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Uso da homeopatia populacional na prevenção e controle da mastite bovina

Mastite bovina é a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira devido aos prejuízos que causa ao produtor e à indústria de alimentos

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Artigo escrito por Roberta Porto, médica veterinária e promotora técnica da Real H e Ricardo Melotti, médico veterinário e gerente técnico da Real H

O leite é um dos mais completos produtos in natura em decorrência do seu alto valor nutritivo. Após dois anos em queda, em 2017 os laticínios submetidos à inspeção sanitária captaram 24,12 bilhões de litros, totalizando 4,1% de acréscimo na aquisição de leite quando comparado ao ano anterior. No 4º trimestre de 2017, obtivemos o melhor resultado para o período desde 2014, quando a aquisição de leite cru foi de 6,44 bilhões de litros, quando comparado ao mesmo período em 2016 apresentou um crescimento de 3,2%.

Na pecuária leiteira, a mastite bovina e o descarte do leite em decorrência da presença de resíduos são responsáveis por grandes prejuízos ao produtor e à indústria de alimentos. Os resíduos de antibióticos estão relacionados ao tratamento da mastite, representando a principal contaminação química do leite e de produtos lácteos. Deste modo, os derivados como o iogurte, a manteiga, o queijo, entre outros, pode ter suas características físico, químicas e sensoriais alteradas devido à presença destas substâncias, prejudicando o processo de fabricação.

A mastite bovina é a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira devido aos prejuízos que causa ao produtor e à indústria de alimentos, o que corrobora com os achados de 1994, que afirmam que mais de 25% de todas as perdas econômicas relacionadas às doenças podem ser diretamente atribuídas à mastite. Esta caracteriza-se por uma inflamação da glândula mamária, que ocorre devido a contaminação por bactérias patogênicas, vírus, fungos, algas ou por traumas provocados por agentes químicos, físicos, mecânicos, térmicos ou por problemas metabólicos. De difícil controle e erradicação, é a mais comum enfermidade que acomete o gado bovino no mundo, correspondendo a 38% de toda a morbidade.

Entre os principais prejuízos apontados pela Embrapa, estão a redução na produção de leite, descarte do leite proveniente dos animais doentes, custos do tratamento e até morte dos animais. As perdas afetam também os laticínios e especialmente o consumidor, em virtude das modificações que ocorrem nas propriedades físico-químicas do leite, refletindo no valor e na qualidade nutricional do produto. A isto atribui-se o uso de produtos químicos para o tratamento, resultando em risco de resíduos, mudanças nas suas características naturais e efeitos indesejáveis para a saúde pública.

A mastite pode se apresentar de forma clínica (superaguda, aguda, subaguda ou crônica) ou subclínica. A forma clínica se caracteriza pelas alterações visíveis no leite e/ou no úbere, além de poder haver comprometimento sistêmico dependendo do microrganismo envolvido. No entanto, é a forma subclínica a mais comum e que gera maiores prejuízos ao produtor, já que não apresenta alterações visíveis no leite e no úbere, sendo necessárias para detecção a realização de testes químicos, ou a comprovação do aumento do número de células somáticas.

Para cada caso de mastite clínica na propriedade existam 14 casos de mastite subclínica, no entanto, um pesquisador considera que para cada caso de mastite clínica ocorram entre 20 e 50 casos de mastite subclínica. No mundo, os índices de mastite subclínica são bastantes similares: ao redor de 40% de vacas infectadas e 25% dos quartos afetados. Em algumas regiões do Brasil têm sido encontradas prevalências médias de 17,45% de mastite clínica e 72,56% de mastite subclínica.

Perdas

A perda na produção de leite em relação a CCS varia da seguinte forma:

  • CCS de 140.000 a 195.000, perda na produção de até 5%;
  • CCS de 225.000 a 380.000, perda na produção de 8%;
  • CCS de 420.000 a 1.200.000, perda na produção de 9% a 18%;
  • CCS de 1.280.000 a 2.280.000, perda na produção de 19% a 25%.

Ambiente

A manutenção de animais em ambientes higiênicos, secos e confortáveis visa, em primeiro plano, minimizar os problemas relativos às mastites ambientais, porém, indiretamente reduz índices de mastite contagiosa. O ambiente nessas condições ajuda a reduzir o risco de novas infecções e aumenta a eficiência da produção pela redução do tempo e da mão-de-obra necessária para preparar o úbere para ordenha.

