Conectado com
VOZ DO COOPERATIVISMO

Avicultura Em Gramado (RS)

Especialistas defendem programa de biosseguridade com olhar holístico para a produção avícola na abertura da 4ª Conbrasul

De acordo com os debatedores do primeiro dia, para ampliar a proteção do plantel é importante olhar para nutrição, bem-estar e saúde animal.

Publicado em

em

Fotos: Rafael Cavalli/Conbrasul

Biosseguridade, que sempre despontou entre as preocupações da indústria e produção de ovos, ganha importância maior diante do atual cenário, de casos de influenza aviária de alta patogenicidade em aves silvestres no país. Medidas e estratégias para ampliar a proteção do plantel avícola são o assunto da vez e tomou conta das discussões no primeiro dia da 4ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul), que segue até esta terça-feira (20).

No domingo (18), o Módulo Especial Conbrasil Tec Ovos, que abriu a programação, foi uma novidade da organização da conferência, que teve pela primeira vez um painel todinho dedicado a discussões técnicas. Nesta sessão, a mensagem que ficou muito clara é que um programa de biosseguridade eficiente deve ter um olhar holístico para a produção, incluindo o todo, como nutrição, bem-estar animal e saúde animal.

O diretor do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária(Mapa), Eduardo de Azevedo Pedrosa Cunha, abriu a programação com a palestra Panorama da influenza aviária no mundo x Biosseguridade na avicultura brasileira destacando que “o Mapa e o serviço veterinário estadual seguem trabalhando de forma coordenada com instituições e setor privado para a prevenção e eventual enfrentamento da influenza aviária”.

Na sequência, o Chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, destacou os avanços na pesquisa como fator vital para fortalecer a sanidade animal. Ele lembrou as polêmicas acerca do telamento dos aviários no país no passado e seus efeitos positivos nos dias de hoje. “Agora podemos concluir que estávamos corretos na decisão pelo telamento”, destacou.

O responsável pela Área Técnica da Naturovos, Flávio Renato da Silva, debateu “A produção de ovos, prevenção e medidas de biosseguridade”, quando defendeu a importância da qualidade e do bem-estar das aves na produção de ovos. “Para nós, que trabalhamos em granja, quem vem primeiro é a ave. Ela deve ser mais importante que o ovo. Outro ponto importante é a qualidade da matéria-prima para a ração. A qualidade do ovo está diretamente relacionada com a qualidade e a quantidade de ração consumida”.

Na sequência, o responsável por Negócios Sustentáveis da dsm-firmenich na América Latina, Francisco Miranda, apresentou a “Pegada ambiental de um sistema produtor de ovos” nesta tarde. Ele destacou que as emissões relacionadas a ração representam entre 65% e 85% das emissões totais. “Vamos precisar produzir 70% mais proteína animal até 2050. E precisamos saber produzir mais da melhor forma”.

Painel Nutrindo Aves

O Painel Nutrindo Aves, alimentando o mundo seguiu na tarde de domingo com um debate sobre Modulação do microbioma em galinhas poedeiras sob o uso de fibra com o representante da dsm-firmenich, Fernando Cisneros. Logo depois, o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Antonio Bertechini, destacou “Atualizações sobre cálcio e fósforo para poedeiras comerciais. Em seguida, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sérgio Vieira, debateu “Formulação de rações de custo mínimo para a produção de ovos em cenários futuros para preços de milho e soja.

A primeira programação científica da Conbrasul teve o Painel Saúde das aves, saúde das pessoas, com uma apresentação do médico veterinário Diego Menezes de Brito, da Divisão de Saúde Única do Departamento de Saúde Animal do Mapa, sobre o PAN-BR Agro, o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária. O programa técnico foi encerrado com um debate sobre Proteção de ponta a ponta contra enfermidades respiratórias com o representante da MSD Saúde Animal André Luiz Della Volpe.

Sobre o Evento
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro acontece a cada dois anos em Gramado, na serra gaúcha, e reúne decisores da avicultura do Brasil e do exterior.

Em sua quarta edição, o evento vem se consagrando pelo networking que proporciona, e registra crescimento de público e de apoio a cada edição.

