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Notícias Opinião

Por que o médico veterinário é insubstituível na indústria de carnes?

Só o médico veterinário é capaz de identificar processos patológicos que podem resultar em problemas sanitários sérios de ordem local, nacional ou pandêmica

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Foto: Divulgação OP Rural

Artigo escrito por Ana Elisa Almeida, vice-presidente do CFMV; Wirton Peixoto Costa, conselheiro federal suplente; e Gerard Vicente Dantas de Medeiros, conselheiro efetivo do CRMV-RN

A pandemia de covid-19 mostrou a necessidade mundial de procedimentos ainda mais rigorosos de fiscalização higiênico-sanitários dos alimentos de origem animal. Diante desse panorama, reitera-se a posição do Sistema CFMV/CRMVs quanto à necessidade imprescindível da atuação exclusiva do médico-veterinário como responsável técnico-sanitário da indústria de alimentos para garantir aos cidadãos brasileiros alimentos saudáveis e livres de toda e qualquer contaminação, seja física, química e, principalmente, biológica.

As ações precursoras da Vigilância Sanitária brasileira remontam ao ano de 1808. A chegada da família real em terras brasileiras iniciou a preocupação com vetores transmissores de doenças, até chegar aos cuidados sanitários com alimentos que temos hoje. Por isso, já sabemos que modificar as estruturas técnica e legal de produção de alimentos – com o intuito de criar reserva de mercado para profissões sem as qualificações adequadas para responder tecnicamente pela sanidade de produtos de origem animal – vai resultar em problemas sanitários que podem ocasionar a morte de pessoas que julgavam estar protegidas pelo Estado.

Responder sanitariamente pela qualidade da carne na indústria de manipulação de produtos de origem animal, mesmo esta tendo sido inspecionada oficialmente em sua origem, não se resume a entender aspectos físico-químicos, como alterações de pH, de consumo de glicogênio muscular, em que há produção de ácido lático a partir da glicólise, por exemplo. Para compreender toda essa questão, precisamos enfatizar que somente as boas práticas de fabricação não garantem um produto com qualidade sanitária. Existem, por exemplo, alterações cadavéricas, produção de toxinas e de fatores de crescimento tumoral que só são reconhecidos pelo profissional médico-veterinário.

Assim, para que se possa oferecer carne de qualidade, e não cadáver animal para consumo humano, existe um processo complexo de conversão do músculo em carne, o qual envolve ações para além das alterações no metabolismo celular e na estrutura proteica. Mesmo uma carcaça devidamente inspecionada pode conter pequenos nódulos internos detectáveis apenas na hora do corte e processamento cárneo. Isso não ocorre por falha na inspeção, mas porque ela não pode ser minuciosamente fracionada durante o processo de abate. O fato é que esses pequenos nódulos liberam fatores de crescimento tumorais de poder carcinogênico que não podem ser desnaturados no processo de inativação pelo calor. Só o médico veterinário tem o conhecimento técnico para reconhecer as características anatomopatológicas de uma estrutura nodular, como a especificada, e assim condenar ou não a peça cárnea. O resultado dessa ação é mitigar o risco à sociedade, oferecendo um produto de qualidade que não causará danos à saúde dos cidadãos, especialmente os mais vulneráveis.

O rigor mortis, a queda do pH, a glicólise e esgotamento das reservas de Adenosina trifosfato (ATP) representam também situações de vacâncias periciais no post-mortem. Em especial, quando se faz a abertura e inspeção sistemática de órgãos, cavidades e sistemas de animais saudáveis, o simples contato de carcaças com bactérias saprófitas da flora intestinal desses animais, por exemplo, pode carrear toxinas bacterianas que igualmente não são inativadas pelo calor. Se o responsável técnico-sanitário não souber identificar essas situações, pode haver um processo inflamatório no consumidor que ingerir esse produto de origem animal, podendo gerar como uma das consequências clínicas a paralisação de suas artérias, deixando-as enrijecidas e incapazes de conduzir o sangue pelo corpo, levando à morte por choque hipovolêmico ou por choque anafilático.

Deixar de exigir a presença de um responsável técnico médico veterinário para controlar produtos cárneos nas indústrias poderá causar graves problemas sanitários na população, os quais são capazes de se tornar epidêmicos. Reiteramos que a carne saudável, rica em proteínas e imune de contaminação pelo tratamento adequado dos animais e pelo eficaz controle higiênico-sanitário em todas as etapas de sua produção cumpre seu papel de nutrir e garante a preservação da saúde da população.

O trabalho técnico-pericial do médico veterinário dentro da indústria de carne vai além de cumprir as etapas tabuladas de boas práticas de higiene de fabricação. Só o médico veterinário é capaz de identificar processos patológicos que podem resultar em problemas sanitários sérios de ordem local, nacional ou pandêmica.

