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Evento inovador reúne líderes e pesquisadores para debater o futuro dos alimentos
A programação trouxe um panorama sobre a indústria de alimentos, bem como as tendências e perspectivas de futuro, tomando como base as projeções da FAO que estimam que a população mundial crescerá para 8,3 bilhões de habitantes em 2030.

Reunir empresas, universidades, cooperativas e profissionais em prol de oportunidades para o desenvolvimento econômico e social foi o norte do 1º Encontro Alimentos do Futuro, promovido pelo Biopark Educação, juntamente com o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). A programação foi realizada em meados de maio, no Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark), em Toledo, PR.
Neste ano a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a Fundação Araucária e o Biopark firmaram um memorando de entendimento com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) para desenvolver estudos relacionados à produção e ao consumo de alimentos saudáveis. Vinculado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), o Ital é uma referência em ciência aplicada na América Latina para a disseminação de conhecimento no setor.

Fundador do Biopark, Luiz Donaduzzi – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural
A abertura oficial foi conduzida pelo fundador do Biopark, Luiz Donaduzzi, que enalteceu que o Biopark tem o objetivo de mudar a roupagem das universidades, fazendo com que os estudantes que integram esse ecossistema tenham uma formação mais engajada com as necessidades do mercado. “As projeções mostram que a população mundial deve aumentar consideravelmente, desta forma é muito oportuno discutir e buscar novas oportunidades para o desenvolvimento da produção de alimentos. O Biopark é parceiro da sociedade”, afirmou.
A programação trouxe um panorama sobre a indústria de alimentos, bem como as tendências e perspectivas de futuro, tomando como base as projeções da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) que estimam que a população mundial crescerá para 8,3 bilhões de habitantes em 2030, enaltecendo que alimentar este grande número de pessoas é um desafio que precisa ser superado pelos países produtores de alimentos.
Conforme o diretor do Biopark Educação, Paulo Roberto Cordeiro Rocha, o principal objetivo do evento foi ouvir as demandas do setor produtivo, alinhando com as instituições que atuam em pesquisas aplicadas visando a discussão e o entendimento das demandas, para que seja possível direcionar e potencializar esforços em pesquisas que resolvam as deficiências e demandas encontradas. “Esse encontro foi o primeiro passo para que tenhamos, de forma consolidada no Biopark, uma estrutura que consiga estar atenta e atualizada com aquilo que será demandado no futuro na temática de alimentos saudáveis”, ponderou.

Diretor do Biopark Educação, Paulo Roberto Cordeiro Rocha – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural
Paulo Roberto enalteceu que o Biopark investe nesta temática, pois entende que esse é o maior desafio do mundo. “A alimentação é o maior desafio que precisa ser sempre superado e o Paraná, juntamente com o Biopark, querem se colocar na posição de protagonistas neste sentido. Esse encontro foi o start, nas próximas semanas temos uma agenda de reuniões nas quais vamos afinar os projetos que são de interesse coletivo e a partir daí finalizar um planejamento estratégico para então atuar na implantação de laboratórios e pesquisas, para que lá na frente tenhamos produtos que gerem valor à sociedade “, afirmou.
Arranjos de pesquisa
Idealizados pela Fundação Araucária, os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (Napis) consistem em redes colaborativas voltadas para a ativação e consolidação de ecossistemas de ciência, tecnologia e inovação em todo o Paraná. Os Napis mobilizam, de forma integrada, as lideranças das cadeias produtivas locais e regionais, inclusive o terceiro setor, em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento socioeconômico e sustentável do Paraná e do Brasil.
Proteínas de origem vegetal e novas alternativas proteicas dependem de regulamentação

André Dutra mediou a mesa redonda enaltecendo os trabalhos que estão sendo feitos, em prol da eficiência da produção de alimentos – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural
Conforme dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a soja segue como o produto com maior volume colhido no país, com uma produção estimada em 153,6 milhões de toneladas, na safra 2022/2023. Os produtos proteicos de origem vegetal configuram como uma oportunidade para melhorar a produção de alimentos e agregar valor às matérias-primas produzidas em território nacional. Durante o 1º Encontro Alimentos do Futuro foi realizada uma mesa redonda, com a temática “proteínas de origem vegetal e animal”, na qual participaram: André Dutra, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Lícia Lundstedt, chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura, Vivian Feddern, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e Nélida Lucia del Mastro, consultora do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares/Comissão Nacional de Energia Nuclear (Ipen/Cnen).

