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José Zeferino Pedrozo Opinião

Dois atores essenciais: o produtor rural e a agroindústria

O que precisamos agora é permitir que os produtores e as agroindústrias produzam dentro das condições ideais em que já trabalham

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo -Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)  do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

A epidemia do novo coronavírus que assola o Brasil afetou amplos setores da atividade humana e desorganizou importantes segmentos da economia. Empresas e famílias ficaram devastadas por perdas de ordem pessoal ou material. Um dos setores que, a todo custo, precisa continuar em operação é o de alimentos. Se faltar alimentos no País, nesse estágio da pandemia, o que está crítico ficará caótico.

Dois atores trabalham tenaz e obstinadamente para garantir a produção de alimentos nos gigantescos volumes que o Brasil e o mundo necessitam: os produtores rurais no campo e as indústrias de processamento da matéria-prima vegetal e animal, nas cidades. Os primeiros produzem grãos, frutas, hortigranjeiros, leite e carne que as agroindústrias processam e/ou industrializam e geram produtos acabados para consumo final.

Duas longas cadeias produtivas brasileiras ganharam notoriedade mundial nas últimas décadas pela sua complexidade: a avicultura industrial e a suinocultura industrial. Elas são paradigmas do uso de tecnologia nas fases de campo e de indústria.

Essas duas cadeias trabalham no sistema de integração, uma parceria que há 60 anos une criadores de frangos e de suínos com as agroindústrias em território brasileiro. A indústria fornece os principais insumos e o produtor participa com mão de obra e os recursos de sua propriedade. O sistema de integração levou bem-estar às famílias rurais e transferiu tecnologia aos criadores. O produtor rural repassa às empresas/agroindústrias os seus produtos na condição de matéria-prima a ser processada e transformada no produto final. Graças a ela fortaleceu-se a economia dos municípios e fixou-se a família rural no campo, amenizando o êxodo rural.

Para evitar a disseminação do coronavírus são adotados rígidos protocolos de produção no campo e nas fábricas. Os tradicionalmente rígidos procedimentos das indústrias de processamento de carne ficaram ainda mais rigorosos: medição de temperatura, uso de botas, paramentos especiais, jalecos, máscaras, toucas, luvas, desinfecção de pés e mãos, distanciamento social etc. são rotinas do cotidiano desses trabalhadores.

Apesar de deter um elevado nível de segurança sanitária na produção rural e industrial, os frigoríficos entraram injustamente na mira de críticas, fake news e uma campanha de desinformação de pessoas mal-intencionadas ou que desconhecem a dimensão e a complexidade desse setor da indústria de alimentos.

O perigo é que, embalado nesse clima, alguns frigoríficos podem ter  atividades paralisadas. Essa hipótese é assustadora, porque pode significar a perda de milhares de empregos, a falência de toda uma cadeia produtiva com milhares de produtores rurais e – o que é muito grave – a necessidade de sacrifício sanitário de milhões de aves e milhares de suínos. Isso, sem mencionar a decorrente escassez de alimentos no mercado nacional. É imprescindível sublinhar que a indústria da carne vem garantindo extraordinários superávits na balança comercial.

Devemos trabalhar para evitar esse quadro. Os produtores rurais  precisam da indústria e a indústria não produz sem os criadores de aves e suínos etc.  Se os frigoríficos paralisarem, os produtores ficarão em situação delicada. Esses dois atores precisam continuar em ação para assegurar o abastecimento do Brasil.

Produtor  e indústria mantêm essa exitosa parceria com a garantia do equilíbrio e justiça econômica de ambos os lados, fortalecendo a economia dos municípios e desenvolvendo o hinterland brasileiro. O sistema de produção em integração é um dos grandes responsáveis pelo padrão de excelência e de qualidade alcançados pelo Brasil. Graças a este sistema, o País ganhou competitividade, estandardização e padronização da produção, ampliando a presença brasileira no mercado mundial, chegando à liderança mundial nos embarques de carne de frango e ao quarto posto global nas exportações de suínos.

O que precisamos agora é permitir que os produtores e as agroindústrias produzam dentro das condições ideais em que já trabalham, sem exigências descabidas ou ameaças constantes. O Brasil precisa desses dois atores.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

SC quer produzir mais carne bovina

Estado é líder mundial na produção e exportação de carnes de aves e de suínos, mas a pecuária de corte é ainda incipiente

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo – Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

O fim de ano foi marcado por queixas generalizadas de consumidores em relação ao preço das proteínas, especialmente a carne bovina.  A seca em várias regiões produtoras do País comprometeu as pastagens e afetou o desempenho da bovinocultura de corte. Ao mesmo tempo, o aumento dos insumos (milho, farelo de soja, sal mineral etc.) elevou os custos de produção.

Em Santa Catarina, a questão do abastecimento é mais complexa. O Estado é líder mundial na produção e exportação de carnes de aves e de suínos, mas a pecuária de corte é ainda incipiente. Em números arredondados, os catarinenses consomem 300 mil toneladas de carne bovina, mas só produzem 140 mil toneladas. Assim, é necessário buscar em outros Estados cerca de 160 mil toneladas dessa carne.

