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O que esperar do frango de corte do futuro?

Genética, melhor conversão alimentar, mais ganho de peso em menos tempo… Quem responde esta pergunta é o vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Aviagen dos Estados Unidos, Eduardo Souza

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Arquivo/OP Rural

A produção de frango de corte no mundo vem evoluindo anualmente há décadas. A cada ano aparecem novidades além de avanços tecnológicos que transformam a ave. A partir disso, um animal muito mais eficiente surge. E, a partir desta ave, uma demanda que pode chegar ao longo dos anos é quanto aquelas resistentes a doenças. Seria isso possível? Para o vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Aviagen dos Estados Unidos, Eduardo Souza, sim, mas somente a longo prazo. 

O profissional conta que algumas coisas a cadeia pode esperar para o frango de corte do futuro. Porém, detalhes como frangos resistentes a doenças, infelizmente, não será uma realidade a curto/médio prazos. “Quando da publicação do genoma da galinha em 2004, houve uma grande expectativa que, através da seleção genômica e uso de marcadores genéticos se conseguiria selecionar aves resistentes a doenças ou outra característica de grande impacto econômico. No entanto, isto não foi o que aconteceu”, conta. Ele informa que não existe apenas um ou poucos pares de genes de grande efeito ou marcadores genéticos ligados a uma característica de grande importância. “O que existe são vários genes, normalmente de pequenos efeitos, responsáveis pela expressão fenotípica destas características economicamente importantes. Por isso, a façanha de selecionar aves resistentes a doenças ainda não foi atingida”, diz.

Porém, Souza complementa que, recentemente, a técnica revolucionária de “edição de gene” tem-se mostrado muito promissora em várias espécies, de plantas a humanos. “A particularidade da fisiologia reprodutiva das aves é um dos muitos obstáculos que ainda precisa ser vencido, para que essa técnica possa ser usada com sucesso para frangos. Outro grande obstáculo, este de natureza não científica ou técnica, é o de percepção/aceitação pelo consumidor/mídia de produto proveniente desta técnica”, explica. Entretanto, para ele, se todas essas barreiras forem vencidas, o que é possível, aves resistentes a doenças podem ser uma realidade.

Além de um frango resistente a doenças, há ainda outras várias características que irão complementar como será o frango de corte de futuro. Para explicar um pouco como acontecerá esse processo e, principalmente, este animal, Souza tratou do assunto durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) que aconteceu em abril em Chapecó, SC.

De acordo com o profissional, para este frango do futuro, o que se pode esperar é um animal geneticamente superior em várias características. “Um frango que terá uma melhor taxa de crescimento, um melhor rendimento de carne e uma melhor conversão alimentar e, simultaneamente, um frango com maior viabilidade, ou seja, menor mortalidade e melhor qualidade de pernas”, conta.

Souza explica que isso é possível graças à pesquisa, introdução e utilização de equipamentos e tecnologias de última geração na coleta de dados e processos de seleção. “Como exemplo, podemos citar a conversão alimentar em grupo que utiliza a tecnologia de transponder (RFID – radio frequency identification) nos frangos, permitindo o registro do comportamento (tamanho de cada refeição, número de refeições por dia, duração da refeição, etc.), além do consumo de ração em tempo real na estimação do valor genético para conversão alimentar”, diz.

Outro exemplo citado, de alta tecnologia implementada no programa de melhoramento genético, é a tomográfica computadorizada. “Todos os candidatos à seleção são escaneados. O tomógrafo permite predizer com muita precisão o rendimento de carne de peito, de pernas, a qualidade do esqueleto e a qualidade de carne”, informa. Souza conta que estas e outras tecnologias são extremamente importantes, mas tão ou mais importante para o sucesso de um programa de melhoramento genético é a correta definição dos objetivos de seleção e aplicação criteriosa de um processo de seleção equilibrado.

Retirada dos promotores de crescimento

Quando se fala em evolução do frango de corte, muitos pensam, principalmente, como isso será possível com a retirada dos antimicrobianos promotores de crescimento. Porém, segundo Souza, esta situação – de um frango evoluindo sem estes promotores – já é uma realidade. “Na Europa, o uso de antibióticos como promotores de crescimento foi extinto em 2006. Em 2018, nos EUA, metade dos frangos foram criados sem uso de antibióticos ou ionóforos, um grande salto se comparado com 2013 e 2014, que foi de apenas 5%”, informa.

