça oferece uma das carnes mais nobres e saborosas do mercado. O quilo pode chegar a custar mais de R$ 200.

Atualmente, são 150 cabeças criadas na Agropecuária Zanella, que fica no município de Paim Filho, no Rio Grande do Sul. Segundo Eraldo, a história que iniciou a criação pelos irmãos é bastante curiosa. “Quando eu estava realizando um projeto de pesquisa no Mato Grosso na área de reprodução em colaboração com o professor doutor Jerry Reeves, da Washington State University de Pullman, dos EUA, ele comentou sobre a raça Wagyu e se eu não teria interesse de cria-la no Brasil”, diz. Ele conta que conheceu o professor em um congresso no início dos anos 1990, quando estava realizando a pós-graduação em Lincoln, Nebraska (EUA). “Eu sabia de sua paixão por esta raça, e mais que isso, de sua seriedade como criador”, comenta.

De acordo com o produtor, ele achou a raça bastante interessante, já que na época se falava pouco sobre o Wagyu no Brasil. “Cerca de dois meses depois recebi uma notificação que havia chegado um tanque de nitrogênio com material genético de Wagyu (sêmen) em Paranaguá, PR. Imediatamente organizei para utilizar em um grupo de fêmeas da propriedade de meu pai Ipenor Zanella, em Paim Filho”, informa. Ele explica que disso nasceram os primeiros animais cruzados. “Testamos a carne e, a partir daí, fomos investindo na raça, sempre com a parceria com o Jerry Reeves”, menciona.

Segundo Eraldo, a sociedade com o doutor Jerry, desde então, aumentou. “Meu irmão e sócio da propriedade, Ricardo Zanella, por intermédio do doutor Jerry, foi realizar pós-graduação na Washington State na área de genética. Desde então importamos material genético dos melhores touros em termos de marmoreio dos EUA, e disponíveis no mercado brasileiro, inclusive fêmeas para produção de embriões”, explica.

A diferença entre Wagyu e demais raças

Muitas são as curiosidades a cerca desta raça. Eraldo explica que o Wagyu é parecido com outras que existem no Brasil. O diferencial, segundo ele, é que os terneiros precisam de um cuidado especial, uma vez que as vacas têm pouco leite. “Além disso, os animais da raça Wagyu, diferentemente das outras raças de corte, não devem ser julgados pelo fenótipo, mas sim pelo genótipo”, alerta.

Além do mais, outras diferenças características do Wagyu são o baixo peso ao nascer. “Ou seja, facilidade de parto. Dificilmente você tem parto distócico nesta raça. Ideal para utilização em novilhas de primeira cria, inclusive no gado leiteiro. Além disso, comparado com algumas raças europeias, tem menor predisposição ao carrapato”, explica.

O produtor reitera que a genética é o principal fator para que esta raça produza uma carne de melhor qualidade. Mas isso aliado a uma nutrição adequada. Ele ainda comenta que como a produção é diferenciada, fazendo com que os valores no mercado sejam maiores, também os custos de produção da raça são diferentes. “Em comparação com animais de outras raças, gastamos mais que o dobro”, conta.

Produção e resultados

Um dos pontos essenciais em todas as raças bovinas é oferecer o melhor bem-estar animal para que a produção seja, então, de melhor qualidade. No Japão, de onde a raça é oriunda, os animais recebem pequenas regalias como massagem e até mesmo cerveja. Eraldo comenta que na propriedade isto não é praticado, porém o bem-estar é oferecido de outras formas. “Nós ofertamos aos animais qualidade de vida. No confinamento estamos alimentando-os com grãos de aveia e cevada. As vacas são criadas a campo, e deixamos os terneiros junto às mães até por volta dos 6-8 meses. O que oferecemos é o cuidado para com os animais e tratamento visando o bem-estar deles, evitamos qualquer estresse desnecessário”, informa.

Ele acrescenta que, além disso, na propriedade ainda é evitado o uso de cães no manejo com o gado e, sempre que possível, ele e o irmão caminham entre os animais para que não se assustem com pessoas. “Conseguimos assim fazer uma avaliação sem levar os animais na mangueira de forma desnecessária”, diz.

O Wagyu é abatido, em média, aos 30 meses, quando ele alcança os 650 quilos. Eraldo comenta que, ao nascer, o peso do animal é de 30 a 35 quilos, no desmame ele chega aos 200 quilos e no final da engorda fica entre os 500 e 550 quilos. “O rendimento dele chega, em média, aos 57%”, conta.