O perfil fundiário catarinense – com a predominância de pequenas propriedades rurais – justifica a opção pela criação intensiva de pequenos animais (aves e suínos) em desfavor do boi. Em 2020,  Santa Catarina produziu e destinou ao abate 792,5 milhões de aves, 13,4 milhões de suínos e apenas 656 mil bovinos. Mesmo pequena, a atividade está presente em 293 municípios, onde 77 mil criadores mantêm um rebanho de 4,7 milhões de cabeças, entre bovinos de corte e de leite.

Mas essa situação tende a mudar. Nos últimos anos tem havido um esforço muito intenso de aperfeiçoamento da cadeia produtiva da bovinocultura catarinense para ampliar a produção de carne e de leite. No setor lácteo Santa Catarina  já é a quarta maior bacia leiteira do País e a prioridade, agora, é elevar a qualidade. No setor cárneo, porém, reside o desafio.

Para atender a essas duas frentes, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) – com apoio do Sebrae, da CNA e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc) – desenvolve há cerca de quatro anos o Programa de Assistência Técnica e Gerencial. Desde 2016, quando foi implantado em território barriga-verde, o programa atendeu – nas cadeias produtivas da bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, ovinocultura de corte, apicultura, piscicultura, maricultura e olericultura – mais de 5 mil produtores rurais.

O programa representa um avanço na capacitação dos produtores rurais, preparando-os para a condução das atividades com uma visão empresarial e o emprego de avançadas técnicas de gestão e controle. Os expressivos resultados obtidos estimularam a ampliação do programa que receberá investimentos da ordem de 22 milhões de reais para a capacitação de mais 5.000 produtores catarinenses nos próximos três anos. Esses recursos adicionais serão aportados pelo Senar nacional e pelo Senar de Santa Catarina,  com apoio do Sebrae.

Paralelamente à ampliação dos investimentos em qualificação de alto nível, foi adotada uma estratégia de natureza mercadológica com o lançamento da marca coletiva de carnes do Estado de Santa Catarina. O projeto foi concebido como uma estratégia de diferenciação do produto catarinense, ou seja, busca agregar valor à carne produzida na primeira área livre de aftosa sem  vacinação do Brasil.

Essa é uma demonstração de pioneirismo no desenvolvimento completo da cadeia produtiva da carne bovina catarinense, associando-a à preservação ambiental, à segurança de alimentos e à qualidade do produto.

A marca coletiva já tem nome: “Purpurata – carne catarinense certificada” em homenagem a Laélia purpurata, a flor-símbolo de Santa Catarina. Para implementar esse sistema, a Faesc fará a certificação de propriedades, habilitação de frigoríficos, desenvolvimento do sistema de identificação de produto, habilitação de varejistas e estratégias de marketing dentro e fora do território barriga-verde.

Esse é um projeto do setor pecuário voltado ao produtor rural e à cadeia produtiva, mas quem ganhará é a sociedade catarinense.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Um ano de desafios

A pandemia não recuou, muitas regiões estão em situação de pré-colapso e a esperança geral é a vacina

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Crise sanitária, crise econômica, crise social. O ano de 2020 ficará na história como um festival de dificuldades que assolou o Brasil e o mundo. Entramos no primeiro bimestre com expectativa de uma retomada lenta, gradual e segura do crescimento econômico, mas fomos abatidos antes da decolagem pelos efeitos nocivos da pandemia que já se instalava em vários países.

A economia não decolou e a crise sanitária se instalou. Inimigo misterioso e traiçoeiro, o novo coronavírus ceifou muitas vidas até que a Medicina descobrisse o melhor protocolo de prevenção e os medicamentos mais adequados para tratamento. A pandemia não recuou, muitas regiões estão em situação de pré-colapso e a esperança geral é a vacina.

Nesse cenário, a agricultura e a agroindústria tiveram um papel essencial na manutenção da paz social. O setor adaptou processos e procedimentos para proteger seus trabalhadores e operar ininterruptamente. Garantiu o fornecimento regular de alimentos em todas as regiões, enquanto o Brasil entrava em lockdown. O extraordinário salto nas exportações de carnes, grãos, frutas e cereais não prejudicou o abastecimento interno. Esse desempenho comprova a competência e o caráter essencial da agricultura brasileira, pois, é notório que o caos se instala rapidamente onde não há abastecimento regular de alimentos.

Para se manterem em atividade, os produtores rurais no campo e as indústrias de processamento de alimentos nas cidades tiveram que vencer resistências – mesmo sendo setores essenciais – e provar que seus processos são confiáveis e que a segurança e a saúde de todas as pessoas envolvidas no processo produtivo estavam garantidas.

A longa e complexa cadeia produtiva da carne em Santa Catarina – em especial, a avicultura e a suinocultura – foi uma das primeiras a se adaptar às novas exigências. Imensos esforços e investimentos foram despendidos nos estabelecimentos rurais e nas plantas frigoríficas, com destaque para milhões de reais gastos na maciça compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) e outros insumos de proteção à saúde.

