Suínos
Tilápia valorizada impulsiona mercado brasileiro da piscicultura
Presidente da PeixeBR reforça que a tilapicultura brasileira tem a maior taxa de crescimento no mundo, tendo crescido nos últimos sete anos 10,53% ao ano.

A piscicultura tem se mostrado um setor cada vez mais importante para a economia brasileira, e os números do Anuário Peixe BR da Piscicultura 2023 comprovam essa tendência. De acordo com a publicação, o Brasil produziu mais de 860 mil toneladas de peixes em 2022, o que representa um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior.
Essa expansão da produção é resultado de diversos fatores, como o aumento da demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis, a melhoria das técnicas de cultivo e a diversificação das espécies cultivadas. Entre as espécies mais produzidas, destacam-se a tilápia, o tambaqui e o pacu, mas outras espécies, como o pirarucu, pirapitinga e a tabatinga, também estão ganhando espaço no mercado. Em vendas o tambacu é o segundo peixe mais consumido e logo na sequência a tambatinga.
A piscicultura brasileira tem se mostrado cada vez mais profissionalizada e tecnificada, com o uso de equipamentos e sistemas de monitoramento que permitem um controle mais preciso do ambiente e das condições de criação dos peixes. Essa abordagem resulta em um aumento da eficiência produtiva e na redução dos custos, tornando a piscicultura uma atividade rentável e sustentável.
O setor também tem um impacto positivo na geração de empregos e na inclusão social, principalmente em regiões mais carentes. A atividade tem atraído investimentos e contribuído para o desenvolvimento das comunidades locais, além de ser um importante gerador de divisas para o país, com exportações crescentes de peixes frescos e processados.

Presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros – Foto: Divulgação/PeixeBR
Diante desse cenário promissor, é fundamental que o setor de piscicultura continue investindo em tecnologia, inovação e sustentabilidade, buscando aprimorar a qualidade dos produtos e a eficiência produtiva, além de garantir a segurança alimentar e o bem-estar animal. Com um mercado em expansão e uma demanda crescente por alimentos saudáveis e sustentáveis, a piscicultura tem tudo para se consolidar como uma das atividades mais importantes da agropecuária brasileira. “A tecnologia começa na genética, passa pela indústria de ração, manejo sanitário, automação do sistema de produção e planta frigorífica. Hoje o produtor consegue monitorar tudo que acontece na sua propriedade em tempo real, isso trouxe muitos benefícios para a gestão do negócio, entre os quais agilidade na tomada de decisões, uma vez que conseguimos identificar de forma rápida quando um problema acontece, assim como a indústria também está cada vez mais tecnificada, adotando tecnologias e equipamentos de última geração para processar o nosso produto, que hoje está presente em mais de 40 países”, enaltece o presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros.
Ranking da produção de peixes do Brasil
O Paraná mantém sua posição de maior produtor de peixes no Brasil, com uma produção de 194.100 toneladas em 2022, volume 3,2% maior do que a registrada no ano anterior. Sozinho, o estado representa 22,5% da produção nacional. “A liderança disparada coloca os paranaenses também em uma posição de referência, pois os sistemas produtivos com modelos integrados como agroindústria ou como cooperativa podem ser adotados em outras localidades, com as devidas adequações, para expandir a piscicultura”, expõe Medeiros.
São Paulo se mantém em segundo lugar, com 83.400 toneladas, apresentando crescimento de 2,1% sobre 2021. Na sequência aparece Rondônia, com 57.200 toneladas somente de espécies nativas e uma queda de 4% na comparação entre 2022 e 2021.
O quarto lugar nessa lista passou a ser ocupado por Minas Gerais, o único entre os dez primeiros a conseguir expansão de dois dígitos. Com aumento de 11,4% na produção, os mineiros chegaram a 54.700 toneladas. Santa Catarina aumentou 1,3% sua produção, com 54.300 toneladas, mas não evitou cair para a quinta posição.
Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Goiás completam o ranking dos 10 maiores produtores de peixes do país. Entre esses estados, além de Rondônia, só Mato Grosso do Sul apresentou redução na produção, com cerca de 7,8%.
