Conectado com
O Presente Rural Youtube

Avicultura Saúde Animal

O porquê de selênio levedura em aves?

Fonte de selênio levedura se caracteriza como uma excelente opção, sendo única fonte orgânica a proporcionar diferentes tipos de selenoproteínas necessárias para os animais

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Fernando Augusto de Araujo, médico veterinário e gerente técnico Aves Latam da Phileo; e Marcos Aronovich, zootecnista PhD e gerente de serviços técnicos Brasil da Phileo

Em 1817, o selênio (Se) foi isolado pela primeira vez por Berzelius. O selênio passou a ser um elemento conhecido, porém, sem utilidades fisiológicas. Apenas sua importância toxicológica era motivo de interesse, uma vez que atuava como o principal causador de envenenamentos de animais de fazenda. Estes apresentavam emagrecimento, perda de pelos e anemia. Naquela época pouco se sabia sobre a sua função biológica, até que a exigência nutricional foi revelada cerca de 140 anos mais tarde por Schwarz e Foltz em 1957. Desde então, o Se tem sido reconhecido como um elemento traço essencial e a suplementação deste aos animais de produção tornou-se uma prática comum em todo o mundo, a deficiência de Se aumenta a susceptibilidade a várias doenças e diminui os desempenhos produtivos e reprodutivos dos animais de produção.

Funções e Metabolismo

O selênio desempenha um papel fundamental para a resistência da ave ao estresse oxidativo. A essência do Se em exercer os respectivos efeitos positivos, reside na construção do 21º aminoácido, a selenocisteína (SeCys). A SeCys pode ser encontrado no local ativo de uma vasta gama de proteínas, também chamadas selenoproteínas, que desempenham papéis importantes na defesa antioxidante e na função imunológica. Uma das mais importantes enzimas produzidas através da selenoproteínas é a glutationa peroxidase (GPx), que funciona como que transformando diretamente os peróxidos de hidrogênio (H2O2) e, portanto, reduzindo do nível de oxidação de lipídios e proteínas na célula.

Hoje em dia, os animais de produção podem ser suplementados com Se sob forma inorgânica ou orgânica. Estas formas inorgânicas são principalmente sais minerais, como o selenito de sódio (SS) ou selenato, enquanto formas orgânicas podem ser encontradas como selenometionina sintética (SeMet) ou como leveduras selenizadas ricas em componentes naturais do Se. As leveduras selenizadas também chamadas de selenoleveduras, são submetidas a diferentes processos de produção no qual, como resultado pode-se observar produtos de diferentes concentrações e características.

As selenoleveduras de alta qualidade são obtidas a partir cultivo específico de cepas exclusivas de Saccharomyces cerevisiae num processo totalmente padronizado e controlado o que lhe garante um produto final estável (figura1). Durante o crescimento da levedura, o selenito de sódio (SS) será transformado em seleneto de hidrogênio (H2Se) que será  utilizado pela levedura para sintetizar diferentes selenomoléculas orgânicas, tais como como a selenometionina (SeMet) e  a selenocisteína (SeCys), mas também muitos outros componentes seleno-ativos.

A absorção de selenito ocorre por difusão passiva e, portanto, proporcional à quantidade presente no lúmen intestinal em comparação a esta fonte, a absorção da fonte orgânica de selenolevedura ocorre por transporte ativo. Pouco do Se elementar é absorvido no intestino devido a sua baixa solubilidade e, portanto, passa a ser excretado nessa forma pelas fezes.

As selenoleveduras também apresentam em sua constituição uma fonte de selenocisteína, que não é reconhecida pelo metabolismo como um aminoácido, ao contrário da selenometionina. Esta propriedade confere uma disponibilidade imediata para uma nova síntese de selenocisteína no metabolismo animal e um efeito rápido no caso de estresse. Ela é realmente necessária no local ativo da enzima antioxidante mais importante, a glutationa peroxidase.

O primeiro benefício deste fato é uma melhoria significativa do desempenho animal. Estudos recentes comparando o desempenho de diferentes fontes de selênio têm mostrado bons resultados no caso da selenolevedura apresentando um aumento da produção de ovos em galinhas de postura, assim como melhoria na intensidade e na taxa de sobrevivência (figura 2).

Outras publicações recentes confirmam o segundo benefício na qualidade nutricional e sensorial dos alimentos. A suplementação com selenolevedura na dieta dos animais possibilitou o enriquecimento em ovos e carne com selênio, melhorando a maciez e a qualidade visual de carne exposta ao consumidor através de uma menor oxidação lipídica que possibilita um tempo maior de prateleira destes alimentos.

