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É possível produzir carne suína sem a utilização de óxido de zinco?

Professor associado da Universidade Estadual de Londrina na área de Produção e Nutrição de Suínos, doutor Caio Abércio da Silva, responde.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

O óxido de zinco é muito utilizado na suinocultura, pois oferece benefícios pontuais na saúde dos suínos, tanto no que diz respeito a melhoria dos índices de crescimento bem como na prevenção e tratamento da diarreia, que é uma das doenças que mais afetam os suínos na fase de creche. Por outro lado, a suinocultura acompanha as preocupações crescentes sobre o potencial negativo dos impactos ambientais atribuídos a esse aditivo. Durante o 20º Congresso Nacional da Abraves, que teve início hoje (16) e segue até o dia 19 de outubro, em Porto Alegre, RS, o médico-veterinário e professor associado da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na área de Produção e Nutrição de Suínos, doutor Caio Abércio da Silva, irá proferir uma palestra que instiga a produção de suínos sem o emprego do óxido de zinco nas dietas. Confira uma entrevista exclusiva com o professor na qual é abordado questões relacionadas à saúde dos suínos, bem-estar animal, segurança alimentar e práticas sustentáveis.

O Presente Rural – Por que o óxido de zinco é usado na dieta de suínos, como ele age e quais seus benefícios?

Doutor Caio Abércio da Silva – Foto: Arquivo Pessoal

Caio Abércio da Silva – O óxido de zinco (ZnO), sob altas doses, entre 1500 a 3000 ppm, é um importante aliado para o controle dos quadros de diarreia, típicos no período inicial da fase de creche, melhorando por consequência o desempenho zootécnico e reduzindo quadros de mortalidade. O ZnO age em nível gastrintestinal, auxiliando na preservação da mucosa intestinal e promovendo as secreções digestivas, também potencializa os sistemas antioxidantes e as células de defesa, além do efeito antibacteriano contra a Escherichia coli F4 (K88), principal agente da diarreia pós-desmame.

O Presente Rural – Fale mais sobre os benefícios no uso de óxido de zinco e por que é importante encontrar alternativas?

Caio Abércio da Silva – O ZnO é prioritariamente um aditivo preventivo dos quadros de diarreia, mas que tem outras virtudes por consequência. Assim, diante dos desafios que seguem se apresentando no pós-desmame, a ausência deste aditivo, de alta eficácia, pede que busquemos outros, comumente, denominados alternativos, para cumprir este mesmo papel. Ao termos mais leitões nascidos e mais desmamados por porca, expomos estes primeiramente a um menor aporte de colostro e por consequência a uma menor proteção imune. Ao termos mais nascidos, mais leves serão estes ao nascimento e ao desmame, o que os deixa mais vulneráveis aos desafios que decorrem na fase, como consumir ração prontamente e em boa quantidade nos primeiros dias pós-desmame. Em nossos estudos, é de conhecimento geral que leitões mais leves são mais sujeitos ao estresse oxidativo, um estado que piora a saúde do leitão em nível intestinal e sistêmico.

O Presente Rural – Quais são os motivos para evitar o uso do óxido de zinco na produção de suínos?

Caio Abércio da Silva – A Comunidade Europeia é protagonista deste banimento, que se efetivou em 2022, e que vem inquietando todo o mundo. As razões envolvem basicamente duas questões, de caráter ambiental e de saúde humana/animal. No primeiro aspecto, o Zn, como um metal pesado e de baixa absorção, é excretado ao ambiente via fezes, e, portanto, tem um efeito poluidor. No segundo tema, o ZnO, sob condição contínua de uso, é capaz de promover a resistência bacteriana, que pode representar um risco tanto para a saúde do animal quanto para o homem.

O Presente Rural – Quais são as alternativas viáveis ao óxido de zinco na produção de suínos e como essas alternativas funcionam?

Caio Abércio da Silva – Existem vários aditivos que podem ser utilizados para minimizar a ausência do ZnO. Destacam-se os ácidos orgânicos, os prebióticos, os probióticos, os extratos vegetais (taninos, polifenóis, sanguinarina…) e os óleos essenciais. Também há produtos que adotam o Zn sob níveis bem baixos (comparados com as doses de ZnO usadas preventivamente) que permitem que este mineral, pela estrutura molecular ao qual é vinculado, determine efeitos positivos sobre o controle da diarreia.
Cada aditivo alternativo tem um ou algumas ações que são distintas entre si. Todavia, em geral cumprem um papel antimicrobiano e modulador da flora não patogênica, por vezes melhoram o processo digestório, estimulam secreções enzimáticas e têm ação antinflamatória e antioxidante.

