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Paraná lidera avanço nacional em produção e produtividade

Impulsionada por melhoramento genético e novas técnicas de manejo e nutrição, Estado ocupa posição de destaque no ranking brasileiro

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Divulgação/Alcides Okubo Filho

A pecuária leiteira do Paraná é a que mais cresceu ao  longo das últimas duas décadas, tanto em produção (litros produzidos) quanto em produtividade (litros por cabeça). Esse avanço fez com que o Estado saltasse para terceiro colocado em ambos os rankings nacionais em 21 anos, evidenciando a posição de destaque do setor. Hoje, a atividade está presente nos 399 municípios do Paraná e gera cerca de R$ 5,7 bilhões por ano no Valor Bruto de Produção (VBP).

De 1996 a 2017 (dados mais recentes disponíveis), a produção de leite no Estado decolou, com crescimento de 193%. Em números brutos, o Paraná saiu da casa dos 1,5 bilhão para os 4,4 bilhões de litros por ano. A produção paranaense fechou 2017 atrás apenas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Enquanto os gaúchos estão à frente por uma pequena margem (menos de 100 milhões de litros a mais), os produtores mineiros atingiram a marca de 8,9 bilhões de litros, mas com um rebanho de vacas ordenhadas três vezes maior que o do Paraná.

O crescimento exponencial da produção no Estado está diretamente relacionado à produtividade do plantel, que mais que dobrou em duas décadas. A média produzida por vaca pulou de 1,4 mil para 3 mil litros por ano: aumento de 111%. Apenas Santa Catarina (3,5 mil litros por ano, por animal) e Rio Grande do Sul (3,2 mil litros) superam o Paraná em produtividade. Todos os dados foram coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), com base no rebanho geral.

Este cenário de expansão teve como propulsor o aspecto econômico. O técnico do Sistema FAEP/SENAR-PR Alexandre Lobo Blanco aponta que a melhor remuneração ao pecuarista pelo produto foi determinante para a ampliação dos investimentos, que resultaram em maior produção e mais produtividade.

“O principal e mais eficiente estímulo à produção foi o aumento dos preços pagos aos pecuaristas neste período. Com cenários de preços mais elevados, o produtor responde bem às tecnologias de curto prazo para o aumento da produção, em especial, melhorias nutricionais e na composição de rebanho”, valia. 4,4 bilhões de litros foram produzidos pelo Paraná em 2017, correspondente a 15% da produção brasileira.

Genética e tecnologia 

O presidente da Comissão Técnica da Bovinocultura de Leite da FAEP, Ronei Volpi, destaca que, entre a série de fatores que contribuiu para a escalada da atividade, estão elementos como o melhoramento genético de matrizes, a participação de cooperativas, a presença forte de pesquisas em universidades e particularidades do Estado como clima e solos favoráveis, além de laticínios em todas as regiões.

“O que faz a atividade leiteira crescer no Paraná é uma soma de fatores, com destaque para a cultura de sua gente rural, fundamentada preponderantemente na pequena propriedade, alicerçada em tradicionais valores de cooperação e na intimidade com o ofício de produzir leite, herdada dos imigrantes europeus”, aponta Volpi. “Neste aspecto, as capacitações oferecidas pelo SENAR-PR ao longo dos mais de 25 anos tiveram papel fundamental na consolidação do status da produção leiteira do Paraná”, acrescenta.

Dados publicados pela Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) atestam o progresso genético das vacas em rebanhos especializados. Hoje, entre 35% e 40% dos animais que compõem o rebanho paranaense são inseminadas artificialmente. No Brasil, este índice é de apenas 11%.

“Desde 2009, tem havido a expansão da inseminação artificial a partir de touros genômicos, o que fez com que os produtores chegassem a touros provados positivamente para componentes de leite, como gordura e proteína. Antigamente, resultados que demoravam mais de seis anos para aparecer, agora se consegue de uma geração para a outra”, explica o superintendente da APCBRH, Altair Antonio Valloto. “Na era genômica, o pecuarista consegue, praticamente, moldar o rebanho”, resume.

