Conectado com
OP INSTAGRAM

Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Mastites em vacas leiteiras: Como a marbofloxacina age sobre a patologia?

A marbofloxacina é um dos princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados

Publicado em

em

Divulgação/Ceva

Artigo escrito pela equipe técnica da Ceva

A mastite é uma das principais afecções do gado leiteiro, pois é considerada a doença de maior impacto econômico na atividade, determinando redução na produção, na qualidade do leite e afetando o bem-estar dos animais. Ela pode ocorrer por diferentes fatores: agressões físicas, químicas, tóxicas, mas a sua principal causa é infecção por bactérias e outros microrganismos. De acordo com a manifestação clínica podemos classificar as mastites em: subclínicas, clínicas hiperagudas, agudas ou brandas, e crônicas.

Na manifestação clínica podemos observar edema do úbere, aumento de temperatura na região, coloração vermelha, endurecida, e dolorida ao toque, além de alterações visíveis no leite como grumos ou pus. Já na subclínica, não são observadas manifestações no animal, apenas alterações na qualidade e composição química do leite, modificações nas suas características organolépticas, físico-químicas e microbiológicas, além de redução de volume produzido. Por não ser visivelmente diagnosticada, a mastite subclínica pode se disseminar facilmente pela propriedade. Estima-se que para cada caso clínico, ocorram pelo menos 9 outros casos subclínicos. A mastite crônica se caracteriza por manifestações constantes de casos clínicos que não apresentam cura total após a realização de tratamentos.

Ainda com relação a forma de transmissão e patógenos envolvidos, as mastites podem ser classificadas em contagiosas e ambientais. As contagiosas são causadas por bactérias presentes no úbere e leite dos animais infectados e são transmitidas entre animais. Já as ambientais são determinadas por microrganismos presentes no ambiente que infectam os animais ao penetrarem na glândula mamária.

A avaliação da saúde das glândulas mamárias e o diagnóstico da mastite subclínica são realizadas através da contagem de células somáticas (CCS) do leite.

Os impactos da mastite afetam também a produção de laticínios reduzindo o rendimento do leite na produção de derivados e o tempo de prateleira. Quando encontramos vacas com mastites, elas vacas devem ser retiradas da linha de ordenha para tratamento. Em boa parte das mastites, o tratamento com antibiótico é fundamental para o restabelecimento da saúde e dos índices produtivos. Na escolha do medicamento deve-se avaliar as características do fármaco, suas aplicações, eficácia, potência e rapidez de ação.

Estudos demonstram que na maioria das mastites estão envolvidas as bactérias Escherichia coli, Streptococcus uberis, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus, Corynebacterium bovis e Mycoplasma spp. Para melhor estabelecimento do tratamento anti-infeccioso o ideal é a realização de culturas e testes de sensibilidade aos antimicrobianos disponíveis. Infelizmente, o uso indiscriminado destes produtos tem causado rápido estabelecimento de resistência bacteriana.

A resistência bacteriana pode ser causada pela mutação espontânea e a recombinação gênica, muitas vezes influenciadas pela seleção natural, onde as cepas bacterianas mais resistentes sobrevivem. Entretanto, a exposição frequente à níveis inadequados do antibiótico, especialmente a subdosagens e períodos longos de tratamento, podem proporcionar a seleção de cepas resistentes. Por isso a escolha do antibiótico deve ser criteriosa e buscar alta potência, alta eficácia, rápido alcance de concentrações efetivas no sangue, máxima difusão do antibiótico na glândula mamária após a aplicação, facilidade de uso e mínimo período de carência.

Frequentemente são disponibilizados no mercado novas formulações e novos princípios ativos antimicrobianos para o tratamento das mastites. A marbofloxacina é um destes princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados devido a suas características que vão de encontro às anteriormente citadas. A seguir, são apresentados resultados de alguns estudos comparativos de eficácia no tratamento de animais com mastite clínica empregando-se marbofloxacina e outros antimicrobianos corriqueiramente usados.

Marbofloxacina versus Amoxicilina + Ácido Clavulânico (Clavulanato)

Nesse estudo foi comparada a eficácia de tratamentos de mastites ambientais determinadas por bactérias Gram negativas em 114 vacas. Os animais apresentavam sinais clínicos como: úbere inflamado, febre, apatia, reduzido ou ausência de apetite e alterações no leite. Os animais foram divididos em dois grupos de tratamento como a seguir:

Grupo Marbofloxacina: 2mg/Kg de marbofloxacina, intravenosa, uma vez ao dia, por 3 dias consecutivos.