Em um ensaio, as poedeiras foram suplementadas durante 32 semanas (de 18 a 50 semanas de idade) com diferentes fontes de Se: Os resultados mostram claramente que a fonte de selenolevedura foi capaz de reduzir a mortalidade (A) das poedeiras, melhorando simultaneamente a frequência de postura (B) e a taxa de conversão alimentar (FCR) por ovo (C), em comparação com as outras fontes de Se.

Em um segundo ensaio feito em frangos de corte, evidências adicionais comprovaram que a fonte de selenolevedura é mais eficiente em melhorar o desempenho de frangos de corte em comparação com outras fontes de Se, tal como demonstrado pelo peso corporal final aos 42 dias de idade (Fig. 3).

O selênio em humanos, da mesma forma como descrito acima em animais, tem papel muito importante na imunidade e defesas antioxidantes. A deficiência de Se está associada a vários distúrbios, como diabetes, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e baixa fertilidade. A incidência de doenças, como câncer de próstata, câncer de mama e câncer colorretal, está frequentemente relacionada ao baixo nível de selênio presente nos alimentos consumidos, resultando em baixa selenemia em humanos. 

Tendo em vista todos os aspectos discutidos fica claro a importância de mineral para melhora da manutenção da saúde mantendo equilibrado o sistema antioxidante dos animais sendo refletido na melhoria de índices produtivos assim como benefício para melhoria de frescor de tempo de prateleira dos alimentos. A fonte de selênio levedura, neste contexto se caracteriza como uma excelente opção, sendo a única fonte orgânica a proporcionar diferentes tipos de selenoproteínas necessárias para os animais.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

vinte − quinze =

Avicultura Avicultura

Produção, consumo e exportação devem aumentar, aponta ABPA

Avaliação é do presidente da entidade, Ricardo Santin

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Em 2020, a competitividade da carne de frango bateu recorde, e, para 2021, a expectativa é de que a diferença entre os preços da proteína avícola e os das carcaças bovina e suína continue elevada. Segundo o Cepea, a retomada do crescimento econômico tende a ocorrer de forma gradual, e, com isso, o poder de compra dos consumidores deve continuar enfraquecido, o que, por sua vez, pode favorecer as vendas de carne de origem avícola, que é negociada a valores mais baixos que os das concorrentes.

Segundo dados do Boletim Focus, publicados no dia 31 de dezembro, a economia brasileira deve crescer 3,4% em 2021. Contudo, fatores como taxa de desemprego ainda bastante elevada e o fim dos repasses emergenciais do governo federal podem limitar a massa de renda familiar, especialmente nas regiões que concentram os maiores índices de pobreza. Cenário que, portanto, pode favorecer as vendas de carne de frango.

De acordo com projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2021, a produção nacional de carne de frango deverá crescer cerca de 5,5% frente ao previsto para 2020, atingindo 14,5 milhões de toneladas. O consumo per capita está previsto em 47 quilos, 4,4% a mais do que o estimado em 2020, de 45 quilos. Já as exportações deverão chegar a 4,35 milhões de toneladas, superando em até 3,6% o total exportado pelo Brasil em 2020.

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em 2021 o comportamento do setor será ditado pelas altas nos custos, que podem influenciar no volume total produzido ao longo do ano; pelas oscilações cambiais, que podem ter efeito sobre os preços do setor; a manutenção da demanda chinesa por proteína animal, um quadro esperado pelos próximos três a quatro anos; e pela retomada econômica do Brasil, que deve influenciar não apenas os níveis de consumo, como também o perfil de consumo, com incremento das vendas para food service.

“Há, ainda, expectativa de retomada por importadores relevantes, como é o caso das Filipinas. Também é esperada a renovação da cota de importação pelo México no próximo ano. O efeito “Olimpíadas” também deve favorecer as vendas para o Japão, país que é presença constante entre os três principais destinos de carne de frango”, comenta.

Além disso, para este ano, Santin conta que há expectativa de abrir o mercado mexicano para carne suína. Também é esperada abertura de suínos para a União Europeia, destrava tarifária de aves e suínos para o mercado da Índia, abertura de Taiwan para aves, conclusão de painel da Indonésia e abertura do mercado nigeriano para frangos.

Quanto às vendas externas, segundo o Cepea, apesar do empenho da China (maior comprador da carne brasileira) em aumentar a produção interna de frango, em 2021, as exportações brasileiras para esse destino devem continuar crescentes.

Além disso, espera-se que outros países também elevem as aquisições, como é o caso do Japão, terceiro maior parceiro comercial do Brasil nesse segmento, que irá sediar os Jogos Olímpicos em 2021 – caso maiores agravamentos sanitários provocados pela pandemia covid-19 não resultem em novo cancelamento do evento. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam crescimento das exportações brasileiras de 2,1% frente a 2020.

