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Pesquisa comprova eficiência econômica de biogás na pecuária de leite

Uso do biogás está em franca expansão no setor e apresenta retornos financeiros positivos

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Rubens Neiva

A geração de energia elétrica e a produção de biofertilizantes a partir dos dejetos da atividade pecuária já é uma realidade na bovinocultura de leite no Brasil. Depois de algumas experiências frustradas nas décadas de 1970 e 1980, os produtores que adotam sistema de confinamento, no qual o gado é criado em grandes estábulos, passaram a gerar a própria eletricidade consumida na fazenda e, em alguns casos, até a vender o excedente para as empresas de distribuição.

A adoção da tecnologia ainda é baixa entre os produtores de leite, mas o pesquisador Marcelo Henrique Otenio, que coordena os estudos sobre biodigestores na Embrapa Gado de Leite (MG), diz que o uso do biogás está em franca expansão no setor e apresenta retornos financeiros positivos. “Nós reunimos uma equipe de pesquisa multidisciplinar de diversas instituições e nossos estudos indicam ser economicamente viável o uso de biodigestores na pecuária de leite para sistemas de produção em free stall (sistema de produção de leite com as vacas estabuladas) com mais de oitenta vacas”, revela Otenio.

Produtor ganha energia, água e biofertilizantes

Ainda segundo o pesquisador, o produtor pode obter ganhos de três formas: pela produção do biogás, que irá abastecer um motor e gerar a energia elétrica; pela reutilização da água de lavagem do piso do estábulo, que carreia os efluentes para o biodigestor; e pela produção do biofertilizante resultante do processo.

O Brasil é o quarto maior importador de fertilizantes do mundo. O País importa cerca de 75% do total desses insumos aplicados nas lavouras. Além disso, os adubos químicos são insumos caros e poluentes. Com a utilização da matéria orgânica oriunda do biodigestor, o produtor agrega valor ao negócio, além de dar uma destinação a outro material potencialmente poluente: os dejetos bovinos. Otenio informa que, na cultura da cana, o biofertilizante substitui 100% do adubo nitrogenado e, na lavoura de milho, 60%. A Embrapa Gado de Leite também está fazendo testes com a fertirrigação do capim-elefante BRS Capiaçu. Esse biofertilizante também é importante na recuperação de áreas degradadas, pois atua como um condicionante do solo, recuperando sua matéria orgânica.

Agregação de valor e sustentabilidade ambiental

O professor Jorge Lucas Júnior, do campus de Jaboticabal (SP) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), instituição parceira da Embrapa nas pesquisas com biodigestores,  explica que a maior adoção da tecnologia na suinocultura se deve ao fato de os dejetos provenientes dos suínos terem maior potencial fertilizante e energético do que os de bovinos. Por outro lado, ele conta que uma vaca produz muito mais estrume do que um porco. “Há, por isso, um equilíbrio e os produtores de leite podem ser tão eficientes quanto os suinocultores”, afirma o professor ressaltando que, nas duas culturas, a tecnologia é uma grande aliada do meio ambiente.

A biodegradação de dejetos de origem animal produz metano (CH4), entre outros gases. O metano tem um potencial 21 vezes maior de provocar efeito estufa se comparado ao dióxido de carbono (CO2). A queima do CH4 com o oxigênio é a energia que faz um motogerador funcionar e produzir eletricidade. O resultado dessa queima é a emissão de vapor d’água e CO2 menos prejudicial para a atmosfera, quando comparado ao metano. O professor da Unesp diz que, com o surgimento do mercado de carbono, a escala de implantação de biodigestores aumentou, incentivando o desenvolvimento de modelos mais baratos e fáceis de operar.

A confluência de tecnologias mais eficientes, agregação de valor e proteção ambiental impulsionam o mercado. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), estima que, em 2030, o biogás poderá representar o mesmo volume de energia distribuída que a fotovoltaica (energia solar) e o setor agrícola terá uma importante participação nesse volume.