Tilápia reina absoluta
A tilápia é um dos peixes mais produzidos no Brasil e a piscicultura dessa espécie tem ganhado cada vez mais espaço na aquicultura do país. Com um ciclo de produção rápido, resistência a doenças e alta adaptabilidade a diferentes ambientes de cultivo, a tilápia se tornou uma das principais espécies cultivadas em cativeiro.
De acordo com o Anuário Peixe BR da Piscicultura 2023, a produção de tilápias no Brasil alcançou 550.060 toneladas em 2022, volume que representa 63,93% da produção nacional de peixes de cultivo e aumento de 3% em relação ao ano anterior. “Com base nas demandas locais e globais, é provável que a tendência de expansão da produção de tilápia continue e possivelmente se intensifique nos próximos anos”, reforça Medeiros.
Além da alta demanda por parte dos consumidores nacionais, a tilápia responde por 88% das exportações brasileiras de pescado, atendendo sobretudo os Estados Unidos, que consomem 83% da tilápia vendida ao mercado externo. O segundo mercado mais significativo é Taiwan, que compra principalmente os produtos não comestíveis, como pele, escama, farinha e óleo.
Contando somente a tilápia, o Paraná lidera o ranking de produção no Brasil, seguido por São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Em 2022, o Paraná produziu 187.800 toneladas da espécie, o que corresponde a cerca de 34% da produção nacional. São Paulo, por sua vez, produziu 77,3 mil toneladas, seguido por Minas Gerais, com 51,7 mil, Santa Catarina com 42,5 mil toneladas e Mato Grosso do Sul com 32,2 mil toneladas.
Conforme Medeiros, o sucesso da produção de tilápias no Brasil está ligado à qualidade do pescado, que tem alta aceitação no mercado interno e externo, além do fato de ser um peixe de fácil manejo e baixo custo de produção. Outro fator importante é a certificação do pescado, como o selo de produto sustentável do Aquaculture Stewardship Council (ASC) e o certificado de qualidade do Programa Brasileiro de Qualidade do Pescado (PBQP).
Além disso, a piscicultura de tilápias tem um papel importante na economia do país, gerando empregos e movimentando a cadeia produtiva desde a produção de insumos, como rações e equipamentos, até o processamento e distribuição do pescado.
Atual cenário
Embora tenham sido produzidas mais de 550 mil toneladas de tilápia no passado, o presidente da PeixeBR afirma que essa produção ficou aquém das projeções estipuladas pela entidade. “A tilápia representa 75% do nosso negócio, mas as projeções feitas no início de 2022 ficaram abaixo das nossas estimativas, muito em razão do preço baixo pago aos produtores no primeiro trimestre de 2022, tendo inclusive em algumas regiões o custo de produção maior do que o preço pago ao produtor. Essa situação levou muitos piscicultores a não realizar a reposição, vendendo a produção no primeiro trimestre e não comprando a mesma quantidade de alevinos para prosseguir com a produção”, avalia Medeiros.
Como a safra de tilápia regula o mercado, a variação no período de produção – em geral de seis a oito meses e de sete a nove meses na região Sul – tem impacto no resultado final. “A resposta sobre o efeito da falta de reposição de alevinos, notada principalmente no Paraná e em Santa Catarina, será vista ao longo deste ano. A janela para colocá-los é até final de março ou início de abril, se o produtor não coloca neste período só poderá inserir novos alevinos no segundo semestre”, salienta.
Por outro lado, 2023 iniciou com um bom preço pago ao produtor. “Semana após semana, estamos vendo um aumento no preço pago ao produtor, algo que é incomum mesmo após a
Semana Santa, quando o preço costuma cair ou estabilizar. Estamos projetando uma melhoria no preço pago ao produtor ao longo deste ano. Portanto, estamos em uma fase de recuperação das perdas que os produtores sofreram em períodos anteriores”, frisa Medeiros.
