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Manejo fitossanitário, mercados e serviços ambientais em sistemas produtivos intensivos

Em sistemas intensivos de produção, o uso intensivo do solo, com cultivos sucessivos, reflete diretamente na população de nematoides e ocorre no ambiente edáfico.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Os dois últimos painéis do 2º Simpósio de Sistemas Intensivos de Produção (II SIP), realizado na última quinta-feira (17), em Campo Grande (MS), foram sobre manejo fitossanitário e sobre mercados, serviços ambientais e certificações, respectivamente, por meio de palestras e finalizadas com mesas redondas para serem debatidas com o público. São temas que interferem diretamente nos sistemas de produção intensivos.

Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Asmus – Foto: Rodrigo Alva

Os palestrantes do painel sobre manejo fitoassanitário o pesquisador Guilherme Lafourcade Asmus, da Embrapa Agropecuária Oeste; a pesquisadora da  Embrapa Arroz e Feijão, Eliane Dias Quintela, e o sócio-proprietário da Kasuya Inteligência Agronômica, Luiz Henrique Kasuya .

O pesquisador Asmus fez um panorama sobre a situação atual brasileira com relação a perdas na agricultura devido à grande incidência de nematoides nas culturas: “Acredita-se que se perca 22 milhões de reais devido aos nematoides, somando diversas culturas, no Brasil”.

Segundo Asmus, em sistemas intensivos de produção, o uso intensivo do solo, com cultivos sucessivos, reflete diretamente na população de nematoides e ocorre no ambiente edáfico. “Vão ser maiores ou menores de acordo com a modelagem que se dá ao sistema”. Há duas linhas em manejo de nematoides: uma delas é não permitir que a população aumente (exemplo: algodão com soja resistente, algodão com braquiária, algodão com milho), a outra é aumentar a tolerância a nematoides no sistema como um todo.

Em seguida, a pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Eliane Dias Quintela, falou sobre o manejo de pragas em sistemas intensivos de produção. “Atualmente, o que existem são pragas de sistemas e não mais pragas de culturas”, avaliou. A recomendação é manejar o sistema o ano inteiro.

Há também os inimigos naturais, que provocaram a redução das pragas. “O principal componente do MIP [Manejo Integrado de Pragas] é conservar os inimigos naturais. Temos mais de 1 milhão de insetos e somente 5% deles são pragas”, alertou Eliane. Ela também disse que o produtor precisa conhecer os insetos, a capacidade de recuperação da planta, além de observar os níveis de controle das pragas a fim de reduzir a quantidade de inseticidas e de usar os inseticidas de forma criteriosa.

Já o sócio-proprietário da Kasuya Inteligência Agronômica, Luiz Henrique Kasuya, falou da necessidade de corrigir o solo, fazer a interação entre os nutrientes e saber exatamente como combinar e equilibrá-los para o bom manejo fitossanitário. “Isso é o que faz produzir bastante”, disse. Além disso, levar em consideração o ambiente de produção: radiação solar, rizosfera (ambiente em volta das raízes), temperatura, formação de perfil de solo pra que desenvolva raiz, água.

Serviços ambientais

No último painel do dia, Luiz Pradella, vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) falou sobre o uso e cobertura do solo na região Oeste da Bahia durante o Painel sobre mercados e serviços ambientais. “Tudo pode ser melhorado a cada dia que passa”. A Aiba possui 1300 produtores, ocupando uma área de 200 mil irrigados na região oeste da Bahia. “Ainda existe a possibilidade de aumentar a irrigação”, garantiu.

Falou da importância dos sistemas integrados de produção, como o Plantio Direto, para reter a água, escalonando o plantio, mesmo em período de veranico. Com 13 anos de SPD, houve aumento de carbono ao solo (0 a 20 cm) no período de 0,8 pontos percentuais – equivalente a queima de 25.197 litros de óleo diesel por um motor.

Clândio Favarini Ruviaro, professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), falou sobre os novos mercados de carbono. O novo mercado permite que se comercialize crédito de carbono. “A implementação de um mercado para negociação de carbono permitirá a distribuição de créditos de carbono gerados pela agricultura”, disse.