Já existem diversos casos de sucesso operando no presente. A Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, é um deles. Os dejetos de mil vacas em ordenha e outros mil suínos em terminação alimentam três biodigestores que geram R$ 30 mil mensais em energia elétrica. Cerca da metade da quantidade gerada é transformada em “crédito de energia” pela distribuidora e pode ser vendida para outros consumidores (esse processo é chamado de geração distribuída), a outra metade é usada para abastecer a propriedade.

Experiências do passado

Em meados da década de 1970, o Governo Federal incentivou o uso de biofertilizantes por parte dos pecuaristas. Na época, foi criado o Programa Nacional de Energia Alternativa. Algumas unidades da Embrapa, entre elas a Embrapa Gado de Leite, iniciaram pesquisas sobre o tema para popularizar o uso de biodigestores. O chefe-adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento da Unidade, Pedro Arcuri, que na época trabalhava em um dos projetos, lembra que a demanda do governo visava dar uma reposta para a crise do petróleo, que elevou o preço do combustível.

Naquela época, dois modelos de biodigestores propostos como tecnologias para pequenos produtores rurais foram implantados no Brasil: o chinês e o indiano. Segundo Arcuri, os modelos tinham baixa eficiência, pois necessitavam de mais esterco para produzir biogás. A Embrapa Gado de Leite montou uma unidade demonstrativa com o modelo indiano, de fácil implantação e simplicidade na operação. A unidade demonstrativa simulava uma pequena fazenda na qual fogão, geladeira, chuveiro, lampião, bomba de água e uma picadeira funcionavam com a energia do biogás.

“Recebemos um grande número de extensionistas e produtores interessados, mas não havia linhas de crédito para implantar os biodigestores e, na prática, poucos produtores acabaram adotando a tecnologia”, relembra. Ele conta ainda que, mesmo os que adotaram, acabaram tendo problemas. Arcuri explica por que: “Uma das grandes dificuldades era a adaptação dos equipamentos, que não eram fabricados para funcionar com biogás”. Era necessário instalar dutos para levar o gás até fogões, chuveiros e motores que geravam energia para as máquinas e eletrodomésticos. Além disso, o gás sulfídrico (um dos subprodutos do processo) corroía os equipamentos, que tinham sua vida útil reduzida. Com todos esses obstáculos, os projetos com biogás se encerraram em meados dos anos 1980 até serem resgatados em 2011.

Segundo Arcuri, os antigos problemas foram resolvidos. O modelo de biodigestor que está sendo implantado atualmente é mais eficiente e o Brasil já possui tecnologia própria na fabricação dos motores abastecidos com biogás. Para o gás sulfídrico, que oxidava aparelhos domésticos e máquinas, foi adaptado um filtro, separando-o do metano. Os pesquisadores têm dados dos resultados de várias pesquisas que comprovam a sustentabilidade da tecnologia no contexto atual, pois diferentemente dos anos 1970 e da crise do petróleo, há na sociedade uma cultura que preza o conservacionismo e a proteção do meio ambiente, o que viabiliza tecnologias voltadas para a mitigação de gases de efeito estufa.

Além disso, as propriedades leiteiras são muito mais dependentes da eletricidade do que eram há quatro décadas, quando a ordenha manual era comum mesmo em grandes fazendas e os latões de leite esperavam no tempo para serem recolhidos pelo caminhão. Hoje, há muita automação e o armazenamento do leite em tanques de resfriamento é uma exigência legal. Se faltar energia por algumas horas na propriedade, pode-se perder a produção de alguns dias. O biodigestor proporciona também o conforto de se ter estábulos livres de moscas e odores, uma grande vantagem para quem tem que lidar diariamente com o rebanho.

Por fim, o problema dos recursos para produção de biogás também foi resolvido. Há diversas linhas de crédito no País para financiar projetos de energia e tecnologias sustentáveis. Uma delas é o Programa ABC, para apoiar a agricultura de baixa emissão de carbono, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia até 100% do projeto, com taxas de juros a partir de 8% ao ano. Algumas linhas possuem prazo de carência de até três anos, tempo que os pesquisadores consideram suficiente para que o biodigestor pague o investimento e comece a gerar lucros.

