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Colunistas Tecnologia na lavoura

Sustentabilidade na agricultura brasileira deve contemplar a capacitação do produtor rural

Quem está no campo precisa de preparo para entender o potencial das novas soluções para a produtividade e para o meio ambiente

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No agronegócio, a evolução tecnológica acompanha os desafios de cada conjuntura. A produtividade, ponto de atenção constante no campo, cada vez mais compartilha espaço com a sustentabilidade. Só quem conhece a cadeia do campo até a mesa do consumidor entende o protagonismo do produtor rural para assegurar a qualidade dos alimentos. Afinal, o valor nutritivo do que é consumido depende do manejo realizado no início da cadeia. Por isso, a adoção de tecnologias avançadas como os fertilizantes especiais, condicionadores de solo e substratos para plantas demanda a capacitação por parte dos agricultores para que as plantas possam atingir o máximo potencial genético.

Ao compartilhar conhecimentos com um público estratégico como os agricultores, a indústria e os órgãos setoriais como a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) estão unidos para auxiliar na compreensão acerca dos benefícios dessas inovações e de como elas devem ser aplicadas. Muito mais que uma questão técnica, trata-se de uma colaboração na difusão de informações para apoiar o agricultor no enfrentamento de desafios relacionados ao solo, clima e à cultura.

Cabe pontuar a necessidade de uma abordagem prática durante os programas de capacitação. Em vez de apenas fornecer informações teóricas, os agricultores devem participar de demonstrações práticas no campo, workshops interativos e outras experiências hands-on. Isso os ajuda na compreensão dos conceitos teóricos e na aplicação de novos processos, tecnologias e práticas sustentáveis. Uma abordagem como essa é essencial para que os agricultores desenvolvam uma compreensão mais profunda e a confiança na aplicação efetiva das inovações em suas operações diárias.

Tal colaboração precisa ter um horizonte de longo prazo, de forma continuada. Não se trata de ação pontual. Incentivar a educação continuada significa promover programas e oportunidades de aprendizado, permitindo que os agricultores se mantenham atualizados em relação às últimas tecnologias e às melhores práticas sustentáveis. A ênfase é fomentar um ambiente de aprendizado constante para os agricultores, proporcionando-lhes as ferramentas necessárias para acompanhar o compasso dos desafios ambientais.

Gustavo Vasques, conselheiro da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Foto: Divulgação/Abisolo)

A indústria representada pela Abisolo contribui para o enfrentamento de outro desafio: a dependência da importação de insumos à base de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), conhecidos como NPK. Atualmente, o Brasil importa 85% desses insumos. Durante uma palestra no I Fórum de Fertilizantes de Matriz Orgânica, promovido pela Abisolo, o assessor do Ministério da Agricultura, José Carlos Polidoro, explicou que fertilizantes organominerais podem responder por 25% da demanda nacional de insumos NPK, os co-produtos e os resíduos com potencial agrícola respondem por 25% do fósforo, os agrominerais e os remineralizadores por 10% de potássio e os bioinsumos por 10% de nitrogênio e 10% do fósforo, além de fornecerem a tecnologia para aumentar a eficiência dessas soluções.

O crescimento desse segmento tem sido documentado pelo Anuário da Abisolo. Em 2022, o mercado de fertilizantes especiais teve mais um período de crescimento, encerrando o ano com um crescimento médio de 33,2%, quando faturamento chegou a R$ 22,193 bilhões. Além de crescer, a cada ano essa indústria desenvolve novos produtos, produz novas pesquisas, gera empregos e apoia a agricultura nacional, que se destaca no cenário mundial de produção de alimentos e consequentemente pelo impacto no meio ambiente.

A disseminação dessa tecnologia passa pela capacitação de quem está no campo e deve ser vista como um investimento no futuro da agricultura brasileira. A nutrição de plantas é uma ciência complexa e demandante de conhecimentos. Esse aspecto emerge como um elemento-chave para que novas soluções sejam disseminadas no mesmo compasso em que as demandas da sociedade pautam mais a agricultura. A busca constante por eficiência e sustentabilidade coloca o Brasil como exemplo para outros países agrícolas, mesmo que ainda haja pontos de melhoria.