Para alcançar estes resultados eles empregam uma nutrição que permita ao animal desenvolver todo o seu potencial genético. O produtor informa que até os oito meses é oferecido Creep feeding com 24% de proteína, dos oito aos 14 meses eles ficam a pasto, dos 14 aos 22 meses recebem silagem de milho e ração 18% proteína e dos 22 aos 30 meses a alimentação é a base de aveia, cevada e pasto. “Em todas as fases é oferecido sal mineral a vontade para todas as categorias”, expõe.

Eraldo ainda comenta que ele e o irmão estão em formação de plantel. “Dessa forma, nosso maior interesse é ter uma maior variabilidade de genética. Utilizamos na maior parte do plantel protocolos de sincronização de cio IATF e TETF. Utilizamos nossas matrizes PO para produção de embriões, que são inovulados nas vacas do plantel geral”, conta.

Quilo pode chegar a mais de R$ 200

Uma característica desta carne é o valor de mercado. Segundo Eraldo, o que justifica o preço na prateleira é o sabor, uma vez que o Wagyu oferece um gosto característico devido ao marmoreio. “A gordura entremeada dos bovinos da raça Wagyu possui uma concentração de ácidos graxos insaturados (oleico e linoleico) maiores do que as de ácidos graxos saturados (Palmítico). Isto resulta em uma carne com maior concentração de HDL (Lipoproteína de alta densidade, conhecida como o bom colesterol) e uma menor concentração de LDL (lipoproteína de baixa densidade “mau colesterol”)”, explica.

Ele conta que o valor da carne de Wagyu com alto grau de marmoreio pode chegar a valores interessantes. “Na Franca, informação recente mostra que pode chegar a 240 euros o quilo”, informa. Para ele, existe um nicho de mercado interessante, mas que ainda precisa ser organizado no Rio Grande do Sul.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Pesquisa desenvolve primeira cultivar brasileira de amendoim forrageiro propagada por sementes

Alto rendimento de forragem de qualidade aumenta em 46% a produtividade do rebanho

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Judson Valentim

Uma nova cultivar de amendoim forrageiro, planta recomendada para o consórcio com gramíneas, pode intensificar a produção pecuária a pasto nos diversos biomas com baixo impacto ambiental. Desenvolvida pela Embrapa, a BRS Mandobi é a primeira cultivar nacional da leguminosa com propagação por sementes. Além de diversificar as pastagens, melhora a fertilidade do solo e a dieta animal e eleva a longevidade dos pastos. O alto rendimento de forragem de qualidade aumenta em 46% a produtividade do rebanho.

Segundo a pesquisadora Giselle de Assis, coordenadora da Rede Nacional de Melhoramento de Amendoim Forrageiro, a intensificação sustentável da bovinocultura a pasto é uma tendência em todas as regiões do Brasil, para assegurar a competitividade da atividade. Um dos modelos utilizados se baseia na associação de gramíneas e leguminosas forrageiras bem adaptadas, produtivas e economicamente viáveis, capazes de fornecer aos animais os nutrientes necessários para a produção de carne ou leite.

“Pastagens consorciadas com amendoim forrageiro, quando bem manejadas, apresentam maior longevidade e garantem a manutenção da produtividade da forragem, por meio da fixação biológica de nitrogênio no sistema, com redução de custos com adubação nitrogenada e aumento da produção animal. A BRS Mandobi pode ampliar o uso dessa leguminosa na atividade pecuária, mediante a oferta de sementes nacionais de qualidade a preços mais acessíveis para o produtor rural”, explica a pesquisadora.

Potencial de uso da tecnologia

Entre outros fatores, a produção de forragem de qualidade e o desempenho produtivo de rebanhos bovinos de corte e leite estão relacionados ao uso de fertilizantes nitrogenados no processo de adubação de pastagens, mas, o alto preço do produto restringe a prática entre os produtores, especialmente em localidades da Amazônia. No Acre, a tonelada de ureia chega a custar R$ 2,6 mil, devido à grande distância em relação às indústrias produtoras e problemas na logística de transporte.