Como se comportou a proteína em 2020

Em 2020, a redução do poder de compra da população, devido aos impactos econômicos da pandemia de covid-19, favoreceu as vendas da carne de frango em detrimento das principais substitutas, a bovina e a suína. Além disso, agentes do setor da avicultura de corte indicam que o auxílio emergencial do governo federal também contribuiu para impulsionar as vendas de carne avícola. Com isso, as diferenças entre os preços do frango inteiro e os das carcaças bovina e suína atingiram recordes em 2020, segundo apontam dados do Cepea.

A dificuldade de escoar a produção no mercado nacional – principalmente por conta da diminuição e/ou suspensão da demanda de escolas e serviços de alimentação, como hotéis e restaurantes – pressionou os valores de todo o setor. Com a produção, tanto de aves quanto de carne, acima da demanda, os ajustes negativos nos preços de comercialização ocorreram com a finalidade de aumentar a liquidez interna.

Além da menor procura, a oferta de carne também aumentou. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira de frango nos nove primeiros meses do ano cresceu 2,5% frente ao mesmo período de 2019, o que reforçou a pressão sobre as cotações do setor.

De acordo com Santin, a covid-19 foi e tem sido ainda o maior desafio. “Os esforços setoriais foram imensos, e se deram muito antes do início da crise em nosso território. Logo no início do ano, as indústrias em todo o país já realizavam afastamento de grupos de risco, distanciamento e outras medidas que foram se aprimorando com o tempo, com base nos protocolos setoriais que desenvolvemos conjuntamente. Três empresas do setor, por exemplo, informaram investimentos superiores a R$ 400 milhões para a proteção dos colaboradores e preservação do abastecimento”, comenta.

Ele explica que a economia foi severamente impactada, com custos históricos, elevações especulativas sobre o preço do milho e da soja em patamares sem precedentes e houve perdas de postos de trabalho em diversos setores, com perdas também na renda média do trabalhador e em sua capacidade de compra. “Em nosso setor produtivo, entretanto, vimos um quadro mais positivo. Ao mesmo tempo em que contribuímos para o abastecimento de alimentos, geramos empregos (cerca de 20 mil postos de trabalho apenas no segundo semestre) e renda, divisas e contribuímos para a diminuição dos impactos econômicos da pandemia no Brasil”, afirma.

Para ele, neste contexto, foram determinantes as ações de governo para a manutenção da renda por meio de programas de auxílio à população mais afetada, assim como o apoio à manutenção das atividades essenciais, como a indústria de alimentos. “Como resultados do enfrentamento deste grave quadro de crise, avançamos no amadurecimento de estratégias ainda mais sólidas de garantia de qualidade e de abastecimento, de preservação da saúde dos trabalhadores e de fomento ao crescimento da produção de proteína animal no país”, diz.

Santin comenta que foi possível perceber também algumas migrações e substituições de proteínas por conta de dificuldades financeiras que podem se tornar hábitos alimentares, consolidando mais ainda o consumo de proteínas como aves, suínos e ovos.

Mercado externo

De acordo com o Cepea, em 2020 as exportações cresceram, ajudando a enxugar a sobreoferta da carne no mercado doméstico. Apesar de os embarques de carne de frango não terem alcançado um protagonismo tão grande quanto os de carne bovina e suína, que atingiram recordes, as exportações da proteína avícola in natura aumentaram 1,1% entre janeiro e dezembro de 2020 frente ao ano anterior, segundo dados da Secex.

Com o passar dos meses e a retomada das atividades econômicas, além do auxílio emergencial, que estimulou o consumo, os preços da carne de frango reagiram no mercado interno. O produto, porém, se valorizou menos do que as principais carnes concorrentes, bovina e suína, resultando em aumento de competitividade. Segundo colaboradores do Cepea, o menor poder de compra da população brasileira diante da crise gerada pela pandemia de covid-19 levou demandantes a migrarem para proteínas mais baratas, como o frango.

“A crise sanitária de Peste Suína Africana que impactou o rebanho suíno da Ásia, de parte da Europa e da África seguiu impulsionando as exportações brasileiras, consolidando as nações asiáticas como principais importadoras das carnes de aves e de suínos do Brasil, e foram os principais vetores do resultado do ano nos dois setores”, sustenta Santin.

