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Bovinos / Grãos / Máquinas Alysson Paolinelli

“Tudo o que fizemos foi criado com muito entusiasmo, paz e dedicação”

Alysson Paolinelli foi antes de tudo um visionário que acreditou, e muito, na agricultura aliada à ciência e na capacidade do Brasil de produzir alimentos

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“Desde que nós observamos que o Brasil tinha ocupado todas suas áreas férteis e não tinha mais o suficiente, verificamos que tínhamos de tentar transformar alguma terra improdutiva em produtiva”. A afirmação é do ex-ministro Alysson Paolinelli. Sendo finalista do Prêmio Nobel da Paz deste ano, a personalidade realizou uma verdadeira revolução verde no Brasil na década de 1970 quando foi ministro da Agricultura. Hoje, no auge dos seus 85 anos, parar não é uma opção. Muito ativo em diversas atividades, Paolinelli tem muita história para contar e ainda para fazer.

Ele explica que o que aconteceu na época é que existia uma deficiência de capacidade produtiva no Brasil. “Nós víamos que precisávamos fazer alguma coisa. E procuramos no mundo inteiro para ver se encontrávamos alguma tecnologia tropical para aplicar aqui. Não achamos, não existia em todo o mundo uma tecnologia que resolvesse o nosso problema”, recorda. A solução, aponta, foram os próprios brasileiros, através de professores e pesquisadores, criarem esta tecnologia. “Em 1974 fui chamado para o Ministério da Agricultura, e eu já tinha uma experiência do que poderia ser feito de quando fui secretário em Minas Gerais. Assim, propus ao presidente que fizéssemos a nível nacional o esforço que estava sendo feito no Estado e que estava dando certo”, lembra.

Algo imprescindível e que fez com que tudo desse certo, aponta Paolinelli, foi o primeiro passo dado, que foi buscar a ciência. “Tinha que ser através da ciência, tínhamos que desenvolver tecnologias apropriadas e propor inovações. Essa foi a nossa tese e o presidente (Ernesto Geisel) entendeu bem. Porque não existia em todo o mundo, então, nós tínhamos que criar aqui”, conta. Segundo ele, todos os envolvidos acreditaram muito na juventude brasileira e na pesquisa. “Reforçamos a Embrapa e criamos, já no primeiro ano, mil vagas para serem ocupadas. Mas, infelizmente foram contratadas somente 52 pessoas, que eram quem tinha diploma de pós-graduação. Dessa forma, foi necessário fazermos um empréstimo de US$ 200 milhões para treinar o pessoal que iríamos usar”, diz.

Na época, foram mandadas para mais de 100 universidades internacionais 462 pessoas para que estudassem e pesquisassem. “Mandamos esse pessoal para os maiores centros internacionais de tecnologia e inovação. E isso deu certo, porque houve aqui uma integração da Embrapa, com as universidades estaduais e a iniciativa privada. Tudo isso para criar uma tecnologia para desenvolver a região tropical brasileira e mundial”, conta. Para Paolinelli, os esforços feitos na época não foram em vão, uma vez que em menos de 20 anos este grupo de pesquisadores conseguiu criar a chamada agricultura tropical sustentável e que se tornou muito competitiva.

Peolinelli lembra que estas ações foram necessárias, uma vez que o Brasil estava em uma situação grave com falta de recursos e balança comercial negativa na área dos alimentos. “Conseguimos equilibrar isso e começar a exportar muita coisa e importar somente o que era realmente necessário”, comenta. Dessa forma, após alguns anos, o ex-ministro comenta que o agricultor viu que ele realmente poderia ser competitivo, e assim passou a se desenvolver, ampliar áreas e adotar diferentes tecnologias. “Assim, eles conseguiram produzir produtos de melhor qualidade, com menor preço e de uma grande vantagem, porque tínhamos a oferta permanente. Isso deu uma nova visão da capacidade brasileira de produzir alimentos para o mundo”, afirma.