Lícia Lundstedt, chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura – Foto: Patrícia Schulz
André Dutra iniciou o debate ressaltando o potencial do Brasil na produção de alimentos, visto que atualmente o país é o maior produtor mundial de soja e por meio desta commodity, que é chamada de moeda verde, existe uma grande possibilidade de desenvolver concentrados proteicos, bem como novos produtos e inovações. “Nosso potencial é imenso quando pensamos na possibilidade de produzir os plant based (à base de plantas) e produtos de proteína animal. Para isso, é necessário desenvolver estratégias tecnológicas para utilizar proteínas vegetais na indústria de produtos cárneos”, indica.
Ele destacou também a necessidade de uma Política Nacional das Proteínas Alternativas e informou que a Embrapa está ajudando neste trabalho, junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), na construção desta importante política que visa regulamentar e promover o desenvolvimento e a disseminação de alternativas proteicas no país, adiantando que este documento deve ser lançado ainda neste ano. André finalizou a sua fala enaltecendo a importância de entender a real percepção do consumidor sobre as inovações, visando trabalhar estratégias assertivas de inovação. “A Embrapa tem dedicado esforços para compreender a percepção do consumidor, com projetos voltados para estudar esse aspecto, pois consideramos que entender as demandas de consumo é fundamental para trabalhar de forma eficiente e estratégica”, aponta.

Hugo Caruso, do Mapa, adiantou que a regulamentação do setor de produtos análogos aos animais é prioridade para a pasta – Foto: Patrícia Schulz
O responsável do Mapa pela pasta que está definindo os aspectos regulatórios dos produtos de plant based no Brasil, Hugo Caruso, disse que trabalhar no assunto de regulamentação sobre proteínas de origem vegetal é uma tarefa que está sendo bastante árdua. De acordo com ele, a pasta atua com missão de desenvolver o setor produtivo de alimentos, visando assegurar à população o acesso a alimentos de qualidade, com segurança e sustentabilidade. “Alguns defendiam a ideia de simplesmente proibir e frear a expansão deste mercado, porém nós acreditamos na importância destas inovações e reconhecemos que estes produtos podem ser uma grande inovação para atender as crescentes demandas de alimentos”, expõe.
Hugo reforçou que a regulamentação está prestes a sair do papel e que a população também será chamada para expor seus anseios, por intermédio de um consulta pública, para então definir quais serão as diretrizes a serem seguidas, como por exemplo quais serão as nomenclaturas permitidas. “É importante reforçar que esta regulamentação está sendo muito estudada, com pesquisas internas e externas sobre a percepção do público, bem como saber como está sendo a implantação em outros países, visando uma regulamentação coerente com as demandas do setor, contribuindo de forma eficiente para o desenvolvimento da cadeia produtiva e do consumo”, reforça.
Embutidos mais saudáveis e funcionais

Vivian Feddern, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural
O debate teve continuidade com a exposição da Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Vivian Feddern, que ressaltou as oportunidades e os desafios de melhorar os produtos de origem animal, como os embutidos, deixando os mesmos mais saudáveis e funcionais. “Nosso desafio é melhorar o valor nutricional dos produtos de origem animal, trabalhando em uma genética que beneficie a qualidade nutricional dos alimentos. A ciência está aí para nos ajudar neste importante tarefa”, defendeu.
Vivian também reforçou sobre a necessidade melhorar as exportações e vendas de produtos beneficiados e não in natura, segundo ela, do montante de proteína animal que o Brasil exporta apenas 2% são de alimentos processados e embutidos, o restante são cortes de carne e carcaças inteiras. Ela defendeu a possibilidade de melhorar esta exportação agregando mais valor às exportações, beneficiando os produtos cárneos. “O consumidor ainda tem a impressão de que os produtos embutidos são menos saudáveis, entretanto, nós temos tecnologia e precisamos beneficiar estas matérias-primas”, pontuou.
A chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura, Lícia Lundstedt, também defendeu a importância de melhorar as tecnologias que são utilizadas para a produção de proteína animal, em especial da piscicultura, reforçando que este mercado cresce de forma exponencial e que as perspectivas mostram que o mercado do pescado tende a aumentar ano após ano, por conta dos benefícios nutricionais que esta proteína propicia, bem como o aumento do poder aquisitivo das pessoas. “Nós temos um grande desafio que é dobrar a produção de pescado para conseguir atender às demandas que são preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de consumo de peixe”, mencionou.

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal
Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de R$ 6,38 milhões.
Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão. O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.
Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.
Desafios para o segundo semestre
Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.
Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo
Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.
Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.
O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.
Potencial de uso da plataforma
O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.
Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.
Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.
Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.
Avanços para o melhoramento genético
As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:
“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje
“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.
Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.
No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.
Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.



