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Bovinos / Grãos / Máquinas Da Holanda para o Paraná

Paixão pelo leite reflete em produtividade para a família Dijkstra

Fazenda Frisia está com 560 vacas em lactação, que tem uma produção diária de 20 mil litros de leite

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Francine Trento/OP Rural

“O meu avô imigrou da Holanda para Carambeí em 1947 e trouxe com ele 40 novilhas e um touro”, sintetiza o pecuarista Bauke Dijkstra. Foi assim que começou a história da família na pecuária leiteira brasileira. Mas, segundo o pecuarista, a família já estava na atividade ainda na Holanda, muito antes de se mudar para o Brasil. “Nós somos criadores por paixão”, afirma. Desde que se conhece por gente, Dijkstra está no setor leiteiro. Atualmente, a Fazenda Frisia está com 560 vacas em lactação na propriedade, que tem uma produção diária de 20 mil litros de leite. São, aproximadamente, 36 litros por animal ao dia.

O valor é significativo. Dijkstra se considera pequeno produtor, mas entre os maiores da região. Não por menos, uma vez que os Campos Gerais do Paraná são considerados o braço forte da pecuária leiteira estadual e nacional. Para se ter uma ideia, na região estão dois dos três maiores municípios de produção de leite nacional – Castro e Carambeí. Segundo dados do IBGE de 2018, Castro lidera a produção brasileira de leite (292 milhões de litros). Em terceiro lugar está o município de Carambeí (180 milhões de litros).

Mas, mesmo Castro sendo o maior produtor nacional, quando o assunto é Valor Bruto da Produção quem se destaca é Carambeí. De acordo com dados levantados pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), em 2018 o leite representou 31% do VBP do município. A maior representação desse segmento em todo o Estado. A cada R$ 100 movimentado pelo agronegócio, R$ 31 estão diretamente ligados ao leite.

Por causa de toda essa significância, a expedição do jornal O Presente Rural pelo Paraná foi até Carambeí para ouvir essa história que envolve tradição, amor pela pecuária e muita determinação.

De pai para filho

De acordo com Dijkstra, a pecuária leiteira já está na família há gerações. “Meu avô e bisavô eram produtores de leite na Holanda e provavelmente antes deles ainda a atividade já era feita na família”, afirma. Ele explica que a propriedade em que ele está hoje foi o pai dele quem adquiriu, em 1955. “Na época eram somente umas 15 vacas”, conta. “Eu nasci em 1957. Então, nasci e fui criado aqui, e nessa atividade”, diz.

Agora, o pecuarista comenta que pretende transformar a fazenda em uma verdadeira empresa. “Queremos deixar tudo em quotas parte para todos”, explica. Isso porque têm herdeiros que estão diretamente trabalhando na propriedade e outros não. “Tem o Mateus, que é meu genro e administra a parte da pecuária na fazenda. E tenho um filho que trabalha comigo na agricultura, outro que está em uma cooperativa e uma filha que trabalha em uma escola de idiomas junto com a minha esposa”, conta.

Segundo ele, o filho que trabalha na cooperativa já é um investidor da propriedade. “Ele já tem umas quotas partes, já tem gado aqui, mas ele sempre trabalhou fora”, explica. No entanto, informa que todos os investimentos foram feitos na fazenda quando os filhos decidiram que iriam continuar tocando o negócio. “Então decidimos que precisávamos crescer, porque um espaço muito pequeno não comporta quatro pessoas, não é rentável. Nós temos que ganhar bem e sobrar dinheiro para continuar investindo na pecuária”, afirma.

Conforto e qualidade

O segredo para uma boa produção nos quatro barracões da Fazenda Frísia é o conforto e bem-estar oferecido aos animais, sempre. “Aqui trabalhamos com o sistema free stall, mas a cama ao invés de ser com serragem é com areia. Isso garante melhor bem-estar animal, já que a areia é mais fresca para o animal e também tem menos agentes bacterianos do que a serragem”, explica o gerente do setor pecuário da fazenda, Mateus Gonçalves dos Santos. E esta é somente uma pequena parte do conforto que é oferecido para elas. O espaço ainda possui ventiladores e chuveiros para garantir total conforto térmico. “Quando a temperatura está acima de 18°C os ventiladores e os chuveiros ligam”, diz Santos.