Grupo Amoxicilina + Clavulanato (A + AC): 8,75mg/Kg de amoxicilina + clavulanato, intravenosa, por três dias consecutivos.

Em ambos os grupos o tratamento incluía aplicação intramamária de Cloxacilina nos quartos mamários afetados logo após a ordenha. A Cloxacilina não atua contra bactérias Gram negativas.

Amostras de leite individuais e de cada quarto mamário foram assepticamente colhidas nos dias 0, +7 e +14 do estudo, para a realização de cultura e identificação bacteriana. As avaliações clínicas gerais do animal, úbere, produção e aspectos do leite foram realizados no dia dos tratamentos, 12 horas após os tratamentos e nos dias, +1, +2, +3, +7 e +14 após início os mesmos. Os animais foram divididos em 2 grupos e tratadas da seguinte maneira:

Resultados

A bactéria com maior prevalência nas culturas realizadas foi E. coli. O grupo tratado com marbofloxacina teve um retorno ao comportamento normal em um período mais curto. O retorno a produção normal de leite, a normalização dos parâmetros clínicos e o desaparecimento da E. coli foi mais rápido no grupo tratado com marbofloxacina quando comparado ao grupo tratado com amoxicilina + clavulanato.

  • Marbofloxacina X Danofloxacina

Um estudo cego e comparativo entre tratamentos usando marbofloxacina ou danofloxacina em vacas leiteiras com mastite aguda por E. coli envolveu 354 animais com sinais clínicos. 178 vacas receberam marbofloxacina e 176 receberam danofloxacina.

Grupo marbofloxacina: 10 mg/Kg de marbofloxacina por peso vivo, intramuscular, com aplicação única no dia 0.

Grupo danofloxacina: 6mg/Kg de danofloxacina por peso vivo, subcutânea, com aplicação única no dia 0.

Todos os animais envolvidos receberam aplicação intramamária de oxacilina nos primeiros dias de tratamento. A oxacilina não tem efeito sobre bactérias Gram negativas.

Todos animais passaram por avaliação clínica individual e nestas avaliações foram empregados escores de acordo com: o comportamento ou condição geral dos animais; o apetite; a produção diária; o aspecto do quarto mamário afetado e o aspecto do leite.

Resultados

Os parâmetros primários adotados foram cura clínica, melhoria do estado geral e  retorno à produção de leite até o 15º dia após tratamento. O segundo fator observado foi o desaparecimento da E. coli nas culturas de amostra de leite examinadas ao 15º e ao 27º dia após o tratamento.

Os resultados de escore clínico geral, retorno a produção de leite e redução da temperatura retal, foram melhores para o grupo tratado com marbofloxacina, representando até 4,5% de diferença entre os parâmetros.

Quando avaliada a taxa de cura e melhora no estado geral dos animais, o grupo tratado com marbofloxacina mostrou melhores resultados.

De acordo com os resultados obtidos nos dias das avaliações realizadas após os tratamentos, pode-se observar que os animais tratados com a marbofloxacina apresentaram melhoria contínua e taxa superior de cura clínica quando comparado ao grupo tratado com danofloxacina.  No 15º dia após o tratamento, a taxa de cura foi de 73,6% no grupo tratado com marbofloxacina contra 65,8% do grupo tratado com danofloxacina, como demonstrado no gráfico a seguir:

Os resultados de cura bacteriológica também foram superiores no grupo tratado com marbofloxacina, sustentando a rápida absorção sistêmica e boa distribuição da no organismo o que permitiu chegar a glândula mamária com eficácia e ainda auxiliar na prevenção da bacteremia.

