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Economista aponta 12 tendências do setor de leite e derivados até 2030

Panorama revela como os produtores precisam se preparar para um futuro onde a eficiência, a sustentabilidade e a organização serão determinantes para o sucesso da atividade.

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Foto: Shutterstock

A indústria de leite e derivados está em constante transformação, impulsionada por mudanças demográficas, econômicas e tecnológicas. Para entender as principais tendências que vão moldar este setor até 2030, o Jornal O Presente Rural entrevistou com exclusividade o economista, doutor em Economia Aplicada, pesquisador e assessor da Presidência da Embrapa, Paulo Martins.

Economista, doutor em Economia Aplicada, pesquisador e assessor da Presidência da Embrapa, Paulo Martins: “A demanda por produtos lácteos no Brasil deve continuar crescendo, impulsionada por uma combinação de avanços tecnológicos, mudanças nas preferências dos consumidores e um aumento na renda per capita” – Foto: Arquivo pessoal

O especialista apresenta 12 tendências da pecuária leiteira, abordando desde o crescimento do consumo global e regional até a necessidade de inovação tecnológica e adaptação às demandas dos novos consumidores. Este panorama revela como os produtores precisam se preparar para um futuro onde a eficiência, a sustentabilidade e a organização serão determinantes para o sucesso da atividade. A seguir, vamos explorar em detalhes cada uma dessas tendências, oferecendo uma visão abrangente e estratégica para todos os envolvidos na cadeia produtiva de leite e derivados. Confira!

A primeira tendência é que o consumo de leite vai continuar crescendo no Brasil e no mundo, especialmente na Ásia, em que o consumo antes era baixo devido à falta de hábito e de renda da população. No entanto, essa região, que abriga 51% da população mundial, está se tornando uma grande compradora de leite. Com o crescimento da renda per capita, o consumo de proteína animal, especialmente o leite, que é o mais barato, está aumentando. Apesar dos esforços para aumentar a produção local, a Ásia enfrenta limitações específicas em terras agrícolas e água renovável. Portanto, a demanda por leite nessa região deve ser suprida por importações de outros países. No Brasil, também há uma perspectiva de crescimento contínuo do consumo de leite. Em 1996, o brasileiro consumia, em média, 133 litros por ano, e agora esse número subiu para 170 litros. Isso reflete tanto o crescimento da população quanto o aumento do consumo per capita. À medida que o rendimento melhora, a população tende a consumir mais, e um exemplo disso é o aumento no consumo de queijo, que é uma forma concentrada de consumir leite.

A segunda tendência é a redução no número de produtores, sendo que cada produtor vai passar a ter uma produção cada vez maior. Isso representa um desafio, pois os pequenos produtores vão precisar se esforçar para crescer e, ao mesmo tempo, buscar a integração em cooperativas para aumentar sua capacidade de negociação na compra de insumos e na venda de seus produtos. Essa dinâmica já está em andamento no Brasil há algum tempo, especialmente entre os maiores laticínios.

A terceira tendência observada globalmente é o aumento do número de vacas por propriedade. Não se trata apenas de vacas com maior produtividade, mas de um crescimento real do rebanho. Isso torna mais atraente para os laticínios comprarem leite desses produtores, pois conseguem adquirir maior quantidade de leite em um único local. É preciso estimular os produtores para aumentar seus rebanhos, seja comprando mais animais ou melhorando a reprodução em suas propriedades, para que possam expandir suas operações.

A quarta tendência é a alteração no perfil dos produtores. À primeira vista, parece que nada mudou, já que a produção de leite no Brasil tem se mantido estável nos últimos 10 anos. No entanto, houve uma transformação substancial. Os maiores produtores estão investindo pesado e não falam em crise. Eles aumentaram significativamente a produção porque perceberam que, quanto maior a produção de leite, menor o custo unitário por litro. Isso ocorre devido à diluição dos custos fixos, como construções e manutenção dos animais. Ou seja, estão ampliando seus rebanhos e aumentando a produção para reduzir os custos de produção.

A quinta tendência é a especialização regional da produção de leite. Embora praticamente todo o Brasil produza leite, há uma concentração significativa entre Cascavel e Passo Fundo, abrangendo o Oeste do Paraná até o Rio Grande do Sul, região em que já temos uma “Minas Gerais do leite”. Outras regiões também estão se especializando, como o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, além do Sudeste, Nordeste e algumas áreas do Norte, que vêm aumentando a sua produção. Essa especialização regional é interessante e tem levado os laticínios a migrar para essas regiões.

