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Genética como estratégia para a pecuária e papel das redes sociais são os destaques do primeiro dia da InterCorte São Paulo
Evento vai até sexta, no WTC, em São Paulo, e tem mais de 35 horas de conteúdo
Teve início nesta quarta (15/11), a InterCorte São Paulo, o mais consistente evento da cadeia produtiva da carne, que vai até sexta (17), no WTC Events Center, na capital paulista. Com dois auditórios e um espaço para degustação de carne, a InterCorte São Paulo reúne uma série de iniciativas de diversos grupos que fazem a pecuária do dia a dia e pensam no futuro da atividade.
Para o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, que esteve na abertura do evento, o fortalecimento da sustentabilidade da atividade é o que vai nortear todos os debates da pecuária daqui para frente. “O Brasil aceita o desafio de demonstrar que produz proteína animal com sustentabilidade. Somos vanguarda dessa economia de baixo carbono, da economia verde e o nosso setor de proteína é exemplar nesse sentido. A InterCorte dá grande espaço para discussões de sustentabilidade e de genética, que é um aspecto fundamental para a produtividade”, ressalta Jardim.
O diretor executivo da Acrimat – Associação dos Criadores de Mato Grosso, Luciano Vacari, representando os estados pelos quais a InterCorte passou este ano, destacou o papel de eventos como esse superar as crises por que o setor passou. “Somos grandes entusiastas desta iniciativa porque entendemos que através de eventos como a InterCorte que vamos conseguir superar os desafios. 2017 foi um ano de provação para a pecuária brasileira, tivemos inúmeros desafios, uns maiores do que os outros e saímos ilesos. Foi um ano em que a credibilidade brasileira foi colocada em xeque e que, apesar de tudo, as exportações brasileiras bateram recordes em cima de recordes. Foi um ano que, sem dúvida alguma, vai entrar para a história da pecuária do Brasil”, afirma Vacari, que anunciou que a edição de 2018 da InterCorte será aberta em Cuiabá nos dias 12 e 13 de abril, finalizando com a realização do Festival Braseiro, um dos maiores do Brasil de churrasco, no dia 14.
“Caminhos da genética” destaca reflexos da escolha correta na qualidade da carne
Quase 10 horas dedicadas a debater e enfatizar a importância da genética no processo de produção da pecuária. Assim foi o primeiro dia de palestras da InterCorte São Paulo. Mais de 30 debatedores participaram dos seis blocos do painel “Caminhos da Genética”, um desdobramento do projeto “Caminho do Boi”, iniciativa criada para que os visitantes simulem o trajeto realizado pelo animal de corte, desde a fazenda até o varejo. A cada edição da InterCorte São Paulo, uma dessas etapas será aprofundada, começando pela genética.
Temas como as aplicações práticas do melhoramento genético, o impacto no uso de animais melhoradores selecionados em testes de desempenho e eficiência alimentar, o uso da genômica no campo, produtividade, lucratividade e sustentabilidade na utilização de animais melhorados e a reprodução foram o norte para os debates e apresentações, que mostraram aos presentes a importância estratégica e a influência de uma boa escolha genética na qualidade da carne a ser comercializada.
“Atingimos o nosso objetivo que era falar de genética e mostrar a importância para o criador. Começamos com a avaliação visual e finalizamos com reprodução, passando por todas as ferramentas disponíveis para o desenvolvimento de um programa de melhoramento genético. Conseguimos mostrar aos participantes que precisamos pensar no negócio como um todo, dando o mesmo peso para todas as etapas”, analisa Renata Helena Branco Arnandes, Diretora Técnica de Departamento do Instituto de Zootecnia – IZ, um dos parceiros do “Caminhos da Genética” na InterCorte São Paulo.
“Precisamos nos preparar, quase que dobrar nossa produtividade para acompanhar o crescimento da população até 2050. Temos um espaço muito grande para o país como produtor de alimento e não conseguimos atender essa necessidade se não falarmos de genética”, finaliza a pesquisadora.
Uso das redes sociais em prol da pecuária é tema de painel
A manhã do primeiro dia da InterCorte São Paulo reuniu líderes de grupos criados para debater e trocar informações sobre a pecuária nacional, além de formadores de opinião do setor no painel “Importância das redes sociais para a melhoria da pecuária e seus líderes”, realizado no auditório “Caminhos do Boi”.
Participaram do painel Wagner Pires, do Grupo de Pastagem Sustentável, Oswaldo Furlan Junior, do GPB (Grupo Pecuária Brasil), Daniel Pagotto, da Tratto Consultoria, Luís Felipe Moura Pinto, do Pasto On Line, Rodrigo Albuquerque, do Beef Radar, Erika Bannwart, do GPB Rosa e NFA – Núcleo Feminino do Agronegócio e Vanessa Sabioni de Almeida, do Agro Mulher.
Na abertura do painel o moderador Daniel Pagotto apresentou dados de uma pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio, que mostra a evolução do acesso ao ambiente digital entre os pecuaristas. Segundo o levantamento, em 2017 cerca de 61% dos pecuaristas possuem smartphone, um cenário bem diferente de 2013, quando apenas 17% deles tinham acesso a essa tecnologia. A pesquisa ainda mostrou que em 2013 apenas 47% dos criadores acessavam mensalmente alguma rede social e em 2017 esse número subiu para 77%, sendo que 96% desse total utilizam WhatsApp e 67% o Facebook.
“Esses dados mostram que as pessoas da pecuária precisam estar atentas e adaptadas para as atualizações do mundo digital, principalmente para movimentos como os grupos de discussões nas redes sociais, que auxiliam muito o desenvolvimento do setor no país”, afirma Pagotto.
Wagner Pires, administrador do grupo de Pastagem Sustentável, que possui hoje mais de 270 participantes, destacou que existe atualmente uma interação muito grande entre os pecuaristas nas redes sociais, sendo difícil ficar de fora desse mundo digital. “Hoje a necessidade de informação é grande, mas a de compartilhar é ainda maior. Não existe mais a possibilidade de um técnico ou pecuarista guardar para si suas experiências e dificuldades. As redes sociais possuem um papel fundamental para difundir e compartilhar os resultados”, destaca Wagner.
Para Furlan, do GPB, os grupos são uma forma fundamental de unir a cadeia, pois fomentam a troca de informações entre participantes. “Não devemos instaurar a rivalidade entre os grupos, mas, sim, nos unir com propósitos em comum, buscando a união do setor em prol do desenvolvimento comum da pecuária brasileira”, explica.
Profissionais da Pecuária Sustentável
Ainda no primeiro dia da InterCorte foib realizado o evento "Caminhos para a Pecuária Sustentável”, promovido pela Associação dos Profissionais da Pecuária Sustentável (APPS), com palestras sobre boas práticas e bem-estar animal, nutrição, pastagens, melhoramento genético e reprodução e sanidade.
Fonte: Ass. de Imprensa