Produção de biogás otimizada

Desde 2011, a Embrapa vem realizando pesquisas com dejetos de outras atividades econômicas que podem potencializar o uso dos biodigestores na pecuária de leite. Foram instalados na sede da Embrapa Gado de Leite, em Juiz de Fora (MG), 12 biodigestores em escala laboratorial que medem a capacidade de geração de energia dos dejetos bovinos misturados a outros resíduos. Uma doutoranda, quatro mestrandos e seis alunos de graduação, além da equipe de suporte, como analistas e profissionais de campo da Embrapa, estão envolvidos diretamente nos trabalhos.

Segundo o líder do projeto, Marcelo Otenio, cervejarias e laticínios produzem resíduos de difícil tratamento. Os pesquisadores testam, então, o funcionamento dos biodigestores com diferentes percentuais de lodo de estação de tratamento de cervejarias, soro de ricota e efluentes da pecuária. “Queremos saber quanto o biodigestor de efluentes bovinos pode suportar e manter-se produtivo com a mistura desses resíduos”, diz Otenio.

O que a Embrapa pretende é desenvolver um protocolo de codigestão. A partir daí, será possível habilitar um produtor de leite a vender o serviço de biodigestão para essas indústrias, utilizando a capacidade ociosa dos equipamentos instalados. Em outras palavras, as cervejarias e laticínios, em parceria com produtores de leite, transformarão um importante problema ambiental em eletricidade. Otenio informa que os resultados preliminares do projeto são bastante positivos e viabilizam a codigestão.

Como funciona um biodigestor modelo canadense

O biodigestor modelo canadense para um sistema de cerca de 200 vacas custa cerca de R$ 300 mil reais. O equipamento completo é composto, resumidamente, por três tanques construídos em um nível mais baixo que o estábulo:

– tanque de equalização – que recebe os dejetos do estábulo, homogeneíza o efluente e regula a vazão do sistema;

– tanque principal (gasômetro ou o biodigestor propriamente dito) – que contém o substrato para a fermentação e produção do biogás e é coberto por uma manta de PVC para reter o biogás produzido; e

– tanque de saída ou de estabilização – que receberá os resíduos do tanque principal e será usado na fertirrigação.

Ainda compõem o sistema uma caixa de areia (tanque que separa a areia que vem do estábulo, evitando que ela entre no tanque principal), uma peneira separadora de sólidos (necessária nos sistemas de produção de leite devido ao alto teor de fibra presente na dieta bovina), um motogerador (motor de caminhão adaptado para utilizar o biogás como combustível e movimentar o dínamo que produzirá a eletricidade) e um painel de distribuição de energia.

O piso do estábulo, feito de cimento e com um pequeno desnível para a água correr, deve conter ranhuras para facilitar o fluxo do líquido. Com a lavagem do estábulo, o efluente passa pelo tanque de equalização e segue para a peneira separadora de sólidos. Na sequência, vai para a caixa de areia, que separa os sólidos remanescentes, para depois chegar ao tanque do biodigestor.

No biodigestor, ocorrem reações químicas que transformam a biomassa em metano e outros gases. Com uma concentração acima de 50% de metano, o biogás já é combustível para alimentar o motogerador. A energia gerada é recebida pela rede interna, para uso local, ou segue para o painel de distribuição para que seja feita a geração distribuída.

Restam do processo o material sólido, que passou pela peneira separadora, e o efluente líquido gerado pelo biodigestor. O primeiro será compostado e transformado em adubo orgânico. O segundo é utilizado como biofertilizante na fertirrigação.

Fonte: Embrapa Gado de Leite
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Bovinos / Grãos / Máquinas Para o produtor

Não tratamento de ferrugem da soja pode resultar em perda de quase R$ 12 bi

Ausência de controle das pragas e doenças nos cultivos agrícolas teria como impacto direto o comprometimento das safras

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Divulgação/Aprosoja

Pragas e doenças na agricultura podem resultar em queda no volume de produção, em prejuízos à qualidade dos produtos, e, conforme a situação, podem levar à morte as plantas e até dizimar cultivos inteiros. A decadência do cacau no sul da Bahia, devido à vassoura-de-bruxa, é uma ilustração emblemática deste risco.