Neste sentido, explica, as vendas internacionais de carne de frango de 2020 alcançaram 4,230 milhões de toneladas, superando em 0,4% o total embarcado em 2019, com 4,214 milhões de toneladas. A receita das exportações do ano chegou a US$ 6,123 bilhões, desempenho 12,5% menor em relação aos 12 meses de 2019, com US$ 6,994 bilhões.

Poder de compra

O produtor amargou fortes prejuízos em 2020. Isso porque tanto o farelo de soja quanto o milho, importantes insumos da alimentação do setor avícola, registraram intensa escalada nos preços. Os valores do frango vivo, por sua vez, também avançaram, mas com menor intensidade. Esse contexto pressionou o poder de compra da avicultura de corte em 2020.

Na média de 2020, considerando-se o frango vivo comercializado no estado de São Paulo e o milho no mercado de lotes da região do Indicador de Campinas (SP), foi possível ao avicultor a compra de 3,76 quilos do cereal com a venda de um quilo de animal, 24,9% abaixo da quantidade observada no mesmo período de 2019. Trata-se, também, do ano mais desfavorável ao avicultor desde 2011. Frente ao farelo de soja negociado na região de Campinas, foi possível ao avicultor a aquisição de apenas 1,95 quilo do derivado com a venda de um quilo de frango, recuo de 25,5% frente ao observado em 2019 – esta foi a quantidade mais baixa já registrada na série histórica do Cepea.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de janeiro/fevereiro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura Se sentindo em casa

Lar se torna a quarta potência da avicultura brasileira

Com incorporações de mais duas plantas industriais, cooperativa paranaense passa a abater quase 1 milhão de aves por dia, ficando atrás apenas de BRF, JBS e Aurora

Publicado em

em

Divulgação/Lar

A Lar Cooperativa Agroindustrial deu passos ousados em 2020. Assumiu duas novas plataformas industriais de abate e processamento de aves, uma em Rolândia, no Noroeste do Paraná, distante a 450 quilômetros de sua sede, que fica em Medianeira, Oeste do Estado, e outra em Marechal Cândido Rondon, a 120 quilômetros de sua sede. Somadas com as indústrias de Matelândia e Cascavel, ambas também no Oeste paranaense, a Lar passa a abater 925 mil frangos por dia, se tornando a quarta maior potência da avicultura brasileira, atrás apenas de BRF, JBS e Aurora. E os planos de expansão não param por aí.

A mais recente aquisição foi o frigorífico de aves da Copagril, cooperativa de Marechal Cândido Rondon que, assim como a Lar, faz parte da Central Frimesa – que reúne ainda C.Vale, Copacol e Primato. As cooperativas produzem suínos e leite que são dirigidos para a Frimesa, que processa e vende para o mundo. Na avicultura é diferente. Cada cooperativa, exceto a Primato, tem seus frigoríficos de aves e produtores rurais integrados. O que a Lar fez agora foi assumir o frigorífico da Copagril, que estava com a capacidade de produção estagnada em 170 mil aves por dia, cinco dias por semana, há vários anos.

Com a demanda reprimida na região de Rondon, ou seja, avicultores querendo ampliar ou entrar na atividade, a Lar observou a oportunidade, diante de possíveis dificuldades na administração do setor avícola da cooperativa rondonense.

A Lar Cooperativa Agroindustrial assumiu as operações da planta em Marechal Rondon em 04 de janeiro. Além disso, a transação de R$ 410 milhões incluiu a compra da fábrica de rações da Copagril, em Entre Rios do Oeste, e toda a frota logística, como caminhões e carros para assistência técnica, máquinas, equipamentos, móveis, utensílios e contratos de produção avícola com parceiros integrados. A negociação foi finalizada em novembro do ano passado depois de mais de um ano de conversas entre as partes. A aquisição de ativos da Copagril pela Lar foi aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), conforme publicado no Diário Oficial da União no dia 29 de dezembro de 2020.

A transmissão de comando do setor avícola da Copagril para a Lar contou com a presença dos presidentes da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, e da Copagril, Ricardo Silvio Chapla, diretores das duas cooperativas, prefeitos e lideranças. O evento foi restrito a poucas pessoas devido às normas de prevenção à Covid-19.

 Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, o presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, destaca que em pouco mais de 20 anos, a avicultura mudou os rumos da cooperativa e da região Oeste do Paraná, demonstra ousadia para ampliar ainda mais o número de abates neste ano e ultrapassar 1 milhão de abates diários em 2022.

“Desde que assumi a gestão da Lar sempre me preocupei em buscar oportunidades de renda para os pequenos produtores rurais, tendo em vista que sou filho de pequenos produtores, meus irmãos são pequenos produtores, e conheço bem essa luta do pequeno produtor que precisa de renda para ter mais qualidade de vida.