Há também, na fazenda, uma segunda sala de espera para as vacas, onde elas ficam antes de entrar na ordenha. “É uma sala de resfriamento, que fica antes da sala de espera da ordenha. Elas ficam ali por aproximadamente 30 minutos recebendo água e vento”, explica. Segundo ele, este é um sistema israelense que é feito na fazenda há poucos meses. “Já vimos bastante resultado, principalmente quanto a reprodução, que é um ponto em que tínhamos bastante dificuldade. Assim, a nossa taxa de concepção melhorou muito. Acreditamos que agora vamos chegar mais preparados para o verão”, especula.

Volume com qualidade

Dessa forma, o caminho que a vaca percorre quando ela sai do barracão é passar pela sala de resfriamento, a de espera, então ela vai para a ordenha e retorna para o barracão. “Simultaneamente ordenhamos 20 vacas por vez. Ela não passa mais do que 50 minutos fora do barracão. Isso também garante melhor conforto para o animal. Ele vem o mais rápido possível, se refresca e volta para o barracão para tomar água, comer e se deitar”, diz. Santos conta que a intenção é em cinco anos ter mil vacas em lactação.

Todo esse conforto reflete na qualidade do leite produzido na fazenda. “Trabalhamos com CBT (Contagem Bacteriana Total) em torno de 10 mil, células somáticas entre 140 e 150 mil, gordura em 3,8 e 3,9%, e proteína entre 3,5 e 3,55%”, informa. “Temos mantido a qualidade do leite, mas isso é resultado de muitos ajustes até conseguirmos chegar nesses números”, comenta.

Investimento no gado, na fazenda e nas pessoas

Dijkstra lembra que quando começou as formas de tirar o leite eram diferentes, assim como todo o estilo de uma propriedade. “Com o passar do tempo foi mudando, do balde para a ordenhadeira mecânica. Houve crises e então nos recuperamos, mas nunca desisti da atividade”, assegura. O pecuarista lembra que anos atrás havia um preço de leite ruim e um comércio de gado bom. “O nosso rebanho era todo registrado. A gente tinha um bom nome como criador. Então a comercialização de gado sempre foi uma válvula de escape boa para compensar épocas de preço ruim ou coisas assim”, conta.

Porém, agora o comércio de gado não é mais tão lucrativo e a produção de leite ficou mais tecnificada. “Antigamente, cada produtor de leite tinha a sua cartilha de como as coisas deveriam ser feitas, o seu modo de fazer. Hoje, temos assistência técnica que é muito boa e métodos de trabalho bons, com protocolos. É outro nível”, comenta. “Hoje funciona tudo com base em controle e planejamento. A rotina está certa”, assegura.

Dijkstra reitera que o pai, assim como toda a família, era criador de gado por paixão. “Ele gostava muito da parte de genética. E isso foi ótimo para nós, porque sempre houve a preocupação com isso aqui na fazenda”, diz. Assim como em outras áreas, com o passar do tempo também houve investimento em quesitos como conforto do gado, qualidade do leite e nutrição. “Hoje, na minha opinião, o que faz toda a diferença em uma produção de leite de qualidade são duas coisas: a qualidade da forrageira que o gado come e o conforto que você oferece para o seu rebanho. Para mim, estes são os dois pilares que diferenciam um produtor do outro”, conta. Claro que outros pontos, como genética, também são essenciais, diz o pecuarista. Mas os dois citados, em sua opinião, fazem toda a diferença.

Além do mais, algo em que a Fazenda tem investido bastante também, é no fator humano. “Isso é o básico, porque tudo aqui é feito por gente. Nós temos que treinar e motivar as pessoas, proporcionar para elas também um conforto, porque elas também precisam estar felizes no trabalho. Esse é o passo principal, as pessoas precisam estar e trabalhar satisfeitas”, assegura. Para garantir isso, Dijkstra oferece treinamentos constantes para os funcionários. “Porque assim você transforma o seu pessoal em co-participantes na tomada de decisões e trabalhos realizados”, conta. “Eles fazem reuniões semanais, com todas as equipes, em que todos falam sobre as anomalias que veem na fazenda. Por exemplo, eles têm um caixa em que anotam e colocam informações sobre alguma coisa que atrapalhou o serviço naquele dia. Isso não é para apontar o dado do que outro deixou de fazer, mas é para a gente ir identificando problemas e facilitando o trabalho de cada um deles e para eles terem o espírito de ir ajudando um ao outro, deixando o trabalho mais alinhado”, conta.

Vacas funcionais

Ao fundo do escritório de Dijkstra, a Reportagem notou alguns troféus de exposições. “Nós paramos de participar”, revela. “Na verdade, isso é um hobbie, eu não vejo como uma fonte de lucro, é um custo. Tem gente que adora ver sua vaca campeã, mas se for reparar bem é um investimento muito grande”, comenta.

