Conectado com

Colunistas Opinião

Suinocultura passa por crise histórica

Setor sofre principalmente com a alta dos custos produtivos praticados na pandemia, que acompanharam a explosão da valorização do dólar. A curto e médio prazos, o produtor que não tiver reservas tende a deixar a atividade.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

A suinocultura paranaense e brasileira vive a pior crise de todos os tempos. O setor sofre, principalmente, com a alta dos custos produtivos praticados na pandemia, seja por falta de matérias-primas ou por supervalorização de commodities como milho e soja, que acompanharam a explosão da valorização do dólar.

Esse cenário é um reflexo de diversos fatores, entre eles a redução na produção decorrente da escassez hídrica, diminuindo a oferta dos insumos que são responsáveis por 80% do custo da alimentação na suinocultura.

Somado a isso, o mercado também teve impacto com o represamento de animais no mercado brasileiro, por cortes na exportação (especialmente da China e da Rússia), resultando na desvalorização da carne suína no varejo e déficit na remuneração do suíno terminado. Ainda, a guerra entre Rússia e Ucrânia provocou oscilações no barril do petróleo e diminuiu a importação de carne suína brasileira pela Europa.

Essa soma de fatores resulta em um suinocultor sem dinheiro para capital de giro, com aumento significante em custos variáveis e somados à depreciação das propriedades, estas com o mínimo necessário de manutenções e investimentos.

Hoje, a suinocultura expressa inviabilidade produtiva. A curto e médio prazos, o produtor que não tiver reservas tende a deixar a atividade. E, em momentos de crise, vale enfatizar todo o trabalho de formação e debates promovidos pelo Sistema Faep/Senar-PR, que sempre preconizou a urgência em investimentos constantes em eficiência produtiva, ou seja, que o produtor tenha conhecimento dos seus custos e receitas e tome decisões de manter a atividade no equilíbrio, prezando pela saúde financeira.

Fonte: Por Nicolle Wilsek, médica-veterinária e técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

9 − 7 =

Luiz Vicente Suzin Opinião

O debate necessário

A campanha eleitoral é um excelente e adequado momento para o debate aprofundado das problemáticas brasileiras

Publicado em

em

Luiz Vicente Suzin / Divulgação

Por: LUIZ VICENTE SUZIN

Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

A campanha eleitoral vai iniciar e já há um sentimento generalizado de que uma radicalização extremada pode impregnar os atos dessa jornada. Uma série de fatores – já de amplo conhecimento da população – tornará essa eleição original. A sociedade espera que a campanha e as eleições transcorram dentro da civilidade, da urbanidade e do respeito às leis e que candidatos e eleitores tenham plenas condições de exercer com liberdade e segurança todos os direitos que a cidadania assegura. Da mesma maneira, espera-se uma conduta madura e à altura desse importante momento da vida nacional de todos os candidatos e seus eleitores.

Prática corrente na cultura política brasileira é a formatação de propostas e planos de governo sob a orientação do marketing político, o que se revela pelas ideias de grande apelo popular, promessas de solução rápida para problemas crônicos e altissonantes anúncio de obras, ações e programas sintonizados com latentes aspirações populares.

Interessa à sociedade ir além das narrativas do marketing político. A campanha eleitoral é um excelente e adequado momento para o debate aprofundado das problemáticas brasileiras, através do qual cada candidato poderá expor suas ideias, seus valores, suas prioridades, sua visão de mundo. Isso é mais importante que a desenvoltura no vídeo, a rapidez de raciocínio ou a elisão verbal nos debates. O eleitor pode conhecer o caráter do candidato e avaliar suas propostas.

O debate dos temas nacionais talvez seja a maior contribuição do processo eleitoral à formação de uma consciência psicossocial. É o momento de assumir compromissos. A redução do tamanho do Estado brasileiro e o aumento de sua eficiência é uma das questões mais complexas porque, nesse momento, a pauta comum dos candidatos é o aumento do gasto social sem uma indicação clara das formas de seu financiamento. O debate pode evoluir e apontar horizontes porque a reforma administrativa seria a matriz para outras reformas estruturantes, como a tributária, a política, a trabalhista etc.

Outra questão que imperiosamente entrará no debate é a gestão macroeconômica, num momento em que a inflação voltou a assombrar o mundo e os preços ameaçam fugir ao controle, vergastando o poder de compra dos trabalhadores.