De acordo com o Indicador de Preços da Tilápia do Cepea/PeixeBR, na primeira semana de maio os produtores da região dos Grandes Lagos receberam R$ 10,10/kg, enquanto no Oeste do Paraná o valor pago foi de R$ 9,30/kg. Já no Norte do Paraná, o preço foi de R$ 9,48/kg e em Morada Nova de Minas o valor pago foi de R$ 9,25/kg. “É extremamente importante para o produtor fazer um diagnóstico preciso do que está acontecendo no mercado. A gente tem que ter consciência de que esse é o valor médio da comercialização de peixes, é lógico que teve preços acima e preços abaixo, conforme as condições específicas de cada região”, menciona, ampliando: “Historicamente essa diferença de preços tem sido observada, no entanto, atualmente, estamos prevendo uma boa safra de soja e uma projeção otimista para a safra de milho. Já houve uma queda significativa nos preços do milho no mercado e esperamos que a safra de grãos continue bem, para que as indústrias possam adquirir soja e milho com preços mais acessíveis. Isso, por sua vez, resultará em uma redução no preço da ração e uma melhoria ainda maior na margem do produtor”.
Regiões do Brasil

Foto: Jefferson Christofoletti
A região Sul do Brasil é o principal polo de cultivo de peixes no país, com dois dos 10 estados que mais produzem. Em 2022, os sulistas produziram 275.700 toneladas, o que representa 32% de todo o volume nacional de peixes, crescimento de 2,4% em relação a 2021.
O Nordeste, embora tenha uma produção considerável menor que o Sul, produziu 170.065 toneladas em 2022, o que equivale a quase 20% de toda a produção nacional de peixes. Esse volume é 4,8% maior do que o apresentado em 2021, representando o maior crescimento na relação ano contra ano. O Sudeste aparece em terceiro lugar em produção, com 159.380 toneladas e um avanço de 4,2% sobre 2021.
A região Norte ocupa a quarta posição em volume, com 145.310 toneladas, apresentando um crescimento praticamente estável, de apenas 0,3%. E o Centro-Oeste registrou queda de 1,6% de 2021 para 2022, passando de 111.750 toneladas para 109.900 toneladas. “Na região Norte, onde são criados peixes nativos, espera-se uma reação na produção este ano, embora ainda pequena, devido ao ciclo de vida dessas espécies, que é de cerca de um a um ano e meio. Isso significa que a reação observada este ano só será refletida em 2024, diferentemente da tilápia, que tem o ciclo de produção mais curto”, explica Medeiros, acrescentando: “É um momento muito favorável para a piscicultura, mas é preciso cautela, pois assim como a maioria das atividades agropecuárias no Brasil, a piscicultura é cíclica. Portanto, é importante usar o momento atual para pagar as contas e capitalizar o negócio, para que o produtor possa enfrentar eventuais dificuldades que podem surgir em ciclos futuros com mais tranquilidade e acumular vantagens competitivas ao longo do tempo”.
Consumo per capita
Aumento do consumo interno e estratégia de vendas da agroindústria impulsionam crescimento da piscicultura no Brasil. Durante o início da pandemia, Medeiros pontua que havia preocupações quanto ao impacto do cenário no setor, mas após o período crítico, o mercado teve um impacto positivo. “O consumo de peixes cresceu significativamente durante a pandemia, uma vez que as pessoas passaram a procurar produtos mais saudáveis, e como a produção de peixes não foi interrompida isso proporcionou um aumento na oferta de peixes nos pontos de venda e, consequentemente, um ganho de participação no mercado frente a outros produtos de pesca”, elenca o presidente da PeixeBR.
Atualmente, o consumo per capita de peixes de cultivo, peixes importados e produtos da pesca no Brasil é de cerca de 9,3 kg. Embora esse número seja baixo em comparação com a média mundial de 20 kg, é uma boa oportunidade de crescimento para o mercado interno, que tem 214 milhões de consumidores. “As agroindústrias, principalmente as de aves, têm desempenhado um papel importante no desenvolvimento da atividade, produzindo e comercializando tilápia em mais de 140 mil pontos de venda no país”, ressalta Medeiros, ampliando: “A estratégia de vendas da agroindústria tem sido eficaz na promoção do aumento do consumo interno de peixes e muitas empresas que antes não produziam tilápia agora a comercializam. O projeto Coma mais Peixe também tem desempenhado um papel importante na desmistificação do consumo de pescado no Brasil. Com essas ações, o mercado de piscicultura brasileira tem uma grande oportunidade de crescimento e se aproximar da média mundial de consumo per capita”.
