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5º Simpósio de Pós-colheita de Grãos do Mato Grosso do Sul encerra nesta sexta-feira
Conscientizar os produtores e os profissionais que lidam com ração sobre a importância da qualidade da matéria-prima foi um dos pontos defendidos pela professora da Esalq-USP, doutora Maria Antonia Calori Domingues.

Os palestrantes do 2º dia do Simpósio de Pós-Colheita do Mato Grosso do Sul foram unânimes em apontar que as soluções para o setor estão na adoção de ferramentas inovadoras de inteligência artificial para prevenir e reduzir perdas e também ter o controle mais assertivo das unidades armazenadoras. Além disso, os profissionais e produtores devem estar conscientes sobre os problemas acerca de contaminantes e manejo de pragas na armazenagem.
Conscientizar os produtores e os profissionais que lidam com ração sobre a importância da qualidade da matéria-prima foi um dos pontos defendidos pela professora da Esalq-USP, doutora Maria Antonia Calori Domingues, no segundo dia do 5º Simpósio de Pós-Colheita de Grãos do Mato Grosso do Sul, que termina nesta sexta-feira (22) em Maracaju (MS).
Maria Antonia proferiu palestra dentro do painel “Contaminantes na armazenagem de grãos”, onde relatou os danos e problemas das micotoxinas na produção da ração. Segundo ela, as micotoxinas são substâncias altamente nocivas que podem comprometer a saúde dos animais e dos humanos. “Por isso, é fundamental transmitir conhecimento para que as pessoas saibam como prevenir e controlar esses problemas”, afirmou.
Ela explicou que há diferenças entre os setores que produzem grãos e que cada um tem seus próprios desafios. “O setor de grãos é muito complexo porque envolve uma grande quantidade de produção e uma diversidade de culturas. Já o setor de amendoim, por exemplo, conseguiu avançar bastante na questão das micotoxinas, graças a um trabalho conjunto entre produtores, indústrias e órgãos reguladores”, exemplificou.
Para ela, a qualidade deve ser uma preocupação desde o início do processo produtivo, ou seja, desde o campo até o armazenamento e a fabricação da ração. “A contaminação pode ocorrer em qualquer etapa. Por isso, é essencial adotar boas práticas agrícolas, desde a escolha das sementes adequadas até a armazenagem e processamento”, orientou.
Ela reconheceu que, em algumas situações, a contaminação pode ocorrer devido a fatores ambientais que fogem do controle dos produtores. Nesses casos, ela recomendou que se faça um gerenciamento eficiente da contaminação, aumentando o número de análises laboratoriais e compreendendo as condições climáticas da região. “Dessa forma, é possível identificar os pontos críticos e tomar as decisões mais adequadas para garantir a qualidade da ração e a segurança dos consumidores”, concluiu.
A segunda palestra do painel, ministrada por Adilson Eger, da Copagril, abordou as boas práticas na armazenagem para redução das micotoxinas. “As boas práticas têm que começar no campo, pois é lá que se começa a definir a qualidade do cereal que será armazenado e processado”, disse.
“Nessa etapa, é importante respeitar o ponto ideal de maturação e umidade dos grãos, bem como evitar danos mecânicos e contaminações por pragas e doenças. Na unidade armazenadora, o cereal deve passar por uma recepção criteriosa, onde se avalia a sua qualidade e se define o tratamento adequado para a secagem, a limpeza, o beneficiamento e a conservação.
Os maiores problemas que podem ocorrer na armazenagem são a deterioração dos grãos por fungos, insetos e roedores, que podem causar perdas quantitativas e qualitativas, além de riscos à saúde humana e animal. “A produção de micotoxinas pelos fungos é um dos principais problemas que podem afetar o cereal, tanto no campo quanto na armazenagem. Por isso, é fundamental controlar a umidade e a temperatura dos grãos, bem como realizar um monitoramento constante das condições do ambiente e do produto. Assim, pode-se garantir a qualidade e a segurança do cereal desde o campo até o consumidor final”, afirmou Eger.