Ele complementa que, além do mais, não se usa antibióticos com efeito profilático no programa de genética da empresa onde trabalha desde o início da década de 1990. “Todas as aves de pedigree são selecionadas sem o uso destes promotores de crescimento e ionóforos, portanto, todos os ganhos genéticos alcançados são atingidos neste ambiente livre de antibióticos”, afirma.

Adaptação de toda a cadeia

Para Souza, existe grandes conquistas através de pequenas mudanças. Ele explica que pequenos ganhos genéticos anuais, como peso vivo, rendimento e conversão alimentar, com efeito acumulativo, permitem disponibilizar de maneira sustentável uma excelente proteína animal a um custo relativamente baixo, para uma população humana crescente, com previsão de atingir nove bilhões de pessoas já em 2050.

Para alcançar a toda esta expectativa, uma dúvida que pode surgir é: são muitas as mudanças necessárias para o avicultor se adaptar para atender a este frango? Segundo Souza, em relação ao frango, não. “O de sempre: boa nutrição, bom programa de saúde e boas práticas de manejo. A atenção, no entanto, deve ser dada às matrizes (machos e fêmeas). Estas carregam os genes que formam o bom frango (maior peso, mais carne de peito, menos gordura, melhor conversão de alimentos) e a resposta à alocação e distribuição de alimento na fase de recria e produção será intensa”, afirma.

Ele explica que qualquer descuido ou erro, que no passado não causava muito dano, pode causar um grande problema no desempenho destas aves. Além disso, afirma, o tipo de nutrição usada também ganha mais importância.

Outro detalhe que a cadeia pode esperar desse “frango do futuro”, de acordo com Souza, são animais mais pesados e com peitos maiores. “Ainda assistiremos uma melhora de peso a uma mesma idade e melhor rendimento de peito, mas não na mesma velocidade que temos vistos nas duas últimas décadas. Rendimento de pernas também é muito importante, principalmente em países asiáticos. Outra característica de grande importância, como qualidade de carne, está tendo uma grande prioridade nos últimos anos”, afirma.

As maiores realidades para os próximos anos

Souza ainda explica que os ganhos genéticos para os próximos quatro anos podem ser previstos no desempenho das linhas puras de pedigree. “Os ganhos obtidos nas linhas puras no ano passado (2018) chegarão ao frango em 2022, isto porque existe um período de cruzamento e multiplicação do material genético, que passa pelas bisavós, avós, matrizes e, finalmente, chega aos frangos”, diz.

O profissional explica que a previsão é de que o frango de 2022 será 150 a 200g mais pesado (na mesma idade) e necessitará menos ração (200g a menos) para atingir dois quilos de peso. O rendimento de carcaça será de 0,8 e o de peito 1,0 ponto percentual melhor que os frangos atuais. Além do mais, simultaneamente, se observará uma melhora na viabilidade e qualidade de carne.

Outro ponto destacado por Souza foi quanto a questão do frango de crescimento lento e crescimento rápido. “No meu modo de ver, o frango de crescimento lento é um produto para um “nicho de mercado”. É um frango que leva mais tempo para ser produzido (obviamente, pois é de crescimento lento) e possui uma conversão alimentar pior que o frango de crescimento rápido. Existem genótipos de frangos de crescimento lento que, quando comparados com o frango de crescimento rápido, precisa de 36 dias a mais para atingir 2,5 kg de peso e consome 1,25 kg de ração a mais. Além de grande diferença no rendimento de peito (pode chegar a 4 pontos percentuais). A grande vantagem alegada para este produto, além da preferência de consistência e sabor, é a de melhor bem-estar para o animal”, comenta.