É importante conhecer, então, quais as possíveis formas de transmissão da mastite em novilhas, pois considerando que estes animais nunca foram ordenhados, podemos concluir que as fontes ambientais são de grande importância, como o acúmulo de lama e umidade. Diversos estudos comprovam que outras formas importantes de transmissão da mastite em novilhas são através de moscas que atuam como vetores e a ocorrência da mamada entre bezerras.   

Homeopatia populacional

Dentro no manejo preventivo, além dos procedimentos normais de higiene, nutrição, bem-estar animal, uso racional de drogas químicas, temos como ferramenta a homeopatia populacional, a qual irá atuar diretamente na imunidade do animal, elevando sua capacidade de defesa natural e resultando em maior proteção contra a ação de agentes globais que tem potencial de gerar tal doença.  

A homeopatia populacional tem sua origem na homeopatia, método terapêutico criado por Samuel Hahnemann (1775-1843) que, com o intuito de não provocar intoxicações medicamentosas, produziu diluições centesimais dos princípios em estudo. Entre diluições realizava agitações, liberando a energia medicamentosa contida na substância, sendo este processo denominado dinamização.

Trabalhos mostram que a homeopatia populacional pode trazer resultados significativos nesse processo.

Mais qualidade

Além de efeitos sobre a questão sanitária, a tecnologia da homeopatia populacional pode trazer, também, resultados positivos na composição do leite. Certo pesquisador conclui que, apesar do mecanismo da resposta não ter sido elucidado, foi evidenciada a capacidade da homeopatia de induzir resposta positiva em secreção proteica no leite de bovinos.

Estudos

Em trabalho realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi avaliado o efeito de um Núcleo Homeopático no tratamento da mastite subclínica em vacas Holandesas. O modo de fornecimento foi realizado, diariamente, via ração, pelo período de 12 dias, para um lote de vacas problema em lactação de produção média de 10 a 15 litros de leite. Os animais foram mantidos a pasto, recebendo ração farelada no momento da ordenha. As fêmeas bovinas foram selecionadas com base nos resultados do teste CMT (California Mastits Test), sendo escolhidas as que apresentaram reação positiva 3 cruzes.

Também realizou- se a coleta de amostras de leite para análise microbiológica individual. O experimento resultou na redução significativa do número total de isolamentos, e na quantidade de espécies isoladas já no 13º dia (resultados comparados aos da primeira coleta realizada). Já as análises microbiológicas concluíram que a ação do Núcleo Homeopático foi eficaz e contribuiu para a redução da infecção dos úberes das vacas problema. 

No diagnóstico de mastite, os tratamentos devem ser logo realizados, no entanto, em alguns casos, o prognóstico é desfavorável, como na detecção de infecções por Staphylococcus aureus. De acordo com o médico homeopata Leon Vannier, as doenças se caracterizam pelo acúmulo de toxinas no organismo. Um déficit no funcionamento celular, seguido de febre, distúrbios endócrinos, entre outros problemas, ocorrem devido ao mau funcionamento do organismo, o que resulta no acúmulo de toxinas. Do mesmo modo, fatores externos ou ambientais como erros alimentares, por exemplo, ou o uso de medicamentos químicos por longos períodos, acumulam gerando resíduos. Em ambas as situações, o resultado final é o mesmo, o organismo animal torna-se intoxicado, criando as condições para a instalação e desenvolvimento bacteriano. Os medicamentos homeopáticos atuam promovendo a eliminação das toxinas acumuladas e, desta forma, restabelecendo o equilíbrio orgânico.

Resultados semelhantes foram acompanhados em trabalho realizado na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul, onde concluiu-se que o uso de doses extras de complexo homeopático em vacas leiteiras saudáveis e produtivas foi capaz de promover um estímulo extra do sistema imune inespecífico, com o aumento temporário da CCS (Contagem de Células Somáticas), contribuindo para a eliminação de toxinas armazenadas no úbere ao longo da vida do animal através de drenagem orgânica induzida.

Existem diversos protocolos e tecnologias que otimizam a saúde dos animais na produção leiteira, porém, devido à grande intensificação da produção e necessidade de atendimento à demanda de produtos, muitos desafios comprometem a produção. A homeopatia populacional é uma ferramenta segura e viável no auxílio do controle da mastite em animais de aptidão leiteira, otimizando a saúde em vacas leiteiras em ordenha. Além de todos os benefícios citados, ela ainda é incapaz de intoxicar pessoas e animais, não deixando resíduos no leite. 