Tentamos novas atividades como ampliar a suinocultura, atividade leiteira, ovos de postura comercial (no passado era um volume muito tímido), e também fomos industrializar mandioca e produzir hortigranjeiros. Quando implantamos o projeto de frangos vimos que a vocação natural do nosso produtor é a agricultura, e a diversificação que eles gostam para ter mais renda não temos dúvida que é a pecuária. Suínos, ovos, leite e frango, sendo que frango de corte foi o que apaixonou a todos, uma atividade de ciclo rápido e que converte ração em carne, proporcionando maior agregação de valor.

Nossa região era exportadora de soja e milho, e hoje é importadora de grãos para produzir mais rações. O que gera muito mais valor para a região, gera mais impostos para o Estado e municípios, além de gerar muito emprego. Na avicultura, para cada emprego gerado em indústria de frango, gera-se outros 17 empregos indiretos. Uma atividade que traz uma riqueza muito grande para a região”, cita o presidente.

Além da aquisição, a Lar vai investir R$ 60 milhões nas plantas industriais de abate e de rações. “Existe aqui um represamento de pessoas que querem produzir mais frango, como também produtores que desejam entrar na atividade e a Lar tem essa capacidade imediata de produzir mais frango sem ampliar. Com alguns investimentos nesta planta nós vamos poder abater mais, aos sábados, e elevar em pelo menos 20% a capacidade do frigorífico. Para isso, Rodrigues diz que deve investir R$ 20 milhões para resolver o problema de escassez de água na indústria. “O projeto para a captação de água está pronto e aprovado pelos órgãos ambientais. Estamos colocando em prática”, destaca. De acordo com Rodrigues, parte do abastecimento de água da indústria era feita por caminhões, com pouca eficiência e altos custos. “Vamos eliminar o problema da falta de água e ampliar a produção”, projeta. “Com isso, vamos gerar mais 400 postos de trabalho”, destaca. Atualmente, a Lar abate 155 mil frangos por dia na planta de Rondon. A redução do abate, de acordo com Rodrigues, é para ajustar-se ao mercado e ter mais lucratividade, mas é momentânea.

Para ampliar a produção em Rondon, até o fim deste ano a Lar vai precisar de 50 novos aviários. “Atualmente estamos abatendo 155 mil aves/dia, uma redução para se obter a melhor rentabilidade da indústria. Temos alguns gargalos pequenos para equacionar e retomar a capacidade. A capacidade plena de abate desta planta é 175 mil aves/dia, o planejamento para 2021 é abater aos sábados no segundo semestre, o que já representará uma ampliação de abate na ordem de 18%, que consequentemente ampliará o número de empregos em aproximadamente 400 novas vagas. Esta planta tem atualmente 386 aviários integrados no sistema. Para atender a demanda deste ano vamos precisar de mais 50 aviários”, menciona o presidente.

Em quatro anos, o abate da planta pode ser duplicado, para quase 350 mil frangos ao dia. “A Lar tem investimentos sendo feitos nas plantas de abate de Matelândia e Cascavel e estudos de ampliar a planta de Marechal Cândido Rondon, onde temos possibilidade de oportunizar mais aviários, possibilitando até 2024 dobrar a integração dentro do projeto se houver produtores interessados na atividade”, acentua o cooperativista.

Rodrigues disse que a intenção é fazer isso no curto prazo. “Se eventualmente houver frango em excesso aqui, no começo podemos abater em Cascavel ou Matelândia até ampliar aqui. É um pouco da história do ovo e da galinha, o que vem primeiro? Não adianta aumentar a capacidade da planta se ainda não tem frango no campo, então a produção de frango é a primeira a começar para a partir de então ampliar a indústria”, pondera.

Fábrica de rações

Outros R$ 40 milhões serão destinados para a fábrica de rações em Entre Rios do Oeste para acabar com o problema da escassez de ração entre produtores. A indústria passou a ser dedicada, ou seja, exclusiva para produzir ração para frango, atendendo os mais modernos princípios de segurança sanitária. Duas peletizadoras serão instaladas para produzir a ração peletizada. Antes da compra, a indústria produzia somente ração farelada. “A ração peletizada dá mais eficiência na conversão alimentar. Vamos colocar duas peletizadoras importadas em Entre Rios do Oeste para no curto prazo termos a farelada e a peletizada também”, detalhou, informando que os equipamentos seriam entregues em Medianeira, onde a empresa investe mais R$ 350 milhões em um complexo (veja mais abaixo), mas haverá remanejamento para Entre Rios do Oeste.