Porém, o profissional reitera que a grande desvantagem está relacionada à sustentabilidade e impacto ambiental. “Custa muito mais para produzir, consome mais alimento (requer mais terra agriculturável para produzir) e água, e produz muito mais rejeitos e poluentes para o meio ambiente. Estudos mostram que, dependendo do genótipo usado, o frango de crescimento lento pode aumentar o impacto ambiental em até 40%”, informa. Ele explica que independente das posições e discussões que esse assunto possa gerar, do ponto de vista das casas genéticas a posição é muito simples: elas vão produzir (desenvolver, selecionar e disponibilizar) o que o cliente demandar. E, sim, as principais empresas de genética de aves possuem este produto em seu portfólio.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura É preciso atenção

Impacto econômico do peito amadeirado em frangos de corte

Considerando as condenações na linha de abate, o tema tem sido desafiador para as indústrias produtoras de frangos pesados

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Rodrigo Braghim Slembarski, gerente de Mercado Aves de Corte da Auster Nutrição Animal

A avicultura de corte é uma das atividades do agronegócio que mais se desenvolve no mundo. A evolução em toda a cadeia produtiva é impulsionada pela alta demanda dos consumidores por produtos de qualidade e preços acessíveis às diferentes classes sociais. Isso só é possível devido à evolução dos processos de melhoramento genético, nutrição, sanidade e manejo, tornando o setor eficiente e competitivo em relação a outras fontes de proteína de origem animal.

Nas últimas décadas, é possível observar a evolução dos frangos de corte, que passaram a produzir carne com maior eficiência em menor tempo. Um outro ponto importante a destacar é que as aves passaram por intenso processo de melhoramento genético, que permitiu a seleção com maior deposição de musculo no peito. Nesse contexto, Zuidhof et al. (2014) relatam que em um período analisado de 48 anos o peso médio dos frangos aumentou mais de 400% e a taxa de conversão alimentar foi reduzida em 50%, observando ainda melhora no potencial de crescimento do peito, enquanto a gordura abdominal diminuiu devido à pressão da seleção genética. De 1957 a 2005, a musculatura peitoral maior aumentou 79% nos machos e 85% nas fêmeas.

Com o aumento da taxa de crescimento das aves também aumentou a incidência de miopatias no peito, como o peito amadeirado (Woody Breast – WB), principalmente no músculo peitoral maior. Filés com a condição de peito amadeirado mostram evidências de aumento de massa muscular, degeneração das fibras, necrose, variabilidade do tamanho das fibras, infiltração lipídica, aumento da fibrose e células inflamatórias, ocasionando dureza e rigidez anormais à palpação no filé e aspecto geral negativo na qualidade da carne.

A lesão do peito amadeirado pode ser observada facilmente e é classificada como normal, moderada e severa. É considerado peito normal aquele que tem boa aparência com coloração e textura característica, não causando restrição em termos de aquisição do produto pelos consumidores.

Na lesão moderada, observa-se coloração mais pálida e aumento moderado da rigidez das fibras musculares, devido à deposição de tecido conjuntivo fibroso, podendo ter partes do musculo peitoral superior bem mais rígidas, ocasionando a condenação parcial do peito. Nesse caso, as partes condenadas podem ser aproveitadas para produção de alimentos  termoprocessados.

Na lesão severa, o peito apresenta coloração esbranquiçada, rigidez devido à alta deposição de colágeno e, normalmente, a ave é condenada na linha de abate, já que os órgãos de inspeção identificam como aspecto repugnante e classificam como condenação total (descartando estas aves).

Considerando as condenações na linha de abate, o tema tem sido desafiador para as indústrias produtoras de frangos pesados, tendo em vista o descarte parcial e até total das carcaças.

Embora as taxas de incidência na indústria sejam difíceis de avaliar, estima-se que aproximadamente de 2 a 8% do filé de peito produzidos comercialmente apresentam lesões severas. Para estimar as perdas econômicas, fizemos simulação, considerando quatro faixas de condenações por lesão severa: 2%, 4%, 6% e 8% em um frigorifico que abate 100 mil aves/dia com peso médio das aves de 2,9 kg e rendimento de carcaça de 75%. Para o rendimento de peito foram considerados 23%, sendo aproximadamente 500 gramas de peito.

Com os dados simulados e considerando preço médio de venda do filé de peito de R$ 5,70, observamos que 2% de condenações por lesão severa acarretaram prejuízo de aproximadamente R$ 125.000 por mês e R$ 1.500.000 por ano, considerando somente volume de peito condenado. Ressaltamos que essa perda pode ser maior tendo em vista que em condenações por aspecto repugnante (lesão severa) o órgão de fiscalização descarta toda a carcaça, aumentando ainda mais o impacto econômico.