O resultado deste investimento pode ser visto ano a ano. O rebanho que tem o desempenho analisado pela APCBRH passou de 21,7 mil animais em 2008, para 45,7 mil vacas no ano passado. Os dados mostram que a produtividade média dos animais saltou de 27 litros por dia em 2015 para quase 29,5 litros por dia no ano passado. Os indicadores de gordura e proteína no leite também avançaram. “Os resultados são muito bons, muito expressivos”, destaca Valotto.

Outro ponto é que, segundo o superintendente da APCBRH, as técnicas de melhoramento genético e inseminação artificial estão cada vez mais acessíveis. “É um fator que está se popularizando. O SENAR-PR tem um programa de treinamento muito forte nessa área de melhoramento genético, o que tem contribuído muito com a especialização do rebanho do Estado”, diz Valloto.

Ainda, o fato da produção leiteira do Paraná ser estável, praticamente sem variações sazonais na captação entre os períodos de inverno e de verão, o que está diretamente relacionada à força dos grandes produtores, colabora para o desenvolvimento da cadeia. “A superação dessa sazonalidade na produção está associada ao desempenho apresentado pelos maiores produtores. Estes mantêm praticamente constante a oferta do produto durante todo o ano”, observa o técnico Guilherme Dias, do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Capital Nacional do Leite

Se a atividade evoluiu tanto no Paraná ao longo dos últimos 20 anos, a ponto de o Estado ter se tornado referência nacional, nada melhor que uma capital para figurar como símbolo dessa excelência. E é oficial: desde dezembro de 2017, Castro, na região dos Campos Gerais, é a “Capital Nacional do Leite”, reconhecida por lei federal. O município é o maior produtor do país, com um volume de 255 milhões de litros por ano. A produtividade média na cidade é de 7,4 mil litros de leite por cabeça por ano: 146% maior que a média estadual.

Um dos exemplos do patamar de excelência a que a atividade chegou em duas décadas é o criador Roelof Rabbers, com propriedade em Castro. O pecuarista começou a se dedicar a atividade leiteira há 25 anos, com três animais. Hoje, o rebanho é de 297 animais. O avanço é geral, impulsionado por investimentos em manejo, aspectos nutricionais e em genética.

“No início, tirávamos leite no balde, ao pé, e a entrega de leite era feita em latões à cooperativa Castrolanda. Atualmente, temos uma sala de ordenha com seis conjuntos semi-automatizados, com programa de gerenciamento de ordenha e dois tanques de 4 mil litros”, exemplifica Rabbers.

A partir da modernização em etapas da produção, o pecuarista observou o crescimento da produção. Em 2005, Rabbers criou um método de acompanhamento por meio de planilhas, que contêm informações sobre lactações acumuladas. Os dados apontam que, em três lactações (em sua vida produtiva), a produtividade média saltou de 24 mil litros para mais de 31,7 mil litros por animal.

“A evolução genética está muito acelerada, com maior oferta de touros genômicos nos últimos quatro anos. Sem dúvida, teremos avanços significativos nos próximos anos”, observa o pecuarista, uma referência estadual e nacional.

Representatividade

A importância da pecuária leiteira para o Estado vai além. Com participação bastante expressiva, o Paraná responde por cerca de 15% da produção brasileira que, em 2017, fechou em 33 bilhões de litros. Neste sentido, os três Estados da região Sul merecem destaque: juntos, são responsáveis por 37,7% do leite do país, ultrapassando a antiga líder, a região Sudeste, e também Argentina e o Uruguai juntos.