Parte do investimento vai ser para ampliar a capacidade energética da planta. “É algo que já vem sendo trabalhado e nos parece que pelo mês de abril ou maio a subestação estaria reforçada. Aí, cabe à Lar puxar uma linha com maior potência para poder rodar essa indústria. Nossa expectativa é de que em torno de meio ano possamos ter essa indústria em condições de produzir mais ração”, pontua.

Rolândia

Em Rolândia, o arrendamento para operar o complexo industrial da Frango Granjeiro aconteceu em agosto de 2020. O contrato prevê compromisso futuro de compra e incorporação da frota de veículos leves e pesados da empresa. O frigorífico passou a operar com 1,9 mil empregos diretos – 320 funcionários novos, e capacidade de abate em 175 aves/dia. Uma fábrica de rações com capacidade de produzir 19 mil toneladas/mês e uma unidade de recepção e beneficiamento de grãos com capacidade de 16,8 mil toneladas também entraram no negócio.

A Lar assumiu ainda 317 aviários, envolvendo 270 avicultores, em 41 municípios na região Noroeste, e até o fim do ano vai precisar aumentar em 50 aviários para começar, também, a produzir aos sábados. “Em Matelândia abatemos sete dias por semana. Em Cascavel já abatemos em seis dias e queremos chegar ao sétimo. Além de Marechal, também em Rolândia vamos buscar os seis dias e vamos precisar de mais 50 aviários”, destaca o cooperativista.

A localização da indústria é estratégica para a cooperativa, pois está a 15 quilômetros da ferrovia, o que reduz o custo de transporte em direção ao Porto de Paranaguá. A unidade também viabilizou o atendimento mais agudo ao mercado do Norte do Paraná e cidades do interior de São Paulo. Atualmente a Lar tem quase 2,5 mil aviários de corte localizados no Oeste e Noroeste do Paraná para atender suas quatro indústrias.

Cobrança

Na entrevista exclusiva, Rodrigues destacou que a região Oeste precisa cobrar investimentos do setor público, como estradas e acesso à energia. “Queremos ter mais unidades para produzir ovos férteis, serão construídos mais aviários, abatidas mais aves, o que vai gerar mais empregos, aumentar o faturamento e arrecadar mais impostos. Devemos concluir o ano abatendo 980 mil aves/dia, e em 2022 nosso abate deverá superar 1 milhão de aves/dia. Mas para isso é preciso cobrar das autoridades investimentos na região, para que não só a lar, mas toda os setores produtivos se tornem mais competitivos”, acentua. “A Lar deu passos decisivos nos últimos dois anos e isto estava previsto no nosso planejamento estratégico. Nos dois próximos anos o foco estará em extrair o melhor resultado. É claro que, sem perder a qualidade do atendimento aos nossos associados, agora com integrados de frangos de corte ampliados e com uma relação muito próxima com nosso quadro de funcionários e com as lideranças regionais. O Oeste do Paraná precisa ser melhor reconhecido e receber obras estruturantes na região, como por exemplo energia trifásica e rodovias estaduais com acostamento e terceiras pistas. Inclusive em parceria com os prefeitos precisamos sensibilizar o Governo do Estado e a Itaipu Binacional, pois as estradas municipais precisam de mais estrutura em função da produção que está ampliando muito, consequentemente um trânsito de caminhões que está ficando mais intenso. Precisamos também trabalhar com os prefeitos para que eles possam dar um incentivo aos produtores que queiram ampliar as suas atividades pecuárias, não apenas para integrados da Lar, pois todos precisam de estradas”, acentua.

R$ 350 milhões

A Lar também está investindo pesado em Medianeira, onde fica a sua sede. A obra, que iniciou ano passado e termina em 2024, contemplará três modernas indústrias de rações (matrizes/ frangos de corte/premix vitaminados), recepção e secagem de grãos, além de um posto de combustíveis. O projeto está sendo construído às margens da BR-277, em terreno de 26 hectares. Serão mais de 50 mil metros quadrados de área construída. O novo complexo industrial irá gerar 450 empregos diretos e contribuir para o suprimento da expansão pecuária da Lar. Com o investimento, passará das atuais cinco fábricas de rações para oito.

Outras atividades

A Lar também tem várias outras atividades. A produção própria de leitões da Lar começou em 1988, com a criação da primeira Unidade Produtora de Matrizes. Hoje, são 30 mil matrizes que geram cerca de 700 mil leitões por ano. Os animais são destinados para abate na Central Frimesa. O sistema de produção de ovos Lar entrega 27 milhões de ovos por mês ao mercado interno, com a participação de aproximadamente 100 produtores. Já no leite, são mais de 60 mil litros todos os dias, com a industrialização também apoiada na Central Frimesa.