Os benefícios de pagamentos de serviços ambientais é que os produtores podem receber para preservar o ecossistema. Oportunidades: programas estaduais e federais que oferecem incentivos para produtores que adotam boas práticas ambientais. “Aguardo é que até o final de 2023 o governo federal edite o decreto de regulamentação de lei que cria a Política Nacional de Pagamento por serviços ambientais”, disse Ruviaro. Entre as vantagens serão o acesso a mercados exigentes, a concorrência mais justa e uma sociedade controlada e protegida.

Henrique Debiase, pesquisador da Embrapa Soja, falou sobre o Programa de Soja Baixo Carbono – PSBC – para agregar valor a soja produzida ligada a sistemas inteligentes. Tem a participação com entradas de mercado com sete grandes jogadores. “É o conjunto de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação que estabelece, implementa e operacionaliza um protocolo de certificação voluntária e de 3ª parte, com embasamento científico e reconhecimento internacional”, explica Debiase.

O pesquisador disse que surgem oportunidades neste contexto. “Diferenciais competitivos, linhas de financiamento e juros diferenciados, títulos verdes e créditos de carbono”, complementou.

Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste

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Sindiavipar, Ocepar e Sindicarne pedem apoio federal para a defesa sanitária no Paraná

Paraná é o maior produtor de carne de frango do Brasil

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Foto O Presente Rural

Em uma ação conjunta, com o Sistema Ocepar e o Sindicarne, o Sindiavipar entregou um ofício ao Ministro da Agricultura Carlos Favaro, durante sua visita ao Show Rural, expressando preocupação com a escassez de profissionais federais para a defesa sanitária no Paraná, maior produtor de carne de frango do Brasil. “Solicitamos ao Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA a disponibilização de mais profissionais qualificados para fortalecer e contribuir com a defesa sanitária estadual. Juntos, precisamos unir esforços e compartilhar responsabilidades para garantir a segurança e qualidade dos produtos avícolas paranaenses”, destaca o presidente do Sindiavipar Roberto Kaefer.

O Paraná é responsável por 34,5% dos abates de frango do Brasil. Os bons índices do estado paranaense também têm reflexo do mercado internacional, com ampliações de vendas à China e abertura para o mercado de Israel.

Fonte: O Presente Rural com informações do SINDIAVIPAR
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Venda de sêmen para pecuária leiteira reage em 2023; queda no segmento de corte desacelera

Arrefecimento das vendas totais de sêmen no ano passado se deve à diminuição na comercialização de doses destinadas à pecuária de corte, que foi de 5,4% entre 2022 e 2023.

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Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

O mercado brasileiro de reprodução animal contabilizou a venda de 22,5 milhões de doses de sêmen (pecuárias de corte e leite) ao longo de 2023, queda de 2,8% frente ao ano anterior (quando 31,1 milhões de doses foram vendidas). Esses dados são resultados de pesquisas realizadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), e fazem parte do relatório setorial Index Asbia, divulgado nesta semana. A Associação representa, segundo estimativas internas, cerca de 98% do share nacional de vendas de sêmen bovino.

Segundo o Cepea/Asbia, a arrefecimento das vendas totais de sêmen no ano passado se deve à diminuição na comercialização de doses destinadas à pecuária de corte, que foi de 5,4% entre 2022 e 2023. Ressalta-se, contudo, que essa retração na venda ocorreu em ritmo menor que a observada em 2022, que foi de 9,33% frente ao pico de negociação observado em 2021. Vale lembrar que, nos dois últimos anos, criadores nacionais têm enfrentado quedas constantes nos preços de comercialização de animais desmamados, o que, por sua vez, resultou em maior ritmo de descarte de matrizes e, consequente, em descapitalização de parte do setor.

