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Avicultura Nutrição

Nutrição precisa ser revista para melhor aproveitamento, sustenta professor

Nutrição dos animais ainda causa bastante dúvidas sobre o que é melhor e o que da mais resultados

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Arquivo/OP Rural

Mesmo sendo um assunto bastante recorrente no dia a dia de quem trabalha na avicultura, a nutrição dos animais ainda causa bastante dúvidas sobre o que é melhor e o que da mais resultados para todos os envolvidos na cadeia. Para sanar algumas destas questões o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutor Sérgio Vieira, falou sobre os desafios para uma boa formulação em frangos de corte durante o 13° Encontro Mercolab de Avicultura, que ocorreu em Cascavel, em setembro.

De acordo com ele, quando se alimenta um animal, se está passando por um processo de transformação que tem perdas que são intrínsecas a este processo. “Se a gente entender melhor onde se ganha e onde se perde, gerir melhor o negócio, nos permite ser mais otimizados no sistema de produção”, comenta.

O professor explica que as aves têm uma grande demanda por aminoácidos diferentes, diferente de outras espécies, como os suínos, por exemplo. “O frango de corte muda porque ele tem uma grande quantidade de pena, que é bastante importante sob o ponto de vista proporcional no momento de montar uma dieta”, explica. Ele comenta que ao contrário do que muita gente acha frangos com menos penas não necessariamente estão doentes ou com algum problema. “Você entra me um galpão e tem frango mais pelado que o outro, mas se este animal está bem, grande, pesado, porque faltaria algo, como aminoácido? Obviamente que não falta, porque se estivesse faltando, este animal não ia estar com um peso bom”, informa.

Vieira diz que o componente comercial mais importante dos últimos 50 anos é o peito. “Virou um alimento estabelecido, que tem demanda no mundo inteiro, é de alta qualidade e, principalmente, está relacionado a uma condição de criação de uma apresentação de diversas receitas ao redor do mundo. Hoje, em qualquer lugar que você vai, vai ter um alimento típico com peito de frango”, expõe. Antes esta demanda não era tão grande, mas se criou uma demanda tão grande por este produto, explica, que obviamente as casas genéticas têm trabalhado para que ano após anos se crie mais peito. “Ocorre que a construção dessa musculatura é totalmente diferente do aparato digestivo. Quando o frango cresce, ocorre um momento em que enquanto as outras partes do animal vão se estabilizando, o peito continua crescendo”, diz.

De acordo com um estudo apresentado pelo professor, em uma comparação feita entre frangos de 1940 e 2009 mostra que o crescimento do peito do frango aumentou 1,14% em relação ao resto do corpo. “O peito, a partir dos 14 dias, segue crescendo 14% a mais que o resto do organismo do frango”, mostra. Segundo ele, como atualmente toda a cadeia vem trabalhando de uma forma em que há aumento da demanda de carne, é preciso trabalhar através da maximização dos resultados, já que o tecido muscular segue crescendo praticamente em linhas comerciais ininterruptamente.

Vieira comenta que é importante pensar nesta questão, quando se fala em nutrição, porque ao longo dos anos as aves foram sofrendo melhoramento genético, que faz com que aves de 1940 sejam diferentes das de hoje em dia. “Essa questão causa algumas alterações que devem ser consideradas se a gente quiser levar a eficiência da produção comercial na ponta do lápis. Principalmente, quando pensamos em qualquer animal ao longo da vida dele não mais do que 40% do que ele consome é retido, fica no organismo. Ou seja, 60% é perdido no processo de construção dos outros 40%”, conta.

Nutrição deve ser bem escolhida

Segundo Vieira, a intenção proteica pode ser usada para muitas coisas na avicultura. “Uma das mais básicas que pode fazer nessa nutrição cruzada é o tipo de alimento que damos para o animal. Por exemplo, tem animal que está demandando mais de um tipo de proteína para composição corporal do que os outros.  Claro, pode trocar no momento de fazer a reposição, mas os animais com que trabalhamos não tem capacidade de fazer uma modificação no produto, na parte do alimento. Ou ele é utilizado do jeito que damos para ele, ou vai fora”, afirma. De acordo com o professor, há uma série de processas que fazem parte da estratégia de formulação.

Uma informação repassada pelo professor é que quanto mais proteína o animal consumir, mais músculo ele vai produzir. “Mas não vale a pena dar mais proteína, porque o peito vai aumentar pouco, mas vai produzir mais”, comenta.

De acordo com o professor, é possível controlar o crescimento, mas é preciso reconhecer as grandes oportunidades que surgem. “Primeiro, é preciso fazer o animal consumir mais adequadamente. Um animal que está com má absorção consome, mas não retém, um animal doente não consome”, diz. Dentro disso, existem coisas no dia a dia na granja que é preciso parar de “fazer vista grossa”. “Por exemplo, o intervalo de alojamento. De sete, 12 ou 21 dias, são totalmente diferentes. Um animal com um intervalo mais curto vai ter mais problema com aceleração de passagem, com retenção de alimento. Isso vai produzir uma resposta de crescimento mais curta”, enfatiza.