Existe correlação direta entre o aumento de peso e a incidência do Wood Breast. Isto se deve à baixa irrigação sanguínea nos tecidos periféricos, ocasionando estresse oxidativo e ocorrendo inflamação e necrose das fibras musculares, com posterior deposição de colágeno caracterizando assim a miopatia.

Tendo em vista o grande impacto no setor produtivo, o tema vem sendo tratado constantemente por pesquisadores, indústria e produtores na tentativa de minimizar os efeitos decorrentes dessa lesão. Os geneticistas têm trabalhado na seleção genética para desenvolver animais com menor propensão à miopatia, porém este é um processo lento e complexo. Paralelamente, a nutrição trabalha com o intuito de minimizar a incidência do peito amadeirado, realizando pesquisas com diferentes níveis nutricionais de aminoácidos, vitaminas, minerais e aditivos, como por exemplo o uso de altas doses de fitase.

Os resultados com superdosagem de fitase têm se destacado pelo fato de a enzima proporcionar melhoria na solubilidade de alguns microelementos envolvidos na produção de hemoglobinas, melhorando a oxigenação tecidual. Em estudo realizado por York et al. (2016), os autores concluíram que a melhor solubilidade dos minerais, como zinco (Zn), selênio (Se), ferro (Fe), cobre (Cu) e manganês (Mn), desempenham papéis importantes no crescimento, imunidade, saúde intestinal e status antioxidante das aves, bem como numerosos outros papéis no metabolismo, como redução da ocorrência de peito amadeirado.

É evidente que o tema é relevante para a cadeia de frangos de corte devido aos consistentes prejuízos no processo. Ao que tudo indica, teremos de conviver com o problema por mais alguns anos. A estratégia é utilizar ferramentas que nos auxiliam a reduzir a incidência e minimizar as perdas econômicas.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Uso de antibióticos na avicultura: tendência e futuro

Produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Fabricio Imperatori, gerente de Avicultura na Alltech

A redução ou até mesmo a proibição do uso de antibióticos na avicultura é um tema bastante relevante e que vem sendo discutido com muita ênfase. Uma série de fatores vêm contribuindo para que este cenário esteja cada vez mais presente em nossa realidade, especialmente devido às exigências do consumidor, que tem optado por uma alimentação cada vez mais saudável. Além disso, o uso, muitas vezes indiscriminado, dos antibióticos no setor produtivo pode ter contribuído para o surgimento de bactérias resistentes tornando o tratamento médico para humanos bastante complicado. Para atender a essa necessidade, as agroindústrias têm colocado na ponta do lápis a inclusão de tecnologias mais sustentáveis, sem abrir mão da qualidade dos produtos e da rentabilidade, especialmente quando seu objetivo é exportar para os mercados mais exigentes como, por exemplo, o mercado europeu e/ou para as grandes redes multinacionais de supermercados e fast food que são bastante rigorosos quanto à existência de resíduos de antibióticos nas carnes.

A crescente resistência bacteriana aos antibióticos acendeu um sinal vermelho fazendo com que os órgãos reguladores passem a ser mais rigorosos com relação ao uso de antibióticos na alimentação animal, uma vez que resíduos destes medicamentos presentes nas carnes podem ser transferidos para os humanos por meio da alimentação. Estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a resistência aos antimicrobianos causa a morte de 700 mil pessoas por ano em todo mundo, sendo que, o uso em alta escala pode resultar em 10 milhões de óbitos até 2050. O assunto preocupa também a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que se medidas importantes não forem tomadas para conter a situação, as superbactérias serão mais letais do que o câncer em 2050.

Países da União Europeia não utilizam antibióticos melhoradores de desempenho na nutrição dos animais desde 2006. Sendo a União Europeia um dos principais destinos das exportações do mercado de aves brasileiro, se faz necessária a adequação das empresas nacionais a essa nova demanda. Além disso, tendo a União Europeia como referência, outros mercados importantes estão também restringindo o consumo de produtos alimentícios de animais que receberam antibióticos em suas dietas. Assim, a adequação a este novo formato de produção se faz necessário visto que o Brasil é um dos principais exportadores de carne de frango do mundo, embarcando o produto para mais de 160 países. Em 2018, a receita brasileira obtida com os embarques foi de US$ 1,2 bilhão, apontou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDCI). O Paraná é responsável por cerca de 38% de toda a carne que é produzida e exportada, conforme dados do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).