Para ele, hoje é preciso que as fazendas tenham o que ele chama de vacas funcionais para produzir. “Precisamos de uma vaca que não seja grande demais, que tenha um tamanho médio, um úbere bom, pernas boas e, de preferência, fértil”, analisa. O pecuarista, que trabalha somente com vacas holandesas, diz que estas características variam bastante de animal para animal, e não é possível contar somente com a raça da vaca para se ter uma boa produção.

Laboratório na fazenda

Outro fator que ajuda bastante na produção da Fazenda Frísia é um pequeno laboratório, chamado SmartLab, que foi desenvolvido pelo professor doutor Marcos Veiga, da FMVZ/USP, especialista em qualidade do leite. “Dependendo do grau da mastite, se você identificar ela certo se for grau 1 ou 2, que não seja tão agressiva para o animal, você coleta o leite, faz uma análise nesse laboratório e em 24 horas ele consegue mostrar o tipo de agente patológico daquela mastite. Assim, dependendo da mastite, não necessariamente precisa tratar com antibiótico”, explica o gerente. Segundo ele, desde que estão usando o pequeno laboratório, há aproximadamente sete meses, já foi possível diminuir em 35% o uso de antibióticos nos animais.

E a diminuição de uso de antibióticos é muito bom, tanto para os animais quanto aos ganhos da fazenda. Segundo Dijkstra, todo o leite da fazenda é entregue para a Cooperativa Frísia. A qualidade da matéria prima é exigida e um dos pontos analisados é justamente a quantidade de antibióticos que há no leite. “Nós perdemos 4,5% dos ganhos se houver antibiótico no leite. Isso é mais que um dia de produção. Se voltar a acontecer no mesmo mês a perda é de 7%, e se acontecer uma terceira vez sobe para 11%”, informa.

Mais do que leite

A produção leiteira é o carro-chefe da fazenda, porém Dijkstra conta com outras atividades na propriedade. Atualmente, além das 560 vacas em lactação, ele ainda planta 1.150 hectares de lavoura e possui três mil suínos em terminação. “A agricultura é boa parte em terras arrendadas, mais ou menos uns 80%. Então eu planto com as máquinas do banco, com os insumos da cooperativa, a mão de obra dos funcionários, o aval do agrônomo e as terras dos vizinhos”, brinca.

Outras notícias você encontra na 8ª edição do Anuário do Agronegócio Paranaense

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Preços do leite registram alta pelo terceiro mês consecutivo

Movimento de alta é influenciado pela maior competição entre laticínios para garantir a compra de matéria-prima num contexto de oferta limitada

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Arquivo/OP Rural

O preço do leite pago ao produtor em fevereiro (referente ao volume captado em janeiro) foi de R$ 1,4175/litro na “Média Brasil” líquida, aumento de 3,6% (ou de quase cinco centavos) frente ao mês anterior, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O movimento de alta nos preços do leite no campo, observado pelo terceiro mês seguido, é influenciado pela maior competição entre laticínios para garantir a compra de matéria-prima num contexto de oferta limitada.

A captação das empresas amostradas pelo Cepea voltou a cair de dezembro para janeiro. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea recuou 3,7% na “Média Brasil” – todos os estados registraram queda na captação nesse período. Essa diminuição esteve atrelada, entre outros fatores, à instabilidade climática e às fortes variações nos regimes de chuvas.

Vale destacar que, no Sul do País, o cenário de baixa oferta deve continuar sendo verificado nos próximos meses, tendo em vista que essa região enfrentou uma séria estiagem prolongada, que prejudicou a atividade agropecuária como um todo. O estresse calórico, a menor disponibilidade de pastagens e os prejuízos no plantio do milho para silagem devem antecipar a entressafra leiteira na região.

Além disso, o aumento dos custos de produção (em especial do preço do concentrado, puxado pela constante valorização dos grãos) e o abate de vacas leiteiras (estimulado pelos elevados valores no mercado de gado de corte) influenciaram a tomada de decisão dos pecuaristas nos últimos meses. Também é importante destacar que, frente às dificuldades de anos anteriores, os investimentos de longo prazo para a produção leiteira foram comprometidos, o que têm limitado o potencial de crescimento da atividade no presente.