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Aurora Coop amplia frigorífico em MS e eleva abate de suínos em 60%
Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste
A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi
O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.
A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.
Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.
Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.
Impacto regional
Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa
O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.
Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.
O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.
Indústria mais automatizada
As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.
Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.
A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.
Homenagem a Canton
Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.
Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.
A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.
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Óleo de soja lidera altas do complexo com suporte do petróleo e biocombustíveis
Commodity registra forte valorização impulsionada por tensões geopolíticas e expectativas de aumento de mandatos de biodiesel, enquanto farelo avança de forma mais moderada, segundo a Consultoria Agro Itaú BBA.

O óleo de soja foi o principal destaque do complexo soja em maio, encerrando o mês com forte valorização impulsionada pelo avanço do petróleo e pelas expectativas de aumento de mandatos de biocombustíveis. Já o farelo teve desempenho mais moderado, pressionado pela ampla oferta global, enquanto as exportações dos derivados seguiram em ritmo firme.

Foto: Divulgação/Coamo
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o óleo de soja negociado em Chicago superou US$ 77 por libra-peso no fim de maio, sustentado por compras expressivas de fundos e pela escalada do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Também influenciaram o mercado as expectativas de ampliação de mandatos de biodiesel, como o B50 na Indonésia a partir de 1º de julho e as discussões sobre o B15 na Malásia.
No encerramento do mês, a queda do petróleo diante da expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu parte dos ganhos do óleo de soja. Ainda assim, o produto fechou maio com alta média de 8,3%, mantendo a liderança de desempenho dentro do complexo.
O farelo de soja teve avanço mais contido, com alta de 1,3% na CBOT, para US$ 329 por tonelada. O resultado reflete a ampla disponibilidade global do produto e o esmagamento recorde na América do Sul, que ampliou a oferta no mercado internacional.

Foto: Divulgação
No Brasil, os preços do farelo em Mato Grosso seguiram direção contrária à bolsa americana. Em Rondonópolis (MT), houve recuo de 3,8% em maio na comparação com abril, para R$ 1.525 por tonelada, influenciado pela oferta interna elevada e pela valorização do real.
As exportações do complexo soja mantiveram forte desempenho. Em maio, os embarques de farelo cresceram 7,7% frente a abril, enquanto os de óleo subiram 22%. No acumulado do ano, as exportações de farelo avançam 4,6% e as de óleo registram alta de 40,9%.
O cenário é sustentado pela combinação de oferta abundante, maior processamento doméstico e demanda externa consistente. A procura internacional por farelo segue firme, com destaque para países da Ásia e da Europa. Já no caso do óleo de soja, o aumento da produção decorrente do maior esmagamento, somado a uma demanda ainda abaixo das expectativas, tem permitido ao Brasil ampliar seus embarques ao exterior.
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CBNA defende formulações mais flexíveis para reduzir dependência de milho e soja
Diversificação de ingredientes, processamento industrial e inteligência artificial ganham espaço para elevar a eficiência produtiva.