Foto: Ari Dias

A sexta tendência diz respeito ao crescimento da cadeia produtiva. A produção vai crescer não em propriedades que se tenha vacas de melhor genética, mas em regiões em a cadeia seja mais organizada fora da fazenda. O sucesso no setor é definido pela colaboração entre instituições, produtores, sindicatos, cooperativas e todos os níveis de governo, especialmente o municipal. A forma como cada comunidade se organiza define o sucesso na produção de leite. Coincidentemente, as regiões onde a produção de leite está crescendo e se tornando mais densa são também aquelas com maior organização social.

A sétima tendência é que o leite não pode mais ser tratado de forma amadora; é um negócio sério. Quem está na atividade precisa pensar como um capitalista, fazendo muitas contas antes de gastar ou investir qualquer quantia. Ao mesmo tempo, é necessário ser audacioso, como todo empresário, equilibrando a cautela financeira com a coragem para inovar. Além disso, é essencial ser um bom administrador e, se possível, participar do trabalho na propriedade para entender melhor os problemas administrativos.

A oitava tendência é a necessidade de medir o desempenho do negócio de forma eficaz. Existem várias maneiras de fazer isso na propriedade, incluindo o uso de aplicativos modernos que facilitam o monitoramento. Contudo, é igualmente importante observar fatores externos, como a variação dos preços. Por exemplo, atualmente o preço do leite está subindo rapidamente. No entanto, é irreal esperar que o preço se mantenha em R$ 3 por litro a longo prazo. Portanto, quando o preço atingir esse valor os produtores não devem se precipitar em fazer investimentos de longo prazo, como comprar vacas, com base em um aumento momentâneo. É preciso ter cautela.

A nona tendência é que, além de medir o desempenho, é fundamental acompanhar os mercados. É importante monitorar os mercados de soja e milho para decidir sobre a alimentação animal, além de estar atento às decisões governamentais. Não basta focar apenas na propriedade; é necessário ter uma visão ampla e olhar para fora dela também.

A décima tendência é que o setor de leite vai continuar operando com margens muito estreitas. Essa é uma característica específica do setor, onde a margem, que é a diferença entre o preço e o custo, é limitada. Com o preço sendo praticamente fixo, os produtores precisarão se esforçar cada vez mais para reduzir seus custos. Isso exige o uso de planilhas de custos planejadas para identificar onde o dinheiro está sendo gasto e encontrar pontos de desperdício. É essencial monitorar e controlar essas áreas, pois as margens no setor de leite são extremamente baixas em todo o mundo.

Foto: Divulgação

A décima primeira tendência é a necessidade de se conectar claramente com o novo perfil de consumidor. Esse consumidor quer saber mais do que apenas se o produto é gostoso; ele quer saber como é produzido, se os animais são bem tratados e se há preocupação com questões ambientais. Para atender a essas demandas, os produtores precisam fazer mudanças importantes, mas não podem fazer isso sozinhos. É necessário o apoio dos laticínios, da pesquisa e da assistência técnica. Estamos entrando em um novo mundo, onde o consumidor está altamente preocupado com a sustentabilidade ambiental, a responsabilidade social e a transparência nos negócios. O setor de leite precisa se adaptar a essa nova realidade, pois essa tendência veio para ficar.

A décima segunda tendência é que o leite hoje não é apenas mais uma commodity; ele exige tecnologia avançada. É o que a gente chama de food truck. É o único produto que, por força de lei, deve obrigatoriamente passar pela indústria antes de chegar ao consumidor, ao contrário de outros produtos que podem ser comercializados diretamente. Portanto, tanto os laticínios quanto as propriedades precisam se tornar cada vez mais digitais, utilizando aplicativos para tomar decisões mais assertivas. É preciso ter mais precisão na tomada de decisões, uma vez que não há mais espaço para decisões baseadas no achismo.