Nesse sentido, a ausência de controle das pragas e doenças nos cultivos agrícolas teria como impacto direto o comprometimento das safras. Portanto, para o produtor, ao se defrontar com a presença desses organismos em suas culturas, é necessário adotar algum tipo de controle de modo a preservar seus investimentos e recursos alocados no cultivo, suas margens de lucro e a própria viabilidade socioeconômica de sua atividade produtiva. Além dos métodos de controle químico, há possibilidades de complementar ou substituir, em algumas situações, por métodos mecânicos, controle biológico, gestão da nutrição de plantas, uso de variedades resistentes às pragas, entre outros.

Nesse contexto, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), monitorou a evolução da ocorrência das principais pragas e doenças que atingiram as culturas de soja, milho e algodão nas safras 2014/15, 2015/16 e 2016/17 e os respectivos impactos econômicos para produtores e para o país. Para isso, o Cepea desenvolveu uma metodologia de avaliação econômica da incidência das principais pragas, baseada em dados obtidos nos levantamentos anuais de campo nas principais regiões produtoras.

MENSURAÇÃO ECONÔMICA

Nesta primeira parte do estudo, disponibilizado nesta quarta-feira (22) no site do Cepea, pesquisadores mostram que, na safra 2016/17, o custo dos produtores de soja com fungicidas foi de R$ 8,3 bilhões (96% para controle da ferrugem), de R$ 6,2 bilhões em inseticidas e de R$ 4,8 bilhões em herbicidas, totalizando R$ 19,3 bilhões. Este valor correspondeu a 16,5% do Custo Total (CT) com a produção de soja no Brasil naquela safra. O montante total para cultivar uma área de 33,9 milhões de hectares e produzir 114 milhões de toneladas de soja foi de R$ 117 bilhões na safra 2016/17.

No caso da ferrugem da soja, especificamente, para avaliar a implicação econômica do controle da doença, pesquisadores do Cepea simularam uma situação em que os produtores não utilizassem fungicidas. Com isto, economizariam R$ 5,75 bilhões, mas a queda na sua oferta de soja é estimada em 30%. Supondo que os produtores pudessem compensar essa perda em produtividade, expandindo a área cultivada, gastariam R$ 33 bilhões em recursos adicionais para custear um aumento de quase 1/3 na área produtiva nacional. Esses custos referem-se apenas aos recursos terra, trabalho e capital privados dos produtores; não incluem custos de abertura de novas áreas e infraestrutura produtiva e logística etc.

No cenário sem essa compensação da queda de produtividade pelo aumento da área cultivada, o modelo econômico estima um aumento de 22,9% no preço no mercado interno. Assim, nesse contexto, embora os produtores reduzissem os custos (sem o controle da ferrugem), a elevação dos preços não seria suficiente para evitar a queda da Receita Bruta, de 13,9%. Diante disso, o resultado econômico com o plantio de soja passaria de um lucro de R$ 8,32 bilhões para um prejuízo de R$ 3,37 bilhões para o segmento produtivo nacional. Logo, os produtores incorreriam em uma perda de R$ 11,7 bilhões.

Para o país, em termos macroeconômicos, isto implicaria na queda de 30% em volume exportado, equivalente a perdas de US$ 4,5 bilhões em faturamento externo para os produtos do complexo da soja. Pesquisadores do Cepea estimam, ainda, que o aumento de 22,9% nos preços da soja, devido à perda na produção, teria um impacto de 0,57 ponto percentual no IPCA geral de 2017. Ou seja, o IPCA passaria de 2,95% para 3,52%. Este mesmo raciocínio aplicado ao IPCA de alimentos, implicaria em variação de 1,03 ponto percentual no índice, ou seja, saltaria de -1,87% para também negativos -0,84% no ano de 2017.

Fonte: Cepea
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em segundos

Aplicativo calcula necessidades nutricionais da lavoura de soja

Tecnologia traz rapidez, economia e precisão na gestão da lavoura de soja, já que a cultura necessita de muitos insumos cotados em dólar

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Vinicius Braga

Alguns toques na tela de um smartphone ou tablet, e em segundos o agricultor obtém um balanço nutricional de sua plantação de soja, com as quantidades de nutrientes e corretivos de que a lavoura necessita. É o que oferece o aplicativo Nutri Meio-Norte, módulo soja, o primeiro do gênero desenvolvido pela Embrapa. A tecnologia traz rapidez, economia e precisão na gestão de uma lavoura de soja, já que a cultura necessita de muitos insumos cotados em dólar.