Fonte: Por Gustavo Vasques, conselheiro da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo)

Bovinos / Grãos / Máquinas

Qual o papel da tecnologia no desempenho do agronegócio?

Dentre os benefícios da utilização da tecnologia no campo incluem a mitigação e gestão de riscos operacionais, rastreabilidade, confiabilidade, redução de custos, integração da equipe, comunicação, entre outros ganhos que proporcionam um crescimento sustentável para o setor.

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De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio representou 24,8% do PIB do Brasil em 2023. E, não há como negar que a tecnologia se tornou uma grande aliada desse crescimento. Como prova disso, segundo dados da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), cerca de 67% das propriedades agrícolas já aderiram ao uso de algum tipo de inovação tecnológica. Por sua vez, diante da atual era de transformação digital, que também acomete o segmento, é importante compreender como as novas tecnologias podem contribuir para o futuro do setor.

A utilização da tecnologia no campo já é uma realidade, uma vez que agrega benefícios que incluem a mitigação e gestão de riscos operacionais, rastreabilidade, confiabilidade, redução de custos, integração da equipe, comunicação, entre outros ganhos que proporcionam um crescimento sustentável para o setor. Tais vantagens favorecem que o setor mantenha sua posição de destaque na economia.

Atualmente, a aquisição de diversas tecnologias tem influenciado o desempenho do agro, como, por exemplo, a tão conhecida Inteligência Artificial (IA). Entretanto, é importante enfatizar que este recurso, em específico, para o agronegócio, deve ser considerado como um dos pilares na gestão do setor, que tem muito a ganhar com a sua aplicação na utilização conjunta com outras ferramentas vitais para o segmento do agro, como o diagnóstico e recomendações de ações através de aprendizagem de máquinas.

Portanto, dentre as tecnologias existentes, destacam-se: a Internet das Coisas (IoT), que, por meio de sensores, consegue fazer medições e gerar alertas; Machine Learning, a qual, através da IA, dá às máquinas a capacidade de realizar tarefas com base em padrões e tendências; robótica, substituindo trabalhos repetitivos e de riscos no campo; e aplicações de sistemas mobile ou nuvem, proporcionando a integração do setor com a disposição de dados a qualquer hora e lugar.

O uso dessas tecnologias tem como foco principal não apenas contribuir para maior eficiência, mas também favorecer para a consolidação de uma gestão assertiva. Ou seja, com o maior controle de informações e organização das funções, torna-se mais ágil o processo de tomadas de decisões, baseadas em indicadores reais que garantem a solidificação do setor independente do período em que esteja atravessando.

Paralelamente, ter uma gestão assertiva para o agronegócio também é fundamental, considerando a ampla responsabilidade do segmento em aplicar os princípios da agenda ESG nas operações. Deste modo, a tecnologia contribui em cada um destes pilares, em que, do ponto de vista ambiental, proporciona um consumo mais sustentável dos recursos: na esfera social, traz um diferencial nas condições de trabalho e no desenvolvimento comunitário e regional; e no viés corporativo, reflete a integridade das operações com a transparência das movimentações para toda rede de clientes, fornecedores e colaboradores.

No entanto, assim como os outros setores, o agronegócio também é exposto a uma gama de desafios diariamente, que acometem, principalmente, os negócios familiares. Na prática, uma decisão tomada baseada em dados errados pode gerar impactos financeiros altamente significativos à operação da empresa. E, embora sempre seja enfatizado a vital importância da tecnologia para a garantia de crescimento e desempenho, ainda assim, não é incomum encontrarmos nesse meio posições resistentes quanto sua adesão.

Deste modo, precisamos reforçar que, mesmo o agro sendo um setor promissor, cenários de instabilidades causados pelas mudanças climáticas ou baixa de safras também podem afetar seu desempenho. Quanto a isso, não existe fórmula mágica, mas sim preparo, que pode ser feito a partir da utilização de sistemas de gestão que apoiem na realização de análises preditivas, antecipando movimentos a partir da obtenção de dados lapidados.