Para ele, o frango brasileiro é saudável e não tem desafios que outros países do mundo têm. “Ou seja, nossos animais têm condição de serem mais eficientes. Podemos escoar outras coisas e explorar um ganho maior da musculatura peitoral”, diz. Vieira enfatiza que é sabido que a alimentação tem um custo mais alto. “É sempre o que causa maior impacto sobre o produto final e os ingredientes, por outro lado, tem um custo variável”, comenta.

De acordo com Vieira, uma coisa básica que é preciso entender na nutrição é que quanto mais próximo é a proteína que se come daquela do corpo, mais bem faz. “Ou seja, é bem difícil fazer uma criança vegana crescer igual uma criança que come proteína animal”, exemplifica.

Dois pontos destacados pelo professor sobre a formulação de rações é que é preciso se livrar dos dogmas e utilizar aminoácidos essenciais. “A gente tem o material sintético, que é barato, e muitas vezes não conseguimos usar por conta dos dogmas que temos sobre isso. Um deles é quanto a proteína bruta. É algo que foi inventado há mais de 100 anos porque naquela época não tinha como fazer análise de outra forma. Hoje temos, então porque eu vou formular com algo que não significa nada para mim, que causa prejuízo?”, questiona.

O segundo ponto é quando a utilização dos aminoácidos essenciais. “Posso usar para ajudar na nutrição ideal ou olhar os não essenciais. Na primeira semana os animais estão demandando mais aminoácidos não essenciais do que outros animais. E damos para eles? Não” A gente faz de conta que não vê”, alerta.

Vieira diz que esta área sempre vai produzindo oportunidades, é sempre dinâmico. De acordo com ele, animais de criação tem sofrido melhoramento genético tradicional a bastante tempo e tem uma velocidade de crescimento e potencial que se modifica ano após anos. “Há modificação na estrutura corporal e o que acontece e que nunca muda é que tem que fazer conta. Número biológico dos animais é bonito somente para a pesquisa. É preciso fazer conta para saber se em uma operação estamos ganhando dois centavos ou perdendo três centavos. Para sabermos se no fim do dia vamos poder pagar a folha do pagamento ou não”, avisa.

Para o professor, existe muitas oportunidades que podem ser aproveitadas. “Em primeiro lugar reconhecer que não existe uma resposta única. Os animais têm respostas eu vou crescer ou diminuir de acordo com o que vão consumidor”, afirma. Outra coisa apontada por ele é a necessidade de voltar a usar aminoácidos sintéticos. “Houve uma redução da utilização há uns cinco anos, mas temos que voltar a utilizar isso”, diz. O último ponto é quanto a importância da utilização das tecnologias. “As tecnologias aumentaram bastante nos últimos anos, baixou o preço. Temos que usar”, comenta.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura Editorial

A granja adoece antes de parecer doente

Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta.

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Foto: Shutterstock

Na avicultura, o prejuízo raramente começa no dia em que o problema fica evidente. Antes da mortalidade subir, da conversão alimentar piorar, da produção de ovos cair ou do frigorífico registrar mais condenações, a granja costuma emitir sinais menores. Às vezes estão no consumo de água, na resposta vacinal, na cama, na ambiência, no comportamento das aves, na uniformidade do lote ou em alterações discretas de desempenho. Quem espera o problema aparecer por completo, normalmente já chegou tarde.

Essa lógica é especialmente verdadeira quando se fala em sanidade. Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta. A avicultura intensiva trabalha com alta densidade, ciclos curtos, margens pressionadas e forte dependência de regularidade. Nesse sistema, prevenir não é discurso técnico: é condição econômica.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

A laringotraqueíte infecciosa é um exemplo claro de como a granja pode adoecer antes de parecer doente. A circulação do agente, a movimentação de pessoas, falhas nos protocolos de acesso, risco de disseminação entre propriedades e demora na resposta sanitária podem transformar um problema localizado em ameaça regional. Quando os sinais clínicos ficam evidentes, o vírus pode já ter encontrado caminhos para avançar.

Por isso, biosseguridade não pode ser tratada como checklist de auditoria. Ela precisa ser rotina de produção. Controle de acesso, vazio sanitário, limpeza, desinfecção, qualidade da água, manejo de cama, vacinação, diagnóstico laboratorial, rastreabilidade e treinamento das equipes são partes de uma mesma engrenagem. Nenhum desses pontos funciona isoladamente quando o restante da operação falha.

A avicultura brasileira construiu competitividade porque aprendeu a produzir com método. Mas o método precisa ser atualizado todos os dias, dentro da granja, antes que a planilha mostre a perda. O futuro sanitário da atividade dependerá menos da capacidade de apagar incêndios e mais da disciplina para identificar riscos quando eles ainda parecem pequenos.

A granja avisa. A questão é se a cadeia está preparada para ouvir antes que o problema vire prejuízo.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Avicultura Editorial

O Nordeste avícola já não cabe no rodapé

Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.

Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.

A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.

Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Avicultura

Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura

Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

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A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock

A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock

A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.

A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.

Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock

que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.

Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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