Avicultura Em Gramado (RS)
Especialistas defendem programa de biosseguridade com olhar holístico para a produção avícola na abertura da 4ª Conbrasul
De acordo com os debatedores do primeiro dia, para ampliar a proteção do plantel é importante olhar para nutrição, bem-estar e saúde animal.

Biosseguridade, que sempre despontou entre as preocupações da indústria e produção de ovos, ganha importância maior diante do atual cenário, de casos de influenza aviária de alta patogenicidade em aves silvestres no país. Medidas e estratégias para ampliar a proteção do plantel avícola são o assunto da vez e tomou conta das discussões no primeiro dia da 4ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul), que segue até esta terça-feira (20).
No domingo (18), o Módulo Especial Conbrasil Tec Ovos, que abriu a programação, foi uma novidade da organização da conferência, que teve pela primeira vez um painel todinho dedicado a discussões técnicas. Nesta sessão, a mensagem que ficou muito clara é que um programa de biosseguridade eficiente deve ter um olhar holístico para a produção, incluindo o todo, como nutrição, bem-estar animal e saúde animal.
O diretor do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária(Mapa), Eduardo de Azevedo Pedrosa Cunha, abriu a programação com a palestra Panorama da influenza aviária no mundo x Biosseguridade na avicultura brasileira destacando que “o Mapa e o serviço veterinário estadual seguem trabalhando de forma coordenada com instituições e setor privado para a prevenção e eventual enfrentamento da influenza aviária”.
Na sequência, o Chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, destacou os avanços na pesquisa como fator vital para fortalecer a sanidade animal. Ele lembrou as polêmicas acerca do telamento dos aviários no país no passado e seus efeitos positivos nos dias de hoje. “Agora podemos concluir que estávamos corretos na decisão pelo telamento”, destacou.
O responsável pela Área Técnica da Naturovos, Flávio Renato da Silva, debateu “A produção de ovos, prevenção e medidas de biosseguridade”, quando defendeu a importância da qualidade e do bem-estar das aves na produção de ovos. “Para nós, que trabalhamos em granja, quem vem primeiro é a ave. Ela deve ser mais importante que o ovo. Outro ponto importante é a qualidade da matéria-prima para a ração. A qualidade do ovo está diretamente relacionada com a qualidade e a quantidade de ração consumida”.
Na sequência, o responsável por Negócios Sustentáveis da dsm-firmenich na América Latina, Francisco Miranda, apresentou a “Pegada ambiental de um sistema produtor de ovos” nesta tarde. Ele destacou que as emissões relacionadas a ração representam entre 65% e 85% das emissões totais. “Vamos precisar produzir 70% mais proteína animal até 2050. E precisamos saber produzir mais da melhor forma”.
Painel Nutrindo Aves
O Painel Nutrindo Aves, alimentando o mundo seguiu na tarde de domingo com um debate sobre Modulação do microbioma em galinhas poedeiras sob o uso de fibra com o representante da dsm-firmenich, Fernando Cisneros. Logo depois, o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Antonio Bertechini, destacou “Atualizações sobre cálcio e fósforo para poedeiras comerciais. Em seguida, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sérgio Vieira, debateu “Formulação de rações de custo mínimo para a produção de ovos em cenários futuros para preços de milho e soja.
A primeira programação científica da Conbrasul teve o Painel Saúde das aves, saúde das pessoas, com uma apresentação do médico veterinário Diego Menezes de Brito, da Divisão de Saúde Única do Departamento de Saúde Animal do Mapa, sobre o PAN-BR Agro, o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária. O programa técnico foi encerrado com um debate sobre Proteção de ponta a ponta contra enfermidades respiratórias com o representante da MSD Saúde Animal André Luiz Della Volpe.
Sobre o Evento
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro acontece a cada dois anos em Gramado, na serra gaúcha, e reúne decisores da avicultura do Brasil e do exterior.
Em sua quarta edição, o evento vem se consagrando pelo networking que proporciona, e registra crescimento de público e de apoio a cada edição.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



























