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Faep elenca prioridades e perspectivas para o setor

Planejamento e análises foram apresentados em Assembleia Geral, que contou com a participação de presidentes sindicais e líderes políticos.

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A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) está pronta para avançar em 2023. Ao longo da Assembleia Geral, promovida em 30 de janeiro, a entidade elencou suas prioridades para o ano, entre as quais o Programa de Sustentabilidade Sindical (PSS), e traçou perspectivas para o agronegócio. De quebra, o evento celebrou a coesão do setor agropecuário paranaense, com a participação de 130 presidentes e diretores de sindicatos rurais, do senador Sergio Moro, da deputada federal Rosangela Moro (eleita por São Paulo) e do deputado federal Pedro Lupion (com participação por videoconferência), que assumiu este ano a presidência da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

“Independentemente do cenário, precisamos trabalhar. E o Sistema Faep/Senar-PR vai dar todo o suporte para que os agricultores e pecuaristas paranaenses possam continuar a produzir com conhecimento, tecnologia e segurança jurídica”, destacou o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette. “Tivemos muitas ações e conquistas em 2022, mas o trabalho não pode diminuir de ritmo. Continuaremos atento as causas e prioridades dos nossos produtores, sempre contando com o apoio dos políticos do nosso Estado que representam o setor”, complementou.

Entre os temas prioritários, Meneguette destacou o PSS – lançado em 2018, como forma de estimular sindicatos rurais a buscarem iniciativas que garantam sua autonomia financeira. O presidente do Sistema Faep/Senar-PR anunciou que a entidade vai promover uma série de 10 encontros regionais de liderança rural, além de levar consultoria a 100 sindicatos rurais. Ainda, o programa contará com um encontro de gestores e mobilizadores sindicais para uniformizar procedimentos. Paralelamente, a entidade prevê o fortalecimento da Comissão Estadual de Mulheres da Faep (CEMF), que, até o fim de 2022, já mobilizava mais de 1,7 mil participantes em mais de 50 grupos locais.

O Sistema Faep/Senar-PR também vai continuar a campo com programas importantes, como o Agrinho – que em 2022 premiou mais de 2,1 mil alunos e professores, o Jovem Agricultor Aprendiz (JAA) e o Aprendizagem de Adolescentes e Jovens (AAJ). Uma das novidades do ano é a realização da primeira edição do Prêmio Queijos do Paraná, idealizado em parceria com outras entidades e que tem por objetivo valorizar e contribuir com o desenvolvimento do setor lácteo. Além disso, o Sistema Faep/Senar-PR também terá como foco ações em ESG (sigla em inglês para sustentabilidade, social e governança corporativa) e a continuidade da ênfase em sanidade.

No âmbito político, o presidente do Sistema Faep/Senar-PR apontou a vigilância em relação às novas concessões das rodovias paranaenses. Ao mesmo tempo em que acompanha as negociações em torno da modelagem da licitação, a entidade também está a postos contra o projeto do governo do Paraná, que prevê a criação de um Fundo de Infraestrutura – voltado a custear manutenção de rodovias. Ocorre que, conforme a proposta, os recursos do fundo viriam da taxação de produtos do agronegócio. Após pressão da Faep em novembro de 2022, o governo retirou a urgência do projeto, mas a matéria continua tramitando na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). “Isso é uma discriminação do setor agropecuário. É o confisco da renda do agricultor”, definiu Meneguette. “Político não gosta de movimento de pessoas. E nós vamos nos mobilizar contra essa taxação”, reiterou.

O senador Sergio Moro e o presidente da Faep, Ágide Meneguette – Fotos: Divulgação/Faep

Força no Congresso

A Assembleia Geral do Sistema Faep/Senar-PR evidenciou que o setor estará bem-representado no Congresso Nacional na atual legislatura. Senador eleito pelo Paraná, Sergio Moro se colocou à disposição para representar o agronegócio e destacou importantes projetos que tramitam nas casas legislativas diretamente relacionados ao meio rural. Ao mesmo tempo, o parlamentar se comprometeu a manter a vigilância sobre o governo federal, fiscalizando o Poder Executivo.