O leite também tem um peso significativo à economia do Paraná, gerando mais de R$ 5,7 bilhões (em dados de 2017, os mais recentes). Com isso, a atividade representa 6,6% do Valor Bruto da Produção (VPB) do Paraná. A produção de leite só fica atrás da de soja (que rendeu R$ 20,3 bilhões), frango de corte (R$ 13 bilhões) e de milho (R$ 6,6 bilhões) – conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) do Paraná.

Novo cenário

Apesar da consolidação do setor ao longo das duas últimas décadas, a pecuária leiteira deve apresentar uma pequena redução, quando forem apresentados os dados consolidados de 2018. Segundo os técnicos do Sistema FAEP/SENAR-PR, a partir de 2016, a atividade sofreu uma desaceleração, o que teve impacto direto na produção.

“O cenário foi de retração de preços médios e aumento de custos de produção, o que de certa forma tem segurado os novos investimentos em larga escala pelo produtor”, avalia Guilherme Dias. “Além disso, tivemos novas instruções normativas [INs 76, 77 e 78] que provocarão efeitos a partir de maio deste ano, com impacto no volume produzido no curto prazo”, acrescentaram.

Conseleite contribui para o avanço da atividade no Paraná

A consolidação da atividade leiteira no Paraná está, também, diretamente relacionada à criação do Conselho Paritário dos Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite), instituído em 2002. Idealizado com o objetivo de aproximar os elos da cadeia produtiva e mitigar relações conflitantes relacionadas ao preço do produto, a metodologia adotada ampliou a confiança mútua entre produtores e empresas, a partir da transparência nas políticas de formação de preços dos lácteos.

Para manter a isenção de todo o processo, o Conseleite contratou o Departamento de Economia Rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que, semanalmente, levanta os preços junto às indústrias e apresenta uma análise técnica, com a conjuntura do mercado e apontando perspectivas. A partir disso, em reuniões mensais com representantes das industrias e do setor produtivo, o Conseleite aprova, então, um valor de referência – aferido a partir da comercialização dos derivados por parte da indústria.

“Desde a criação, o Conseleite é uma referência e colabora para que os produtores e indústrias consigam projetar as tendências do setor. Inclusive, o trabalho é uma referência nacional e já foi copiado por outros Estados”, destaca Ronei Volpi, presidente da Comissão Técnica da Bovinocultura de Leite da FAEP.

A metodologia foi tão assertiva que Conseleites foram instalados nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul e, mais recentemente, em Minas Gerais, no ano passado.

Fonte: Sistema FAEP
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Bovinos sofrem efeitos agudos das verminoses no inverno

As verminoses aparecem mais no verão, mas os bovinos sentem seus efeitos mais intensamente no inverno

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As verminoses aparecem mais no verão, mas os bovinos sentem seus efeitos mais intensamente no inverno, quando as pastagens não possuem boa qualidade, resultando em baixa resistência dos animais, tanto de corte quanto de leite. Para explicar sobre o tema, O Presente Rural procurou o consultor técnico André Pratto, um dos especialistas do assunto no Brasil.

O Presente Rural (OP Rural) – O que são verminoses?

André Pratto (AP) – As verminoses dos bovinos são causadas por nematódeos gastrintestinais. Na sua grande maioria são infecções mistas, nas quais várias espécies de nematódeos estão envolvidos. Pode-se dizer que essa enfermidade está presente em praticamente 100% das propriedades de bovinos do mundo.

OP Rural – Têm prevalência em todas as estações do ano?

AP – A prevalência varia de acordo com a época do ano. No período das chuvas, que vai de outubro a março, a grande maioria dos vermes encontra condições favoráveis de clima para o seu desenvolvimento, ocorrendo maior contaminação das pastagens quando comparado com os períodos mais secos e frios do ano. Devido ao aumento da temperatura e humidade, ocorre o crescimento das pastagens, favorecendo a criação de um microclima que proporciona melhor condição para o desenvolvimento da fase de vida livre dos parasitos e, consequentemente, maior fonte de contaminação para os bovinos. Entretanto na época seca do ano (abril a setembro), os vermes estão na sua forma de vida adulta parasitária, e grande parte deles estão presentes nos animais, em um estado manifestado como hipobiose. Nessa condição, os nematódeos interrompem o seu ciclo biológico, mantendo o metabolismo muito baixo até a instalação de condições mais favoráveis para seu desenvolvimento. Porém, com a diminuição da quantidade e qualidade das pastagens, os problemas de verminoses tendem a se agravar.