Saúde e educação são pautas inescapáveis. A saúde, em face da pandemia do novo coronavírus, tornou-se a principal preocupação dos brasileiros nos últimos dois anos, período em que o País – com elevado sofrimento e pesadas perdas humanas – aprendeu a enfrentar e domar covid-19. A educação, principal vetor da evolução dos países de primeiro mundo, ganha relevância porque ainda é o principal instrumento capaz de catapultar o indivíduo na busca pela ascensão social em todas as dimensões.

Qualquer esforço de análise e projeção para os próximos anos exige discutir os gargalos ao crescimento nacional. E eles têm um nome: infraestrutura. É preciso aumentar fortemente os investimentos na construção e melhoria de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, terminais, centrais elétricas, hospitais, creches e escolas.

Fazer do processo eleitoral um momento de debate e discussão de alto nível sobre as macroquestões nacionais, subordinando visões setoriais aos superiores interesses do País, é o que a sociedade espera dessas eleições. Não será fácil, mas é preciso tentar

Fonte: Assessoria
Continue Lendo

José Zeferino Pedrozo Opinião

O produtor rural é um forte

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Publicado em

em

José Zeferino Pedrozo / Divulgação

O setor primário, com destaque para a agricultura e as atividades extrativas, tem sido nos últimos anos a locomotiva da economia brasileira. Há um protagonista nesse universo que merece todos os registros: o produtor rural, para quem é consagrado, em sua homenagem, o dia 28 de julho.

Dedicado especialmente às atividades agrícolas e pecuárias, o produtor rural tornou-se o principal agente econômico do setor rural porque está na base de todas as cadeias produtivas fulcradas no agro. Na produção de cereais, na pecuária intensiva, no reflorestamento, na silvicultura ou na fruticultura, o produtor rural coloca em prática uma lei da economia, segundo a qual, a riqueza original se tira da terra.

O produtor rural tornou-se o destinatário de intensos e permanentes investimentos das agroindústrias, das cooperativas e, notadamente, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Em face disso, ampliou conhecimento, incorporou tecnologia, aperfeiçoou processos, elevou a produtividade e aumentou a produção. O treinamento, a qualificação e a requalificação foram além da formação profissional rural. O produtor rural tornou-se empresário e, a propriedade rural, uma empresa preparada para os desafios do mercado.

Dois aspectos merecem destaque. Na dimensão ambiental, o produtor moderno consolidou o papel de protetor ambiental. Essa constatação resulta do simples fato de que proteger os recursos naturais e utilizá-los de forma racional e sustentável é condição sine qua nom para a perpetuação da atividade. A agricultura de rapina é coisa do passado. O produtor rural contemporâneo é antes de tudo um gestor de fatores da produção, orientado para resultados, mas com responsabilidade.

Na dimensão econômica, o produtor rural oferece uma extraordinária contribuição ao desenvolvimento dos municípios e das comunidades onde atua. As notas fiscais rurais emitidas na venda da produção originada do campo, das lavouras e dos criatórios entram em sua totalidade no levantamento anual do movimento econômico de cada município e, assim, influem diretamente na definição do índice de retorno do ICMS. Na maioria dos municípios catarinenses o setor rural presta a maior parcela de contribuição para a formação das receitas do erário público. O movimento de um aviário, por exemplo, gera mais retorno de ICMS do que uma pequena empresa urbana.

Na agricultura estável e evoluída como a que se pratica em Santa Catarina o desmatamento, a poluição de rios e a degradação dos solos são práticas superadas. Décadas de assistência do serviço de extensão rural (do governo e das agroindústrias) e de esforços continuados de capacitação (sobretudo do sistema S: Senar, Sescoop e Sebrae) permitiram o surgimento de uma geração de produtores-empreendedores sintonizados com os novos tempos.

Importante reconhecer que produtor e agroindústria caminharam lado a lado nessa jornada de modernização e aperfeiçoamento, em grande parte para atender exigências do mercado internacional. A crescente presença de produtos primários do Brasil em cobiçados mercados mundiais foi conquistada, além de critérios de preço e qualidade, pelo cumprimento de exigências como defesa ambiental, bem-estar animal, combate ao trabalho infantil e ao trabalho em condições degradantes e cumprimento de normas e diretrizes de tratados dos quais o Brasil é signatário.