A partir disso, o Brasil se tornou, ano a ano, um grande produtor de alimentos. “Tivemos esse avanço já no ano de 2010, 2015 em que estávamos conseguindo colocar produtos em mais de 100 países e alimentando mais de 1 bilhão de pessoas. Foi realmente uma verdadeira revolução verde, como classificou o nosso grande amigo Norman Boulaug”, comenta.

A busca por ser o maior produtor de alimentos do mundo

Segundo Paolinelli, se há 50 anos, quando dissessem para ele que os resultados de todos os esforços que ele vinha fazendo no início deram mais do que certo, ele acreditaria. “Era o que tentávamos fazer. Fomos visionários”, afirma. Ele explica que o que foi feito foi buscar tudo o que tinha de melhor e somar para que cada um fizesse uma parcela, mas que fizesse bem-feita, porque o objetivo era ser um país produtor de alimentos para o seu auto abastecimento. “Nós tínhamos uma visão de um país que é um verdadeiro produtor, com um território imenso, de tamanho continental, com diversos recursos e biomas diferentes. Nós acreditávamos muito que poderíamos fazer isso”, diz.

O ex-ministro reitera que sempre foi muito confiante de que o Brasil tinha de ter uma participação no abastecimento mundial de alimentos, e as suas condições não eram conhecidas antes da agricultura tropical. “Tudo o que fizemos foi criado com muito entusiasmo, paz e dedicação pela classe científica brasileira”, afirma. Porém, houve também o outro lado, para ajudar o agricultor brasileiro a entender a nova tecnologia. “Colocamos a Embrater (Empresa Brasileira de Extensão Rural) para ter a função de dar assistência técnica e extensão rural, levando ao agricultor todo esse conhecimento para ele ter condições de absorver toda essa revolução que estava acontecendo”, conta.

Foi no meio de toda essa pesquisa e repasse de conhecimentos que surgiu o Polocentro. “No meio de tudo isso houve dois pontos importantes: de um lado a geração e do outro a transferência destas tecnologias. Colocamos tudo como sendo um projeto político, mas de política pública, que foi o Polocentro”, lembra. O projeto começou em 1975 e quando Paolinelli deixou o Ministério, quatro anos depois, o Cerrado já estava com mais de dois milhões de hectares de áreas sendo produzidas e havia a perspectiva de aumentar. “O mais interessante é que os melhores produtores, mais inteligentes, afoitos e aventureiros, que viram que o projeto estava dando certo, por conta própria passaram a desenvolver as suas áreas”, conta. Dessa forma, quando Paolinelli deixou o governo, os quatro cantos de Cerrado já estavam em evolução. “Ali a gente viu que o Brasil não tinha mais o risco de depender de outros países, mas também que íamos entrar e ganhar o mercado mundial, que foi o que aconteceu”, afirma.

O ex-ministro destaca a parceria com outros ministros. “A gente pode trabalhar em uma estratégia que foi respeitada, onde todo o governo trabalhou junto. Havia o ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Veloso, do Interior, Maurício Rangel Reis, e da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, onde trabalhávamos juntos, discutíamos o problema juntos”, diz.

De brasileiros para brasileiros

Algo que Paolinelli reforça é que a tecnologia utilizada em solo brasileiro foi feita por brasileiros. “Nós tínhamos de fazer, não existia algo no mundo que atendesse as nossas necessidades. Toda essa tecnologia foi desenvolvida aqui, é uma tecnologia tropical que só o Brasil tem”, conta. De acordo com o ex-ministro isso é algo muito bom para o país, uma vez que hoje tem condições de atender as necessidades do mundo. “Os grandes centros que antes abasteciam o mundo não têm mais espaço e área agricultável. Eles tem tecnologia, mas não têm para onde expandir, e nós temos”, afirma.

Outra bandeira sempre muito defendida por Paolinelli é a segurança alimentar. “É muito importante pelo fato de a gente saber que quem tem insuficiência alimentar e fome há risco de desarranjos sociais, guerras, brigas, tensões, especialmente na geração de fluxos migratórios para outras regiões. Isso tudo é muito perigoso. E você tendo segurança alimentar não existe nada disso. Todos estando bem alimentados vão poder trabalhar, ter sua renda e isso é fundamental para qualquer povo”, conta.