Ano de retomada de crescimento
Medeiros aponta que a cadeia enfrentou momentos ruins em 2018, 2019, no fim de 2021 e início de 2022, mas agora está em processo de recuperação. A alta dos preços das commodities (principalmente soja e milho) impactou a piscicultura, mas espera-se que a redução atual traga fôlego para a próxima safra de peixes de cultivo.
A tilápia é o carro-chefe da produção nacional e o Brasil busca manter e alavancar sua posição entre os maiores produtores de peixes do mundo, ocupando atualmente o Top 4 no ranking mundial em relação à tilápia. “A tilapicultura brasileira tem a maior taxa de crescimento no mundo, tendo crescido nos últimos sete anos 10,53% ao ano, não tem nada perto disso em nenhum lugar do globo. E no mercado interno não tem nada que possa acontecer que interfira na nossa taxa de crescimento, assim como a nível mundial, porque mesmo com a pandemia de Covid-19 e a guerra no Leste europeu não perdemos a taxa de crescimento. Acredito que ao final desta década já seremos o terceiro maior produtor de tilápia do mundo e já brigando pela segunda posição”, vislumbra Medeiros.
Ainda, o presidente da PeixeBR diz que o Brasil tem vantagens competitivas importantes na produção de tilápia, como tecnologia avançada e bons resultados zootécnicos. “Os países que estão em terceiro e em segundo lugar têm limitações em recursos, como água e ração, e até compram grãos do Brasil para engordar os peixes. Então, com essas vantagens, o Brasil tem potencial para se tornar o maior produtor de tilápia do mundo na próxima década”, enfatiza.
Medeiros destaca que, anteriormente, para obter bons resultados na produção de peixes, era necessário passar todo os ‘pés na água’. Contudo, atualmente, um bom produtor é aquele que divide o seu tempo entre a gestão do negócio, análise de custos e parcerias de comercialização. “É fundamental entender o mercado a fim de realizar contratos futuros de compra de insumos e venda de produtos. Somente a vontade de produzir, o esforço e o trabalho manual hoje já não são mais suficientes”, pondera.
Preocupações do setor
São muitos os desafios que tiram o sono dos produtores de peixes de cultivo. Medeiro enfatiza que o investimento diário na atividade é essencial, mas o ambiente de investimento no Brasil hoje é bastante instável, devido aos altos custos do dinheiro. “Isso torna o risco de investimento muito grande. Além disso, a taxa de juros para captação de recursos, os riscos sanitários e as questões de saúde animal são uma preocupação constante para os produtores, o que exige um planejamento cuidadoso. É fundamental que o produtor esteja atento 24 horas por dia para não ser pego de surpresa. Embora o setor seja promissor e continue a crescer, alguns produtores que não estejam atentos a todos os desafios podem não sobreviver no futuro”, aponta.
“A mudança do Jornal Presente Rural para uma edição de Peixes é uma grande conquista para nós do setor”
A partir de 2023 o Jornal O Presente Rural terá duas edições, uma no primeiro semestre e outra no segundo, dedicadas somente à piscicultura. Antes, o segmento era abordado na edição Suínos & Peixes e na edição especial de Aquicultura. Agora passa a contar com publicações exclusivas. “Essa iniciativa é extremamente relevante, principalmente por se tratar de um veículo de comunicação com grande credibilidade no mercado. A mudança do Jornal Presente Rural para uma edição de Peixes é uma grande conquista para nós do setor, pois entendemos o quanto a comunicação e o bom jornalismo são fundamentais para desmistificar informações do setor”, enfatiza Medeiros.
