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Colunistas Tecnologia na lavoura

Sustentabilidade na agricultura brasileira deve contemplar a capacitação do produtor rural

Quem está no campo precisa de preparo para entender o potencial das novas soluções para a produtividade e para o meio ambiente

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Foto: Shutterstock

No agronegócio, a evolução tecnológica acompanha os desafios de cada conjuntura. A produtividade, ponto de atenção constante no campo, cada vez mais compartilha espaço com a sustentabilidade. Só quem conhece a cadeia do campo até a mesa do consumidor entende o protagonismo do produtor rural para assegurar a qualidade dos alimentos. Afinal, o valor nutritivo do que é consumido depende do manejo realizado no início da cadeia. Por isso, a adoção de tecnologias avançadas como os fertilizantes especiais, condicionadores de solo e substratos para plantas demanda a capacitação por parte dos agricultores para que as plantas possam atingir o máximo potencial genético.

Ao compartilhar conhecimentos com um público estratégico como os agricultores, a indústria e os órgãos setoriais como a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) estão unidos para auxiliar na compreensão acerca dos benefícios dessas inovações e de como elas devem ser aplicadas. Muito mais que uma questão técnica, trata-se de uma colaboração na difusão de informações para apoiar o agricultor no enfrentamento de desafios relacionados ao solo, clima e à cultura.

Cabe pontuar a necessidade de uma abordagem prática durante os programas de capacitação. Em vez de apenas fornecer informações teóricas, os agricultores devem participar de demonstrações práticas no campo, workshops interativos e outras experiências hands-on. Isso os ajuda na compreensão dos conceitos teóricos e na aplicação de novos processos, tecnologias e práticas sustentáveis. Uma abordagem como essa é essencial para que os agricultores desenvolvam uma compreensão mais profunda e a confiança na aplicação efetiva das inovações em suas operações diárias.

Tal colaboração precisa ter um horizonte de longo prazo, de forma continuada. Não se trata de ação pontual. Incentivar a educação continuada significa promover programas e oportunidades de aprendizado, permitindo que os agricultores se mantenham atualizados em relação às últimas tecnologias e às melhores práticas sustentáveis. A ênfase é fomentar um ambiente de aprendizado constante para os agricultores, proporcionando-lhes as ferramentas necessárias para acompanhar o compasso dos desafios ambientais.

Gustavo Vasques, conselheiro da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Foto: Divulgação/Abisolo)

A indústria representada pela Abisolo contribui para o enfrentamento de outro desafio: a dependência da importação de insumos à base de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), conhecidos como NPK. Atualmente, o Brasil importa 85% desses insumos. Durante uma palestra no I Fórum de Fertilizantes de Matriz Orgânica, promovido pela Abisolo, o assessor do Ministério da Agricultura, José Carlos Polidoro, explicou que fertilizantes organominerais podem responder por 25% da demanda nacional de insumos NPK, os co-produtos e os resíduos com potencial agrícola respondem por 25% do fósforo, os agrominerais e os remineralizadores por 10% de potássio e os bioinsumos por 10% de nitrogênio e 10% do fósforo, além de fornecerem a tecnologia para aumentar a eficiência dessas soluções.

O crescimento desse segmento tem sido documentado pelo Anuário da Abisolo. Em 2022, o mercado de fertilizantes especiais teve mais um período de crescimento, encerrando o ano com um crescimento médio de 33,2%, quando faturamento chegou a R$ 22,193 bilhões. Além de crescer, a cada ano essa indústria desenvolve novos produtos, produz novas pesquisas, gera empregos e apoia a agricultura nacional, que se destaca no cenário mundial de produção de alimentos e consequentemente pelo impacto no meio ambiente.

A disseminação dessa tecnologia passa pela capacitação de quem está no campo e deve ser vista como um investimento no futuro da agricultura brasileira. A nutrição de plantas é uma ciência complexa e demandante de conhecimentos. Esse aspecto emerge como um elemento-chave para que novas soluções sejam disseminadas no mesmo compasso em que as demandas da sociedade pautam mais a agricultura. A busca constante por eficiência e sustentabilidade coloca o Brasil como exemplo para outros países agrícolas, mesmo que ainda haja pontos de melhoria.