O Presente Rural – Quais são os principais desafios enfrentados pelos produtores de suínos ao adotar práticas sem o uso do óxido de zinco?

Caio Abércio da Silva – Um dos maiores desafios é o surgimento de quadros de diarreia. No entanto, nem toda a diarreia está associada à piora da performance. Devemos entender que sua intensidade e duração devem ser consideradas e que há quadros que decorrem de processos não patogênicos. Mais relevante ainda é compreender que a diarreia pós-desmame é um quadro multifatorial. Isso é essencial ser levado em conta.

O Presente Rural – Como as práticas de produção de suínos sem o óxido de zinco afetam o bem-estar dos animais ou seus índices zootécnicos?

Caio Abércio da Silva – Reconhecida que a causa mais importante de um distúrbio entérico está vinculado principalmente a E. coli e não atuar frente a esse problema, será um desafio para o produtor. Além disso, o reconhecimento da multifatoriedade dos quadros diarreicos, o que é o quadro mais comum, não significa que sem o zinco a casa cairá. Deveremos cercar todos os fatores para minimizar estes danos, o que, se não for realizado, resultará em animais com menor desempenho, refugos, com enfermidades sistêmicas oportunistas e com mais mortes. Ou seja, o bem-estar foi comprometido.

O Presente Rural – Qual é o impacto ambiental da produção de suínos sem o uso de óxido de zinco em comparação seu uso?

Caio Abércio da Silva – Visualizo que este cenário será equacionado com ciência e determinação de todos os protagonistas do segmento. As experiências europeias mostram que as dificuldades da isenção do ZnO podem ser superadas com esforço, tecnologias e dedicação. Há muitos aspectos que negligenciamos por termos essa ferramenta, o ZnO, disponível.

O Presente Rural – Os consumidores estão cada vez mais preocupados com a segurança alimentar. Como a produção de suínos sem óxido de zinco atende a essas preocupações?

Caio Abércio da Silva – De forma direta, não. Mas indiretamente, pode ser que sim. Devemos fazer uma ressalva, contudo. Se considerarmos que o ZnO pode determinar o surgimento de bactérias resistentes, seu banimento é positivo no sentido da segurança alimentar, mas devemos levar em conta que o caminho para o homem ser acometido por uma bactéria patogênica resistente, por consumir uma proteína animal, é bem limitado.

O Presente Rural – Existem benefícios para a qualidade da carne suína ao adotar práticas sem óxido de zinco?

Caio Abércio da Silva – A relação do óxido de zinco com a qualidade de carne é desprezível. Primeiro que seu uso se limita às idades mais jovens dos animais, segundo que sua absorção é pequena e terceiro que não há vínculos efetivos do zinco com a qualidade da carne.

O Presente Rural – Como a pesquisa e a inovação estão contribuindo para desenvolver melhores práticas na produção de suínos sem o uso de óxido de zinco?

Caio Abércio da Silva – A pegada para continuarmos vivendo bem sem o ZnO é fazendo melhor a tarefa de casa. Há alguns pontos clássicos defendidos, testados e validados em nível científico e no campo por aqueles que já estão sem este mineral na condição preventiva na dieta de seus leitões há algum tempo. Podemos de forma sucinta apontar que atenção para garantir elevadas somas de ingestão de colostro são essenciais, assim como a promoção de um elevado consumo alimentar antes e após o desmame, ou seja, devemos ensinar/estimular o leitão lactente a consumir creep-feeding bem e o mais precocemente possível e, após o desmame, ingerir maiores somas rações de qualidade (rações que contenham ingredientes com baixo poder tamponante, com elevados níveis de substitutos lácteos, com grandes inclusões de ingredientes processados e aminoácidos industriais e que tenham ingredientes de alta digestibilidade e de referência para a modulação imune). Portanto, trabalhem com rações pré-iniciais I e II de alta qualidade, usem ácidos orgânicos, recorram aos demais aditivos alternativos (prebióticos, probióticos, extratos vegetais, óleos essenciais), mesmo em associação; e manejem com dedicação seus animais, agora de forma ainda mais efetiva.

O Presente Rural – Quais são as perspectivas futuras para a produção de suínos sem óxido de zinco e quais são os conselhos que o senhor tem para os produtores que desejam adotar essa abordagem?

Caio Abércio da Silva – Não vejo que este desafio será crítico. Temos muita informação e resultados que apontam que há saídas viáveis para continuarmos avançando com os índices zootécnicos de nossas granjas e empresas. Busquem apoio de seus nutricionistas, sanitaristas e assistentes de campo, o trabalho será mais exitoso com o esforço e o conhecimento de todos.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol

Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

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Foto: O Presente Rural

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”

Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.

Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.

Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.

Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock

A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.

A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.

Produção segura e rentável

De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.

Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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