O atual cenário de instabilidade geopolítica e a volatilidade nos preços de grãos e insumos têm levado empresas da cadeia de produção animal a buscar novas estratégias para reduzir custos e aumentar a eficiência produtiva. Tradicionalmente baseada em milho e farelo de soja, a formulação de rações passa a incorporar discussões sobre diversificação de matérias-primas, melhor aproveitamento nutricional e tecnologias aplicadas ao processamento industrial.

Médico-veterinário e presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg: “A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo de produção”
O médico-veterinário e presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg, lembra que a alimentação representa aproximadamente 70% do custo de produção de aves e suínos, o que torna a eficiência nutricional um fator decisivo para a competitividade do setor.
“A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo de produção. O papel do nutricionista é justamente encontrar ajustes na formulação que permitam manter o desempenho dos animais e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência econômica”, afirma Miltenburg.
Dietas multi-ingredientes
Entre as alternativas discutidas pela indústria estão as chamadas dietas multi-ingredientes, que permitem maior flexibilidade na formulação conforme o comportamento do mercado de commodities. Ingredientes como sorgo, trigo e outros cereais passam a ser considerados em determinados cenários de custo, desde que a substituição mantenha desempenho zootécnico e viabilidade econômica.
“Em determinados momentos é possível utilizar ingredientes com melhor custo sem perder desempenho. A ideia é sair de uma dieta baseada apenas em milho e soja e trabalhar com formulações mais diversificadas, sempre avaliando o custo e o resultado produtivo”, explica Miltenburg.
Apesar das oportunidades, a adoção de novas matérias-primas ainda enfrenta desafios técnicos e logísticos dentro da cadeia produtiva. Questões como disponibilidade de volume, necessidade de armazenagem, adaptação das fábricas de ração e confiabilidade dos dados nutricionais dos ingredientes influenciam diretamente as decisões da indústria.
“Para utilizar novos ingredientes é preciso ter escala e garantir fornecimento. Além disso, as fábricas precisam estar preparadas para trabalhar com mais matérias-primas, o que pode exigir estrutura adicional de armazenagem e manejo”, ressalta o presidente do CBNA.
Aprimoramento do processamento industrial da ração
Além da diversificação de ingredientes, outra frente que ganha força no setor é o aprimoramento do processamento industrial das rações. Melhorias em etapas como moagem, dosagem e peletização vêm sendo apontadas como alternativas importantes para elevar a eficiência sem depender exclusivamente da troca de matérias-primas.
Segundo Miltenburg, o caminho passa por aproveitar melhor os recursos já existentes nas fábricas. “Dentro de casa, o que pode ser feito é um melhor processamento dos ingredientes disponíveis, usando a tecnologia já instalada e tirando o máximo do que temos nas fábricas”, afirma.
Entre os pontos de maior atenção estão a granulometria dos ingredientes e a qualidade dos pellets produzidos nas fábricas de ração. A redução do desperdício, a melhora na digestibilidade e o aumento da eficiência alimentar aparecem como ganhos diretos dessas estratégias.
“Fornecer uma granulometria adequada contribui para maximizar a eficiência de digestão dos ingredientes. E a peletização reduz desperdícios e facilita a ingestão do alimento, o que pode ser traduzido em melhores índices de ganho de peso e conversão alimentar”, explica.
Decisões integradas
Na avaliação do zootecnista e membro da Diretoria Técnica do CBNA, Fabio Catunda, a busca por eficiência produtiva exige hoje uma visão mais ampla da cadeia. “Nutrição continua sendo um pilar central, mas resultados consistentes exigem integração com tecnologia, legislação, processamento e gestão. O setor precisa cada vez mais de decisões integradas”, afirma.
A inteligência artificial também começa a ganhar espaço dentro das estratégias da nutrição animal. O uso de ferramentas digitais para análise de dados, interpretação de resultados produtivos e otimização de formulações já faz parte da rotina de algumas empresas da cadeia agroindustrial.
De acordo com o zootecnista e membro da Diretoria Técnica do CBNA, Flavio Longo, o avanço dessas ferramentas deve acelerar a tomada de decisão nas agroindústrias. “A inteligência artificial deixou de ser uma tendência distante e passou a fazer parte da rotina da nutrição animal. A proposta agora é utilizar melhor os dados disponíveis para decisões mais assertivas”, afirma.
Para o setor, o desafio passa não apenas por reduzir custos, mas por equilibrar eficiência econômica, desempenho zootécnico e qualidade final da produção. “O grande desafio é entregar carcaça de qualidade com baixo custo e alta eficiência produtiva. Encontrar esse equilíbrio é o que define a competitividade da cadeia”, conclui Miltenburg.
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