Suínos
Eficiência produtiva do rebanho requer gestão de todos os processos na granja
O ponto de partida para fazer o gerenciamento, tanto na propriedade como na agroindústria, deve abranger o planejamento da produção, definição de metas e plano de ação.

Na produção suinícola comercial, a gestão de processos da atividade é fundamental e precisa assumir papel central na tomada de decisões, envolvendo métodos gerenciais rigorosos, análise constante de resultados, implementação de correções e gestão de pessoas.
O ponto de partida para fazer esse gerenciamento, tanto na propriedade como na agroindústria, deve abranger o planejamento da produção, definição de metas e plano de ação. “Assim como as demais atividades do agronegócio, a suinocultura exige uma gestão criteriosa na busca do seu objetivo primário: produzir com excelência a custo competitivo com respeito às pessoas, aos animais e ao meio ambiente”, enfatiza o médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias e consultor em Agronegócio, Guilherme Brandt, que palestra sobre as lições apreendidas ao longo de 30 anos de prática e pesquisa na área de gestão durante a Pork Expo & Congresso Internacional de Suinocultura, realizado em outubro, na cidade de Foz do Iguaçu, PR.

Médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias e consultor em Agronegócio, Guilherme Brandt: “Acredito na formação e no desenvolvimento de equipes como um diferencial na produção de suínos” – Foto: Divulgação
Com expertise em reprodução suína e em gestão nas cadeias de suinocultura e avicultura, Brandt conheceu in loco como o setor é desenvolvido em mais de 20 países ao longo das últimas três décadas, evidenciando o êxito da atividade no Brasil. “A suinocultura brasileira é uma atividade de grande sucesso, que tive o privilégio de participar ativamente do seu crescimento nos últimos 35 anos. Somos hoje o quarto maior produtor e exportador global de carne suína não por acaso. O que foi feito no Brasil tem que ser muito comemorado. Mudamos o modelo de produzir, profissionalizamos a atividade, abrimos portas no mundo e somos destaque. Várias atividades da suinocultura nacional são exportadas como ações de sucesso no mundo, inclusive temos vários profissionais à frente de projetos importantíssimos em todos os continentes”, exalta o médico-veterinário, destacando que, assim como em qualquer outro setor, há muitos desafios e riscos inerentes da atividade que podem se tornar ainda excelentes oportunidades de melhorias.
Gestão em diferentes ciclos
Brandt evidencia que a suinocultura brasileira teve importantes momentos de evolução e em cada fase a gestão foi sendo aprimorada. Segundo ele, a criação de suínos antigamente era feita somente ou majoritariamente com mão de obra familiar em granjas menores, basicamente de ciclo completo.
Mas, com o crescimento do setor houve a abertura da produção em vários ciclos: produção de leitões e terminação, segmentação pelas Centrais de Produção de Sêmen, granjas exclusivas para produção de leitões (desmamados ou descrechados), creches, terminações, sítios específicos para produção de leitoas e unidades exclusivas para produção de animais de elevado padrão genético (granjas de bisavós e avós), o que passou a exigir dos produtores uma gestão diferenciada na metodologia e padrões de produção, contudo, com os mesmos rigores da base da gestão como um todo. “Um negócio de risco e com muito investimento envolvido requer uma gestão de detalhes, não há espaço para aventureiros. A excelência da gestão está na necessidade de melhorar os indicadores tanto quantitativos como qualitativos”, afirma.
Conforme o mestre em Ciências Veterinárias, nos últimos 30 anos o Brasil apresentou uma substancial melhora na área técnica, com profissionais melhores formados ou com formação direcionada para a atividade. “Acredito na formação e no desenvolvimento de equipes como um diferencial na produção de suínos. Cada vez mais o levantamento de perfil de funcionário e liderança serão mais importantes para manutenção de times vitoriosos”, assegura.
Outros pontos elencados por Brandt que contribuíram para aprimorar a gestão nas propriedades suinícolas estão relacionadas à legislação, questões sanitárias, trabalhistas, ao manejo, novas técnicas e modelos de produção que hoje estão dominadas e padronizados. “Para se ter um exemplo, antigamente os projetos feitos pelos órgãos de fomento contemplavam o desvio de pequenos cursos de água para dentro das instalações como opção de limpeza, coisa inconcebível e legalmente não possível nos dias de hoje”, frisa.
Na área de reprodução, o uso da inseminação artificial, que teve seu maior desenvolvimento nos anos 90, permitiu redesenhar instalações, alterar modelo de produção, otimizar ganhos genéticos, trazer mais segurança, além de facilitar manejos produtivos e ser fundamental para a sanidade em relação à biosseguridade.
Gestão profissionalizada
Brandt diz que as melhorias na gestão das fazendas contribuíram para a mudança de vários conceitos, iniciando pela especialização dos modelos de produção em sítios específicos, o aumento dos modais produtivos, as relações trabalhistas – de familiares para profissionais -, a busca de alternativas para redução do custo de produção, visto que a partir dos anos 2000 se intensificou a oferta de material genético, o que permitiu uma maior competitividade em dois aspectos básicos da produção: a prolificidade e a conversão alimentar.
O consultor em Agronegócio reforça ainda que o fortalecimento das associações de produtores locais, regionais e nacionais, como da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), foram fundamentais nas definições sanitárias e na abertura de novos mercados.
