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Coletor de ovos reduz perdas na avicultura familiar

Ideia surgiu da necessidade de encontrar solução para grande índice de perda de ovos após a postura das aves, que chegava a mais de 50%

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Fernando Sinimbu

Um coletor que protege a produção de ovos dos predadores – como animais cobras, cães, o pássaro cancão (Cyanocorax cyanopogou) e o lagarto teiú (Tupinambis teguixim) – está melhorando os resultados da avicultura familiar no Nordeste brasileiro. Desenvolvido pela Embrapa Meio-Norte (PI), o coletor, que já é conhecido como “piano de galinheiro”, devido à semelhança com o instrumento musical, está mudando o perfil da produção de ovos caipiras de cinco municípios do Piauí e de um do Maranhão.

“A ideia surgiu da necessidade de se encontrar uma solução para o grande índice de perda de ovos após a postura das aves, que chegava a mais de 50%”, revela o biólogo Marcos Jacob Almeida, que desenvolveu o instrumento e integra a equipe que trabalha na conservação da galinha Canela Preta (Gallus gallus) do projeto, liderado pela Embrapa Suínos e Aves (SC). Hoje, praticamente não há perdas. O coletor já está sendo usado em 49 municípios do Piauí, Ceará, Maranhão, Bahia e Pernambuco.

O instrumento veio também para resolver um dos maiores problemas da avicultura familiar da região: o acesso das aves à alimentação natural no próprio terreiro. Para evitar que as galinhas comam os próprios ovos, o avicultor cerrava o bico da ave, procedimento que era feito em larga escala. Com isso, o animal tinha dificuldade de comer fragmentos de grãos e insetos, por exemplo, perdia peso, ficava fraco e facilmente era atacado por doenças. “Esse é outro ponto importante no processo de desenvolvimento da produção de aves caipiras”, garante Almeida.

O primeiro relato de sucesso vem do município de Codó, na região dos Cocais maranhenses. Onias Vieira de Santana, o Baixote, de 66 anos, conseguiu estancar os prejuízos depois que passou a usar o instrumento em seu sítio, no povoado Barra do Saco. “Mais da metade de toda a minha produção de ovos era perdida porque as próprias galinhas a comiam”, relata. Hoje, segundo ele, as perdas são mínimas e acontecem quando uma ave está choca e não quer abandonar o ninho. “Com isso, outra galinha que quer pôr não entra no ninho e faz a postura no terreiro, o que facilita a ação dos predadores”, conta.

Com 300 unidades no plantel, todas da raça Canela Preta, Baixote tem uma produção diária de 80 ovos, que são consumidos pela própria família e para a geração de pintos. Além de criar aves caipiras em três galinheiros, todos protegidos com telas de arame, o produtor participa do BioFort, conjunto de projetos da Embrapa com o cultivo de feijão-caupi, batata-doce e milho. A produção vai além dos biofortificados. O sítio, de sete hectares, produz ainda melancia e banana, que são comercializadas na feira do município.

O zootecnista da Embrapa Meio-Norte e especialista em aves Robério Sobreira vê a tecnologia como um grande avanço na avicultura familiar do Nordeste. A vantagem principal, no entender dele, é que, após a postura, o ovo rola para um local protegido de predadores e das próprias galinhas, evitando, inclusive, o início do desenvolvimento não planejado de embriões. Ele destaca ainda que o coletor, por ser móvel, possibilita a limpeza e a higienização dos ninhos de forma mais prática e eficiente. Outro ponto importante é que o instrumento tem baixo custo.

Coletor melhorou higiene e organização

Na comunidade Boca da Vereda, a 48 quilômetros do centro histórico de Oeiras, a primeira capital do Piauí, está um dos melhores exemplos de eficiência do coletor de ovos desenvolvido pela Embrapa. Lá, convivendo com o coletor há dois anos, um plantel de 500 galinhas produz dezenas de ovos diariamente, que são comercializados nos mercadinhos da região a R$ 0,70 a unidade. “Antes de usarmos o coletor, nossas perdas eram de quase 50%. Aqui, os ataques eram do Teiú, do Cancão e também das próprias galinhas”, diz Valdiléia de Moura Silva, 20 anos, a responsável pela criação.

Nona filha do casal de agricultores Luis Costa e Cícera Moura, Valdiléia relata que os prejuízos acabaram. “Além de zerar as perdas, o coletor melhorou a higiene e a organização do criatório”. Gerente da propriedade, que tem 80 hectares numa área cercada por 120 famílias, sua meta é ter no mínimo mil aves para incrementar a produção de ovos e ampliar a venda para supermercados de grande porte da região.

No povoado Malhada do Juazeiro, a 18 quilômetros do centro do município de Santo Inácio, no sudeste piauiense, o “piano de galinheiro” garante também a boa produção de ovos de galinhas Canela Preta. Gerenciando uma criação de cerca de 200 aves, Francineto de Lima Sousa, professor de matemática da rede municipal de ensino, mudou de vida e começou a ter lucro há oito meses, quando passou a usar o coletor no plantel.

Ele conta que boa parte da produção era consumida por animais, cães, o lagarto Teiú e o pássaro Cancão, este, um predador voraz do sertão nordestino. “Estamos agora mais vigilantes e atentos. O coletor é inovador e resolveu o problema. Normalizamos a produção e estamos avançando no aumento da criação.” A produção média de ovos caipiras, diariamente, é de 40 unidades, longe ainda da meta estabelecida pelo criador. Ele quer atingir no mínimo 100 por dia. Parte do produto é comercializada na própria comunidade e a outra fica para a geração de pintos, que são vendidos a R$ 3 a unidade.

Na localidade Serrinha, na entrada de Santo Inácio, alunos da Escola Família Agrícola (EFA) Dom Edilberto estão aprendendo a manejar o coletor. São 80 estudantes que se alternam 15 dias na escola e 15 em casa, repassando aos familiares o que aprendem. A criação de galinha reúne cerca de 150 animais. A produção de ovos ainda é pequena, chegando, em média, a 20 unidades por dia. A escola também está inserida no projeto BioFort, produzindo batata-doce, feijão-caupi e macaxeira com altos teores de ferro e zinco.

Estrutura simples e de baixo custo

 Construído com pinus, madeira usada em reflorestamento, leve, resistente e de baixo custo, o coletor tem 1,06 metro de comprimento; 46 centímetros de largura e 62 de altura. Ele é estruturado com quatro ninhos de 28 centímetros cada, para a postura das galinhas. Cada ninho tem capacidade para armazenar até dez ovos. Esse é um modelo-piloto, adequado para abrigar simultaneamente quatro aves. Dependendo do tamanho do plantel, ele pode ser ampliado e ajustado à necessidade da produção. O preço de um coletor-modelo é R$ 250.

Fonte: Embrapa Meio-Norte

Avicultura

Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul

Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

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Foto: Shutterstock

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.

Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.

A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.

Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.

Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.

Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav

sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.

Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.

A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.

Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária

Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

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Foto: Divulgação/Asgav

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav

Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.

Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.

Auditorias apontam evolução das granjas

Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.

A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav

granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.

Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.

Biosseguridade ganha protagonismo

A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.

Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav

Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.

Mercado e competitividade

O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.

Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.

Selo reconhece boas práticas

Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.

Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav

desenvolvidas pela iniciativa.

Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.

Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa

Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

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Fotos: Rodrigo Felix Leal

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.

Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.

Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.

No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.

A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.

Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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