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Raça Wagyu ganha espaço na produção de carnes nobres

Há mais de 10 anos Eraldo e o irmão Ricardo Zanella investem na raça Wagyu; preço do quilo da carne pode chegar a mais de R$ 200

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Acervo Pessoal

O pecuarista vem buscando, ao longo dos anos, oferecer ao consumidor um produto de melhor qualidade. Para isso, o que muitos estão buscando é oferecer aos animais uma melhor nutrição, bem-estar e manejo, além de investir na genética para alcançar resultados superiores e oferecer o melhor produto ao mercado. Os irmãos Eraldo e Ricardo Zanella levaram essa condição a um nível superior. Os dois investem, desde 2002, na criação do boi de raça Wagyu. De origem japonesa, a raça oferece uma das carnes mais nobres e saborosas do mercado. O quilo pode chegar a custar mais de R$ 200.

Atualmente, são 150 cabeças criadas na Agropecuária Zanella, que fica no município de Paim Filho, no Rio Grande do Sul. Segundo Eraldo, a história que iniciou a criação pelos irmãos é bastante curiosa. “Quando eu estava realizando um projeto de pesquisa no Mato Grosso na área de reprodução em colaboração com o professor doutor Jerry Reeves, da Washington State University de Pullman, dos EUA, ele comentou sobre a raça Wagyu e se eu não teria interesse de cria-la no Brasil”, diz. Ele conta que conheceu o professor em um congresso no início dos anos 1990, quando estava realizando a pós-graduação em Lincoln, Nebraska (EUA). “Eu sabia de sua paixão por esta raça, e mais que isso, de sua seriedade como criador”, comenta.

De acordo com o produtor, ele achou a raça bastante interessante, já que na época se falava pouco sobre o Wagyu no Brasil. “Cerca de dois meses depois recebi uma notificação que havia chegado um tanque de nitrogênio com material genético de Wagyu (sêmen) em Paranaguá, PR. Imediatamente organizei para utilizar em um grupo de fêmeas da propriedade de meu pai Ipenor Zanella, em Paim Filho”, informa. Ele explica que disso nasceram os primeiros animais cruzados. “Testamos a carne e, a partir daí, fomos investindo na raça, sempre com a parceria com o Jerry Reeves”, menciona.

Segundo Eraldo, a sociedade com o doutor Jerry, desde então, aumentou. “Meu irmão e sócio da propriedade, Ricardo Zanella, por intermédio do doutor Jerry, foi realizar pós-graduação na Washington State na área de genética. Desde então importamos material genético dos melhores touros em termos de marmoreio dos EUA, e disponíveis no mercado brasileiro, inclusive fêmeas para produção de embriões”, explica.

A diferença entre Wagyu e demais raças

Muitas são as curiosidades a cerca desta raça. Eraldo explica que o Wagyu é parecido com outras que existem no Brasil. O diferencial, segundo ele, é que os terneiros precisam de um cuidado especial, uma vez que as vacas têm pouco leite. “Além disso, os animais da raça Wagyu, diferentemente das outras raças de corte, não devem ser julgados pelo fenótipo, mas sim pelo genótipo”, alerta.

Além do mais, outras diferenças características do Wagyu são o baixo peso ao nascer. “Ou seja, facilidade de parto. Dificilmente você tem parto distócico nesta raça. Ideal para utilização em novilhas de primeira cria, inclusive no gado leiteiro. Além disso, comparado com algumas raças europeias, tem menor predisposição ao carrapato”, explica.

O produtor reitera que a genética é o principal fator para que esta raça produza uma carne de melhor qualidade. Mas isso aliado a uma nutrição adequada. Ele ainda comenta que como a produção é diferenciada, fazendo com que os valores no mercado sejam maiores, também os custos de produção da raça são diferentes. “Em comparação com animais de outras raças, gastamos mais que o dobro”, conta.

Produção e resultados

Um dos pontos essenciais em todas as raças bovinas é oferecer o melhor bem-estar animal para que a produção seja, então, de melhor qualidade. No Japão, de onde a raça é oriunda, os animais recebem pequenas regalias como massagem e até mesmo cerveja. Eraldo comenta que na propriedade isto não é praticado, porém o bem-estar é oferecido de outras formas. “Nós ofertamos aos animais qualidade de vida. No confinamento estamos alimentando-os com grãos de aveia e cevada. As vacas são criadas a campo, e deixamos os terneiros junto às mães até por volta dos 6-8 meses. O que oferecemos é o cuidado para com os animais e tratamento visando o bem-estar deles, evitamos qualquer estresse desnecessário”, informa.

Ele acrescenta que, além disso, na propriedade ainda é evitado o uso de cães no manejo com o gado e, sempre que possível, ele e o irmão caminham entre os animais para que não se assustem com pessoas. “Conseguimos assim fazer uma avaliação sem levar os animais na mangueira de forma desnecessária”, diz.

O Wagyu é abatido, em média, aos 30 meses, quando ele alcança os 650 quilos. Eraldo comenta que, ao nascer, o peso do animal é de 30 a 35 quilos, no desmame ele chega aos 200 quilos e no final da engorda fica entre os 500 e 550 quilos. “O rendimento dele chega, em média, aos 57%”, conta.

Para alcançar estes resultados eles empregam uma nutrição que permita ao animal desenvolver todo o seu potencial genético. O produtor informa que até os oito meses é oferecido Creep feeding com 24% de proteína, dos oito aos 14 meses eles ficam a pasto, dos 14 aos 22 meses recebem silagem de milho e ração 18% proteína e dos 22 aos 30 meses a alimentação é a base de aveia, cevada e pasto. “Em todas as fases é oferecido sal mineral a vontade para todas as categorias”, expõe.

Eraldo ainda comenta que ele e o irmão estão em formação de plantel. “Dessa forma, nosso maior interesse é ter uma maior variabilidade de genética. Utilizamos na maior parte do plantel protocolos de sincronização de cio IATF e TETF. Utilizamos nossas matrizes PO para produção de embriões, que são inovulados nas vacas do plantel geral”, conta.

Quilo pode chegar a mais de R$ 200

Uma característica desta carne é o valor de mercado. Segundo Eraldo, o que justifica o preço na prateleira é o sabor, uma vez que o Wagyu oferece um gosto característico devido ao marmoreio. “A gordura entremeada dos bovinos da raça Wagyu possui uma concentração de ácidos graxos insaturados (oleico e linoleico) maiores do que as de ácidos graxos saturados (Palmítico). Isto resulta em uma carne com maior concentração de HDL (Lipoproteína de alta densidade, conhecida como o bom colesterol) e uma menor concentração de LDL (lipoproteína de baixa densidade “mau colesterol”)”, explica.

Ele conta que o valor da carne de Wagyu com alto grau de marmoreio pode chegar a valores interessantes. “Na Franca, informação recente mostra que pode chegar a 240 euros o quilo”, informa. Para ele, existe um nicho de mercado interessante, mas que ainda precisa ser organizado no Rio Grande do Sul.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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Foto: Shutterstock

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

Foto: Shutterstock

O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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