Embora o inverno não seja favorável para o ciclo de vida livre dos vermes, os bovinos sentem mais os efeitos das verminoses, pois geralmente estão com a resistência orgânica diminuída em função do baixo valor nutricional das pastagens.

OP Rural – O que mais contribui para o aparecimento de verminoses?

AP – Todos os animais criados a campo estão sujeitos a verminoses, contudo normalmente os surtos ocorrem entre a desmama e os dois anos de idade. Entretanto, condições de estresse, como deficiência alimentar, prenhez, lactação, alta lotação animal, resistência do parasito aos vermífugos utilizados e falta de rotação de pastagens podem favorecer o parasitismo mesmo em animais adultos.

OP Rural – Elas acometem bovinos de corte e leite? Que prevalência?

AP – Sim, tanto o bovino de corte quanto o de leite podem ser acometidos por verminoses. A prevalência vai depender dos fatores já citados anteriormente como, idade, manejo, época do ano e condições de estresse.

OP Rural – Quais os sintomas?

AP – As verminoses podem se manifestar nas formas clínica e subclínica. No primeiro caso, os sinais clínicos caracterizam-se por menor ganho de peso, perda de apetite, emagrecimento progressivo, mucosas pálidas (anemia), desidratação, edema de barbela, pelos arrepiados e sem brilho, fezes pastosas e, posteriormente, diarreia. Porém esta situação dificilmente ultrapassa mais de 10% dos casos.

O grande problema são as verminoses subclínicas, que atingem cerca de 90% dos casos. Nesta situação, os animais não apresentam sinais clínicos típicos das verminoses, porém ocorre atraso no crescimento, diminuição do ganho de peso, diminuição da produção leiteira, retardo nas atividades reprodutivas e predisposição a outras doenças.

OP Rural – Quais os prejuízos econômicos possíveis?

AP – O maior prejuízo para os pecuaristas está na redução do desempenho dos animais e no menor ganho de peso, podendo gerar perdas econômicas que chegam a 20-30%. No caso de bovinos de corte essa redução no desempenho gera menor peso ao desmame e aumenta a idade até o abate, podendo representar de uma a quatro arrobas a menos durante a vida do bovino. Em bovinos de leite as novilhas vão demorar mais para ter condições de saúde e peso para emprenhar e consequentemente dar leite. Uma novilha com bom desenvolvimento consegue atingir idade ao primeiro parto por volta de 24 meses, entretanto, caso tenha ocorrido uma falha no controle das verminoses, essa idade pode atingir até 36 meses.

OP Rural – Como prevenir e quais os tratamentos?

AP – Medidas de manejo devem ser associadas para diminuir o número de formas infectantes no ambiente, tais como: descanso de pastagens, pastejo alternado entre diferentes espécies de animais (bovinos, ovinos e equinos), pastejo com categorias não suscetíveis ou menos suscetíveis (animais adultos e jovens) e pastejo rotativo.

O tratamento é realizado com a administração de anti-helmíntico de amplo espectro, uma vez que as infecções por nematódeos são, geralmente, mistas. As principais estratégias utilizadas são:

Curativo – Neste tipo de controle, os animais são tratados apenas quando apresentam verminose clínica. Esta estratégia não traz benefícios ao produtor, pois não previne os prejuízos causados pela verminose subclínica, que acomete até 90% do rebanho.

Supressivo ou tradicionais – Neste caso utiliza-se vermífugos em intervalos pré-estabelecidos durante todo o ano, realizando a administração em todo o rebanho, uma vez na entrada da estação chuvosa e outra na entrada da estação seca.