Desenvolvido no ano passado pelo então estagiário de tecnologia da informação Filipe Ribeiro Chaves, da Associação de Ensino Superior do Piauí (Aespi-FAPI), da equipe vencedora da maratona Hackathon Acadêmico Embrapa 2017, no Piauí, o aplicativo foi construído para ser uma plataforma digital ampla. Nesse primeiro módulo, o Nutri Meio-Norte permite, a partir da análise foliar, conhecer a fertilização adequada para o cultivo da soja, mostrando os dados nutricionais das plantas, como os nutrientes em excesso e outros com deficiência, gerando o desequilíbrio nutricional.

A dinâmica do aplicativo

É simples operar a tecnologia. Primeiramente, o produtor terá de realizar a análise foliar da lavoura, feita por um laboratório especializado. Após abrir o aplicativo, o agricultor deverá inserir na página “análise foliar” dados obtidos na análise laboratorial das amostras de sua lavoura, como as quantidades dos macro e micronutrientes encontrados. Depois, ele deve escolher o método de análise (DRIS ou CND, veja quadro abaixo) e clicar no botão “enviar”. Em seguida, aparecerão os índices nutricionais em formato de gráficos de barra e radar. Ele deve clicar, então, em “gerar relatório” para abrir um formulário a ser preenchido sobre dados da propriedade, em talhão ou lavoura, como área plantada, data da coleta da folha diagnóstica e algum manejo realizado na área. Finalmente, ao clicar em “baixar”, os resultados gerados são armazenados no dispositivo em forma de relatório que poderá ser compartilhado por e-mail ou programas de mensagens, como o WhatsApp. 

A ferramenta, disponível gratuitamente na internet para sistema Android (Play Store) e em breve para iOS (App Store), é indicada para o Maranhão e o Piauí, por analisar apenas amostras de folhas coletadas nesses dois estados. O uso do aplicativo poderá ser ampliado para Bahia e Tocantins, alcançando assim toda a área de produção de grãos da região Matopiba, quando o banco de dados receber informações desses estados.

“Com o resultado, o produtor pode adequar a adubação e ter eficiência no uso de nutrientes”, garante o pesquisador Henrique Antunes, que gerencia a plataforma e é, com o professor Danilo Eduardo Rozane, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), responsável pelas informações técnicas. Segundo ele, a ferramenta traz mais segurança ao produtor na aquisição e uso de fertilizantes e corretivos, ao recomendar a adequada nutrição das plantas.

A avaliação final do balanço nutricional da planta, por meio da ferramenta, sempre dependerá de uma análise de tecido vegetal feita em laboratório especializado. “É uma inovação tecnológica de fácil acesso ao banco de dados criado pela Embrapa Meio-Norte (PI), que gerou os sistemas Integrado de Recomendação e Dianóstico (DRIS) e o Diagnose da Composição Nutricional (CND)”, destaca Antunes. 

A ideia de construção dessa plataforma, segundo o pesquisador, surgiu da necessidade de se ter um banco de dados regional, já que as cultivares plantadas no Nordeste são diferentes das semeadas no centro-sul, por exemplo. “As condições de clima e solo também são diferentes das encontradas nos demais estados da região do Matopiba. O manejo das lavouras foi outro ponto determinante para a necessidade de criação dessa ferramenta”, conta o cientista.

Examinando as folhas

A análise de tecido vegetal, também conhecida como análise foliar, tem como princípio básico de amostragem a seleção de partes da planta, como as folhas. No estudo dessa parte da planta, a folha diagnóstica (usada para análise dos nutrientes) é a que melhor representa o estado nutricional da lavoura. Após a coleta de amostras em lavouras de soja e análise de macro (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre) e micronutrientes (boro, cobre, ferro, manganês e zinco), os resultados são usados para fazer o balanço de nutrientes, obtido pelos métodos Diagnose da Composição Nutricional (CND) e Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS), que comparam os teores encontrados com um banco de dados de alta produtividade.