Fonte: Por Gustavo Vasques, conselheiro da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo)

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Força, tchê!

O agronegócio gaúcho, que tanto orgulha o Brasil, ressurgirá ainda mais forte.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Diante da pior crise climática de sua história, o Rio Grande do Sul tem mostrado ao Brasil e ao mundo a força e a resiliência de seu povo. As enchentes que devastaram o estado, ceifando vidas, forçando milhares de famílias a deixarem suas casas e interrompendo atividades essenciais, também revelaram a fibra e a solidariedade do Brasil e de cada gaúcho. Neste momento de adversidade, é crucial que todos se unam para reconstruir o que foi perdido e retomar as atividades com coragem renovada.

O agronegócio gaúcho, um dos pilares da economia do estado e do país, foi duramente atingido. Propriedades inundadas, lavouras destruídas e criações afetadas representam um desafio imenso para os produtores. No entanto, a história do Rio Grande do Sul é marcada por superações e vitórias diante das dificuldades. O campo gaúcho sempre foi sinônimo de trabalho árduo e dedicação, e será essa mesma determinação que levará à recuperação.

A todos os produtores rurais, trabalhadores do campo, das agroindústrias e suas famílias, a mensagem é de força e esperança. A natureza, em sua imprevisibilidade, trouxe esta crise, mas é com a união de esforços que será possível superar mais este obstáculo.

Milhares de pessoas de todos os cantos do Brasil têm se mobilizado para ajudar o Rio Grande do Sul. Essa corrente de apoio e compaixão é uma prova do quanto o país valoriza e se solidariza com o estado. Desde doações até a presença de voluntários, a ajuda tem sido fundamental para aliviar o sofrimento e acelerar a recuperação.

As cenas de solidariedade que têm sido vistas, com pessoas ajudando umas às outras, compartilhando o pouco que têm e trabalhando juntas, são um poderoso lembrete de que, mesmo nos momentos mais difíceis, o espírito comunitário prevalece. Cada gesto de ajuda, cada mão estendida fortalece a confiança no futuro.

Às autoridades, organizações e todos os envolvidos nos esforços de resgate e assistência, o reconhecimento e a gratidão são imensos. É crucial que as políticas públicas e os recursos necessários cheguem aos que mais precisam, garantindo um suporte efetivo e contínuo para a recuperação das áreas afetadas.

O agronegócio gaúcho, que tanto orgulha o Brasil, ressurgirá ainda mais forte. A inovação, a tecnologia e o conhecimento dos produtores serão os alicerces dessa retomada. Com o apoio de toda a sociedade e a força do trabalho coletivo, o Rio Grande do Sul se reerguerá.

Neste momento, deseja-se força, coragem e resiliência a todos os atingidos. Que todos possam encontrar, na compaixão e na solidariedade, a energia necessária para reconstruir suas vidas e suas atividades. Unidos, todos superarão essa crise e construirão um futuro ainda mais próspero para o estado.

Força, tchê! Juntos, todos são mais fortes.

O Presente Rural manifesta sua solidariedade e compromisso com o povo gaúcho e o agronegócio, reafirmando a importância da união e do trabalho conjunto para superar as adversidades.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura de leite e na produção de grãos acesse a versão digital de Bovinos, Grãos e Máquinas, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: Por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe do jornal O Presente Rural
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Mar Vermelho: o cenário atual do frete marítimo e seus reflexos globais

O valor do frete marítimo experimentou um aumento expressivo entre dezembro e janeiro, sinalizando potenciais desafios para as cadeias de suprimentos globais.

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Foto: Rodrigo Félix Leal/SEIL

Como bem sabemos, a crise bélica no Mar Vermelho trouxe consigo uma onda de mudanças significativas no mercado de frete marítimo nesse início de 2024. Por sua vez, isso gera preocupações e questionamentos sobre seus impactos nos setores econômicos já que, de acordo com dados apresentados pelos índices Freightos e Drewry, o valor do frete marítimo experimentou um aumento expressivo entre dezembro e janeiro, sinalizando potenciais desafios para as cadeias de suprimentos globais.