Tático – Neste tratamento os animais são vermifugados quando alguma condição ambiental favorece o desenvolvimento dos vermes ou associados a práticas de manejo, como entrada em novas pastagens ou confinamento, aquisição de animais novos para a propriedade e em fêmeas próximas ao parto.

Estratégico – Esta prática de controle é baseada na prevenção de novas infestações e na diminuição das populações de vida livre. Consiste na utilização racional de vermífugos que irão contribuir para a manutenção de cargas parasitárias compatíveis com a produção animal, contribuindo para o melhor retorno (custo x benefício). Preconiza-se a aplicação em 3 momentos do ano: 1ª no mês anterior ao primeiro mês mais seco, 2ª no segundo mês mais seco, 3ª após o terceiro mês mais seco.

Deve-se levar em consideração que as verminoses afetam o equilíbrio nutricional, uma vez que induzem à redução da ingestão alimentar, diminuem a absorção de nutrientes, propiciam sangramento intestinal e consomem grandes quantidades de proteínas, carboidratos, lipídios e vitaminas.

O uso de vitaminas ADE juntamente com a administração de vermífugos tem demostrado excelentes resultados na recuperação e ganho de peso dos animais, provando ser uma boa estratégia no tratamento de bovinos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Atenção

Hidratação em casos de diarreia é mais do que oferecer água

É evidente que casos de diarreia tem repercussões econômicas ao longo da vida do animal

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Artigo escrito por Petterson Souza Sima, mestre em Zootecnia e supervisor Técnico e Marketing do Grupo Kersia

Que a diarreia neonatal é o principal problema na criação de bezerros leiteiros já sabemos há anos. É estimado que entre 20 e 52% dos animais leiteiros em todo mundo sofrem com seus prejuízos, com mortalidade variando de 10,3% a 34% Com custos de 30 a 40 euros por caso de diarreia, as perdas financeiras envolvidas além de episódios de diarreia também têm efeitos sobre o animal.

As perdas financeiras envolvidas além de episódios de diarreia também têm efeitos sobre o animal adulto. Estima-se que uma vaca que teve diarreia quando bezerra pode perder até 17% do seu potencial de produção leiteira, devido as lesões ocorridas no intestino que reduzem sua capacidade de absorver nutrientes. Além disso, segundo estudo canadense, bezerras que sofrem de diarreia antes do desmame apresentam risco quase 3 vezes maior de parir apenas após 30 meses de idade, e risco 2,5 vezes maior de serem abatidas devida à baixa produção.

Portanto, é evidente que casos de diarreia tem repercussões econômicas ao longo da vida do animal e é importante que o criador limite o desenvolvimento dos casos com tratamento adequado, reduzindo os impactos imediatos e futuros ao máximo.

Devemos continuar fornecendo leite?

Recomendou-se por muito tempo a substituição parcial ou completa do leite por uma solução de reidratação oral, por acreditar que a redução da capacidade digestiva durante os casos piorasse o quadro de diarreia e proliferação das bactérias.

Porém, pesquisas das últimas décadas constatam que mesmo em quadros de diarreia os bezerros ainda têm capacidade digestiva suficiente para utilizar o leite e que a presença do mesmo não piora ou prolonga a doença. Observou-se que bezerros recebendo apenas soluções de reidratação oral podem continuar desidratados e perder peso rapidamente. Em contraste, bezerros recebendo sua cota diária de leite (10% de peso corporal) suplementada com uma solução de reidratação não apresentam sinais de piora e geralmente ganham peso durante o período de tratamento e recuperação da doença.

Reidratação oral: principal meio de combate à diarreia

O grau de desidratação pode variar, podendo o bezerro perder o equivalente a 10% do seu peso vivo em água a cada dia, de modo que se caracteriza como o efeito mais severo da diarreia no animal. Mas isso não significa que apenas a reposição de água no organismo é necessária. Distúrbios eletrolíticos, ácido-base e metabólicos também podem ocorrer. Tudo isso podemos controlar por meio da terapia de reidratação oral.