A missão do CFMV e dos CRMVs é continuar defendendo a sociedade e exigir que animais e produtos alimentares de origem animal só sejam comercializados após a análise técnico-sanitária de um médico veterinário.

Fonte: Assesssoria
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Notícias

Aurora Coop Premia os destaques da suinocultura

Cooperativa Central Aurora Alimentos responde por 14,7% do abate nacional de suínos

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Coolacer conquistou o primeiro lugar como Cooperativa Destaque.- Fotos: Assessoria

Os produtores rurais que bateram recordes de produção e eficiência, técnicos e cooperativas filiadas foram homenageados, nesta semana, pela Cooperativa Central Aurora Alimentos. O evento, realizado anualmente, visa incentivar a melhoria da eficiência da cadeia de produção de suínos, buscando competitividade nos aspectos social, ambiental e econômico.

O ato, realizado na sede da Matriz em Chapecó, foi conduzido pelo diretor presidente Neivor Canton, pelo diretor vice-presidente de agronegócio Marcos Zordan, pelo gerente de suinocultura Luiz Carlos Giongo e pelo assessor de suinocultura Sandro Luiz Tremea. Participaram os empresários rurais homenageados, dirigentes cooperativistas, técnicos, supervisores e representantes das cooperativas filiadas e da Aurora Coop.

Marcos Zordan destacou o grande aperfeiçoamento que a suinocultura industrial experimentou nos últimos 10 anos em razão dos fortes investimentos realizados em duas frentes. De um lado, a permanente capacitação dos criadores e a oferta constante de treinamentos. De outro, os investimentos em instalações, genética, nutrição, manejo e equipamentos, entre outros aspectos.

A assistência técnica prestada aos produtores pela equipe de campo da Aurora Coop e das cooperativas filiadas foi essencial para a melhoria da atividade e a qualificação da produção. A busca da eficiência permitiu reduzir em 30 kg o volume de alimentação necessário para a terminação de um suíno. “Se considerarmos que a Aurora abate 27 mil animais por dia, teremos uma ideia do que significou esse avanço em termos de redução de custos totais”, apontou Zordan.

O diretor destacou, ainda, que a Cooperativa Central Aurora Alimentos responde por 14,7% do abate nacional de suínos, o que equivale também a 17,9% do abate da região sul do Brasil, 33% do abate de Santa Catarina, 13% do Rio Grande do Sul e 42% do Mato Grosso do Sul.

O diretor presidente Neivor Canton complementou que a Aurora Coop está em constante crescimento e evolução, preza por melhorias e aperfeiçoamento com os cuidados no campo. Segundo Canton, os resultados são conquistados a cada dia porque os desafios são enfrentados com união. “Grandes exemplos de toda essa evolução são os programas Propriedade Rural sustentável, Leitão Ideal e Suíno Ideal. Esses projetos são desenvolvidos com foco na melhoria contínua e na interação entre todo o sistema e envolvem profissionais capacitados, reconhecimento e assistência ao produtor. Os resultados são expressivos e, sem dúvida, são essenciais para que tenhamos uma suinocultura de excelência”.

 

CONHEÇA OS EMPRESÁRIOS RURAIS HOMENAGEADOS

Produtor Destaque Creche Aurora – Vandenir Scussel (Cooperalfa, Aratiba/RS)

Vandenir Scussel conquistou o Prêmio Produtor Destaque Creche Aurora.

 

Produtor Destaque Suicooper

1º lugar: Eder Antonio Mohr (Cooperalfa, Aratiba/RS)

2º lugar: Vilson Pedro Pompermaier (Cooperalfa de Xaxim SC)

3º lugar: Gilmar Antonio Demartini (Cooperalfa, Quilombo Santa Catarina)

 

Produtor Destaque Suicooper Mato Grosso Do Sul

Nelson de Carvalho ganhou o Prêmio como Produtor Destaque Suicooper Mato Grosso Do Sul.

 

CONHEÇA OS TÉCNICOS HOMENAGEADOS

Técnico Destaque dos Destaques – Elizeu Elias Padilha (Coolacer região de Lacerdópolis)

Técnico Destaque Creche Aurora – Henrique Burin  (Aurora RS)

 

Técnico Destaque Suicooper

1º lugar: Jeferson Casarotto (técnico Copérdia)

2º lugar: Tiago Dassoler (Aurora RS)

3º lugar: Marivaldo Capitanio (Cooperalfa, região de Santa Catarina)

 

CONHEÇA AS COOPERATIVAS DESTAQUES

1º lugar:  Coolacer

2º lugar: Cooperalfa

3º lugar: Coopervil

 

Cooperalfa foi reconhecida com o segundo lugar como Cooperativa Destaque.