No Brasil, normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), já proíbem a utilização de alguns tipos de antibióticos como promotores de crescimento e estabelecem regras dessa utilização para garantir a qualidade final do produto. Além disso, a instituição criou o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), justamente para capacitar e conscientizar sobre a urgência em combater a Resistência aos Antimicrobianos (RAM).

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que a carne de frango é a proteína animal mais consumida no Brasil e está em constante crescimento. Por se tratar de uma carne com baixo teor de gordura, ser nutritiva e rica em proteínas, ela é apontada por especialistas como indispensável para uma alimentação saudável. Por isso, os produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno.

Processo de redução do uso de antibióticos

Em um primeiro momento, o avicultor pode encontrar dificuldades para se adaptar a essa nova realidade. Inicialmente, para auxiliar nessa transição, os cuidados na forma de trabalho podem ser uma iniciativa preliminar. Também é eficiente buscar aprimorar o manejo, melhorar a ambiência, fazer uso de equipamentos de alta tecnologia nos aviários, bem como fazer uso de programas de vacinas eficientes e de alta qualidade, entre outros. Isso tudo contribuirá para que o uso de antibióticos se torne cada vez menos necessário.

Concomitantemente a estes cuidados, há no mercado um vasto número de alternativas naturais para tornar essa adequação possível. Pesquisadores têm trabalhado fortemente na busca de ferramentas que não são prejudiciais à saúde humana, mantendo a qualidade e produtividade esperada dos produtos de origem animal. Em parceria com empresas, universidades ao redor do mundo têm desenvolvido estudos em busca de soluções naturais que sejam alternativas ao uso de antibióticos.

Entre os focos das pesquisas estão os probióticos, que são microrganismos “benéficos” e que ajudam a manter saudável o intestino e o desenvolvimento das aves; os prebióticos, que dificultam a instalação das bactérias danosas ao animal; os minerais orgânicos, que são primordiais ao desenvolvimento geral dos animais; entre outros.

Estudo

Em um dos estudos recentes realizados pela Alltech, foi feita uma análise sobre dois grupos de criação de aves: um com uso de antibióticos em sua dieta, e, o outro, livre desses componentes e com uma dieta apenas com soluções naturais à base de leveduras. No segundo grupo, os resultados foram equivalentes aos encontrados no primeiro grupo. Além disso, as aves livres de antimicrobianos apresentaram um aumento significativo de peso, um melhor funcionamento intestinal e ainda uma menor taxa de mortalidade.

A inclusão dessas soluções naturais na alimentação dos animais mostrou que é possível reduzir o uso de antibióticos, mantendo a qualidade, a sanidade e até mesmo a produtividade e a rentabilidade do processo. É importante que o avicultor, ao optar pela não utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho, realize um mapeamento de todas as variáveis de sua produção (ambiência, qualidade do ar, água, ração, programas de vacinas, entre outros), buscando sempre o auxílio de profissionais técnicos para obter o suporte necessário nesta transição, evitando qualquer problema sanitário em sua granja.

Esses resultados provam que é possível reduzir o uso de antibióticos na produção avícola e que isso pode ser benéfico para a produtividade do plantel. Os fatos mostram que essa não é mais uma mera tendência do mercado e sim uma mudança inevitável, que irá se tornar cada vez mais presente em nosso cotidiano. É fato que os avicultores precisam se adequar a esta nova realidade, sempre visando tornar seu produto ainda mais competitivo nos mercados interno e externo.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Para auxílio do avicultor

Jovens desenvolvem plataforma para controle de ração no silo

Plataforma desenvolvida em competição hackathon auxilia produtor a saber quanto de ração ainda há no silo, ajudando na gestão do aviário e tomada de decisão

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Arquivo/OP Rural

Fazer tudo manualmente, preencher cada relatório com uma prancheta ou verificar de semana em semana como estão os mantimentos tendo que ir até o depósito. Estas situações há alguns anos eram comuns no dia a dia do avicultor. Porém, com a entrada da tecnologia no agronegócio, agora principalmente na era 4.0, este tipo de ação é quase impensável. E cada dia mais empresas e startups estão desenvolvendo sistemas e serviços para tornar o trabalho do homem do campo mais simples, eficaz e rentável.