Paolinelli ainda destaca que continua confiando muito na ciência que é feita no Brasil. “Estamos em uma fase de transição no mundo, e através dessas descobertas brasileiras vai ter uma evolução muito grande na biotecnologia”, comenta. Além disso, o ex-ministro também diz que o mercado internacional mudou, assim como a agricultura brasileira vem mudando. “Os grandes consumidores, países ricos que podem pagar bons preços nos alimentos, estão começando a ter exigências. Eles não querem alimentos tratados com produtos químicos, seja com fertilizantes ou defensivos. Então o Brasil está caminhando para isso e nós temos uma condição de país tropical e dentro de alguns anos vamos precisar muito pouco ou quase nada desses produtos que hoje ainda somos dependentes”, afirma.

Para Paolinelli, para isso acontecer é preciso ter uma grande concentração na ciência e na tecnologia. “Porque é uma ciência delicada, em que é preciso ter várias opções. Mas sei que vai dar certo. O Brasil ainda tem muito a evoluir e eu sei que vai, e espero ter condições para ver isso”, diz.

Na busca pelo Nobel

Após tantos feitos pela agricultura brasileira e segurança alimentar nacional e internacional, um grupo de amigos de Paolinelli decidiu que era preciso que ele fosse reconhecido internacionalmente (mais uma vez) pelos seus feitos. “Foi uma evolução que surgiu em função de alguns amigos que trabalhamos juntos há mais de 40 anos, são companheiros e temos uma intimidade muito grande. Eles participaram desse percurso e viram tudo o que foi feito e assim resolveram que o Brasil precisava de um Prêmio Nobel. Para esse prêmio eles me colocaram como o representante brasileiro”, informa. A candidatura de Paolinelli foi feita e aceita em janeiro. “Eles fizeram um trabalho muito bem feito e a minha candidatura foi aceita. Agora vamos lutar para isso, porque quem vai vencer não será o Paolinelli, quem vai vencer vai ser o Brasil”.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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1 Comentário

1 Comentário

  1. José Tonon Junior

    23 de março de 2021 em 08:40

    Um grande homem e profissional, incansável e de uma forma ímpar de fazer as coisas. Grandes chances para o ‘nosso Nobel’ …

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Bovinos / Grãos / Máquinas Escoamento da produção

Setor produtivo defende construção da Ferrogrão

Com quase 1.000 km de extensão, ferrovia ligará Sinop ao porto de Miritituba e aumenta opções para escoar produção do agronegócio.

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Arquivo/OP Rural

Com o olhar voltado para um programa de sustentabilidade na agropecuária de Mato Grosso também “da porteira para fora”, o presidente do Fórum Agro MT, Itamar Canossa, tem feito pronunciamentos em apoio à construção da Ferrogrão, projeto de ferrovia que deve ligar Sinop, MT, a Miritituba, em Itaituba, PA. A ferrovia tem sido vista pelos produtores como uma importante rota para o escoamento da safra da região norte do Estado. As defesas veementes da ferrovia se dão em virtude de recente movimento de políticos e ativistas internacionais que se opõem à construção, alegando perdas ambientais no Parque Nacional do Jamanxim, no Estado do Pará. Os defensores da ferrovia informam que o parque tem área de 859 mil hectares e que a área a ser desafetada para a construção é de 860 hectares, equivalente a cerca de 0,1% do parque.

Além do ínfimo impacto na área do parque, Canossa chama a atenção aos ganhos ao meio ambiente. Segundo ele, após a conclusão será reduzido drasticamente o fluxo de caminhões pela BR-163, o que implicará diretamente na redução tanto da emissão CO2 quanto de acidentes na rodovia. “Também é preciso dizer que o traçado da ferrovia acompanha o da BR-163, o que vai promover uma mínima remoção da vegetação. A ferrovia é ecologicamente sustentável”, afirma.