Coopervil obteve o terceiro lugar na categoria Cooperativa Destaque.

 

Fonte: Assessoria
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Notícias Frango

Competitividade da carne de frango frente à suína cresce mais de 40%

Segundo pesquisadores do Cepea, a carne de frango se valorizou de forma consecutiva de maio a setembro deste ano

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Foto: O Presente Rural

Após três meses consecutivos registrando perda de competitividade, a vantagem da carne de frango frente à suína voltou a crescer em outubro. Esse cenário é resultado das recentes desvalorizações do frango e das altas nos preços da carcaça especial suína.

Segundo pesquisadores do Cepea, a carne de frango se valorizou de forma consecutiva de maio a setembro deste ano, o que acabou limitando a liquidez do produto agora em outubro, visto que os elevados patamares dos preços afastaram parte dos demandantes das compras.

Já para a carne suína, a maior demanda por novos lotes de animais para abate impulsionou os valores da proteína. Assim, a diferença entre os preços da carcaça especial suína e do frango resfriado ampliou-se de setembro para outubro, garantindo um expressivo aumento de 42,5% na competitividade da carne de frango frente à suína na parcial do mês.

Fonte: Fonte: Cepea
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Notícias Bovinocultura de Leite

Estratégias de manejo para reduzir estresse calórico será tema de palestra no SBSBL

Doutora em Biologia Animal, Grazyne Tresoldi, explanará sobre o assunto no dia 11 de novembro.

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Divulgação/Nucleovet

O estresse causado pelo calor em bovinos leiteiros tem influência na produtividade de leite e impactos econômicos relevantes. Para aliviar os efeitos do estresse calórico, podem ser utilizadas estratégias de manejo ambiental, como provisão de sombra, resfriamento pela água, ventilação e ar refrigerado em casos de confinamento total. As técnicas e tecnologias a serem adotadas devem levar em consideração o clima em cada região, sendo realizadas com adaptações para as condições de cada localidade, visando o bem-estar animal.

Esse tema será abordado na palestra “Estratégias de manejo ambiental para reduzir os impactos negativos do estresse calórico” pela doutora em Biologia Animal Grazyne Tresoldi no dia 11 de novembro, às 16h35, durante o 10º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), no Painel “Instalações e Ambiência”. O evento é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e está programado para o período de 9 a 11 de novembro deste ano, com transmissão a partir de Chapecó (SC). Paralelamente ocorrerá a 5ª Brasil Sul Milk Fair virtual.

Grazyne Tresoldi é professora assistente em Ciência Animal na Escola de Agricultura da Universidade do Estado da Califórnia, no campus de Chico (California, State University, EUA), onde pesquisa temas relacionados ao bem-estar animal e sustentabilidade da indústria leiteira. É doutora em Biologia Animal pela Universidade da Califórnia, no campus de Davis (University of California, EUA), mestre em Agroecossistemas pela Universidade Federal de Santa Catarina e médica veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Além de pesquisar estratégias para mitigação de estresse por calor, atua como auditora de bem-estar de vacas leiteiras. É auditora certificada pela Professional Animal Auditor Certification Organization (PAACO).

O presidente da comissão científica do 10º SBSBL, Airton Vanderlinde, ressalta que a bovinocultura de leite está crescendo e o Simpósio contribui com conhecimento técnico. “Buscamos assuntos atuais que tenham impacto nas atividades práticas dos profissionais envolvidos com a cadeia de produção”, frisa, ao acrescentar que os temas das palestras acompanham a evolução do setor. “Instalações, ambiência e manejo sempre são aspectos importantes e que podem ser aprimorados para impulsionar a produção e contribuir para o bem-estar dos animais”.

Inscrições

A comercialização do primeiro lote dos ingressos encerra neste sábado (23). Os valores são: R$ 360 para profissionais; R$ 260 para estudantes; R$ 300 para agroindústrias e órgãos públicos; e R$ 250 para universidades. Os valores serão reajustados para inscrições do segundo lote (24 de outubro a 6 de novembro) e para o terceiro lote (7 a 13 de novembro). Pacotes – a partir de dez inscrições – têm o benefício de inscrições bonificadas, cujas regras podem ser consultadas no site.

As inscrições podem ser feitas no site https://nucleovet.com.br.

O 10º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite tem apoio da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da Embrapa Gado de Leite, do Icasa, da Prefeitura de Chapecó, do Sindicato dos Produtores Rurais de Chapecó, do Sistema FAESC/SENAR-SC, do Sindirações, da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc) e da Unochapecó.

Fonte: Nucleovet
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CONBRASUL/ASGAV

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