Ele destaca que desde a criação da PeixeBR, em 2015, a preocupação com a comunicação é recorrente. “A forma como nos comunicamos afeta diretamente os resultados dos negócios. É fácil criar uma comunicação que gera cliques, mas fidelizar o cliente é um desafio constante. É importante divulgar o que fazemos, como fazemos e para quem fazemos, principalmente para o cliente externo. Parabenizo essa iniciativa do Jornal O Presente Rural, que contribui para o fortalecimento da cadeia produtiva da piscicultura brasileira. Receber esse presente é fantástico e fundamental para o setor, pois reforça a importância da comunicação como um dos pilares do sucesso do nosso negócio”, ressalta.
Ranking nacional de produção de peixes de cultivo
Com base nos dados do Anuário PeixeBR da Piscicultura 2023, confira o ranking dos estados que mais produzem peixes no Brasil (toneladas).
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor aquícola acesse gratuitamente a edição digital de Aquicultura. Boa leitura!

Suínos
Especialista aponta como a nutrição pode modular as defesas dos suínos
Klara Schmitz destaca que a nutrição estratégica é essencial para fortalecer o sistema imunológico dos suínos, especialmente diante de desafios sanitários e da redução no uso de antibióticos.

O sistema imunológico dos suínos é uma estrutura complexa, distribuída por todo o organismo, responsável por proteger os animais contra patógenos e outras substâncias potencialmente nocivas. Seu bom funcionamento é determinante não apenas para o desempenho produtivo, mas também para a longevidade das matrizes, especialmente em um contexto de alta genética, marcada por animais hiperprolíficos e mais sensíveis a desafios sanitários.
De acordo com a doutora em Nutrição Animal e especialista em Economia Agrícola, Klara Schmitz, o cenário atual exige uma abordagem mais estratégica. “Hoje temos matrizes com altíssimo potencial produtivo, mas também mais suscetíveis a desafios. Ao mesmo tempo, há uma redução no uso de soluções tradicionais, como antibióticos, o que torna o suporte nutricional ainda mais relevante”, destacou durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Doutora em Nutrição Animal e especialista em Economia Agrícola, Klara Schmitz: “A alimentação não apenas fornece nutrientes, mas também pode ser utilizada de forma direcionada para apoiar as defesas do organismo” – Foto: Divulgação/Abraves
A relação entre nutrição e sistema imunológico começa no trato gastrointestinal. Além de sua função digestiva, o intestino atua como uma das principais barreiras imunológicas do organismo. É ali que se concentra grande parte das células de defesa, formando o chamado tecido linfoide associado ao intestino.
Essa sobreposição entre digestão e imunidade torna o intestino uma interface crítica entre a ração e a resposta imunológica. “O sistema imunológico intestinal funciona como um filtro, capaz de reconhecer e neutralizar substâncias nocivas ingeridas pelos animais”, explica Klara, enfatizando: “Por isso, a alimentação não apenas fornece nutrientes, mas também pode ser utilizada de forma direcionada para apoiar as defesas do organismo”.
Suporte direto e indireto pela dieta
O suporte nutricional ao sistema imunológico pode ocorrer de duas formas. De maneira direta, por meio da inclusão de aditivos específicos na dieta, como determinados ácidos graxos, prebióticos e probióticos, capazes de estimular a produção de imunoglobulinas, especialmente durante a formação do colostro. “Aminoácidos específicos também desempenham papel fundamental ao favorecer a síntese de peptídeos antimicrobianos e de IgA”, relatou.
De forma indireta, o suporte ocorre pela manutenção de um estado nutricional adequado, capaz de atender às maiores demandas metabólicas durante períodos de estresse fisiológico ou produtivo. “Quando o animal não está bem nutrido, o sistema imunológico tende a falhar, abrindo espaço para doenças e queda de desempenho”, ressaltou a especialista.