Fonte: Com assessoria
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × 4 =

Avicultura

Frigoríficos enfrentam desafios para adaptar processamento de aves mais pesadas

Os abatedouros devem cumprir a legislação exigida por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério da Agricultura e Pecuária e também do Codex Alimentarius.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Parte essencial da cadeia de abastecimento de alimentos, os frigoríficos foram responsáveis por abater 29,3 milhões de cabeças de bovinos, 13,5 milhões de suínos e 6,6 bilhões de aves no Brasil em 2022, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Para assegurar os mais elevados padrões de segurança alimentar, plantas industriais precisam seguir rigorosamente as normas estabelecidas de inspeção sanitária dos animais antes do abate, controle da temperatura e da umidade durante o processamento, uso de procedimentos de limpeza e desinfecção, além de testagem de produtos para detectar contaminantes, garantindo, assim, a qualidade e a inocuidade dos alimentos que chegam às mesas dos consumidores.

De acordo com o médico-veterinário e consultor global para Abatedouros da Ceva, José Maurício França, os abatedouros devem aderir aos requisitos globais estabelecidos nos acordos internacionais. No entanto, é importante ressaltar que diferentes países e culturas possuem suas particularidades, que incluem questões étnicas e religiosas, por exemplo, o que muitas vezes pode influenciar e colocar em conflito os requisitos de segurança alimentar. “À medida que o mercado global se expandiu, a economia se tornou mais liberalizada e o acesso aos alimentos mais acessível, desencadeou uma preocupação crescente do setor em relação à intensificação da produção animal. Quanto maior a produção de animais, maior a probabilidade de riscos à segurança alimentar, incluindo a transmissão de doenças relacionadas aos alimentos. Muitos desses riscos, do ponto de vista epidemiológico, têm origem animal, o que aumenta ainda mais a responsabilidade de quem produz e abate os animais, uma vez que isso exige a necessidade de um controle mais abrangente a fim de garantir a manutenção da segurança alimentar”, ressalta França.

Médico-veterinário e consultor global para Abatedouros da Ceva, José Maurício França – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Os abatedouros devem cumprir a legislação exigida por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério da Agricultura e Pecuária e também do Codex Alimentarius. “A sinergia desses requisitos é essencial para garantir que tanto os padrões de legalidade quanto as questões culturais, religiosas e outras variáveis sejam consideradas, de modo a preservar a inocuidade dos alimentos. A prioridade é garantir que o consumo de alimentos de origem animal não represente nenhum risco à saúde dos consumidores”, salienta o especialista.

Avicultura de corte

Em relação a avicultura de corte, França destaca que a rápida evolução das características genéticas, da nutrição e da ambiência em que as aves são criadas tem superado as estruturas das unidades de produção, que não acompanharam na mesma velocidade esse ritmo de mudança. Com isso, os animais chegam ao frigorífico cada vez mais pesados, porém dentro das mesmas gaiolas e caminhões. “Hoje os frangos são criados para atingir pesos cada vez maiores, e esses animais são transportados em caminhões e gaiolas que não foram projetados para acomodações de animais tão pesados”, menciona, enfatizando: “Embora a mecanização e a automação tenham sido fornecidas para acelerar o processo de produção, também apresentam desafios, uma vez que os frangos, devido ao seu tamanho e peso, tornaram-se mais frágeis, com ossos menos resistentes, e, muitas vezes, ainda são manipulados de maneira semelhante a quando eram menores. Além disso, as máquinas de processamento estão ajustadas para atender aos requisitos de uniformidade que nem sempre se alcança dentro das instalações de criação”.

O desafio atual é integrar a tecnologia e o conhecimento usados na genética e na nutrição das aves com o processo industrial de abate. “O setor industrial enfrenta dificuldades em lidar com a crescente tecnologia, produtividade e desempenho zootécnico que se ganhou com as aves, porque lidar com aves muito pesadas e desuniformes potencializa o risco de condenações, contaminações e problemas de saúde, principalmente associadas aos sistemas locomotor e respiratório”, salienta o especialista.

Somado a isso, França ressalta que por muito tempo a ‘mão pesada’ dos serviços de inspeção sanitária foi apontada como um problema. “As condenações de aves no frigorífico não são responsabilidade exclusiva dos serviços veterinários de inspeção federais, porque muitas vezes o diagnóstico preciso das condições das aves não é feito no campo, o que resulta em problemas complexos quando as aves chegam ao frigorífico. Esta falta de diagnóstico no campo torna o processo de abate de frangos ainda mais desafiador e destaca a necessidade de melhorar a comunicação e o monitoramento em todas as etapas da produção e abate de aves”, reforça.