Também da Copagril, Claudete Maria Besen Benitez, abordou “Boas práticas na fábrica de rações”, destacando as normativas do Ministério da Agricultura e Abastecimento para a fabricação de rações.
Copasul conseguiu reduzir de 38 para zero as cargas recusadas por problemas de insetos
A Copasul Cooperativa Agrícola com sede em Naviraí (MS) conseguiu reduzir de 38 para zero o número de cargas recusadas por problemas de insetos, graças ao manejo integrado de pragas, que envolve a capacitação e a conscientização das pessoas, além do monitoramento e a identificação das pragas e os métodos de controle adequados.
A experiência da Copasul foi relatada durante o 5º Simpósio de Pós- Colheita de Grãos do Mato Grosso (MS), que termina nesta sexta-feira em Maracaju (MS), pelo palestrante Igor Lopes, coordenador técnico de silos da cooperativa. O ponto de partida da cooperativa foi buscar uma consultoria para reduzir os índices de cargas recusadas, o que acabou sendo bastante positivo”.
Segundo ele, as pragas que atacam os grãos armazenados são um problema sério para os produtores e armazenadores de cereais. Algumas das principais pragas são o caruncho, a traça e o gorgulho. Esses insetos se alimentam dos grãos e reduzem sua qualidade e valor comercial. Para evitar ou combater essas pragas, existem diferentes métodos de controle, que devem ser aplicados de acordo com a situação de cada armazém.
Os métodos preventivos visam impedir a entrada ou o desenvolvimento das pragas nos armazéns. Eles incluem a limpeza e a desinfecção das instalações, dos equipamentos e dos veículos de transporte, a seleção e a secagem dos grãos, o uso de embalagens adequadas e resistentes, o monitoramento constante da temperatura e da umidade dos grãos e a aplicação de inseticidas de contato ou de pós-inertes, como a terra diatomácea.
Os métodos corretivos são usados quando as pragas já estão instaladas nos armazéns e causando danos aos grãos. Eles consistem na aplicação de inseticidas, como a fosfina, que penetram nos grãos e matam os insetos em todas as fases do seu ciclo de vida. “Esse método é eficaz, mas também é caro, trabalhoso e perigoso para a saúde humana e o meio ambiente. Por isso, deve ser usado com cautela e seguindo as normas de segurança”, disse.
Gestão e manutenção
O palestrante Alcemir Chiodelli, gerente do Departamento de Grãos da C.Vale, Palotina (MT) detalhou a importância da “gestão de indicadores dentro do processo produtivo de grãos”. Ele frisa que a gestão precisa ser construída dentro de cada realidade, de cada unidade de grãos, pois cada uma tem suas particularidades. Para Chiodelli, os principais indicadores que devem ser monitorados são os de custo, de consumo de recursos, de qualidade de grãos e também de resultado. “Se eu tiver domínio desses quatro indicadores, eu tenho uma performance de gestão muito boa”, enfatiza Chiodelli. Ele complementa que os indicadores ajudam a medir o desempenho das atividades e apoiam a tomada de decisão, entre outras funções. Para esclarecer a importância de monitorar estes dados, Chiodelli fez menção ao pai da administração moderna, Peter Drucker, citando a frase “O que não pode ser medido não pode ser melhorado”
Para o especialista, diante do cenário atual caótico de déficit de armazenagem, estimado em cerca de 130 milhões de toneladas, o setor de pós-colheita deve tomar as rédeas do negócio e estar mais atento as limitações impostas para poder gerir de forma mais eficiente. “Neste momento, o diferencial vai estar exatamente no programa de gestão e nas pessoas que fazem a gestão da unidade, de buscar alternativas, às vezes, não para zerar o problema, mas para trazer dentro da competitividade”, orienta Chiodelli.