E não tem segredo. Quanto mais rápido intervirmos, menores os impactos. O ideal é que 50% das deficiências sejam corrigidas dentro de 6 horas, 75% dentro de 24 horas e o resto no dia seguinte. Por isso produtos reidratantes dissolvíveis em água e com alta palatabilidade são grandes aliados. Assim evitamos que os animais cheguem a quadros severos, exigindo intervenção intravenosa. Além do balanço hídrico, pelo menos 3 outros pontos merecem atenção.

Eletrólitos. Estão envolvidos na manutenção das constantes físico-químicas, restaurando o equilíbrio osmótico, hidratação intracelular e funções fisiológicas dependentes de tais elementos (transporte de gases no sangue, impulsos nervosos, funções hepáticas, etc.).

Primeiramente são os íons de sódio que asseguram a reidratação dos compartimentos extracelulares e intracelulares do corpo. Os íons de potássio são cruciais para a manutenção do equilíbrio osmótico intracelular e evitar distúrbios como fraqueza muscular, hipo e hipercalcemia. Íons de cloro estão envolvidos na manutenção do pH do sangue e metabolismo, como regulagem do cloreto e sódio no sangue através dos rins.

Bicarbonato de sódio e outras substâncias alcalinizantes. Bezerros fracos, com diarreia e ataxia ou com falta de apetite sofrem de acidose metabólica. Isto é caracterizado por um pH arterial reduzido, provindo de uma acidose a nível digestivo. O tratamento mais eficaz para combater a acidose metabólica é a administração de substâncias alcalinizantes, também conhecido como substâncias tamponantes.

O bicarbonato de sódio é a substância tamponante mais utilizada, eficaz e imediata. Já substâncias como acetato de sódio e citrato trissódico agem apenas a nível sanguíneo, após metabolismo no fígado (evitando a coagulação do leite). Alguns produtos utilizam as duas formas para maior eficiência.

Energia rapidamente absorvível. Existem diferentes tipos de soluções de reidratação para bezerros: soluções convencionais de reidratação isotônica, soluções de reidratação com lactose concentrada, soluções de reidratação que contêm pectinas e/ou hidrocolóides, e soluções de reidratação hiperosmótica/hipertônico. É extremamente importante que a solução ofereça uma fonte de energia altamente digestível para revigorar o bezerro e garantir que seu metabolismo seja reativado, já que comumente os bezerros perdem apetite e reduzem o consumo de alimento.

Destacamos aqueles com lactose concentrada, afinal, é o principal carboidrato do leite, aquele que o bezerro é preparado para metabolizar. Esta categoria de solução tem a vantagem de reiniciar a drenagem do abomaso, é altamente digestível e limita o risco de recaída na diarreia crônica. Mas a vantagem mais significativa deste tipo de solução sem dúvida é a manutenção da atividade da lactase, graças à presença de lactose no produto. Isso facilita a manutenção de uma dieta láctea durante e após a desordem digestiva ter sido resolvida.

Além disso, a lactose é convertida em glicose e galactose, que são então absorvidas separadamente. Isso traz certas vantagens significativas em comparação ao uso de apenas glicose. Com os dois sacarídeos, teremos uma fonte de energia imediata, a glicose, e outra retardada, já que a galactose precisa primeiro sofrer um rearranjo estrutural antes de ser capaz de ser usada na via da glicose. Por fim, a hidrólise de lactose também aumenta a quantidade de sódio e água que a mucosa intestinal absorve.