Uma das consequências imediatas desse aumento de custo é o possível e iminente repasse para os produtos de bens de consumo, o que poderá contribuir para a elevação da inflação. Contudo, é essencial compreender que tais impactos podem não ser totalmente evidentes de imediato, visto que a curva de repasse de custos na supply chain não ocorre instantaneamente e que, neste cenário, o estoque já existente desempenha um papel crucial, retardando a absorção total dos aumentos de frete.

O Ano Novo Chinês também pode causar impacto

Um fator adicional a ser considerado é a proximidade do feriado do Ano Novo Chinês, historicamente associado a um pico nos preços de frete e congestionamentos devido à antecipação de pedidos e embarques. Assim, é razoável esperar que os impactos mais expressivos do aumento do frete se manifestem em fevereiro, uma vez que os efeitos dessa conjuntura se desdobram ao longo do tempo.

Contrariamente a cenários passados, o atual momento internacional não sugere uma quebra nas cadeias globais. Enquanto anteriormente testemunhamos um aumento exponencial na demanda por frete, impulsionado pela injeção de capital nas maiores economias globais, o momento presente é caracterizado por uma demanda mais moderada.

Além disso, não estamos enfrentando lockdowns em larga escala como na pandemia, o que permite uma resolução mais eficaz dos impactos imediatos através de rotas já estabelecidas.

Impactos para o agronegócio 

Os setores agrícola e de granéis apresentam nuances distintas em relação aos efeitos do aumento do frete. No agronegócio, os impactos imediatos são mais evidentes na proteína animal e no comércio de açúcar em contêineres, que enfrentam custos mais elevados e tempos de entrega prolongados.

No entanto, os índices Baltic e Platts revelam uma redução efetiva nos fretes de granéis de dezembro para janeiro, apesar de algumas preocupações sobre uma possível migração de granéis do transporte em containers para navios categoria handy, o que poderia resultar em aumentos de custo.

A sensibilidade das cotações internacionais do petróleo é outro elemento crítico a ser considerado, especialmente em regiões produtoras e em rotas estratégicas, como o Canal de Suez. A tensão na região, aliada ao uso frequente do Canal por tanques russos para transportar petróleo e derivados para o mercado asiático, torna evidente que eventos adversos podem gerar volatilidade nos preços internacionais do petróleo.

Diante desse cenário desafiador, é imperativo que empresas e governos adotem estratégias flexíveis e proativas para mitigar os impactos do aumento do frete marítimo. O monitoramento constante da situação global, a busca por eficiências na cadeia de suprimentos e a busca por alternativas logísticas são medidas cruciais para enfrentar os desafios emergentes.

Em suma, a dinâmica do frete marítimo neste início de 2024 exige uma abordagem cautelosa e colaborativa de todos os envolvidos na cadeia logística global. A compreensão dos fatores em jogo, aliada à ação estratégica, é fundamental para assegurar a resiliência e a sustentabilidade das operações comerciais em meio a um ambiente econômico em constante evolução.

Fonte: Por Larry Carvalho, advogado especialista em Logística, Comércio Exterior e Agronegócios
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Inovação sustentável no Brasil: o papel da propriedade intelectual e do INPI

O vínculo entre sustentabilidade e propriedade intelectual não apenas protege as inovações que impulsionam o desenvolvimento sustentável, mas também promove a colaboração, o compartilhamento de conhecimento e o desenvolvimento de um ambiente que estimule a criatividade e a solução de problemas.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A inovação sustentável é um conceito-chave no mundo de hoje, com o objetivo de encontrar soluções criativas e eficientes para questões ambientais, sociais e econômicas. Seu objetivo é pavimentar o caminho para um futuro mais equilibrado e resistente.

Nesse contexto, o vínculo entre sustentabilidade e propriedade intelectual (IP) é crucial, especialmente no que diz respeito aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Ele não apenas protege as inovações que impulsionam o desenvolvimento sustentável, mas também promove a colaboração, o compartilhamento de conhecimento e o desenvolvimento de um ambiente que estimule a criatividade e a solução de problemas.

Recentemente, por meio de sua agenda para 2024, o INPI revelou uma estratégia ambiciosa que coloca a sustentabilidade ambiental no centro das inovações em propriedade intelectual; um apelo para que as empresas repensem sua inovação através de uma nova lente: a da responsabilidade ecológica.

