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No leite, pasto é base, meio e topo

Pasto é preponderante na diminuição da pegada de Carbono, na ampliação da produtividade e geração de maior margem líquida na produção leiteira em pequenas propriedades.

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Henrique Nunes Ribeiro Filho (Udesc) expôs que a introdução de leguminosas, aumenta em 20% consumo de pastagem - Fotos: Divulgação/UQ Eventos

Em parceria inédita com a Epagri, transcorreu na última quarta-feira (08), durante o 12º SBSBL, o 1º Simpósio Catarinense de Produção de Leite à Base de Pasto. A primeira palestra foi com Sila Carneiro da Silva (Esalq/UPS) sobre otimização dessa modalidade de alimentação. Sila enfatizou que o pastejo é a ‘colheita’ da planta pelo animal e, para isso, é necessário entender o ciclo vegetativo das plantas, o que facilita conhecer o volume consumido por animal que, efetivamente, entra no trato digestivo e descobrir as perdas do processo.

Para o especialista, três etapas da produção são fundamentais: acúmulo, crescimento e senescência (saldo/palha morta), fator que acontece antes mesmo do pastejo. “Para ajustar, basta acertar o ponto de colheita”, sublinhou. Já a segunda perda física do pastejo tem a ver com a altura, pasto mais alto, ponto de colheita, entre outros fatores. Ou seja, a efetividade da produção a base de pastagens é realizar o manejo adequado das pastagens.

Sila Carneiro da Silva (USP) destacou que o pastejo precisa ser altamente palatável ao animal

Interferem no crescimento da planta, conforme Sila, a Morfogênese, a dinâmica de perfilhos, as adaptações anatômicas e fisiológicas. “Isso tudo molda o ciclo, que determina a área foliar, a estrutura do pasto, que, por consequência, afeta os padrões de acúmulo de forragem e o comportamento ingestivo e de consumo; tudo isso decorre de uma estratégia de sobrevivência e perenização da planta”, acrescentou. Moral da história: “vale a produtividade do sistema, ou seja, a última linha do balanço, além das Emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE).

Luz é o centro

A luz, lembrou Sila, é a principal ‘peça’ dessa engrenagem, pois produz a fotossíntese. Sabendo-se disso, é possível “mexer” nos sistemas produtivos. A exemplo, introduzir modelo agropecuária x pecuária, irrigação, adubação e até árvores protetivas. “Tudo sai da estrutura do pasto e volta a ela”, insistiu, afinal, nem sempre, 100% do que é ofertado, é aproveitado pelo animal”.

O melhor e mais rentável, recomendou, é o pasto com melhor rotação de folhas, pois o consumo mais elevado pelo animal advém das folhas mais jovens. É dessa “fórmula” que se pode indicar alvos e metas, sem calendários, nem dias, nem anos. “A partir de um ponto o animal rejeita a comida; é o índice de área folhar crítico. Para cada espécie forrageira, há uma altura máxima de manejo que precisa ser respeita. Para o capim Tanzânia, por exemplo, o pasto acima de 0,70cm é inútil ao animal. E esse teto é determinado pela luz.

Outras constatações: quanto mais bocados pequenos, mais o animal precisa “trabalhar” para colher. Se o pasto está cheio de talos, a vaca passa rápido e cai muito a ingestão verde. Essa taxa de consumo geralmente começa a despencar a partir da redução de 50% da altura inicial da pastagem, independente do tipo de forrageira. Estudos com o Capim Elefante Cameron mostram que ampliaram no leite os sólidos, gorduras totais e outros itens entre 40 a 50%, além de diminuir em 34,5% da emissão de gases poluentes quando aplicado o manejo adequado da pastagem.

Para Sila, o segredo é sincronizar a velocidade de crescimento do pasto, com o que o gado consome. “Se o pasto cresce mais rápido, o gado não o come. E, se isso acontecer, é possível diminuir a taxa de suplementação (lanche); aumentar a taxa de lotação; conservar a forragem e diminuir Nitrogênio (N), bem como, pode acontecer ao contrário”.

Dr. João Luiz Prato (UEM) apontou que é fundamental ter área exclusiva para volumoso

Potencializando a produção de leite

A segunda palestra da quarta-feira (08) foi propalada por Henrique Mendonça Nunes Ribeiro Filho (UDESC/Lages), tendo como eixos a ampliação da segurança alimentar e a redução do impacto ambiental. Explanou que o uso da terra para produzir alimentos, no Sul, está distribuído em silagem de milho: 19.000 kg/MS/ha; pastos de verão: 11.250; grão de milho comercial:  9.700; pastos de inverno 9.600; e grãos de soja com 3.300 kg/MS/ha

Formatou Henrique que, à medida que aumenta a forragem consumida, cai um pouco a área de terra utilizada em relação à alimentação com maior concentração de ração.  “Não é verdade que animal confinado ‘usa’ menos área e, no fundo, essa alimentação ocupa área maior para ser gerada, em relação ao sistema de pastejo”.

Outra conclusão é a de que não há alteração na produção de metano, quando classificada a alimentação pastejada daquela que mistura ração industrial.

Do ponto de vista qualitativo, o pasto que sobra no verão tem menor qualidade (Matéria Seca), em relação ao produzido no inverno. Portanto, os pastos de verão exigem mais complementação enérgica via ração, além de gerarem queda no leite de 5% a 10%. Já o Metano não se altera entre as estações. “A introdução de leguminosas aumenta o consumo de pasto em até 20% pelo animal”, adicionou. “É importante ir corrigindo a quantidade e tipo de suplemento ao longo do ano, buscando menor dependência de insumos externos, com o mínimo de ingredientes proteicos.