Demanda por produtos lácteos até 2030

A evolução da demanda por produtos lácteos até 2030 será marcada por uma série de fatores, incluindo mudanças nas perspectivas do consumidor e avanços tecnológicos. Segundo Martins, essa questão é central nas tendências observadas atualmente no mercado. “Um dos principais elementos a considerar é a preocupação crescente dos jovens consumidores com a sustentabilidade e a produção do leite. Há estudos internacionais que apontam que o arroto da vaca e dos bezerros causa impacto ambiental. No entanto, pesquisas realizadas pela Embrapa e universidades brasileiras demonstram que a atividade leiteira pode mitigar esses efeitos por meio de práticas inovadoras e sustentáveis, como o sistema de integração lavoura, pecuária e floresta, que é facilitado pelo ambiente tropical brasileiro. Além disso, há esforços contínuos para minimizar a produção de gases no rúmen dos animais, com a introdução de produtos específicos que são importantes para essa redução”, explica o assessor da Presidência da Embrapa.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Martins acredita que, com esses avanços, será possível entregar leite carbono zero de forma mais rápida do que se imagina. “Esse desenvolvimento é essencial para manter o interesse dos jovens consumidores em produtos lácteos. Com o aumento da renda per capita brasileira, que atingiu em média US$ 10 mil, há uma tendência de crescimento no consumo de queijos e outros derivados lácteos, enquanto o consumo de leite fluído se mantém estável”, aponta o economista.

As mudanças nos hábitos alimentares também estão impulsionando a demanda por derivados lácteos. “Os jovens adotam cada vez mais bebidas lácteas, enquanto os adultos continuam a preferir o leite fluído. Atualmente, o consumo de leite no Brasil é de cerca de 170 litros por habitante ao ano, mas há potencial para aumentar esse número para 270 litros nos próximos anos. A indústria láctea tem respondido a essa demanda com novas soluções, como o whey, que é o soro do leite e tem sido amplamente aceito pelos jovens devido aos seus diversos usos industriais e benefícios nutricionais”, afirma o doutor em Economia Aplicada.

Enquanto isso, o consumo de leites vegetais, que teve um crescimento significativo na Europa e nos Estados Unidos, agora está em declínio. No Brasil, esses produtos ainda são caros e atraem um público limitado, principalmente aqueles preocupados com questões ambientais. No entanto, Martins salienta que os leites vegetais não oferecem a mesma qualidade nutricional que o leite natural, sendo compostos por uma mistura de ingredientes que não replicam os benefícios do leite. “A demanda por produtos lácteos no Brasil deve continuar crescendo, impulsionada por uma combinação de avanços tecnológicos, mudanças nas preferências dos consumidores e um aumento na renda per capita. A indústria láctea está bem posicionada para atender a essa demanda, oferecendo produtos sustentáveis ​​e inovadores que atraem tanto os jovens quanto os adultos”, ressalta o profissional.

Evolução do setor de lácteos

As regulamentações e políticas governamentais também vão exercer um papel relevante na evolução do setor de lácteos nos próximos anos, especialmente em termos de segurança alimentar e práticas de bem-estar animal. Martins aponta que muitos produtores ainda não perceberam que as mudanças climáticas não devem ser assunto apenas da política, mas, sobretudo, do setor de produção. “As recentes enchentes no Rio Grande do Sul são um exemplo claro de como os fatores climáticos representam riscos significativos para a atividade leiteira”, salienta.

Foto: Rubens Neiva

A necessidade de conceber novas tecnologias que levem em conta a variabilidade climática é urgente. Universidades, institutos de pesquisa e a Embrapa estão trabalhando para desenvolver essas tecnologias, que não visam apenas a sustentabilidade ambiental, mas também a eficiência e a previsibilidade da produção. No entanto, é fundamental que haja uma política pública robusta para apoiar esses avanços tecnológicos.

O pesquisador é enfático ao afirmar que as políticas públicas devem focar na criação de seguros que protejam os produtores dos impactos climáticos extremos. Martins aponta que é fundamental que o Brasil reconheça a realidade das mudanças climáticas e implemente políticas que incentivem boas práticas de produção. “O setor privado, especialmente os laticínios, deve estimular a adoção de tecnologias mitigadoras de impactos ambientais. Por outro lado, o poder público, em suas diversas esferas, precisa fornecer infraestrutura básica como água e estradas, essenciais para a produção agrícola”, enfatiza.

De acordo com o pesquisador, o governo federal está em um debate intenso para melhorar a previsibilidade das crises climáticas e reduzir os riscos por meio de zoneamento agrícola. “A Embrapa, junto com o Ministério da Fazenda e o Banco Central, está desenvolvendo políticas de crédito agrícola para incentivos a boas práticas de produção. Os governos estaduais e municipais também têm um papel fundamental em criar mecanismos de apoio e garantir a infraestrutura básica para os produtores”, frisa.

Esses temas foram amplamente discutidos no 2º Fórum Nacional do Leite, realizado em abril pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). O evento destacou a importância de uma abordagem integrada entre o setor público e privado para enfrentar os desafios climáticos e garantir a sustentabilidade da produção láctea no Brasil.

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Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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