É válido ressaltar que essas soluções hidratantes são também indicadas para serem usadas em momentos de transporte, remanejamento, adaptação e, principalmente, recuperação de doenças, o chamado período de convalescença. “Beba bastante água” é o que ouvimos dos médicos quando estamos nos recuperando da maioria das doenças, e pode apostar que com os bezerros não é diferente.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Inverno: a temporada das forrageiras

Pastagens escassas e menor produção de forragem afetam diretamente a nutrição dos bovinos

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Divulgação/Matsuda

Uma das maiores preocupações do pecuarista nas épocas mais frias do ano é com a qualidade do pasto que é ofertado aos animais, alternativas para evitar o efeito sanfona e não perder sua lucratividade. Pastagens escassas e menor produção de forragem afetam diretamente a nutrição dos bovinos. Para enfrentar esse período de frio e seca, algumas decisões podem ser tomadas, previamente, como a inserção de suplementos energéticos e proteicos na dieta.

O engenheiro agrônomo Marcelo Ronaldo Villa explica: “Trabalhamos com produção a pasto, sendo que Brachiaria e Panicum contribuem com o maior percentual das pastagens cultivadas e respondem bem à temperatura, umidade e luminosidade elevadas” diz. Outro fator importante segundo ele, “é que no período do outono e inverno há uma diminuição no volume de forragem produzida, assim como a qualidade.  Quando entra no período mais seco e frio, as condições ideais (temperatura, umidade e luminosidade) para as forrageiras tropicais diminuem porque a planta faz menos fotossíntese, consequentemente vegeta menos. A qualidade dessa forragem fica comprometida, além do volume para ofertar aos animais é mais escasso nessa época do ano. Quanto menor a oferta, maior será a dificuldade para o produtor rural manter o rebanho produtivo”, argumenta.

Para o pecuarista ter uma “folga” e mais tranquilidade nesse período do ano, algumas precauções devem ser tomadas. “Primeiro é necessário ter uma pastagem bem conduzida no período que compreende a primavera e o verão. Implantar pastagem de qualidade, utilizando técnicas de diferimento – estratégia de manejo que ocorre geralmente no fim do período das águas para garantir volume de forragem durante o período de seca”, destaca Villa.

Segundo ele, é mais recomendado a utilização das braquiárias para fazer o diferimento.  “Nós indicamos sempre que no planejamento sejam usadas as braquiárias preferencialmente, e dentre as cultivares existentes no mercado, podemos destacar a MG-4 e a MG-13 Braúna, duas cultivares com porte mediano, talos mais finos e mais enfolhamento”, avalia.

Essas cultivares são recomendadas para solo de média a alta fertilidade, porque são tolerantes a solos arenosos. Já para fazer a reserva de pastagem de uma maneira prática, alguns aspectos devem ser levados em consideração. Por exemplo, “em uma área de 100 hectares, temos que colocar os animais em 70 hectares e os outros 30 hectares deixar diferido, é um dos jeitos que se pode trabalhar. Lembrando que esses 70 hectares têm que ser de cultivares de alta produtividade para que ( o local) não fique sobrecarregado devido ao aumento da quantidade de animais por hectare, ocasionada pela diminuição da área de pastagem disponível, evitando que falte alimento nesse período”, reforça o engenheiro agrônomo.

De acordo com o especialista, em uma estrutura de confinamento ou semiconfinamento, não se pode abrir mão de fazer a conservação de forragem plantada exclusiva para essa finalidade, ou aproveitar o excedente de produção de áreas plantadas para pastoreio direto dos animais (devido às chuvas da primavera-verão a luz é bastante intensa e a temperatura elevada, com isso será produzido mais que o rebanho tem capacidade de ingerir diretamente).

Na entressafra

Para quem utiliza o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), área que estava com lavoura (primavera/verão) e não vai ser trabalhada nesse período, pode ser transformada em área de pastagem com alta qualidade e volume. Nesse caso, não seria necessário diferir uma área de pastagem já implantada, pois essa área com pastagem nova é que vai funcionar como a pastagem diferida e fornecer volumoso em quantidade adequada para os animais no período de maior escassez.