No campo da sanidade, os últimos casos de febre aftosa e da Doença de Aujeszky (pseudoraiva) foram registrados no país nos anos de 1993 e 2004, respectivamente, no Estado de Santa Catarina. Para prevenir e evitar a entrada de novas enfermidades nos planteis nacionais, o Brasil desenvolveu um rigoroso trabalho de defesa sanitária com erradicação de doenças, manejos de vacinação com retirada de vacinas em locais e momentos estratégicos, definição de Normativas de comercialização e criação de reprodutores por meio da Estação Quarentenária de Cananéia, específica para ingresso de material genético estrangeiro.
Ferramentas de gestão
Entre as ferramentas de gestão desenvolvidas nos últimos 30 anos, que possibilitaram avanços significativos na suinocultura, Brandt destaca o controle de produção, o acompanhamento em tempo real dos resultados, o planejamento e o método de realizar a atividade. “A partir destas ferramentas podemos ter um acompanhamento mais específico de custos e opções estratégicas de produção”, pontua.
Da caderneta para cadernos padronizados, passando pelos fichários até finalmente à informatização da atividade, processo que proporcionou ao produtor fazer o acompanhamento de vários eventos simultâneos que acontecem desde o campo até a indústria. “Através da gestão de indivíduos dentro de um sistema de produção em lotes conseguimos ter um fluxo ideal de produção, o que garante rotinas de manejo, sistematização de programas, otimização de toda parte logística, além de ser um fator importantíssimo para a manutenção de um princípio básico da sanidade de rebanhos, que é o intervalo entre lotes”, menciona o médico-veterinário.
Pontos que requerem melhorias
O palestrante da Pork Expo 2022 expõe que muitos foram os avanços, mas ainda há bastante espaço para se melhorar no quesito pessoas. “Ainda, e que bom, temos que evoluir na questão de gestão de pessoas. Esse foi um dos aspectos de grande evolução, mas ainda temos uma carência grande, com uma lacuna de pessoas habilitadas e com desejo de trabalhar no campo. O ponto positivo é que ainda temos um bom espaço de ganhos com pessoas melhor treinadas e capazes. Mas, apesar de ter um pouco mais de atrativos no campo, cada vez mais está sendo difícil capturar e reter pessoas com perfil para atividades rotineiras, especialmente durante finais de semana”, observa o consultor de Agronegócio.
Neste sentido, Brandt afirma que todos os elos da cadeia têm o dever de reavaliar, redesenhar e repensar o que de fato é possível alterar
no atual modelo produtivo. “Não é uma missão fácil por se tratar de educação de adultos, em atividades rotineiras e que envolvem biologia”, enfatiza.
Suinocultura em números
O consumo de carne suína dobrou nos últimos 40 anos, saltando de 9 kg por habitante/ano para os atuais 18,1 kg per capita. A produção, medida em milhões de toneladas, aumentou mais de 200% desde 1995, conforme descrito no Relatório Anual da ABPA. Contudo, mesmo com este grande incremento na produção, o crescimento do número de matrizes suínas não foi tão expressivo, uma prova real do aumento da produtividade e do peso de abate, o que comprova que os produtores brasileiros estão produzindo muito mais com menos. “Aumentou o número de animais que cada matriz produz por ano e o peso dos suínos terminados. O próprio animal apresentou mudanças graças ao melhoramento e seleção genética. Até a década de 80 ainda tínhamos uma grande influência do suíno tipo banha. A partir do fortalecimento da inseminação artificial, ingresso de material genético e direcionamento de linhagens macho/fêmea, tivemos uma melhora considerável na conversão alimentar – um dos maiores indicadores da fase de terminação – que indica o volume de carne produzida em relação ao volume de ração consumida. Quem ganha com isto é o consumidor”, analisa Brandt.
Hoje, o setor possui uma gestão mais profissionalizada dos números gerais do país, apresentando na área reprodutiva expressiva quantidade de leitões produzidos por matriz ao ano.
Próximos anos
Brandt reforça que a preocupação em relação à gestão deve ser constante e vai permanecer em todos os elos da cadeia. “O bom entendimento dos porquês acredito ser o diferencial da atividade. Todos, independentemente do lado em que estão na cadeia, precisam ter seu propósito conhecido, definido e muito claro para que se possam alcançar melhores resultados na produção”, salienta.
Novas ferramentas
O profissional destaca que ainda há uma lacuna entre a efetiva coleta e aproveitamento dos dados de produção, uma vez que é gerada muita informação útil nas granjas, mas que não é aproveitada. “Temos um flanco aberto nos meios de coleta das informações. É preciso tornar a produção simples, deixar o complexo para a atividade e não para a burocracia. Reforço a necessidade da busca pelo simples e básico”, argumenta.
Entre as várias iniciativas em ascensão na suinocultura, Brandt menciona a inteligência artificial, otimização de atividades e logística, automação e uso de materiais e equipamentos para facilitar as ações e atividades diárias.
Desafios
De acordo com o mestre em Ciências Veterinárias, a suinocultura é uma atividade que apresenta muitos desafios por se tratar de produto para mercado externo, muitas vezes sem valor agregado. “Temos possibilidades de aumentar ainda mais nossa produtividade e participação nos mercados tanto nacional – competindo com outras proteínas – quanto internacional – competindo com demais países -, mas não podemos esquecer de estarmos preparados com argumentação, produção e consistência nas ações em relação à mídia e opinião pública. Infelizmente ainda temos e sofremos acusações infundadas a respeito da produção e cada vez mais vamos ter questionamentos em relação ao consumo da proteína animal”, ressalta.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Suínos
Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol
Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”
Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.
Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.
Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.
Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock
A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.
A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.
Produção segura e rentável
De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.
Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.