Economia e segurança no cultivo

Os primeiros testes com o Nutri Meio-Norte foram positivos e animaram grandes produtores. A observação do gaúcho Fernando Devicari, gerente da Fazenda Barbosa (com 680 hectares), grande produtora de soja no município de Brejo, no leste do Maranhão, é o retrato do otimismo: “Os resultados obtidos com o aplicativo mostram com melhor exatidão, comparando com os do DRIS, o estado nutricional da planta. Com esse diagnóstico mais apurado, esperamos conseguir resultados de produtividade cada vez melhores, visto que o programa foi desenvolvido especificamente para nossa região”, relata.

Do município de Uruçuí, a 453 quilômetros ao sudoeste de Teresina, onde o cultivo de soja é o carro-chefe da produção agrícola, vem mais expectativa de ganho com o Nutri Meio-Norte. O produtor Altair Domingos Fianco, que deixou a cidade de Pato Branco, no Paraná, há 22 anos, aposta alto no aplicativo: “Essa plataforma possibilita ao agricultor conhecer seu solo exatamente como ele se encontra, proporcionando a aplicação de fertilizantes de uma maneira equilibrada, com economia e segurança”.

Dono de 7.232 hectares na fazenda Condomínio União 2000, Fianco, que já foi presidente da Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja-Piauí), entidade que reúne 245 membros, acredita no aplicativo como ferramenta de gerenciamento: “Ele facilita na tomada de decisões. Com a tecnologia, podemos comprar os insumos certos, na quantidade correta, exatamente do que a planta precisa”, conclui.

Fonte: Embrapa Meio Norte
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Cepea

PIB do agronegócio apresenta leve alta em fevereiro

Apesar disso, ainda acumula queda de 0,46% no primeiro bimestre deste ano

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O PIB do Agronegócio brasileiro, calculado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), registrou leve alta de 0,07% em fevereiro de 2019. Apesar disso, ainda acumula queda de 0,46% no primeiro bimestre deste ano.

Entre os ramos, o agrícola teve elevação de 0,19% em fevereiro, mas acumula baixa de 0,32% de no ano. Já o pecuário teve queda tanto no resultado mensal (-0,27%) quanto no acumulado de 2019 (-0,87%). Pesquisadores do Cepea ressaltam que estes resultados ainda não contemplam dados relativos ao volume de produção de atividades importantes do ramo pecuário, indisponíveis até o fechamento do relatório.

Insumos

O segmento de insumos agrícolas registrou alta tanto no mês quanto no ano, impulsionado por indústrias de fertilizantes e de defensivos. No primeiro caso, os maiores preços de janeiro a fevereiro de 2019 favoreceram a estimativa de faturamento para o ano e, no segundo, a produção esperada significativamente maior levou ao resultado estimado. No caso dos insumos pecuários, o aumento do PIB em janeiro refletiu principalmente o comportamento da indústria de rações.

Primário

No segmento primário, ainda se verifica pressão relacionada ao crescimento dos custos de produção, porém, tanto no primário agrícola quanto no pecuário observam-se elevações médias de preços e de quantidade produzida. Entre os produtos agropecuários, destacaram-se com maiores preços neste primeiro bimestre de 2019: batata, arroz, cacau, feijão, laranja, milho, soja, algodão, trigo, uva, frango e leite.

Agroindústria 

Para a de base agrícola, a menor produção esperada para o ano pressionou os resultados de fevereiro. Já no caso da indústria de base pecuária, a renda do segmento esperada para o ano tem sido pressionada pelo aumento previsto dos custos de produção, embora os preços dos produtos pecuários industriais tenham, em média, se elevado no primeiro bimestre deste ano (em comparação com o mesmo período do ano passado).

Serviços

Verificam-se baixas no mês e no acumulado do ano. Porém, a alta registrada em fevereiro para serviços do ramo agrícola e indicadores de mercado mostrando crescimento de vendas do grupo de produtos alimentícios e bebidas, além da elevação das exportações do agronegócio relativamente ao mesmo período do ano passado, devem impactar em uma reação no segmento para os próximos meses.

Fonte: Cepea
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Conbrasul 2019
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