Alinhando essas técnicas a uma suplementação mineral adequada, sustenta o profissional, é possível que o animal ganhe peso mesmo no período de inverno. “O produtor terá pastagem com animais ganhando peso, e isso tem motivado cada vez mais os pecuaristas”, menciona.

Gargalo da pecuária

Marco Antônio Finardi, médico-veterinário, diz que é durante a seca que acontece um período crítico sobre a qualidade nutricional dos alimentos que os animais têm à disposição, principalmente pastagem. Ocorre então um decréscimo extremamente alto nos níveis proteicos das forragens em até 50%, cita. Já a oscilação nos níveis energéticos fica em torno de 15 a 20%. Nos níveis minerais esse decréscimo chega até 80%, revela.

Ele destaca que com o decréscimo desses nutrientes nas forragens, a atividade da microbiota ruminal fica comprometida, pois na maioria das situações, os níveis proteicos da dieta encontram-se abaixo de 7%, quantidade mínima para que ainda ocorra uma fermentação eficiente de forragem. Além da queda do valor nutricional, existe também uma maior dificuldade de digestão desses alimentos por parte dos bovinos. “Temos um aumento da parte estrutural da planta, principalmente no teor de lignina, que é um nutriente indigerível para o bovino, dificultando ainda mais o acesso da microbiota aos nutrientes em si”, lembra o veterinário.

Com isso, aumenta também o tempo de passagem do alimento pelo rúmen.  O animal vai comer menos, o que vai refletir no seu desempenho, com possível perda de peso (efeito sanfona). “A utilização de proteína e energia nessa época do ano é extremamente importante, principalmente a proteína, para que esse nutriente equilibre os níveis mínimos de proteína disponibilizada para a microbiota e melhore a sua multiplicação e o povoamento ruminal”.

Aumentado esses microrganismos dentro do rúmen e sua atividade, logicamente ocorrerá uma ação muito melhor frente ao processo de degradação do alimento.  “Consumir mais forragem e nutrientes traz grande vantagem para o bovino, já que esse animal vai manter o peso e com possibilidade de apresentar ganho”, assegura Finardi.

Suplemento Ureado X Suplemento Proteinado?

Você sabe a diferença do suplemento mineral ureado e suplemento mineral proteinado? Esses produtos levam em sua formulação todos os minerais essenciais, além de fontes de proteína, que podem ser de origem verdadeira, como o farelo de soja, e de origem não verdadeira, como a ureia. O tempo de degradação do nitrogênio na proteína não verdadeira é muito rápido. “Se não tivermos carboidrato de rápida liberação, ocorrerá perda de nitrogênio”, pontua Finardi.

Ainda de acordo com o veterinário, “a associação de uma degradação rápida da ureia com a degradação um pouco mais lenta do farelo e a degradação mais lenta do capim vai dar tempos diferentes de liberação de nutrientes”. Para ele, esse processo é “muito importante para que a microbiota aproveite todos esses nutrientes, ocorrendo maior multiplicação, maior atividade e maior degradação”, diz.

Quando se trata de suplementos minerais ureados (suplemento mineral + ureia), se comparado somente a utilização de suplemento mineral de linha branca, ou seja, só com minerais, é possível fornecer complementação de proteína não verdadeira para a microbiota.

Mas, para que se consiga um bom resultado com a utilização de suplementos minerais ureados, é extremamente importante que a oferta de forragem disponível aos animais esteja extremamente seca, uma vez que a ureia é amarga e pode haver diminuição do consumo do suplemento, caso esta forragem ainda não se encontre tão seca.

Já o benefício de utilizar o suplemento mineral proteico, que além da ureia tem em sua composição fontes proteína verdadeira, é uma maior resposta e desempenho dos animais nesse período crítico. Para conseguir um bom desempenho, sugere, manutenção de condição corporal e até ganhos, é indispensável que a oferta de forragem em quantidade atenda as necessidades dos animais.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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