Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição
Suplementos sólidos para bovinos ganham espaço
A suplementação sólida é uma alternativa muito interessante para os sistemas tropicais de produção de bovinos a pasto

Artigo escrito por Luiz Orcirio Fialho, engenheiro agrônomo, mestre em Zootecnia e doutor em Ciência Animal com concentração em Nutrição Animal e pesquisador da Embrapa Gado de Corte; e Luana Silva Caramalac, zootecnista, mestre em Produção Animal do Cerrado, doutoranda em Ciência Animal com concentração em Nutrição Animal
As pastagens tropicais apresentam composição mineral variável e muito dependente da fertilidade dos solos em que são implantadas (quando cultivadas) ou nascem (quando nativas). Assim, solos férteis possibilitam o crescimento de pastagens mais nutritivas e ricas em minerais, sendo o inverso também verdadeiro.
Do ponto de vista de nutrientes orgânicos apresentam um ciclo anual dependente da estação climática, sendo mais nutritivas nas estações chuvosas, com maiores teores de proteína e energia e melhor digestibilidade – Quadro 1.

Quadro 1 – Composição anual das forragens e valores desejados para o alcance de bons desempenhos diários
De maneira geral as pastagens brasileiras são essencialmente deficientes em Sódio, Fósforo, Cálcio, Zinco, Cobre; muitas vezes deficientes em Enxofre, Magnésio, Iodo, Cobalto e Selênio e algumas vezes em Ferro, Manganês e Potássio. Para se ter uma ideia, estudos realizados sobre pastagens brasileiras mostrou que em 72% das amostras havia níveis menores de 0,12% de Fósforo e 95,6% níveis inferiores à 20 mg/kg de Zinco, para exigências de 0,16% e 30 mg/kg de matéria seca respectivamente.
Dados observados em uma propriedade na região sul do Estado de Mato Grosso do Sul, pelo período de 7 anos (2013-2019), em um rebanho de média anual de 15 mil reses, em pastagens de Brachiaria brizantha CV Marandú, recebendo suplemento mineral e/ou proteinados de baixo consumo, mostraram que os desempenhos médios em ganho de peso diário foram de 600 gramas/animal/dia no período chuvoso (novembro-maio) e de 200 gramas/animal/dia (maio-novembro) representando média anual de 400 gramas, incompatíveis com a necessidade para a produção de animais precoces.
Apesar do fato real da necessidade de suplementação, ocorre que respostas de desempenho animal em virtude da oferta de suplementos concentrados nem sempre são lineares, o que leva às situações de gastos elevados para desempenhos esperados insatisfatórios, conforme mostram os dados observados na revisão de trabalhos apresentada pelo pesquisador Sergio Raposo de Medeiros, da Embrapa Pecuária Sudeste – Quadro 2.
Assim, sistemas que otimizem o uso das pastagens, por meio do manejo correto (entrada e saída dos animais) e da manutenção da sua fertilidade (adubação e correção), costumam ter respostas econômicas vantajosas, especialmente quando associados às suplementações estratégicas, com suplementos de baixo consumo durante a recria e com concentrados no terço final da terminação a pasto.
Suplementos minerais em pó ou farelados são as formas mais comuns de suplementação de bovinos nos sistemas de produção em pastagens no Brasil. Entretanto vem crescendo rapidamente um novo formato de suplementação, já há muito utilizada em outros países – uso de suplementos sólidos.

Quadro 2 – Eficiência do nível de suplementação
Suplementação sólida
O desenvolvimento da suplementação sólida se deu a partir de 1930, quando eram feitos apenas de ureia e minerais. Porém, na década de 70, grandes empresas de nutrição animal investiram em pesquisas com os suplementação sólida multinutricional, adicionando melaço e outros nutrientes. A partir de 1990 essa tecnologia foi difundida e nos dias atuais mais de 60 países do mundo estão fazendo uso desse suplemento para a alimentação de ruminantes, enfrentando assim os períodos críticos de escassez de nutrientes da forragem.
Surgindo como uma alternativa eficiente para atender às demandas de mantença e produção dos ruminantes, oferece liberação gradual de energia, minerais, vitaminas e proteínas. Os animais podem consumir o mineral sólido em pequenos intervalos ou continuamente, tornando os ingredientes disponíveis para nutrir os microrganismos ruminais de forma lenta e contínua, melhorando a digestibilidade do pasto, aumentando assim a produtividade.
Os suplementos sólidos podem ser formulados para as diferentes categorias (cria, recria e engorda), contêm a totalidade de minerais requeridos além de fontes de vitaminas, proteína, energia, leveduras e bactérias vivas.
Atualmente a Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS) vem trabalhando em um estudo a fim de comparar e avaliar o uso de suplementos sólidos no que se refere ao consumo, ganho de peso, e comportamento de acesso ao cocho por animais suplementados na forma sólida ou em pó. Os dados preliminares mostram bons desempenhos e acesso mais regular dos animais ao cocho.
Além da menor necessidade de investimentos em estrutura de cochos e sua manutenção, a suplementação sólida apresenta as seguintes vantagens:
- Não necessitam de adaptação;
- Não apresentam risco de intoxicação mesmo sob chuva, pois essa tecnologia de suplementação sólida evita a solubilização da ureia;
- Permite uma reposição espaçada, reduzindo assim a mão de obra, pois não necessita de fornecimento;
- Permite um manejo inteligente das pastagens, uma vez que quando os blocos são fornecidos em áreas menos pastejadas, contribuem com a regularização do consumo uniforme do pasto e aumentando o ganho por área;
- Diminui o efeito de dominância no lote, devido a alocação de diversos blocos e distanciados entre si;
- Geralmente são embalados de forma que as mesmas possam servir adequadamente para o transporte, armazenamento e de oferta no campo, flexibilizando assim o manejo da propriedade.
Alternativa
A suplementação sólida é uma alternativa muito interessante para os sistemas tropicais de produção de bovinos a pasto. É possível que pelas suas vantagens adicionais, a escolha pelos produtores e o seu uso aumentem gradativamente, à medida que as pesquisas avancem e as indústrias apresentem opções de formulações e produtos vantajosos, como estamos observando.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock
O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