Em Mato Grosso do Sul, a Lar tem mais de 20 unidades de recebimento de grãos. Além disso, atua no Paraguai, recebendo e beneficiando grãos há 25 anos.

09/09/99

“Começamos abatendo 70 mil aves por dia em 09 do 09 (setembro) de 1999. Hoje somos a quarta maior do Brasil, estamos presentes em 81 países”, orgulha-se Irineo da Costa Rodrigues.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de janeiro/fevereiro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura Avicultura

Importância e benefícios do uso de probióticos no incubatório

Aplicação no incubatório dos probióticos adequados é simples e promove uma rápida colonização por uma microbiota intestinal saudável

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Fabrizio Matté, Msc e consultor técnico Vetanco Brasil

A complexidade do ecossistema gastrointestinal é extraordinária. A quantidade de células bacterianas presente na microbiota dos animais excede o número total de células somáticas. A interação entre hospedeiro e microrganismo ainda não foi totalmente elucidada, mas as funções da microbiota sobre o trato gastrointestinal (TGI) já são descritas e compreendem: a modulação do sistema imune; a produção de ácidos orgânicos e o aproveitamento de nutrientes; a manutenção da integridade intestinal e o estímulo à renovação dos enterócitos; a adsorção e quebra de toxinas; e a competição e exclusão de patógenos.

Em criações não comerciais ou na natureza, assim que os pintainhos eclodem, eles são expostos a microrganismos naturais das aves adultas e do ambiente. Em contrapartida, em condições comerciais, o contato e a transferência da microbiota da forma natural são mínimos ou inexistentes. Sendo assim, o TGI dos pintainhos recém eclodidos fica praticamente exposto à colonização por microrganismos presentes no incubatório, caixas de transporte e, principalmente, na granja. É importante considerar que o período neonatal é o momento mais importante no desenvolvimento dos sistemas digestório e imune das aves, e este desenvolvimento é influenciado positivamente pela presença de uma microbiota adequada.

A maior parte composição e densidade da microbiota depende das bactérias que as aves recebem no período de eclosão e da sua primeira dieta. As bactérias que colonizam os primeiros dias de vida dos pintinhos crescem muito rápido, e o intestino se torna habitado por 108 e 1011 bactérias por grama de digesta no íleo e ceco respectivamente entre o primeiro e terceiro dia de vida.

Na avicultura industrial, a maioria dos microrganismos presentes nos ambientes, aos quais as aves são expostas no período neonatal, não são os mais adequados para a colonização precoce do TGI. Portanto, é importante tomar medidas para evitar os problemas microbiológicos decorrentes do processo de incubação artificial. Essa lacuna no desenvolvimento e colonização neonatal do TGI gerou grandes oportunidades de pesquisa na área de administração de bactérias benéficas (probióticos), nos primeiros momentos de vida das aves.

Os resultados científicos e experiências de campo mostram que pintainhos e peruzinhos de corte apresentam uma resposta positiva ao tratamento com probióticos logo após a eclosão. Embora a administração de probióticos durante a criação seja eficaz, o intervalo entre eclosão e alojamento é um período delicado e muito importante para maximizar a performance produtiva e sanitária das aves. Esse período de intervalo consiste no manejo e processamento dos pintainhos no incubatório, como triagem, sexagem, vacinação, período na sala de espera e transporte.

Durante todas essas etapas, os pintainhos estão em contato com microrganismos presentes no ambiente e nos fômites. Dessa forma o TGI, que está em fase de estabelecimento da microbiota, fica sujeito à colonização por bactérias patogênicas e/ou indesejáveis, como por exemplo Salmonella spp. O fornecimento de bactérias probióticas identificadas e selecionadas proporciona uma colonização precoce significativa no papo e intestino das aves, quando usado de forma estratégica nos incubatórios.

O desenvolvimento ideal do sistema digestório é dependente de sua colonização por uma população microbiana equilibrada. A administração de probióticos no incubatório acelera o desenvolvimento do trato gastrointestinal, conforme ilustrado nas figuras 1 e 2. As figuras comparam cortes histológicos do íleo de aves com três dias de idade, que receberam ou não um tratamento com probiótico via spray no incubatório. As imagens comprovam o melhor desenvolvimento da mucosa intestinal nas aves tratadas com o probiótico.

Figuras 1 e 2. Cortes histológicos de íleo de aves com 3 dias de idade, demonstrando a diferença no desenvolvimento das vilosidades entre o Grupo Controle e o Grupo Tratado com probiótico via spray no incubatório.

