Suínos
Tilápia valorizada impulsiona mercado brasileiro da piscicultura
Presidente da PeixeBR reforça que a tilapicultura brasileira tem a maior taxa de crescimento no mundo, tendo crescido nos últimos sete anos 10,53% ao ano.

A piscicultura tem se mostrado um setor cada vez mais importante para a economia brasileira, e os números do Anuário Peixe BR da Piscicultura 2023 comprovam essa tendência. De acordo com a publicação, o Brasil produziu mais de 860 mil toneladas de peixes em 2022, o que representa um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior.
Essa expansão da produção é resultado de diversos fatores, como o aumento da demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis, a melhoria das técnicas de cultivo e a diversificação das espécies cultivadas. Entre as espécies mais produzidas, destacam-se a tilápia, o tambaqui e o pacu, mas outras espécies, como o pirarucu, pirapitinga e a tabatinga, também estão ganhando espaço no mercado. Em vendas o tambacu é o segundo peixe mais consumido e logo na sequência a tambatinga.
A piscicultura brasileira tem se mostrado cada vez mais profissionalizada e tecnificada, com o uso de equipamentos e sistemas de monitoramento que permitem um controle mais preciso do ambiente e das condições de criação dos peixes. Essa abordagem resulta em um aumento da eficiência produtiva e na redução dos custos, tornando a piscicultura uma atividade rentável e sustentável.
O setor também tem um impacto positivo na geração de empregos e na inclusão social, principalmente em regiões mais carentes. A atividade tem atraído investimentos e contribuído para o desenvolvimento das comunidades locais, além de ser um importante gerador de divisas para o país, com exportações crescentes de peixes frescos e processados.

Presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros – Foto: Divulgação/PeixeBR
Diante desse cenário promissor, é fundamental que o setor de piscicultura continue investindo em tecnologia, inovação e sustentabilidade, buscando aprimorar a qualidade dos produtos e a eficiência produtiva, além de garantir a segurança alimentar e o bem-estar animal. Com um mercado em expansão e uma demanda crescente por alimentos saudáveis e sustentáveis, a piscicultura tem tudo para se consolidar como uma das atividades mais importantes da agropecuária brasileira. “A tecnologia começa na genética, passa pela indústria de ração, manejo sanitário, automação do sistema de produção e planta frigorífica. Hoje o produtor consegue monitorar tudo que acontece na sua propriedade em tempo real, isso trouxe muitos benefícios para a gestão do negócio, entre os quais agilidade na tomada de decisões, uma vez que conseguimos identificar de forma rápida quando um problema acontece, assim como a indústria também está cada vez mais tecnificada, adotando tecnologias e equipamentos de última geração para processar o nosso produto, que hoje está presente em mais de 40 países”, enaltece o presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros.
Ranking da produção de peixes do Brasil
O Paraná mantém sua posição de maior produtor de peixes no Brasil, com uma produção de 194.100 toneladas em 2022, volume 3,2% maior do que a registrada no ano anterior. Sozinho, o estado representa 22,5% da produção nacional. “A liderança disparada coloca os paranaenses também em uma posição de referência, pois os sistemas produtivos com modelos integrados como agroindústria ou como cooperativa podem ser adotados em outras localidades, com as devidas adequações, para expandir a piscicultura”, expõe Medeiros.
São Paulo se mantém em segundo lugar, com 83.400 toneladas, apresentando crescimento de 2,1% sobre 2021. Na sequência aparece Rondônia, com 57.200 toneladas somente de espécies nativas e uma queda de 4% na comparação entre 2022 e 2021.
O quarto lugar nessa lista passou a ser ocupado por Minas Gerais, o único entre os dez primeiros a conseguir expansão de dois dígitos. Com aumento de 11,4% na produção, os mineiros chegaram a 54.700 toneladas. Santa Catarina aumentou 1,3% sua produção, com 54.300 toneladas, mas não evitou cair para a quinta posição.
Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Goiás completam o ranking dos 10 maiores produtores de peixes do país. Entre esses estados, além de Rondônia, só Mato Grosso do Sul apresentou redução na produção, com cerca de 7,8%.