Os estudos sustentam alta eficiência da marbofloxacina nos tratamentos de mastite causadas por bactérias Gram negativas, especificamente Escherichia coli. Este fato permite o rápido retorno às condições normais de saúde, à produção de leite e a cura bacteriológica.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

nove − 6 =

Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Aumento expressivo dos grãos gera descompasso com outras atividades

Saca de milho lidera valores significativos registrados de um ano para cá, com recorde de 259,46%; soja acumula alta de 85,14% e trigo subiu 51,66%

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Análise divulgada há pouco mais de uma semana pelo Sindicato Rural de Toledo, no Oeste do Paraná, destaca, comparativamente, os valores expressivos que as commodities tiveram de um ano para o outro. Considerando as datas de 23 de abril de 2020 e 23 de abril de 2021, o milho registrou o maior aumento, passando de R$ 37 a R$ 96, ou elevação de 259,46%. A saca da soja saltou de R$ 87,50 a R$ 162, ou 85,14% de elevação. Já o trigo avançou de R$ 60 para R$ 91 a saca, perfazendo 51,66% de aumento.

O preço do quilo do suíno pago ao produtor aumentou de R$ 3,61 para R$ 6,72 (86,14%), a arroba da vaca passou de R$ 170 para R$ 285 (67,64%) e a arroba do boi gordo aumentou de R$ 180 para R$ 300 (66,66%). Já o litro do leite pago ao produtor avançou de R$ 1,33 para R$ 1,60, o que significa 20,30% de expansão.

Descompasso

Para o presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, também no Oeste do Estado, Edio Chapla, o aumento das commodities ao longo dos últimos meses gerou discrepância em relação aos outros ramos da agricultura. “Desde o início de 2020 acompanhamos uma grande alta principalmente nas sacas do milho e da soja, o que motivou descompasso considerável nas outras atividades que dependem desses itens que fazem parte da ração para alimentar os animais”, expõe.

O que vem acontecendo desde o ano passado, pontua Chapla, é um aumento de custos ao agricultor em termos de aquisição de produtos e insumos diversos seja na parte agrícola, como adubos, nitrogenados, pois praticamente todos são importados e por isso cotados em dólar. “O alto valor dessa moeda também contribuiu à elevação de custos na aquisição desses produtos, assim como ao que diz respeito aos produtos veterinários utilizados nas atividades pecuárias”, observa.

Segundo ele, isso tudo gera maior desgaste ao produtor de leite, especialmente, porque a venda do leite do início do ano passado para este não teve aumento na mesma proporção do que os custos de produção da soja e do milho, incluindo o quesito forragem. “O produtor é quem mais sofre com essa questão da alta de preços, não tendo seu produto elevado a níveis que garantam receita e um bom resultado. Claro que nos suínos e nas aves também impacta, porque milho e soja representam em torno de 60% a 70% do custo total dos insumos de alimentação para esses animais”, pontua.

Chapla comenta que a indústria não tem como repassar este custo por não conseguir comprar com valor mais elevado, então não tem como fornecer aos produtos custos menores. “Além disso, a região tem parcerias com integradoras, que também têm custo elevado”, destaca.

Reajuste 

O presidente do Sindicato Rural lamenta o cenário atual para a bovinocultura. “A gente vê no mercado o leite praticado muitos anos a esse preço, a exemplo de derivados como o queijo. Muito queijo consta com valor agregado, talvez o consumidor vê como se o produtor ganhasse muito dinheiro. Acreditamos que o atacado esteja ficando com a fatia maior de resultado, portanto há desproporção de preços, mas não é o que a indústria e o produtor estão ganhando. Vamos ter de sentar com o varejo, com os supermercados, para alinhar esta questão e ver quais os custos para equilibrar esta cadeia para todo mundo ter resultado na atividade”, expõe.

Liquidez de mercado

Especialista em agronegócio, João Luiz Raimundo Nogueira afirma que os preços das commodities dos grãos estão nos níveis mais altos da história. “O milho a R$ 98 é algo que não poderíamos imaginar um ano e meio atrás, bem como a soja a R$ 162 a saca. Isso é devido à altíssima liquidez nos mercados interno e externo. Exportou-se muito no ano passado e neste ano o ritmo segue. O consumo interno aumenta, mesmo que a exportação tenha subido, pois tais insumos são usados na produção de carnes, lácteos e outros. Além do mais, países como a China não são autossuficientes na produção de insumos como milho e soja para atender a própria demanda na produção de carnes”, explica.