Por outro lado, houve recuperação nas vendas de sêmen para o segmento de leite: de 6,44% de 2022 para 2023. De acordo com o Cepea/Asbia, isso se deve ao potencial ritmo de recomposição do plantel de vacas leiteiras, após o descarte exacerbado, em resposta aos consecutivos meses de retração nos preços do leite e à alta nos custos, registrada durante os períodos finais da pandemia. Isso pode evidenciar que, em um momento em que se observa o desânimo de pecuaristas sobre a atividade leiteira, um aumento no consumo de materiais para o melhoramento genético do rebanho aponta uma tendência de tecnificação do setor e possível saída da atividade de produtores com menor nível de tecnologia.

Estimativas realizadas pelo Cepea/Abia apontam que, tomando-se como base dados do efetivo de fêmeas em idade reprodutiva no rebanho nacional, observa-se que o percentual de fêmeas bovinas inseminadas no Brasil mantém-se em patamares acima de 20%, sendo o percentual por segmento de produção de 23,1 para as fêmeas de corte e de 12,3 para as do setor leiteiro. É importante destacar que, em termos proporcionais, os investimentos em uso de tecnologias de melhoramento genético são elevados no caso do setor de pecuária de corte brasileiro, mas ainda tímidos no leiteiro, sobretudo quando comparado a importantes players globais.

Quanto às vendas externas, em 2023 frente ao ano anterior, houve pequena retração de 0,9% nas exportações brasileiras de sêmen. Os países do Mercosul continuam sendo os principais clientes da genética nacional, mas evoluções importantes foram realizadas em 2023, especialmente com a Índia, que, vale lembrar, é berço das raças zebuínas, animais que foram responsáveis pelo início da evolução da produção pecuária no País. Pesquisadores do Cepea/Asbia ressaltam que novos parceiros comerciais para o segmento de genética evidenciam que o Brasil tem deixado de ser um importador de genética para ser um fornecedor da tecnologia.

No geral, observa-se que o uso de tecnologias para o melhoramento genético do rebanho nacional, apesar de ter grande influência das oscilações de preços de mercado, sobretudo das cotações do boi gordo, do bezerro e do leite, ainda está em expansão no País. Quando aplicado de forma técnica e acompanhado de planejamento estratégico adequado, os resultados são positivos tanto nos índices produtivos quanto no financeiro.

Fonte: Assessoria Cepea
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Indústria de alimentos do Brasil gera 70 mil vagas de emprego em 2023

Balanço anual da ABIA revela ainda que o número de trabalhadores diretos atingiu 1,97 milhão, registrando crescimento de 3,7% em relação a 2022. E o faturamento foi de R$ 1,161 trilhão, 7,2% acima do apurado no ano anterior, acompanhando o crescimento das vendas para o varejo e o food service, e das exportações.

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Foto: Marcos Vicentti

A indústria de alimentos no Brasil abriu 70 mil novos postos de trabalho diretos e formais em 2023, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). O montante representa 67% do total de empregos gerados na indústria de transformação. Juntamente os 280 mil postos indiretos, chega-se a 350 mil novos trabalhadores ao longo da cadeia produtiva do setor.

O balanço anual da associação revela ainda que o número de trabalhadores diretos atingiu 1,97 milhão, registrando crescimento de 3,7% em relação a 2022.

Para o presidente executivo da ABIA, João Dornellas, o resultado expressivo pode ser explicado pelo aumento de 5,1% da produção física (totalizando 270 milhões de toneladas de alimentos) e pelo incremento nos investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento, ampliação e modernização de plantas.

Os investimentos alcançaram a cifra de R$ 35,9 bilhões, em 2023, mais de 50% acima do apurado no ano anterior. “O aumento significativo reflete os esforços do setor em impulsionar o crescimento e a competitividade. Além disso, estamos comprometidos em ampliar o espaço que a indústria ainda tem para produzir mais, pois a capacidade utilizada hoje é de 75%”, afirma Dornellas.