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Homeopatia x antibióticos no controle da mastite de vacas em lactação: mitos e verdades

Homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por César Alberto Coutinho, médico veterinário e diretor técnico da Hpharm Homeopatia Veterinária; e doutora Denize da Rosa Fraga, médica Veterinária, doutora em Zootecnia, docente da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijui

Na pecuária leiteira a mastite é considerada uma doença que causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo em quantidade e qualidade o leite. Esta doença é caracterizada por inflamação da glândula mamária. Pode acontecer na forma clínica causando alteração de coloração e aparecimento de grumos no leite ou pode passar desapercebida, quando ocorre na forma subclínica, causando apenas o aumento no número de Contagem de Células Somáticas (CCS) do leite.

Dentre os tratamentos hoje disponíveis para controle da mastite temos a utilização de antibióticos, que atuam combatendo diretamente o agente causador da doença. Temos também a opção de utilizar medicamentos homeopáticos, os quais agem aumentando as defesas do animal contra os agentes causadores da doença.

Mas será que a homeopatia pode curar ou prevenir a mastite bovina? Bem, a homeopatia é um tratamento utilizado há séculos em homens e animais. Em relação a aplicação na sanidade animal, sabe-se que a homeopatia é composta por substâncias extraídas da natureza, proveniente do reino mineral, vegetal ou animal, que podem ser utilizadas na cura de doenças ou prevenção.

Ou seja, homeopatia cura! E previne também! Tudo depende de dois fatores muito importantes, a escolha de um produto que tenha similaridade com os agentes que estão causando doença no rebanho e da dose que vamos utilizar, se utilizar uma dose alta, há possibilidade de cura, se utilizarmos uma dose baixa, temos o efeito da prevenção.

A homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais, atuando assim de forma simbiótica com outros tratamentos convencionais.

Desta forma um trabalho foi desenvolvido pela Unijuí com o objetivo de avaliar o efeito da utilização do tratamento homeopático preventivo na ocorrência de mastites em vacas leiteiras.

Os animais foram divididos em dois lotes onde um recebeu a suplementação homeopática (n=25) e outro não recebeu (n=25), sendo divididos equitativamente por perfil da lactação, produção e CCS. O período experimental foi de 8 semanas. Os animais permaneceram em sistema de pastejo suplementadas em canzil com silagem de milho e concentrado. O produto homeopático era misturado à alimentação dos animais em canzil, duas vezes ao dia, na dose de 10g/dia. Durante a ordenha foi avaliada a produção individual das matrizes em lactação pela manhã e tarde, com auxílio de medidores eletrônicos de volume de leite acoplados a ordenha, uma vez por semana. Amostras de leite individuais das vacas foram coletadas diretamente dos medidores de produção acoplados a ordenha, sendo amostrada 60% de manhã e 40% do tubo à tarde (50mL) para análise da composição do leite para gordura (%), proteína (%), nitrogênio ureico (mg/dL) e contagem de células somáticas (células/mL). Sendo essas amostras identificadas e encaminhadas a laboratório oficial, uma vez por semana. No início e ao final do experimento uma amostra de leite das vacas em lactação foi coletada para análise de cultura e antibiograma, no Laboratório de Microbiologia da Unijuí, seguindo critérios de higienização dos tetos após a retirada dos três primeiros jatos.

Resultados

Na Tabela 01 estão demonstrados os resultados de média para produção e composição do leite. Verificou-se que ocorreu um aumento de meio litro na produção de leite por dia, sem interferência direta na composição do leite para gordura e proteína. Os animais mantiveram médias similares de nitrogênio ureico para os grupos controle e tratado. Estes resultados demonstram que não ocorreu interferência da dieta, visto que o nível de ureia no leite mantiveram-se iguais entre os grupos avaliados. Ocorreu redução na Contagem de Células Somáticas do leite equivalente a 39% no grupo tratado no grupo tratado com homeopatia.

Na Tabela 02 esta demonstrada a redução significativa (P<0.01718) na contagem de células somáticas do leite comparando os dados de médias iniciais e finais, verificou-se uma diferença entorno de 11% em redução na CCS quando comparado os valores médios do grupo tratado em relação ao controle.

Sensibilidade dos animais

Na figura 01 está demonstrada a sensibilidade dos animais do grupo tratado e controle conforme o antibiótico testado. Estes dados evidenciam que o grupo que recebeu tratamento homeopático apresentou maior sensibilidade aos antibióticos testados ao final do experimento.