Nogueira destaca que Brasil e Estados Unidos se tornaram referências de produção para a China, assim como o Norte da África, para quem o Brasil exporta. “Temos no mercado uma liquidez sem precedentes, então não sabemos onde vai parar. O custo para quem produz carne e leite está muito elevado. Nós temos de levar em consideração na cadeia alimentar a produção, transformação e o consumidor que está dentro dessa cadeia alimentar, seja o externo, mas sobretudo o consumidor interno. Temos dificuldades em relação aos insumos básicos para produtos com maior valor agregado, o que gera mais empregos e renda, algo que precisamos muito no Brasil”, evidencia.

O complexo de produção nacional tem muita qualidade, avalia o especialista. Prova disso, aponta ele, é que o frango brasileiro é exportado para mais de 150 países. “Mas estamos com problema no abastecimento interno, que está chegando até o bolso do consumidor, que também faz parte dessa cadeia. Se torna sério porque a renda está baixa devido à pandemia do coronavírus e ao desemprego. Há um mês a Confederação Nacional do Comércio divulgou pesquisa na qual 63,3% das famílias brasileiras estão endividadas, e com dívida o consumo cai. No setor leiteiro, por exemplo, em que não existe exportação, há uma barreira na hora que chega ao consumo. O produtor é pressionado por baixo com consumo elevado e você tem uma demanda restrita pela baixa renda no mercado interno”, analisa.

Disparidade

Ele comenta que os preços pagos pelo suíno e frango aos produtores não acompanham o aumento de valores dos insumos. “Isso mostra que devemos cuidar um pouco mais dos nossos insumos. É preciso haver mecanismos para segurar parte dos insumos para o nosso abastecimento sem custo tão elevado na produção de carnes. Esse peso fica para os produtores de carnes. Os frigoríficos devem melhorar essa questão e o governo federal deve trabalhar melhor os estoques reguladores, assunto no qual historicamente há desempenho muito bom. Porém, de alguns anos para cá foi abandonada essa política de estoque regulador, que em momentos difíceis com escassez o governo abre mão dos estoques através de leilões, e com preço mais acessível ao pequeno produtor é possível reduzir um pouco as dificuldades que o produtor passa em momentos como este”, salienta.

De acordo com o especialista, não há como mensurar quanto tempo vai durar esse cenário, no entanto, tudo sinaliza que 2021 terá alta liquidez desses produtos nos mercados nacional e internacional em virtude da demanda. “Portanto, vamos passar por um ano muito difícil. Dependemos e muito dessa safra de milho que está em curso, todavia o clima seco é um problema e isso vai influenciar muito os preços. A safra de milho é importantíssima para o abastecimento interno. Além da safra norte-americana, que deve ser semeada entre o final de abril e o início de maio”, menciona.

Até a semana passada, informa Nogueira, regiões nos Estados Unidos apresentavam dificuldades de semeadura em virtude do clima muito gelado. “Precisamos acompanhar a nossa safra de milho que ainda tem caminho longo a ser percorrido, e com clima seco que preocupa, além da safra americana”, enaltece.

Essas variáveis que chegam aos agentes de mercado dão suporte aos preços. “Os três fatores são demanda aquecida, estoques baixos e clima que afeta a nossa safra de milho. Falta chuva e o mercado trabalha com essas informações, deixando o preço sustentado. Em função disso também há a expectativa da safra americana. A Argentina também está no radar dos grandes consumidores de milho, soja e trigo. E hoje os produtores de carne estão de olho no trigo para substituir o milho na formulação de rações”, comenta o especialista.

Ele espera, assim como todos os produtores da região, que o clima colabore daqui para frente. “É urgente que nos próximos dez dias ocorram chuvas de forma mais abrangente no Oeste”, frisa.

Fonte: O Presente
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado Interno

Com oferta limitada, preço do leite reage e sobe 2,3% em abril

Esse valor é recorde para um mês de abril e supera em 28,4% o registrado no mesmo período de 2020

Publicado em

em

Divulgação

Depois de acumular queda de 10,7% no primeiro trimestre do ano em termos reais (dados deflacionados pelo IPCA de março/21), o preço do leite captado em março e pago aos produtores em abril subiu 2,3% na “Média Brasil” líquida, chegando a R$ 1,9837/litro. Esse valor é recorde para um mês de abril e supera em 28,4% o registrado no mesmo período de 2020.

Segundo pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a inversão na tendência do preço se deve a um cenário de oferta limitada de leite no campo. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) caiu 3,7% de fevereiro para março e já acumula queda de 8,8% desde o início deste ano.