Canossa também destaca que será uma via de mão dupla. “Na ida para o porto escoará nossa produção e, no retorno, poderá trazer fertilizantes e combustíveis com um custo mais baixo para o consumidor. Nossa economia é baseada no agronegócio, uma atividade onde o produtor não determina o preço de seus produtos e absorve todos os custos de produção e transporte. Temos a expectativa de que a Ferrogrão promoverá uma redução do custo do frete, fazendo com que nossos produtos tenham menos pressão dos preços mundiais e que os agropecuaristas possam investir mais nas lavouras”.

E não é só uma questão de custos, mas também de viabilidade e de futuro. Mato Grosso produz, hoje, cerca de 65 milhões de toneladas de grãos por ano, sendo que há estudos que apontam que a produção poderá ser de 120 milhões de toneladas dentro de nove anos. “Temos um histórico de dificuldades de escoamento da produção, com trechos que se tornam intransitáveis no período das chuvas. Com a produção sendo alçada ao dobro da atual, como escoaremos a tudo isso?”, questiona Canossa.

Em entrevista à imprensa, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que as previsões de aumento na produção atraem olhares de investidores, o que viabiliza ainda mais a obra. “Tem muita gente que acredita no Mato Grosso. Tem produtor fazendo 80 sacas por hectare. Ninguém produz isso no mundo. É mais do que o dobro do que o americano faz”, disse Tarcísio durante encontro com a Frente Parlamentar de Agropecuária.

Porém, a construção da ferrovia tem gerado muito debate e mobilizado de ativistas de outros países. “A gente passa por coisas curiosas no Brasil. Acho que é o único país do mundo que tem que mostrar que uma ferrovia é sustentável. São coisas incompreensíveis, mas quem está na infraestrutura há muito tempo aprende a ser resiliente e enfrentar essas coisas”, sustenta Freitas.

Canossa reforça ainda a geração de empregos e renda que a construção dos quase 1.000 km de ferrovia trará para Mato Grosso, com um investimento estimado em R$21,5 bilhões. “Estudos realizados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) apontam que a implantação da ferrovia impactará diretamente na economia de 27 municípios de Mato Grosso, gerando empregos e movimentando a economia local. “Nós, do setor produtivo, somos favoráveis e entusiastas à construção tanto da Ferrogrão como da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e, também, da Ferronorte.”, completa o presidente do Fórum Agro MT.

O Fórum Agro MT é composto pela Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Acrismat (Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso), Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão), Aprosmat (Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso) e Famato (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso).

Fonte: Arquivo/OP Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Governança e Gestão

Estudo revela como está a sucessão familiar no agronegócio

Estudo da Fundação Dom Cabral e da JValério apresenta que 26% dos 207 entrevistados em todo o Brasil se preocupam com plano sucessório; educação financeira dos herdeiros é mais um desafio do setor

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A Fundação Dom Cabral (FDC) e a JValério Gestão e Desenvolvimento divulgaram o resultado da pesquisa “Governança e gestão do patrimônio das famílias do agronegócio”. Foram ouvidos 207 gestores de todo o território nacional e realizadas análises quantitativas e qualitativas. Mais de 80% dos empreendimentos são comandados pelos fundadores (41%) ou pela segunda geração (41%). Apenas 16% dos gestores fazem parte da 3ª geração e só 1% são da quarta adiante.

A sucessão familiar foi apontada na pesquisa por 26% dos entrevistados como um dos principais desafios para as famílias empresárias do setor do agronegócio. Mais de 70% delas não têm um conselho de família formado. “Apenas 7% possuem um conselho constituído. É um índice baixo, bem menor que o de outras empresas familiares de outros setores da nossa economia. O estudo apontou ainda que 40% dos negócios possuem um plano de sucessão e que a transição no comando deve acontecer na esfera ‘pai para filho’. Apenas 5% dos participantes avaliam a contratação de um executivo fora do núcleo familiar para gerir o negócio”, conta Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValério Gestão e Desenvolvimento.