Outro aspecto importante é que a tecnologia, por si só, não tem o poder de provocar uma transformação. Ou seja, adotar algum dos recursos descritos anteriormente sem nenhuma base ou estrutura, dificulta o alcance do resultado esperado. Sendo assim, ter o apoio de uma consultoria especializada nessa abordagem é uma estratégia vital, uma vez que a equipe irá guiar em toda essa jornada, ajudando a identificar e traçar metas alcançáveis.

Em suma, o papel da tecnologia é acelerar de forma segura o crescimento do agronegócio. Ao olharmos para 2024, o setor terá pela frente uma série de desafios, os quais podem ser desburocratizados com a utilização correta dos recursos tecnológicos, auxiliando para uma maior acessibilidade e controle operacional. Todavia, para que esse resultado seja alcançado, é fundamental que aqueles que ainda não têm essa compreensão a obtenham o quanto antes, já que o tempo não espera, e ficarão à frente só os que estiverem preparados.

Fonte: Por Alêssa Ramos, gerente de negócios da SPS Group.
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Colunistas

Cinco principais erros em cibersegurança no agronegócio: o que fazer?

Especialista destaca os riscos aos quais organizações do setor estão expostas.

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O agronegócio brasileiro encerrou 2023 com superávit acumulado de US$ 148,58 bilhões, um crescimento de 4,9% em relação a 2022, de acordo com dados apurados pelo Ipea. “O montante mantém o setor como uma das principais atividades econômicas do Brasil, inclusive com destaque no PIB do País. O grande problema é que essa importante representatividade têm atraído a atenção dos cibercriminosos. Os ataques têm sido dos mais variados, de simples a sofisticados”, conta Adriano Galbiati, diretor de operações da NovaRed.

Diretor de operações da NovaRed, Adriano Galbiati: “Quando o assunto é agronegócio, é preciso considerar que o potencial de um ataque bem-sucedido é bastante amplo” – Foto: Divulgação/NovaRed

executivo explica que, para se estabelecer, operar e se desenvolver de maneira eficiente e competitiva, organizações de todos os portes na cadeira do setor agro têm investido muito em tecnologia. Algumas estão adotando sistemas bastante complexos, conectados intimamente com o negócio, controlando ativos como máquinas agrícolas, sensores diversos, drones, além de processos que incluem compartilhamento de dados e acessos com terceiros, ação que está no radar da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Quando o assunto é agronegócio, é preciso considerar que o potencial de um ataque bem-sucedido é bastante amplo. Um incidente pode deixar um sistema indisponível, restringir o acesso a infraestruturas críticas, alterar e/ou paralisar o funcionamento de equipamentos, roubar informações e interferir negativamente na produção de um item perecível, no cuidado com animais, no atendimento ao cliente, no contato com fornecedores e parceiros de negócio e, em casos mais extremos, causando danos físicos a pessoas envolvidas nos processos de produção”, alerta Galbiati.

Para auxiliar as organizações do setor agro a estabelecer ou elevar o nível da própria maturidade digital, Galbiati lista os cinco principais erros em cibersegurança:

Não classificar a cibersegurança como prioridade
Muitas vezes, na ânsia de implementar uma tecnologia para elevar a eficiência do negócio, empresas de diferentes setores, incluindo o agronegócio, adotam soluções considerando apenas a popularidade, o preço e a funcionalidade, porém sem se atentar para a necessidade de avaliar se o software foi desenvolvido para, também, ser seguro. Vale destacar que, ao priorizar a cibersegurança, merece atenção tanto as tecnologias quanto as ações de conscientização e treinamento da equipe.

Não ter visibilidade dos dados e ativos
Não há como defender um ambiente digital sem conhecer a infraestrutura, os dados disponíveis e as vulnerabilidades dessa superfície de risco. Nesse quesito, é preciso considerar a existência da prejudicial prática do Shadow IT, em que diferentes áreas do negócio implementam novas ferramentas de tecnologia sem que essa ação passe por aprovação e supervisão das áreas de tecnologia e segurança da informação. Sem visibilidade, sem proteção.

Não incluir a opinião de profissionais de TI e SI nas decisões estratégicas
Ter profissionais especializados em tecnologia e segurança da informação participando da tomada de decisões estratégicas do negócio faz toda a diferença para que exista um direcionamento mais certeiro tanto com relação ao melhor uso das soluções de tecnologia existentes quanto da adequada segurança das informações. O assunto cyber segurança deve estar no board de todas as empresas.