“Existe uma série de projetos de interesse do agro no Senado, como o novo licenciamento ambiental; o mercado de crédito de carbono, que pode ser uma fonte de recursos; defensivos agrícolas e pesticidas. Confesso que não sou especialista no assunto, mas estaremos de ouvidos e coração abertos”, disse Moro, acrescentando: “Temos também uma preocupação em relação a evitar retrocessos. Temos que observar os movimentos do governo federal. Podem contar comigo como um aliado na proteção à propriedade privada”.

Deputada federal eleita por São Paulo, Rosangela Moro ressaltou a importância de entidades representativas de classe, responsáveis por defender os respectivos setores e constituir um ambiente de debate com o poder público. A nova parlamentar também destacou o papel do setor agropecuário para ‘pôr comida na mesa das pessoas e do mundo’. “A força desses ambientes de debate é o que a gente precisa levar adiante para implantar políticas públicas”, disse. “No caso do agro, precisamos conjugar tecnologia, segurança jurídica, estabilidade e defesa da propriedade privada. Temos muitos pontos em comum. Contem comigo”, acrescentou.

Deputado Pedro Lupion falou por videoconferência

Deputado federal reeleito pelo Paraná e atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), Pedro Lupion também reforçou sua proximidade com o Sistema Faep/Senar-PR. Ele manifestou preocupação com o que chamou de “desmonte” do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e listou uma série de pautas que vão tramitar no Congresso na atual legislatura que merecem o acompanhamento de perto do setor agropecuário, sobretudo a questão indígena.  “Nosso Mapa deixou de ser o Mapa: perdeu a Companhia Nacional de Abastecimento, perdemos a questão de agricultura familiar, como se só a esquerda tivesse direito de fazer agricultura familiar”, apontou.

E complementou: “Estamos atentos às pautas do interesse do agronegócio, precisamos prosseguir. O que posso dizer é que na Câmara nós elegemos a bancada mais conservadora da história do Congresso e temos a perspectiva de fazer um bom trabalho. Assumo com a responsabilidade de dar continuidade à atuação do deputado Sérgio Souza, de conduzir esta que é a maior e mais forte frente no Congresso”.

Cenário com margens menores

A Assembleia Geral também contou com programação especializada: a palestra “Perspectivas para a economia e para o agronegócio”, ministrada por Pedro Renault, economista do Banco Itaú, e por Guilherme Bellotti, gerente de consultoria agro do Itaú BBA. No campo econômico, Renault apontou que, após atingir o pico de juros e de inflação, a economia mundial dá mostras de que a tendência é de recuo desses índices. As projeções também indicam uma desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) das principais potências, em um cenário de balanço entre oferta e demanda. “Os juros e a inflação parecem ter atingido o pico e ter entrado no início do recuo. Com perspectiva de menor consumo, devemos ter um recuo nos preços das commodities, incluindo soja, milho e trigo”, observou Renault.

Paulo Buso, Meneguette, Renault e Bellotti

O Brasil, no entanto, fechou 2022 com crescimento de quase 3%, superando as metas iniciais. O cenário foi reflexo da reabertura da economia pós-pandemia e de injeções do governo, como auxílios. O ponto negativo foi que isso fez crescer a dívida pública para patamar próximo de 75%.

Bellotti, por sua vez, apontou que a tendência é de que os custos de produção do setor agropecuário sejam menores no ciclo 2023/24, sem que haja quedas significativas nos preços das commodities em relação aos praticados hoje. Os produtores, no entanto, devem ter cautela e se preparar para operar com margens menores. Na agroindústria, o cenário deve ser melhor para quem trabalha com exportações.

“A grande preocupação que temos hoje é que a comercialização no Brasil está bastante lenta. A comercialização deve ser mais concentrada e, por isso, o prêmio vem perdendo fôlego em alguns portos brasileiros”, disse Bellotti. “Devemos ter safra grande de soja, possivelmente teremos uma grande segunda safra de milho. Outro elemento importante é o açúcar. Teremos quantidade grande para ser comercializada e movimentada no Brasil”, destacou.