Faturamento

O faturamento em 2023 foi de R$ 1,161 trilhão, 7,2% acima do apurado no ano anterior (em termos nominais), acompanhando o crescimento das vendas para o varejo e o food service, e das exportações. O volume corresponde a 10,8% do PIB nacional. Deste total, R$ 851 bilhões foram oriundos das vendas no mercado interno e R$ 310 bilhões das exportações.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As vendas reais totais (mercado interno e exportações) apresentaram expansão de 3,4%. Os principais destaques foram as exportações, que cresceram 5,2% em valor (dólar), alcançando o patamar recorde de US$ 62 bilhões.

No mercado interno, o balanço das vendas reais também se mostrou positivo, com expansão de 4,5%, puxado pelo mercado de food service, que manteve trajetória de retomada, e pelo varejo alimentar.

O presidente do Conselho Diretor da ABIA, Gustavo Bastos, lembra que, apesar dos desafios enfrentados ao longo de 2023, tanto econômicos quanto climáticos, a gestão eficiente das indústrias de alimentos permitiu que a produção se mantivesse robusta. “Mesmo diante dessas adversidades, nossa performance foi, mais uma vez, positiva. Nós nos destacamos não apenas no cenário internacional, mas também garantimos o abastecimento interno, contribuindo assim para a promoção da segurança alimentar de milhões de brasileiros.”

Bolso dos consumidores

Em 2023, o setor enfrentou menor variação de preços de itens como embalagens e combustíveis, o que aliviou os custos de produção de alimentos. Os preços de algumas das principais commodities agrícolas arrefeceram, a exemplo do milho, trigo e soja. Entretanto, outras como o cacau, café e açúcar sofreram aumentos significativos. O índice de preços de commodities da FAO registrou queda de 13,7% em relação ao ano anterior, porém permanece 19,2% acima do patamar de antes da pandemia.

O resultado dessa conjuntura pôde ser percebido nas prateleiras dos supermercados: o IPCA para alimentos e bebidas variou apenas 1,02% em 2023, ante 11,6% no período anterior. “O compromisso com a estabilidade de preços e a busca pela eficiência operacional permitiram que a comida chegasse mais barata à mesa dos brasileiros, o que representa uma contribuição relevante do setor para a queda da inflação. Importante ressaltar que em 2022 havíamos enfrentado aumentos expressivos nos preços dos insumos.”

Exportação de alimentos industrializados

Em 2023, o Brasil se consolidou como o maior exportador mundial de alimentos industrializados (em volume), com 72,1 milhões de toneladas, acima dos Estados Unidos. Isso representa um crescimento de 11,4% em relação a 2022 e de 51,8% em relação a 2019. Em valor, foram US$ 62 bilhões, 5,2% acima dos US$ 59 bilhões apurados no ano anterior e 82% acima do apurado em 2019. As exportações responderam por 27% das vendas do setor e o mercado interno por 73%.

Os principais destaques, em valor, foram produtos de proteínas animais (US$ 23,6 bilhões), produtos do açúcar (US$ 16,0 bilhões), farelo de soja e outros (US$ 12,6

Foto: Ari Dias

bilhões), óleos e gorduras (US$ 3,6 bilhões) e sucos e preparações vegetais (US$ 2,9 bilhões).

Os maiores mercados consumidores foram a China, com US$ 11 bilhões e participação de 17,7%, comprando principalmente produtos de proteínas animais; seguida dos 22 países da Liga Árabe, com US$ 10,2 bilhões e 16,4% de participação, consumindo produtos do açúcar e de proteínas animais; e União Europeia, com US$ 9,1 bilhões, participação de 14,6% e destaque para produtos do açúcar e farelo de soja.

Dornellas lembra que o Brasil vem se sobressaindo desde o início da pandemia como fornecedor global de alimentos.

“O Brasil tem uma indústria de alimentos muito forte com tecnologia e capacidade de produção para atender o mercado interno e ainda exportar para 190 países, além da condição de expandir essa capacidade. Apesar da nossa liderança como maiores exportadores mundiais de alimentos industrializados, estamos trabalhando para avançar na exportação de produtos com maior valor agregado.”

Fonte: Agência Brasil
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