De acordo com o pesquisador Judson Valentim, da Embrapa Acre, o uso de gramíneas consorciadas com amendoim forrageiro representa uma alternativa eficiente para suprir a necessidade de nitrogênio nas pastagens, a baixo custo, já que a leguminosa consegue capturar esse nutriente do ar e fixar no solo, em função da associação da planta com bactérias que vivem na terra. A planta consegue incorporar até 150 quilos de nitrogênio na pastagem, o equivalente a 330 quilos de ureia, obtidos de forma natural, resultado que gera uma economia anual de cerca de R$ 600,00 por hectare, para o produtor rural.

“Esse ganho contribui para minimizar o uso de adubação química em pastagens, fator importante para a redução da emissão de gases de efeito estufa, uma vez que o processo de produção desses insumos emite grandes quantidades de carbono na atmosfera, contribuindo para uma pecuária mais sustentável. Outra vantagem do amendoim forrageiro é o elevado teor de proteína bruta presente na planta, entre 18% e 25%, nutriente que impacta diretamente a produtividade e a qualidade do pasto. O aporte proteico na dieta animal eleva o desempenho produtivo de bovinos por área, com baixas emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos ambientais da produção de carne e leite a pasto”, diz Valentim.

Altamente produtiva, a BRS Mandobi produz três mil quilos de sementes por hectare. A tecnologia foi desenvolvida a partir de demandas do setor produtivo, gerada em função do alto custo com mão de obra no processo de implantação do consórcio com as cultivares de amendoim forrageiro disponíveis no mercado, todas propagadas por mudas. A nova cultivar é recomendada para os biomas Amazônia e Mata Atlântica e pode ser utilizada em consórcio com diferentes capins como Marandu, Xaraés, Piatã, Humidícola, Tangola, Decumbens, Mombaça, Massai e a Grama-estrela, entre outros tipos de forrageiras.

Demanda global

Estudos sobre a atividade pecuária na Amazônia indicam a existência de, aproximadamente, 46 milhões de hectares de pastagens cultivadas estabelecidas em áreas já desmatadas na região, com potencial de melhoramento a partir do uso de pastos consorciados com amendoim forrageiro. No Acre, a leguminosa já é utilizada em cerca de 80 mil hectares de pastagens, consorciadas com a cultivar Belomonte, propagada por mudas, mas a escassez de sementes e o alto custo do produto dificultam a expansão do uso da leguminosa.  Atualmente, as sementes disponíveis no mercado brasileiro são importadas da Bolívia e o quilo é comercializado a R$ 200.

A oferta de sementes nacionais de amendoim forrageiro é crucial para a adoção da tecnologia em larga escala, por produtores do Acre e de outros estados que já utilizam as cultivares propagadas por mudas, como Minas Gerais, Goiás e São Paulo, por baratear o custo do produto.

Conforme Valentim, há uma procura crescente por sementes de amendoim forrageiro de qualidade, tanto no mercado nacional como em países da América Latina, parte dos Estados Unidos e Austrália. A primeira área para produção comercial de sementes da BRS Mandobi será implantada em Campo Grande (MS), por meio de contrato firmado com uma empresa produtora de sementes de gramíneas forrageiras. “Por ser uma cultura nova, será um aprendizado para os empresários, mas acreditamos que a partir dessa primeira experiência, e com a finalização e recomendação do sistema de produção para a colheita100% mecanizada, outras empresas do ramo poderão produzir sementes da BRS Mandobi em escala comercial, para atendimento dessa demanda global”, ressalta o pesquisador.

Etapas da pesquisa

Realizadas no âmbito do Programa de Melhoramento Genético do amendoim forrageiro, coordenado pela Embrapa Acre, as pesquisas para desenvolvimento do amendoim forrageiro BRS Mandobi reuniram uma equipe multidisciplinar em diferentes frentes de trabalho, durante 20 anos, desde a seleção inicial das plantas que deram origem à cultivar. As diferentes etapas do processo investigativo envolveram análises moleculares da variabilidade genética de plantas de amendoim forrageiro para confirmação da identidade da BRS Mandobi, estudos para identificação dos teores de proteína bruta, fibra e digestibilidade da matéria seca produzida e análises da qualidade de sementes, com foco na obtenção do grau de pureza, vigor e viabilidade do produto, entre outras características genéticas da cultivar.

Em campo, os testes com a tecnologia enfatizaram aspectos como resistência a doenças, tolerância ao alagamento do solo e à seca, capacidade de persistência e compatibilidade da leguminosa no consórcio com gramíneas e eficiência no processo de semeadura das sementes. Além de propriedades rurais acreanas, a BRS Mandobi foi testada em Rondônia, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. “Os resultados comprovaram que a cultivar pode ser plantada tanto em regiões quentes e úmidas como em localidades de clima frio, em níveis variados de precipitação e em solos bem drenados ou encharcados”, diz Giselle de Assis.