O palestrante e engenheiro mecânico João Vítor Baroni Razente, da Agrária, de Guarapuava (PR) falou sobre “manutenção operacional preventiva da unidade armazenadora”. O especialista salientou que a manutenção é uma estratégia muito importante e, cada vez mais, é preciso evoluir com o recurso que se tem. “Nós temos que trabalhar para sermos responsáveis em relação à manutenção e a operação, pois elas andam juntas. A ideia é não terceirizar, mas sim monitorar diariamente o fluxo das atividades, para que possa atuar assim que perceba algo diferente. Desta forma e com a gestão de indicadores as unidades vão performar melhor.
O segundo dia do Simpósio foi encerrado com o Painel 3 que debateu a “conservação no armazenamento de grãos”. O primeiro palestrante a discorrer sobre o assunto foi o professor de Engenharia de Pós-colheita de Produtos Agrícolas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), André Luís Duarte Goneli. Além de fazer uma rastreabilidade dos fatores que geram perda na qualidade dos nossos grãos, Goneli falou sobre a gestão de armazenagem e conservação de grãos, começando por conscientizar o público de que o problema não está só dentro da unidade armazenadora.
“Boa parte de todos os problemas que a gente passa na unidade armazenadora, em termos de perda de qualidade, vem do campo, do mau planejamento e condução da lavoura”. Na avaliação dele, temos capacidade de identificar esse problema e depois que o produto está dentro da unidade, também temos tecnologia para conservar, como o sistema de termometria digital e o robô que mede o volume dos grãos dentro da massa de grãos. “Temos hoje muitas ferramentas que permitem uma armazenagem de qualidade, desde que a gente receba um produto de melhor qualidade, o que não está acontecendo atualmente, pois o Brasil infelizmente se preocupa muito em produzir, e esquece que depois que produz tem que armazenar, conservar o alimento. Enfim, o agro precisa ser mais eficiente “, avalia o professor Goneli, lembrando que a FAO estima que cerca de 30% a 40% de tudo que se produz se perde ao longo da cadeia. Na avaliação dele, o agro precisa ser mais eficiente, adquirir conhecimento para ampliar fronteiras e melhorar as situações.
O painel foi fechado com palestra sobre a qualidade de grãos através da otimização e versatilidade de unidades armazenadoras. O palestrante Darlei Fernando Alebrandt, da Copérdia, de Concórdia (SC) apontou o quanto é fundamental planejar o projeto de construção de uma unidade armazenadora e bem como prever a ampliação das estruturas, já que ano após ano cresce a demanda de armazenamento no País.
“A otimização e a versatilidade das unidades armazenadoras é um processo de estudo, de planejamento, de implantação e do monitoramento das melhorias propostas, instalações, processos e operações. Nós precisamos conhecer as exigências da qualidade da matéria prima dos grãos no projeto industrial da sua totalidade. Se não tivermos sincronia e sinergia de fluxos e operações no nosso dia a dia, vamos ter perda de qualidade”, finaliza.
Palestras sobre a segurança no trabalho e operação de unidades armazenadoras de grãos fecham nesta sexta-feira (23) o V Simpósio de Pós-Colheita de Grãos do Mato Grosso de Sul.
O 5º Simpósio Pós-Colheita é uma promoção da Associação Brasileira de Pós Colheita (Abrapos), realização da Coamo Agroindustrial Cooperativa e copromoção das instituições cooperativas Copagril, Copasul, C.Vale, Cooperalfa, Cocamar, Cotriguaçu, Lar, Universidade UFGD, Conab e da Embrapa.