Próximo mês

Na opinião de agentes do setor, a captação de fevereiro não teve grande variação em relação à de janeiro. Os preços do leite spot (negociações entre as indústrias) se elevaram na primeira e segunda quinzenas de fevereiro. Segundo levantamentos do Cepea, em Goiás e em Minas Gerais, os aumentos nas médias mensais foram de 4,1% e de 1,7%, respectivamente. Como consequência, os laticínios tiveram que repassar a valorização da matéria-prima para os derivados – mesmo com o consumo de lácteos considerado fraco em fevereiro.

A dificuldade em elevar o patamar das negociações gerou bastante oscilação dos preços durante o mês, principalmente no caso do leite UHT. A pesquisa diária do Cepea indicou alta acumulada de 4,9% em fevereiro, evidenciando o vaivém do mercado. Contudo, a média mensal de fevereiro ficou apenas 0,3% acima da de janeiro.

Colaboradores do Cepea relataram que agentes de empresas têm apostado em novas estratégias de processamento para manter os estoques do UHT controlados. As negociações de muçarela, por sua vez, foram mais estáveis: a valorização acumulada no mês foi de 1,7% e a média mensal subiu 1,2% (dados até o dia 27). No mercado do leite em pó, os preços tiveram aumento acumulado de 3,6% em fevereiro e acréscimo de 2,7% na média de janeiro para fevereiro. Assim, a expectativa é de que os preços no campo sigam firmes em março.

Fonte: Cepea
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Bovinos / Grãos / Máquinas Sanidade Vegetal

Adapar e Embrapa orientam agricultores para correto manejo da cigarrinha do milho

Objetivo é mitigar problemas com enfezamentos na safrinha de milho 2020

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Divulgação/Adapar

Em 2019 o Paraná cultivou 2,6 milhões de hectares com a cultura do milho e obteve uma produção estimada em 13 milhões de toneladas. Deste total produzido, três milhões de toneladas foram exportados, fato que torna o Estado o segundo maior exportador, e o restante destinados ao consumo interno na alimentação humana e, principalmente, utilizado como um dos principais insumos para alimentação da avicultura, suinocultura e bovinocultura. Esse cenário torna o milho a segunda principal cultura em importância econômica para o Paraná e ataques das pragas e doenças estão entre os principais entraves para a manutenção da produtividade.

Na safrinha de milho 2019 cultivado na região Oeste paranaense, algumas lavouras de milho sofreram perdas significativas em sua produtividade por problemas fitossanitários, fato que preocupou os agricultores, área técnica agronômica e Defesa Agropecuária do Estado. Para averiguar a causa do problema, uma equipe da Embrapa Milho e Sorgo esteve nos municípios de Marechal Cândido Rondon e Mercedes e visitou lavouras de milho com problemas de quebramento e “morte súbita” de plantas. “Em parte das lavouras, os pesquisadores observaram alta incidência de tombamentos de plantas, presença da cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) e a presença de plantas de milho com sintomas típicos dos enfezamentos”, explica o fiscal de defesa agropecuária da Adapar, Anderson Lemiska.

Lemiska conta que os espiroplasmas e fitoplasmas são organismos pertencentes à Classe Mollicutes e agentes causais dos enfezamentos vermelho e pálido, respectivamente. “São doenças sistêmicas que infectam os tecidos do floema das plantas de milho interferindo no crescimento e desenvolvimento das plantas, além de reduzir a absorção de nutrientes e afetar os processos de translocação de fotoassimilados para o enchimento dos grãos e formação de espigas, favorece a infecção de fungos que causam podridão de colmo, podendo reduzir significativamente a produtividade da cultura”, diz. A cigarrinha do milho é considerado o principal vetor para a disseminação desta doença e o seu correto manejo é fundamental para a mitigação dos danos causados pelos enfezamentos.

Para certificar a presença de Molicutes nas lavouras afetadas no Oeste paranaense, 19 amostras de folhas de milho foram coletadas pelos pesquisadores da Embrapa e submetidas a exame laboratorial via análise molecular. Do total amostrado, 11 amostras (57,9%) acusaram a presença de espiroplasma e não foi detectada a presença de fitoplasma nas amostras.

“Após a confirmação da presença de plantas infectadas com os molicutes e presença da cigarrinha na região, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, Regional de Toledo, está monitoramento áreas cultivadas com milho na safra de verão 2020”, comenta Lemiska. Nesta safra, informa, foram observadas plantas de milho comercial com sintomas típicos de enfezamentos e amostras foliares. Destas plantas foram coletadas e encaminhadas para análise molecular no Centro de Diagnóstico Marcos Enrieti (ADAPAR) e para o Laboratório de Biologia Molecular da Embrapa Milho e Sorgo para confirmar a presença de molicutes.