Patrulha Rural

Sobre o Programa Patrulha Rural Comunitária, o capitão Marcelo Trevisan Karpinski e o sargento Marcos Paulo Nascimento, da Polícia Militar (PM) do Paraná, destacaram dados sobre a iniciativa, que conta com parceria dos sindicatos rurais e da Faep há vários anos, principalmente por meio da produção da cartilha “Segurança Rural”.

Atualmente, a iniciativa tem atuação direta de 230 patrulheiros distribuídos pelo interior do Estado, em um trabalho ostensivo focado na repressão de crimes no meio rural, em sua maioria contra o patrimônio. Por meio de um sistema de grupos de mensagens instantâneas com a participação dos produtores de cada localidade e utilizando ferramentas tecnológicas de geolocalização, as equipes da PM conseguem agir de forma mais efetiva e ágil. Hoje, já existem 5,5 mil propriedades cadastradas nesse trabalho. Cada uma recebe uma placa com dados específicos e um código através do qual a PM consegue identificar e localizar rapidamente aquela propriedade.

Capitão Karpinski destacou parceria com a Faep.

Apesar de o efetivo ainda ser pequeno, existe previsão para contratação de novos policiais, aquisição de viaturas e de novas tecnologias de localização para ainda este ano. Os sindicatos que eventualmente não tenham patrulha rural na sua região podem entrar em contato com a Faep, que faz esta solicitação junto ao governo do Estado. Segundo Meneguette, esse trabalho segue com apoio incondicional da Faep. “Essa questão da segurança precisa da participação de todos”, afirmou o presidente do Sistema Faep/Senar-PR.

Comissão de Mulheres

A vice-presidente da Faep e coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres da Faep (CEMF), Lisiane Rocha Czech, destacou o crescimento da participação feminina no sistema sindical, resultado direto da atuação da CEMF ao longo dos últimos dois anos.

“Queremos fortalecer o nosso sistema de representatividade por meio da inserção das mulheres, aumentando a força política do agro nos municípios, no Paraná e no Brasil. Para isso, precisamos de sindicatos fortes e produtores engajados conosco”, ressaltou Lisiane.

Lisiane Czech elencou ações da CEMF

Em sua fala, Lisiane elencou algumas das ações que fazem parte do planejamento estratégico da CEMF, tais como capacitações, visitas técnicas, eventos e formações de novas comissões locais. Além da notoriedade alcançada no Paraná, a CEMF já vem ganhando visibilidade nacional, consolidando-se como inspiração para Federações de outros Estados, a exemplo de Minas Gerais, São Paulo, Rondônia e Santa Catarina. Recentemente, a Comissão Estadual de Mulheres da Faep também recebeu um convite para compor a coordenação da recém-criada Comissão Nacional de Mulheres do Agro pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que será inspirada na Comissão do Paraná. A coordenadora Simone de Paula assumirá o cargo de segunda vice-presidente.

ESG

A diretora de ESG do Sistema Faep/Senar-PR, Fabiana Campos, apresentou as ações previstas para este ano, inclusive no aspecto de levar informações sobre o tema para dentro das propriedades rurais. Os planos da Faep na área de ESG para esse ano envolvem as ações como cursos para presidentes, funcionários e parceiros de sindicatos rurais, cartilha sobre o tema, peças de comunicação e até dias de campo levando conhecimento sobre ESG aos produtores rurais.

“Os produtores rurais têm sido rotulados injustamente como responsáveis pela degradação do meio ambiente e pelas mudanças climáticas. Precisamos mostrar para o mundo que já fazemos a nossa parte e fazemos direito. Não é justo levarmos essa marca, quando o que ocorre é justamente o contrário”, afirmou, referindo-se a todo trabalho de conservação e respeito às regras ambientais que já existem nas propriedades.

Relatório de atividades

Encerrando a programação da Assembleia Geral, a diretora de Planejamento, Orçamento e Controle (DEPC) do Sistema Faep/Senar-PR, Ana Paula Toledo Machado, apresentou o relatório de atividades de 2022. A dirigente discorreu sobre as principais mudanças e implementações ocorridas ao longo do ano passado, com destaque para o planejamento estratégico do Sistema Faep/Senar-PR e novas ferramentas de gestão.

 

Fonte: Ascom Sistema Faep

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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