Ainda de acordo com o estudo, a média entre as organizações dos segmentos do agronegócio é de 66% no que diz respeito à elaboração de um plano sucessório. As empresas que se dedicam à pecuária são as que têm menor aderência em relação ao planejamento do processo de sucessão: apenas 20%.

Como capacitar herdeiros?

Clodoaldo Oliveira destaca ainda que a preparação dos herdeiros para assumir o negócio é crucial para a longevidade das empresas familiares do agronegócio. Na opinião dele, o primeiro passo é que haja a manifestação de interesse pelas novas gerações, muitas vezes atraídas para a migração para as cidades e para o trabalho em outras áreas.

Segundo o levantamento da FDC e da JValério, 17% afirmam que há herdeiros extremamente interessados em tomar dianteira dos negócios; 57% (a maioria) disse que há alguns interessados; e 6% se mostraram indiferentes.

Uma das questões que pode quebrar essa barreira é o diálogo aberto entre os familiares. “A boa comunicação entre eles e o entendimento das ideias das gerações mais jovens, além do investimento em recursos tecnológicos, pode incentivá-los a levar para frente o legado dos pais e manter a tutela da empresa entre os membros da família. Mas para isso, precisam ser treinados para evitar decisões equivocadas e prejuízos que podem afetar a sustentabilidade da organização. Nem sempre é fácil conciliar os interesses pessoais com o do negócio, mas esse é um princípio básico que deve ser trabalhado na sucessão familiar. O plano sucessório, acompanhado por especialistas no assunto, é necessário, sobretudo, para diminuir os conflitos na hora da passagem do bastão”, afirma o diretor executivo da JValério.

Ele acrescenta que a gestão familiar nas empresas do agronegócio tem mais uma peculiaridade: a carência de dados é maior e a tomada de decisões é realizada de acordo com o ‘feeling’ do dono. “O olhar para a governança nas propriedades é algo novo e está acontecendo em razão de um novo momento de vida dos fundadores. Eles prosperaram nesta atividade, migraram do Sul para o Cerrado e viram suas operações crescer de forma vertiginosa, acompanhando o crescimento do agronegócio brasileiro. Naturalmente, chegou a hora de olhar para os filhos e pensar na continuidade do negócio. O fato é que esse ramo é essencialmente familiar e para que a empresa prospere a família precisa seguir unida, no mesmo propósito. Essa é a base de um empreendimento agronegócio. Se a família se dividir, há riscos de perder a competitividade”, avalia Clodoaldo Oliveira.

Gestão do patrimônio se mistura com negócios

A gestão do patrimônio também foi citada como um dos desafios pelos entrevistados: 26% apontaram a preocupação com educação financeira e a preparação de herdeiros; e 23% enxergam a profissionalização da gestão do patrimônio financeiro como uma necessidade. Outro dado da pesquisa informa que apenas 38% dos participantes acreditam que os familiares estão preparados para gerir o patrimônio; 4% reconhecem que não estão preparados, mas que há interesse e 34% entendem que nem todos os membros estão preparados, mas que buscam conhecimentos. Apenas 21% declararam não estar preparados e sem interesse em conhecer mais sobre o assunto.

Para se ter uma ideia da importância da gestão patrimonial, 70% disseram que esse é um dos temas mais discutidos nas reuniões de Conselhos de Administração. Outro dado que chama atenção na pesquisa é que, atualmente, 75% do patrimônio destas famílias empresárias está voltado para investimentos no campo. No entanto, nos próximos cinco anos, pretendem diminuir o investimento no setor com vistas a aumentar o patrimônio por meio de investimentos financeiros no Brasil e no exterior.

Quando questionados sobre os objetivos considerados importantes ou extremamente importantes na gestão patrimonial, 95% responderam preservar o patrimônio atual da família; 95% desejam proteger a família em caso de alguma eventualidade; e 88% acreditam que é importante deixar um legado/patrimônio para as próximas gerações.

