Bovinos / Grãos / Máquinas
Produtividade da soja aumenta, mas preço recua
No Oeste do Paraná, média de produtividade está em 160 sacas por alqueire, passando de 200 sacas em casos isolados. Índice aponta aumento da colheita em 80% das situações
A supersafra de soja estimada pelo Ministério da Agricultura e pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) está se confirmando. Os números gerais apontam para o avanço da produtividade em inúmeras regiões do país, com destaque para o Paraná, que pode colher 19 milhões de toneladas, acima das 18,3 milhões inicialmente projetadas.
De acordo com a técnica do Departamento de Economia Rural (Deral) de Toledo, engenheira agrônoma Jean Marie Ferrarini, as lavouras de soja cultivadas pelos agricultores dos 20 municípios da área de abrangência do Deral resultaram em 1.745.800 toneladas colhidas em 472 mil hectares, diante de 1.588.734 toneladas em uma área de 471.500 hectares na safra 2015/2016, o que representa incremento de cerca de 12% na comparação de um ano para o outro. Contudo, o preço, que no ano passado era de R$ 70 ou mais por saca da soja e inicialmente estava em R$ 65 (neste ano), agora está em R$ 61,50, o que nivela o desempenho das safras 2015/2016 e 2016/2017.
Faixa de 220
Entre os casos de maiores produtividades nesta safra de soja na microrregião está a família Lunkes, que reside no município de Quatro Pontes, Oeste do Estado. A lavoura cultivada pelo casal Seno e Leci Lunkes, a filha Daiana, os filhos Rudi e Fábio e as noras Michele e Giliane rendeu 183 sacas de soja por alqueire em uma área de 35 alqueires. Deste total, 21 pertencem à família, enquanto os demais 14 são terras arrendadas.
Embora a média seja de 183 sacas, o capricho no plantio aliado ao manejo adequado, demais cuidados e chuvas na medida certa proporcionaram que a família Lunkes, associada à Copagril, colhesse 220,2 sacas de soja em uma área de 4,5 alqueires. Outros produtores colheram média próxima de 190 sacas por alqueire ou superior, entretanto esta área está sendo considerada pelo setor agrícola como a de melhor desempenho em uma determinada faixa na microrregião de Marechal Rondon.
Mesmo com a boa colheita, os Lunkes lamentam que o preço da saca encolheu na comparação com o ano passado, o que fez com que as safras de verão 2016 e 2017 ficassem praticamente equilibradas em termos de rentabilidade. A família, que trabalha unida, acredita que os resultados com o milho safrinha devem ser positivos na lavoura de 35 alqueires que já está cultivada.
Índice superior
Conforme Jean Marie, para Marechal Cândido Rondon a estimativa é de que a safra renda 114.170 toneladas, ou 3,768 toneladas em cada um dos 30.300 hectares cultivados, índice superior ao da regional, que é de 3,7 toneladas por hectare. Tal expectativa, segundo ela, também vale para os demais municípios da microrregião. “No ano passado, a área cultivada no município foi de 30 mil hectares, enquanto a produtividade alcançou 3,250 toneladas por hectare. Isto comprova que neste ano a safra foi 12% superior em termos de produtividade e qualidade dos grãos. O preço estava na média de R$ 70 no ano passado, quando neste ano se encontra em R$ 62, cuja diferença no preço pode ser compensada por uma produtividade maior”, menciona, acrescentando que, segundo técnicos da área agrícola, cerca de 40% da safra rondonense está comercializada.
A engenheira agrônoma salienta que a queda no preço da saca da soja foi impulsionada pela baixa do dólar, que recuou de R$ 3,40 para R$ 3,10. Além disso, conforme ela, especulações do período, a boa oferta, a colheita na América do Sul e a queda na demanda por alguns países compradores também contribuíram para que os preços finais pagos ao produtor terminassem retraídos.
Milho safrinha
A previsão do Deral de Toledo é a de que as lavouras cultivadas com milho safrinha sejam de 437 mil hectares, devendo atingir 2,665 milhões de toneladas. “Esta área já está toda semeada, sendo que a expectativa de produtividade se mostra muito boa se o clima favorecer. Na fase inicial nós tivemos um ataque severo de percevejo, que hoje está controlado. Para Marechal Rondon a previsão de área de milho safrinha é de 25,2 mil hectares, cujo rendimento deve ser de seis toneladas por hectare”, expõe.
Rentabilidade nivelada
O gerente comercial da Agrícola Horizonte, Valdair Schons, destaca que o resultado final em se tratando de produtividade se posicionou razoavelmente acima da expectativa. “Tivemos regiões com baixa produtividade girando de 80 a 100 sacas de soja, caso de Pato Bragado, assim como os distritos rondonenses de Bom Jardim, Iguiporã e Porto Mendes. Por outro lado, foram registradas produtividades acima de 160 sacas e pontos isolados com média de 200 sacas ou mais por alqueire. Alguns fatores como a falta de chuva e o sol quente afetaram um pouco a produtividade devido ao momento crítico em que algumas lavouras se encontravam, enquanto o excesso de chuva não chegou a prejudicar a produtividade e nem a qualidade dos grãos, por ter sido algo mais pontual”, comenta.
A área de ação da Agrícola Horizonte compreende cerca de 50 mil hectares em Marechal Rondon e municípios arredores, sendo que nesta região mais de 80% das propriedades tiveram resultado melhor do que no ano anterior. “Quanto à rentabilidade ao produtor, aí sim a gente avalia que vai ser algo próximo de 2016. No ano passado foi colhido menos, porém trabalhou-se com um mercado um pouco melhor, com preço mais vantajoso. Neste ano se colheu mais, contudo o preço ainda segue inferior, portanto a análise é de que exista um equilíbrio na rentabilidade financeira entre um ano e outro”, avalia.
Outro ponto citado pelo gerente comercial é de que a comercialização do produto na safra 2015/2016 foi antecipada de forma mais forte através de contrato e trava de preço para o mercado futuro. “Já na safra 2016/2017 o produtor tirou o pé e comercializou bem menos, o que também interfere muito na cotação do mercado, fazendo com que a gente não saiba até que ponto esta interferência é boa ou ruim ao mercado e ao produtor”, analisa. Ele acrescenta que no tocante à lavoura de milho o plantio foi diminuído na safra de verão, entretanto a produtividade foi boa e variou de 300 a 400 sacas por alqueire.
Produtor impactado
“A variação no câmbio do dólar afeta diretamente o produtor rural, pois quando da implantação da safra de soja a gente trabalhava com o dólar cotado em R$ 3,30 ou R$ 3,40, sendo que o custo de instalação representa R$ 3,40. Agora na colheita o dólar recua para R$ 3,10 ou um pouco abaixo disso. Essa diferença de câmbio impacta diretamente o produtor”, destaca.
Schons ressalta que a diferença média entre a safra 2016 e a atual está na casa de R$ 15 a saca de soja paga ao produtor. “Isto representa de 15% a 20%, considerando que R$ 15 por saca de soja é o que falta ao agricultor. Alguns produtores com mil sacas colhidas podem chegar a R$ 15 mil de queda na arrecadação na comparação entre uma safra e outra. Considerando uma demanda e a expectativa de um mercado mais atrativo, parte dos agricultores não faturou a safra de soja por completo em busca de melhor rentabilidade”, finaliza.
Fonte: O Presente

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
