Avicultura
Fatores que influenciam a escolha do probiótico para aves
Escolha do probiótico mais adequado de acordo com a realidade de produção de cada empresa avícola é um dos desafios mais importantes dentro do contexto de saúde intestinal e nutrição animal em escala global.

Artigo escritor por Anita Menconi, Médica-veterinária e Diretora de Negócios da Linha de Especialidades de Monogástricos da Evonik nas Américas, e por Vinícius Teixeira, Médico-veterinário e Gerente Técnico para Saúde Intestinal da Evonik
Os probióticos são usados há muitos anos na avicultura. São tecnologias estratégicas para manter uma boa saúde intestinal, importante para atingir um bom desenvolvimento das aves, aumentar a eficiência produtiva no campo e, consequentemente, melhorar a rentabilidade de um setor que trabalha com margens apertadas em sua busca constante pela eficiência. Contudo, a escolha do probiótico mais adequado de acordo com a realidade de produção de cada empresa avícola é um dos desafios
mais importantes dentro do contexto de saúde intestinal e nutrição animal em escala global. Isso porque o nutricionista precisa escolher a cepa mais adequada de probiótico entre as inúmeras disponíveis no mercado, assim como a quantidade de inclusão na dieta para atingir o resultado esperado, caso contrário, não terá o efeito desejado.
Apesar de ser um produto usado largamente nesta atividade, a inclusão do probiótico deve considerar o processo de fabricação da ração, como a peletização, por exemplo, além de considerar se esta cepa vai chegar íntegra no intestino dos animais e o potencial genético dessa cepa frente aos objetivos da produção. O desafio na escolha do probiótico está no fato de ele pertencer a um campo muito vasto e com resultados muito variáveis. Por isso é importante ter em mente que os probióticos não são iguais.
Mesmo que a gente veja a mesma espécie, os probióticos são diferentes porque a capacidade de uma cepa é diferente da outra. Elas têm características genéticas que precisam ser avaliadas, por isso o primeiro passo é entender que a oferta de probióticos não é igual. Outro ponto importante a considerar é a maneira como ele será aplicado via ração, pois estamos manipulando um organismo vivo que precisa chegar vivo até o animal.
Se as condições de peletização impactam diretamente o resultado, então, algumas perguntas precisam ser respondidas, como qual é a inclusão necessária? Como fazer esta inclusão na dieta das aves? Como testar a viabilidade dos esporos na ração pronta para o consumo? Como estamos misturando na ração? Estamos entregando a quantidade necessária? Sem estas respostas não é possível atingir resultados satisfatórios, já que se trata de uma ferramenta que não pode ser tratada como uma substituição aos antimicrobianos promotores de crescimento, já que eles não são antibióticos. Estamos falando de uma ferramenta importante para promover uma melhor saúde intestinal dos animais e sua consequente melhora no desempenho, mas se não for utilizada da maneira correta, não vai haver resultado. Existe uma série de casos de resultados inconsistentes no uso de probióticos porque eles foram usados de maneira incorreta. Ainda hoje há bastante equívoco na sua utilização.
Os probióticos
Ajustar a saúde intestinal. Esta é a primeira consequência do uso dos probióticos. Ele cria um balanço da saúde intestinal. Com a produção intensiva, especialmente falando de frango de corte, que precisa crescer em um espaço muito curto de tempo. Este processo leva a um desbalanço da saúde intestinal, então, o probiótico é uma bactéria benéfica que vai passar pelo trato gastrointestinal e auxiliar esta microbiota, tornando-a mais equilibrada. Ele contribui com a produção de ácido láctico, por exemplo, que passa pelo intestino e traz benefícios para a microbiota ali presente, auxiliando em seu crescimento e desencorajando o crescimento das bactérias patógenas. O segundo efeito depende do desafio de produção de cada empresa avícola. Para indicar a melhor cepa, é importante saber qual é o desafio que aquele lote enfrenta. É Salmonella, por exemplo? Ou Clostridium? Para cada desafio existe um tipo de probiótico adequado.
Experimentos
Conhecer a genética e saber a capacidade metabólica de efeito nas aves de cada probiótico é o primeiro passo para saber a melhor indicação. Isso porque o estudo dos probióticos envolve desde a parte genética das cepas até o entendimento da segurança delas. Pesquisas em laboratórios avaliam quais são essas bactérias e se elas são seguras. Algumas delas podem carregar genes antimicrobianos, por exemplo.
A segunda questão importante a ser levantada é quais testes foram realizados nestas cepas, não apenas os laboratoriais, como também os experimentais e qual foi a experiência de uso em campo. É importante avaliar desde a genética dos probióticos até a avaliação de como podem ser usados a campo, via ração e em quais condições é possível ajudar e promover de fato uma melhoria da saúde destes animais.
Para escolher o probiótico mais adequado
Se o bom desempenho produtivo das aves começa com uma boa saúde intestinal é importante ajudar as aves a formar uma microbiota saudável. Dentre as diversas ferramentas de modulação da saúde intestinal, a classe dos probióticos é mais versátil com diferentes possibilidades de mecanismos de ação.
Um bom probiótico deve ter alguns atributos para a escolha de uma boa cepa probiótica. Um deles é a presença de Bacillus sp. em sua composição. Os Bacillus são administrados em forma de esporos, que é o estágio dormente e resistente destas espécies de bactérias. Na forma de esporos geralmente são estáveis em diversas faixas de pH, frente a tripsina, termotolerantes e estáveis no armazenamento. Mas é importante ressaltar que nem todos os Bacillus são iguais, eles possuem diferentes graus de resistência ou de efetividade na promoção de uma boa microbiota.
Outro ponto importante é a existência de ensaios in vitro e in vivo que comprovem a sua efetividade. Um patógeno que é efetivo em um ensaio in vitro pode não ser in vivo, pois não possui a habilidade de crescer no ambiente intestinal, o que mostra a relevância de o probiótico ter o seu mecanismo de ação conhecido. Como os probióticos não são todos iguais, é fundamental entender o mecanismo de ação do probiótico escolhido de forma que atenda sua necessidade. Não podemos imputar um mecanismo de ação de um produto para outro de mesma cepa.
A segurança da cepa probiótica é primordial. Como estamos introduzindo bactérias em grandes quantidades dentro de nosso sistema produtivo, devemos ter certeza de sua segurança, desta forma é importante que essas cepas não possuam genes para enterotoxinas hemolíticas, hemolisina e para citotoxinas. Dessa maneira, é importante a investigação de genes relacionados a resistência a antibióticos, assim as cepas probióticas não devem conter plasmídeos identificados, nenhum gene relevante para a resistência a antibióticos, em especial aos de classe terapêutica, e tudo isso deve ser validado por ensaios de concentração inibitória mínima (MIC).
A resistência da cepa ao processamento térmico, ácidos orgânicos e formaldeído também são pontos de atenção na escolha de um probiótico. Esse tipo de resistência demonstra a resiliência de uma cepa aos aditivos mais comumente utilizados e à exposição ao calor, seja este no processamento da ração ou mesmo dentro dos silos das granjas. Também é importante avaliar a compatibilidade das cepas com antibióticos promotores de crescimento ou anticoccidianos. Essas moléculas e os probióticos não são antagonistas e, em alguns sistemas produtivos de aves, essas combinações se fazem necessárias e esse tipo de compatibilidade traz benefícios ao sistema produtivo.
Enfim, é importante saber a recuperação do probiótico e a avaliação de sua viabilidade. Sempre que estiver utilizando um probiótico, exija de seu fornecedor a recuperação e avaliação da viabilidade do produto em uso. Esse tipo de avaliação demostra se o investimento que está sendo realizado em um probiótico está sendo entregue de fato aos animais com cepas viáveis que irão germinar e produzir seus efeitos benéficos ao hospedeiro.
As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: maria.ongarato@evonik.com.
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- Fotos: Divulgação/Evonik