Outro ponto central é a qualidade dos ingredientes utilizados na formulação das rações. “A presença de fungos, micotoxinas ou gorduras oxidadas aumenta a carga sobre o sistema imunológico, especialmente em leitões e matrizes”, reforçou, acrescentando: “Quando isso não é viável, o uso de aditivos como sequestrantes de micotoxinas, antioxidantes tecnológicos ou acidificantes pode ajudar a reduzir o impacto desses agentes, preservando a integridade intestinal e evitando respostas inflamatórias desnecessárias”.
Proteína e fibra exigem equilíbrio
A especialista explica que o excesso de proteína pode resultar em maior quantidade de nutrientes não digeridos no intestino grosso, favorecendo a fermentação e a produção de metabólitos tóxicos, como amônia e sulfeto de hidrogênio. “Esses compostos induzem respostas inflamatórias e aumentam o risco de distúrbios intestinais, como a diarreia pós-desmame. Dietas muito proteicas podem facilitar a proliferação de bactérias como a Escherichia coli, especialmente em leitões”, salientou.
Em contrapartida, níveis muito baixos de proteína também não são ideais. O equilíbrio, segundo ela, está em um perfil adequado de aminoácidos, aliado à inclusão estratégica de fibras.
As fibras, apesar de reduzirem a densidade energética da dieta, exercem efeitos positivos ao servirem de substrato para bactérias benéficas. “A fermentação da fibra gera ácidos graxos de cadeia curta, que fortalecem a mucosa intestinal, inibem patógenos e fornecem energia ao organismo”, mencionou a doutora em Nutrição Animal.
Demandas mudam durante desafios sanitários
Em situações de desafio imunológico, como infecções ou estresse, o metabolismo dos animais se altera. Há redução do crescimento e da atividade, enquanto a degradação proteica aumenta para suprir a síntese de proteínas de defesa. “As exigências de aminoácidos do sistema imunológico são diferentes daquelas voltadas ao crescimento”, expõe Klara, destacando que durante o estresse aminoácidos sulfurados, treonina, triptofano e glutamina ganham importância, enquanto a necessidade de lisina tende a diminuir.
Além dos aminoácidos, o sistema imunológico depende de um fornecimento adequado de vitaminas e minerais. Vitaminas A, C, E, do complexo B, ácido fólico, β-caroteno e minerais como zinco, cobre, ferro, selênio e manganês desempenham funções-chave na resposta imune e na proteção contra o estresse oxidativo.
A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Suínos
Preços do suíno na China atingem menor nível em 16 anos e aceleram descarte de plantéis
Perdas de até US$ 55 por animal pressionam produtores enquanto o país reduz dependência de soja dos EUA e amplia uso de ração fermentada.

Os produtores de suínos na China atravessam o período mais adverso desde 2010. O preço do animal vivo caiu ao menor patamar em 16 anos, em torno de 9,17 yuans por quilo, equivalente a cerca de US$ 0,62 por libra-peso, insuficiente para cobrir os custos de produção. A conta não fecha: estima-se prejuízo entre US$ 50 e US$ 55 por cabeça, o que tem provocado descarte acelerado de matrizes e redução forçada dos plantéis.

Foto: Shutterstock
A crise combina oferta elevada, demanda doméstica enfraquecida e um ambiente econômico pressionado. Em setembro do ano passado, autoridades chinesas reuniram os maiores produtores do país para discutir cortes coordenados na produção. Desde então, as cotações continuaram em queda, ampliando o período de perdas consecutivas na suinocultura do país.
O cenário ocorre em paralelo a uma mudança estrutural na estratégia de abastecimento de insumos para ração. A China reduziu de forma expressiva a participação dos Estados Unidos nas suas compras de soja. Em 2024, os chineses responderam por 47% das exportações norte-americanas do grão. Em 2025, essa fatia caiu para 19%. A diferença passou a ser suprida principalmente pelo Brasil, que ampliou espaço como fornecedor prioritário.
A alteração no fluxo comercial não se limita à origem da soja. O governo chinês passou a estimular práticas alimentares que diminuem a dependência do farelo de soja importado. A diretriz ganhou força após o acirramento das tensões comerciais com os EUA e foi incorporada como prioridade na política de segurança alimentar do país.