Tipicamente, a partir de março, verifica-se redução no volume de chuvas e, consequentemente, menor disponibilidade de pastagens – cenário que prejudica a alimentação do rebanho e a produção de leite no Sudeste e Centro-Oeste. Assim, o avanço da entressafra da produção leiteira é, sazonalmente, um fator de desequilíbrio entre oferta e demanda e, portanto, de elevação de preços entre março e agosto. Contudo, neste ano, essa situação tem sido agravada por conta da valorização considerável e contínua dos grãos, principais componentes dos custos de produção da pecuária leiteira. Pesquisas do Cepea mostram perda substancial na margem do produtor nos últimos meses, o que tem freado investimentos na atividade, prejudicado o manejo alimentar dos animais e estimulado o abate de vacas.

Com a oferta de leite limitada, a competição das indústrias pela compra de matéria-prima se acirrou em março, levando, por conseguinte, à retomada dos preços pagos ao produtor em abril. As negociações do leite spot se elevaram nas duas quinzenas de março, e a média mensal superou em 10,4% a de fevereiro/21.

Nesse contexto, as indústrias tentaram repassar as altas nos preços dos lácteos negociados. A pesquisa do Cepea realizada com apoio financeiro da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostrou que os preços médios mensais do leite UHT e do leite em pó negociados junto ao atacado de São Paulo subiram 7,5% e 7,6%, respectivamente, de fevereiro para março. No caso do queijo muçarela, o movimento de valorização se intensificou a partir da segunda quinzena de março, de modo que, na média mensal, a tendência de alta não foi observada, e o preço do lácteo caiu 5% na mesma comparação (dados deflacionados pelo IPCA de março/21).

O setor lácteo atravessa um momento delicado: de um lado, os custos de produção elevam o preço do leite no campo e as indústrias precisam manter preços atrativos aos seus fornecedores; de outro, a grande pressão dos canais de distribuição dificulta o repasse da valorização da matéria-prima ao consumidor, que, por sua vez, está com menor poder de compra, diante do atual contexto econômico.

Apesar de haver, portanto, uma tendência de retomada dos preços do leite no campo, esse movimento de valorização deverá acontecer de forma comedida, sendo possivelmente freado pela demanda fragilizada.

Fonte: Cepea
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Sanidade Vegetal

Brasil desenvolve primeira soja com tecnologias para manejo de percevejo e ferrugem

Cultivar reduz o uso de químicos, diminuindo custos e impactos ambientais, além de despertar interesse do mercado orgânico

Publicado em

em

Divulgação/Embrapa

Pesquisadores brasileiros desenvolveram a primeira cultivar de soja do País com as tecnologias Block e Shield embarcadas, ou seja, possui resistência à ferrugem asiática da leguminosa – a mais severa doença dessa cultura – e tolerância ao percevejo, considerado uma das principais pragas do setor. A nova soja BRS 539 já está disponível para a safra 2020/2021.

Desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a Fundação Meridional, a BRS 539 é uma soja convencional que agrega a tecnologia Shield, linha de cultivares de soja que apresentam genes de resistência à ferrugem-asiática, oferecendo uma proteção extra para o produtor. A tecnologia não dispensa o uso de fungicidas, mas proporciona maior segurança no manejo da ferrugem da soja. “A cultivar Shield é uma ferramenta genética importante no contexto do manejo integrado. Essa tecnologia proporciona maior eficiência e segurança ao manejo químico da doença”, explica o pesquisador da Embrapa Soja Carlos Lásaro Pereira de Melo.

Outro diferencial é que a BRS 539 é do portfólio da tecnologia Block, presente apenas nas cultivares Embrapa. “As cultivares BRS com essa genética ampliam a proteção da lavoura ao ataque dos percevejos que sugam as vagens e os grãos de soja, provocando perdas de qualidade e produtividade. Apesar de não dispensarem o uso de inseticidas, as cultivares Block permitem melhor convivência com os insetos no campo”, explica Melo.

Características

Além de aliar as tecnologias Shield e Block, a cultivar apresenta alto potencial produtivo e manutenção de estabilidade de produção. Em testes experimentais realizados por três safras, em diferentes ambientes de produção das macrorregiões sojícolas (1 e 2), a BRS 539 mostrou altas produtividades. “Inclusive apresentou, em alguns desses ambientes, potencial produtivo acima de 90 sacas/ha (ou 5.400 kg/ha), superando as cultivares mais produtivas do mercado com as quais foi comparada”, relata Melo. Na safra 2019/2020, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a média de produtividade da soja brasileira foi de 3.379 kg/ha.

