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Frimesa cria estratégias para contratar e reter milhares de novos trabalhadores
A empresa inaugurou recentemente um dos maiores frigoríficos de suínos da América Latina em Assis Chateaubriand, PR, com projeção de abate de 15 mil suínos/dia até 2028

Com uma trajetória de 45 anos no mercado brasileiro de alimentos, a Frimesa Cooperativa Central é reconhecida por sua expertise na industrialização de carne suína e derivados de leite, oferecendo uma gama de produtos de valor agregado ao mercado nacional e internacional. Composta pela união entre as cooperativas agroindustriais Copagril, Lar, C.Vale, Copacol e Primato, a Frimesa exerce um impacto significativo no mercado de trabalho. Suas operações abrangem diversas unidades, incluindo um frigorífico em Medianeira, PR, uma fábrica de queijos e um frigorífico em Marechal Cândido Rondon, PR, e uma unidade fabril de produtos refrigerados em Matelândia, PR. Essas instalações combinadas geram mais de nove mil empregos diretos e envolvem outras 20 mil pessoas em toda a cadeia produtiva, proporcionando valiosas oportunidades de trabalho para a região Oeste do Paraná.
Mil funcionários de uma só vez

Gerente de Gestão de Pessoas da Frimesa, Elisa Fredo: “A Frimesa também oferece subsídios para cursos de graduação e pós-graduação, para que tenhamos sempre profissionais qualificados e preparados para as nossas demandas”
Neste contexto, a Frimesa inaugurou recentemente um dos maiores frigoríficos de suínos da América Latina em Assis Chateaubriand, PR, com projeção de abate de 15 mil suínos/dia até 2028. Diante da necessidade de contratar mais de mil funcionários na etapa inicial da produção, a cooperativa desenvolveu estratégias e processos de seleção para garantir a contratação de profissionais qualificados, estabelecendo parcerias com a Agência do Trabalhador de Assis Chateaubriand e outras cidades vizinhas, que já possuem um banco de currículos cadastrados. “Essa colaboração facilitou o processo de recrutamento, pois permitiu acessar uma base de currículos já cadastrados”, afirma a gerente de Gestão de Pessoas da Frimesa, Elisa Fredo.
Além disso, a cooperativa adquiriu uma plataforma de admissão 100% digital, na qual os candidatos preenchem todas as informações de inscrição e anexam documentos por meio de um aplicativo, utilizando assinatura eletrônica. “Essa abordagem agiliza o processo e evita que os candidatos tenham que se deslocar até a Frimesa durante as diversas etapas de recrutamento. Para facilitar o deslocamento dos colaboradores, a Frimesa também disponibiliza transporte”, ressalta Elisa.
De acordo com ela, a primeira etapa de contratação em Assis Chateaubriand foi concluída com relativa facilidade graças à demanda reprimida de pessoas previamente cadastradas, bem como do aproveitamento de trabalhadores da construção civil que ajudaram na obra da unidade frigorífica e parcialmente migraram para a indústria. No fim de maio, o frigorífico em Assis Chateaubriand já contava com aproximadamente mil funcionários.

Diretor presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek: “A capacitação e atualização constantes dos profissionais são fundamentais para acompanhar as mudanças tecnológicas e atender às necessidades do mercado”
A unidade entrou em operação em meados de março e até final de junho a estimativa é a unidade esteja abatendo cinco mil cabeças/dia. Para isso, as cooperativas filiadas à Frimesa possuem um plano de expansão gradual, com um cronograma para aumentar a produção. “Algumas cooperativas estão construindo granjas para a produção de leitões desmamados, enquanto outras estão investindo em iniciadores e produtores, contribuindo para além de aumentar a oferta também gerar mais empregos no campo. Com isso, até dezembro, teremos capacidade para processar 7,5 mil cabeças por dia de suínos terminados. Essa é a meta que pretendíamos alcançar na primeira etapa, que, inicialmente, estava prevista para 2025. Estamos antecipando em dois anos o cumprimento da primeira fase, que corresponde a 50% da capacidade da unidade”, destaca o presidente da Frimesa, Elias José Zydek.
Parceria
À medida que o frigorífico alcançar sua capacidade total em 2032, estima-se que a Frimesa irá gerar cerca de 8,5 mil empregos diretos somente na unidade. Para lidar com essa demanda de mão-de-obra ao longo dos próximos anos, a cooperativa estabeleceu uma parceria com o Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus de Assis Chateaubriand, com o objetivo de oferecer cursos de aprendizagem aos jovens, que inicialmente serão contratados pela Frimesa como jovens aprendizes e, posteriormente, poderão ser efetivados em diferentes setores, com foco especial na área de manutenção, onde receberão qualificação.