Para viabilizar a produção comercial de sementes da BRS Mandobi, a Embrapa tem investido no desenvolvimento de uma máquina colhedora de sementes. O equipamento a ser disponibilizado para a indústria permitirá a colheita de forma totalmente mecanizada, processo estratégico para atrair o interesse de empresas produtoras de sementes comerciais. Os testes com o primeiro protótipo confirmaram redução de 50% no preço do quilo do produto. A expectativa dos pesquisadores é diminuir ainda mais esse valor, com a versão final da máquina.

Para o gerente da Unipasto, Marcos Roveri, a implantação de pastos consorciados com uma planta de excelentes níveis proteicos, boa palatabilidade para o gado e capacidade de proporcionar ganhos reais, em áreas potenciais do País, principalmente no bioma Amazônia, permitirá a promoção contínua da sustentabilidade na pecuária nacional. “Investimos nessa tecnologia por acreditarmos na viabilidade competitiva de sistemas diversificados com leguminosas de alto valor agregado à produção de carne e leite e ao meio ambiente. Disponibilizar sementes de qualidade a preços compatíveis com a realidade dos produtores, certamente promoverá rápida expansão do uso do amendoim forrageiro no consórcio com pastagens como estratégia de produção”, afirma.

Ganhos de produtividade

Experimentos conduzidos em pastagens consorciadas com a cultivar BRS Mandobi em fazendas comerciais do Acre mostraram que, em sistema de cria e engorda, a tecnologia proporciona ganho de peso e aumenta o desempenho produtivo do rebanho. “Em pastos formados exclusivamente com gramíneas, a produtividade potencial foi de 24 arrobas de peso vivo/hectare/ano, apenas com suplementação mineral. Em pastagens consorciadas, a produtividade chegou a 35 arrobas de peso vivo/hectare/ano. Esse resultado é fantástico se comparado à produtividade média da pecuária nacional, em sistemas completos de cria, recria e engorda, de seis arrobas de peso vivo por hectare/ano em pastos puros”, enfatiza o pesquisador da Embrapa Acre Maykel Sales.

As pesquisas evidenciaram, ainda, que no período da seca, entre abril e setembro, o ganho de peso animal aumentou 86%, passando de sete arrobas/hectare/ano, no pasto puro, para 13 arrobas/hectare/ano, em pasto consorciado, desempenho possibilitado pela quantidade e qualidade da forragem disponível para o gado durante a estiagem. Além disso, a tecnologia reduz a fase de recria – período entre o fim da desmama dos bezerros e a etapa de terminação (engorda) – pela metade, passando de 24 para 12 meses, com impacto direto no ciclo de produção bovina.

Os efeitos do consórcio de gramíneas com amendoim forrageiro foram observados também em outros aspectos da atividade pecuária. De acordo com os estudos, em pastos consorciados com o amendoim forrageiro BRS Mandobi os animais atingiram o peso ideal para abate aos 30 meses de idade, enquanto em pastagens puras esse tempo é de 42 meses. Essa redução no tempo de permanência dos animais na pastagem proporciona economia com mão de obra, alimentação e vacinas, entre outros cuidados com o rebanho, refletindo-se positivamente no custo de produção da arroba.

“Além disso, a leguminosa melhora a capacidade de suporte das pastagens. Pastos consorciados suportam 20% mais animais quando comparados a pastagens puras. O aumento da taxa de lotação permite criar mais animais em uma mesma área de pastagem, fator que concilia intensificação da produção pecuária com conservação da floresta”, avalia Sales.

Implantação do consórcio

Segundo o pesquisador da Embrapa Acre Carlos Maurício de Andrade, pastagens consorciadas com amendoim forrageiro alcançam eficiência máxima quando a presença da leguminosa no pasto representa 20% a 40% da massa de forragem.  Para chegar a esse resultado, a implantação do consórcio pode ser realizada por dois métodos: com o plantio simultâneo da leguminosa com gramíneas, durante a reforma de pastagens degradadas, ou pelo plantio da leguminosa em faixas, em pastagens puras já estabelecidas. Para formar um hectare de pastagem consorciada são necessários 10 a 15 quilos de sementes da BRS Mandobi.

