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Estudo demonstra que ácido tolfenâmico é eficaz contra a síndrome da disgalaxia pós-parto em suínos (SDP)

A administração de ácido tolfenâmico 4% no pós-parto de leitoas reduziu a mortalidade de suínos durante a fase de aleitamento e resultou em maior ganho de peso nas leitegadas que não foram acometidas por diarreira. Esta foi a minha conclusão da tese de mestrado. O princípio ativo em pauta é uma ferramenta importante contra a síndrome da disgalaxia pós-parto (SDP), patologia disseminada globalmente, que acomete a fêmea suína, principalmente nas criações intensivas, durante o puerpério, sendo uma das principais causas de problemas neonatais com consequências deletérias na fase de lactação.
A síndrome tem como característica principal a hipogalaxia no puerpério e inclui sintomas como febre, mastite e redução no apetite – ainda que os leitões demonstrem sinais de fome. Essa sintomatologia pode variar. Contudo, a grande maioria dos casos não apresenta sinais. Sendo subclínica, a patologia se torna ainda mais preocupante. Afinal, a redução de leite compromete o bem-estar, o desenvolvimento e o desempenho dos animais. Em todos os casos, reduzir a inflamação das glândulas mamárias tem demonstrado impacto positivo na lactação. Para contribuir com a redução dos efeitos da doença sobre a suinocultura, foi realizado estudo para avaliar o efeito de um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) à base de ácido tolfenâmico, como tratamento profilático da síndrome da SDP.
O experimento foi conduzido em granja comercial apenas com leitoas. A amostra de 332 fêmeas foi selecionada considerando: condição corporal, estado geral de saúde, número de tetos viáveis e genética. Os tratamentos foram aplicados de forma aleatória, sendo 157 fêmeas incluídas no grupo tratado e 162 no grupo controle. As avaliações das leitoas e das leitegadas foram realizadas às cegas durante todo o estudo, método comum nas pesquisas científicas para evitar o enviesamento dos resultados obtidos. Assim, os animais do grupo controle não receberam tratamento. Já os que faziam parte do grupo tratado receberam uma única injeção de ácido tolfenâmico após o parto.
Para acompanhar o impacto da doença, todos os leitões da granja (4.466) também foram pesados em três momentos: no dia do parto, em dois horários pré-estabelecidos; no quarto dia após a uniformização; e no décimo oitavo dia.
As leitegadas – nome usual para as ninhadas de suínos – foram avaliadas em relação a peso médio e peso total, ocorrência de diarreia, taxa de refugos e de mortalidade aos 4 e 18 dias de vida. Ao todo, foram 2.198 leitões pertencentes ao grupo tratado e 2.268, ao grupo controle. A partir dessa divisão, em todas as manhãs as fêmeas e seus filhotes foram inspecionados individualmente, com aferição de temperatura retal das mães no primeiro e no terceiro dia após a uniformização. Em igual período, a presença de corrimento vulvar foi verificada e classificada. Todos os dados foram analisados por meio de procedimentos específicos e possuem nível de probabilidade de 95% para suas diferenças. Já as médias de peso dos leitões foram analisadas por covariância, considerando o efeito do peso inicial e a presença de diarreia. As variáveis categóricas foram analisadas por regressão logística.
Após a apresentação da pesquisa, podemos falar sobre resultados. De acordo com o artigo, “o grupo tratado teve 0,41% menos mortalidade até o 18º dia de lactação. Essa taxa aumenta para 4,5% quando analisadas as leitegadas sem ocorrência de diarreia. Nessa categoria, a mortalidade acumulada no dia 18 foi de 4,3% e 8,8% para os grupos tratado e controle, respectivamente. Estes resultados sugerem que na presença de diarreia o tratamento perde seu efeito”. Ainda segundo o estudo, a média de peso dos leitões aos 18 dias em leitegadas sem diarreia foi de 4,949 quilos, comparada a 4,594 kg das leitegadas com diarreia. “Para as leitegadas sem diarreia, o ganho de peso total da leitegada no grupo tratado foi 9,0% maior que o grupo controle. Trabalho similar, utilizando profilaticamente ácido tolfenâmico 4%, relatou ganho de 280g no desmame em leitões filhos de leitoas tratadas.”
A partir desse cenário, podemos afirmar que o ácido tolfenâmico oferece diferentes benefícios no tratamento da disgalaxia pós-parto. Os resultados obtidos com o tratamento profilático injetável à base de ácido tolfenâmico 4% no pós-parto de leitoas sugerem que o princípio ativo proporciona redução da dor e, com isso, ajuda a diminuir o estresse no pós-parto. Esses benefícios podem influenciar positivamente o comportamento maternal, algo que implica maior quantidade de leite e melhor performance da leitegada.
Por André Buzato, médico veterinário, mestre em ciências, produção e sanidade animal pelo Instituto Federal de Santa Catarina e gerente técnico de suínos da Vetoquinol Saúde Animal.

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Master Agroindustrial avança para o exterior com entrada em empresa chilena
Negócio envolve aquisição de ações e criação de sinergias produtivas e comerciais entre as companhias.
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Genética Topigs Norsvin é destaque em premiação internacional de produtividade da Agriness
Companhia celebra pódio no ranking com propriedades parceiras que ultrapassam a marca de 280 quilos desmamados por fêmea ao ano

A 18ª edição do prêmio Melhores da Suinocultura da Agriness, realizada a bordo de um cruzeiro que celebrou os 25 anos da organizadora, reconheceu mais uma vez os números de excelência do setor. O projeto de benchmarking, que analisou dados de 2.689 granjas e mais de 2,4 milhões de matrizes localizadas na América Latina, Europa e Ásia, consagrou a genética Topigs Norsvin como o grande destaque, com produtores parceiros no topo do ranking.