Considerações finais

Conclui-se que a utilização do produto homeopático reduziu a contagem de células somáticas de vacas tratadas bem como melhorou o perfil para sensibilidade de antibióticos, demonstrando efeito imunológico na defesa dos animais para mastite, demonstrando que é verdade e não mito o auxílio que este tipo de tratamento pode trazer para controle e cura da mastite em vacas leiteiras. Deve-se estimular os estudos nesta área, para esclarecer cada vez mais os efeitos que o uso da homeopatia traz aos rebanhos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

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Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Mastites em vacas leiteiras: Como a marbofloxacina age sobre a patologia?

A marbofloxacina é um dos princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados

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Divulgação/Ceva

Artigo escrito pela equipe técnica da Ceva

A mastite é uma das principais afecções do gado leiteiro, pois é considerada a doença de maior impacto econômico na atividade, determinando redução na produção, na qualidade do leite e afetando o bem-estar dos animais. Ela pode ocorrer por diferentes fatores: agressões físicas, químicas, tóxicas, mas a sua principal causa é infecção por bactérias e outros microrganismos. De acordo com a manifestação clínica podemos classificar as mastites em: subclínicas, clínicas hiperagudas, agudas ou brandas, e crônicas.

Na manifestação clínica podemos observar edema do úbere, aumento de temperatura na região, coloração vermelha, endurecida, e dolorida ao toque, além de alterações visíveis no leite como grumos ou pus. Já na subclínica, não são observadas manifestações no animal, apenas alterações na qualidade e composição química do leite, modificações nas suas características organolépticas, físico-químicas e microbiológicas, além de redução de volume produzido. Por não ser visivelmente diagnosticada, a mastite subclínica pode se disseminar facilmente pela propriedade. Estima-se que para cada caso clínico, ocorram pelo menos 9 outros casos subclínicos. A mastite crônica se caracteriza por manifestações constantes de casos clínicos que não apresentam cura total após a realização de tratamentos.

Ainda com relação a forma de transmissão e patógenos envolvidos, as mastites podem ser classificadas em contagiosas e ambientais. As contagiosas são causadas por bactérias presentes no úbere e leite dos animais infectados e são transmitidas entre animais. Já as ambientais são determinadas por microrganismos presentes no ambiente que infectam os animais ao penetrarem na glândula mamária.

A avaliação da saúde das glândulas mamárias e o diagnóstico da mastite subclínica são realizadas através da contagem de células somáticas (CCS) do leite.

Os impactos da mastite afetam também a produção de laticínios reduzindo o rendimento do leite na produção de derivados e o tempo de prateleira. Quando encontramos vacas com mastites, elas vacas devem ser retiradas da linha de ordenha para tratamento. Em boa parte das mastites, o tratamento com antibiótico é fundamental para o restabelecimento da saúde e dos índices produtivos. Na escolha do medicamento deve-se avaliar as características do fármaco, suas aplicações, eficácia, potência e rapidez de ação.

Estudos demonstram que na maioria das mastites estão envolvidas as bactérias Escherichia coli, Streptococcus uberis, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus, Corynebacterium bovis e Mycoplasma spp. Para melhor estabelecimento do tratamento anti-infeccioso o ideal é a realização de culturas e testes de sensibilidade aos antimicrobianos disponíveis. Infelizmente, o uso indiscriminado destes produtos tem causado rápido estabelecimento de resistência bacteriana.

A resistência bacteriana pode ser causada pela mutação espontânea e a recombinação gênica, muitas vezes influenciadas pela seleção natural, onde as cepas bacterianas mais resistentes sobrevivem. Entretanto, a exposição frequente à níveis inadequados do antibiótico, especialmente a subdosagens e períodos longos de tratamento, podem proporcionar a seleção de cepas resistentes. Por isso a escolha do antibiótico deve ser criteriosa e buscar alta potência, alta eficácia, rápido alcance de concentrações efetivas no sangue, máxima difusão do antibiótico na glândula mamária após a aplicação, facilidade de uso e mínimo período de carência.

Frequentemente são disponibilizados no mercado novas formulações e novos princípios ativos antimicrobianos para o tratamento das mastites. A marbofloxacina é um destes princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados devido a suas características que vão de encontro às anteriormente citadas. A seguir, são apresentados resultados de alguns estudos comparativos de eficácia no tratamento de animais com mastite clínica empregando-se marbofloxacina e outros antimicrobianos corriqueiramente usados.