“Como as gramíneas forrageiras geralmente crescem mais rápido que as leguminosas, para assegurar o pleno estabelecimento do amendoim forrageiro na pastagem recomenda-se reduzir em 30% a taxa de semeadura da gramínea. Também é importante realizar o primeiro pastejo no momento adequado, quando a forrageira cobrir totalmente o solo. Além disso, procedimentos como preparo da área com grade ou enxada-rotativa, para o plantio em faixas, e aplicação de herbicida glifosato, na dosagem recomendada, diminuem a competição da gramínea com a leguminosa por nutrientes, água, luz e espaço no solo, e ajudam a garantir os ganhos comprovados pela pesquisa”, ressalta Andrade.

Fonte: Embrapa Acre
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Bovinos / Grãos / Máquinas Eficiência

Pesquisa aponta deficiência no manejo vacinal em bezerras

Vacinação simultânea resulta em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium

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Divulgação/Rubens Neiva

A eficiência da vacina contra clostridioses, aplicada nos primeiros meses de vida das bezerras, está sendo prejudicada devido a uma prática de manejo comum entre os produtores de leite: a aplicação de várias vacinas ao mesmo tempo. É o que prova uma dissertação de mestrado em Zootecnia, pela Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizada no campo experimental da Embrapa Gado de Leite (MG).

O mestrando Hilton Diniz e a equipe de pesquisadores verificaram interferência na resposta vacinal dos animais imunizados contra brucelose e clostridioses, quando vacinados simultaneamente. De acordo com Diniz, “a vacinação simultânea resulta em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium”. Isso pode culminar em bovinos não protegidos contra essas afecções nas propriedades leiteiras. O mesmo estudo demonstra que a vacina contra brucelose não sofreu qualquer interferência na resposta imunológica, permanecendo eficaz.

Hipótese surgiu de relatos dos produtores

Segundo a professora da UFMG Sandra Gesteira Coelho, orientadora de Diniz nas pesquisas, a iniciativa para realização desse trabalho se deu a partir de alguns relatos de produtores de leite. “Quando visitamos fazendas, em várias regiões do Brasil, os produtores questionam a vacinação dos animais”, diz Coelho. De acordo com os pecuaristas, a vacinação costuma impactar negativamente no desempenho e saúde dos bovinos. “Isso tem feito com que algumas fazendas não realizem a vacinação.”

Para a professora, situações como essa contribuem para “desacreditar” as vacinas. Algo semelhante tem acontecido na saúde humana. “Levados por notícias falsas e falta de informação, muitas pessoas têm deixado de vacinar as crianças, fazendo com que doenças que antes estavam controladas voltem a preocupar a população”, diz a especialista.

A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Wanessa Araújo Carvalho destaca que o que foi observado acerca da vacinação concomitante contra brucelose e clostridioses contribui para reforçar a necessidade de informar e conscientizar os produtores rurais sobre o impacto da sanidade na maximização de ganhos a longo prazo. “Manter o rebanho vacinado, de acordo com o calendário do Ministério da Agricultura e órgãos regionais especializados, significa diminuir o risco de perdas produtivas, além de reduzir a disseminação de doenças entre o rebanho e as pessoas responsáveis pelo manejo, contribuindo para um ambiente mais saudável”, afirma a pesquisadora.

As duas vacinas devem ser aplicadas separadamente

Sandra Coelho e a pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Mariana Magalhães Campos coordenam o projeto “Efeitos da vacinação na resposta imune, parâmetros hematológicos, desempenho e comportamento de bezerras leiteiras”, no qual os experimentos para a dissertação de mestrado estavam inseridos. O trabalho foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Campos diz que a prática de aplicar vacinas com diferentes antígenos de uma só vez é algo comum na pecuária: “A administração conjunta das vacinas facilita o manejo, diminui o estresse dos animais e economiza tempo e mão de obra. As campanhas de vacinação em crianças também seguem modelo semelhante”, compara Mariana.

No entanto, a pesquisadora alerta que o trabalho realizado pela UFMG em parceria com a Embrapa e a Universidade Federal de Lavras (Ufla) acende uma luz amarela em relação às vacinas contra brucelose/clostridioses. “Já é possível afirmar que elas não devem ser aplicadas conjuntamente”, enfatiza a pesquisadora. Nas conclusões da dissertação, Diniz afirma: “(…) a vacinação concomitante contra brucelose e clostridioses resultou em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra Clostridium, o que resulta em animais não protegidos para essa afecção nas propriedades leiteiras (…) O protocolo sanitário das propriedades deve ser alterado, de forma que as vacinas contra brucelose e clostridioses sejam realizadas separadamente”.