Além disso, a pesquisa demonstra que mais da metade das famílias (51%) já fazem planejamento financeiro e/ou de gestão patrimonial, com maior concentração para as famílias cujas empresas possuem faturamento acima de R$ 1 bilhão (73%).

Gestão do patrimônio e sucessão

Clodoaldo Oliveira esclarece que, quando se fala em longevidade nas famílias empresárias no agronegócio é preciso levar em conta dois tipos de sucessão: a patrimonial, que envolve direito tributário, societário e sucessório família; e a sucessão empresarial, propriamente dita, como foco na gestão.

Ele ressalta que é importante organizar a propriedade rural como uma empresa familiar. “Já pensou em tornar seus filhos sócios da propriedade mesmo que eles exerçam outras profissões, fora das cercas da propriedade? Essa é uma realidade comum. Por isso, é preciso adotar medidas de economia e proteção jurídica das pessoas e da empresa rural. Quanto mais for profissionalizada a gestão da propriedade, menores serão os conflitos familiares a curto e longo prazo”, recomenda Oliveira.

Mulheres pilotando o trator

Para 69% das respondentes femininas o gênero não é relevante na tomada de decisões sobre uso do dinheiro e de investimentos nas famílias empresárias do agronegócio e, para 81% delas, esse também não é um atributo relevante no processo de sucessão. Na visão das mulheres do campo, elas são reconhecidas nas fazendas por sua capacidade de liderança, independente do gênero, sendo que 83% daquelas que fazem parte das novas gerações encontram maior abertura para assumir posições de chefia. Esse é um sinal de que o progresso e as mudanças culturais estão na agenda do setor do agronegócio.

Fonte: OP Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bovinocultura

Clima do verão pode ser aliado no controle de verminoses em bovinos

As verminoses são problema que se acentua nos períodos quentes e úmidos, porém essas condições também podem ser aliadas do pecuarista. O consultor técnico em saúde animal na unidade de negócios de Animais de Produção da Ourofino, Ingo Mello, explica como essa doença afeta o rebanho, como tratar e o quanto o clima interfere no controle parasitário.

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Divulgação/Ourofino

As verminoses são problema que se acentua nos períodos quentes e úmidos, porém essas condições também podem ser aliadas do pecuarista. Confira as dicas que o consultor técnico em saúde animal na unidade de negócios de Animais de Produção da Ourofino Saúde Animal, Ingo Mello, preparou para os leitores do jornal O Presente Rural.

O Presente Rural O que são verminoses e de que maneira elas afetam os bovinos de corte e leite?
Ingo Mello – As verminoses são os principais parasitas dos ruminantes e afetam os rebanhos provocando diversos prejuízos para a pecuária de leite e de corte. As verminoses podem afetar diversos órgãos como sistema gastrintestinal, pulmões, fígado, rins e até mesmo a musculatura dos animais. Os sinais clínicos variam desde uma simples indigestão, diarreia, baixo desenvolvimento corporal e baixo ganho de peso, perda de peso, anemias e mortes, além de predispor os animais a outras enfermidades.

O Presente Rural – Quais são os vermes mais preocupantes para a bovinocultura?
Ingo Mello – As verminoses podem ser provocadas por vermes redondos, achatados em forma de folha e suas fases intermediárias. Os principais vermes são Cooperia, Haemonchus, Oesophagostomum e Dictyocaulus.

O Presente Rural – O calor e/ou a umidade alta agravam o aparecimento de verminoses? Explique.
Ingo Mello – O período quente e úmido favorece a manutenção das verminoses na fase de vida livre ou no ambiente. Os ovos e larvas encontram condições favoráveis para cumprirem o ciclo de vida livre em busca do hospedeiro (bovinos). A rotação de pastagens no Brasil é uma estratégia que ajuda na garantia de nutrição animal, mas pouco contribui para o controle de parasitas.