Justamente esta foi a ideia da Plataforma InfoAves. O sistema foi desenvolvido por um grupo de cinco jovens que participaram, durante o Show Rural Coopavel em fevereiro, do Desafio Hackathon. Luiz Fernando, Jeferson, Clayton, Rafael e Luiz Gríggio desenvolveram uma plataforma que auxilia o avicultor no gerenciamento do aviário e nas tomadas de decisão. Os jovens, que são designer, programador, empresário e filho de produtores rurais, desenvolveram uma plataforma que, com o uso de uma câmera com sensores, indica quanto há de ração nos silos e quando precisam ser recarregados. A ideia foi tão boa que os jovens ganharam o prêmio máximo da competição: uma viagem com tudo pago para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, para conhecer o berço das empresas de tecnologia que transformaram o mundo nas últimas décadas.

Segundo um dos jovens, o designer Jeferson Eduardo Guido, a ideia do projeto era facilitar a vida do avicultor na questão de gerenciamento do aviário. “Antes, o produtor teria que fazer o preenchimento de uma ficha manualmente. Então, o nosso projeto era criar um aplicativo, digitalizar isso e tornar mais fácil a comunicação entre ele e a cooperativa”, explica. Porém, este não foi o carro-chefe do trabalho do grupo, conta. “O carro-chefe foi usar um SBRpi e uma câmera para fazer a leitura de quanta ração ainda há nos silos do produtor. Isso pode ser usado em qualquer propriedade que tenha silos”, diz.

Ele explica que somente foi preciso das medidas de altura e largura do silo. “Com estas informações, conseguimos estimar com cálculos de massa e porcentagem a quantidade exata de quanta ração ainda existia naquele silo. Isso facilita a vida do produtor e da cooperativa, porque assim ele não precisa pedir ração em excesso ou acontecer de errar na hora de pedir”, explica.

A facilidade está também pelo fato de o produtor não precisar ter grandes equipamentos na propriedade. “O SBRpi será a única coisa que ele teria no aviário dele, além do raspberry e o aplicativo. Com isso, a cooperativa também consegue acompanhar todos os dados que o avicultor está lançando em tempo real”, afirma Guido. O jovem comenta ainda que esta plataforma proporciona ao produtor uma gestão melhor, além de melhorar os resultados dele. “Isso tudo principalmente na parte da ração. Porque hoje o que existe são as balanças, mas elas são bastante caras. Então nós fizemos uma proposta que custa 85% menos para o produtor”, conta.

De acordo com Guido, a ideia do grupo é fazer a plataforma funcionar. “Queremos implementar no sítio do Rafael (um dos participantes que é filho de um produtor rural). Estamos planejando para colocar em prática assim que pudermos”, diz.

Tecnologia a favor do homem do campo

Entre as vantagens destacadas por Guido oferecidas pela plataforma, estão o alto retorno econômico, um custo com tecnologias mediano, além de gastos somente ocasionais para a manutenção dos equipamentos. O objetivo, segundo ele, é fazer com que os dados dos avicultores sejam compartilhados para as suas respectivas cooperativas, de forma a melhorar a comunicação entre cooperado e cooperativa. “O cooperado terá um aplicativo que irá facilitar a coleta de dados para a ficha de controle do aviário. E sua cooperativa terá um Dashboard para visualizar estes dados aprimorando suas tomadas de decisões. Desta forma o tempo de resposta das informações do campo para a empresa será reduzido drasticamente”, explica.

O jovem esclarece que a intenção do grupo foi facilitar o gerenciamento dos dados de avicultores referentes a quantidade de ração consumido e ao estado de saúde das aves. Isso é feito, pela grande novidade, que é o uso da câmera que realiza a medição precisa da ração ainda no silo.

Todas as informações são encaminhadas para o aplicativo desenvolvido. No menu “produtores” são apresentados o nome do produtor, a propriedade e quantidade de aviários, possibilitando uma filtragem detalhada dos dados. Além do mais, ele mostra ainda gráficos que facilitam a leitura do produtor, apresentado taxas de mortalidade, temperatura e quantidade de ração por dia, tudo isso, referente a um específico produtor.

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Fonte: O Presente Rural
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