Suínos
Competição por tetos afeta desempenho e taxa de mortalidade em rebanhos hiperprolíferos
No entanto, esse aumento na prolificidade das fêmeas suínas tem apresentado um grande desafio em relação a disponibilidade de tetos para todos os leitões.

Com os avanços do melhoramento genético, as fêmeas suínas têm se tornado cada vez mais hiperprolíficas, aumentando sua capacidade de reprodução e o número de leitões nascidos vivos. De acordo com um levantamento feito pela Agriness, a média de nascidos vivos em 2021 foi de 13,75 leitões por ninhada, mas em granjas com melhor desempenho, esse número pode chegar a 15,47.
No entanto, esse aumento na prolificidade das fêmeas suínas tem apresentado um grande desafio em relação a disponibilidade de tetos para todos os leitões. Em geral, as fêmeas suínas possuem entre 13 a 15 tetos funcionais, podendo variar ao desmame. “A restrição de tetos disponíveis leva a uma competição acirrada entre os leitões para acessar o teto da fêmea, o que prejudica a mamada e pode resultar em lesões corporais tanto nos leitões quanto no complexo mamário da matriz. Esses fatores interferem diretamente no crescimento e no desempenho dos leitões, além de aumentar as taxas de mortalidade pré-desmame”, relatou Ana Paula Gonçalves Mellagi, doutora em Ciências Veterinárias e professora do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Doutora em Ciências Veterinárias e professora do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ana Paula Gonçalves Mellagi – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A especialista explica que nestes casos os leitões menores, em particular, enfrentam dificuldades em obter a quantidade necessária de colostro e leite para sobreviver, o que agrava os índices de mortalidade por esmagamento e fome. Diante desse cenário, é preciso buscar alternativas práticas para reduzir as taxas de mortalidade de pré-desmame e melhorar o desempenho dos animais.
Entre as alternativas destacadas pela docente da UFRGS está o uso de mães de leite, o aleitamento artificial, a uniformização com leitões excedentes e a socialização pré-desmame. “Essas práticas têm como objetivo viabilizar melhores oportunidades de acesso ao leite, garantindo que todos os leitões tenham uma alimentação adequada para um desenvolvimento saudável”, pontua.
Uso de mães de leite
Entre as abordagens utilizadas para lidar com o problema dos leitões excedentes e promover maior sobrevivência e crescimento está o uso de mães de leite. Essas são fêmeas suínas que adotam leitões de outras leitegadas após terem desmamado sua própria ninhada.
De acordo com doutora em Ciências Veterinárias, existem duas estratégias principais para esse manejo, conhecidas como uma etapa e duas etapas. Na estratégia de uma etapa, fêmeas recentemente desmamadas são selecionadas para receber leitões recém-nascidos de outra ninhada, permanecendo com elas durante uma lactação completa. Já na estratégia de duas etapas, são envolvidas no processo duas fêmeas: uma com uma semana de lactação é planejada para receber leitões com até 24 horas de vida, enquanto os leitões de sete dias de idade são alocados em outra matriz com uma lactação mais avançada. “O objetivo dessas estratégias é garantir que todos os leitões tenham acesso ao leite, mesmo que sejam amamentados por fêmeas com diferença de idade lactacional em relação à idade dos leitões. No entanto, há preocupações quanto a perda de condição corporal das fêmeas utilizadas como mães de leite, uma vez que passam mais tempo em lactação”, revela Ana Paula.
Um estudo comprovou que a utilização de mães de leite aumentou o peso dos leitões até o terceiro dia de vida, não havendo diferenças para o peso ao desmame. Na pesquisa também não foi observado alterações na condição corporal das fêmeas, que passaram por até duas semanas a mais de lactação. No entanto, Ana Paula diz que foram apontadas preocupações com relação a problemas locomotores, lesões de úbere e possíveis prejuízos no desempenho subsequente das fêmeas envolvidas nesse manejo.
Outra pesquisa mostra que o número de leitões nascidos totais foi menor em mães de leite (16,2 leitões) em relação às demais (17,2 leitões). Como consequência, a especialista relata que pode haver uma redução no número desmamados por leitegada e desmamados/fêmea/ano.
Além dos controles diretos no número de leitões, um dos desafios observados é a redução na eficiência do uso das gaiolas de maternidade quando há um alto percentual de uso de mães de leite no sistema de produção. “Isso ocorre porque a presença de uma mãe de leite ocupa um espaço que poderia ser utilizado por outra fêmea convencional, o que consequentemente diminui o número de fêmeas cobertas por lote”, expõe Ana Paula, acrescentando: “A separação do leitão de sua mãe biológica resulta em um alto nível de estresse quando ele é transferido para outra fêmea. Nesse processo, o leitão precisa estabelecer uma nova ordem de tetos e criar um vínculo com a mãe adotiva”.