Tilápia reina absoluta
A tilápia é um dos peixes mais produzidos no Brasil e a piscicultura dessa espécie tem ganhado cada vez mais espaço na aquicultura do país. Com um ciclo de produção rápido, resistência a doenças e alta adaptabilidade a diferentes ambientes de cultivo, a tilápia se tornou uma das principais espécies cultivadas em cativeiro.
De acordo com o Anuário Peixe BR da Piscicultura 2023, a produção de tilápias no Brasil alcançou 550.060 toneladas em 2022, volume que representa 63,93% da produção nacional de peixes de cultivo e aumento de 3% em relação ao ano anterior. “Com base nas demandas locais e globais, é provável que a tendência de expansão da produção de tilápia continue e possivelmente se intensifique nos próximos anos”, reforça Medeiros.
Além da alta demanda por parte dos consumidores nacionais, a tilápia responde por 88% das exportações brasileiras de pescado, atendendo sobretudo os Estados Unidos, que consomem 83% da tilápia vendida ao mercado externo. O segundo mercado mais significativo é Taiwan, que compra principalmente os produtos não comestíveis, como pele, escama, farinha e óleo.
Contando somente a tilápia, o Paraná lidera o ranking de produção no Brasil, seguido por São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Em 2022, o Paraná produziu 187.800 toneladas da espécie, o que corresponde a cerca de 34% da produção nacional. São Paulo, por sua vez, produziu 77,3 mil toneladas, seguido por Minas Gerais, com 51,7 mil, Santa Catarina com 42,5 mil toneladas e Mato Grosso do Sul com 32,2 mil toneladas.
Conforme Medeiros, o sucesso da produção de tilápias no Brasil está ligado à qualidade do pescado, que tem alta aceitação no mercado interno e externo, além do fato de ser um peixe de fácil manejo e baixo custo de produção. Outro fator importante é a certificação do pescado, como o selo de produto sustentável do Aquaculture Stewardship Council (ASC) e o certificado de qualidade do Programa Brasileiro de Qualidade do Pescado (PBQP).
Além disso, a piscicultura de tilápias tem um papel importante na economia do país, gerando empregos e movimentando a cadeia produtiva desde a produção de insumos, como rações e equipamentos, até o processamento e distribuição do pescado.
Atual cenário
Embora tenham sido produzidas mais de 550 mil toneladas de tilápia no passado, o presidente da PeixeBR afirma que essa produção ficou aquém das projeções estipuladas pela entidade. “A tilápia representa 75% do nosso negócio, mas as projeções feitas no início de 2022 ficaram abaixo das nossas estimativas, muito em razão do preço baixo pago aos produtores no primeiro trimestre de 2022, tendo inclusive em algumas regiões o custo de produção maior do que o preço pago ao produtor. Essa situação levou muitos piscicultores a não realizar a reposição, vendendo a produção no primeiro trimestre e não comprando a mesma quantidade de alevinos para prosseguir com a produção”, avalia Medeiros.
Como a safra de tilápia regula o mercado, a variação no período de produção – em geral de seis a oito meses e de sete a nove meses na região Sul – tem impacto no resultado final. “A resposta sobre o efeito da falta de reposição de alevinos, notada principalmente no Paraná e em Santa Catarina, será vista ao longo deste ano. A janela para colocá-los é até final de março ou início de abril, se o produtor não coloca neste período só poderá inserir novos alevinos no segundo semestre”, salienta.
Por outro lado, 2023 iniciou com um bom preço pago ao produtor. “Semana após semana, estamos vendo um aumento no preço pago ao produtor, algo que é incomum mesmo após a
Semana Santa, quando o preço costuma cair ou estabilizar. Estamos projetando uma melhoria no preço pago ao produtor ao longo deste ano. Portanto, estamos em uma fase de recuperação das perdas que os produtores sofreram em períodos anteriores”, frisa Medeiros.