Principal mudança

Foto: Shutterstock
A principal mudança ocorre dentro das granjas. Parte dos produtores substitui a ração seca tradicional, rica em soja, por ração líquida fermentada. O processo utiliza insumos locais, como farelos diversos, restos vegetais e subprodutos agroindustriais, que passam por fermentação em tanques, em um método comparável ao da produção de iogurte. A fermentação quebra proteínas complexas, facilita a digestão e permite reduzir em até 50% o uso de farelo de soja em algumas operações.
A adoção desse sistema cresce. A ração fermentada representava 3% do volume industrial em 2022. Hoje alcança 8% e a projeção é atingir 15% até 2030. A mudança ocorre em um momento em que a alimentação responde por cerca de 70% do custo de produção do suíno, tornando qualquer redução no uso de ingredientes importados um fator relevante para tentar conter prejuízos.
A combinação entre preços historicamente baixos, ajuste forçado de oferta e reconfiguração das dietas animais indica que a atual crise da suinocultura chinesa ultrapassa um ciclo típico de mercado. Trata-se de um movimento que envolve política comercial, estratégia de segurança alimentar e reestruturação produtiva com efeitos diretos sobre o comércio global de soja, milho e carne suína.
Suínos
Paraná se mantém como principal fornecedor de carne suína no Brasil
Com quase um milhão de toneladas destinadas ao consumo nacional, o estado responde por 23,7% do mercado e reforça seu papel estratégico no abastecimento interno.

O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado na quinta-feira (9), destaca que em 2025 o Paraná destacou-se como principal fornecedor de carne suína para o mercado interno brasileiro pelo oitavo ano consecutivo, segundo dados da Pesquisa Trimestral de Abate do IBGE e do Agrostat/Mapa.
Do total de 1,23 milhão de toneladas (t) produzidas no Estado, aproximadamente 990,48 mil t foram destinadas ao consumo interno. Esse montante representa 23,7% do comércio interno de carne suína no Brasil, que alcançou 4,18 milhões de t.
Santa Catarina manteve-se na segunda colocação, com 851,91 mil t comercializadas internamente, equivalentes a 20,4% do total. Na sequência vieram Rio Grande do Sul, com 676,96 mil t (16,2%), Minas Gerais, com 642,31 mil t (15,3%), e Mato Grosso do Sul, com 263,59 mil t (6,3%).
O desempenho do Paraná como principal fornecedor pode ser atribuído a um conjunto de fatores. Entre eles, destaca-se o fato de o Estado ser o segundo maior produtor de carne suína do País e o terceiro maior exportador, tendo destinado apenas 19,2% de sua produção ao mercado externo no último ano. Em comparação, Santa Catarina, líder em produção e exportação, direcionou 46,8% de sua produção às exportações, enquanto o Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e segundo maior exportador, destinou 33,5% ao mercado externo.
Bovinos

Na pecuária de corte, o cenário para os bovinos é de cotações firmes no atacado, ao longo de março, impulsionadas pela oferta restrita de animais prontos e pela demanda externa aquecida. Dados do Deral apontam valorização de 4% e 4,3% no dianteiro e traseiro, respectivamente, no atacado. Vale ressaltar que, mesmo durante a Quaresma, quando o consumo tende a enfraquecer, não houve pressão relevante de queda nas cotações.
Chuvas no campo
A resiliência do setor agropecuário paranaense diante dos desafios ocasionados pela falta de chuvas em algumas regiões do Estado também é destaque do boletim. No Paraná, as lavouras de milho e feijão da segunda safra enfrentam um período de atenção devido à irregularidade das chuvas e ondas de calor.
Mas, segundo o Deral, o retorno recente das precipitações em algumas regiões trouxe um alívio momentâneo ao estresse hídrico, mantendo a perspectiva de recuperação produtiva caso o clima se estabilize. “No campo do feijão, por exemplo, os produtores viram uma valorização expressiva do tipo carioca, que acumulou alta de 48% em 12 meses, incentivando um aumento de 3% na área deste cultivar”, explica o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho.