Uma das iniciativas significativas descritas no Plano de Ação é a criação do “Observatório de Tecnologias Verdes” na região amazônica, com o objetivo de promover inovações sustentáveis e salvaguardar a biodiversidade. O plano também destaca a importância das parcerias internacionais, exemplificadas pelo envolvimento do Brasil em iniciativas como a Programa EUROCLIMA + e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) Iniciativa Verde IPO, demonstrando a dedicação do país aos esforços globais de sustentabilidade.

O INPI fez durante anos a inovação sustentável no Brasil um de seus principais objetivos. Desde 2016, oferece um exame prioritário dos pedidos de patentes relacionados às tecnologias verdes, permitindo a identificação de novas tecnologias que podem ser adotadas rapidamente pela sociedade, incentivando o licenciamento, e promover a inovação no país.

O exame dessas tecnologias ocorre como uma questão prioritária, permitindo a concessão de patentes mais rapidamente, e para que os detentores de patentes possam licenciar essas tecnologias protegidas ou se beneficiar de tecnologias ambientalmente amigáveis mais cedo do que o esperado.

Além disso, para promover esse segmento de mercado, o INPI aderiu a plataforma internacional VERDE WIPO, que acelera a visibilidade e a comercialização de tecnologias verdes, conectando investidores e empresas com um interesse comum em soluções ambientalmente responsáveis. Implementou o sistema e-PCT, um serviço on-line que permite aos escritórios receptores, autoridades internacionais e usuários registrados acessar, com segurança, solicitações internacionais arquivadas sob o Tratado de Cooperação em Patentes (PCT).

A transição para o preenchimento eletrônico de patentes oferece inúmeras vantagens ambientais, pois reduz drasticamente o consumo de papel, contribuindo para a preservação da floresta, a redução das emissões de carbono, a necessidade de armazenamento físico de documentos em papel, diminuindo o espaço de escritório e minimizando a pegada ambiental.

O INPI está configurando o que eles chamam de Balcão Único de Inovação. Esta mesa atuará como um hub central, onde pessoas e entidades podem obter ajuda, enviar solicitações ou descobrir patentes, marcas comerciais e outros aspectos da propriedade intelectual, especialmente aqueles relacionados à inovação sustentável.

Criar esta mesa demonstra que está tentando tornar as coisas menos complicadas, reduzindo a burocracia e tornando os processos mais eficientes ao lidar com qualquer coisa relacionada à inovação que esteja dentro de sua responsabilidade.

Além das medidas mencionadas, existem outras iniciativas lideradas pelo órgão destinadas a promover a integração da inovação sustentável e da propriedade intelectual: suporte personalizado, que fornece assistência especializada para projetos de inovação sustentável; educação para treinamento em direitos de propriedade intelectual para inovações sustentáveis; parcerias para colaborar com as partes interessadas para reforçar os ecossistemas de inovação sustentável; consciência pública com campanhas para destacar o papel dos direitos de PI na sustentabilidade; e defesa de políticas que integram inovação sustentável e PI.

O Brasil se dedica ao uso da propriedade intelectual para promover soluções ambientalmente sustentáveis, com o objetivo de liderar globalmente a promoção da inovação sustentável e garantir um legado positivo para as gerações futuras. Isso se alinha a vários dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, como garantir o acesso à energia limpa, construção de infraestrutura resiliente, promoção da industrialização inclusiva, promoção da inovação, criando cidades sustentáveis e combatendo as mudanças climáticas.

A integração da inovação e da sustentabilidade não é apenas uma questão ética, mas também uma vantagem competitiva no cenário global, pois as empresas que adotam esses princípios contribuem para um futuro mais sustentável, e se destacar em um mercado cada vez mais consciente.

Por meio de seu Escritório de Marcas e Patentes, o Brasil está na vanguarda desses esforços, incentivando a responsabilidade ecológica e contribuindo para um mundo mais verde. O Plano de Ação do INPI 2024 é um convite para as empresas reavaliarem suas estratégias de inovação, considerarem o impacto ambiental e contribuírem para um futuro sustentável e duradouro.

Fonte: Por Gabriel Di Blasi e Alexandre de Calais Filho, respectivamente, sócio-fundador e pesquisador do Di Blasi, Parente & Associados.
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