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Estudo demonstra impactos socioeconômicos da recuperação de pastagens pelo Plano ABC
Além da mitigação de emissões, a tecnologia permitiu o aumento da renda do produtor rural e da produtividade nas pecuárias de corte e de leite.

O primeiro estudo sobre a influência do Plano ABC na economia nacional mostra que a tecnologia de recuperação de pastagens gerou um aumento de 0,31% do PIB, o que equivale a R$ 17 bilhões no período analisado entre 2010 e 2018 (com base nas variáveis macroeconômicas a partir de 2015). Os números fazem parte do estudo realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), a partir de edital do Mapa em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
O estudo leva em consideração exclusivamente a tecnologia de recuperação de pastagens, uma das sete implementadas no Plano ABC. Foram considerados 20 milhões de hectares de pastagens recuperadas, identificados em imagens de satélite do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
A diretora de Produção Sustentável e Irrigação do Mapa, Mariane Crespolini, explica que as contribuições da tecnologia são socioeconômicas, já que permitiram, além dos ganhos ambientais, o aumento da renda do produtor rural, do consumo das famílias, dos empregos, dos salários e da arrecadação tributária. Também foram observadas altas da produtividade nas pecuárias de corte e de leite.
“O estudo validou o tripé social, ambiental e financeiro das ações de produção sustentável desenvolvidas pelo Plano ABC. Antes de termos esse resultado, o Plano mostrava a mitigação de carbono. Só que é muito mais do que isso: nós mitigamos carbono, geramos mais empregos, mais impostos. Tivemos um efeito muito positivo na economia e na vida das pessoas. Esse é o verdadeiro sucesso do ABC”, destaca Mariane, que acompanhou o estudo e é doutora em Desenvolvimento Econômico.
Política pública que fomenta a redução das emissões gases de efeito estufa na agropecuária, o Plano ABC ainda é composto por outras seis tecnologias: integração lavoura-pecuária-floresta; sistemas agroflorestais; sistema plantio direto; fixação biológica de nitrogênio; florestas plantadas; tratamento de dejetos animais. Realizado entre 2010 e 2020, o ABC mitigou cerca de 170 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em uma área de 52 milhões de hectares.
Agora, a partir da mesma metodologia, será realizado um estudo para as áreas atendidas com a tecnologia de irrigação do ABC+. Esta é a segunda etapa do Plano ABC, que acrescentou a irrigação como tecnologia para uma produção sustentável no agro brasileiro. A meta é reduzir a emissão de carbono equivalente em 1,1 bilhão de toneladas no setor agropecuário em uma área de 72,68 milhões de hectares até 2030. O valor é sete vezes maior do que o plano definiu em sua primeira etapa na década passada.
Impacto na política agrícola e na sociedade
Já em relação especificamente ao retorno do Programa ABC, o estudo apresentou que o impacto da recuperação de pastagens foi de 56%. O que equivale a 6,5% de valor real ao ano, descontada a inflação. Isso significa dizer que, para cada R$ 1 investido na linha de crédito do Programa ABC, R$ 0,56 retornaram para a economia brasileira.
O Programa ABC é a linha de crédito do Plano Safra com taxa de juros subsidiada para financiar investimentos em tecnologias e sistemas de produção que contribuem para promover uma atividade agropecuária mais adaptada às mudanças climáticas e também mitigadora de gases de efeito estufa.
“O estudo mostra que vale a pena investir num modelo em que a gente disponibiliza uma linha de crédito com taxas de juros mais baixa que as de mercado, e que há um retorno para a economia”, destacou o Secretário de Política Agrícola, Guilherme Bastos.
O estudo ainda confirma o papel das políticas públicas como impulsionadoras de práticas ASG (Ambiental, Social e Governança), o que deve receber um olhar atento pelas empresas em acelerar ainda mais esses resultados, conforme avaliação de Bastos. “É uma situação de ganha-ganha”.
Além das simulações de impactos econômicos e sociais, o estudo também apresentou a intensidade das emissões de gases de efeito estufa. Ao considerar o sequestro de carbono no solo, processo que ocorre em áreas bem manejadas da produção agropecuária, para a pecuária de corte houve uma redução de 9,67% das emissões por quilo de carne produzido. Para a pecuária de leite, a redução foi de 5,86% por litro produzido.
Sem considerar o carbono estocado no solo, a redução de captação de carbono da atmosfera cai drasticamente. Por unidade de produção, o sequestro é de 0,14% para a pecuária de corte e de 0,36% para a pecuária de leite.
Outra observação que o estudo traz é relativo à utilização de mão de obra nas atividades produtivas: a intensificação sustentável da produção exige uma mão de obra mais qualificada, o que é considerado positivo. Porém, complementarmente, são necessárias políticas públicas que promovam a qualificação daqueles trabalhadores que já estavam empregados em sistemas de modelo extensivo, avalia Mariane Crespolini como oportunidade para a ampliação da capacitação no campo.
Metodologia
O estudo se inicia com o isolamento do efeito de ganho de produtividade a partir da avaliação da área recuperada com base de imagens de satélite. Assim, são criados cenários e os pesquisadores fazem um recorte da economia considerando o ganho de produtividade que houve da recuperação das pastagens. A premissa da qual se parte é: como seria se a pecuária continuasse com aquela produtividade sem recuperar o pasto?
Tecnicamente, se isola o efeito de ganho da produtividade da agropecuária na matriz econômica do país. Então o raciocínio deve ser o seguinte: se o produtor produz mais na mesma área, ele acaba utilizando mais insumos, contratando um maior número de profissionais, gerando mais e melhores empregos na região, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos trabalhadores. Isso tudo traz retornos econômicos e sociais para a região.
O processo de análise dos dados envolve os 124 setores da economia nacional a partir de uma matriz baseada no modelo de equilíbrio geral computacional, teoria mundial reconhecida e muito utilizada para mensurar o resultado de políticas públicas.
“Nós aplicamos a política, mensuramos os resultados para podermos realizar os modelos econômicos. É uma questão de avaliar a política desenvolvida, ver os resultados dela na prática para pode melhorar”, finalizou Crespolini.