Além disso, a cooperativa planeja contratar estagiários do IFPR, principalmente em áreas técnicas. “Para garantir que os colaboradores estejam sempre qualificados e preparados para as demandas, serão disponibilizados programas de qualificação industrial, inovação, liderança, entre outros, de forma continuada. Também serão oferecidos subsídios para cursos de graduação e pós-graduação, para que tenhamos sempre profissionais qualificados e preparados para as nossas demandas”, pontua a gerente de Gestão de Pessoas.
O superintendente da Divisão Administrativa da Frimesa, Paulo Frandoloso, destaca que, além disso, a cooperativa está colaborando com o plano de expansão e mobilidade do município chateaubriandense, que inclui a implantação de diversos serviços e a construção de moradias. “Essas iniciativas são importantes para atender às necessidades de habitação e atividades sociais decorrentes do aumento da população em Assis Chateaubriand. Já existem iniciativas privadas de lançamento de loteamentos próximos à cidade para suprir a demanda por moradia, o que facilitará e aumentará a migração de pessoas para o município pelas oportunidades de emprego oferecidas pela cooperativa. São iniciativas importantes para atração e retenção dos colaboradores”, enaltece Frandoloso.
Segundo Elisa, haverá um escalonamento de produção progressiva ano após ano e a necessidade de trabalhadores vai acompanhar essa evolução. “Haverá momentos de maior demanda por mão-de-obra, especialmente com a abertura de novos turnos, mas isso está sendo planejado para suprir essa necessidade”, menciona, contando que para ampliar a oferta de trabalhadores, a cooperativa também busca profissionais na microrregião e em municípios no entorno a Assis Chateaubriand, ação essa já realizada nas demais plantas industriais da Frimesa.
Empregos indiretos
Além dos empregos diretos, o frigorífico terá um impacto significativo na região de Assis Chateaubriand, gerando aproximadamente 7,5 mil empregos indiretos. “A Frimesa está empenhada em colaborar com a comunidade local e as autoridades para maximizar os benefícios socioeconômicos dessa expansão, por isso vamos implementar diversas ações sociais, ambientais e educacionais ao longo do tempo, visando beneficiar diretamente a comunidade. Além disso, estão sendo estabelecidos programas de capacitação, em parceria com instituições locais, para preparar a mão-de-obra local e garantir que estejam aptos a aproveitar as oportunidades de emprego geradas pela cooperativa”, adianta Elisa.
A Frimesa também está engajada em participar de reuniões e discussões junto à comunidade local a fim de compreender e atender as demandas do município e da região no seu entorno. “Isso inclui também ouvir os produtores de suínos associados às cooperativas filiadas à central, bem como os motoristas terceirizados envolvidos na logística e distribuição”, expõe Frandoloso, acrescentando: “Essas iniciativas demonstram o compromisso da Frimesa em promover o desenvolvimento socioeconômico local, proporcionando melhores condições de vida e oportunidades de crescimento para a comunidade envolvida”.
Novas contratações
A produção em uma agroindústria como um frigorífico abrange diversas fases e áreas de atuação. Para atender a demanda de funcionários em cada uma dessas etapas, Elisa diz que a cooperativa vai realizar as contratações de forma proporcional às necessidades de cada etapa do processo. “A Frimesa já consolidou a primeira fase, que envolve o suprimento de matéria-prima através dos cooperados. A segunda fase, que inclui o abate, já está em andamento, seguido pelos cortes e industrialização”, informa.
Automação
Como parte de sua estratégia de modernização, a Frimesa adota a automação em suas operações, incluindo o processo de abate, cortes, estocagem e industrialização. Essa incorporação de robôs e tecnologia visa reduzir a dependência de mão-de-obra e melhorar a ergonomia dos processos.
Com a automação, Elisa destaca que se espera alcançar benefícios significativos em termos de eficiência, produtividade e qualidade dos produtos. “Além de otimizar as tarefas, a introdução de processos tecnológicos e a redução da necessidade de mão-de-obra ajudam a aumentar a eficiência operacional. Isso resulta em maior produtividade e agilidade na produção, além de garantir padrões consistentes de qualidade nos produtos finais. A planta da unidade de Assis foi projetada com essa visão em mente, incorporando automação e processos tecnológicos para alcançar esses benefícios”, salienta a gerente de Gestão de Pessoas.
Desenvolvimento profissional
A Frimesa também investe no desenvolvimento profissional e na capacitação de seus funcionários. Dispõe de diversos programas para impulsionar o crescimento e aperfeiçoamento dos trabalhadores como o Programa Conquistar, que oferece oportunidades de início de carreira por meio de projetos como do Jovem Aprendiz, estágio e trainee. Além disso, a cooperativa subsidia a educação formal dos funcionários por meio do projeto de Educação Continuada, que inclui cursos de graduação e pós-graduação.