Adequação ao frango mais pesado

O peso médio dos frangos abatidos no Brasil é de 2,2 quilos, um aumento de 20% em relação a 10 anos atrás. Esse aumento é resultado de uma série de fatores, como a seleção genética e a melhoria das condições de manejo.

O aumento do peso do frango traz inúmeros desafios para os abatedouros, incluindo a necessidade de adequar as plantas industriais, investir em novos equipamentos e melhorar o planejamento. As aves mais pesadas são mais difíceis de manusear e podem causar danos às instalações, por isso o abate e a desossa exigem máquinas mais potentes. “Para se adequar ao frango mais pesado, os abatedouros precisam realizar uma série de investimentos. Entre as medidas necessárias estão modernização das instalações, treinamento dos funcionários, revisão dos procedimentos operacionais para garantir a segurança e a eficiência do processo. Além dos investimentos técnicos, os abatedouros também precisam promover uma maior integração entre as diferentes etapas da cadeia produtiva. Isso é essencial para garantir que o frango seja abatido no momento certo, de acordo com as necessidades do mercado”, elenca França.

Integração da cadeia produtiva

A integração da cadeia produtiva é essencial para garantir que o frango seja produzido e comercializado de forma eficiente e sustentável. Quando as diferentes etapas da cadeia trabalham de forma coordenada, é possível reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do produto final. “No caso do frango mais pesado, a integração da cadeia é ainda mais importante. Isso porque o aumento do peso das aves exige ajustes em todos os elos da cadeia, desde a criação até o abate e a comercialização”, frisa França.

Para garantir a integração da cadeia produtiva, segundo França, é necessário que os diferentes agentes envolvidos trabalhem juntos. Isso pode ser feito por meio de parcerias, acordos comerciais e outras iniciativas que promovam a colaboração entre os diferentes setores da cadeia.

Bem-estar animal durante o abate

O bem-estar animal é um requisito essencial na criação e abate de animais. Por meio de práticas sustentáveis, as empresas do setor alimentício devem atender a uma série de fatores, incluindo ética, qualidade do produto e respeito ao meio ambiente.

O consumidor final está cada vez mais exigente. Para se alinhar às expectativas dos clientes, as empresas precisam ir além da certificação em bem-estar animal. É preciso comunicar essa informação de forma clara e transparente a todas as esferas do mercado. “O que as pessoas prezam muito é a necessidade de se respeitar o animal, que de alguma forma está servindo a sociedade como alimento. Então nós, enquanto médicos-veterinários, temos que dar certeza que existe respeito na produção e no abate. É importante destacar que esses processos sempre existiram, ou seja, sempre houve o abate do frango, a pendura, o transporte. O que acontece é que hoje isso é mais visado”, descreve França.

No Brasil, segundo o especialista, algumas empresas já oferecem produtos certificados com bem-estar animal e é esperado que essa tendência continue a crescer nos próximos anos. “O que precisa acontecer é que esses indicadores de bem-estar animal norteiem a tomada de decisão e os investimentos das empresas, que haja um processo de maturidade, até o ponto de certificar todos produtos e o rótulo mostrar isso, que é o que já acontece em outros lugares do mundo como a Europa, que trabalha fortemente com produtos certificados, incluindo carne de frango, bovina e suína”, ressalta.

Resíduos e subprodutos do frango

Os abatedouros de frango produzem uma grande quantidade de resíduos e subprodutos, como penas, vísceras, ossos, sangue e gordura. Esses resíduos podem representar um problema ambiental, uma vez que podem contaminar o solo, a água e o ar.

No entanto, os frigoríficos de frango estão cada vez mais preocupados com a sustentabilidade e estão buscando maneiras de aproveitar esses resíduos de forma sustentável. “Os resíduos têm ganhado um valor cada vez maior porque, na verdade, são matérias-primas, fontes de proteína, que não são aproveitadas para consumo humano, mas que cada vez mais ganham espaço na alimentação animal, principalmente para os animais de companhia. Existem hoje negócios em que o próprio fígado de frango e a moela, que são fontes proteicas para consumo humano, acabam sendo destinadas para a produção de produtos pet devido seu valor nutricional”, destaca o médico-veterinário.