Avicultura
Simpósio de Avicultura arrecada mais de R$ 10 mil para entidade em Chapecó
Valor foi obtido com vendas durante o evento e destinado à associação que apoia hospitais da região.

O Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) realizou, entre os dias 7 e 9 de abril, o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), em Chapecó. Durante o evento, os participantes tiveram acesso à NúcleoStore, loja com produtos personalizados cuja arrecadação é destinada a uma instituição local a cada edição.
Foram comercializados itens como bótons, camisetas, meias, lixocar e mousepads, com comunicação voltada ao setor avícola. Ao todo, a iniciativa arrecadou R$ 10.723,93, valor integralmente destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro).

A Avhro completa em 2026 24 anos de atuação, destacando-se como uma das principais entidades de voluntariado da região oeste – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
A ação integra as iniciativas do Nucleovet para associar eventos técnicos a atividades de apoio à comunidade. Segundo a presidente da entidade, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o objetivo é ampliar o impacto das ações realizadas durante o simpósio.
A presidente da Avhro, Édia Lago, informou que parte dos recursos já foi aplicada na melhoria da estrutura da sede da instituição. Entre as ações, está a revitalização de um espaço externo, com reorganização da área de acesso, o que deve facilitar o fluxo de veículos e ambulâncias.
A Avhro completa 24 anos de atuação em 2026 e reúne mais de 300 voluntárias. A entidade presta apoio ao Hospital Regional do Oeste (HRO), ao Hospital da Criança de Chapecó e ao Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Coronel Freitas, com ações voltadas ao atendimento de pacientes e suporte às famílias.
Entre as atividades desenvolvidas estão a produção anual de cerca de 43 mil fraldas descartáveis, 350 enxovais de bebê, além de roupas hospitalares e outros itens utilizados nos atendimentos. A associação também organiza a entrega de cestas básicas para pacientes em tratamento oncológico.
Outro eixo de atuação é o brechó solidário, que destina roupas gratuitamente a pessoas em situação de vulnerabilidade e apoia ações emergenciais. A entidade também participa de campanhas de doação para municípios afetados por desastres em diferentes regiões do país.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, iniciativas que conectam o setor agropecuário a ações sociais têm ganhado espaço no Brasil, reforçando o papel do setor além da produção.
Avicultura
Queda na demanda externa reduz 36% das exportações brasileiras de ovos
Embarques somaram 1,87 mil toneladas em março, o menor volume desde dezembro de 2024, enquanto a receita recuou 27% frente a fevereiro.

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, refletindo a redução da demanda dos principais mercados importadores. Dados da Secex, compilados por pesquisadores do Cepea, indicam que o país embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no período.

Foto: Giovanna Curado
O volume representa queda de 36% em relação a fevereiro e equivale à metade do registrado em março do ano passado, quando os embarques somaram 3,77 mil toneladas. Trata-se do menor patamar mensal desde dezembro de 2024.
Apesar da retração mais acentuada no volume, o faturamento recuou em menor intensidade. As vendas externas geraram US$ 4,53 milhões em março, redução de 27% frente ao mês anterior e de 48% na comparação anual.
A diferença entre a queda em volume e em receita indica sustentação relativa dos preços médios de exportação, ainda que insuficiente para compensar a perda de ritmo nos embarques.
Avicultura Recorde histórico
Exportação de carne de frango soma 1,45 milhão de toneladas no 1º trimestre
Volume supera em 0,7% o recorde de 2025, mas preços internos recuam em março e voltam a reagir em abril com alta de fretes e demanda inicial do mês.