O terceiro lugar dessa mesma categoria foi da Granja Vista Alegre, localizada em Vista Alegre (RS), com o índice de 35,40 DFA.
A avaliação principal do prêmio é baseada no índice de Desmamados por Fêmea ao Ano (DFA). Na categoria para granjas com mais de 3.000 matrizes, o primeiro lugar ficou com a Granja Becker, do município de Quatro Pontes (PR), que alcançou a marca de 38,33 DFA. O terceiro lugar dessa mesma categoria foi da Granja Vista Alegre, localizada em Vista Alegre (RS), com o índice de 35,40 DFA.
O desempenho de alta performance se repetiu na categoria de 301 a 500 matrizes. A Granja Persch, de Cunhataí (SC), garantiu a segunda posição com 38,30 DFA e a média de 281,9 quilos desmamados por fêmea ao ano (kg/DFA) em 2025. Na mesma categoria, a Granja Canal, de Itá (SC), que opera com 70% de genética Topigs Norsvin em sua estrutura, também subiu ao pódio e conquistou o terceiro lugar com 37,94 DFA.

Granja Persch, de Cunhataí (SC), garantiu a segunda posição com 38,30 DFA e a média de 281,9 quilos desmamados por fêmea ao ano (kg/DFA)
O diretor de Negócios e Marketing da Topigs Norsvin, Adauto Canedo, parabeniza a Agriness pelo marco de um quarto de século e pela realização de um evento tão grandioso para a suinocultura. “Os resultados dos nossos parceiros chancelam a eficiência do nosso programa de melhoramento no campo pois entregamos matrizes produtivas e animais robustos. Dessa forma, o produtor converte esse potencial genético em rentabilidade real na granja”, afirma Canedo.
Evolução e reconhecimento
O prêmio foi idealizado em 2006 com foco em promover uma competição saudável e incentivar a gestão eficiente. Atualmente, o levantamento avalia o desempenho de propriedades no Brasil, Argentina, Colômbia e China.
A parceria histórica entre a Topigs Norsvin e a Agriness rendeu uma homenagem especial durante a programação: a companhia recebeu um troféu de reconhecimento pelo fomento e apoio ao desenvolvimento do setor.
“Receber esse troféu tem um significado enorme para o nosso time. A nossa parceria com a Agriness e com os produtores foca em elevar a régua técnica do mercado com resultados reais e sustentáveis, e sermos a única casa de genética reconhecida com essa homenagem mostra que estamos trilhando o caminho correto”, conclui Canedo.
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Reunião Global da PIC reúne especialistas para discutir avanços técnicos na produção de suínos
Encontro internacional da PIC reúne especialistas da área técnica para debater sanidade, genética, biossegurança, inovação aplicada e eficiência produtiva na suinocultura.

A equipe da Agroceres PIC participou, nesta semana, da reunião global de Serviços Técnicos e Desenvolvimento de Produtos da PIC, realizada em Fort Worth, no Texas. O encontro reuniu mais de 250 profissionais de diferentes países. O objetivo foi discutir temas prioritários da suinocultura, como sanidade, genética, biossegurança, sustentabilidade e eficiência produtiva. A programação concentrou debates técnicos sobre os desafios da atividade e também promoveu a troca de experiências entre equipes que atuam diretamente na produção de suínos em diferentes regiões do mundo.
A programação incluiu temas como resistência à PRRS, pesquisa e desenvolvimento, fenotipagem digital, critérios de seleção genética, benchmarking global, robustez de matrizes, qualidade de carne, saúde e biossegurança. Também foram apresentadas iniciativas voltadas à sustentabilidade na produção. Esse conjunto de conteúdos reforçou o caráter técnico da reunião e destacou o valor da troca internacional de experiências para a atualização das equipes envolvidas com genética e produção suína.
Para Amanda Pimenta, gerente de Serviços Técnicos da Agroceres PIC, o encontro é uma oportunidade de alinhar conhecimentos e compartilhar experiências entre equipes que atuam em contextos produtivos distintos. “A reunião reúne profissionais de diferentes regiões e áreas técnicas para discutir os temas mais relevantes da produção de suínos na atualidade”, comenta. “É um espaço importante para troca de experiências, apresentação de desafios, discussão de resultados e atualização conjunta sobre questões que vão de avanços mais amplos, como resistência a doenças, até aspectos técnicos do dia a dia das granjas”, afirma.
Segundo Amanda, ao reunir especialistas de Genética, Serviços Genéticos, Serviços Técnicos, Produção, Boas Práticas de Produção e Bem-estar Animal, o encontro amplia a circulação de conhecimento entre regiões e contribui para qualificar o debate técnico sobre temas que hoje estão na dianteira da evolução da suinocultura mundial.


De acordo com o CEO da Master, Mario Faccin, a operação faz parte do processo de internacionalização da empresa, que já exporta para mais de 20 países. Ele afirma que a associação com a Coexca reforça a estratégia de expansão e integração industrial, além de contar com o apoio do Grupo Vall Companys.