A reciclagem é uma das tendências mais promissoras para o aproveitamento dos resíduos e subprodutos dos abatedouros de frango, quando transformados em novos produtos, como farinhas e óleos, podem ser usados como ingredientes em rações para animais e em uma variedade de aplicações. “Na nutrição essas farinhas e óleos derivados têm outras aplicabilidades que remetem a sustentabilidade. Com isso, o produto deixa o status de graxaria, para agora ganhar status de produto com apelo de pegada de carbono, de aplicabilidade, de resultado, então o que se vê é o setor aprendendo a dar valor ao subproduto”, afirma o profissional.

A eficiência no aproveitamento de resíduos tornou-se uma prioridade nos frigoríficos, impulsionando o desenvolvimento e implementação de tecnologias inovadoras para maximizar a utilização de recursos e reduzir o desperdício. Uma gestão eficaz dos resíduos não apenas promove a sustentabilidade, mas também impacta diretamente a lucratividade da operação.

Um indicador crítico nesse contexto é a porcentagem de resíduos gerados. Uma taxa de resíduos elevada, superior a 5-6%, é considerada indesejável, pois indica ineficiência no processo do frigorífico. “Um dos principais desafios no processamento de resíduos é garantir a inocuidade dos produtos resultantes. Isso envolve a eliminação de possíveis patógenos, o que é realizado por meio de processos de pasteurização e tratamento térmico”, ressalta França.

Apesar de serem resíduos, são produtos de alto valor biológico. Eles contêm proteínas de alta qualidade e aminoácidos essenciais, que são importantes na alimentação animal. “Os resíduos de frigoríficos são suscetíveis à oxidação devido à exposição ao oxigênio, o que resulta em uma alta taxa de perecibilidade. Para mitigar esse problema, são usados antioxidantes e conservantes para prolongar a vida útil dos produtos, garantindo que eles mantenham sua qualidade por mais tempo. Fazer o tratamento adequado desses resíduos é fundamental para preservar seu valor nutricional e garantir que possam ser incorporados de forma eficaz na dieta dos animais de estimação”, expõe.

Um passo à frente

Em relação às tecnologias e processos empregados nos frigoríficos no Brasil, quando comparado com o resto do mundo, França diz que se observa uma diferença significativa, destacando que existem antagonismos e condições que são típicas de cada país. “Depois de muito me perguntar porque não era tudo igual ao Brasil, onde tudo é muito exigido e cobrado, descobri que a resposta está na vocação exportadora incomparável do Brasil. O que acontece é que criamos uma resiliência e um grau de maturidade para atender a uma ampla variedade de critérios internacionais, passando o país a ser considerado como se fosse um filtro para o restante do mundo”, explica o especialista.

França diz que os países adotam abordagens distintas dentro da cadeia produtiva. Ele menciona que na América Central há um cuidado mais rigoroso na criação dos animais, resultando em índices zootécnicos que, às vezes, superam os do Brasil. No entanto, o Brasil também possui frigoríficos de alta qualidade que superam os padrões europeus e de outros lugares. “Além disso, a localização geográfica desempenha um papel fundamental na qualidade do produto final. Por exemplo, no Oriente Médio, a qualidade da carcaça pode ser influenciada pelas condições da região”, menciona.

Tecnologia a favor do setor

A digitalização dos dados desempenha um papel fundamental na melhoria da eficiência e qualidade da carne de frango, desde a identificação de problemas até a proposição de soluções inovadoras que beneficiam toda a cadeia de produção, do campo ao consumidor final.

França relembra que originalmente os equipamentos e sistemas eram projetados para a identificação de um problema, como defeitos nas carcaças, mas agora há um impulso em direção a uma abordagem mais holística da análise de dados na indústria de processamento de carne de frango. “Isso é essencial para entender como lidar com a contaminação e o material que não foi plenamente aproveitado, permitindo que a indústria avance na direção de uma produção mais eficiente e de maior qualidade. A verdadeira mudança reside em transformar a análise de dados em uma ferramenta que forneça não apenas diagnósticos, mas também aponte respostas para resolvê-los de maneira eficaz”, enfatiza o especialista.