De acordo com o Indicador de Preços da Tilápia do Cepea/PeixeBR, na primeira semana de maio os produtores da região dos Grandes Lagos receberam R$ 10,10/kg, enquanto no Oeste do Paraná o valor pago foi de R$ 9,30/kg. Já no Norte do Paraná, o preço foi de R$ 9,48/kg e em Morada Nova de Minas o valor pago foi de R$ 9,25/kg. “É extremamente importante para o produtor fazer um diagnóstico preciso do que está acontecendo no mercado. A gente tem que ter consciência de que esse é o valor médio da comercialização de peixes, é lógico que teve preços acima e preços abaixo, conforme as condições específicas de cada região”, menciona, ampliando: “Historicamente essa diferença de preços tem sido observada, no entanto, atualmente, estamos prevendo uma boa safra de soja e uma projeção otimista para a safra de milho. Já houve uma queda significativa nos preços do milho no mercado e esperamos que a safra de grãos continue bem, para que as indústrias possam adquirir soja e milho com preços mais acessíveis. Isso, por sua vez, resultará em uma redução no preço da ração e uma melhoria ainda maior na margem do produtor”.
Regiões do Brasil

Foto: Jefferson Christofoletti
A região Sul do Brasil é o principal polo de cultivo de peixes no país, com dois dos 10 estados que mais produzem. Em 2022, os sulistas produziram 275.700 toneladas, o que representa 32% de todo o volume nacional de peixes, crescimento de 2,4% em relação a 2021.
O Nordeste, embora tenha uma produção considerável menor que o Sul, produziu 170.065 toneladas em 2022, o que equivale a quase 20% de toda a produção nacional de peixes. Esse volume é 4,8% maior do que o apresentado em 2021, representando o maior crescimento na relação ano contra ano. O Sudeste aparece em terceiro lugar em produção, com 159.380 toneladas e um avanço de 4,2% sobre 2021.
A região Norte ocupa a quarta posição em volume, com 145.310 toneladas, apresentando um crescimento praticamente estável, de apenas 0,3%. E o Centro-Oeste registrou queda de 1,6% de 2021 para 2022, passando de 111.750 toneladas para 109.900 toneladas. “Na região Norte, onde são criados peixes nativos, espera-se uma reação na produção este ano, embora ainda pequena, devido ao ciclo de vida dessas espécies, que é de cerca de um a um ano e meio. Isso significa que a reação observada este ano só será refletida em 2024, diferentemente da tilápia, que tem o ciclo de produção mais curto”, explica Medeiros, acrescentando: “É um momento muito favorável para a piscicultura, mas é preciso cautela, pois assim como a maioria das atividades agropecuárias no Brasil, a piscicultura é cíclica. Portanto, é importante usar o momento atual para pagar as contas e capitalizar o negócio, para que o produtor possa enfrentar eventuais dificuldades que podem surgir em ciclos futuros com mais tranquilidade e acumular vantagens competitivas ao longo do tempo”.
Consumo per capita
Aumento do consumo interno e estratégia de vendas da agroindústria impulsionam crescimento da piscicultura no Brasil. Durante o início da pandemia, Medeiros pontua que havia preocupações quanto ao impacto do cenário no setor, mas após o período crítico, o mercado teve um impacto positivo. “O consumo de peixes cresceu significativamente durante a pandemia, uma vez que as pessoas passaram a procurar produtos mais saudáveis, e como a produção de peixes não foi interrompida isso proporcionou um aumento na oferta de peixes nos pontos de venda e, consequentemente, um ganho de participação no mercado frente a outros produtos de pesca”, elenca o presidente da PeixeBR.
Atualmente, o consumo per capita de peixes de cultivo, peixes importados e produtos da pesca no Brasil é de cerca de 9,3 kg. Embora esse número seja baixo em comparação com a média mundial de 20 kg, é uma boa oportunidade de crescimento para o mercado interno, que tem 214 milhões de consumidores. “As agroindústrias, principalmente as de aves, têm desempenhado um papel importante no desenvolvimento da atividade, produzindo e comercializando tilápia em mais de 140 mil pontos de venda no país”, ressalta Medeiros, ampliando: “A estratégia de vendas da agroindústria tem sido eficaz na promoção do aumento do consumo interno de peixes e muitas empresas que antes não produziam tilápia agora a comercializam. O projeto Coma mais Peixe também tem desempenhado um papel importante na desmistificação do consumo de pescado no Brasil. Com essas ações, o mercado de piscicultura brasileira tem uma grande oportunidade de crescimento e se aproximar da média mundial de consumo per capita”.
Ano de retomada de crescimento
Medeiros aponta que a cadeia enfrentou momentos ruins em 2018, 2019, no fim de 2021 e início de 2022, mas agora está em processo de recuperação. A alta dos preços das commodities (principalmente soja e milho) impactou a piscicultura, mas espera-se que a redução atual traga fôlego para a próxima safra de peixes de cultivo.