Não estabelecer alianças com profissionais especializados em segurança da informação 
Devido à complexidade da área de cibersegurança, é útil que as empresas contem com especialistas qualificados, certificados e atualizados. O objetivo é proteger o ambiente de novas ameaças cibernéticas do mercado e evitar novos pontos de vulnerabilidade. Esse profissional pode integrar a equipe interna, mas, diante da escassez de mão de obra qualificada e do alto turnover nas áreas de TI e SI, é estratégico contratar os serviços de um parceiro externo especializado.

Pagar pelo resgate de dados
Um estudo da Cybersecurity Ventures constatou que o Cibercrime irá faturar US$ 10,5 trilhões por ano até 2025, em um crescimento anual de 15% no mundo todo. No momento de pressão, o pagamento pelo resgate dos dados roubados pode parecer a solução mais rápida para resolver o problema da organização.

Porém, é preciso considerar que as informações retornarão em um ambiente infectado e propenso a novos ataques. Ceder a essa chantagem também reforça no criminoso a certeza de que o crime compensa. “Com o aumento de ciberataques, a prevenção deve ser trabalhada para minimizar as vulnerabilidades. O início dessa jornada deve ser trilhado com um Centro de Operações de Segurança (SOC) e um Plano de Resposta a Incidentes de Segurança Cibernética (IRP). Essa estratégia, além de mitigar riscos, torna o processo de recuperação de dados menos danoso em termos financeiros, legais, reputacionais e físicos”, detalha Galbiati. “Em caso de incidentes cibernéticos, a falta de preparo e de apoio adequados pode resultar em medidas precipitadas que agravam o evento”, finaliza.

Fonte: Assessoria NovaRed
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Colunistas Mercado de carbono em 2024

O que esperar do ano que promete ser o mais quente da história

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Não dá pra falar sobre a importância das Soluções Baseadas na Natureza, como os projetos de carbono, sem avaliar as consequências das mudanças que o planeta vem sofrendo. O ano de 2023 foi, de longe, o ano mais quente da história conforme divulgado no relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Chegamos ao marco de 1,45°C acima dos níveis pré-industriais, o que é muito próximo do limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris.

E a expectativa para 2024 é que a temperatura suba ainda mais, isso porque o mundo vem sofrendo com o fenômeno meteorológico do El Niño combinado com um planeta e oceanos mais quentes. Essas mudanças climáticas não afetam somente a sensação térmica da população, mas é também responsável por temporais e má distribuição de chuvas na Terra, causando secas e inundações em diversas partes do globo e inúmeros prejuízos.

Durante a COP28, em 2023, o mercado de carbono foi amplamente discutido por ser uma das Soluções Baseadas na Natureza para combater as mudanças climáticas. Apesar de alguns desafios que o mercado de carbono enfrentou em 2023 – aqui posso citar a queda no valor dos créditos devido a fatores externos, como as guerras da Ucrânia e Gaza, e uma desconfiança gerada por algumas narrativas – mudanças positivas ocorreram e trazem boas perspectivas para o ano de 2024. Um exemplo é a aprimoração da metodologia de verificação dos créditos pelo órgão responsável, que está mais robusta e passou a inibir projetos não consistentes e condizentes com a seriedade exigida pelo mercado, fortalecendo a credibilidade de empresas sérias.

Uma tendência que já se apresentava em 2023, e acredito que ficará ainda mais evidente em 2024, é a procura por créditos gerados por meio de projetos de reflorestamento. Esses créditos, além de mais valorizados pelo mercado, ainda são responsáveis pela regeneração de biomas importantes como o Cerrado, onde há nascentes que abastecem seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil e corredores de chuva formados, tão importantes para a atividade rural.

Apesar de 2024 ser um ano climaticamente desafiador, e também por isso, ele acaba sendo um ano de grandes oportunidades para o mercado de carbono que oferece uma solução sólida tanto para quem busca compensar suas emissões de carbono quanto para o proprietário rural que lucra com a conservação e regeneração da floresta.

Fonte: Por Diego Serrano, COO e diretor de ARR da brCarbon.
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