Bovinos / Grãos / Máquinas
Efeito do uso de levedura viva probiótica na eficiência alimentar de bovinos leiteiros
Consideradas microrganismos benéficos em dietas para ruminantes, as leveduras vivas probióticas promovem o crescimento da microbiota favorável do rúmen e estabilizam o pH ruminal. Diversos estudos mostram que a levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 aumenta a digestibilidade da ração através de maior degradação da fibra (FDN do trato total), o que resulta em maior extração de nutrientes e energia da dieta.

O uso de microrganismos vivos fornecidos diretamente como aditivo probiótico para bovinos tem aumentado significativamente nos últimos anos. Um desses exemplos é o uso da levedura viva Saccharomyces cerevisiae, responsável pela melhoria no desempenho e na eficiência alimentar de bovinos.
Para vacas em lactação, por exemplo, o uso da levedura viva Saccharomyces cerevisiae melhora o desempenho em todas as etapas de produção. Uma meta-análise realizada em 2010 envolvendo 14 experimentos e um total de 1.600 vacas leiteiras mostrou que o uso da levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 melhorou significativamente a eficiência alimentar (+3% em kg de Leite Corrigido para Gordura/kg de Matéria Seca Ingerida) para vacas em início e no final da lactação (Figura 1).

Figura 1: Efeito da levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 na eficiência alimentar de vacas em lactação. (LCG = Leite Corrigido para Gordura; MSI = Matéria Seca Ingerida).
Esses ganhos obtidos em aumento da produtividade ou eficiência alimentar podem ser explicados pela capacidade que a levedura viva tem em modificar o ambiente ruminal. Uma vez presente no rúmen, a levedura viva interage com a população microbiana (bactérias, fungos e protozoários) e os nutrientes (fibra, amido e proteína) em um ambiente anaeróbico e essas interações promovem maior estabilidade do pH ruminal (reduzindo o risco de acidose subaguda), estímulo ao desenvolvimento de bactérias fibrolíticas e aumento da digestibilidade da fibra.
Exemplo dessas modificações do ambiente ruminal foram observados em um trabalho conduzido ainda em 2007. Esse experimento mostrou que vacas suplementadas com a levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 apresentaram aumento do pH ruminal (Figura 2). A análise de dados da literatura mostra que esse aumento do pH ocorre porque a levedura viva estimula o crescimento das espécies de bactérias utilizadores do ácido lático ruminal, principalmente Megasphaera elsdenii e Selenomonas ruminantium.

Figura 2: Efeito da levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 no aumento do pH ruminal.
Além de promover melhora no pH ruminal, o uso da levedura viva também apresenta efeitos positivos na digestibilidade da fibra. Outro estudo mostrou que a levedura viva probiótica aumentou em 4% a digestibilidade da fibra em relação ao tratamento controle (Figura 3). Esses autores observaram também melhora na eficiência alimentar para os animais tratados com a levedura viva.

Figura 3: Efeito da levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 no aumento da digestibilidade da fibra.
A digestibilidade da fibra é item primordial para maximizar o retorno sobre os custos com alimentação. Desafios ambientais (tais como estresse térmico) comprometem a função ruminal e, consequentemente, aumentam a concentração de nutrientes nas fezes. A suplementação com leveduras tem demonstrado efeitos positivos para a colonização de bactérias celulolíticas (tais como R. flavefaciens, por exemplo) e fungos, sugerindo um impacto particularmente marcante na quebra de ligações lignina-polissacarídeo e melhorando o aproveitamento dos nutrientes ingeridos.
Em conclusão, leveduras vivas são consideradas microrganismos benéficos em dietas para ruminantes porque promovem o crescimento da microbiota favorável do rúmen e estabilizam o pH ruminal. Diversos estudos mostram que a levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 aumenta a digestibilidade da ração através de maior degradação da fibra (FDN do trato total), o que resulta em maior extração de nutrientes e energia da dieta. Os benefícios para os produtores são vários: redução do risco problemas metabólicos e maior retorno sobre o investimento com alimentação, pois o uso da levedura viva como aditivo probiótico melhora tanto a produção de leite quanto a eficiência alimentar.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: jmoro@lallemand.com.
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Mateus Castilho Santos / Divulgação

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Brasil abre mercado para exportação de material genético bovino ao Togo
Negociação permite envio de sêmen e embriões e amplia oportunidades para produtores e serviços técnicos.

O governo brasileiro concluiu negociações que permitirão a exportação de material genético bovino (sêmen e embriões) para o Togo.
As aberturas criam oportunidades para produtores brasileiros, bem como para a prestação de serviços de consultoria e assistência técnica. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 148 milhões em produtos agropecuários para o Togo, com destaque para produtos do complexo sucroalcooleiro, carnes e couro.
A nova autorização se soma a outras aberturas recentes conquistadas junto ao Togo. Em 2025, o país africano também autorizou a importação de sementes de milho, braquiária, soja e sorgo, além de bovinos e bubalinos vivos do Brasil.
Com esse anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 594 aberturas de mercado desde o início de 2023.
Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
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Paraná conquista 44 medalhas e tem melhores queijeiros do Brasil em concurso internacional
Estado se destaca no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo, e reforça liderança na produção de queijos finos.