Conhecida como indústria a céu aberto, a agricultura enfrenta cotidianamente desafios assustadores como intempéries, ameaças sanitárias, crises mercadológicas, conflitos internacionais, escassez de insumos, choques cambiais, instabilidades políticas. Enfim, atuar nessa área não é para os fracos. Portanto, há muito que comemorar no dia dedicado ao produtor rural, 28 de julho.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo

Colunistas Artigo

Agro além da mesa: o potencial do setor para além da produção de alimentos

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Que o agronegócio é um dos principais pilares da economia brasileira, isso não é novidade. Os próprios números recentes do setor comprovam esse fato. Para se ter uma ideia, o segmento rural fechou o ano de 2021 com saldo positivo de US$ 105,1 bilhões, simbolizando uma alta de 19,8% em relação ao ano anterior, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

Responsável por mais de 9 milhões de empregos diretos com carteira assinada, o agronegócio brasileiro se aproveita da alta produção de commodities, como soja, milho, açúcar, carnes, produtos florestais, laranja, fumo e café, para ser um dos setores líderes de exportações do país, representando US$ 4 de cada US$ 10 dólares exportados pelo Brasil.

No entanto, a verdadeira importância do segmento para a sociedade ainda não é tão clara como deveria. Quando pensamos em agronegócio, a gigantesca maioria das pessoas rapidamente liga a palavra apenas à produção de alimentos. Apesar de realmente representar uma parcela significativa, a presença do setor em nosso dia a dia vai muito além de colocar alimentos em nossas mesas. 

Ainda que nem sempre nos damos conta, o campo é um gerador fundamental de matéria-prima e produtos essenciais para diversos objetos e atividades humanas, impactando diretamente na maneira como nos locomovemos, vestimos e até tratamos as nossas doenças.

Uma das produções fundamentais do setor, fora da questão alimentar, é a fabricação de biocombustíveis líquidos, como o etanol, obtido da cana-de-açúcar ou milho, e o biodiesel, fabricado a partir de óleos vegetais (como a soja) e gordura animal. Além de serem poderosos produtos econômicos, tanto no mercado nacional quanto no internacional, tais combustíveis ainda possuem uma grande relevância no viés sustentável, já que são apontados como substitutos dos tradicionais combustíveis fósseis e auxiliam na redução dos GEEs (gases de efeito estufa), uma vez que se tratam de uma fonte renovável de energia.

O vestuário é outro segmento bastante impactado pela produção agro, principalmente por meio do algodão em pluma. A boa durabilidade e versatilidade apresentada neste material o transforma num produto essencial para a confecção de diversas vestimentas, como sapatos, bolsas, casacos, chapéus, luvas, calças, saias, blusas, mantas, dentre outros. 

Vale ressaltar ainda a ótima qualidade apresentada no algodão brasileiro. Com mais de 2,71 milhões de toneladas colhidas no ano de 2021, o material recebe, inclusive, uma atenção especial no mercado internacional, colocando o país entre os cinco maiores produtores e exportadores mundiais do produto.

Dentre os destaques nesse sentido está o eucalipto, árvore responsável pela produção do papel, por exemplo. Com a maior produtividade relativa do planeta, o Brasil se tornou o segundo maior produtor de celulose do mundo, se tornando referência no assunto. 

Vale destacar aqui que, além do papel e da própria celulose, o país conseguiu desenvolver o setor a ponto de produzir, tanto para consumo interno quanto externo, diversos produtos de higiene criados a partir desse material, como fraldas descartáveis, absorventes femininos, papéis higiênicos, lenços umedecidos e guardanapos.

Se a participação bovina já é bastante extensa na indústria brasileira, se englobamos todos os elos da pecuária (ovinos e suínos, por exemplo), a quantidade de segmentos cresce consideravelmente.

Um grande exemplo disso é a importante participação dos suínos na medicina. Isso porque, estudos recentes mostraram que os suínos compartilham uma série de características surpreendentemente semelhantes aos humanos, como o fato de ambos apresentarem uma espessa camada de gordura subcutânea, narizes salientes e outras similaridades anatômicas, incluindo a pele e as válvulas cardíacas desses animais. Recentemente, inclusive,  foi realizado um transplante de um coração de porco para um homem nos EUA. 

Outro exemplo que vale o destaque é a participação dos ovos na produção de vacinas, inclusive contra covid-19. Segundo o Instituto Butantã, que não só reproduz imunizantes internacionais como também cria protetores próprios, o desenvolvimento de sua própria vacina utiliza os embriões de ovos para a replicação do vírus no reagente protetor.

Justamente por não ser tão clara à primeira vista, a participação do setor agro dentro de toda a sociedade brasileira precisa ser realçada por quem conhece esse potencial. Além da importância do conhecimento, a expansão desse viés abre caminho para promover ainda mais o desenvolvimento da área – sem deixar de lado a sua fundamental razão sustentável e ambiental.

Fonte: Por Lucas Tuffi, diretor comercial da Agrotools.
Continue Lendo
Yes 2022

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.