“Em função da grande quantidade de plantas de milho guacho ou tigueras presentes nas lavouras de soja, a Adapar realizou amostragens dessas plantas de milho com e sem sintomas da doença com o objetivo de verificar se há a presença de molicutes e se estas plantas são, portanto, fonte de inóculo para a safrinha 2020 de milho. A presença dessas plantas de milho nas lavouras que antecedem o cultivo do milho é apontada como um dos principais substratos de manutenção, tanto para os molicutes, quanto para as cigarrinhas. Assim, a eliminação do milho tiguera ajuda muito na redução dos focos da doença”, afirma o fiscal.

Nas áreas de milho recém-semeadas, foi realizada a vistoria com objetivo de monitorar a presença de cigarrinhas, sendo constatada até o momento uma pequena população nas áreas monitoradas.

“Os problemas ocasionados pelos enfezamentos na região Oeste paranaense são recentes e até o momento ocorreu em lavouras isoladas, portanto, o agricultor deve ficar atento ao correto manejo da cigarrinha do milho para mitigação dos danos causados pelos enfezamentos”, alerta. Desta forma, a Adapar orienta aos agricultores a buscarem informação sobre o problema, saber identificar a cigarrinha, realizar o monitoramento das áreas para auxiliar o diagnóstico pelo profissional de agronomia e verificar a necessidade ou não de controle.

Caso seja recomendado o controle químico, o profissional deve prescrever agrotóxicos cadastrados na Adapar e o agricultor utilizar esse produto conforme prescrito no receituário agronômico respeitando as recomendações de dose, cultura, praga e intervalo entre aplicações. “Essas recomendações são importantes para evitar uso irregular, excessivo ou mesmo desnecessário de inseticidas, fato que pode acelerar a resistência desta praga aos agrotóxicos, ocasionando ainda mais problemas para o seu controle, elevar custos de produção e risco de perda de produtividade”, diz.

Recomendações para a safra de milho 2020

De acordo com a pesquisadora da Embrapa, doutora Dagma Dionísia da Silva, em diferentes lavouras semeadas com diferentes híbridos foi possível observar variabilidade na incidência e na severidade dos enfezamentos. “No campo, cigarrinhas infectadas migram de lavouras mais velhas para as mais novas, infectando plântulas sadias no início do ciclo de desenvolvimento da cultura. Esse fato, associado às épocas de plantio e a fatores climáticos, provavelmente contribuíram para a incidência de enfezamentos na safra 2018/19”, comenta.

Ela explica que a colheita antecipada de soja e a colheita regional de fumo proporcionaram a semeadura de milho no período de outubro a dezembro, favorecendo a criação de intensa “ponte verde” entre as lavouras na região. “Esta condição pode ter favorecido a forte migração das populações de cigarrinha do milho, das lavouras mais antigas para as mais jovens, aumentando a incidência de enfezamentos. Assim, a associação entre o plantio de híbridos suscetíveis, a existência de “ponte verde”, proporcionada pela ocorrência de tigueras (relatadas como comuns na região), e os plantios sucessivos de milho, de outubro a dezembro, favoreceram a alta incidência de enfezamentos na região”, comenta.

Além do milho tiguera, explica a pesquisadora, a cigarrinha pode utilizar plântulas de sorgo, de braquiária ruziziensis e de milheto para abrigo e alimentação, sobrevivendo no sorgo e na braquiária por até três semanas e no milheto por até cinco semanas. “Em áreas onde foi realizado o tratamento de sementes (TS) e pulverizações contra insetos na fase de inicial do cultivo, pode ter havido redução na ocorrência da cigarrinha e consequente redução na incidência de enfezamentos. Vale ressaltar que houve relatos de uma menor incidência do percevejo na região e, por este motivo, pulverizações contra este inseto deixaram de ser aplicadas por alguns produtores. Um menor número de aplicações de inseticidas contra percevejo pode ter contribuído para uma maior população e sobrevivência da cigarrinha”, comenta.