Marbofloxacina versus Amoxicilina + Ácido Clavulânico (Clavulanato)

Nesse estudo foi comparada a eficácia de tratamentos de mastites ambientais determinadas por bactérias Gram negativas em 114 vacas. Os animais apresentavam sinais clínicos como: úbere inflamado, febre, apatia, reduzido ou ausência de apetite e alterações no leite. Os animais foram divididos em dois grupos de tratamento como a seguir:

Grupo Marbofloxacina: 2mg/Kg de marbofloxacina, intravenosa, uma vez ao dia, por 3 dias consecutivos.

Grupo Amoxicilina + Clavulanato (A + AC): 8,75mg/Kg de amoxicilina + clavulanato, intravenosa, por três dias consecutivos.

Em ambos os grupos o tratamento incluía aplicação intramamária de Cloxacilina nos quartos mamários afetados logo após a ordenha. A Cloxacilina não atua contra bactérias Gram negativas.

Amostras de leite individuais e de cada quarto mamário foram assepticamente colhidas nos dias 0, +7 e +14 do estudo, para a realização de cultura e identificação bacteriana. As avaliações clínicas gerais do animal, úbere, produção e aspectos do leite foram realizados no dia dos tratamentos, 12 horas após os tratamentos e nos dias, +1, +2, +3, +7 e +14 após início os mesmos. Os animais foram divididos em 2 grupos e tratadas da seguinte maneira:

Resultados

A bactéria com maior prevalência nas culturas realizadas foi E. coli. O grupo tratado com marbofloxacina teve um retorno ao comportamento normal em um período mais curto. O retorno a produção normal de leite, a normalização dos parâmetros clínicos e o desaparecimento da E. coli foi mais rápido no grupo tratado com marbofloxacina quando comparado ao grupo tratado com amoxicilina + clavulanato.

  • Marbofloxacina X Danofloxacina

Um estudo cego e comparativo entre tratamentos usando marbofloxacina ou danofloxacina em vacas leiteiras com mastite aguda por E. coli envolveu 354 animais com sinais clínicos. 178 vacas receberam marbofloxacina e 176 receberam danofloxacina.

Grupo marbofloxacina: 10 mg/Kg de marbofloxacina por peso vivo, intramuscular, com aplicação única no dia 0.

Grupo danofloxacina: 6mg/Kg de danofloxacina por peso vivo, subcutânea, com aplicação única no dia 0.

Todos os animais envolvidos receberam aplicação intramamária de oxacilina nos primeiros dias de tratamento. A oxacilina não tem efeito sobre bactérias Gram negativas.

Todos animais passaram por avaliação clínica individual e nestas avaliações foram empregados escores de acordo com: o comportamento ou condição geral dos animais; o apetite; a produção diária; o aspecto do quarto mamário afetado e o aspecto do leite.

Resultados

Os parâmetros primários adotados foram cura clínica, melhoria do estado geral e  retorno à produção de leite até o 15º dia após tratamento. O segundo fator observado foi o desaparecimento da E. coli nas culturas de amostra de leite examinadas ao 15º e ao 27º dia após o tratamento.

Os resultados de escore clínico geral, retorno a produção de leite e redução da temperatura retal, foram melhores para o grupo tratado com marbofloxacina, representando até 4,5% de diferença entre os parâmetros.

Quando avaliada a taxa de cura e melhora no estado geral dos animais, o grupo tratado com marbofloxacina mostrou melhores resultados.

De acordo com os resultados obtidos nos dias das avaliações realizadas após os tratamentos, pode-se observar que os animais tratados com a marbofloxacina apresentaram melhoria contínua e taxa superior de cura clínica quando comparado ao grupo tratado com danofloxacina.  No 15º dia após o tratamento, a taxa de cura foi de 73,6% no grupo tratado com marbofloxacina contra 65,8% do grupo tratado com danofloxacina, como demonstrado no gráfico a seguir:

Os resultados de cura bacteriológica também foram superiores no grupo tratado com marbofloxacina, sustentando a rápida absorção sistêmica e boa distribuição da no organismo o que permitiu chegar a glândula mamária com eficácia e ainda auxiliar na prevenção da bacteremia.

Os estudos sustentam alta eficiência da marbofloxacina nos tratamentos de mastite causadas por bactérias Gram negativas, especificamente Escherichia coli. Este fato permite o rápido retorno às condições normais de saúde, à produção de leite e a cura bacteriológica.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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