Embora mais estudos sejam necessários para definir com segurança o intervalo adequado entre a aplicação de ambas as vacinas, a equipe sugere que o protocolo sanitário seja iniciado com a vacina contra clostridioses (com a bezerra aos três meses de idade). Um mês após, é realizada a segunda dose (reforço vacinal ou booster). Trinta dias depois, quando a bezerra alcançar cinco meses de idade, deve ser realizada a imunização contra brucelose. Essa recomendação atende às exigências do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), que estabelece como obrigatória a vacinação contra brucelose em todas as fêmeas bovinas, entre três e oito meses de idade. “Embora a mudança no manejo provoque o aumento de mão de obra, já que os animais precisam ser vacinados em tempos diferentes, é muito importante que o produtor siga essa recomendação para garantir a eficiência das vacinas”, diz Campos.

Outro dado da pesquisa toca diretamente nos resultados de desempenho dos animais, questionados pelos produtores. Segundo Diniz, a vacinação leva a um processo inflamatório local, que produz substâncias de ações sistêmicas, responsáveis pelo aumento da temperatura corporal e apatia nos animais. Por isso, os bovinos apresentam redução no consumo de alimento, resultante das alterações inflamatórias provocadas pela vacinação. Entretanto, elas são de curta duração (por volta de três dias) e não comprometem o desempenho dos animais. Ele é taxativo: “Não podemos deixar de vacinar os bovinos, precisamos controlar as principais enfermidades que acometem nossos rebanhos e evitar possíveis surtos, não existe perda de desempenho dos animais”.

Descoberta inesperada

O resultado da pesquisa, apontando a interferência da vacina contra brucelose na efetividade da vacina contra clostridioses, foi uma surpresa para Diniz. A intenção inicial do projeto era demonstrar os efeitos da vacinação no desempenho das bezerras. O trabalho de campo levou seis meses para ser concluído. Foram utilizadas 50 bezerras, 38 da raça Gir Leiteiro e 12 mestiças (Girolando 5/8).

Aos 120 dias de idade, as bezerras foram distribuídas em três grupos: B, C e BC. O grupo B recebeu apenas a vacina contra brucelose; o C, apenas a vacina contra clostridioses; e o grupo BC tomou as duas vacinas, simultaneamente, como é feito rotineiramente pelos produtores.

Durante o período experimental, os animais foram acompanhados diariamente com registros sobre consumo de alimento, água, ganho de peso e temperatura retal. Amostras de sangue e soro dos animais foram coletadas antes da vacinação e aos 14 e aos 28 dias após a vacinação, para avaliar a resposta imune celular para brucelose e produção de anticorpos para clostridioses, especificamente botulismo e enterotoxemia dos ruminantes.

Diniz acredita que a interferência de uma vacina na outra se deve às diferenças no tipo de antígeno em sua formulação, que desencadeiam respostas imunes de padrões divergentes. A vacina contra brucelose (B19) é uma vacina viva atenuada, e caracteriza-se por desenvolver resposta de caráter celular (T helper 1), importante para eliminação do patógeno. Já a vacina contra as clostridioses é uma vacina inativada e desenvolve resposta humoral (T helper 2), que resulta em produção de anticorpos.

Wanessa Carvalho explica: “Quando as duas vacinas são aplicadas simultaneamente, induzem a padrões de respostas imunes distintos de forma concomitante, é como se houvesse um carro sendo guinchado de um lado enquanto um segundo carro acelera do outro. A resposta de uma vacina pode interferir na outra e provocar a ineficiência da proteção animal”.

Fonte: Embrapa Gado de Leite
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Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Pesquisador acredita em dois anos de “vacas gordas” na pecuária leiteira

Segundo pesquisador da Equipe de Pecuária do Cepea, 2020 será um ano muito bom para o setor lácteo, e 2021 será ainda melhor

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Arquivo/OP Rural

Como está se comportando o mercado e o que esperar para os próximos meses são assuntos que rondam, e muito, a cabeça do pecuarista leiteiro. Como o mercado lácteo é bastante volátil, ter perspectivas do que pode acontecer ajuda muito nas tomadas de decisão e também sobre o que esperar para o futuro. Para que os pecuaristas tenham uma visão geral sobre isso, o Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), que aconteceu em Chapecó, SC, em novembro, levou para os participantes a palestra “Cenário econômico e perspectivas de mercado para o setor lácteo”. A apresentação será feita pelo pesquisador da Equipe de Pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), doutor Thiago Bernardino de Carvalho. Ele acredita em recuperação do consumo interno e bons preços para 2020 e 2021.