Algumas medidas preventivas para reduzir os problemas com enfezamentos na safrinha de milho 2020 são:

  • Realizar reuniões de nivelamento entre técnicos, agricultores, cooperativas, visando expor a situação, apresentar os problemas fitossanitários ocorridos, apresentar e treinar sobre a identificação dos sintomas dos enfezamentos e de identificação das cigarrinhas, discutir medidas práticas preventivas e realizar as recomendações;
  • Eliminar as tigueras ou plantas voluntárias de milho que permitem a sobrevivência e multiplicação da cigarrinha Dalbulus maidis, percevejos e outros insetos e são como fonte de inóculo para os enfezamentos (e outras doenças);
  • Selecionar para plantio os híbridos com resistência aos enfezamentos, adaptados e recomendados para as épocas de plantio na região. Essa é uma das medidas mais eficazes na convivência com o problema e informações podem ser obtidas junto as empresas de sementes e em publicações sobre o assunto;
  • Evitar a semeadura de milho em datas variadas na região, evitando as ‘pontes verdes’. Atenção às áreas menores onde já existe histórico de ocorrência de cigarrinha e enfezamentos de forma a evitar que os plantios fora de época que proporcionem “ponte verde” no milho e, permitam que as populações de cigarrinha se concentrem nessas áreas;
  • Monitorar a presença de cigarrinha nas lavouras em todas as safras e considerar o histórico de ocorrência de insetos e patógenos nas recomendações técnicas de cultivo de milho.
  • É preciso atenção à presença de cigarrinhas nas fases iniciais da lavoura. Quanto mais cedo a planta for infectada, maior a capacidade de esses causarem danos econômicos nas lavouras. Assim, o tratamento de sementes deve ser a medida inicial para o manejo da praga e por consequência da doença;
  • Se necessário controle químico com inseticidas, verificar os produtos registrados na Adapar para controle da cigarrinha e utilizar de acordo com a prescrição do profissional conforme recomendado pelo fabricante para a cultura, praga, dose, intervalo entre aplicações, rotacionar princípios ativos, utilizar produtos biológicos. As aplicações são feitas apenas na fase inicial do cultivo, quanto mais nova a planta for infectada, maior a probabilidade de prejuízos. Não é necessário, de forma alguma pulverizar as plantas no final da fase vegetativa e início da fase reprodutiva (onde os sintomas são mais percebidos).

Fonte: O Presente Rural com informações da Adapar
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Técnica facilita adubação orgânica com dejetos de bovinos

Objetivo é aproveitar esse resíduo rico em nitrogênio e fósforo, uma forma de reduzir os custos de produção da lavoura e os riscos de poluição do solo e dos rios

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Divulgação/AENPr

Os dejetos da pecuária bovina têm grande potencial poluente e são um problema para os produtores. Em grande parte das propriedades paranaenses terminam descartados diretamente no solo. No entanto, esse resíduo – uma mistura de estrume, urina, restos de ração e água de limpeza proveniente, em sua maior parte, de salas de alimentação e ordenha – é rico em nitrogênio e fósforo, nutrientes que podem ser utilizados para a adubação de lavouras comerciais.

Foi pensando nessas duas características que Graziela Barbosa, engenheira do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater, desenvolveu uma metodologia para estimar a quantidade de nitrogênio e fósforo dos dejetos líquidos de bovinos, para o aproveitamento desse material como fertilizante orgânico, em vez do simples descarte no solo. “A ideia era criar uma técnica rápida e possível de ser feita no campo para o produtor usar o dejeto com critério agronômico”, ela conta.

O resultado é a publicação “Uso do dejeto líquido de bovino baseado nos teores de nitrogênio e fósforo”, que traz a metodologia passo a passo e foi apresentada neste mês em Cascavel, no Oeste, durante o Show Rural. Além de Graziela Barbosa, também figuram como autores da obra o pesquisador Mário Miyazawa, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater, e Danilo Bernardino Ruiz, doutorando em química na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O material pode ser baixado AQUI.

Técnica

O cálculo do teor de nitrogênio e fósforo presente nos dejetos é feito com ajuda de um densímetro. Trata-se de um instrumento de laboratório parecido com aquele que se vê nas bombas dos postos de combustível, e que pode ser encontrado com facilidade no comércio, segundo a pesquisadora.

A partir da medida obtida no densímetro, o produtor consulta uma tabela para saber quanto há de nitrogênio e fósforo nos dejetos de sua propriedade. “Além de dar uma destinação adequada aos dejetos que gera na propriedade, o produtor diminui a quantidade desses nutrientes na adubação química e, com isso, reduz o custo de produção da lavoura”, explica Graziela.

De acordo com ela, perto de 170 mil propriedades dedicadas à pecuária no Paraná podem aproveitar dejetos líquidos de bovinos na adubação de lavouras e, dessa forma, reduzir o risco de poluição do solo e dos rios.

Fonte: AEN/Pr
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