O Presente Rural – O período de chuvas (verão) dificulta o controle?
Ingo Mello – Durante o verão (período quente e úmido) é favorável ao aumento da infestação ambiental, mas um bom protocolo de controle parasitário permitirá um controle eficiente. Fortes chuvas também prejudicam a viabilidade de muitos parasitas devido à destruição do bolo fecal, lavagem e encharcamento do solo. O período seco do ano é um grande desafio para os parasitas na fase de vida livre, ficam mais fragilizados, expostos a radiação solar, altas temperaturas, inversões térmicas noturnas e baixa umidade, neste contexto é recomendável intensificar as vermifugações e controle de parasitas, pois estes se encontram mais fragilizados, garantindo maior eficiência dos tratamentos e redução das infestações futuras.

O Presente Rural – Quais os sintomas (sinais clínicos e/ou subclínicos) causados por verminoses?
Ingo Mello – A Cooperia e o Oesophagostomum parasitam os intestinos, provocando irritação, inflamação e baixa eficiência ali-mentar, diarreia, desidratação e anorexia, o Haemonchus parasita o estomago dos ruminantes e provoca forte anemia, além da inflamação e irritação, sendo uma das mais preocupantes. O Dictyocaulus é o parasita dos pulmões e provoca irritação e pneumonia. Outras verminoses menos frequentes podem provocar grandes prejuízos para a pecuária quando aparecem nos rebanhos, é o caso da Fascíola hepática que provoca lesões no fígado e ductos biliares, a cisticercose bovina (fase larval ou intermediária da solitária ou teníase humana).

O Presente Rural – Quais os problemas que podem acontecer no desempenho zootécnico (carne e leite)?
Ingo Mello – Baixa eficiência alimentar, atrasos/perdas de peso: 10 a 25% (cria) (Rehagro Ensino, 2018), atrasos de 40 a 44kg na engorda (Bianchin et al.,1996), redução média de 20% na produção de leite, atrasos no desenvolvimento corporal e na puberdade, reduzindo a capacidade reprodutiva do rebanho e anemias e mortes (Bianchin et al.,1996).

O Presente Rural – Como as verminoses afetam o bem-estar do animal?
Ingo Mello – As lesões, a desidratação, a dor e a inflamação prejudicam a saúde e o bem-estar dos animais.

O Presente Rural – Como evitar verminoses no rebanho?
Ingo Mello – Através de protocolos e calendários de vermifugação. O exame amostral das fezes de alguns animais pode ajudar a desvendar o perfil de verminose dos lotes e rebanhos trazendo maior assertividade nos esquemas de vermifugação e na escolha do vermífugo/endectocida mais eficaz. Recomendamos a vermifugação de controle estratégico, mais intensificada no período seco do ano e nas transições (entrada, meio e final do período seco). A entrada de animais novos na propriedade requer uma vermifugação planejada para reduzir novas infestações ambientais. O período pré-parto é de alta importância a vermifugação das fêmeas gestantes (são muito sensíveis as verminoses), reduzindo as infestações ambientais na maternidade. Outra estratégia muito importante é a alternância de bases químicas no controle da verminose.

O Presente Rural – Como tratar as verminoses em um rebanho?
Ingo Mello – Os animais devem ser vermifugados periodicamente, principalmente no período seco utilizando bases químicas de amplo espectro de ação. Animais jovens (3 a 24 meses) devem ser vermifugados pelo menos 3 vezes ao ano, fêmeas gestantes devem ser vermifugadas no pré-parto. Animais com idade superior a 24 meses devem ser vermifugados estratégicamente no período seco.

O Presente Rural – Em que períodos da vida dos bovinos as verminoses são mais comuns?
Ingo Mello – As verminoses são mais frequentes nos animais mais jovens, bezerros durante a fase de cria e recria são mais severamente acometidos.

Vacas no terço final de gestação
É importante que os animais recebam pelo menos uma vez ao ano o tratamento com vermífugos/endectocidas mais concentrados (ex.: Ivermectina 4%) e a alternância de bases químicas (associações de ivermectina e sulfóxido de albendazole).

Fonte: OP Rural
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ABPA – PSA

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