Internamente, são desenvolvidos programas de qualificação em áreas como metalmecânica, alimentos e tecnologia da informação, preparando os colaboradores para enfrentar os desafios específicos de cada setor. O Programa Crescer, através da Escola de Formação, junto com os projetos de Recrutamento Interno e Germinando Talentos, impulsiona o crescimento profissional e pessoal dos funcionários, proporcionando o desenvolvimento de competências e habilidades essenciais para a ascensão na carreira. “Essas iniciativas são estratégias poderosas para promover o crescimento e o aprimoramento contínuo dos colaboradores, assegurando que eles estejam preparados para enfrentar os desafios do setor agropecuário e contribuam de forma significativa para o sucesso da cooperativa”, salienta Elisa.
Fortalecimento da cadeia produtiva
Conforme Zydek, o objetivo primordial do novo frigorífico é proporcionar o crescimento da produção de suínos dos produtores cooperados nas filiadas, promovendo a diversificação da renda e a agregação de valor na cadeia produtiva. Com essa nova unidade, a Frimesa passará da atual participação de 6% na produção brasileira de carne suína para 14% até 2030, estabelecendo-se como uma das quatro maiores operadoras do setor no país. Além disso, estima-se que o faturamento da empresa cresça de R$ 5,5 bilhões para R$ 12 bilhões neste período, contribuindo para sua consolidação como referência no setor agroindustrial.
O presidente evidencia que a Frimesa tem como compromisso incorporar os princípios de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental em todas as suas operações, incluindo o novo frigorífico e suas estratégias de contratação e produção. “O projeto Suíno Certificado, que abrange todo o sistema de produção de suínos, é baseado no conceito de sustentabilidade e envolve certificação e auditoria nas áreas de meio ambiente, sanidade, trabalho legal, bem-estar animal, gestão e rastreabilidade. Além disso, o frigorífico foi concebido com práticas sustentáveis, como a geração de biometano e CO2 a partir dos resíduos industriais, coleta de água da chuva, reuso de água, geração de energia solar e reflorestamento para biomassa. A utilização de equipamentos com baixo consumo de energia também é priorizada”, elenca Zydek.
Perspectivas promissoras
Diante do crescimento do setor agroindustrial e da busca crescente por alimentos de qualidade, o futuro do emprego nessa área apresenta perspectivas promissoras. Zydek pontua que existe um aumento na demanda por profissionais técnicos e operadores com conhecimentos em eletrônica, tecnologia da informação e análise de dados, uma vez que os processos estão se tornando cada vez mais robotizados e automatizados, exigindo habilidades técnicas específicas. Além disso, há espaço para crescimento de oportunidades na área de desenvolvimento de produtos e inovações nutricionais.
No entanto, o presidente da Frimesa afirma que um dos principais desafios está em garantir que as pessoas estejam continuamente preparadas, uma vez que a tecnologia avança rapidamente e as demandas dos consumidores estão em constante evolução. “A capacitação e atualização constantes dos profissionais são fundamentais para acompanhar as mudanças tecnológicas e atender as necessidades do mercado”, salienta.
Como fazer parte da Frimesa
Para os trabalhadores em potencial que desejam fazer parte da Frimesa e contribuir com o sucesso da cooperativa, Zydek ressalta que são oferecidas oportunidades para aqueles que buscam segurança e têm o desejo de crescer profissionalmente. “O DNA da Frimesa está expresso na sua cultura, que se baseia na cooperação, sustentabilidade, respeito às pessoas, governança transparente e na busca por fazer o que é certo. Ao ingressar na Frimesa, o profissional terá a chance de se juntar a uma equipe motivada e apaixonada pelo que faz. Valorizamos nossos colaboradores e oferecemos oportunidades de desenvolvimento profissional contínuo, por meio de programas de capacitação, educação continuada e qualificação em diversas áreas. Além disso, proporcionamos um ambiente de trabalho seguro, colaborativo e inclusivo, onde todos têm a oportunidade de crescer e se destacar”, frisa.
Ao se juntar à Frimesa, Zydek destaca que o trabalhador estará fazendo parte de uma cooperativa que tem como missão fornecer alimentos de valor para as pessoas, um compromisso que guia as ações diárias da cooperativa.
A edição Especial de Cooperativismo de O Presente Rural pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal
Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de R$ 6,38 milhões.
Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão. O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.
Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.
Desafios para o segundo semestre
Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.
Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo
Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.
Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.
O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.
Potencial de uso da plataforma
O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.
Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.
Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.
Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.
Avanços para o melhoramento genético
As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:
“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje
“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.
Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.
No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.
Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.