De acordo com ele, o pecuarista não deve se atentar somente ao que está acontecendo no mundo agropecuário, mas em toda a economia nacional e internacional. Para o especialista, são todos fatores que influenciam diretamente na cadeia leiteira. “Vou falar (na palestra) não somente do cenário do setor, mas também do político e econômico, quais as perspectivas da cadeia e como tudo isso impacta diretamente o setor lácteo”, conta. “A minha intenção é mostrar a situação do Brasil, traçar perspectivas e como tudo isso influencia na cadeia”, complementa.

O pesquisador começa informando que, nos últimos anos, todo o país passou por uma grande crise, sendo considerada a mais grave já enfrentada. “E isso reflete diretamente na decisão de investimento, seja da indústria ou do produtor”, afirma. A cadeia foi muito influenciada no final de 2018, especialmente porque o setor não sabia como seria o ano de 2019. “Dessa forma, não houve investimentos. O que aconteceu nos últimos anos afetou o mercado. Ficou muito presente a insegurança política e isso afeta diretamente todo o mercado, especialmente do leite, que depende essencialmente do mercado interno”, conta.

De Carvalho explica que a cadeia do leite é muito dependente da população. “E se as pessoas não têm renda, o setor sofre impacto, especialmente quanto a produtos com valor agregado. E isso acontece em todos os setores, não somente no leite. Produtos como iogurte ou queijos melhores elaborados acabam não sendo consumidos”, argumenta. Segundo o especialista, isso é por conta que o consumidor irá escolher outros produtos com valores menores. “A queda de emprego e de renda prejudica o setor. E ainda há o detalhe que se tem produção e não tem demanda, é outro problema”, diz.

O pesquisador comenta que o mercado do leite é um setor instável. “Quanto maior a oferta, menores os preços. E isso realmente diminui a margem de renda e o custo aumenta. Isso e outros fatores fazem com que muitos produtores decidam sair da atividade”, explica. Outro detalhe do que vem acontecendo no decorrer do ano, segundo Carvalho, é que a indústria estava pagando melhor para aqueles produtores que produziam mais. “A indústria acabava pagando mais para quem tem mais volume”, diz. Para o especialista, o que acaba acontecendo é que o produtor tem a necessidade de aumentar a produtividade em momento de tensão do setor produtivo.

Reformas, política e mercado

O profissional comente que para o próximo ano o produtor e o setor não podem ser pessimistas nem otimistas. “Pensando na economia política, a Reforma da Previdência, existe um cenário claro do que pode acontecer no mercado. O que se pode esperar pode ser um bom clima, taxa de desemprego menor. Depois de uma crise forte, as expectativas são de recuperação”, avalia. Para ele, 2020 será um ano bom e 2021 ainda melhor. “Este é um momento de a cadeia olhar para dentro da propriedade para melhorar o setor produtivo, para ser melhor. As exigências são maiores, mas vemos um bom horizonte para o setor produtivo”, afirma.

O pesquisador comenta ainda que, com as novas Instruções Normativas que foram aprovadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ainda este ano, é preciso entender que, na teoria, se as coisas forem feitas da forma como devem ser, sem dúvida o setor irá melhorar. “Mas, antes disso, é preciso olharmos como estão os produtores, eles têm condições de fazer o que está sendo pedido? A tecnologia existe, mas eles têm condição? Há eficiência dentro da cadeia, mas vai depender muito do produtor, quem sai na frente e produz bastante”, avalia.

Mesmo com este detalhe das INs, o setor pode se animar, de acordo com Carvalho. “Tem as instruções normativas de qualidade, mas o principal, o Ministério está abrindo mercados com países como China e reabriu o mercado com o Egito. Então, estes são fatores que mostram um sinal positivo para o ano de 2020”, comenta. Ele ainda acrescenta que o mercado interno também deverá estar melhor. “Ele deverá estar equilibrado, o que é um fator positivo para o momento”, diz.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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