O médico-veterinário evidência que o uso da inteligência artificial (IA) na indústria de processamento de carne está ganhando cada vez mais espaço, embora muitas vezes seja ainda mantido em sigilo. “Isso ocorre em grande parte devido à natureza experimental e aos investimentos associados a esses projetos pilotos. À medida que a tecnologia evoluir e demonstrar seu valor, mais empresas tendem a explorar essa inovação, mas ainda sem divulgar seu uso abertamente”, menciona, enfatizando que os frigoríficos que já implementaram sistemas de inteligência artificial o fizeram com um foco claro em atender as demandas do mercado.

França destaca que para garantir que os benefícios da IA sejam totalmente aproveitados é fundamental que as melhorias comecem no campo, a fim de garantir que a carne de frango atenda não apenas aos requisitos do mercado, mas também aos mais altos padrões de qualidade desde sua origem. “Isso envolve uma compreensão mais profunda dos processos de criação de aves, alimentação, cuidados de saúde e logística, para que o produto de origem seja o melhor possível. O uso da inteligência artificial deve ser uma extensão das melhorias já realizadas na produção primária”, relata.

Perdas por condenação

No Brasil, estima-se que as perdas por condenação representem cerca de 5% do total de carne produzida. Para reduzir as condenações, o profissional destaca que é fundamental mensurar as perdas e ganhos em diferentes áreas da produção avícola. “É um fato inegável que, em alguns lugares, as perdas diminuíram, e isso é algo tangível, mensurável, bem como é possível olhar para essas situações e compreender o que foi feito para alcançar essa redução. Por outro lado, há locais onde as perdas aumentaram, e também é possível entender as razões por trás desse cenário”, cita.

A condenação da carcaça de frango pode ocorrer por doenças, contaminação e lesões, podendo em alguns casos ser parcial e em outros completa. “Até alguns anos atrás havia uma perda muito grande por condenação, mas não sabíamos porquê. Essa informação também não chegava até o produtor no campo e quando compartilhada não era bem compreendida. Isso começa a mudar com a modernização do Sistema de Inspeção Veterinária, em que as informações são compartilhadas de forma mais eficiente para que possam ser aproveitadas no campo, possibilitando que os produtores identifiquem as causas das perdas em suas granjas e adotem medidas corretivas e estratégicas para sanar o problema”, assinala França.

Segundo o profissional, hoje as condenações passaram a ser utilizadas como métrica de ação no campo, tornando-se uma parte intrínseca do cotidiano das empresas. “Mas para alcançar melhorias neste processo é necessário entender como que o frango, com seu peso e sua uniformidade, pode trazer melhores resultados. Algumas vacinas desempenham um papel crucial na promoção da uniformidade, o que, por sua vez, permite trabalhar com uma velocidade maior de abate e esse aumento na eficiência operacional se traduz em ganhos financeiros para a empresa”, salienta o especialista.

Entre algumas medidas que podem ser adotadas para reduzir as perdas por condenação, França cita que estão a melhoria dos sistemas de manejo e transporte de animais, que incluem redução do estresse dos animais, a minimização de ferimentos e a prevenção de doenças; o uso de tecnologias inovadoras, como sensores e inteligência artificial, que podem ajudar a identificar e prevenir as perdas por condenação; e a educação dos produtores sobre as causas que podem acarretar perdas por condenação é essencial para que eles possam adotar medidas corretivas.

Melhorias do setor

Para buscar melhorias no setor, França evidencia a necessidade de compreender o negócio como um encadeamento. Isso envolve olhar para a produção avícola não apenas como a criação de frangos em um espaço, a entrega para o frigorífico como se fosse um negócio distinto e a negociação da carne como se pertencesse a outra empresa. “A relação entre o cliente e o fornecedor, dentro da mesma organização, deve ser caracterizada por sinergia, não antagonismo ou competição. O que ocorre frequentemente é que as pessoas tendem a interpretar a competitividade nos negócios como um processo linear, onde a responsabilidade termina assim que o frango é entregue à plataforma ou colocado na câmara fria, quando, na verdade, a responsabilidade é diluída entre todos os elos da cadeia de produção”, reforça o médico-veterinário.