Contudo, a doutora em Ciências Veterinárias afirma que a utilização da estratégia de uma etapa pode reduzir esse estresse, uma vez que a ordem de tetos pode ser estabelecida até o terceiro dia de vida. Por outro lado, na estratégia de duas etapas, os leitões são transferidos tardiamente, o que significa que eles terão que restabelecer a ordem de tetos, gerando um desafio maior devido a maior disputa por tetos.
Além do impacto no bem-estar dos leitões, Ana Paula aponta que o uso de mães de leite também tem consequências na disseminação de agentes patogênicos. “Estudos recentes indicam que esse manejo pode facilitar a transmissão do vírus da Influenza A e da Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRRS), aumentando a pressão de infecção durante a fase lactacional e desmamando leitões positivos”, ressalta.
Aleitamento artificial
Uma alternativa recomendada para leitegadas com leitões excedentes é o aleitamento artificial, que visa garantir uma fonte de nutrição para os leitões. Atualmente, existem os sistemas de deck, em que os leitões têm acesso apenas ao leite ou ao sucedâneo artificial; e o sistema de suplementação, no qual os leitões têm acesso tanto ao leite da fêmea quanto ao sucedâneo. “O objetivo destes sistemas é facilitar o aleitamento dos leitões excedentes ou com baixa viabilidade, que poderiam vir a óbito se mantidos em condições normais com a fêmea. No entanto, em ambos os sistemas é necessário ter cuidado com a idade dos leitões, a formulação do sucedâneo, a mistura de lotes durante a transferência e a higiene dos equipamentos”, menciona Ana Paula.
Várias questões são levantadas em relação a esse manejo, principalmente em relação ao desempenho e à sobrevivência da leitegada. Um estudo mostrou que o peso ao desmame, o ganho de peso diário e a mortalidade não foram afetados em leitegadas suplementadas com sucedâneo de leite. Já em outra pesquisa foi observada uma melhora no ganho de peso nas primeiras 24 horas de vida e uma redução na taxa de mortalidade em leitões de baixo peso. Por outro lado, leitegadas alimentadas apenas no sistema de deck (com leite artificial) podem apresentar menor peso ao desmame, provavelmente devido à mudança na dieta e ao estresse da separação da fêmea. “O aleitamento artificial e o acesso ao sucedâneo reduziram as competições e o número de lesões faciais nos leitões, melhorando o bem-estar dos animais. O acesso ao sucedâneo de leite também reduziu as disputas por tetos, consequentemente, diminuindo esse número de brigas. Porém, quando apenas os decks são usados para alimentar os leitões, observou-se um aumento do comportamento de belly-nosing (lamber a barriga), bem como mordeduras nas orelhas e caudas de outros leitões”, salienta a docente da UFRGS.
Leitegada com leitão excedente ao número de tetos
Em granjas produtoras de leitões, o sucesso econômico está diretamente relacionado a um maior número de leitões desmamados por fêmea, baixa taxa de mortalidade e pesos adequados ao desmame. No entanto, em situações em que há restrições no uso de mães de leite ou com desafios sanitários, Ana Paula diz que é necessário traçar abordagens para desenvolver estes leitões excedentes. “O manejo em bandas pode ser uma alternativa, no qual a disponibilidade para formação de mães de leite pode ser reduzida, dependendo do intervalo entre os lotes”, frisa.
Além disso, devido às perdas neonatais concentrarem-se nos primeiros dias de vida, é possível que as glândulas mamárias da fêmea apresentem involução não estimulada em uma fase muito precoce da lactação. Em outra pesquisa, em que leitegadas foram uniformizadas em relação ao número funcional de tetos da fêmea, classificados como DEC: dois leitões a menos; CON: mesmo número de leitões e tetos funcionais; e INC: dois leitões a mais, observou-se que o tamanho da leitegada ao desmame foi estatisticamente maior para o grupo INC em comparação com o DEC, mas não houve diferença em relação ao grupo CON (13,3, 11,3 e 12,6 leitões, respectivamente).
Em outro estudo, ao uniformizar leitegadas com um leitão a mais em relação ao número de tetos, constatou-se um aumento de 0,67 leitão no desmame, porém, esses leitões estavam mais leves do que aqueles em leitegadas com a mesma quantidade de leitões e tetos. De forma semelhante, em outro experimento observou-se que a uniformização de leitegadas com um leitão adicional ao número de tetos resultou em um aumento de 0,4 leitão no desmame, resultando em um melhor aproveitamento dos tetos funcionais até o desmame.