Kennidy de Bortoli, Isabelli Maria Passos de Oliveira e Nayara Leontino Scherpinki são os melhores queijeiros do Brasil. Eles são talentos do Biopark, ecossistema de inovação de Toledo, no Oeste, e ajudam a consolidar o Estado como referência na produção nacional. Além disso, o Paraná teve 44 queijos premiados nas categorias principais, como Campeões dos Campeões e Super Ouro, e Ouro, Prata e Bronze na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo. Participaram cerca de 2 mil queijos vindos de mais de 30 países.
A equipe do Biopark apresentou três queijos com temática espacial. O primeiro, inspirado em um planeta, trouxe técnica inovadora de coloração que simula movimento e sensação térmica gelada na massa. O segundo, com formato irregular de meteoro, explorou notas minerais e de pimenta, simulando o calor da entrada na atmosfera. O terceiro, baseado no conceito do buraco negro, utilizou tecnologia de casca lavada com impacto visual e sensorial único no momento do derretimento.
“Mais do que defender um título ou conquistar medalhas, nosso objetivo é ir além do sabor e criar uma experiência completa. Desenvolvemos queijos que estimulam diferentes sentidos, com variações de textura, temperatura e impacto visual. Quando o consumidor se surpreende em cada etapa da degustação, o produto deixa de ser apenas um alimento e passa a contar uma história”, afirma o queijeiro e pesquisador do Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos do Biopark, Kennidy de Bortoli.
Três queijos do Biopark também se destacaram na competição. O Passionata — que conta com tecnologia do Projeto de Queijos Finos do Biopark, é produzido pela Queijaria Flor da Terra e foi eleito um dos nove melhores queijos do mundo no World Cheese Awards 2024, em Portugal — foi escolhido como 3º melhor queijo do Mundial do Brasil na categoria Campeão dos Campeões; o Abaporu (Flor da Terra) conquistou o Super Ouro; o Deleite (Flor da Terra) levou a Prata; e o Granatoo (Queijaria Ludwig) ficou com o Bronze.
O projeto do Biopark já tem 76 medalhas acumuladas em apenas sete anos de trajetória. E a promessa é de ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Com um investimento de R$ 3,8 milhões em parceria com o Governo do Estado, o projeto, que atualmente tem como escopo de atuação o Oeste, vai expandir para as regiões Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e Metropolitana de Curitiba. O objetivo é consolidar o Paraná, segundo maior produtor de leite do País, como um dos principais polos de queijos finos da América Latina.
O modelo desenvolvido no Biopark utiliza o rigor metodológico para que famílias rurais possam fabricar produtos de alto valor agregado — queijos que podem atingir até três vezes o preço de venda de um queijo comum.
Outros campeões
O Paraná ainda teve outros campeões de outras regiões. O queijo Bacchus Josef Ferdinand Lotscher, do Ateliê Lotschental, de Palmeira, ficou com o 2° lugar na categoria Campeão dos Campeões. Outros três ganharam o Super Ouro: queijo Witmarsum tipo Gouda da Cooperativa Agroindustrial Witmarsum e os queijos Frescal Deleite e Vale do Heimtal da Queijaria Deleite, de Londrina.
O Paraná ainda recebeu 14 Ouros com representantes de Carambeí, Rio Branco do Ivaí, Verê, Marechal Cândido Rondon, Palmeira, Londrina e Guarapuava; nove Pratas com produtores de Dois Vizinhos, Curitiba, Paranavaí, Palotina, Toledo, Palmeira e Diamante do Oeste; e 15 Bronzes com talentos de Londrina, Palotina, Carambeí, Nova Esperança, Cascavel, Nova Laranjeiras, Maringá, Palmeira e Diamante do Oeste. Os vencedores estão AQUI (campeões) , AQUI (Super Ouro) , AQUI (Ouro) , AQUI (Prata) e AQUI (Bronze) .
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Mercado do leite segue abaixo do nível do ano passado
Mesmo com alta de 6,2% em fevereiro, preço pago ao produtor ainda acumula queda de 22,7% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Embrapa.

O mercado do leite iniciou 2026 com recuperação parcial nos preços pagos ao produtor, mas ainda sem reverter as perdas acumuladas no último ano, de acordo com o Centro de Inteligência do Leite (Embrapa Gado de Leite).
Em fevereiro, o litro do leite pago ao produtor no Brasil atingiu média de R$ 2,15, alta de 6,2% em relação a janeiro. Apesar do avanço mensal, o valor segue 22,7% abaixo do registrado em fevereiro de 2025.
Entre os estados acompanhados, Minas Gerais e São Paulo lideraram as cotações, com média de R$ 2,20 por litro. Santa Catarina apresentou o menor preço, de R$ 2,07.
Relação de troca melhora
No campo, a relação de troca apresentou leve melhora em fevereiro. Foram necessários 38,2 litros de leite para a compra de 60 kg de ração (milho e soja). Mesmo com o ajuste positivo no mês, o indicador ainda aponta perda de poder de compra em relação ao mesmo período do ano passado.
Leite UHT puxa alta no varejo em março

Foto: Fernando Dias
No varejo, os preços dos lácteos subiram 4,3% em março de 2026. O principal impacto veio do leite UHT, que registrou alta de 11,7%.
Entre os demais produtos, houve variações mais moderadas: o leite condensado recuou 0,9%, seguido por queijo (-0,3%), manteiga (-0,2%) e leite em pó (-0,1%). O iogurte foi o único a registrar alta além do UHT, com avanço de 1,2%.
No acumulado de 12 meses, os preços dos lácteos recuaram 3,1%, abaixo da inflação oficial do período, medida pelo IPCA, que ficou em 4,1%.