Os resultados positivos no crescimento do valor bruto da produção e no aumento exponencial das exportações do agronegócio foram obtidos com muito esforço pelos produtores rurais e pelas agroindústrias A seca no sul e no centro-oeste castigou lavoura, prejudicou a produção de grãos e, por consequência, encareceu a produção de leite e de carnes em geral. A seca associada à aquecidíssima exportação de grãos gerou um perigoso quadro de escassez de milho e de soja no mercado interno. Parte pela escassez, parte pela especulação, esses insumos tiveram aumento de 80% e 50% respectivamente. Milho e farelo de soja representam quase 70% dos custos de produção para a avicultura e a suinocultura.

Não há dúvidas que 2021 será outro ano desafiador. A contribuição do agro ao desenvolvimento do País continuará em alta. As projeções da CNA indicam aumento de 3% do PIB do agronegócio (R$ 1,8 trilhões) e de 4,2% no VBP (R$ 941 bilhões), além de queda nos preços dos alimentos aos consumidores e maior demanda do mercado externo. A produção nacional de grãos atingirá 300 milhões toneladas (4,3% de aumento), um novo recorde.

Submetida as muitas variáveis imprevisíveis como clima e mercado, o desempenho da agricultura deverá ser, novamente, surpreendente. O encarecimento e a escassez de milho e soja para transformação em proteína animal será uma preocupação maiúscula da agroindústria. O rigoroso controle sanitário animal e vegetal (uma das nossas características mundialmente reconhecidas) continuará uma prioridade. A agricultura contribuirá novamente para a retomada econômica, mas espera que as reformas tributária e administrativa avancem no Congresso Nacional.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

O agro e as eleições municipais

As políticas para a agricultura e o agronegócio dependem do governo central, mas o apoio material ao setor primário é dever das administrações municipais

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Os atuais e futuros gestores municipais – antes e depois das eleições – precisam olhar com atenção para o setor primário da economia dos municípios: ali, onde funcionam a agricultura, a pecuária e o extrativismo e cujo movimento econômico impacta integralmente na fixação do índice de retorno do ICMS, principal receita tributária.

Desde o início dos tempos, os produtores e empresários rurais convergem suas reivindicações para o setor viário. Eles pedem a abertura e a conservação de estradas na zona rural. Estradas vicinais, estradas gerais, acessos, rodovias-troncos… O único ente federativo capaz de atender a essa reivindicação é o Município, porque não cabe ao Estado nem à União cuidar das estradas da zona rural.

A importância do sistema viário rural para o sucesso do agronegócio é vital. A entrega de insumos agrícolas como rações, sementes, fertilizantes, defensivos etc. ou de ativos biológicos e a retirada da produção (grãos, frutas, hortigranjeiros e animais prontos para abate) dependem da circulação diária de milhares de caminhões. É uma operação logística cuja eficiência define – ao lado de outros fatores – o sucesso ou o fracasso do agronegócio.

Outro fator igualmente importante é o suprimento de água para consumo das famílias, irrigação de lavouras e dessedentação dos planteis. Em muitas regiões catarinenses a escassez de água nas áreas agrícolas é mais grave do que nos centros urbanos, exigindo das administrações municipais investimentos em sistemas descentralizados de captação, tratamento, armazenagem e distribuição de água para os estabelecimentos rurais.

Felizmente, grande parcela dos municípios catarinenses prioriza o agro e fez investimentos sustentados e de longo prazo para solucionar essas duas necessidades. Com isso, apoiaram e viabilizaram a produção agrícola e pecuária, elevaram a qualidade de vida do meio rural, sustaram o êxodo de jovens e asseguraram a produção de riquezas e a geração de tributos.

A retribuição das Prefeituras à enorme contribuição do agro ao desenvolvimento econômico local manifestou-se em outras ações. Uma delas é a criação da patrulha agrícola mecanizada através da qual o Município empresta máquinas – tratores, trilhadeiras, ceifadeiras, colheitadeiras etc. – para serviços nas propriedades rurais, cobrando apenas o combustível em sinal de cooperação e estímulo aos produtores.

Em outra frente, sozinhas ou em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), as Prefeituras oferecem ou apoiam centenas de treinamentos técnicos e especializados e totalmente gratuitos em todas as áreas da atividade agrícola e pecuária.

Os municípios mais avançados mantém o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) credenciado junto ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) do Ministério da Agricultura. Esse serviço permite que milhares de pequenas agroindústrias de processamento de carne sejam inspecionadas e habilitadas à comercialização de produtos cárneos, com expressivo incremento à economia local e regional.

Nessa mesma linha de vanguarda, alguns municípios estabeleceram convênio com o Instituto de Meio Ambiente do Estado e foram autorizados a analisar, aprovar e emitir licenças ambientais de construção, instalação e operação de empreendimentos, como granjas, incubatórios, criatórios de aves e suínos etc. Os ganhos são impressionantes em simplificação, desburocratização e rapidez.

As políticas para a agricultura e o agronegócio dependem do governo central, mas o apoio material ao setor primário é dever das administrações municipais, razão pela qual as eleições deste ano devem estar no radar das prioridades de todos que formam nosso rico e multifacetado universo rural.

Fonte: Assessoria
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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