A tilápia é o carro-chefe da produção nacional e o Brasil busca manter e alavancar sua posição entre os maiores produtores de peixes do mundo, ocupando atualmente o Top 4 no ranking mundial em relação à tilápia. “A tilapicultura brasileira tem a maior taxa de crescimento no mundo, tendo crescido nos últimos sete anos 10,53% ao ano, não tem nada perto disso em nenhum lugar do globo. E no mercado interno não tem nada que possa acontecer que interfira na nossa taxa de crescimento, assim como a nível mundial, porque mesmo com a pandemia de Covid-19 e a guerra no Leste europeu não perdemos a taxa de crescimento. Acredito que ao final desta década já seremos o terceiro maior produtor de tilápia do mundo e já brigando pela segunda posição”, vislumbra Medeiros.
Ainda, o presidente da PeixeBR diz que o Brasil tem vantagens competitivas importantes na produção de tilápia, como tecnologia avançada e bons resultados zootécnicos. “Os países que estão em terceiro e em segundo lugar têm limitações em recursos, como água e ração, e até compram grãos do Brasil para engordar os peixes. Então, com essas vantagens, o Brasil tem potencial para se tornar o maior produtor de tilápia do mundo na próxima década”, enfatiza.
Medeiros destaca que, anteriormente, para obter bons resultados na produção de peixes, era necessário passar todo os ‘pés na água’. Contudo, atualmente, um bom produtor é aquele que divide o seu tempo entre a gestão do negócio, análise de custos e parcerias de comercialização. “É fundamental entender o mercado a fim de realizar contratos futuros de compra de insumos e venda de produtos. Somente a vontade de produzir, o esforço e o trabalho manual hoje já não são mais suficientes”, pondera.
Preocupações do setor
São muitos os desafios que tiram o sono dos produtores de peixes de cultivo. Medeiro enfatiza que o investimento diário na atividade é essencial, mas o ambiente de investimento no Brasil hoje é bastante instável, devido aos altos custos do dinheiro. “Isso torna o risco de investimento muito grande. Além disso, a taxa de juros para captação de recursos, os riscos sanitários e as questões de saúde animal são uma preocupação constante para os produtores, o que exige um planejamento cuidadoso. É fundamental que o produtor esteja atento 24 horas por dia para não ser pego de surpresa. Embora o setor seja promissor e continue a crescer, alguns produtores que não estejam atentos a todos os desafios podem não sobreviver no futuro”, aponta.
“A mudança do Jornal Presente Rural para uma edição de Peixes é uma grande conquista para nós do setor”
A partir de 2023 o Jornal O Presente Rural terá duas edições, uma no primeiro semestre e outra no segundo, dedicadas somente à piscicultura. Antes, o segmento era abordado na edição Suínos & Peixes e na edição especial de Aquicultura. Agora passa a contar com publicações exclusivas. “Essa iniciativa é extremamente relevante, principalmente por se tratar de um veículo de comunicação com grande credibilidade no mercado. A mudança do Jornal Presente Rural para uma edição de Peixes é uma grande conquista para nós do setor, pois entendemos o quanto a comunicação e o bom jornalismo são fundamentais para desmistificar informações do setor”, enfatiza Medeiros.
Ele destaca que desde a criação da PeixeBR, em 2015, a preocupação com a comunicação é recorrente. “A forma como nos comunicamos afeta diretamente os resultados dos negócios. É fácil criar uma comunicação que gera cliques, mas fidelizar o cliente é um desafio constante. É importante divulgar o que fazemos, como fazemos e para quem fazemos, principalmente para o cliente externo. Parabenizo essa iniciativa do Jornal O Presente Rural, que contribui para o fortalecimento da cadeia produtiva da piscicultura brasileira. Receber esse presente é fantástico e fundamental para o setor, pois reforça a importância da comunicação como um dos pilares do sucesso do nosso negócio”, ressalta.
Ranking nacional de produção de peixes de cultivo
Com base nos dados do Anuário PeixeBR da Piscicultura 2023, confira o ranking dos estados que mais produzem peixes no Brasil (toneladas).
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor aquícola acesse gratuitamente a edição digital de Aquicultura. Boa leitura!

Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.