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Seapi abre inscrições para Salão de Iniciação Científica com foco em bioinsumos e inovação no agro
Evento será realizado de forma online nos dias 23 e 24 de setembro e receberá trabalhos de estudantes, pesquisadores e servidores nas áreas animal, vegetal e de desenvolvimento rural.

Estão abertas as inscrições para o 15º Salão de Iniciação Científica e de Inovação Tecnológica (Sicit), promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi), por meio do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA). O evento será realizado nos dias 23 e 24 de setembro, em formato totalmente online, com transmissão pelo canal do DDPA no YouTube.
A programação inclui também o 10º Workshop de Pós-Graduação e a Mostra de Pesquisa 2026. Durante os dois dias serão apresentados resultados de estudos nas áreas de produção animal, produção vegetal e desenvolvimento rural. A abertura do evento terá como tema “Bioinsumos: Legislação e Aplicações na Agropecuária”.

Foto: Matheus Flalanga
As inscrições são gratuitas. Podem submeter trabalhos bolsistas regularmente matriculados em instituições de ensino superior que desenvolvam atividades de pesquisa e inovação tecnológica. Os participantes deverão encaminhar um resumo e realizar apresentação oral, gravada previamente, conforme as vagas disponíveis.
Os resumos devem ser enviados pela plataforma Even3 até 24 de agosto, seguindo o modelo previsto no edital. A divulgação dos trabalhos aprovados está prevista para 08 de setembro, enquanto o prazo para envio dos vídeos das apresentações encerra em 13 de setembro. Serão aceitos apenas resumos com resultados parciais, preliminares ou finais de pesquisas.
O evento também é aberto ao público interessado. As inscrições para ouvintes permanecem disponíveis até 22 de setembro, véspera do início da programação.

Foto: Divulgação
Segundo a Seapi, o Salão de Iniciação Científica, o Workshop de Pós-Graduação e a Mostra de Pesquisa têm como objetivo ampliar o espaço para apresentação de pesquisas desenvolvidas por estudantes do ensino médio, graduação e pós-graduação, além de pesquisadores e servidores da secretaria.
A iniciativa também busca estimular o interesse pela pesquisa científica, incentivar o desenvolvimento de produtos e processos inovadores e promover a geração e a transferência de conhecimento e de novas tecnologias para a agropecuária gaúcha.
Para mais informações, incrições e edital clique aqui.
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Governo atualiza preços mínimos para as safras 2026/27 e 2027
Novos valores servirão de referência para as operações da PGPM e abrangem leite, milho, soja, sorgo e outras culturas de verão e produtos regionais.

O governo federal publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (13) a Portaria nº 934, que atualiza os preços mínimos dos produtos de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027. Definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), os novos valores servirão de referência para as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), mecanismo que assegura remuneração mínima aos produtores quando os preços de mercado ficam abaixo do piso estabelecido.

Foto: Shutterstock
Entre os principais produtos contemplados estão leite, milho, soja e sorgo, culturas de grande relevância para a agropecuária brasileira. Os preços mínimos também foram fixados para algodão, arroz, feijão, mandioca e seus derivados, cacau, borracha natural cultivada, caroço de algodão, juta/malva e outros produtos regionais.
A vigência dos preços mínimos varia entre julho de 2026 e junho de 2028, conforme o produto.
A portaria também estabelece os preços mínimos para sementes de culturas de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027. Estão incluídas sementes de algodão, arroz, feijão, juta/malva, milho, soja e sorgo, com vigência entre novembro de 2026 e junho de 2028.
O que é a PGPM?
A Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) é um instrumento de apoio à comercialização agrícola. Por meio dela, o governo estabelece preços de referência para diversos produtos agropecuários, buscando reduzir os impactos das oscilações de mercado sobre a renda dos produtores.
As propostas de preços mínimos são elaboradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base nos custos de produção e nas condições dos mercados interno e externo, conforme determina o Decreto-Lei nº 79/1966. Os valores são posteriormente aprovados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
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Colheita de milho fica abaixo da média de 5 safras
Cepea aponta baixa liquidez no mercado spot e compradores aguardam maior oferta da segunda safra.

As cotações do milho continuam firmes em boa parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado spot segue com baixa liquidez, influenciado pelo ritmo das negociações entre vendedores e compradores.
De acordo com o Cepea, muitos produtores priorizam os trabalhos de campo neste período, enquanto os compradores permanecem cautelosos e aguardam o avanço da colheita da segunda safra, que deve ampliar a oferta do cereal. As altas registradas nas cotações internacionais também contribuem para sustentar os preços no mercado interno.

O Centro de Pesquisas informa que, embora fossem esperadas quedas nas cotações durante o período de colheita, as condições climáticas reduziram temporariamente a oferta de milho. A colheita da segunda safra segue em ritmo semelhante ao registrado no ano passado, mas permanece abaixo da média das últimas cinco safras.
Outro fator apontado pelo Cepea é a valorização da soja, que levou parte dos produtores a priorizar a comercialização da oleaginosa, adiando as vendas de milho à espera de melhores oportunidades de mercado.
Para as próximas semanas, o Cepea destaca que a previsão de menor volume de chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste deve favorecer o avanço da colheita. Com isso, os produtores poderão avaliar com maior precisão a produtividade da segunda safra, considerando os impactos das geadas no Paraná, da seca em Goiás e das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras em Mato Grosso.