O pesquisador Rafael Petek reforça ainda que essa cultivar é convencional (não transgênica) e pertence ao grupo de maturidade 6.1. “É uma cultivar precoce, que permite semeadura antecipada, viabilizando plantio do milho safrinha na melhor época, nas regiões de indicação da cultivar na macrorregião sojícola 2 (Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul) e viabiliza a sucessão/rotação com culturas de inverno na macrorregião 1 (Paraná, Santa Catarina e São Paulo)”, detalha Petek ressaltando que a cultivar, além da ferrugem, também é resistente a outras doenças da soja como: cancro da haste, mancha “olho-de-rã”, podridão parda da haste, podridão radicular de Phytophthora e moderadamente resistente ao oídio e ao nematoide-das-galhas (Meloidogyne javanica).

Interessante à produção orgânica

A BRS 539 pode atrair o interesse dos produtores de soja em sistema orgânico, porque além de ser não transgênica, as características desse lançamento facilitam o manejo fitossanitário de pragas e doenças, portanto, podem reduzir o uso de químicos. “Dessa forma, entendemos que a BRS 539 pode viabilizar o cultivo do grão orgânico e ainda agregar mais rentabilidade ao produtor de soja orgânica”, destaca Melo.

Por ser uma cultivar convencional, a BRS 539 pode ser comercializada por trades brasileiras e internacionais para diferentes nichos de mercado que demandam soja não transgênica. A Integrada Cooperativa Agroindustrial, presente há 25 anos em 50 municípios do Paraná e de São Paulo, conta com cerca de 11 mil cooperados e é um dos exemplos que mantém um programa de bonificação para a soja convencional. Em 2020, a Cooperativa gerou 1,3 milhão de sacas de soja convencional, o que representa entre 5% e 6% do total de recebimento e pagou R$ 6,00 a mais por saca recebida. “Esse é um programa que existe há mais de 20 anos na cooperativa, de extrema importância para a Integrada porque cria fidelização e gera valor ao cooperado”, explica o gerente comercial da Integrada, Alcir Antônio Chiari.

Parceria

De acordo com Ralf Udo Dengler, gerente-executivo da Fundação Meridional, esse é um dos lançamentos que traz inovações tecnológicas. “Tanta inovação só é possível devido à expertise da equipe técnica e à variabilidade genética do Banco Ativo de Germoplasma, localizado na sede da Embrapa Soja, em Londrina”, ressalta Dengler. “Há 21 anos, temos muito orgulho de sermos parceiros fortes e atuantes nesse trabalho, que oferece aos produtores um portfólio completo de cultivares em todas as plataformas (convencional, RR e Intacta), com elevado rendimento (conceito TOP 5000), sanidade, estabilidade e adaptação às mais diferentes condições de solo e clima”, declara o executivo.  A Fundação Meridional atua em sete estados brasileiros (SC, PR, SP, MS, MG, GO e MT), por intermédio de 38 produtores de sementes.

Desempenho a campo

Produtores que usaram as sementes da BRS 539 em testes de avaliação comprovaram a alta performance dessa cultivar. A Sinovatec Produtos Agrícolas, de Medianeira (PR), por exemplo, avaliou 11 cultivares e a BRS 539 foi a campeã desse ensaio, indicando a relevância das tecnologias Shield e Block presentes na cultivar. Além de apresentar o rendimento mais elevado, de 78 sacas/ha, não houve necessidade de aplicação de fungicida e nem de inseticida, o que mostra o elevado potencial de sanidade da nova cultivar. Além de produzir mais, também impacta no custo de produção, porque reduz os gastos com produtos químicos.

A nova cultivar também apresentou seu excelente desempenho na propriedade do produtor Fabio Von Gaevernitz Tanja, de Cambira (PR), nesta safra 2020/21. Tanja semeou a BRS 539 em um hectare da propriedade para avaliar seu desempenho e o resultado foi surpreendente, com rendimento de 85 sacas/ha.

Fonte: Embrapa Soja
Continue Lendo
Boehringer webinar

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.