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Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade começa formação prática em Toledo
Capacitação organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná treina equipes municipais para readequação de estradas rurais, conservação de solo e recuperação de nascentes.

O Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade inicia nesta quinta-feira (16), às 14 horas, em Toledo, a etapa prática de formação de técnicos municipais que atuam no meio rural. O curso será realizado no Centro de Eventos Ismael Sperafico e marca o início das atividades após o lançamento institucional ocorrido em dezembro, em Curitiba (PR).

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
A formação é direcionada principalmente a profissionais das prefeituras envolvidos na operação de máquinas da chamada “linha amarela” e na readequação de estradas rurais. A proposta combina orientação técnica para manejo de solo e drenagem com ações de recuperação de nascentes e educação ambiental.
A coordenação geral do projeto está a cargo de Altair Bertonha. A organização do curso foi estruturada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), que indicaram articuladores locais.
De acordo com o engenheiro agrônomo Samuel Mokfa, o objetivo é alinhar práticas de conservação ambiental às rotinas operacionais das prefeituras. “A proposta é qualificar tecnicamente as equipes municipais para que as intervenções em estradas rurais considerem critérios de conservação do solo, da água e da paisagem”, afirma.
O evento também marca o lançamento de dois materiais didáticos que serão utilizados no curso: um Manual de Boas Práticas e uma

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
história em quadrinhos voltada à educação ambiental. A intenção, conforme a organização, é alcançar tanto técnicos quanto estudantes da rede escolar. “Os materiais foram pensados para traduzir conceitos técnicos em linguagem acessível e apoiar as ações nas comunidades”, menciona Mokfa.
A equipe de instrutores reúne engenheiros agrônomos, agrícolas, ambientais e de produção, além de biólogos, geógrafos e economistas. A abordagem é interdisciplinar e inclui aspectos produtivos, ambientais, sociais e de planejamento público.
O projeto prevê ainda a produção de trabalhos acadêmicos e a criação de uma plataforma digital para registro de demandas dos municípios, com foco na organização das informações sobre intervenções em estradas e pontos críticos de erosão e drenagem.
A cerimônia contará com representantes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), além de lideranças municipais e instituições de ensino superior.
Além da programação presencial, o evento também será transmitido de forma remota pelo link https://meet.google.com/iam-oxvj-bmu, ampliando o acesso e permitindo a participação de interessados de diferentes regiões.
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Mapa e CVM firmam acordo para ampliar financiamento do agro via mercado de capitais
Parceria prevê compartilhamento técnico e ações para facilitar acesso de produtores a instrumentos financeiros fora do crédito tradicional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Comissão de Valores Mobiliários formalizaram um Acordo de Cooperação Técnica com foco na ampliação do financiamento ao setor agropecuário por meio do mercado de capitais.
A iniciativa ocorre em um contexto em que uma parcela relevante dos recursos destinados ao agro já tem origem em operações com títulos e valores mobiliários, como instrumentos de securitização e crédito privado. A parceria busca aprofundar esse movimento, ampliando o uso dessas ferramentas no financiamento da produção.
O convênio prevê o compartilhamento de conhecimento técnico entre as instituições, além do desenvolvimento de diagnósticos, estudos e análises voltadas ao aprimoramento do ambiente de financiamento do setor. Também estão previstas ações para promover o acesso de produtores e empresas agropecuárias ao mercado de capitais.
A coordenação ficará sob responsabilidade da Secretaria de Política Agrícola do ministério, com apoio do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, e da área de securitização e agronegócio da CVM.
O acordo tem vigência inicial de dois anos, contados a partir da publicação no Diário Oficial da União, com possibilidade de prorrogação. A expectativa é que a cooperação contribua para diversificar as fontes de recursos do agro e reduzir a dependência exclusiva das linhas tradicionais de crédito rural.
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Milho se mantém em R$ 69/sc com mercado travado por compradores retraídos
Cotações recuam pontualmente diante de estoques nas mãos da demanda e expectativa de novas quedas.