França ressalta que falta uma comunicação eficaz entre as diferentes etapas do processo, que envolve o campo até o departamento comercial das empresas. “O produtor muitas vezes desconhece como é realizada a venda do frango, enquanto a equipe comercial não tem conhecimento sobre as condições de criação dos animais. É essencial estabelecer uma comunicação mais eficaz, reunindo profissionais do incubatório, da engorda e de outros setores, para planejar a melhor maneira de entregar o frango ao frigorífico. A integração é a chave. O abatedouro não tem como transformar o processo de criação. E muitas vezes essa dissonância entre um pedido de venda da carne com o frango que está chegando para o abate está criando desafios significativos e desperdiçando oportunidades valiosas”, avalia o profissional.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na Nutrição e Saúde Animal clique aqui. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura

Custos contidos e leve alta nos preços mantém spread positivo do frango

As vendas externas de carne de frango in natura de outubro somaram 374,5 mil toneladas, 0,9% acima do mesmo mês do ano anterior enquanto no acumulado do ano a expansão foi de 7%.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os preços do frango no atacado continuaram em elevação nos últimos trinta dias, apoiados na boa absorção doméstica e nas exportações favoráveis. Porém, os ajustes de preços no atacado não chegaram nas granjas, onde os custos de produção foram levemente abaixo dos preços recebidos pelo produtor em outubro, situação que se alterou em novembro, os custos em alta voltando a colocar o spread da avicultura no negativo.

Os dados do IBGE, de abates e produção de carnes referentes ao terceiro trimestre, mostraram crescimento de 3,1% nas cabeças de aves abatidas sobre o 3T22 e 3,4% na produção de carcaças, respectivamente. Já em relação ao 2T23 a produção caiu 1,3%. Mesmo com a oferta crescente, os preços avançaram ao longo do terceiro trimestre, também ajudados pelo bom fluxo de exportação.

Olhando para os últimos trinta dias (17/out a 17/nov), os preços do frango inteiro congelado no atacado em SP subiram 1,9%, e permanecendo estável nas granjas. Porém, como o custo de produção da avicultura também não se alterou até outubro, o spread estimado se manteve em 1%. Já na primeira quinzena de novembro, com os custos voltando a subir (2,8%), o resultado parcial voltou a apontar negativos 1,4%.

As vendas externas de carne de frango in natura de outubro somaram 374,5 mil toneladas, 0,9% acima do mesmo mês do ano anterior enquanto no acumulado do ano a expansão foi de 7%. E apesar dos preços médios no ano terem sido 4,8% mais baixos em dólares, a expansão das quantidades sustentou um aumento de 1,6% na receita total obtida nestes dez meses, que alcançou USD 7,8 bilhões.

Com relação ao acompanhamento dos casos de gripe aviária, estes somaram 148 até 17 de novembro, em evolução, porém apenas em aves silvestres, sem novas notificações em criações de subsistência nem no sistema de produção comercial, o que tem sustentado o bom fluxo de exportações.

Fonte: Cepea, Secex, Itaú BBA

Fonte: Consultoria Agro do Itaú BBA
Continue Lendo

Avicultura

Feriados impulsionam mercado de frango em outubro

A alta na demanda e restrição na oferta refletiram em preços aquecidos.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Asgav

A liquidez no mercado brasileiro de frango esteve aquecida ao longo de outubro. Esse cenário elevou os preços da carne na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo colaboradores consultados pelo Centro de Pesquisas, parte desse movimento foi consequência do feriado do dia 12 de outubro (Dia de Nossa Senhora Aparecida) e da proximidade
do Dia de Finados (no dia 2 de novembro).

Do lado da demanda, as datas levaram agentes de redes atacadistas e varejistas a aumentarem a procura pela proteína. Do lado da oferta, os feriados resultaram em diminuição nos
dias úteis de abate, o que, consequentemente, também limitou a disponibilidade de carne no mercado nacional e reforçou o movimento de alta nos preços da proteína. Assim, de setembro para outubro, o frango inteiro congelado comercializado no atacado do estado de São Paulo se valorizou 2,5%, com a média do último mês a R$ 7,19/kg.

No mercado de cortes e miúdos, as altas foram ainda mais intensas. No atacado da Grande São Paulo, o peito congelado foi o que mais se valorizou de setembro para outubro – expressivos
10% –, com o quilo do produto cotado, em média, a R$ 9,05 no último mês.

Fonte: Assessoria Cepea
Continue Lendo
AJINOMOTO SEÇÃO SUÍNOS

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.