A colonização do TGI por enteropatógenos pode ser reduzida ou até mesmo evitada, e isso é essencial para obter sucesso na produção avícola. A saúde intestinal das aves é de extrema importância para seu desenvolvimento produtivo e sanitário. Os diferentes sorotipos de Salmonela continuam sendo um dos maiores envolvidos na colonização e transmissão bacteriana nos primeiros dias de vida das aves. A Salmonela pode ser transmitida verticalmente pelas matrizes para os pintainhos. Contudo, o controle da transmissão horizontal no incubatório, nas caixas de transporte e nos primeiros dias na granja tem um papel fundamental nos programas de controle de Salmonela e, consequentemente, na segurança alimentar do consumidor.

O gerenciamento dos pontos críticos de controle em toda a cadeia de produção é de altíssima relevância para evitar que haja um aumento na transmissão e contaminação por Salmonela. Algumas intervenções são importantes para maximizar os mecanismos de defesa do organismo de cada ave. É fato comprovado que reforçar a maturidade intestinal e estabelecer uma microbiota equilibrada, são estratégias importantes na melhora dos mecanismos de defesa e saúde intestinal. Desta forma, a utilização de probióticos na fase neonatal, com doses estratégicas durante a vida das aves, são as ferramentas disponíveis mais eficazes para tais objetivos.

É importante ressaltar que, para um probiótico desempenhar sua função adequadamente, é crucial que ele contenha cepas de bactérias vivas capazes de colonizar o TGI da espécie animal em questão. As cepas específicas presentes no probiótico também precisam ser comprovadamente capazes de inibir o crescimento de Salmonela, bem como devem ser administradas na dosagem correta para que os objetivos desejados sejam atingidos. É fundamental ter em mente que a capacidade probiótica de uma bactéria não se dá somente por pertencer a uma determinada espécie (p.ex. Lactobacillus acidophilus), mas sim é especifica às cepas estudadas para cada finalidade. Portanto, a utilização de bactérias não definidas, não especificas para aves de produção ou não selecionadas para um objetivo (tal como controle de Salmonela), produzirá resultados insatisfatórios. Adicionalmente, é importante pontuar que a dosagem e a combinação de bactérias (dentro do mesmo probiótico) devem ser consideradas nos produtos comerciais, uma vez que fatores como estes são frequentemente negligenciados quando o probiótico está sob avaliação. Produtos probióticos compostos por duas ou mais cepas diferentes precisam passar por uma série de avaliações de compatibilidade, tanto in vitro como in vivo. Nem todas as bactérias podem ser combinadas no mesmo produto, com riscos de redução ou eliminação da eficácia.

Existem probióticos desenvolvidos especificamente para aves de produção, esses produtos são extensivamente estudados e avaliados em condições laboratoriais e de campo, com o objetivo de selecionar cepas capazes de colonizar rapidamente o TGI e inibir o crescimento de enteropatógenos, especialmente Salmonella spp.

O Gráfico 1 demonstra a redução significativa de Salmonella Enteritidis em frangos aos cinco dias de idade, que receberam uma aplicação de determinado probiótico no incubatório antes do alojamento.

Gráfico 1 – Salmonella Enteritidis recuperada das tonsilas cecais, 5 dias após o desafio. Asteriscos indicam diferença significativa entre os tratamentos (p < 0.05).

Para evidenciar os benefícios do uso de probióticos no incubatório, uma avaliação de campo foi realizada em uma integradora no sul do Brasil, no primeiro semestre de 2020. Foi mensurado o desempenho produtivo de um grupo de 955.490 pintinhos que receberam uma dose de probiótico constituído por 11 cepas de Lactobacillus, administrado no incubatório.

Os resultados dos lotes com abate aos 46 dias de idade estão apresentados na Tabela 1, onde foram comparados com o grupo controle com 1.426.290 pintinhos alojados e abatidos no mesmo período. Os dados apresentados demonstram um melhor desempenho produtivo nas aves que receberam uma dose do probiótico no incubatório.

Tabela 1 – Médias dos desempenhos produtivos (uma dose de probiótico constituído por 11 cepas de Lactobacillus fornecido no incubatório, com abate das aves aos 46 dias de idade)

Portanto, a aplicação no incubatório dos probióticos adequados é simples e promove uma rápida colonização por uma microbiota intestinal saudável, acelerando a maturação intestinal e inibindo o desenvolvimento de enteropatógenos. Além do que, essa microbiota inicial protetora favorece as condições sanitárias e maximiza a performance zootécnica, resultando em melhores resultados econômicos para as agroindústrias.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de janeiro/fevereiro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Biochem site – lateral

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.