Forragem: a poupança que salva

“Forragem conservada é para garantir a produção de leite ao longo do ano”. Assim Dr. João Luiz Pratti Daniel, da Universidade Estadual de Maringá – (UEM) abriu sua exposição no 12º SBSBL – 1º Simpósio Catarinense de Pecuária de Leite à Base de Pasto, promovido pelo Nucleovet nos dias 07, 08 e 09 de novembro em Chapecó. “Acontece que, em alguns momentos, não há como produzir forragem por condições incontroláveis”, esclareceu.

Quando conjugado à ração, essa oferta não pode passar de 3 a 3,5 kg de concentrado, fator que interfere na saúde do rumem, em que pese o fato de subir a eficiência alimentar, bem como a gordura e sólidos do leite. “Muito cuidado com as vacas recém-paridas, que apresentam maior dificuldade de colher pasto”, alertou.

É importante ter uma área específica para produzir volumoso e conservar o excedente gerado pelo pastejo, ou então, comprar, porém, geralmente o alto custo agride os resultados. “Quem produz dentro da fazenda, economiza, melhora a digestibilidade do amido e controla melhor os processos de produção”, defendeu João Luiz.

Principais erros

Só pesando tudo, para medir a perda de Matéria Seca (MS), quando se pode, então, tomar providências. No Brasil, números médios apontam para 10 a 50% de perdas de MS. No pré-secado, pode cair em 60%. Os maiores erros estão no planejamento; no manejo agronômico; na colheita e ensilagem (maturidade, colheita e processamento, aditivos, transporte, abastecimento, compactação, vedação, monitoramento e manejo pós-abertura). “Silagem é uma cadeia de vários elos. Falhando um, não tem como consertar; é um processo”.

Agricultor Gilmar Madre e Carlos Mader Fernandes (Epagri) quase um crescimento de 1.000% a mais na produção de leite em 11 anos

Se colher muito tarde, melhora um pouco o amido, porém, afeta a degradabilidade ruminal e piora a estabilidade aeróbica do alimento. Com partículas de silagem mais longas (19ml), cai a produção de leite, piora a ruminação, assim como deterioram todos os demais itens. A mais indicada é a média (8-19 ml). A pequena (8ml), não é indicada. “Pode ser que, dependendo da máquina, o ponto de quebra possa estar em 11,1mm, noutras 12, ou em algumas 14mm. “Tem que testar. E, no momento da compactação, fazer camadas finas”, disse. Nenhum aditivo substitui um bom manejo. Por fim, a vedação deve ser totalmente sem oxigênio. Bem vedada, a silagem descartada cai de 7,4% para 2,9%. E, no pré-secado por bolas, não economizar na qualidade do plástico, bem como, armazená-las de pé, em vez de deitadas.

A voz de quem faz e prova!

Com a sala lotada foram apresentados os resultados do trabalho, por duas vozes: a do especialista Carlos Mader Fernandes (Epagri) e a de Gilmar Moraes, produtor de Herval do Oeste, que estava no Centro de Eventos com a família.

Carlos disse que a Epagri, há 20 anos,  trabalha com foco na produção de leite à base de pasto e SC tem apenas 1,13% do país, 95,3 mil km2, 3,2 bilhões de litros de leite/ano, sendo 87% das propriedades menores que 50 ha. Porém, 75,4% está no Oeste e Meio-Oeste. Nesse quinhão, cerca de 80% das propriedades têm menos de 20 ha. De 2016 a 2021, estagnou a produção de leite no estado, enquanto a Irlanda, país menor que SC, cresceu 42% em leite de 2014 a 2019.

O desafio, conforme Carlos, é conciliar o aumento da produção e da produtividade, com resiliência econômica, social e ambiental. “Precisamos refletir aquilo que deve ser feito nas propriedades e suas consequências das escolhas, afinal, tecnologia sem análise econômica, não é tecnologia”

De 2012 a 2022, em SC, o leite subiu 73,4%, ração + 66,2%, MS/silagem + 93,8% e MS/pasto, + 50%. “A ração é tão cara em nosso estado por termos déficit de milho crescente”, comparou Carlos. Quanto a relação de troca, em 2020 um produtor fazia 4,5 kg/MS/silagem com um litro de leite; em 2023, apenas 3,8 kg/MS/silagem para um litro, fator que, por si só, comprova margem líquida negativa. “Com ração, a atividade só se viabiliza se, com um litro de leite, se pode comprar um quilo de ração, o que não vem ocorrendo há tempos”.

Quase 1.000 % em 11 anos

O produtor Gilmar Moraes, de Herval do Oeste – SC, começou a propriedade referência/EPAGRI em 2012. Em 2011, disse ter produzido 105 mil litros/ano, com 28 vacas e severos problemas de mastite. “Este ano, descarte zero por mastite e produção que deverá passar de 1 milhão de litros”.

O leite vem para quem sabe produzir pasto, confirmou Gilmar, que usa cama de aviário como adubação, além de placas solares para amenizar custos com energia. Atualmente, são 130 vacas em lactação, chegando a um milhão de litros, ou seja, quase mil por cento de crescimento em 11 anos.

São mais de 10 mil litros por hectare nas terras de Gilmar em 2023. Na visão do orientador Carlos, o que importa é a margem líquida por hectare. A melhor referência é um produtor com 28 litros/vaca, com média de 4 quilos de ração, o qual une estratégia alimentar com genética, sendo que a segunda define a primeira. “A forrageira deve ser determinada pelo apetite da vaca, finalizou”.

Fonte: Assessoria Nucleovet

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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