Já em um outro estudo foram avaliadas leitegadas formadas com um número de leitões igual ao número de tetos funcionais (LS14 – 14 leitões); leitegadas com mais leitões do que tetos (LS17 – 17 leitões) e associadas à suplementação com sucedâneos lácteos ao longo de toda a lactação (+MILK) ou sem (-MILK). “Nesta pesquisa observou-se uma interação entre o tamanho da leitegada e a suplementação, em que o peso ao desmame foi maior para o grupo LS17+MILK em comparação com o LS17-MILK, sem efeito do suplemento em leitegadas com 14 leitões”, explica Ana Paula, complementando: “A implementação de abordagens como o uso de substitutos de leite para leitegadas com leitões excedentes tem mostrado resultados positivos na redução da mortalidade e no aumento do peso ao desmame”.
Ainda de acordo com a especialista, leitegadas com leitões excedentes demandam um maior esforço metabólico por parte da fêmea para produzir a quantidade de leite necessária, contudo, as fêmeas modernas nem sempre conseguem suprir essa demanda, resultando em impactos negativos na sua condição corporal durante o período de lactação.
Segundo Ana Paula, embora haja um consenso de que fêmeas com um grande número de leitões possam enfrentar um maior catabolismo lactacional, estudos recentes com leitões excedentes não relatam as condições das fêmeas ao desmame, porém, recentemente, constatou-se que leitegadas com um leitão adicional em relação ao número de tetos têm pouca ou nenhuma influência na perda de condição corporal da fêmea, além disso, o escore de lesão no aparelho mamário das fêmeas não foi comprometido pelo tamanho da leitegada em relação ao número de tetos. “Em situações de desafios sanitários ou quando há uma alta demanda por mães de leite, a uniformização com um leitão excedente pode ser uma estratégia para aumentar a produtividade e otimizar o número de fêmeas no plantel”, sugere Ana Paula.
Socialização de leitegadas
Os leitões começam a interagir com outras leitegadas por volta da segunda semana de vida, quando a fêmea retorna ao grupo de origem em condições de vida livre. Porém em condições comerciais, isso ocorre pela primeira vez ao desmame.
Em rebanhos hiperprolíferos, a mistura de leitegadas no período pré-desmame tem se mostrado uma estratégia eficaz para o desenvolvimento dos leitões. “Essa prática possibilita que os animais tenham acesso aos tetos de outras fêmeas, melhorando sua habilidade social e formação de hierarquias e de dominância estáveis, além de promover taxas de crescimento maiores após o desmame”, enfatiza.
Conforme a especialista, a socialização das leitegadas traz diversos benefícios. Estudos indicam que entre 29% e 39% dos leitões em leitegadas socializadas mamam em outras fêmeas. “Essa prática é especialmente benéfica quando o acesso aos tetos é limitado, auxiliando no ganho de peso da leitegada. Em experimentos, a socialização é realizada entre seis e 14 dias de idade, demonstrando um aumento significativo no comportamento lúdico em relação ao grupo não socializado”, evidencia Ana Paula.
Promover a mistura das leitegadas antes do terceiro dia de vida dos leitões pode reduzir disputas e aumentar os eventos de cross-suckling, beneficiando especialmente os leitões de fêmeas com baixa produção de leite. Outra prática de aleitamento coletivo é o multi-suckling, que permite a socialização tanto das fêmeas quanto das leitegadas. Embora apresente vantagens em termos de bem-estar animal, essa prática também pode aumentar a taxa de mortalidade devido ao risco de esmagamento dos leitões.
Estudos demonstram que leitões socializados antes do desmame apresentaram um aumento de 81% no consumo de ração entre o primeiro e o segundo dia pós-desmame, além de um ganho de peso 82% maior até o quinto dia em comparação com leitegadas submetidas ao manejo convencional de lactação. “É crucial encontrar um equilíbrio entre os aspectos econômicos e o bem-estar animal, garantindo um ambiente saudável para os suínos, maximizando sua eficiência produtiva. A implementação de medidas adequadas de manejo, aliada à seleção genética criteriosa, pode contribuir para enfrentar os desafios e otimizar os resultados na produção suinícola”, considera Ana Paula.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Suínos
Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol
Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”
Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.
Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.
Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.
Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock
A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.
A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.
Produção segura e rentável
De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.
Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.



